quinta-feira, dezembro 21, 2006

Mais 900 escolas primárias vão fechar em 2007


Até finais de 2007, vão encerrar pelo menos mais 900 escolas do 1º ciclo do ensino básico, no âmbito do processo de reordenamento da rede escolar. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado da Educação.
( 17:42 / 20 de Dezembro 06 )
Segundo Valter Lemos, o encerramento destas escolas assentará em dois critérios: ou terem menos de 20 alunos e uma taxa de sucesso escolar inferior à média nacional, ou então possuírem menos de 10 alunos.O governante acrescentou que foram estes mesmos critérios que levaram ao encerramento, em 2005/2006, de 1500 escolas primárias em 212 concelhos portugueses.Dados divulgados pelo Ministério da Educação (ME) dão conta que estas 1500 escolas acolhiam um total de 11 mil alunos, que foram transferidos para 847 escolas acolhedoras».O ME comparticipou com 2,4 milhões de euros as intervenções que as autarquias realizaram nas escolas «acolhedoras». «O nosso objectivo é proporcionar boas condições a todos os alunos e garantir-lhes igualdade de oportunidades de aprendizagem, quer estejam no Norte ou no Sul, no interior ou no litoral», sublinhou Valter Lemos.

José Sócrates recusa suspender processo de encerramento de 900 escolas

O primeiro-ministro, José Sócrates, recusou hoje uma proposta do Partido Ecologista "Os Verdes" para suspender o processo de encerramento de 900 escolas do 1º ciclo do ensino básico no próximo ano, considerando que aquela reforma vai continuar para "melhorar a educação".
"A reorganização e a modernização do parque escolar vai prosseguir, é uma das prioridades do Governo e será apoiada por verbas do próximo Quadro Comunitário de Apoio", afirmou José Sócrates, em resposta a uma intervenção do deputado de "Os Verdes" Francisco Madeira Lopes.Segundo o primeiro-ministro, que falava no Parlamento, as mudanças em curso visam acabar com escolas que têm só dez alunos e dotar os estabelecimentos de ensino da capacidade para servir refeições, assim como diminuir índices de insucesso escolar."Aulas são dadas dentro de contentores"Pelo contrário, para Francisco Madeira Lopes, a política de encerramento de estabelecimentos de ensino está a "transferir alunos para escolas de acolhimento, em que as aulas são dadas dentro de contentores e com inúmeros problemas"."Não há qualquer reordenamento nesta política, que está a trazer graves problemas às escolas e aos alunos", contrapôs assim o deputado ecologista.Francisco Madeira Lopes acusou ainda o primeiro-ministro de "nada esclarecer sobre como será o novo sistema de financiamento do ensino superior" e sobre as condições em que os estudantes terão acesso ao novo sistema de empréstimos.

Tribunais dizem que aulas de substituição devem ser pagas como horas extraordinárias

Os tribunais administrativos e fiscais de Castelo Branco e de Leiria deram razão a dois professores que exigiram o pagamento das aulas substituição contínua como trabalho extraordinário

Estas sentenças contrariam o entendimento do Ministério da Educação sobre esta matéria, já que a tutela considera que a substituição dos professores que faltam não tem de ser remunerada de forma extraordinária, escreve o Público.
O jornal adianta que de acordo com o Estatuto da Carreira Docente em vigor, as aulas de substituição são consideradas «serviço docente extraordinário», mas o Ministério só aceita que as aulas de substituição sejam pagas como horas extraordinárias quando asseguradas por docentes da mesma disciplina e desde que estes sigam o plano de aulas do colega em falta.
Esta controvérsia surgiu em 2005 quando o ministério da Educação aprovou um despacho que obrigava as escolas a organizar os horários dos professores para que em caso de um docente faltar ser imediatamente substituído por outro de forma a assegurar a ocupação dos alunos.
O jornal acrescenta ainda que de acordo com o Código de Processo nos Tribunais Administrativos, se houver mais de três decisões no mesmo sentido sobre casos «perfeitamente idênticos», todos os professores que tiverem feito substituições poderão requerer a extensão da sentença, ou seja, que as horas sejam pagas como extraordinárias.
Lusa / SOL

Queixas sobre o novo estatuto do docente internacionalizam-se

A plataforma sindical de professores, que reúne 13 organizações da classe, vai entregar, no próximo dia 28, uma queixa contra o Ministério da Educação na Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em causa, segundo os professores, está a violação de procedimentos previstos por leis nacionais e internacionais durante a negociação das alterações ao Estatuto da Carreira Docente (ECD). O diploma, que entra em vigor em Janeiro, foi aprovado pelo Governo no dia 23 de Novembro, com os votos contra de todas as organizações sindicais.Em causa, segundo disse ao DN Mário Nogueira, da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), estão "comportamentos do ministério que vão desde a chantagem à apresentação de novas propostas no próprio dia da reunião com os sindicatos". Entre as normas que, de acordo com estas estruturas, terão sido violadas contam-se os artigos 6.º e 7.º da convenção internacional sobre "protecção do direito de organização" e as "condições de trabalho na função pública", ratificada pelo Estado Português, e ainda "diversas normas constantes na lei 23/98 que em Portugal estabelece o direito à negociação colectiva"."Sabemos que as competên- cias ao nível da OIT são apenas de recomendação", admitiu Mário Nogueira, "mas há consequências políticas que o Ministério da Educação tem que tirar se esta confirmar que foram violadas convenções adoptadas pelo Estado Português".Os sindicatos esperam ainda discutir aspectos "possivelmente inconstitucionais" do estatuto com o Presidente da República, Cavaco Silva, e o grupo parlamentar socialista, "o único" que ainda não agendou uma reunião com a plataforma.

Fenprof: Governo está a abandonar portugueses das zonas rurais

A Federação Nacional de Professores (Fenprof) acusou hoje o Governo de «abandonar os portugueses que vivem nas zonas rurais do interior do país», na sequência da decisão de encerrar mais 900 escolas do primeiro ciclo em 2007.
«A decisão de encerrar milhares de escolas (1.500 em 2006 e 900 em 2007 ) significa que o Governo decidiu abandonar os portugueses que vivem nas zonas rurais do interior do país», acusa a Fenprof, em comunicado divulgado hoje, acrescentando que dois terços destas escolas são no centro do país.
O secretário de Estado Adjunto e da Educação anunciou quarta-feira em Viana do Castelo o encerramento de «pelo menos» mais 900 escolas do 1º ciclo, em 2007, no âmbito do processo de reordenamento da rede escolar, já em curso.
Segundo Valter Lemos, o fecho destas escolas assentará em dois critérios, os mesmos que ditaram o encerramento de quase 1.500 escolas no início deste ano lectivo: ou terem menos de 20 alunos e uma taxa de sucesso escolar inferior à média nacional ou menos de 10 alunos.
Para a Fenprof, o Governo vai avançar com o encerramento de mais 900 escolas, «sem que tenha sido resolvido um conjunto de problemas e dificuldades resultantes do encerramento decidido em 2006».
A maior federação de professores diz ainda ter «elementos» que apontam para o encerramento de estabelecimentos de ensino com mais de 20 alunos, nomeadamente no distrito de Viseu, que acolheram crianças de outras escolas, o que gera «grandes perturbações na vida das famílias e nas condições de aprendizagem das crianças».
«As crianças deslocadas estão a ser obrigadas a usar transportes que estão muito longe de observar as mais elementares regras de segurança. Por exemplo, 12 e mais crianças transportadas em carrinhas de nove lugares - caso de Continge, no concelho de Sátão», denuncia a Fenprof.
A estrutura sindical aponta ainda outras situações como no Seixo, concelho de Sernancelhe, onde as crianças têm de levar para a escola acolhedora os pratos e os talheres, ou em Aguiar da Beira, onde o agrupamento de escolas comprou capas de plástico para nos dias de chuva as crianças irem almoçar à EB 2,3, devido à ausência de transporte.
«Em São João da Pesqueira, algumas crianças saem meia hora mais cedo das aulas para que usem os transportes organizados e são forçadas a chegar à escola uma hora antes do início das actividades, com evidentes prejuízos para as aprendizagens», acrescenta o comunicado.
Dados divulgados quarta-feira pelo Ministério da Educação (ME) dão conta que as 1.500 escolas já encerradas acolhiam um total de 11 mil alunos, que foram transferidos para 847 escolas «acolhedoras».
Para uma escola poder ser considerada «acolhedora» tem que funcionar em regime normal (de manhã e de tarde), garantir almoço e assegurar transportes.
No entanto, segundo a Fenprof, as crianças não estão a ser deslocadas exclusivamente para escolas em horário de regime normal: «Por exemplo a escola do 1º ciclo de Cinfães funciona em regime de horário duplo (tem quatro salas disponíveis para oito turmas) e recebeu crianças deslocadas de aldeias limítrofes».
Diário Digital / Lusa
21-12-2006 16:38:00

Fecham mais 900 escolas


Carlos Barroso
As aldeias do Interior do País vão ficar com cada vez menos crianças, queixam-se os habitantes
É o processo de reordenamento da rede escolar em curso: daqui a um ano, pelo menos mais 900 escolas do 1.º Ciclo estarão encerradas. A garantia foi dada ontem pelo secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, que presidiu em Viana do Castelo à cerimónia de homologação de mais 43 cartas educativas, que vão beneficiar 17 638 estudantes. Até 2009, o número de escolas a fechar deve rondar os três mil estabelecimentos.

O objectivo do Ministério da Educação (ME) é “proporcionar boas condições a todos os alunos e garantir-lhes igualdade de oportunidades de aprendizagem, quer estejam no Norte ou no Sul, no Interior ou no Litoral”, realçou Valter Lemos. Depois do encerramento de 1418 escolas primárias no Verão passado, em 212 concelhos, na forja estará o fecho de mais 900 estabelecimentos – 140 dos quais nos municípios que viram agora aprovada a carta educativa. Nestes concelhos está prevista a construção de 94 centros escolares, que se juntam às 847 escolas de acolhimento criadas para receber os onze mil alunos transferidos das escolas já encerradas. No total, o processo de reorganização da rede escolar já motivou o investimento de 2,5 milhões de euros para as intervenções realizadas pelas autarquias, quer na adaptação quer na construção de instalações. A este valor há a acrescentar os dez milhões de euros gastos pelo Governo para ajudar as câmaras municipais a transportar as crianças das aldeias para as escolas de acolhimento.De acordo com dados do Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo, em 2005/06 havia 2849 escolas primárias e 1289 jardins-de-infância públicos com menos de 20 crianças, a que se juntavam 30 EB1/JI, num total de 4168 estabelecimentos. Os critérios para o encerramento das escolas assentam no número de alunos (menos de dez) e também na taxa de sucesso escolar (escolas com menos de 20 alunos e taxa de sucesso inferior à média nacional). A homologação das cartas educativas é obrigatória para o co-financiamento da construção de escolas, no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional, que vigorará entre 2007 e 2013.“O trabalho de reorganização poderá ficar completo no prazo de vigência do QREN”, salientou o secretário de Estado da Educação. Recorde-se que a Comissão Nacional de Combate à Desertificação, de acordo com o seu ex-presidente Vítor Louro, propôs aos vários ministros que explicassem às populações de que forma poderiam tratar o tema da desertificação nas áreas da respectiva tutela. O ex-dirigente sugeriu o encerramento de escolas e de maternidades como dois temas que poderiam ser abordados pelos ministros da Educação e da Saúde. Mas nem um nem outro governante acederam ao convite.
82 CONCELHOS APROVADOS
No final de Outubro foram aprovadas 39 cartas educativas (21 de concelhos sob a alçada da Direcção Regional de Educação do Norte e 18 de concelhos da Direcção Regional de Educação de Lisboa, envolvendo 25 mil alunos), numa cerimónia que decorreu em Vila do Conde, presidida pela ministra da Educação, e que contou com uma recepção de alunos em protesto. Ontem foi a vez do secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, homologar mais 43 cartas educativas, elevando para 82 (num total de 278) os municípios com o documento. As 43 cartas educativas custaram ao Ministério da Educação 490 mil euros (metade dos custos). De entre as cartas ontem aprovadas, duas têm âmbito supramunicipal – Vale do Lima e Vale do Minho. As cartas educativas, instrumento de planeamento e ordenamento de edifícios e equipamentos escolares, são condição essencial para os financiamentos na área da Educação. Na Área Metropolitana de Lisboa, apenas os concelhos de Cascais e do Seixal têm as cartas educativas homologadas.
GASTAR DINHEIRO PARA FECHAR
Em Setembro de 2005, o Ministério da Educação assumiu que queria encerrar até Março de 2009 a maior parte das escolas com menos de dez alunos e uma boa parte dos estabelecimentos que têm entre dez e 20 alunos (o que totalizava quase 4500 escolas primárias). Mas, nalguns casos, as próprias populações apontam contradições. Em Casal Vasco (Fornos de Algodres), por exemplo, a escola encerrou depois de terem sido investidos 200 mil euros em obras de recuperação. O processo de encerramento motivou vários protestos um pouco por todo o País: Gemieira (Ponte de Lima), Povoação (Vila Real), Juncais (Guarda) e Sernancelhe foram algumas das localidades onde os pais não se conformaram com a mudança das crianças para as escolas de acolhimento. Para o ano, logo se verá.
CARTAS EDUCATIVAS
Ontem foram homologadas mais 43 cartas educativas, de norte a sul: NORTE (23)Arcos de Valdevez, Armamar, Caminha, Carrazeda de Ansiães, Castelo de Paiva, Esposende, Guimarães, Matosinhos, Melgaço, Mirandela, Paredes, Paredes de Coura, Penafiel, Penedono, Ponte da Barca, Ponte de Lima, São João da Madeira, Terras de Bouro, Viana do Castelo, Vieira do Minho, Vila Nova de Cerveira, Vila Pouca de Aguiar, Vila Verde
CENTRO: (7)Ansião, Carregal do Sal, Lousã, Sátão, São Pedro do Sul, Sertã, Vila Nova de Poiares
LISBOA (10):Alcanena, Almeirim, Alpiarça, Cartaxo, Cascais, Golegã, Palmela, Seixal, Setúbal, Torres Vedras
ALENTEJO: (3):Borba, Campo Maior, Portalegre

Professores queixam-se à OIT



A Plataforma Sindical dos Professores, que reúne todos os sindicatos do sector, tinha prevista uma reunião, para anteontem, onde pretendia aprovar o texto definitivo relativo à «Queixa contra o Governo», que pretende fazer chegar à Organização Internacional do Trabalho (OIT), por considerar que o Governo está a violar a convenção N.º 151, da OIT, sobre protecção do direito de organização e processos de fixação das condições de trabalho na Função Pública.Os professores também iam decidir sobre o envio, ao Presidente da República, dos pareceres relativos a inconstitucionalidades contidas no Estatuto da Carreira Docente. O novo Estatuto da Carreira Docente foi também o motivo da reunião do Conselho Nacional da Fenprof que, nos dias 14 e 15, aprovou o regulamento do IX Congresso Nacional dos Professores, agendado para os dias 19, 20 e 21 de Abril, na Faculdade de Medicina Dentária. Espera-se a participação de 800 delegados, 650 dos quais eleitos directamente nas escolas.Gratificações cortadasA partir deste mês, os professores que asseguram orientação prática pedagógica vão deixar de receber as gratificações que lhes são devidas, alertou a Fenprof.O anuncio foi feito no dia 7, pelo Ministério da Educação (ME) às escolas que, por este motivo, deixarão de pagar a «rara contrapartida» que era dada a estes docentes, de 84,34 euros por mês.Ficou ainda a saber-se que o Ministério das Finanças está a ponderar a possibilidade de exigir a reposição dos 15 meses de gratificações já pagas aos professores, eventualidade que a Fenprof considera «manifestamente absurda e ilegal».A federação sindical reiterou a acusação de que o ME está a pretender poupar verbas, levando a Educação «para um nível de mediocridade inaudito».Mantendo-se a situação, os sindicatos da Fenprof vão promover, no início do 2.º Período, reuniões com os professores afectados, para debaterem o problema e decidirem medidas a tomar

quarta-feira, dezembro 20, 2006


Quatro Olhares Sobre a Escola: Quatro Professores em Entrevista

Este mês, ao contrário do que é habitual, a entrevista é desenrolada a quatro vozes. Quatro professores, participantes no último congresso do Sindicato dos Professores do Norte, realizado nos finais de Março, no Coliseu do Porto, que nos contam as suas experiências, as dificuldades sentidas nas escolas e os seus pontos de vista sobre o sistema educativo. Uma viagem pelo país real.

1974 foi uma época muito bonita

Jorge Manuel Pinto é professor de Educação Visual e Tecnológica na Escola Básica 2,3 de Paços de Ferreira. Iniciou a sua carreira de professor em 1974, uma altura que recorda com boa memória. "Foi uma época muito bonita. Apesar das dificuldades que vivíamos serem maiores do que hoje, sentíamos esperança no futuro e acreditávamos que podíamos mudar as coisas". Ao longo dos últimos anos foi perdendo essa imagem lírica do sistema educativo. Admite que muitas problemas prementes foram entretanto resolvidos, mas, tendo em conta a actual postura do governo socialista, já não acredita em alterações substanciais relativamente à política para o sector. "Dá-me a impressão de que não interessa aos governos que a maioria dos alunos conclua com sucesso a escolaridade básica, porque depois não sabem o que fazer com eles... Quanto mais qualidade tiver o ensino, mais reivindicativos eles se tornam e mais problemas de ordem social colocam. É mais um problema político do que outra coisa..."Apesar de a escola em que trabalha ser relativamente tranquila em termos disciplinares, tal não o impede de pensar no crescente clima de indisciplina como uma das principais preocupações colocadas hoje à escola. Um problema a requerer uma atenção especial por parte dos responsáveis educativos, diz, a par com a melhor articulação dos currículos e com a racionalização dos programas educativos. "Tenta tapar-se os olhos com curriculos e programas demasiado ambiciosos, mas no fundo os professores continuam a ensinar como o faziam há vinte anos. E isto é que é preciso mudar". Nesse sentido, diz ter uma voz crítica relativamente aos currículos flexíveis, particularmente no que toca à introdução das aulas de noventa minutos. As opiniões que tem auscultado são, na sua maioria, críticas. "Os alunos já dificilmente se concentram em aulas de cinquenta minutos, quanto mais agora... Se alguma vantagem trouxe foi o de haver menos barulho nos corredores. Mas será que é isso que interessa? Penso que sem se mudar a prática pedagógica dos professores esta medida, por si só, não irá trazer grandes mudanças".Ainda acredita no sindicalismo e nos espaços de reflexão por ele proporcionados, por funcionarem como instrumento de debate e de alerta no seio da classe docente. Uma oportunidade para levar às escolas ideias transformadoras sobre o ensino e trabalhá-las com os outros professores. Isto, apesar de reconhecer que aqueles que lá trabalham precisam praticamente de "mendigar" para se fazer ouvir perante os problemas, o que, naturalmente, traz algum desalento. É por isso que lamenta que sejam os professores mais novos os primeiros a desinteressar-se da actividade sindical e a batalhar por uma profissão mais digna.Nada que o surpreenda, porém. Os professores da sua geração, considera Jorge Pinto, tiveram uma experiência de vida e uma vivência política "necessariamente diferente" dos colegas mais novos, formados num percurso académico essencialmente "individualista". "Talvez por isso estejam mais preocupados em conseguir um emprego do que em solidificá-lo", diz. Um exemplo da falta de solidariedade que, infelizmente, considera existir entre os professores.

Há professores em emprego precário

Elizabete Costa é professora na EB1 de Vairão, em Vila do Conde, e sente que a principal dificuldade colocada hoje ao 1º ciclo passa, fundamentalmente, pelas condições de trabalho oferecidas a alunos e professores, que variam consideravelmente de acordo com as zonas geográficas do país. "Trabalhei em escolas do Alto Douro e sei que as condições oferecidas são muito diferentes das existentes no litoral e nas zonas urbanas". No interior, explica, por experiência própria, muitos professores enfrentam situações de emprego precário e trabalham, na sua maioria, em escolas degradadas, não podendo desse modo exercer a sua profissão com a mesma dignidade e qualidade dos outros. A precaridade laboral é, neste sentido, um dos principais entraves à melhoria do sistema de ensino. Tal como ela - professora do quadro de vinculação distrital - existem muitos outros docentes a mudar anualmente de escola, tornando mais difícil a sua integração no meio escolar e o desenvolvimento de um projecto educativo coerente. Só no distrito do Porto, refere, são mais de dois mil professores. Por outro lado, continuam a faltar estruturas de apoio básicas como cantinas escolares e centros de recursos. É por estas e outras razões, considera, que a escola é por vezes apontada como "reprodutora de desigualdades". E quando se diz que os professores são os culpados por esta situação, tal não corresponde à verdade. "Nós tentamos dar o nosso melhor e sentimo-nos frustrados quando não o conseguimos, muito por falta de apoio das entidades competentes". Sozinhos, garante, "os professores não têm qualquer capacidade de manobra". Quando questionada face às expectativas em relação ao poder político, a opinião é, também aqui, de desilusão. "Sou pessimista. No princípio da legislatura a educação era encarada como uma paixão, mas se "espremermos" bem o resultado da actividade governativa ela não correspondeu às expectativas". É por isso que o aumento do investimento na educação e a melhoria das condições de trabalho dos professores "tem de passar da teoria à prática". Só dessa forma, diz, "poderemos ter alunos mais autónomos e críticos, habilitados a construir um país melhor". Como última mensagem, uma palavra para um factor que, na sua opinião, seria determinante para uma melhoria do sucesso escolar dos alunos: uma maior complementaridade entre a educação pré-escolar e o 1º ciclo.

Educadores para guardar crianças

Susana Nunes, educadora da rede pública há dezasseis anos, colocada no jardim de infância de Lousada, diz que não faz sentido existir uma fronteira tão vincada entre o pré-escolar e o 1º ciclo. Na sua opinião, a constituição de agrupamentos de escolas foi uma boa oportunidade para cruzar contextos de trabalho próximos - de que estes são dois exemplos claros - mas, em muitos casos, tal não foi possível por eles terem sido "instituídos de forma administrativa, não respeitando as especificidades de cada zona e a vontade dos professores".Outra das questões que a preocupa é o facto de existir um fraca componente de apoio à família, nomeadamente no que diz respeito ao prolongamento de horários. Os educadores de infância, garante, não são contra horários alargados, mas para tal deve haver contrapartidas, como o alargamento dos quadros e a melhoria das condições pedagógicas - actividades de ocupação, por exemplo - para que os jardins de infância não sirvam apenas para "guardar crianças".Por concretizar está também o aumento da oferta da rede pré-escolar. Ainda hoje, no início do século XXI, existem crianças em Portugal que não têm acesso à educação pré-escolar por falta de lugares nos jardins de infância. E esta lacuna está directamente relacionada com uma outra questão, a do desemprego e a da contratação precária, que se resolveria facilmente com a criação de mais infantários. Ao contrário do que acontecia até há alguns anos, a educação pré-escolar é hoje encarada pelos pais e pela comunidade educativa como um estágio importante no desenvolvimento da criança. O trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos permitiu que se passasse a ter uma visão diferente da educação pré-escolar e a compreender melhor o objectivo do seu trabalho. E nessa tarefa, admite, os educadores têm ainda uma grande responsabilidade.Esta valorização, no entanto, ainda não conseguiu vencer a ideia de que os educadores são os "parentes pobres" da classe docente. Susana Nunes não compreende esta atitude por parte de alguns colegas, considerando que cada professor devia estar consciente da importância do papel representado por cada um e valorizar a classe como um todo.Por outro lado, é necessário que o governo, através do Ministério da Educação, tenha consciência de que "as crianças de hoje serão os homens de amanhã". Cita, nesse sentido, palavras de João Formosinho: "o desenvolvimento de um país vê-se pela forma como ele investe na educação". "Esperemos que o governo ouça isto", afirma.

Eternas indefinições do Secundário

O ensino secundário é, provavelmente, o sector que melhor ilustra a política de indefinição do ministério da Educação. Essa, pelo menos, é a opinião de Rafael Tormenta, professor de Português na escola secundária de Oliveira do Douro, em Gaia, que identifica duas grandes questões que dominam a sua actualidade. Em primeiro lugar, a indefinição acerca do conceito de ensino secundário e das suas finalidades: "Não se percebe muito bem se o ensino secundário é suposto funcionar como um complemento do ensino básico, como uma via de preparação para o ensino universitário, ou se se deve assumir por si mesmo como uma finalidade", refere.Por outro lado, a mudança da natureza dos alunos que o frequentam - cada vez mais jovens, por razões de ordem social - e a crescente dificuldade de adaptação dos professores a essa alteração. Os alunos, refere, passam do ensino básico para o secundário sem muitas orientações vocacionais. "E isto é complicado, porque chegam alunos de classes culturais diversas, inclusivamente diferentes da cultura da escola, às quais nem professores, nem os restantes agentes da comunidade educativa, se conseguem adaptar". Para responder a este dilema, os professores têm, eles próprios, de "saber o que querem da escola".Ao reintroduzir-se os exames nacionais no ensino secundário, criou-se nos professores a ideia de que estes tinham de prestar contas, um pouco como acontecia antes do 25 de Abril. "É uma vergonha se eu dou nota quinze ao aluno e ele só tira doze no exame. E isto é completamente falso, porque na nota de frequência são avaliadas outras capacidades, como o nível de intervenção, participação, a solidariedade, etc... Mas os professores continuam a encarar a avaliação de uma forma muito tradicional". Por outro lado, refere ainda, a atitude pedagógica também não mudou: "está desligada dos alunos e é visível a desadaptação em relação às necessidades deles...". Uma das soluções para mudar este panorama, sugere, passará for fomentar o trabalho de equipa, já que uma das causas é exactamente o facto de cada um "continuar a trabalhar de forma isolada" na sala de aula.Mas não é só aos professores que cabe apostar na mudança. O Ministério da Educação tem de saber ultrapassar as dificuldades na implementação da sua própria teoria. "Teoricamente as medidas parecem correctas. Mas é necessário saber passá-las à prática. Mesmo em termos burocráticos, as decisões emperram muito nas direcções regionais, onde, apesar de existirem directores regionais e assessores, o sistema permanece inalterado".
Governo 'privatiza' seis escolas
Seis escolas passam a empresa pública
Parque Escolar, EPE. Este é o nome da empresa que vai integrar as seis escolas secundárias – quatro em Lisboa e duas no Porto – vão sair do Estado

O Governo vai transformar seis escolas secundárias em empresas públicas. Estes estabelecimentos de ensino (quatro de Lisboa e dois do Porto) vão passar do Estado para uma Entidade Pública Empresarial, cujos estatutos já foram aprovados em Conselho de Ministros. O capital desta empresa será realizado com o património das escolas Passos Manuel, D. Dinis, Pedro Nunes e João de Castro (Lisboa) e Rodrigues de Freitas e Oliveira Martins (Porto).
Esta medida permitirá que o património imobiliário das escolas venha a ser vendido a privados, à semelhança do que aconteceu com muitos quartéis situados no interior da capital.

Currículo Nacional e Programas

Para consultar o currículo nacional do ensino básico e os programas dos ensinos básicos e secundário, do ensino recorrente e do ensino artístico especializado, visitar as páginas da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular e da Direcção-Geral de Formação Vocacional.

http://www.dgidc.min-edu.pt/programs/programas.asp http://www.dgfv.min-edu.pt/

Plano Nacional de Leitura

O desenvolvimento de competências nos domínios da leitura e da escrita, bem como a criação de hábitos de leitura nos alunos, são os grandes objectivos do Plano Nacional de Leitura, implementado a partir deste ano lectivo.

Toda a informação sobre o Plano Nacional de Leitura em http://www.min-edu.pt/outerFrame.jsp?link=http%3A//www.planonacionaldeleitura.gov.pt/

Mais 900 escolas encerram em 2007


Lusa 2006-12-20

Até ao final do próximo ano, irão encerrar pelo menos mais 900 escolas do 1.º ciclo do Ensino Básico. O anúncio foi feito hoje pelo secretário de Estado da Educação.
O secretário de Estado da Educação, Válter Lemos, anunciou hoje que em 2007 irão encerrar cerca de 900 escolas de 1.º ciclo de todo o País, no âmbito do processo de reordenamento da rede escolar que está em curso.Segundo o governante, o encerramento destas escolas assentará em dois critérios: terem menos de 20 alunos e uma taxa de sucesso escolar inferior à média nacional ou possuírem menos de 10 alunos.O governante acrescentou que foram estes mesmos critérios que levaram ao encerramento, em 2005/2006, de 1500 escolas primárias em 212 concelhos portugueses.Dados hoje divulgados pelo Ministério da Educação (ME) dão conta que estas 1500 escolas acolhiam um total de 11 mil alunos, que foram transferidos para 847 escolas "acolhedoras". Para uma escola poder ser considerada "acolhedora" tem que funcionar em regime normal (de manhã e de tarde), garantir almoço e assegurar transportes.O ME comparticipou com 2,4 milhões de euros as intervenções que as autarquias realizaram nestas escolas. "O nosso objectivo é proporcionar boas condições a todos os alunos e garantir-lhes igualdade de oportunidades de aprendizagem, quer estejam no Norte ou no Sul, no interior ou no litoral", sublinhou Válter Lemos.O governante fez este anúncio em Viana do Castelo, onde presidiu à cerimónia de homologação das cartas educativas de 43 concelhos portugueses, que se juntam às 39 que já tinham sido homologadas a 30 de Outubro.As 43 cartas prevêem a construção de 94 centros escolares e o encerramento de 140 escolas.Válter Lemos lembrou que a homologação das cartas escolares será condição obrigatória para o cofinanciamento da construção de escolas no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), que vigorará entre 2007 e 2013."O trabalho de reorganização poderá ficar completo no prazo de vigência do QREN", referiu o secretário de Estado, acrescentando que neste momento não é ainda possível prever o número total de escolas que vão encerrar, já que isso está dependente das cartas escolares que entretanto vão sendo aprovadas."O que está em causa não é fechar ou construir escolas. O objectivo é, apenas, garantir que as condições em que os alunos aprendem são as melhores", sublinhou Válter Lemos.

Modernização das instalações escolares vai ser gerida por empresa pública


O Ministério da Educação vai avançar com o programa de modernização física do parque escolar nacional, que será gerido por uma empresa pública, sob a figura de Entidade Pública Empresarial (EPE).
Este programa foi aprovado pelo Conselho de Ministros no início deste mês, enquanto a EPE em causa será ainda criada pelo ministério tutelado por Maria de Lurdes Rodrigues, explica-se num comunicado emitido hoje.O ministério prevê apresentar em Janeiro o conjunto do programa para a modernização do parque escolar nacional.O semanário “Sol” noticiou na sua edição de hoje que seis escolas secundárias (quatro em Lisboa e duas no Porto) vão sair do Estado e ser integradas numa empresa pública.Privatização de escolas “excluída”“O capital desta empresa será realizado com o património das Escolas Passos Manuel, D. Dinis, Pedro Nunes e João de Castro (Lisboa) e Rodrigues de Freitas e Oliveira Martins (Porto)” e “com a transferência de quatro milhões de euros do Orçamento do Estado”, diz o semanário.“Esta medida permitirá que o património imobiliário das escolas venha a ser vendido a privados, à semelhança do que aconteceu com muitos quartéis situados no interior da capital”, diz também o “Sol”, que, no entanto, refere que “o Governo garante que estas escolas não vão ser vendidas”.No comunicado emitido hoje, o Ministério da Educação garantiu que “está excluído qualquer tipo de privatização ou de passagem a empresa pública” de escolas, reagindo, assim à notícia publicada do “Sol”.O ministério esclarece que “está fora da sua agenda qualquer intenção de mudar o estatuto jurídico das escolas sob a sua alçada”, acrescentando que “também está fora do horizonte qualquer saída ‘artificial ou real’ do sector público dos respectivos docentes e funcionários”.

As melhores escolas do mundo

Onde estão as melhores escolas do mundo?
Claro! Está certo! Em...*Portugal*
Ora vejamos com atenção o exemplo de uma vulgar turma do 7º ano de escolaridade, ou seja, ensino básico.

Ah, é verdade, ensino básico é para toda a gente, melhor dizendo, para os filhos de toda a gente!

DISCIPLINAS / ÁREAS CURRICULARES NÃO DISCIPLINARES
1. Língua Portuguesa
2. História
3. Língua Estrangeira I -- Inglês
4. Língua Estrangeira II -- Francês
5. Matemática
6. Ciências Naturais
7. Físico-Químicas
8. Geografia
9. Educação Física
10. Educação Visual
11. Tapeçaria
12. Educação Visual e Tecnológica
13. Educação Moral R.C.
14. Estudo Acompanhado
15. Área Projecto
16. Formação Cívica

É ISSO - CONTARAM BEM - SÂO 16 ( dezasseis)
Carga horária = 36 tempos lectivos

Não é o máximo ensinar isto tudo aos filhos de toda esta gente? De todo o Portugal?
Somos demais, mesmo bons!

MAS NÃO FICAMOS POR AQUI !!!!

A Escola ainda:

Integra alunos com diferentes tipologias e graus de deficiência, apesar dos professores não terem formação para isso;
Integra alunos com Necessidades Educativas de Carácter Prolongado de toda a espécie e feitio, apesar dos professores não terem formação para isso;
Não pode esquecer os outros alunos, "atestado-médico-excluídos" que também têm enormes dificuldades de aprendizagem;
Integra alunos oriundos de outros países que, por vezes não falam um cu de Português, ou melhor, nem sequer sabem o que quer dizer cu;
Tem o dever de criar outras opções para superar dificuldades dos alunos como:
Currículos Alternativos
Percursos Escolares Próprio
Percursos Curriculares Alternativos
Cursos de Educação e Formação
MAS AINDA HÁ MAIS...
A escola ainda tem o dever de sensibilizar ou formar os alunos nos mais variados domínios:
· Educação sexual
· Prevenção rodoviária
· Promoção da saúde, higiene, boas práticas alimentares, etc.
· Preservação do meio ambiente
· Prevenção da toxicodependência
· Etc, etc...
"peço desculpa por interromper, mas... em Portugal são todos órfãos?"
(possível interpolação do ministro da educação da Finlândia)
Só se encontra mesmo um único defeito: Os professores.
Uma cambada de selvagens e incompetentes que não merecem o que ganham, trabalham poucas horas, comparem com os alunos, vá, vá comparem.
Têm muitas férias, faltam muito, passam a vida a faltar ao respeito e a agredir os pobres dos alunos, coitados,
Vejam bem que os professores chegam ao cúmulo de exigir aos alunos que tragam todos os dias o material para as aulas, que façam trabalhos de casa, que estejam constantemente atentos e calados na sala de aula, etc e depois ainda ficam aborrecidos por os alunos lhes faltarem ao respeito!!
Olha que há cada uma!

Portugal entre os poucos países da UE onde o nível de vida se deteriorou

Portugal foi um dos únicos quatro países da União Europeia onde o nível de vida se deteriorou consecutivamente nos últimos três anos. De acordo com dados estatísticos hoje divulgados pelo Eurostat, o PIB per capita ajustado às paridades de poder de compra caiu em Portugal, entre 2003 e 2005, do equivalente a 73% da média europeia para apenas 70%.
Eva Gaspar
egaspar@mediafin.pt

Portugal foi um dos únicos quatro países da União Europeia onde o nível de vida se deteriorou consecutivamente nos últimos três anos. De acordo com dados estatísticos hoje divulgados pelo Eurostat, o PIB per capita ajustado às paridades de poder de compra caiu em Portugal, entre 2003 e 2005, do equivalente a 73% da média europeia para apenas 70%.
Apenas Itália, que sofreu a queda de maior amplitude durante este período (de 106 para 100% da média comunitária), Malta (de 74% para 70%) e Alemanha (de 112 para 110) sofreram perdas sucessivas nos últimos três anos no seu nível de vida por comparação com a média da UE-25.
Não obstante esta evolução negativa, a posição relativa de Portugal no "ranking" europeu manteve-se inalterada: os portugueses são os 18º mais ricos, ou os 8º mais pobres, entre 25 povos da UE.
Durante este período, o nível de vida dos portugueses foi ultrapassado pelo dos checos, mas, em contrapartida, Malta perdeu dois lugares, situando-se agora imediatamente abaixo de Portugal.
Os novos números do Eurostat confirmam a persistência de enormes disparidades na UE, com o PIB per capita ajustado às paridades de poder de compra a variar entre 251% da média no Luxemburgo e 48% na Letónia.

Depois do protocolo assinado entre a Câmara e o grupo GPS
Segundo o Sindicato de Professores da Região Centro (SPRC), as escolas actuais respondem às necessidades e até estão “sub-aproveitadas”. Conclui por isso que o Colégio Internacional da Covilhã é uma ameaça ao ensino público. Um abaixo-assinado já foi anunciado

O Sindicato de Professores da Região Centro (SPRC) solicitou uma reunião urgente com a Câmara da Covilhã, para pedir esclarecimentos sobre a construção de um colégio privado na cidade, anunciado na quarta-feira da última semana, pela autarquia. Segundo o SPRC, “não é necessária” uma escola privada na Covilhã, porque “a escola pública, globalmente, dá uma resposta adequada às necessidades educativas” da cidade e pode vir a ser ameaçada com um colégio privado.“Pretendemos esclarecimentos e dar a conhecer de viva voz a nossa posição sobre todo o processo”, referiu fonte sindical. Segundo a mesma fonte, já está a circular pelas escolas públicas da Covilhã um abaixo-assinado, em que os docentes se manifestam contra a criação do estabelecimento de ensino privado. De acordo com o sindicato, o novo estabelecimento de ensino “põe em risco os postos de trabalho existentes e cria mais desemprego e instabilidade”. Em comunicado distribuído no final da semana, o SPRC realça que “as infra-estruturas físicas, recursos materiais e humanos, na maior parte dos casos, até estão subaproveitados”. O comunicado do SPRC conclui que se o Estado permite a criação de uma escola privada revela “uma lamentável incapacidade de gestão dos recursos afectos à educação”.COLÉGIO PRONTO EM 2008/09A Câmara da Covilhã celebrou na quarta-feira com uma empresa um contrato para construção de uma escola privada na cidade, que deverá acolher 800 alunos no ano lectivo 2008/2009, do pré-escolar ao 12º ano. O futuro Colégio Internacional da Covilhã representa um investimento de 10 milhões de euros e será construído em 15 mil metros quadrados de terrenos cedidos pela autarquia na zona de expansão da cidade, junto ao Complexo Desportivo. Entre as contrapartidas, o grupo investidor - GPS - deverá entregar 400 mil euros ao município até à data de assinatura da escritura.Segundo Carlos Pinto, presidente da Câmara da Covilhã, "conciliaram-se as vontades do município e deste grupo", num investimento que deverá criar cerca de 200 postos de trabalho.“Carta educativa não pede colégio”O SPRC diz que não é contra a iniciativa privada, mas só onde a rede pública não consegue dar respostas. “Do que é conhecido da carta educativa do concelho, acabada de aprovar pela Câmara, não se preconiza a necessidade de tal estrutura e até se regista a tendência para a diminuição do número de alunos”, sublinha.

Avaliação de desempenho

AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO !!!(a realidade de todos os empregados...)O dono de um talho foi surpreendido pela entrada dum cão dentro da loja. Ele enxotou-o mas o cão voltou logo de seguida. Novamente ele tentou espantá-lo mas reparou que o cão trazia um bilhete naboca.Ele pegou o bilhete e leu:- Pode mandar-me 12 salsichas e uma perna de carneiro, por favor? O cão trazia também dinheiro na boca, uma nota de 50 euros. Ele pegou no dinheiro, pôs as salsichas e a perna de carneiro num saco ecolocou-o na boca do cão.O talhante ficou realmente impressionado e como já estava na hora, decidiu fechar a loja e seguir o cão.Este começou a descer a rua e quando chegou ao cruzamento depositou o sacono chão, pulou e carregou no botão para fechar o sinal.Esperou pacientemente com o saco na boca que o sinal fechasse e pudesse atravessar. Atravessou a rua e caminhou até uma paragem de autocarro, sempre com otalhante a segui-lo.Na paragem, o cão olhou para o painel dos horários e sentou-se no banco,esperando o autocarro. Quando um autocarro chegou o cão foi até à frente para conferir o número e voltou para o seu lugar.Outro autocarro chegou e ele tornou a olhar, viu que aquele era o númerocerto e entrou.O talhante, boquiaberto, seguiu o cão. Mais adiante o cão levantou-se, ficou em pé nas duas patas traseiras e carregou no botão para mandar parar o autocarro, tudo isso com as comprasainda na boca.O talhante e o cão foram caminhando pela rua quando o cão parou à porta de uma casa e pôs as compras no passeio.Então virou-se um pouco, correu e atirou-se contra a porta. Tornou a fazero mesmo mas ninguém respondeu.Então contornou a casa, pulou um muro baixo, foi até à janela e começou a bater com a cabeça no vidro várias vezes. Caminhou de volta para a porta e, de repente, um tipo enorme; abriu a portae começou a espancar o bicho.O talhante correu até ao homem e impediu-o dizendo:- "Deus do céu homem, o que é que você está a fazer? O seu cão é um génio!"O homem respondeu:- "Um génio ??? Esta já é a segunda vez esta semana que este cão estúpidose esquece da chave!". Moral da história:Podes continuar a exceder as expectativas mas, aos olhos daqueles que te avaliam, isso estará sempre abaixo do esperado...

TLEBS

Gramática: Petição online pede fim da nova terminologiaUm grupo de pais e encarregados de educação lançaram quinta-feira uma petição online a pedir a suspensão da nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário, que em menos de 24 horas já foi subscrita por 86 pessoas.
Com esta petição, dirigida ao Presidente da República, ao presidente da Assembleia da República, ao primeiro-ministro e à ministra da Educação, os pais e encarregados de educação pretendem a suspensão imediata da Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS).
A introdução do TLEBS pretende integrar novos conhecimentos da Gramática e da Linguística, que não existiam há quase quatro décadas, e revalorizar o ensino das regras da Língua Portuguesa, que a Associação dos Professores de Português afirma ter sido negligenciado nos últimos anos.
Com a nova terminologia, a palavra substantivo é definitivamente substituída por nome, a oração dá lugar à frase e o complemento circunstancial passa a chamar-se modificador, entre várias outras alterações.
Na petição, disponível em http://www.ipetitions.com/petition/contratlebs/tlebs.html, os pais e encarregados de educação de alunos do ensino básico e secundário pedem a «suspensão imediata da implementação da experiência pedagógica TLEBS e da legislação que lhe deu origem e a regula: Portarias nº 1488/2004, de 24 de Dezembro, e nº 114/2005, de 8 de Novembro».
Os subscritores exigem ainda «o fim das experiências pedagógicas não autorizadas em crianças e um ensino de qualidade, científica e pedagogicamente válido e validado».
A nova TLEBS, aprovada pelo Ministério da Educação no final de 2004, começou a generalizar-se a partir deste ano lectivo, tendo estado até aqui em fase experimental de implementação em 17 escolas do país.
O processo de criação de uma nova terminologia teve início há mais de 10 anos, quando cerca de 15 mil professores de Português participaram em acções de formação para identificar as «lacunas» da Nomenclatura Gramatical Portuguesa, em vigor desde 1967.
O novo sistema entrou em vigor em 2004/05, mas só este ano começou a ser aplicado de forma generalizada, para já no 3º, 5º e 7º anos de escolaridade, devendo abranger todo o sistema de ensino em 2009.
Os pais e encarregados de educação que assinam a petição consideram que a «TLEBS faz dos alunos do ensino Básico e Secundário cobaias de validação de teorias linguísticas consideradas desajustadas por muitos especialistas em Educação e em Língua e Literatura Portuguesas».
«Os pais e encarregados de educação não foram chamados a dar a sua autorização para que os seus filhos e educandos integrassem a experiência TLEBS», referem na petição, salientando que o «Estado português fez uso abusivo da autorização implícita inerente à frequência da Escolaridade Obrigatória».
De acordo com os subscritores, vários responsáveis do Ministério da Educação já afirmaram publicamente que a TLEBS não é para ser aplicada aos alunos, sendo dirigida apenas aos professores.
No entanto, os pais referem que «inúmeros testes de Português efectuados no início de ano lectivo nos anos abrangidos, continham perguntas de avaliação - qualitativa e quantitativa - sobre a TLEBS».
A Associação de Professores de Português é a entidade responsável pela formação de professores no âmbito da TLEBS.
Na petição, os pais dizem que «a formação de professores ainda está em curso» e que a «nova TLEBS está a ser ministrada aos alunos sem que tivesse sido completada a formação dos professores. Os professores estão a ensinar o que ainda não sabem».
«A Associação de Professores de Português está com dificuldades em conseguir dar formação a todos os professores, atempadamente», pode ler-se ainda no texto que acompanha a petição online.
Diário Digital / Lusa
15-12-2006 10:50:00

Pais lançam petição contra as TLEBS

Um grupo de pais e encarregados de educação lançou uma petição online a pedir a suspensão da nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário.

Com esta petição, dirigida ao Presidente da República, ao presidente da Assembleia da República, ao primeiro-ministro e à ministra da Educação, os pais e encarregados de educação pretendem a suspensão imediata da Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS).

A introdução do TLEBS pretende integrar novos conhecimentos da Gramática e da Linguística, que não existiam há quase quatro décadas, e revalorizar o ensino das regras da Língua Portuguesa, que a Associação dos Professores de Português afirma ter sido negligenciado nos últimos anos.

Com a nova terminologia, a palavra substantivo é definitivamente substituída por nome, a oração dá lugar à frase e o complemento circunstancial passa a chamar-se modificador, entre várias outras alterações.

Na petição, disponível em http://www.ipetitions.com/petition/contratlebs/tlebs.html, os pais e encarregados de educação de alunos do ensino Básico e Secundário pedem a "suspensão imediata da implementação da experiência pedagógica TLEBS e da legislação que lhe deu origem e a regula: Portarias n.º 1488/2004, de 24 de Dezembro, e n.º 114/2005, de 8 de Novembro".

Os subscritores exigem ainda "o fim das experiências pedagógicas não autorizadas em crianças e um ensino de qualidade, científica e pedagogicamente válido e validado".

A nova TLEBS, aprovada pelo Ministério da Educação no final de 2004, começou a generalizar-se a partir deste ano lectivo, tendo estado até aqui em fase experimental de implementação em 17 escolas do país.



O que pensam os mais novos sobre a sua qualidade de vida?

Teresa Sousa 2006-12-19

As crianças e adolescentes portugueses têm uma boa percepção sobre a sua qualidade de vida, nas dimensões da família e dos afectos. Menos positiva é a visão que têm da escola.
As crianças portuguesas vêem-se a si próprias positivamente ao nível dos sentimentos, da família e da provocação, ou seja, da não violência. Menos optimista é a sua visão sobre a escola e a aprendizagem escolar. Pela primeira vez em Portugal, avaliou-se, através de um questionário transcultural, a opinião que os mais pequenos têm sobre a sua própria vida e dos pais sobre a qualidade de vida dos filhos. O estudo da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa da Universidade Técnica de Lisboa (FMH/UTL), no âmbito do projecto Kidscreen e integrado no Aventura Social, foi hoje divulgado. De uma forma sintética e quase caricatural, poder-se-á perspectivar assim o cenário mais optimista sobre as crianças portuguesas: "O facto de ser rapaz, ser criança, ter o estatuto socioeconómico médio/alto, ter nacionalidade portuguesa (em oposição a crianças e adolescentes migrantes), ter sucesso escolar e não ter doença crónica, leva a uma percepção da qualidade de vida mais positiva", resumiu, ao EDUCARE.PT, Margarida Gaspar Matos, psicóloga e coordenadora do projecto Aventura Social. O estudo "Qualidade de vida em crianças e adolescentes" faz parte de um objectivo mais amplo de encontrar, no conjunto da Europa, instrumentos estandardizados de avaliação. Em Portugal, foi seleccionada uma amostra aleatória a nível nacional de alunos entre o 5.º e 7.º anos de escolaridade.O pressuposto científico de que as crianças e adolescentes têm algo a dizer sobre a sua vida e de que estes dados subjectivos devem ser levados em conta é matéria de investigação recente. Em Portugal, pela primeira vez, a FMH aplicou um inquérito transcultural que, em simultâneo, dá a conhecer a visão dos pais e dos filhos sobre a sua qualidade de vida.Os resultados obtidos ajudam a entender o que é que as crianças e adolescentes pensam sobre as suas vidas, concluindo-se que a escola é percepcionada negativamente, enquanto que o bem-estar, a família e a não-violência estão a uma escala superior. Isto no geral. Afunilando a observação, descobrem-se as diferenças. "As meninas têm uma percepção pior que os rapazes da qualidade de vida excepto nas questões ligadas à escola", exemplifica a investigadora. Já os mais velhos têm uma imagem mais negativa da qualidade de vida, excepto nas questões relacionadas com a violência. Depois, surgem os nichos. Os investigadores seleccionaram, deliberadamente, na amostra, sete escolas economicamente desfavorecidas da zona da Grande Lisboa, no sentido de avaliar a percepção das crianças dos Países Africanos de Expressão Portuguesa. Nestes grupos, a noção de qualidade de vida e saúde não é tão positiva. Da mesma forma, também as crianças com doenças crónicas apresentam dados distintos da maioria dos inquiridos.E como é que os pais portugueses vêem a qualidade de vida dos seus rebentos? "Os pais sobrevalorizam a qualidade de vida dos filhos, com excepção das questões económicas e dos amigos, em que os filhos têm uma opinião mais favorável", adiantou a psicóloga. Apesar disso, de uma forma global, o estudo reflecte uma correlação positiva entre a percepção dos pais face à qualidade de vida dos filhos e a percepção dos filhos face à sua própria qualidade de vida.Agora que os primeiros dados são tornados públicos, o grupo de investigação espera que os seus resultados sejam utilizados no âmbito da investigação em psicologia da saúde. Margarida Gaspar Matos sugere a realização de grupos de discussão com os vários actores envolvidos - pais, professores, crianças, profissionais da saúde. "Com a informação e conhecimento alcançados torna-se viável propor boas práticas e intervenções tendo em conta as características e necessidades específicas", acrescenta.A versão integral deste estudo pode ser consultada em: http://www.aventurasocial.com/