terça-feira, dezembro 12, 2006

ME corta gratificações a orientadores de estágios



O Ministério da Educação ordenou às escolas que deixem de pagar as gratificações aos docentes que fazem a orientação dos estágios pedagógicos. A FENPROF já reagiu, afirmando que a única preocupação educativa da tutela é a poupança.
Em ofício enviado aos estabelecimentos de ensino, no final do mês de Novembro, o Ministério da Educação (ME) estipulou que os professores responsáveis pela orientação dos estágios pedagógicos vão deixar de receber as gratificações que lhes eram atribuídas até ao momento."Somos de parecer que o pagamento da gratificação aos orientadores de estágio deixou de ter previsão ou habilitação legal que sustente a sua atribuição. Face ao exposto, a partir do próximo mês de Dezembro, não poderão as escolas continuar a abonar a gratificação", refere o documento do Gabinete de Gestão Financeira do ME, datado de 20 de Novembro.O secretário de Estado da Educação justificou a decisão com um decreto-lei de Julho de 2005, no qual o Governo determina o fim do pagamento de qualquer retribuição aos alunos estagiários. Apesar de não fazer qualquer referência às gratificações devidas aos orientadores de estágio, o Decreto-Lei 121/2005 revoga diversos diplomas regulamentares onde se previa a existência deste pagamento adicional aos professores. No entanto, a gratificação, no valor de 84,34 euros mensais, continuou a ser paga, durante este ano lectivo, aos docentes que estão a supervisionar os estágios - situação que, segundo o documento, vai deixar de acontecer já a partir do corrente mês de Dezembro.Para além disso, de acordo com o ofício, o Ministério das Finanças coloca a possibilidade de pedir aos docentes que devolvam as gratificações que receberam desde Setembro de 2005. Em comunicado, a Federação Nacional dos Professores (FENPROF) afirmou que esta é uma "hipótese manifestamente absurda e ilegal". No entanto, até ao momento, ainda não é conhecida a decisão do Ministério das Finanças sobre esta matéria, uma vez que o Gabinete de Gestão Financeira do Ministério da Educação propôs que a reposição das gratificações fosse perdoada.A FENPROF considera, em comunicado, que "esta gratificação é uma das raras contrapartidas apresentadas aos professores, no início de cada ano lectivo, para que estes aceitem trabalho acrescido e tão exigente como é o da orientação de estágios pedagógicos". Assim sendo, na opinião da Federação, o congelamento deste pagamento extra por parte do Ministério da Educação "comprova inequivocamente que a sua única preocupação educativa é a da poupança. Tudo o resto é a trágica mistificação das suas políticas que vêm conduzindo a educação para um nível de mediocridade inaudito".No documento, a FENPROF adianta ainda que os professores afectados estão a pedir apoio jurídico aos sindicatos para recorrerem judicialmente "de uma situação que é alterada depois de definidas as regras e iniciada a função", ponderando solicitar escusa de função ou apresentar a demissão do cargo já a partir do próximo mês de Janeiro.
Marta Rangel 2006-12-12

Mais uma da Ministra

Conversas Literárias


Cara Professora,
É com particular satisfação que a Porto Editora o(a) convida a participar nas Conversas Literárias em torno da obra D. Sebastião e o Vidente, um extraordinário romance histórico de conspiração, mistério e revelação, da autoria de Deana Barroqueiro, também ela, professora de Português, entusiasta de História e uma excelente comunicadora. Estas Conversas Literárias vão ter lugar no Espaço Professor da Porto Editora, em Lisboa, pelas 15:30, no próximo dia 15 de Dezembro de 2006. Confirme a sua presença através do n.º 702 22 33 66. A inscrição é gratuita. Muito nos honraria contar com a sua presença. Gratos pela atenção, Centro de Apoio ao Professor Porto Editora
Nota: As inscrições estão limitadas à capacidade das instalações.

Os alunos mais especiais à espera de um apoio

São dois, ambos autistas. Assistem às aulas da turma do 6.º ano que frequentam, mas acabam muitas vezes por não chegar ao fim da lição. Um "é mais sossegado", o outro "faz mais ruídos". Enquanto o primeiro fica quieto a um canto sem actividades, o segundo é frequentemente levado por uma auxiliar educativa para longe da sala. Os colegas - com 10, 11, 12 anos - estranham. Não percebem porque é que "a professora nem lhes dá uns desenhos para fazer, como no ano passado". Os exemplos multiplicam-se. Entre alunos autistas, surdos, com trissomia 21 ou invisuais, os sindicatos garantem que há 2322 estudantes com necessidades educativas especiais (NEE) abandonados nas escolas sem apoio especializado.O Ministério da Educação desmente "categoricamente" os números e diz que está a "atender caso a caso" os poucos que existem. O DN foi ouvir as escolas e os pais. Das escolas obteve muitos silêncios. Junto das associações de pais soube que, com a Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais (Ferlap) à cabeça, está já a ser criado um grupo de trabalho para avaliar a situação. "As escolas não estavam preparadas para isto", atira o presidente do conselho executivo do agrupamento de escolas de Sátão, Eduardo Ferreira. "Isto" é a criação de um grupo específico de docência para a Educação Especial nos concursos de colocação de professores. É a razão do caos, para a Federação Nacional de Professores (Fenprof), que esta semana se envolveu numa troca de acusações com o ministério, quando divulgou um levantamento de dados que fez junto de 46% dos estabelecimentos de ensino do País e que a tutela afirmou ter sido falseado.Segundo a Fenprof, "faltam nas escolas centenas de docentes de Educação Especial e do Apoio Educativo e há milhares de alunos com necessidades educativas especiais sem apoio". Nas mesmas escolas "continuam a faltar os psicólogos e demais técnicos, e há poucos auxiliares de acção educativa, tantas vezes substituídos por tarefeiras."Só que, em directo no Fórum TSF de terça-feira, o secretário de Estado da Educação Valter Lemos afirmou que "não é verdade que existam esses ou outros números porque todos os casos que eventualmente tenham sido detectados têm sido atendidos pelo ministério". A Fenprof insistiu e Valter Lemos também: "Considero bastante grave que prefira manter as crianças sem acompanhamento ao não informar o ministério e, em vez disso, faça estas acusações."Vítor Gomes, responsável da Fenprof para o Ensino Especial, respondeu de imediato e com ironia: "Percebo que entre as secretarias de Estado parece não haver comunicação, já que estes números foram dados a conhecer ao secretário de Estado adjunto e da Educação Jorge Pedreira." Quatro professores, 50 alunosNo meio do fogo cruzado, ficam as escolas. Contactadas pelo DN, poucas quiseram revelar como decorreu o primeiro período de aulas dos alunos com NEE. Houve, na- turalmente, excepções. Fernando Horta, presidente do conselho executivo do agrupamento de escolas de Seia, admite ao DN as dificuldades que tem sentido. "Temos três alunos que precisam de terapeuta da fala e não existe aqui nenhum. Mas o maior problema é a falta de um psicólogo, porque esta zona é muito deprimida." E acrescenta: "A Direcção Regional de Educação do Centro requisitou-o para a Segurança Social de Leiria e criou-nos um problema grave. Até já escrevemos à ministra, mas não obtivemos resposta."Fernando Horta confessa até que já se viu sem saída: "Às vezes aparecem outros casos graves que não podemos mesmo apoiar e que têm de ir para outras escolas." E já teve de encontrar soluções menos más, como a de ter "crianças com atrasos intelectuais e um desenvolvimento muito abaixo do normal a serem acompanhadas por docentes de apoio sem especialização". É que nas escolas de Seia, há quatro professores para cinquenta estudantes com NEE. O conselho executivo diz que "a escola faz o que pode", mas também diz que sabe que isso é pouco.Apoio versus integraçãoEm Sátão, Eduardo Ferreira considera que foi a grande distinção entre a Educação Especial e os apoios educativos que criou a instabilidade que se vive nas escolas. "A maior parte das escolas tiveram dificuldade em saber que alunos estavam em cada um dos grupos", afirma. Para piorar o cenário, "neste agrupamento perdemos cinco professores de NEE de um ano para o outro". Mas não é só: "O facto de os professores terem os alunos espalhados pelo agrupamento faz com que seja mais difícil acompanhar todos." Nestas escolas, "para colmatar as falhas, os alunos foram contactados para que se percebesse quais é que necessitavam mais de apoio". Depois, "os que não puderam ser enquadrados nas NEE foram para o apoio". Eduardo Ferreira garante, contudo, "que não há nenhum aluno que não esteja integrado". Isto, claro, "se podemos considerá-los integrados quando só têm o apoio".A iniciativa dos paisCom apenas alguns meses de presidência da associação de pais da Escola Secundária de Santa Maria, em Sintra, António Pedro Gomes da Silva já tem uma queixa para fazer: "A psicóloga que trabalhava na escola foi-se embora e nunca foi substituída, apesar dos alertas feitos." Na mesma tarde em que António Pedro participou no Fórum da TSF, no entanto, "o ME fez chegar à escola duas técnicas que pegaram nos processos dos alunos com NEE e foram às salas de aula ver que necessidades estavam em causa", conta.Carlos Teixeira, da associação de pais do agrupamento de Castanheira, Vale do Carregado e Quintas, não tem "números globais", mas sabe de um caso preocupante. "Numa escola básica de Quintas havia dois irmãos com NEE. Uma está nas aulas, mas o outro - que sofre de uma paralisia - está em casa porque não temos professor para ele", diz. E desabafa: "Nem sei se a escola o poderá ajudar."Convencido desde Janeiro que o ano lectivo dos alunos com NEE não seria fácil, Manuel Barata, representante do conselho executivo da Escola Delfim Santos, no Alto dos Moinhos, em Lisboa, é um dos responsáveis pela criação do grupo de trabalho que quer tomar posição sobre esta matéria junto do Ministério. "Neste momento, estamos a fazer o levantamento dos casos através das concelhias de Sintra, Loures e Vila Franca de Xira." Às escolas têm chegado cartas de pais preocupados e "sabe-se que as coisas não estão melhores do que no início do ano". Por isso, "e já que nenhum serviço está a fazer a avaliação do que se passa, os encarregados de educação vão intervir", garante.Contactado pelo DN, o Ministério da Educação não quis prestar quaisquer esclarecimentos sobre esta matéria.

Os professores que dão orientação de estágio aos futuros colegas e por isso recebem 84,34 euros ilíquidos de gratificações, não irão receber


Segundo decisão do Ministério das Finanças, os professores gratificados terão também de repor os 15 meses em que exerceram estas funções, entre Setembro de 2005 e Novembro de 2006. O que representa 1265,10 euros (ilíquidos). A entrega deste dinheiro só não será concretizada se o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, aceitar o pedido de perdão avançado pelo Ministério da Educação, explicou ao CM Mário Nogueira da Federação Nacional dos Professores (Fenprof).
Segundo o sindicalista, “a nota informativa distribuída pelo Gabinete de Gestão Financeira às escolas informa, no seu último ponto, que: ‘Relativamente às gratificações pagas de Setembro de 2005 a Novembro de 2006 foi proposta a relevação dessa reposição ao Ministério das Finanças, pelo que oportunamente serão dadas orientações sobre o assunto’.”A Fenprof classifica a hipótese de devolução do dinheiro, que deverá atingir umas largas centenas de professores de “manifestamente absurda e ilegal”. Segundo explicou Mário Nogueira, “esta gratificação é entregue no início de cada ano lectivo para que os professores aceitem um trabalho acrescido. Agora, três meses depois do início do ano lectivo, surge a informação de que deverão continuar a exercer aquelas funções, mas graciosamente”. A Fenprof estuda agora se há possibilidade de os professores que assim o entenderem poderem abandonar a orientação a meio do ano. Em média, um professor abrangido pelos gratificados recebe 1200 euros de salário.
MESTRADO É OBRIGATÓRIO
O novo regime sobre as habilitações para a docência torna obrigatório um professor possuir um mestrado para poder leccionar assim como deverá ficar provado que possui domínio oral e escrito da língua portuguesa. A nova proposta toma em conta as regras do processo de Bolonha, segundo explicou o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, e deverá entrar em vigor no próximo ano lectivo. Também o estágio dos futuros professores terá novas regras, segundo a proposta de decreto-lei os candidatos a professores terão de realizar uma licenciatura de três anos. Concluída esta (e ao contrário do que hoje acontece em que os bacharéis podem dar aulas), os futuros professores terão de frequentar um mestrado, no mínimo de um ano de frequência, em que realizarão a profissionalização nas escolas, sob responsabilidade da universidade ou politécnico.
ORDENADOS
618 EUROS NO INÍCIO
618 euros é quanto leva para casa um professor bacharel em estágio. O vencimento é de 758 euros. Tendo em conta o poder de compra nacional, segundo a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OCDE) em 31 países, um professor português é dos mais mal pagos no início de carreira.1899 EUROS NO FIM
Um professor no fim de carreira consegue um ordenado máximo de 2856 euros, feitos os descontos recebe 1899.
OCDE observa que é dos mais elevados, só atrás da Coreia do Sul e México, mas destaca que este só é alcançado ao fim e 26 anos de serviço.
PIORES PARA OCDE
Habilitações de portugueses (entre 25 e 64 anos) são as piores de OCDE. Frequentaram 8,5 anos de escola.

A importância de saber línguas

SABER LINGUAS

Um alemão, procurando orientação sobre o caminho, pára o seu carro ao lado de outro com dois alentejanos dentro.

O alemão pergunta:

- "Entschuldigung, können sie Deutsch sprechen?"
Os dois alentejanos ficaram mudos.
- "Excusez-moi, parlez vous français?"- Tentou.
Os dois continuaram a olhar para ele impávidos e serenos.
- "Prego signori, parlate italiano?" - Nada por parte dos alentejanos.
- "Hablan ustedes español?" - Nenhuma resposta.
- "Please, do you speak english?" - Nada. Angustiado, o alemão desiste e vai-se embora.
Um dos alentejanos vira-se para o outro e diz:
- "Talvez devêssemos aprender uma língua estrangeira..."
- "Mas pra quê, compadre? Aquele idiota sabia cinco... e adiantou-lhe alguma coisa??!



A propósito das TLEBS - MERDA (Nem o Aurélio Buarque de Holanda definiu tão bem).
A palavra mais rica da língua portuguesa é a palavra MERDA. Esta versátil palavra pode mesmo ser considerada um curinga da língua portuguesa. Vejam os exemplos a seguir:
Como indicação geográfica
-Onde fica essa MERDA?
-Vá a MERDA
-vou embora dessa MERDA.
Como substantivo qualificativo:
Você é um MERDA!
Como auxiliar quantitativo:
Trabalho pra caramba e não ganho MERDA nenhuma!
Como indicador de especialização profissional:
Ele só faz MERDA.
Como indicativo de MBA:
Ele faz muita MERDA.
Como sinônimo de covarde:
Seu MERDA!
Como questionamento dirigido:
Fez MERDA, né?
Como indicador visual:
Não se enxerga MERDA nenhuma!
Como elemento de indicação do caminho a ser percorrido:
Por que você não vai a MERDA?
Como especulação de conhecimento e surpresa:
Que MERDA é essa?
Como constatação da situação financeira de um indivíduo:
Ele está na MERDA...
Como indicador de ressentimento natalino:
Não ganhei MERDA nenhuma de presente!
Como indicador de admiração:
Puta MERDA!
Como indicador de rejeição:
Puta MERDA!
Como indicador de espécie:
O que esse MERDA pensa que é?
Como indicador de continuidade:
Na mesma MERDA de sempre.
Como indicador de desordem:
Tá tudo uma MERDA!
Como constatação científica dos resultados da alquimia:
Tudo o que ele toca vira MERDA!
Como resultado aplicativo:
Deu MERDA
Como indicador de performance esportiva:
O Palmeiras e o São Paulo não estão jogando MERDA nenhuma!!!
Como constatação negativa:
Que MERDA!
Como classificação literária:
textinho de MERDA!!!
Como indicativo de ocupação:
Para você ter lido até aqui é sinal que não está fazendo MERDA nenhuma!!!

O amigo da onça...

Sindicato diz que proposta de Estatuto da Carreira penaliza professores

O Sindicato Democrático dos Professores dos Açores alertou, hoje, que a proposta do Governo Regional de Estatuto da Carr eira Docente é "altamente penalizadora" para os docentes, apresentando uma visão "negativista e funcionarista" da profissão.
O Sindicato Democrático dos Professores dos Açores alertou, hoje, que a proposta do Governo Regional de Estatuto da Carr eira Docente é "altamente penalizadora" para os docentes, apresentando uma visão "negativista e funcionarista" da profissão.
O Sindicato, que se reuniu recentemente com o secretário do sector, adi antou que a terceira versão da proposta de Estatuto para os docentes que prestam serviço no Arquipélago propõe uma carreira com a duração de mais de 35 anos par a acesso ao topo (mais de 38 anos para a grande maioria dos professores dos Açor es), contra os 26 actuais.
Em alternativa, a estrutura sindical realçou, em comunicado, ter suscit ado ao secretário regional da Educação a possibilidade de uma carreira em que o tempo de serviço entre o acesso e o topo seja, de acordo com os padrões europeus , inferior a 35 anos.
"O SDPA analisou, também, as variáveis que respeitam aos modelos de ava liação do desempenho, com ênfase na avaliação predominantemente formativa", sust entou o Sindicato, para quem a Região tem um corpo docente "altamente profission alizado e estável".
A estrutura sindical entende, assim, que a proposta apresentada "restr inge os direitos profissionais, amplia exponencialmente os deveres, perfis de de sempenho, conteúdos funcionais e indicadores de avaliação" dos professores.
O Sindicato salientou, porém, que o documento não estabelece diferente s categorias profissionais, nem quotas para a progressão na carreira, mas aprese nta um modelo de avaliação muito extenso.
"Não passa de um sistema de notação funcional, e que pela sua extensã o (cerca de uma centena de factores de avaliação) tornaria virtualmente impossív el ao docente atingir um nível óptimo de prossecução de todos os objectivos, apr esentando um conjunto de significativas reduções de direitos legalmente consagra dos", argumentou.
O Sindicato lamentou que a proposta mantenha a avaliação dos professore s pelos pais e que contenha como factores de avaliação dos docentes o rendimento e abandono escolar dos alunos.
"Trata-se de um modelo de avaliação tão extenso quanto inexequível, com graves prejuízos para os docentes", alertou o Sindicato, ao alegar que a propos ta apresentada só pode ser considerada "como um ponto de partida negocial" e "nu nca como um documento final e fechado".
De acordo com o Sindicato, que assegurou ter manifestado a sua disponib ilidade para melhorar a proposta, após um período de audição dos professores, es tá prevista uma ronda negocial com as forças sindicais representativas dos professores dos Açores, em Fevereiro.
12/7/2006 7:45:00 PM
por Lusa/AO

Os candidatos a professor vão ter um novo regime de habilitações


O Conselho de Ministros da próxima semana deverá aprovar novas normas para acesso à docência.

Os candidatos a professor vão ter um novo regime de habilitações que acaba definitivamente com a distinção entre docentes com habilitação "própria" e "suficiente" para o ensino. A partir de agora, todos – desde educadores de infância a professores do secundário – vão ter de possuir licenciatura e mestrado. As novas regras serão válidas já no próximo ano lectivo.
O projecto de decreto-lei que deverá ir a Conselho de Ministros na próxima semana, a que o EXPRESSO teve acesso, e do qual dá mais pormenores na sua edição de amanhã, sexta-feira, adapta o esquema de habilitações para a docência ao regime de cursos superiores previsto pelo Processo de Bolonha e torna obrigatório que os candidatos a docentes obtenham o grau de mestre (num regime de créditos que implica a frequência mínima de um ano de pós-graduação).
Nesta fase têm de demonstrar “domínio, oral e escrito, da língua portuguesa”, aspecto que o Ministério da Educação considera ser uma “dimensão comum da qualificação de todos os educadores e professores”.

Contratação directa de professores pelas escolas arranca já em Janeiro



A contratação directa de professores pelas escolas, para preenchimento de necessidades não permanentes, vai ser uma realidade a partir de 1 de Janeiro de 2007.



A partir do mês de Janeiro de 2007 as escolas terão concursos próprios para substituir professores doentes ou recrutar peritos de técnicas especiais. O novo modelo substitui as contratações cíclicas, da responsabilidade da Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação, que no passado ano lectivo abrangeram cerca de 16 mil docentes.

Pelas novas regras as escolas passam a ter liberdade de suprir carências, não abrangidas pelos concursos nacionais, como a substituição de um professor impossibilitado de dar aulas por mais de 30 dias ou recrutamento de peritos de técnicas especiais. As escolas é que definem os requisitos mais importantes e podem celebrar contratos individuais a termo certo ou mesmo acordos de prestação de serviços.

Joaquim Páscoa, presidente do Sindicato de Professores da Zona Sul, considera que "esta forma de contratação não vai ajudar a resolver os problemas das escolas".


Ana Elias de Freitas

GOVERNO CORTA GRATIFICAÇÃO A ORIENTADORES DE ESTÁGIO DESRESPEITANDO COMPROMISSOS ASSUMIDOS


O Ministério da Educação informou as escolas de que, a partir do presente mês de Dezembro, não poderão continuar a ser pagas as gratificações devidas aos professores que, nas escolas, asseguram a orientação da prática pedagógica.
Esta gratificação, no valor de 84,34 euros/mês, é uma das raras contrapartidas apresentadas aos professores, no início de cada ano lectivo, para que estes aceitem trabalho acrescido e tão exigente como é o da orientação de estágios pedagógicos. Contudo, três meses depois de iniciado o ano, surge a informação de que os professores deverão continuar a exercer aquelas funções, mas graciosamente.
Esta atitude do ME comprova inequivocamente que a sua única preocupação educativa é a da poupança argentaria. Tudo o resto, é a trágica mistificação das suas políticas que vêm conduzindo a Educação para um nível de mediocridade inaudito.
Um Ministério da Educação que verdadeiramente se preocupasse com a qualidade do ensino não poderia menosprezar desta maneira o trabalho dos orientadores da prática pedagógica supervisionada dos cursos de formação inicial de professores, retirando-lhes a gratificação que havia assumido pagar.
É tanto mais lamentável esta atitude quanto a dinamização pedagógica das escolas também passa pela acção daqueles docentes, indispensáveis a um bom enquadramento profissional e relacional dos futuros docentes. Mas ao ME o futuro parece pouco interessar tão absurdamente vive mergulhado neste presente sem futuro.
Esta informação ficou a conhecer-se através de ofício-circular do Gabinete de Gestão Financeira do ME, datado de 20/11/2006, que divulga despacho do Secretário de Estado da Educação, sobre a matéria, que tem data de 10/11/2006.
Mas, pela informação enviada às escolas, fica, ainda, a saber-se que o Ministério das Finanças pondera ainda a possibilidade de reposição de 15 meses de gratificações pagas aos professores, hipótese manifestamente absurda e ilegal.
Os professores que orientam estágios nas escolas começaram já a manifestar a sua indignação face a esta alteração, começando a dirigir-se aos seus Sindicatos para que sejam apoiados juridicamente (recorrendo judicialmente de uma situação que é alterada depois de definidas as regras e iniciada a função, solicitando escusa de função ou apresentando a sua demissão deste cargo a partir do próximo mês de Janeiro).
A FENPROF, ao mesmo tempo que denuncia a situação, exige ao Governo que mantenha a gratificação, pelo menos, até final do ano lectivo, justificando, desta forma, a boa fé da proposta apresentada aos professores para que assumissem esta responsabilidade.
A manter-se a situação, os Sindicatos da FENPROF promoverão, logo no início do 2º período lectivo, reuniões com estes professores, no sentido de ser debatido o problema e adoptadas iniciativas que permitam a sua resolução.

O Secretariado Nacional

quinta-feira, dezembro 07, 2006

2006-11-23

O Conselho de Ministros aprovou Estatuto da Carreira Docente que «é muito importante para melhorar a nossa escola pública» e «oferecer às famílias portuguesas um sistema educativo que valorize o mérito dos professores e distinga aqueles que mais se empenham», disse o Primeiro-Ministro. O Estatuto constitui um instrumento efectivo de valorização do trabalho dos professores e de organização das escolas ao serviço da aprendizagem dos alunos.


Os mais recentes dados apurados pela Fenprof em quase metade dos estabelecimentos de ensino portugueses revelam que 2322 alunos com necessidades educativas especiais - cegos, surdos, disléxicos ou hiperactivos - não estão a receber apoio na sala de aula.
Números que são reforçados pela Federação Nacional dos Professores. Helena Martins é professora do ensino especial há 14 anos e reconhece as dificuldades e a incapacidade de fazer mais pelos alunos que acompanha.
O ministério da educação reconhece que o plano de apoio especial sofreu alterações, mas lembra que ainda assim existem 6 mil professores no sistema de ensino dos quais 1800 estão em instituições de educação especial e prestação de apoio educativo.

Ensino experimental obrigatório

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, defendeu, ontem, em Aveiro, a inscrição do ensino experimental das ciências como actividade "obrigatória" no Ensino Básico. A ministra da Educação esteve, ontem, na Universidade de Aveiro, para inaugurar o Jardim da Ciência - um espaço de ensino informal, ao ar livre, dedicado aos alunos mais novos (dos 4 aos 12 anos), cujos equipamentos, desenvolvidos por investigadores da universidade aveirense da área da didáctica, facilitam a aprendizagem das ciências pela experimentação - e participou numa reunião de trabalho da coordenação do Programa de Formação em Ensino Experimental das Ciências para Professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico, que está a decorrer, desde Outubro, em todo o país ."Uma das nossas preocupações é a inscrição do ensino experimental como actividade obrigatória e como condição fundamental no Ensino Básico", disse a ministra, sublinhando que o país ainda tem "muito caminho a fazer nesta matéria". A ministra defendeu, por um lado, a necessidade de se desenvolverem programas de formação contínua para professores, a inscrição do ensino experimental das ciências na formação inicial dos docentes, por outro, além de uma maior articulação, nesta matéria, entre as escolas dos vários níveis de ensino. Designadamente entre as universidades e as escolas do Ensino Básico

Negociação para contratação de professores acaba sem acordo

Diploma muito contestado pelos sindicatos
O Ministério da Educação (ME) concluiu hoje as negociações sobre o novo regime de contratação de professores, que permite às escolas contratar docentes directamente através de anúncios nos jornais, um diploma muito contestado pelos principais sindicatos do sector.
Apresentado aos sindicatos a 14 de Novembro, o diploma proposto pela tutela prevê que as escolas possam contratar professores directamente a partir do primeiro período de aulas, em situações como a substituição de docentes de baixa ou licença de maternidade, o recrutamento de formadores para áreas mais técnicas dos cursos profissionais ou o desenvolvimento de projectos de enriquecimento curricular e combate ao insucesso.
De acordo com o documento, os estabelecimentos de ensino podem iniciar, já a partir de Janeiro, processos autónomos de recrutamento de docentes, com quem estabelecem contratos individuais de trabalho, uma medida que, segundo o ME, visa garantir "uma maior rapidez na substituição temporária de professores e possibilitar a escolha dos candidatos com um perfil mais ajustado às necessidades".
Os requisitos, o perfil e as habilitações que os candidatos devem apresentar são definidos localmente em cada estabelecimento de ensino, o que significa que as contratações deixam de ser feitas com base numa lista nacional de graduação profissional, um dos aspectos mais criticados pelas organizações sindicais, que temem que o projecto dê azo a situações de favorecimento pessoal.
Para a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), que hoje reuniu pela última vez com a tutela sobre esta matéria, o regime proposto pelo ME "não garante a transparência em todas situações".
"Enquanto existir uma lista de professores não colocados, que estão ordenados segundo a sua graduação profissional, essa lista tem de ser respeitada, até porque é o único critério que permite assegurar totalmente a transparência. Sem essa lista, podem criar-se graves injustiças entre docentes", disse à agência Lusa Lucinda Manuela, do secretariado nacional da FNE.

Contratação directa de professores pelas escolas arranca já em Janeiro


A contratação directa de professores pelas escolas, para preenchimento de necessidades não permanentes, vai ser uma realidade a partir de 1 de Janeiro de 2007. O novo modelo substitui as contratações cíclicas, coordenadas pela Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação (DGRHE) que, no ano lectivo passado, abrangeram cerca de 16 mil docentes.Pelas novas regras, as escolas terão liberdade de suprir carências não abrangidas pelos concursos nacionais do Ministério da Educação, como a substituição de um professor impossibilitado de dar aulas por mais de 30 dias - devido a doença ou outros motivos - ou o recrutamento de peritos de técnicas especiais, como a dança.Ao contrário do modelo das cíclicas, os concursos não serão organizados em função de critérios como a antiguidade na profissão, cabendo às escolas definir os requisitos mais importantes. Os vínculos também mudam: em vez do contrato administrativo de provimento, passam a ser celebrados contratos individuais a termo certo ou mesmo acordos de prestação de serviços (com recibos verdes).Segundo a última proposta, apresentada ontem aos sindicatos pelo Ministério da Educação, as cíclicas não desaparecem por completo, mantendo-se no primeiro período de cada ano lectivo, salvo orientação em contrário da tutela. "Para peritos e professores de técnicas especiais, a contratação pelas escolas é feita de forma imediata a partir de Setembro", explicou ao DN Ramos André, adjunto da Ministra da Educação. "No caso das substituições, porque nem todos os grupos são iguais, mantemos essa possibilidade das cíclicas, porque poderia tornar-se difícil para as escolas a obrigatoriedade de contratar a partir de Setembro.""Precariedade"As negociações sobre o novo regime de contratação terminam hoje, com a audição da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE). No entanto, mesmo com a certeza da aplicação da reforma em Janeiro, as organizações de docentes ponderam accionar o período suplementar de negociações.As principais críticas sindicais ao diploma prendem-se com o que classificam de "precariedade" no novo modelo de contratação, tanto para os professores como para o sistema."Há mais precariedade na substituição de contratos administrativos por contratos individuais de trabalho, ou de contratos a termo por contratos de prestação de serviço", disse Mário Nogueira, da Federação nacional de professores. "Além disso", acrescentou, "são introduzidas quotas de contratação por este sistema. E se forem precisos mais professores e a quota estiver esgotada?" Mário Nogueira contestou ainda o facto de o sistema não prever "qualquer mecanismo de recurso aos concursos das escolas pelos candidatos", e confessa "estranheza" pelo facto de se "estarem a regulamentar questões contratuais numa altura em que o novo Estatuto da Carreira Docente ainda nem sequer foi promulgado pelo Presidente da República".Ramos André defendeu que as alterações em causa "não dependem do estatuto e poderiam ter sido feitas com a legislação actual". Quanto à falta de mecanismos de recurso dos concursos, considerou que as críticas "traduzem uma desconfiança em relação à capacidade de organização das escolas".
Pedro Sousa Tavares


Centenário do nascimento de Rómulo de Carvalho


António Gedeão é uma pessoa rara. Nasceu poeta, tornou-se professor de Física e deslumbra-nos porque combina palavras com a serenidade, a certeza, a perícia de quem mistura sais.
Quando decidiu publicar o primeiro livro, em 1956, fê-lo em segredo. Não contou a ninguém, escondeu-se atrás de um pseudónimo e até a sua mulher recebeu um exemplar autografado pelo correio!
Colhidos de surpresa, os críticos não pouparam elogios. Mas interrogavam-se: afinal quem é este homem? A resposta aí está: António Gedeão nasceu a 24 de Novembro de 1906, no Bairro da Sé, em Lisboa, e foi baptizado com o nome de Rómulo. Rómulo de Carvalho. Cresceu rodeado de carinho e aprendeu a ler em casa, sob a orientação da mãe e da irmã Noémia. Tinha apenas cinco anos quando espantou a família apresentando o seu primeiro poema. Na escola, também deixou os professores assombrados porque lhe bastaram dois anos para adquirir os conhecimentos que habitualmente se distribuem por quatro. Ele próprio recorda esses tempos com um vago sorriso de ternura:
“Fiz exame de admissão ao liceu com oito anos e fiquei aprovado. Mas como não tinha idade para frequentar as aulas, continuei na escola primária que era um andar na Travessa do Almada. Ocupava o tempo a ensinar os mais novos. Essa foi a minha primeira experiência como professor. Se calhar, despertou ali a minha vocação…”
O estudo, sempre grande fonte de prazer, veio levantar-lhe um problema difícil: seguir Letras ou Ciências? Igualmente atraído pelos dois campos, acabaria optando pelas Ciências. “Considerei que assim tinha acesso a uma maior vastidão de conhecimentos e preparava o espírito para me apoderar das Letras por conta própria. Fiz o curso de Físico-Químicas na Faculdade de Ciências do Porto porque quis afastar-me de Lisboa, onde o excesso de solicitações me dispersava. No Norte não conhecia ninguém e podia, portanto, mergulhar no estudo a tempo inteiro. Sem nunca abandonar a leitura. Mantive-me atento ao mundo literário. E nas horas vagas dava explicações. Acho que quis ser professor por causa disso. Apercebi-me que podia ser útil, que transmitia o saber com facilidade.”
O percurso do poeta transparece na obra: linguagem específica das Ciências, clareza invejável e um imenso talento.
“Não há não,duas folhas iguaisem toda a Criação.Ou nervura a menos,ou célula a mais,não há com certeza,duas folhas iguais.”
Até parece fácil. E para ele, é. “Nunca estive sentado diante de uma folha de papel à espera de inspiração. As palavras ocorriam-me espontaneamente, muitas vezes a propósito do quotidiano e compunha o poema de cor onde quer que estivesse. Depois, chegava a casa e escrevia.”
Esta espontaneidade confere um ritmo muito especial aos poemas. O ritmo da própria música.
“Eles não sabem que o sonhoé uma constante da vidatão concreta e definida como outra coisa qualquer, como esta pedra cinzenta em que me sento e descanso,como este ribeiro mansoem serenos sobressaltos,…”

* Excerto de entrevista concedida por Rómulo de Carvalho a Ana Maria Magalhães - para Jornal do Gil -Expo 98
in O alquimista das palavras. Revista Noesis. Lisboa. nº 67 (2006). Separata
Concurso Rómulo de Carvalho


O Plano Nacional de Leitura

Armanda Zenhas 2006-12-06

"De pequenino se torce o pepino", provérbio verdadeiro em tantas situações da vida, é-o com grande pertinência na aprendizagem da leitura, que pode ser preparada (quase) desde o nascimento.
Os níveis de literacia em Portugal são preocupantemente baixos, como têm vindo a demonstrar diversos estudos internacionais. Muitos alunos concluem o Ensino Básico sem dominarem a leitura de forma a poderem utilizá-la de maneira funcional no seu dia-a-dia e na sua vida profissional. Aprende-se a ler lendo. E lê-se mais se se gosta de ler. Por outro lado, a leitura só pode ser agradável quando se consegue ler fluentemente e se compreende o que se lê.Não adaptaria por completo o provérbio "Burro velho não aprende línguas" à leitura, mas é verdade que a idade adequada para aprender a ler é a que corresponde ao início do 1.º ciclo de Ensino Básico e que iniciar essa aprendizagem na idade adulta é uma tarefa bem mais difícil e menos eficaz do que aos seis anos. "De pequenino se torce o pepino", provérbio verdadeiro em tantas situações da vida, é-o com grande pertinência na aprendizagem da leitura, que pode ser preparada (quase) desde o nascimento. O contacto com textos orais (contos, provérbios, adivinhas, lengalengas) e livros prepara a criança para aprender a ler, despertando nela a curiosidade e o gosto pela leitura, a familiaridade com as letras e o texto escrito.Em Junho de 2006, foi lançado, em Portugal, o Plano Nacional de Leitura, da responsabilidade do Ministério da Educação, em articulação com o Ministério da Cultura e o gabinete do Ministro dos Assuntos Parlamentares. O seu objectivo principal é promover o prazer de ler e a criação de hábitos de leitura nas crianças e nos jovens, desenvolvendo actividades regulares de leitura por prazer nas escolas, tanto nas salas de aula como nas bibliotecas. Pretendendo-se um contacto precoce com os livros, o programa dirige-se especialmente aos alunos do ensino pré-escolar e dos 1.º e 2.º ciclos do Ensino Básico.Para se criar hábitos de leitura, é necessário criar simultaneamente o gosto por ela. Daí que me pareça muito importante esta promoção da leitura por prazer e a concretização de actividades no seu âmbito diariamente, tanto nos jardins-de-infância como nas escolas do 1.º ciclo. Já no 2.º ciclo, a frequência prevista é semanal, com a dedicação a elas de um bloco de 45 minutos na disciplina de Língua Portuguesa.Existe um site do Plano Nacional de Leitura (http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/), com informação importante para a sua implementação. Aí encontramos expressos os motivos que justificaram a criação deste Plano, os seus objectivos, as suas linhas de estratégia, o público-alvo e as áreas e fases de intervenção. São divulgadas listas de livros adequados aos diversos níveis etários abrangidos. Há sugestões de actividades para serem desenvolvidas nas escolas e na família. Com efeito, o Plano Nacional de Leitura prevê a promoção da leitura nas escolas, em contexto familiar e nas bibliotecas públicas. Recomendo vivamente uma consulta a este site, no caso de pretender aprofundar o tema tratado neste artigo.A formação de professores e outros profissionais prevista no Plano Nacional de Leitura é um passo indispensável para serem alcançados os objectivos definidos. O site constitui um instrumento de apoio muito útil para o trabalho quotidiano.Outra importante vertente do Plano Nacional de Leitura é a criação de um ambiente social favorável à leitura. Estando esta tão arredada dos hábitos dos portugueses e constituindo a família um importante modelo para a criança, determinante no desenvolvimento de gostos e de hábitos, a intervenção dos meios de comunicação social seria fundamental. Para já, ainda não me apercebi de iniciativas neste âmbito. Torço para que elas surjam e contribuam para influenciar positivamente a valorização social da leitura e a promoção de hábitos nesse domínio.Este Plano está a dar os primeiros passos. Aguardo, com expectativas positivas, o seu desenrolar. Considero muito importante a implementação de todas as vertentes definidas, pois o desenvolvimento de hábitos de leitura carece de uma intervenção concertada da escola, da família e de outros contextos sociais e culturais, como as bibliotecas e os meios de comunicação social.
Bibliografia:

O problema não é o que funciona mal, mas saber o que funciona bem


Deu aulas durante 30 anos e já publicou 76 obras relacionadas, sobretudo, com educação. Admira a escola, na sua essência, e acredita nas capacidades dos alunos. Álvaro Gomes aponta aquilo que, na sua opinião, não está bem no ensino: por exemplo, a introdução da TLEBS e publicação de rankings.

Álvaro Gomes foi professor durante 30 anos. Deu aulas de Metodologia do Ensino e Metodologia da Formação na Universidade do Minho e foi autor de programas de Linguística para universidades portuguesas e estrangeiras. Foi vice-presidente internacional da Associação Europeia de Professores e já publicou 76 obras que se debruçam sobre temas como a educação, a retórica educativa e a comunicação.A sua experiência leva-o a ver o Ensino de forma crítica, mas não pessimista. Aponta os erros, mas também apresenta possíveis soluções. Na sua opinião, a nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS) pode desencadear "graves problemas de aprendizagem" nos alunos, ao mesmo tempo que dificulta o trabalho de professores e de pais que acompanham os filhos no estudo. No entanto, para Álvaro Gomes, a escola, enquanto instituição, deveria ser considerada "a mais importante das sete maravilhas do Mundo". Para ele, os alunos devem ser vistos como indivíduos e não como um todo. Só não suporta que se façam rankings de escolas e do aproveitamento dos alunos: para ele, é o mesmo que fazer corridas, "baralhando bicicletas, skates, ferraris, helicópteros, aviões a jacto".. Educare.PT: Concorda com a entrada em vigor da nova Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (TLEBS)?Álvaro Gomes (AG): A ciência é dinâmica. A linguística, em especial, é um fascínio e as suas várias perspectivas constituem focos iluminantes, cuja operacionalização, mesmo aos níveis educacionais mais jovens, se pode revelar extremamente fecunda. Mas a questão não é essa. O terramoto que esta TLEBS suscita situa-se, entre outros, nos planos pedagógico e didáctico. De facto, se uma experimentação controlada e paulatinamente experimentada poderia desvendar fecundos resultados, esta tempestade linguística pode provocar "alergias" de que poucos se curarão. Se tenho publicamente mostrado sérias reservas, não é apenas por (discutíveis) opções no plano científico (também o é). Mas é, sobretudo, por um conjunto de contra-indicações: pedagógico-didácticas, institucionais, económicas e político-culturais, contra-indicações que tive ocasião de explicitar noutros contextos.Se, aqui e agora, me limitar às primeiras, considerando que estamos perante crianças e jovens adolescentes, poderemos estar a desencadear graves problemas de aprendizagem. Mas há também a questão do ensino, porque os professores, genericamente, e apesar das boas vontades, não me parece estarem preparados para tal operacionalização. Receio que possamos estar perante um grave equívoco. E os argumentos que frequentemente ouvimos da parte de certos responsáveis (por exemplo, da Associação de Professores de Português) são, pelo menos, inquietantes.E.: Paulo Feytor Pinto, presidente da Associação de Professores de Português (APP), referiu existir uma "confusão" nas terminologias usadas em diferentes escolas. Considera que também existia esta confusão ou que será instalada agora com a introdução da TLEBS?AG: A APP, associação a cujo nascimento assisti, na década de 70, tem tido, nesta questão, uma posição que consideraria pouco prudente. Não há confusão nenhuma com a terminologia que nos vinha dos anos 60. Confusão, sim -e grave- é a que resulta da precipitada generalização desta "experimentação", sem ter havido uma discussão pública dos resultados de uma "investigação longitudinal", devidamente acompanhada e avaliada.Em intervenção recente na Antena 1, pude alertar para alguns desses problemas. Alguns dos responsáveis vieram, ali e então, reafirmar que a TLEBS era "para professores", confirmando, pois, o que eu próprio havia dito e escrito.A verdade, porém, é que essas vozes esqueceram dois aspectos: de um lado, a prática efectiva nas escolas (os professores, angustiados, buscam, a todo o custo, obras - manuais, gramáticas... - que os libertem dessa ansiedade). E os documentos que pude analisar mostram como o uso da terminologia se processa numa transposição directa (e à letra) de conceitos linguísticos insuficientemente geridos e digeridos. Por outro lado, esquecem a própria designação do documento: não se diz TL (terminologia linguística - ponto final); mas... para os ensinos Básico e Secundário. É aqui que está o problema.Já imaginou o que é pedir a jovens de 12 ou 13 anos que "identifiquem actos locutórios assertivos, directivos, compromissivos; actos perlocutórios...", etc., etc.? Para quê? Esta transposição do terreno universitário para o ensino básico é, simplesmente, obscena. Mas isso já está a acontecer.E.: Disse que a maioria dos professores não estará preparada para ensinar os novos termos linguísticos. E quanto aos alunos, terão mais dificuldades em aprender, tendo em conta que terão de substituir conceitos que conheciam com outros nomes? Os pais, por sua vez, terão mais dificuldades em acompanhar os filhos?AG: Há, felizmente, muitos professores com boa preparação teórica em estudos linguísticos. Há mesmo mestres e doutores nos ensinos Básico e Secundário. Mas, genericamente, a formação de base dos professores de Português é caleidoscópica. E não é uma formação "compacta e ad hoc" que vai superar tais limitações. Mais: a par disso, quantos pais estarão preparados para poderem acompanhar a educação dos seus filhos? Esta TLEBS, ao criar uma ruptura violenta com a formação mais tradicional das famílias, vem colocar uma barreira, que eu diria imoral, agravando, perigosamente, o risco generalizado de insucesso. Ninguém toma medicamentos, mesmo os mais eficazes, de uma vez. Os efeitos seriam letais. Se a nova terminologia -frequentemente apresentada como "remédio"- fosse equacionada com conta, peso e medida; se não fosse aplicada de uma só vez, mas em progressivas fases e apenas em alguns dos seus aspectos (os contributos da Linguística Textual, por exemplo), os alunos poderiam sair largamente beneficiados dessa utilização. No contexto actual, estamos, porém, muito longe disso. A TLEBS surgirá, para grande parte deles, como um grave e inútil obstáculo pedagógico.E.: E no que diz respeito à actualidade da matéria exposta nos manuais escolares, sairá lesada com a entrada em vigor da TLEBS?AG: O que aconteceu já em muitas escolas é que manuais escolares de grande qualidade foram, pura e simplesmente, postos de lado, porque "não respeitavam a nova TLEBS". Ora, é inacreditável que tenham sido rejeitados documentos excelentes em detrimento de obras que constituem uma transcrição apressada, directa e à letra, de conceitos linguísticos, alguns dos quais são conceitos in fieri... (ainda em gestação). E.: Concorda que a TLEBS comece por ser implantada apenas no 3.º, 5.º e 7.º anos de escolaridade?AG: Escrevi, recentemente, que a TLEBS é uma espécie de "sapato de adulto em pezito de criança". Teremos nós o direito de transformar os nossos estudantes em pequenos Gullivers em país de gigantes ou em cobaias profissionais?A par disto, não vivemos o momento mais adequado para promover alterações tão radicais. Os professores estão a atravessar uma fase de profunda turbulência, a todos os níveis da sua profissão. Vêem o seu posto de trabalho em risco; vêem-se humilhados em público e em privado, desde as cúpulas às bases do sistema; vêem-se defraudados nas suas expectativas profissionais; vêem-se violentados na sua dignidade... Sucede que os professores de Português ainda se confrontam com uma outra "espada de Dâmocles" e que tem a ver com a sua imagem, a sua competência, a sua realização. Para aqueles que não se sentem preparados e essa é uma situação mais generalizada do que se imagina - o panorama que vivem é o de terror profissional. Como irão eles aguentar -e durante quanto tempo- uma tal pressão, uma tal instabilidade? Quem ganha com isso? As crianças não são, seguramente, pois elas são as antenas mais sensíveis na captação dos estados de alma dos seus formadores. E.: Esta alteração da terminologia utilizada, de forma a conduzir a uma uniformização, era, na sua opinião, necessária?AG: Os nossos lavradores sabem bem que as enxurradas que se seguem a grandes trovoadas não são propriamente a maneira mais abençoada de irrigar os campos. A chuva miudinha, constante, numa cadência ritmada, persistente oferece-nos garantias de produzir bons frutos. Prefiro, pois, a rega ou a regra "gota a gota". Por que razão seria diferente com a "lavra" dos textos ou da língua...?Por outro lado, esta ideia de uniformização é uma ideia de lastro autoritário, em contradição com um dos aspectos que se enuncia na própria portaria: "linguística descritiva". E.: Já teve oportunidade de afirmar, em exposições suas, que considera que o sistema educativo está em crise. Na sua opinião, o que é que funciona mal?AG: A palavra crise está fundacionalmente relacionada com a ideia de corte, de ruptura, de crivo, isto é, de separação, de escolha. O crivo permite peneirar o grão, separando-o dos elementos inúteis.As crises são, pois, esses crivos, que permitem os grandes momentos de "escolha" e de "recolha", os grandes desafios, as grandes apostas, as grandes decisões. Mas tudo isso tem a ver com dimensões quase imperceptíveis. Nós não vemos o ar e, se alguma vez o "virmos", isso não será bom sinal. É o tempo de estarmos atentos a ângulos em que outros não reparam. Nesse processo repousa a solução dos problemas mais ousados. Num dos livros que publiquei recentemente, mostro como, observando banais fenómenos do quotidiano, podemos encontrar soluções-maravilha (lat. mirabilia: as coisas que são dignas de ser miradas, olhadas). Basta estarmos atentos. O problema não é, pois, aquilo que funciona mal, mas saber o que funciona bem para, por osmose, poder contagiar positivamente todo o sistema.E.: No livro A Aula recusa uma escola centrada "numa base instrumental e utilitária". Considera, por isso, que existe falta de comunicação e criatividade nas salas de aula?AG: A escola não deve ser meramente instrumental. Ela também o é; mas o essencial é que um estudante sinta, ao longo do seu percurso, que é bom estudar porque é bom estudar; é bom saber, porque é bom saber; porque ficamos mais ricos como pessoas, nos planos ético, moral, sensorial, emocional e racional. A questão: "A escola serve para quê?" é, por isso, uma falsa questão. O essencial é sentirmos que "A escola é esse espaço e esse tempo em que, por excelência, nos desenvolvemos como seres humanos e como cidadãos". Tudo o resto vem por acréscimo.E.: Não concorda com a publicação dos rankings das escolas. Porquê?AG: Sendo a avaliação das dimensões mais complexas da educação, é chocante observar como alguns pensadores tudo crêem resolver com a varinha mágica dos "exames". Veja lá que até já vi notas de 8,146, numa escala entre 0 e 20! Como se estivéssemos a cronometrar uma corrida de galgos ou de Fórmula 1. Conhece alguém que coloque numa grelha de partida um 2 CV e um Ferrari, para, depois, os seriar, à chegada? Conhece alguém que faça corridas, baralhando bicicletas, skates, ferraris, helicópteros, aviões a jacto...? Ora, se somos tão compreensivos e tolerantes com as máquinas, por que razão somos tão insensíveis quando em causa estão pessoas? Não será isto obsceno?Alguém se lembraria de fazer um ranking com papoilas, margaridas, amores-perfeitos, rosas ou cravos? Nem tal nos passa pela cabeça, porque o problema é que sabemos estar perante entidades diferentes. Faltam-nos os critérios de partida, de processo e de chegada. Ora, o erro fatal consiste em olhar para os alunos como se fossem uma massa informe. Nós dizemos "os alunos". E a este "os" até chamamos determinantes e artigos e definidos. Mas não; não há alunos definidos numa massa informe. O que há é "um aluno", mais "um aluno", mais "um aluno"... Cada ser é indivíduo. Como nos atrevemos, então, a seriá-los, quando desconhecemos as suas características, os pontos de partida, as condições de funcionamento, etc., etc.? Como podemos colocar tudo num mesmo saco?Já reparou que os próprios resultados se traduzem em notas? Será mera coincidência? Estabelecer rankings é, por isso, algo que pode entusiasmar os tecnocratas, que se contentam com redutores gráficos cartesianos, com ordenadas e abcissas, mas é, seguramente, um mau sintoma civilizacional.Einstein foi, no Secundário, um aluno pouco mais que mediano. Se eu tivesse sido seu professor, não gostaria nada de tê-lo humilhado num qualquer ranking desfavorável... De facto, historicamente, quem terá saído humilhado? Einstein ou os seus avaliadores?Mas o mais funesto nos rankings nem sequer é isso. É que, ao transferir-se para motivações externas o que tem de ser, antes de tudo, uma motivação interna, estamos a dar aos estudantes distorcidos sinais de orientação e um presente envenenado. E.: No livro A Escola discorda dos modelos de escola tradicional e escola nova. Qual é o modelo que propõe?AG: Não é que discorde do paradigma da escola tradicional ou do paradigma da escola nova. Nesse livro, o que faço é revelar algumas das fragilidades de um e de outro, bem como daquela que tem sido designada como escola crítica.Se todas elas têm aspectos positivos e limitações, talvez valha a pena seguir a estratégia da abelha, quando visita flores muito diferentes. Retiremos de cada uma dessas macroteorias o "pólen educacional" que nos convém e podemos ficar seguros de que, da nossa "colmeia pedagógica e didáctica", fluirá um "mel" de primeira qualidade.E.: Então não tem uma visão negativa da escola enquanto instituição?AG: Do que acabo de lhe dizer, bem pode sentir que não. Bem pelo contrário. A escola foi, seguramente, uma dessas invenções-maravilha que os seres humanos, em verdadeiro golpe de génio, souberam desenvolver. Repare que se fala muito das sete maravilhas do Mundo (da Antiguidade), mas a escola nunca aparece nessa lista. Por mim, não teria a menor dúvida em considerá-la como a mais importante de todas.A escola é, com efeito, esse espaço e esse tempo em que podemos conseguir ou aperfeiçoar aquilo que a Natureza não nos concedeu como adquirido ou como definitivo. Por isso, no meu livro A Escola, considero-a como o "Cabo da Boa Esperança" que nos permite ultrapassar as "Tormentas" da vida. A Escola é, a meu ver, essa "arca-da-aliança" mediadora entre a coisa privada e a coisa pública, que as sociedades, em geral, disponibilizam, no sentido de dar as mesmas oportunidades a todos os seus cidadãos. Àquelas cabe garantir tais oportunidades. E a estes cabe não as desperdiçar, pois isso representaria uma perda irrecuperável.E.: Afirma na mesma obra que não pode haver prisioneiros nem ninguém pode ficar à margem. No actual sistema educativo quem são os prisioneiros: professores ou alunos? Considera que são os alunos provenientes de classes sociais mais desfavorecidas que, mais facilmente, correm o risco de ficar à margem?AG: A verdade do nosso quotidiano mostra-nos que a escola pode tornar-se numa malha, numa teia que nos enreda como aqueles pastosos espaços de mar cheios de algas. Se não tivermos as devidas cautelas, apesar da riqueza do iodo, poderemos enredar-nos nelas de tal maneira que os nossos movimentos ficarão neutralizados. Quanto a sabermos quem mais facilmente se deixará enredar (se os professores, se os alunos), talvez essa oposição nem faça muito sentido. Os "pulmões educativos" de uns e de outros são tecidos dos mesmos tecidos e passíveis dos mesmos infortúnios. As algas não seleccionam os seres humanos, que, assim, podem cair nas mesmas armadilhas, nas mesmas limitações. A experiência diz-me, porém, que a juventude dos alunos lhes confere um apurado instinto de sobrevivência. Dir-se-iam inoxidáveis. Em Blues pelo Humanismo Educacional?, cito aquele estudante que dizia: "A escola era péssima; os professores eram péssimos; os programas eram péssimos; os livros eram péssimos. Era tudo péssimo. Ah! Mas eu tramei-os! Eu aprendi!"De uma coisa não tenho dúvida: se os estudantes tiverem um bom hardware pessoal (intelectual, emocional, sensorial), se o software for de qualidade, se se protegerem com alguns airbags de contexto, não terão dificuldades de maior. Mesmo nas condições mais ingratas. Mas não me parece que as crianças que nos chegam de certos guetos sejam as mais bem equipadas em todos esses domínios...E.: E a formação dada aos professores no Ensino Superior é suficiente?AG: Costumava dizer aos alunos finalistas, nos cursos universitários, que se pensavam que estavam "formados", então estavam já "reformados" ou "conformados" com o (pouco? muito?) que aprenderam ou "deformados" com o que pudessem ter desaprendido. Com efeito, um curso é um mero percurso no longo decurso da vida. Por isso, se uma boa formação inicial se revela importante, o que é decisivo é, sem dúvida, uma formação constante, permanente, que se prolongue ao longo de toda a vida.Não conheço ninguém que se tenha alimentado até uma certa altura do seu desenvolvimento e depois tenha dito para consigo: "Estou suficientemente alimentado! Vou parar por aqui!" Se não mantiver as doses equilibradas e diárias, seguramente não se lhe adivinhará um bom fim... Quanto à questão de saber se a qualidade da formação inicial dos futuros professores é ou não é adequada... essa é uma resposta tão abrangente que ficaríamos aqui horas, a conversar. E.: Tendo por base o seu livro A Força da Palavra, considera que a palavra e o discurso predominam mais que os actos nas políticas educativas do actual Governo?AG: O balanço desses pesos e desses contrapesos não deve ser feito por uma só pessoa, mas por todos aqueles que votam. Se "formular um voto" se situa no plano do desejo, "dar um voto" situa-se no plano da fiança ou da confiança.Se nos centrarmos no terreno macro (isto é, no político), vale a pena recordar o neologismo introduzido pelo ex-líder do partido que suporta o actual Governo, o qual, referindo-se à Oposição de então, criou uma forma verbal muito imaginativa: "Eles promentem... - dizia." Mas note que "eles" são sempre os outros...Como tenho lembrado em várias obras, nós temos em português trinta verbos para mentir (mentir, enganar, fintar, fingir, simular...) e nenhum para dizer a verdade. Por mim, estou esclarecido quanto a esta matéria, pois conheço bem os horizontes e os limites da retórica.E.: Mas considera que a palavra ainda tem força numa sociedade cada vez menos interessada em discursos políticos e cada vez mais materialista?AG: Tenho lembrado, frequentemente, que "quem tem o poder da palavra tem, se quiser, uma palavra no poder". O inverso nem sempre é verdadeiro. Basta-nos ouvir algumas figuras públicas...As palavras são um mistério e uma arma de dois gumes. Se são a nossa defesa, elas podem ser a nossa perdição. Com palavras criamos o (nosso) mundo e com palavras o desfazemos. Com palavras salvamos e com palavras assassinamos. Espécie de napalm, pois (nos) marcam para toda a vida, elas são, também, um talismã resguardado em invólucros ou em casulos que contêm os segredos do mundo.Se são tesouros partilhados, elas são, paradoxalmente, um bem intransmissível, pois, ao agregarem dimensões sensoriais, emocionais e racionais, tecem para nós atmosferas pessoais que não conseguimos partilhar com ninguém. Por isso a comunicação é tão difícil.

Marta Rangel 2006-11-22