quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Candidatura de Mérito 2007, no âmbito do Programa Rede de Bibliotecas Escolares

Candidatura de Mérito 2007, no âmbito do Programa Rede de Bibliotecas Escolares

O Programa Rede de Bibliotecas Escolares, lançado em 1996, tem apoiado a criação, actualização e dinamização de bibliotecas escolares dos diferentes níveis de ensino. Ao longo deste percurso temos constatado que em muitas bibliotecas da RBE, o nível de trabalho realizado ultrapassou a fase de instalação e de organização, estando em desenvolvimento projectos que evidenciam já uma apropriação dos recursos disponíveis da biblioteca pela comunidade educativa, favorecendo práticas cada vez mais centradas no uso da informação e no conhecimento.
Com o objectivo de incentivar o trabalho destas bibliotecas escolares, propomo-nos identificar, seleccionar e apoiar as experiências mais consistentes, e divulgar as práticas melhor concretizadas. Assim, à semelhança dos anos anteriores, lançamos a Candidatura de Mérito 2007, à qual se podem candidatar escolas já integradas na RBE com projectos propostos pela biblioteca escolar autonomamente ou com parceiros da própria escola, de outras escolas/agrupamentos ou de outras instituições, como Bibliotecas Municipais/Autarquias, Centros de Formação, Escolas Superiores de Educação, Universidades, Associações Culturais, etc.
As candidaturas poderão ser apresentadas por escolas do ensino básico e secundário:
§ em Agrupamento, através da respectiva escola sede;
§ não constituídas em Agrupamento, dos 2º e/ou 3º ciclos do Ensino Básico, Integradas ou do Ensino Secundário.
Independentemente do número de escolas/agrupamentos e outras instituições porventura envolvidas no projecto, a proposta de candidatura terá que ser formalizada e assumida por uma escola, sendo o responsável da respectiva biblioteca escolar obrigatoriamente o coordenador geral do projecto.
De acordo com a filosofia de candidatura os projectos deverão, obrigatoriamente, apoiar-se em práticas da biblioteca escolar já em desenvolvimento na escola, podendo situar-se em domínios tão diversos como:
§ Organização, gestão e difusão da informação - Exemplos: desenvolvimento de sistemas de gestão de biblioteca em rede abrangendo uma escola, um agrupamento ou um conjunto de escolas/agrupamentos; criação de sítios ou portais para as bibliotecas escolares; produção de materiais de valor acrescentado para a disseminação da informação, etc.
§ Desenvolvimento das literacias – Exemplos: programas para a formação de utilizadores, promoção da leitura, literacia da informação e uso das TIC; elaboração de documentos de apoio: orientadores de leitura, guiões de pesquisa, fichas com propostas de exploração de materiais, etc.
§ Práticas pedagógicas centradas numa utilização transversal da biblioteca – Exemplos: Planos de colaboração orientados para o desenvolvimento de conhecimentos e competências a nível curricular disciplinar ou transdisciplinar; propostas de apoio às actividades de enriquecimento curricular, concepção de instrumentos de suporte ao serviço de referência; produtos de marketing, etc.
As candidaturas serão seleccionadas de acordo com a qualidade geral do projecto, o seu carácter inovador, a sua contribuição para o desenvolvimento consistente das bibliotecas escolares envolvidas e o seu potencial impacto na comunidade escolar e educativa.
Os projectos seleccionados terão acompanhamento técnico por este Gabinete e o financiamento adequado à sua execução, que deverá ser planeada e desenvolvida a dois anos.
São requisitos de admissão dos projectos:
§ qualificação dos recursos humanos afectos ao projecto:
- Coordenador(es) da(s) BE(s) envolvida(s) com formação em bibliotecas
escolares e experiência mínima de dois anos;
- Equipa de projecto com perfil diversificado;
- Cumprimento na(s) BE(s) do crédito horário, de acordo com o ponto 2 do artigo 8º do Despacho nº 13 599/2006 (2ª série), e auxiliar de acção educativa a tempo inteiro (nas EBI, EB23 e ES);
- Existência de recurso(s) humano(s) partilhado(s) (nas EB1/JI).
§ indicadores do bom funcionamento e gestão da(s) biblioteca(s) envolvidas:
- Catálogo(s) automatizado(s);
- Outras práticas de difusão da informação: boletins informativos, listagens bibliográficas, blogs, sítios web,…;
- Verba(s) para actualização anual de fundos documentais.
Às escolas seleccionadas cumpre:
· Aceitar o acompanhamento e avaliação do projecto por este Gabinete;
· Produzir e apresentar materiais no âmbito do projecto, de acordo com as condições a definir pelo Gabinete RBE;
· Difundir as práticas desenvolvidas.

Prazo:
O formulário de candidatura, disponível em www.rbe.min-edu.pt, deverá ser preenchido e, após impresso, enviado até 28 de Fevereiro para o Gabinete da RBE, através do seguinte endereço:
Ministério da Educação
Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares
Candidatura de Mérito 2007
Trav. Terras de Sant’Ana, 15
1250-269 LISBOA
Outra documentação poderá eventualmente ser solicitada em função da primeira triagem a realizar por este Gabinete.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Especial Escolas no Campeonato da Língua


O Campeonato Nacional da Língua Portuguesa apresenta este ano um Especial Escolas, dirigido especificamente aos estudantes.
Teresa Sousa 2007-01-30

A terceira edição do Campeonato Nacional da Língua Portuguesa conta, este ano, com um Especial Escolas. Entre Fevereiro e Abril decorre a fase de testes para apuramento dos participantes na final do dia 28 de Abril. À semelhança dos anos anteriores, o Campeonato Nacional da Língua Portuguesa, iniciativa que tem o patrocínio do Expresso, BPI, Jornal das Letras, SIC e SIC Notícias, pretende promover entre os portugueses de todas as idades a competição e gosto pela língua portuguesa. Nesta terceira edição, o evento irá ter uma vertente especialmente dirigida às escolas, com o apoio da Porto Editora. Para participarem, os alunos terão que se inscrever, acompanhados por um professor, até ao dia 16 de Fevereiro. Para isso, têm apenas que aceder a www.linguaportuguesa.aeiou.pt, registar-se e aguardar o envio dos testes de selecção. Terão acesso à final, a disputar no Centro Cultural de Belém, 50 concorrentes do Especial Escolas. Nos anos anteriores participaram no Campeonato Nacional da Língua Portuguesa 155 mil concorrentes.

Tribunais voltam a dar razão aos professores

2007-01-29 19:56-TVI
Aulas de Substituição
É a terceira sentença favorável aos docentes, que reivindicam o pagamento do trabalho com base no artigo 83 do Estatuto do Professor
É a terceira vez que os tribunais dão razão aos professores que exigem o pagamento de horas extraordinárias pelas aulas de substituição. Em causa está o artigo 83 do Estatuto do Professor, que esteve em vigor até 19 de Janeiro deste ano, e que estabelece o que deve ser entendido como trabalho extraordinário.
A decisão do tribunal não deixa dúvidas, as aulas de substituição devem ser pagas como horas extraordinárias. O Sindicato dos Professores do Norte apoiou juridicamente 8 processos relacionados com a questão das horas extraordinárias, mas, de acordo com a estrutura sindical, os processos, a nível nacional, devem chegar às centenas. Até ao momento, os tribunais foram sempre favoráveis à pretensão dos professores.
A instauração das aulas de substituição provocou grande polémica nos alunos e na classe docente, levando mesmo à realização de várias manifestações.

Experiência com TLEBS só será suspensa em 2007/2008


Lusa 2007-01-29


O secretário de Estado adjunto da Educação precisou que a experiência pedagógica associada à nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário só será suspensa no próximo ano lectivo.
Em declarações à Lusa, Jorge Pedreira esclareceu que a portaria que será publicada em Fevereiro só terá efeitos práticos em 2007/2008, ano em que "não vai realizar-se a experiência pedagógica com os alunos, já que não há condições técnicas para isso."Na quinta-feira, o mesmo secretário de Estado tinha afirmado à Lusa que no próximo mês seria emitida "uma nova portaria a suspender a experiência pedagógica da Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS)", sem nunca referir que a suspensão só entraria em vigor no próximo ano lectivo.Segundo o primeiro subscritor da petição que reuniu mais de oito mil assinaturas contra a aplicação nas escolas dos novos termos gramaticais, o mesmo terá dito Jorge Pedreira na reunião que quinta-feira realizou com os responsáveis daquela iniciativa."O secretário de Estado garantiu-me que iam parar a experiência já este ano lectivo, através de uma portaria que vai sair dentro de poucos dias", disse à Lusa José Nunes, autor da petição que será discutida no Parlamento.No entanto, o governante esclareceu hoje que "este ano [lectivo] tudo se mantém na mesma" relativamente à experiência que tem estado a decorrer nas escolas."A portaria é publicada em Fevereiro, mas a suspensão da experiência pedagógica só tem efeitos no próximo ano lectivo", afirmou.Deste modo, o Ministério da Educação assegura não existir qualquer contradição entre Jorge Pedreira e o secretário de Estado da Educação, Válter Lemos, que na semana passada afirmou ao Diário de Notícias que "seria pouco responsável, a meio do ano lectivo", suspender a referida experiência. Além de precisar a data de entrada em vigor da suspensão, Jorge Pedreira esclareceu igualmente que o trabalho de revisão científica e adaptação pedagógica não estará concluído em Maio, como afirmou quinta-feira à Lusa, mas apenas no início do próximo ano lectivo, o que inviabiliza a realização de qualquer experiência em 2007/2008, mesmo que num "grupo restrito de escolas".Envolta em polémica, a nova terminologia, aprovada pelo Ministério da Educação em 2004, começou este ano a ser experimentada num conjunto alargado de estabelecimentos de ensino, que a tutela não quer precisar, estando previsto que abrangesse todo o sistema de ensino em 2009.A nova terminologia foi alvo de fortes críticas por parte de encarregados de educação e especialistas, incluindo professores de Linguística e Literatura, que contestam a complexidade dos novos conceitos.A título de exemplo, a Confederação Nacional das Associações de Pais apontou casos de palavras como "paciência", actualmente classificada como "nome comum abstracto" e que passa a designar-se por "nome não contável e não massivo", ou "peixe-espada", que passa de "palavra composta por justaposição" a "composto morfo-sintáctico coordenado".
Notícias relacionadas
Governo suspende TLEBS
2007-01-26
Manuais com nova terminologia suspensos
2007-01-17
TLEBS em debate no Parlamento
2007-01-11
Pais lançam petição contra as TLEBS
2006-12-15
Governo suspende TLEBS
2007-01-26

Projecto Escola na Natureza



Joana Santos 2007-01-29

Já pensou em ter formação na área do ambiente e da sustentabilidade fora de uma sala de aula e em plena área protegida? Durante dois dias e uma noite o Projecto Escola na Natureza pode ser uma proposta aliciante para alunos e professores.
Esta acção, destinada a todos os alunos do 8.º ano do Ensino Básico, surge de um protocolo estabelecido entre o Instituto da Conservação da Natureza e a Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, e visa facultar aos estudantes formação na área do ambiente e sustentabilidade.A formação decorre em áreas protegidas nacionais onde os alunos permanecem durante dois dias e uma noite e onde realizam diversas actividades didácticas elaboradas por técnicos do ICN e das direcções regionais de Educação. Nesta acção reforça-se não só a importância nacional das áreas protegidas como também o papel do cidadão na preservação dos valores naturais e culturais destas áreas, bem como da qualidade ambiental.As inscrições são efectuadas no portal do Ministério da Educação, http://www.dgidc.min-edu.pt/ e serão posteriormente validadas pela respectiva área protegida, uma vez que as vagas existentes em cada uma deles são limitadas.Durante este ano lectivo o projecto desenvolve-se em sete áreas protegidas. Para o Parque Nacional da Peneda-Gerês, o Parque Natural de Sintra-Cascais, e para a Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha já não se aceitam inscrições, mas ainda é possível fazer inscrições para outras áreas protegidas.Até 31 de Janeiro as inscrições ainda estão abertas para a Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto, onde as acções só vão começar em Março, prolongando-se até Junho. No Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros esta iniciativa decorre durante todo o mês de Maio e os interessados podem inscrever-se até ao dia 1 de Março. No Parque Natural da Ria Formosa e no Parque Natural da Serra de S. Mamede as próximas acções decorrem entre os meses de Fevereiro e Maio, têm uma lotação de 30 pessoas e, em ambos os casos, as inscrições deverão ser feitas no máximo um mês antes da data pretendida. O alojamento dos participantes é garantido por cada uma das áreas protegidas mas o transporte dos alunos é da responsabilidade das escolas participantes. A alimentação ficará a cargo de cada um dos alunos. Para estes dois dias de escola em plena Natureza os alunos devem ir prevenidos. Para que não lhes falte nada durante este período, o Instituto de Conservação da Natureza aconselha-os a levar chapéu, roupa e sapatos confortáveis - para os dois dias, e uma noite -, material de higiene pessoal, toalhas, recipiente para transporte de água para beber - uma garrafa ou um cantil, por exemplo - e um saco-cama.O projecto está agora numa fase de expansão mas teve um período experimental de dois anos. No final do ano lectivo de 2004/2005 a fase piloto decorreu com sucesso nos parques naturais da Ria Formosa e da Serra de S. Mamede. A médio prazo os responsáveis pelo projecto esperam poder envolver todas as áreas protegidas nacionais de modo a poderem oferecer este programa a todos os alunos do 8.º ano de escolaridade e garantirem que, antes de concluírem a escolaridade obrigatória, todos os estudantes têm acesso a esta formação em contacto directo com a Natureza.
Mais informações:http://www.icn.pt/

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Cerca de 40 escolas «adoptam» três dezenas de museus

Um total de 41 escolas portuguesas teve os seus projectos aprovados pela Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, pelo que vão ser «adoptados» 34 museus, revela este sábado o site daquela entidade.
Os resultados do concurso «A minha escola adopta um museu», ao qual concorreram 153 projectos (cinco dos quais não aprovados), visa estimular o conhecimento, protecção e valorização do património cultural através do contacto entre escolas e museus da Rede Portuguesa de Museus.
A iniciativa é promovida pela Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, do Ministério da Educação, e pelo Instituto Português de Museus, do Ministério da Cultura e consiste na elaboração de trabalhos criativos a partir de testemunhos dos acervos dos museus.
Os trabalhos apresentados a concurso serão objecto de avaliação por um júri e de apresentação final em exposição num museu do Instituto Português de Museus.
De acordo com a informação disponível no site da Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, o estabelecimento de ensino com mais projectos aprovados é o Externato da Quinta do Borel, com 22 projectos, seguido pela Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos Dr. Alberto Iria, com 15.
No que diz respeito aos museus «adoptados», a lista é liderada pela Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, com 21 projectos aprovados, seguida pelo Museu Arqueológico e Lapidar Infante Dom Henrique, com 16.
Diário Digital / Lusa
27-01-2007 12:30:00

Docentes indignados com o novo Estatuto


Sindicato dos Professores da Madeira (SPM) e o Sindicato Democrático dos Professores (SDP) têm ido até às escolas reunir com os professores para explicar com detalhe o novo Estatuto da Carreira Docente, que entrou em vigor no passado sábado. De acordo com a presidente do SPM, Marília Azevedo estamos a informar os professores «como é que se poderão posicionar face ao novo Estatuto, tentando às vezes acalmar angústias, muitas incertezas e muitas dúvidas dos professores que continuam muito indignados e muito frustrados com este estatuto». Jaime Freitas, do SDM, disse que desde o início de Janeiro está a realizar reuniões a grupos reduzidos de professores e educadores «para permitir que haja uma abordagem do estatuto do ponto de vista mais prático e de casos concretos». Para este sindicalista, o sentimento geral é que «este é um Estatuto claramente imposto pela ministra da Educação. Os professores nas escolas sentem que foram perfeitamente ignorados, naqueles que são os seus anseios, já que foram claramente desprestigiados e desvalorizados». Contestando a legalidade e a constitucionalidade do decreto legislativo que já está em vigor, Jaime Freitas afirmou que esta é uma situação que não vai pôr em causa a aplicação da lei, porque acima de tudo «somos profissionais». Mesmo assim, o SDP está agora à espera da regulamentação de 24 matérias, para intervir. «Vamos participar na perspectiva de defender ou tentar minorar os efeitos negativos que este estatuto vai ter, quer ao nível dos docentes quer ao nível da educação», referiu Jaime Freitas. O mesmo acontece com o SPM. Marília Azevedo comentou que neste momento está a fazer o que compete ao sindicato que é informar os professores sobre a alteração da legislação. Agora vai esperar pela regulamentação das matérias específicas para defender os interesses dos docentes. Está ainda por regulamentar a avaliação de desempenho, as quotas de avaliação, os concursos, a formação dos professores, o período probatório e os exames de ingresso. Cerca de 180 mil professores abrangidos O novo Estatuto da Carreira Docente (ECD) foi publicado no dia 19 de Janeiro em Diário da República, tendo entrado em vigor no dia seguinte. As profundas alterações introduzidas atingem cerca de 180 mil professores e que provocaram meses de polémica. A divisão da carreira em duas categorias (professor e professor titular), com quotas estabelecidas para subir de escalão e aceder à segunda e mais elevada, é uma das principais mudanças trazidas pelo documento, alvo de grande contestação por parte de todos os sindicatos do sector. O exame de ingresso na carreira e a avaliação de desempenho dependente de critérios como a observação de aulas e as taxas de insucesso e abandono escolar dos alunos são outras das questões que provocaram revolta nos professores. Aprovado em Conselho de Ministros em Novembro e promulgado pelo Presidente da República na segunda semana de Janeiro, o novo estatuto da carreira motivou a realização de duas greves e duas grandes manifestações nacionais, a última das quais a 5 de Outubro, Dia Mundial do Professor, que reuniu em Lisboa mais de 20 mil docentes. Já na sexta-feira passada, os 14 sindicatos de professores decretaram o dia 19 de Janeiro como de “Luto Nacional” devido à publicação em Diário da República (DR) do novo estatuto da carreira, que classificam como "um instrumento de ataque aos docentes". “Enquanto este ECD estiver em vigor, vamos promover a 19 de Janeiro, ano após ano, grandes manifestações e acções de luta, de protesto e de repúdio. Há uma enorme revolta e indignação dos professores contra esta ministra e este Governo”, disse à agência Lusa Mário Nogueira, porta-voz da plataforma sindical. Criar carreira regional O Sindicato dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades estão a reunir-se com os diversos grupos parlamentares da Assembleia Legislativa da Madeira de modo a averiguar se estão de acordo com a criação de um Estatuto da Carreira Docente de âmbito regional. No entender de Cristina Viana, uma das representantes do referido sindicato na Região, o estatuto da carreira docente que agora entrou em vigor tem aspectos que deveriam ser eliminados, tais como a prova de avaliação de conhecimentos e competências para aceder à carreira; a subdivisão da carreira; o facto de os resultados dos alunos e as taxas de abandono escolar penalizarem a progressão do professor e a idade de reforma passar a 65 anos. Como a realidade madeirense é diferente, este sindicato quer uma carreira de âmbito regional, tal como já acontece nos Açores, desde 1998.
Marília Dantas

domingo, janeiro 28, 2007

Plano Nacional de Leitura: é para ler em que língua?

Meus amigos:

Isto do (não) falar em Português, pelos vistos, não tem a ver só com a Música. Quem estiver interessado, vá ao endereço www.planonacioanaldeleitura.gov.pt e logo verá como as coisas são. Só para abrir o apetite: da lista de cerca de 60 livros recomendados para o Jardim de Infância - alguém tem dúvidas que é ali que a educação formal começa? - apenas dois (2 - disse bem) são de autores portugueses (Elvira Ferreira - uma ilustre desconhecida e António Torrado - um bem conhecido e emérito produtor de literatura para a Infância.
Ou seja: desta lista, subscrita pelo Ministério da Educação, Ministério da Cultura e Presidência do Conselho de Ministros, foram afastados autores portugueses cuja qualidade pedagógica e literária é sobejamente conhecida (Alice Vieira, José Jorge Letria, José Leite de Vasconcelos, Luísa Dacosta, Manuel António Pina, Maria Alberta Menéres, Matilde Rosa Araújo, Sophia de Mello Breyner Andresen, Teófilo Braga, Luísa Ducla Soares... entre outros). Isto para já não falar da grande ausência das Histórias, Contos e Lendas Tradicionais, das Lengas-lengas, da Poesia...
Não sei quem fez esta lista. Não sei quais têm sido as reacções dos Educadores - as minhas tentativas de registo num dos Foruns foram todas frustradas - dos autores e de outros interessados, mas isto, para mim, é uma daquelas coisas que, em bom Português, se pode chamar de POUCA VERGONHA a que se acrescenta, como no Rei Leão MAS COM PODER!!!
Poderia dizer que já nada me espanta, mas não é verdade. Isso poderia querer dizer que "então não há nada a fazer" e isso eu não quero. O que realmente pretendo é continuar a manter a quota parte de ingenuidade que permite ter aquele tipo de esperança activa em dias melhores que me leva a escrever e a divulgar este protesto.

Um abraço a todos

Teresa Muge

Campeonato Nacional da Língua Portuguesa


Pelo terceiro ano consecutivo, o Campeonato Nacional da Língua Portuguesa propõe uma incursão entusiasmante pelo mundo da Língua, incentivando os participantes a testarem os seus conhecimentos de Português num ambiente lúdico, mas nem por isso menos competitivo. As duas edições anteriores contaram com a participação de uma media de 15.000 concorrentes que motivaram um aceso despique. Com o patrocínio do BPI, O Expresso, o Jornal de Letras, SIC e a SIC Notícias juntam-se uma vez mais para lançarem o repto da boa utilização daquele que é o nosso instrumento principal de relacionamento social e uma das ferramentas mais decisivas para nos identificarmos enquanto povo e nação. O Júri deste Campeonato, presidido por Francisco Pinto Balsemão (Presidente do Grupo Impresa) e vice-presidido por Artur Santos Silva (Presidente do Conselho de Administração do BPI), é composto por uma Comissão de Honra, uma Comissão Consultiva e uma Comissão Técnico-científica. De Fevereiro a Abril – primeiro através dos vários testes que seleccionam os 200 concorrentes que vão poder participar na Grande Final no dia 28 de Abril, depois nesse momento que se vem revelando quase mágico para muitos dos intervenientes – os portugueses (e todos quantos desejarem, desde que dominem suficientemente a Língua Portuguesa), de quaisquer idades, vão poder comprovar os seus conhecimentos da língua pátria, confraternizar e polemizar tendo como pólos de atenção as perguntas com que serão confrontados. Com o objectivo de atrair mais participantes, decidimos nesta edição incluir a possibilidade das respostas aos testes do Campeonato serem dadas através da Internet num sítio web criado especificamente para o efeito em http://www.linguaportuguesa.aeiou.pt/. Criamos também uma nova mecânica de jogadas que poderão processar-se ao longo de três etapas, e pela primeira vez desenvolveremos um Campeonato especial ESCOLAS.

ESPECIAL ESCOLAS
Na edição de 2007 e com o apoio da Porto Editora haverá uma competição, «Especial Escolas», em que poderão concorrer todos os alunos desde que inscritos através de um professor. Para terem acesso ao teste «Especial Escolas», os professores interessados em participar com os seus alunos devem efectuar o seu registo até ao dia 16 de Fevereiro em http://www.linguaportuguesa.aeiou.pt/. Os professores depois de registados receberão uma palavra-chave que lhes possibilitará descarregar, gratuitamente, o teste para os seus alunos.Os professores depois de registados receberão uma palavra-chave que lhes possibilitará descarregar, gratuitamente, o teste para os seus alunos. Terão acesso à Grande Final 50 concorrentes de entre os participantes neste concurso especialmente destinado a estudantes inscritos através dos professores.
De agora até esse aguardado dia 28 de Abril, quando tudo se consumar nas instalações do Centro Cultural de Belém, as artimanhas da gramática e a riqueza do nosso vocabulário animarão o Campeonato Nacional da Língua Portuguesa!
A Organização.

Governo suspende TLEBS


Lusa 2007-01-26


O secretário de Estado adjunto da Educação anunciou que em Fevereiro será publicada a portaria que suspende a aplicação da nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário nas escolas.
"Em Fevereiro vamos emitir uma nova portaria a suspender a experiência pedagógica da Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS) porque é necessário que ela seja revista do ponto de vista científico e adaptada do ponto de vista pedagógico", afirmou Jorge Pedreira, em declarações à agência Lusa.Considerando que o polémico debate em torno da nova terminologia "foi muito pouco rigoroso e demonstrou grande desconhecimento da matéria por parte de algumas pessoas", o responsável reconhece, contudo, que "a TLEBS que tem sido experimentada nas escolas tem inconsistências", não tendo havido "coordenação suficiente" no processo.Apesar de suspender, para já, a aplicação da TLEBS, o Governo não desiste da nova terminologia e quer retomá-la já no próximo ano lectivo, depois do processo de revisão científica, que deverá estar concluído até Maio."A intenção é aplicar a TLEBS, já revista e adaptada, no próximo ano lectivo, mas não se pode sacrificar o rigor e a qualidade desse trabalho de revisão porque queremos que haja um consenso em torno desta matéria", explicou.Por isso, o secretário de Estado adjunto admite que, "provavelmente, não há condições para avançar para uma generalização já no próximo ano lectivo", mas apenas para aplicar a TLEBS "como experiência-piloto, num grupo restrito de escolas".Envolta em polémica, a nova terminologia, aprovada pelo Ministério da Educação em 2004, começou este ano a ser leccionada de forma generalizada num conjunto alargado de escolas, estando previsto que abrangesse todo o sistema de ensino em 2009.Para já, o objectivo mantém-se, mas Jorge Pedreira admite que o cumprimento desta meta possa ter ficado comprometido devido à suspensão do processo."A decisão política tem de se adaptar à viabilidade técnica. Se houver condições técnicas para avançar [para a generalização a todo o sistema de ensino em 2009], avançaremos", afirmou.A nova terminologia foi alvo de fortes críticas por parte de encarregados de educação e professores de linguística e literatura, que contestam a complexidade dos novos conceitos, tendo ontem sido entregue no Parlamento uma petição com mais de oito mil assinaturas

No último ano lectivo encerraram 1697 escolas



No último ano lectivo encerraram 1697 escolas, duas das quais secundárias. A lista oficial (e final) das escolas fechadas no Verão foi publicada ontem no Diário da República, numa portaria conjunta dos ministérios das Finanças e da Educação, datada de 18 de Dezembro.

Às 1564 escolas suspensas ou extintas, juntam-se 133 escolas que foram integradas noutras já existentes, ‘levando’ consigo os lugares de quadro de professores. Em relação ao total de escolas do 1.º Ciclo com menos de 20 alunos (um dos critérios utilizado pelo Ministério da Educação), foram fechados 40 por cento dos estabelecimentos. Segundo o Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo do Ministério da Educação, em 2005/06 havia 2849 escolas primárias, 1289 jardins-de-infância e 30 EB1/JI com menos de duas dezenas de crianças. A região Norte foi a mais atingida pelo fecho de escolas primárias – só em Trás-os-Montes fecharam 506, cerca de um terço do total. Por exemplo, nos concelhos de Vila Pouca de Aguiar, Valpaços, Chaves, Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Vila Real, Bragança e Castro Daire foram encerradas 305 escolas primárias – mais do que no conjunto dos oito distritos a sul do Mondego.Duas das escolas extintas são as secundárias Oliveira Martins (Porto) e D. João de Castro (Lisboa), dois encerramentos que motivaram vários protestos – infrutíferos – das respectivas comunidades educativas. No início do ano lectivo também foram criadas 22 novas escolas. No concelho de Benavente abriram três novos estabelecimentos de ensino (JI Benavente n.º 3, JI Porto Alto n.º 2 e JI Samora Correia n.º 2), enquanto Vila Franca de Xira (EB1/JI Póvoa de Santa Iria Norte e EB1/JI Castanheira do Ribatejo) e Montijo (JI Figueiras e JI Pegões Gare) foram dois concelhos beneficiados com novas infra-estruturas. Em nove distritos não houve qualquer escola nova criada em 2006.Sofreram alterações de tipologia – quer por criação quer por suspensão ou extinção de um ou mais níveis de ensino – 70 escolas, 16 das quais no distrito de Braga. Cabeceiras de Basto e Castelo Branco são os concelhos com mais escolas alteradas – cinco cada. Apenas nos distritos de Vila Real e Bragança não houve qualquer alteração de tipologia. O processo de reorganização da rede escolar obrigou a um investimento de 2,5 milhões de euros para as intervenções realizadas pelas autarquias para adaptar ou construir as escolas de acolhimento. As câmaras municipais receberam ainda dez milhões de euros para assegurar o transporte das crianças das aldeias para as escolas de acolhimento, a maior parte das quais nas sedes de concelho.Ter menos de dez alunos ou ter menos de 20 alunos e taxa de sucesso inferior à média nacional são os critérios aplicados pelo ME para o encerramento das escolas. Para este ano está previsto o encerramento de mais 900 escolas, número já adiantado pelo secretário de Estado da Educação, Valter Lemos. O objectivo do Governo é encerrar até 2009 as escolas com menos de 20 alunos – ficarão a faltar cerca de três mil estabelecimentos de ensino.
TERMINOLOGIA LINGUÍSTICA SUSPENSÃO
Governo vai suspender a aplicação nas escolas da nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS). “Vamos emitir uma nova portaria em Fevereiro e suspender a experiência pedagógica da TLEBS porque é necessário que seja revista do ponto de vista científico e adaptada do ponto de vista pedagógico”, afirmou o secretário de Estado Adjunto da Educação, Jorge Pedreira. Ontem foi entregue no Parlamento uma petição com mais de oito mil assinaturas a pedir a suspensão da TLEBS.
OS NÚMEROS FINAIS- 44 escolas encerraram no concelho de Vila Pouca de Aguiar. Seguem-se Valpaços (43), Chaves (41) e Mirandela (40) - 2 escolas extintas: a Secundária com 3.º ciclo Oliveira Martins (Porto) e a Secundária com 3.º ciclo D. João de Castro (Lisboa) - 22 escolas criadas: cinco no distrito de Santarém, quatro no Porto e Lisboa, três em Faro e duas em Setúbal - 506 escolas encerradas nos distritos transmontanos de Vila Real e Bragança, quase um terço do total nacional de fechos- 2 escolas do concelho de Lisboa que já não abriram portas este ano: a EB1 Santiago e a EB1 Martim Moniz- 70 escolas que sofreram alterações: só no distrito de Braga foram 16

Edgar Nascimento

Ministra rejeita realização de novo concurso de professores


A ministra da Educação rejeitou hoje a realização de um novo concurso de professores em 2007, uma exigência feita por 15 mil docentes num abaixo-assinado que denuncia irregularidades nas colocações realizadas o ano passado.
"Obviamente, não estamos dispostos [a realizar um novo concurso]", afirmou a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, à margem da cerimónia de lançamento do Prémio Nacional dos Professores, que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian.
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) entrega hoje à tarde no Ministério da Educação (ME) um abaixo-assinado, subscrito por 15 mil docentes, que reivindica a realização de um novo concurso de colocação nas escolas em 2007.
Com as novas regras introduzidas pela tutela o ano passado, os resultados do concurso de professores são válidos por três anos e não por um, como acontecia anteriormente, o que significa que o processo de colocação só deverá realizar-se novamente em 2009.
No entanto, a Fenprof exige a realização de um novo concurso ainda este ano, alegando que o anterior "ficou marcado por um anormal e extraordinário conjunto de irregularidades e ilegalidades, resultado do desaparecimento massivo de vagas e colocações".
A federação denuncia ainda a existência de colocações feitas por telefone, "à margem do concurso", considerando que "da parte do ME nunca houve o adequado esclarecimento da situação, nem a detecção das irregularidades detectadas".
"Aspecto central desta iniciativa é a exigência da realização de novo concurso, com todas as vagas publicadas, e que corrija as injustiças geradas com as últimas colocações de docentes, as quais, a manterem-se, se tornarão ainda mais penalizadoras pelo facto de se fazerem para três anos", afirma a Fenprof.
2007-01-24 15:54:00 TvNet / Lusa

Professores contra política de regressão

Cerca de 30 mil professores desfilaram, no sábado, 20, em Paris, para denunciar «a política de regressão do governo» em matéria de educação e protestar contra a eliminação de cerca de cinco mil lugares de docente nos liceus e colégios franceses.A classe contesta ainda um projecto de lei que visa obrigar um mesmo professor a leccionar em vários estabelecimentos e dar aulas em diferentes disciplinas. Este projecto foi de resto um das razões da greve de 18 de Dezembro passado, convocada por 15 organizações sindicais.Os professores estão igualmente em luta contra a diminuição acentuada do seu poder de compra, verificada nos últimos anos.Segundo um estudo publicado este mês por três professores universitários de Economia, entre 1981 e 2004, os professores do ensino secundário perderam em média 20 por cento do seu poder compra, enquanto no ensino básico, os docentes sofrem uma quebra dos salários reais de nove por cento.O estudo, que abrange o período entre 1960 e 2004, observa que até 1981 se tinha observado uma tendência constante para o aumento do poder de compra dos salários. Contudo, a partir daquela data, por força das políticas de rigor aplicadas tanto por governo de direita como de esquerda, os vencimentos no sector registaram uma diminuição anual média de 0,88 por cento.Em França, um professor do secundário aufere 1550 euros mensais ao fim de dois anos de carreira, podendo atingir entre 2454 e 2991 euros após completar 30 anos de serviço

Professores comunistas de Lisboa preparam assembleia



Levar o Partido para as escolas

Em vésperas da VII Assembleia da Organização dos Professores de Lisboa do PCP, o Avante! falou com três dirigentes da organização – Ana Lourido, do Comité Central e responsável pelo sector, Sílvia Fialho e José Manuel Vargas, da direcção da organização. A luta dos professores e a acção do Partido foram os temas em destaque.Avante! – Quais os objectivos definidos para esta Assembleia? Ana Lourido - Pretendemos fazer um balanço do trabalho que realizámos desde a última assembleia, realizada em 2001, bem como uma análise da situação política e social, particularmente em relação à educação e às questões socio-profissionais dos professores. Vamos também traçar linhas de trabalho para o futuro, ao nível da organização e, claro, da intervenção junto dos professores. No projecto de resolução política avançam já com medidas, nomeadamente no sentido de aproximar o Partido da realidade concreta dos professores…Ana Lourido – Nós temos já vindo a conseguir, nestes últimos anos, um maior reforço de organização e temos tido uma presença mais regular junto dos professores, com o nosso boletim Pela Educação, que já vai no número 19. Com a situação que se viveu – e vive, ainda – no Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), entendemos que era importante o Partido ter uma voz própria e levá-la até junto dos professores. Assim nasceu este boletim, que tem conseguido uma grande regularidade, com cerca de quatro números por ano.Temos o objectivo de recrutar, em 2007, cinco novos camaradas e de responsabilizar mais quadros. Também pretendemos alargar o número de militantes em organismos. José Manuel Vargas - Há uma linha de trabalho importante e que vamos prosseguir que é a acção dos professores comunistas junto dos outros professores. Temos tido um papel muito importante nas lutas dos professores, e o prestígio do Partido é cada vez maior. Ainda recentemente, isso foi visível, nas eleições para a direcção do SPGL. Foi constituída uma lista unitária, a Lista B, na qual a maioria dos elementos não eram comunistas. Esta lista teve como opositora uma outra, com elementos do PS e do BE, numa espécie de «Santa Aliança» contra o PCP. Apesar de tudo, a Lista B teve um resultado espantoso (ver caixa). O alargamento e a intervenção junto dos outros professores é uma linha que deve prosseguir. Temos regularmente reuniões unitárias com professores e este é um trabalho para continuar…No projecto de resolução política são feitas acusações sérias à actual direcção do SPGL…Sílvia Fialho – A direcção do SPGL afastou-se das escolas e do trabalho com os professores e para os professores. O que se procurou fazer nas últimas eleições foi aproximar o sindicato das escolas, foi fazer com que os dirigentes voltassem às escolas. Os dirigentes não iam às escolas, e continuam a não ir! Excepto os que foram eleitos pela Lista B…José Manuel Vargas – A intervenção da lista B permitiu travar a des-sindicalização. Permitiu que os professores voltassem a acreditar que havia uma alternativa e que havia uma linha de intervenção sindical que era mais correcta e que correspondia aos seus interesses. Apesar do processo ter corrido como correu, isto foi possível.Ana Lourido – Os resultados obtidos foram possíveis também graças ao trabalho do Partido, e, claro, ao trabalho de muita gente que fez parte da Lista B. Mas houve escolas onde esta lista quase não teve forças para ir e os resultados foram favoráveis à lista B. O que mostra que há, de facto, um grande descontentamento com a direcção do sindicato. Tínhamos esta ideia antes e confirmámo-la depois. José Manuel Vargas – Esta acção da direcção do SPGL não é tão visível perante os professores porque, de certa maneira, é disfarçada e coberta pela FENPROF, que é uma organização prestigiada e que continua a ter uma actuação que consideramos correcta em defesa dos direitos dos professores. Diria até de outra maneira: a FENPROF não vai, por vezes, mais além porque há entraves dos elementos da direcção da SPGL. Agora vai haver um Congresso da FENPROF e nós esperamos que saia dali uma direcção renovada, combativa, mais interveniente e que seja capaz de dar resposta à ofensiva contra os professores, que se agrava dia a dia… Organização tem que responderao aumento da precariedadeDe que forma isto a precariedade entre os professores condiciona a intervenção do Partido? Como pretendem contornar isto? José Manuel Vargas - O nosso princípio base é este: intervenção directa dos professores comunistas nas escolas. Isso permite uma ligação aos concelhos na actuação junto dos professores que se encontram naquela escola e naquele momento. Esse é um princípio essencial. Em algumas escolas já há núcleos de professores comunistas.Ana Lourido – A vida de todos os professores tem sido mais dura e é cada vez mais difícil encontrar as disponibilidades necessárias. Sobretudo nos trabalhadores mais jovens, que têm três ou quatro empregos em diferentes colégios. Assim, um dos nossos objectivos é regularizar os plenários da organização dos professores. Para que saibam que naquele dia, todos os meses, hão-de ter uma reunião do Partido, onde contribuem para traçar as orientações e as levam, depois, para as suas escolas. E como fazer com os que saem? Um ano estão numa escola e depois saem…Sílvia Fialho – Às vezes nem um ano. Às vezes é um mês… José Manuel Vargas – Temos que encontrar, e estamos a encontrar, as formas de organização que permitam esses contactos. Havendo uma ligação ao Partido os camaradas sabem o que o Partido pensa em cada momento e o que devem defender junto dos outros professores. Para que as posições do Partido chegue aos professores, a organização tem que se adaptar – mantendo determinados princípios – a estas circunstâncias particulares. E estamos a conseguir isso agora melhor do que há um tempo atrás…Ana Lourido – Mais uma coisa, a Organização Regional de Lisboa tem estado a fazer um esforço para reactivar os núcleos concelhios de professores. Há exemplos de concelhos em que os professores se reúnem mais regularmente…Falando de instabilidade tem que se falar do Estatuto da Carreira Docente…Sílvia Fialho – O que está estipulado no novo Estatuto da Carreira Docente é que os professores são divididos em duas carreiras – professores e professores titulares. Mas há ainda uma terceira categoria, que são os professores contratados, que não estão incluídos no estatuto e que o secretário de Estado da Educação já disse que os considera professores. E a forma como vão ser contratados vai depender de cada agrupamento e de cada escola. Pode ser contrato individual ou mesmo recibos verdes. Uma carreira marginal…Sílvia Fialho – Nem se chama carreira… E tem tendência para aumentar. Além do mais, o contrato de trabalho só vigora durante o tempo lectivo, portanto em Julho e Agosto não se ganha nada. E a nível da capacidade de reivindicação também piora. A recibo verde, é a qualquer hora… E neste momento, em que nós já interiorizarmos a ideia que qualquer um avalia os professores, é ainda mais complicado… Direcção do SPGLReformista, conciliadora e ilegítimaNo projecto de Resolução Política, os comunistas acusam a direcção do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, SPGL, de ter retirado, de modo fraudulento, a vitória nas eleições sindicais à Lista B. Esta lista obteve a maioria dos votos nas urnas, mas essa vitória foi-lhe retirada com a contagem de «votos irregularmente expressos (votos ditos por correspondência, entregues em mão)». A Lista B apresentou um recurso em tribunal que ainda decorre, mas a direcção acabou por tomar posse, apesar dos protestos. A actual direcção, acusam, tem confirmado não reunir condições para dirigir o SGPL. E está a causar graves prejuízos ao movimento sindical docente e ao movimento sindical unitário». Nomeadamente através do boicote às lutas unitárias promovidas pela Frente Comum e, de forma encapotada, as promovidas pela CGTP.Acusando a direcção do SPGL de ser incapaz de organizar a luta dos professores e a acção reivindicativa, o PCP lembra que a direcção deixa-se enredar em «ilusões negociais» com o Ministério da Educação e envolve-se em alianças com «forças sindicais inconsequentes, como a FNE e outros sindicatos paralelos». Em tudo, aponta, agem «como uma organização similar à dos sindicatos da UGT», de carácter reformista e conciliador.

Professores que se manifestaram chamados à PSP



Os professores que participaram num manifestação na Madeira durante a visita de José Sócrates ao arquipélago vão ser chamado a prestar declarações na polícia. Responsáveis dos sindicatos dos professores disseram à TSF que não se sentem intimidados.
( 22:47 / 25 de Janeiro 07 )

O protesto aconteceu no dia oito de Outubro e hoje os docentes foram notificados para prestarem declarações no Comando Regional da PSP.Jaime Freitas, dirigente do Sindicato dos Professores da Madeira, disse à TSF que se trata de uma atitude de intimidação aos que ousam criticar o Estado.«Estão a tentar usar a máquina do Estado para intimidar futuras manifestações contra a política do Governo. Se isto é um Estado democrático, então não sei o que será um Estado de ditadura», afirmou o sindicalista.Também convocada para prestar declarações na Polícia, Marília Azevedo, dirigente do Sindicato dos Professores da Madeira, garante que não se sente intimidada.«Não me intimidam, nem me assustam. Vou lá [prestar declarações] e perceber qual é o interesse na minha pessoa, já que lá estavam mais pessoas. Não sei o que é que querem mas não vou deixar de dizer o que quero sobre a vinda do engenheiro Sócrates à Madeira», garante Marília Azevedo.

Cambridge encerra curso de Português



Lusa 2007-01-25

A Universidade de Cambridge vai encerrar a licenciatura em Português em 2008, alegando falta de fundos para financiar os estudos.
Num comunicado enviado hoje à agência Lusa, assinado pela vice-reitora Melveena McKendrick, a Universidade de Cambridge indica que o curso deixará de fazer parte dos seus prospectos a partir do próximo ano.O curso está actualmente incluído no Departamento de Espanhol e Português, que por sua vez pertence à Faculdade de Línguas Medievais e Modernas.Há alguns meses os responsáveis da Faculdade decidiram criar um grupo de trabalho para analisar a viabilidade financeira do curso, juntando o responsável pelo Departamento de Espanhol e Português e o responsável do ensino de Português da Universidade."A Faculdade decidiu agora aprovar a proposta deste grupo de trabalho para suspender o Português como licenciatura, com efeito a partir de Outubro de 2008", informa McKendrick.De acordo com esta vice-reitora, responsável pelo pelouro da Educação, a Universidade continuará empenhada em manter as línguas "menos estudadas" nos seus currículos.No entanto, acrescenta, a instituição viu-se obrigada a fazer uma "melhor utilização dos recursos actualmente disponíveis para os estudos portugueses".Os moldes dessa utilização ainda não estão definidos, mas a Universidade garante que vai continuar "a oferecer a popular disciplina de Português a todos os estudantes do curso de Línguas Medievais e Modernas".De acordo com um porta-voz da Universidade, contactado pela Lusa, há neste momento 18 estudantes na licenciatura de Português e 17 outros que conjugam o Português com outra língua, o que também deixará de ser possível a partir de 2008.No mesmo comunicado, Melveena McKendrick refere-se também ao apoio que a Universidade de Cambridge tem recebido do Estado português, via Instituto Camões, manifestando esperança de que tal financiamento não desapareça como resultado desta decisão."A Faculdade é privilegiada por ter recebido fundos do Instituto Camões durante muitos anos para apoiar o ensino da língua portuguesa. Espera-se que esse apoio nos continue a ajudar a dar aos estudantes de Cambridge a instrução profissional de mais alto nível", diz a vice-reitora.Quanto à possibilidade de reverter esta decisão, a responsável diz apenas que a Faculdade "não afastou a possibilidade de vir a restabelecer o Português como uma licenciatura completa caso sejam disponibilizados mais fundos.

Universidade do Minho lança site para a inserção de licenciados


Joana Santos 2007-01-25

O novo site visa facilitar a inserção dos licenciados, bem como aumentar e dinamizar a cooperação entre todos os actores que fomentam o emprego da região.
Desenvolvido no quadro institucional do Programa Operacional Emprego, Formação e Desenvolvimento Social (POEFDS) e co-financiado pelo FSE e pelo Estado Português, o Projecto MeIntegra - "Mercados e Estratégias de inserção de jovens licenciados" deu origem ao site www.meintegra.ics.uminho.pt.O Projecto MeIntegra - "Mercados e estratégias de inserção de jovens licenciados" pretende analisar a inserção profissional de jovens recém-licenciados da Universidade do Minho - oriundos de várias áreas científicas como Humanidades, Ciências Sociais, Tecnologias e Engenharias - e, ao mesmo tempo, fazer um diagnóstico às empresas da Região Norte, abrangendo os sectores de actividade que têm vindo a recrutar este tipo de mão-de-obra.O Projecto MeIntegra procura não só identificar os mecanismos facilitadores de acesso ao primeiro emprego, mas também os factores de consolidação de um percurso profissional "favorável". Tudo isto com o objectivo de reformar os dispositivos de inserção profissional, nomeadamente através de medidas de prevenção e de combate ao desemprego e de desenvolvimento de recursos humanos e promoção da igualdade de oportunidades no acesso ao mercado de trabalho.O site surge com o objectivo de devolver aos grupos-alvo deste estudo os seus principais resultados - que serão divulgados em breve - e agrega informações sobre novas oportunidades de inserção, quer para os licenciados da Universidade do Minho, quer para as empresas da região que pretendam recrutar mão-de-obra qualificada.Para os licenciados da Universidade do Minho, estará disponível um leque de serviços diversificado que lhes permitirá colocar os currículos on line e consultar diversas informações sobre emprego, formação, notícias, e links temáticos.Com o novo site as empresas poderão também aceder aos currículos dos licenciados da Universidade do Minho que se candidatarem a emprego, e colocar ofertas de emprego e/ou estágio através do preenchimento de um formulário próprio.

Fenprof mantém reivindicação de novo concurso de professores

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) insiste na realização de um novo concurso de colocação de docentes, apesar de a ministra da Educação ter afastado essa hipótese, e acusa Maria de Lurdes Rodrigues de manter uma atitude de «posso, quero e mando».
«Aquilo que a ministra está a dizer é: eu dirijo pelas regras do quero, posso e mando. Não tenho nada a ver com as 15 mil assinaturas e digo já que não quero saber delas para nada», criticou o secretário-geral da Fenprof, Paulo Sucena, ressalvando que se trata de uma posição pessoal, à entrada do Ministério da Educação para entregar uma petição contra o que os sindicatos consideram ser irregularidades no último concurso de professores.
Maria de Lurdes Rodrigues garantiu hoje, em declarações à margem da apresentação do Prémio Nacional de Professores, não estar disposta a ponderar um novo concurso de colocação de professores e acrescentou não ter havido quaisquer irregularidades.
«Eu não faria isso. Teria respeito por 15 mil professores, receberia primeiro e falaria alguma coisa aos jornalistas. A senhora ministra resolve proceder com o sentido de quem tem o poder absoluto nas suas mãos e é exactamente essa concepção de política que, do nosso ponto de vista vai prejudicar grandemente o sistema educativo, a educação e as escolas em Portugal», acrescentou Paulo Sucena.
O dirigente sindical fez também questão de sublinhar que esta petição nada tem a ver com a validação dos concursos de colocação de professores para três anos, mas com as irregularidades e as ilegalidades que a Federação terá detectado no último concurso.
O abaixo-assinado entregue pela Fenprof, subscrito por 15 mil docentes, reivindica a realização de um novo concurso de colocação nas escolas em 2007.
«Como os professores e os educadores de infância vão ser colocados durante três anos e como está provado que houve irregularidades e, principalmente, 1.500 vagas que desapareceram do concurso, nós achamos que seria sensato que o Ministério da Educação, de uma maneira excepcional, abrisse um novo concurso para suprimir esses erros e essas irregularidades», explicou.
Com as novas regras introduzidas pela tutela o ano passado, os resultados do concurso de professores são válidos por três anos e não por um como acontecia anteriormente, pelo que novo processo de colocação só deverá realizar-se em 2009.
Entretanto, Mário Nogueira, também dirigente da Fenprof, acrescentou que há uma acção em Tribunal contra as colocações com «ilegalidades».


Diário Digital / Lusa
24-01-2007 18:40:36

Prémio Nacional de Professores
Joana Santos 2007-01-24

A ministra da Educação pretende distinguir e galardoar os docentes que contribuam de forma excepcional para a qualidade do sistema de ensino. O prémio tem o valor de 25 mil euros e serão também atribuídos prémios de mérito.
Educadores de infância, professores do 1.º, 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário já podem ser propostos para a atribuição do Prémio Nacional de Professores, anunciado hoje pela ministra de Educação, Maria de Lurdes Rodrigues.De cariz anual, esta iniciativa tem como objectivo distinguir os profissionais em exercício que contribuam para a qualidade do sistema de ensino em Portugal, quer no exercício da actividade docente, em contacto directo com alunos, quer na defesa de boas práticas com impacto na valorização da escola. Para Maria de Lurdes Rodrigues esta é uma oportunidade para "devolver ao país o conhecimento da excelência dos professores" e reconhecer o trabalho feito dado que "parte do nosso percurso é tributário do trabalho dos professores."Além do Prémio Nacional, serão ainda atribuídos quatro prémios de mérito. O Prémio Carreira pretende distinguir os profissionais que ao longo da sua carreira se tornaram uma referência para os seus pares, alunos e restante comunidade educativa, pela adopção de boas práticas e capacidade de lidar com as dificuldades. O Prémio Integração destaca antes os professores que dêem particular atenção às necessidades educativas dos alunos com ritmos e estilos diversos de aprendizagem ou de diferentes culturas. O Prémio Inovação visa premiar professores que introduzam métodos inovadores de ensino na sua prática educativa e o Prémio Liderança reconhece professores que revelem um desempenho excepcional nas actividades de coordenação e dinamização ou gestão da escola.Para a atribuição de qualquer um dos prémios os candidatos têm de ser propostos pelos estabelecimentos de ensino, pelas associações profissionais de professores ou por um grupo constituído por um mínimo de 50 docentes. Cada entidade só pode propor apenas um docente, especificando claramente o prémio a que o candidata. Para já os alunos ficam fora deste processo e não podem nomear nenhum candidato uma vez que, entende a ministra da Educação, existe uma dimensão técnica que requer a validação dos pares e dos estabelecimentos de ensino. Ainda assim, adianta, pais e alunos acabam por participar indirectamente nestas nomeações uma vez que está previsto que as assembleias escolares apresentem candidaturas. Não está excluída a possibilidade de alargar este processo à comunidade estudantil, em próximas edições.A análise das propostas apresentadas e a escolha dos candidatos vencedores de cada um dos prémios cabem ao júri, presidido por Daniel Sampaio e formado por mais sete personalidades «de reconhecida competência e idoneidade»: António Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa; Dulce Lavajo, responsável pelo apoio e divulgação do modelo pedagógico Ensinar é Investigar no Porto; Isabel Alarcão, professora catedrática aposentada da Universidade de Aveiro; Manuel Rangel Henriques, director e coordenador pedagógico da Escola Tangerina, Educação e Ensino, no Porto; Manuela Castro Neves, professora do 1º ciclo reformada e autora de vários livros; Raquel Seruca, investigadora e professora da Faculdade de Medicina do Porto; e Roberto Carneiro, antigo ministro da Educação e professor da Universidade Católica.Cada candidatura será acompanhada por um texto justificativo, que especifique os contributos do candidato para a melhoria do sistema de ensino, pelo currículo do professor e pelo respectivo poretfólio, com trabalhos e documentos relevantes para a avaliação das candidatura.As propostas de candidatura têm de ser apresentadas até dia 30 de Abril, através do site http://www.min-edu.pt/premio. Daniel Sampaio acredita que a escolha será difícil, mas salienta a importância de "distinguir o trabalho dos professores". Por isso mesmo, garante, as candidaturas serão analisadas "com todo o cuidado".O Prémio Nacional de Professores será no valor de 25 mil euros e os restantes prémios serão materializados em Diplomas de Mérito Pedagógico, visitas de estudo a escolas ou a instituições de referência no estrangeiro, bem como a publicação e divulgação de trabalhos dos candidatos.O processo de análise e de selecção das candidaturas deverá estar concluído até 30 de Outubro. A cerimónia de atribuição e divulgação dos prémios deverá ter lugar até 15 de Dezembro.

Nova Imagem da escola!!!

Alguns dos professores que, no dia 8 de Outubro do ano passado, participaram, na Madeira, numa manifestação contra as políticas de Educação do Governo

Vivemos em ditadura ou em democracia??????
Alguns dos professores que, no dia 8 de Outubro do ano passado, participaram, na Madeira, numa manifestação contra as políticas de Educação do Governo da República estão a ser convocados para deporem na PSP, disseram ontem fontes sindicais.Contactada pela Agência Lusa, uma fonte oficial da PSP no Funchal escusou-se a confirmar a informação avançada pelas estruturas representativas da classe docente, mas as presidentes do Sindicato dos Professores da Madeira, Marília Azevedo, e da direcção do secretariado regional do Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades, Alzira Garcia, foram já convocadas pela Polícia. “É estranho que, decorrido este tempo todo, sejamos agora chamados a depor”, considerou a presidente regional do SPLIU. “Há quem goste de viver no passado, e esta poderá ser uma tentativa para uma possível intimidação, mas só se deixa intimidar quem quer”, acrescentou Alzira Garcia, que disse ter sido “informada por via telefónica” da convocatória, e aguardar “com calma” o momento em que deverá depor, agendado para o dia 31” deste mês. No dia 8 de Outubro, o primeiro-ministro, na qualidade de secretário-geral do PS e no âmbito da sua campanha à liderança do partido, deslocou-se à Madeira, onde, à chegada ao hotel para um jantar com militantes, foi recebido pela manifestação de descontentamento dos professores locais contra o modelo de revisão do Estatuto da Carreira Docente.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

A literatura em perigo


Vasco Graça MouraEscritor

Comprei há dias em Estrasburgo um pequeno ensaio de Tzvetan Todorov intitulado La littérature en péril (Paris, Flammarion, 2007), que acabou de sair e cuja leitura recomendo a quantos se interessam pelas questões do ensino da literatura, muito em especial no secundário.Todorov, que colaborou desde 1966 com Roland Barthes e Gérard Genette, afigura-se hoje, e pelo menos neste seu texto, muito mitigadamente ligado ao estruturalismo, embora não o renegue. Em La littérature en péril ele parte do princípio de que o que interessa para a generalidade dos leitores é fundamentalmente a compreensão do sentido das obras literárias, sendo para essa compreensão que devem ser proporcionadas as abordagens adequadas na escola. Isto porque cada obra tem um sentido portador de modalidades insubstituíveis de compreensão do mundo e de nós mesmos, ao veicular experiências singulares e criar personagens na diversidade do vivido que tornam possível um enquadramento e um conhecimento mais profundos da realidade humana nas suas múltiplas dimensões. Ora, como ele diz, os grandes autores ensinam-nos pelo menos tanto sobre a condição humana como os maiores sociólogos, psicólogos e filósofos.A proliferação de análises radicadas nos mais diversos pressupostos teóricos acarreta uma grande distorção quanto a esse objectivo. Os programas escolares exigem aos alunos, não propriamente o conhecimento das obras, mas antes o das teorias, métodos, classificações e instrumentos analíticos, de tal modo que eles têm de aprender a captar, não o sentido de determinada obra ou a vibração existencial que ela provoca ao desvendar-se na leitura, mas uma determinada grelha de análise dela, e esta imposição contribui em grande medida para gerar um desinteresse generalizado e crescente em relação à literatura.Todorov faz um lúcido bosquejo da evolução da estética a partir do século XVII, percorre várias construções teóricas (desconstrucionismo, estruturalismo "clássico", pós-estruturalismo, etc.) que negam ser a literatura um discurso sobre o mundo, ou que afastam a hipótese de verdade dos textos, ou que rejeitam a possibilidade de verificação dela, e, embora protestando não denegrir disciplinas como a semiótica, a pragmática, a retórica e a poética, interroga-se sobre se "é preciso fazer delas a principal matéria estudada na escola", uma vez que "todos esses objectos de conhecimento são construções abstractas, forjadas pela análise literária para abordar as obras; nenhum respeita àquilo de que falam as obras propriamente ditas, o seu sentido, o mundo que elas evocam". E por isso "a análise das obras na escola não deveria mais ter por finalidade ilustrar os conceitos que acaba de introduzir este ou aquele linguista, este ou aquele teórico da literatura, mas fazer-nos aceder a todos ao sentido delas, que nos conduz a um conhecimento do humano que a todos importa".Sendo assim, Todorov propõe que o ensino volte a recentrar-se nos textos, uma vez que os instrumentos teóricos não passam de meios de acesso, que até podem ser úteis, mas cujo estudo "nunca se deve substituir ao do sentido, que é a sua finalidade".Não basta, escreve ainda, a estrita abordagem interna de um texto, porque as obras existem sempre num contexto e em diálogo com ele. "Em regra, o leitor não profissional (...) lê essas obras, não para dominar melhor um método de leitura, nem para dele extrair informações sobre as sociedades em que elas foram criadas, mas para nelas encontrar um sentido que lhe permita compreender melhor o homem e o mundo, para nelas descobrir uma beleza que enriqueça a sua existência; fazendo-o, compreende-se melhor a si mesmo. O conhecimento da literatura não é um fim em si, mas uma das estradas reais que conduzem à realização de cada um." Ora o ensino volta as costas a este caminho... "Porquê estudar a literatura se ela não passa da ilustração dos meios necessários para a sua análise?" E ainda: "O ensino secundário, que não se dirige aos especialistas da literatura, mas a todos, não pode ter o mesmo objecto [do ensino superior]: é a literatura propriamente dita que é destinada a todos, não os estudos literários." Por fim, a grande questão: "E ter como professores Shakespeare e Sófocles, Dostoievski e Proust, não é beneficiar de um ensino excepcional?"Percorre-se este conjunto de tópicos e também não se pode deixar de perguntar: em que país bem nosso conhecido é que estas ideias são tão necessárias como o pão para a boca?

Desaparecidos em combate

Em Fevereiro Bibliotecas abrem ao Sábado


As bibliotecas municipais de Lisboa deverão passar a estar abertas ao sábado em Fevereiro, tendo a maioria, por falta de recursos humanos, de encerrar à segunda-feira, anunciou ontem o vereador da Cultura na autarquia lisboeta, José Amaral Lopes.
A medida, que tem sido contestada pela oposição de esquerda, decorre das conclusões de um levantamento das necessidades das bibliotecas municipais apresentado por Amaral Lopes, na Casa dos Bicos, em Lisboa. As bibliotecas Central Palácio Galveias, República e Resistência, Orlando Ribeiro e a Hemeroteca funcionarão de segunda a sábado, enquanto as restantes 13 estarão abertas de terça a sábado

Google disponibiliza mais um milhão de livros da Universidade do Texas

Motor de pesquisa já tem protocolos com várias universidades americanas


O motor de pesquisa Google estabeleceu uma parceria com a biblioteca da Universidade do Texas, em Austin, cujas obras passam a estar integradas na biblioteca virtual do Google, anunciou hoje a empresa.
A biblioteca académica da Universidade do Texas, conhecida como a quinta maior dos Estados Unidos, possui algumas das principais colecções do país, incluindo a Colecção latino-americana Nettie Lee Benson.Em conjunto, o Google e a Universidade do Texas irão digitalizar mais de um milhão de livros da colecção desta Universidade para pesquisa.Inicialmente dotada de um conjunto único de livros raros e manuscritos sobre o México, a Colecção Benson, está enriquecida com documentação sobre a América Latina, especialmente relativa ao Brasil, Chile, Peru, bem como de outros países do Rio de la Plata e da América Central.As crónicas da Colecção Benson contêm acervos da riqueza histórica, política e social da região e inclui trabalhos de autores notáveis latino-americanos."A descoberta intelectual está no centro do processo de pesquisa escolar", segundo Fred Heath, director da Biblioteca da Universidade do Texas. "As melhores colecções documentais só são úteis se tiverem associadas boas ferramentas de pesquisa. A parceria com este novo programa de pesquisa de livros do Google irá permitir que a riqueza das nossas colecções possa ser apreciada por um leque muito maior de estudantes e interessados em história", acrescentou Fred Heath.Qualquer pessoa poderá livremente pesquisar e ler os documentos públicos da biblioteca da Universidade.Relativamente aos livros protegidos por direitos de autor, os utilizadores poderão ver os dados bibliográficos (como o título do livro e o nome do autor) e algumas linhas do texto relacionado com a sua pesquisa, bem como informações relativas aos locais onde poderão comprar ou requisitar o livro em questão.A biblioteca do Google tem, neste momento, digitalizados livros das maiores bibliotecas de todo o mundo

Prémio Nacional de Professores

O Ministério da Educação apresenta hoje a primeira edição do Prémio Nacional de Professores. A iniciativa, que será revelada em conferência de imprensa, em Lisboa, conta com a presença da ministra e secretários de Estado da tutela e dos membros do júri, presidido por Daniel Sampaio. Segundo uma nota do gabinete de Maria de Lurdes Rodrigues, o prémio é dirigido a todos os educadores de infância e professores dos 1.º, 2.º e 3.º ciclos dos ensinos básico e secundário. E acrescenta que “visa reconhecer e galardoar aqueles que contribuam de forma excepcional para a qualidade do sistema de ensino nos seus mais variados aspectos, quer no exercício da actividade docente propriamente dita, em contacto directo com os alunos, quer na defesa de boas práticas e condutas com impacto na dignificação e valorização da escola”.Estatuto de carreira regionalProfessores da ilha de São Miguel manifestaram-se favoráveis, por larga maioria, à adopção de um estatuto da carreira docente específico para os Açores, cujo processo negocial com o Governo Regional deverá ficar concluído até Março. Num plenário sindical em Ponta Delgada, dos 501 votantes, 419 consideraram-se favoráveis ao estatuto regional, 64 rejeitaram a proposta do Governo açoriano, 26 votaram em branco e registaram-se, ainda, dois votos em branco. O presidente do Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA) adiantou, no final do plenário de segunda-feira, que o resultado do escrutínio “não significa uma adesão incondicional à proposta regional”, uma vez que irão decorrer plenários idênticos nas restantes ilhas açorianas.

Sindicato dos Professores exige auditoria às AEC

O Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) defendeu hoje a realização de uma auditoria ao processo de criação das actividades de enriquecimento curricular (AEC) do 1º Ciclo do Ensino Básico.
«O Ministério da Educação está a vender gato por lebre», acusou hoje o coordenador do SPRC, Mário Nogueira, numa conferência de imprensa em que foi divulgado um estudo sobre as AEC em 81 dos 89 concelhos da Região Centro.
O sindicato, que integra a FENPROF, concluiu que pelo menos 2.500 professores estão envolvidos naquelas actividades no centro do país, verificando que a situação é caracterizada pela «falta de regras».
«Um problema que preocupa muito autarcas, professores, órgãos de gestão de agrupamentos e famílias», afirmou Mário Nogueira, para garantir que «apenas os empresários promotores destas actividades e os responsáveis do Ministério da Educação parecem satisfeitos com o resultado».
O sindicalista esclareceu que estas actividades são frequentemente asse guradas por empresas privadas.
«Muitas autarquias contratualizam o serviço de promoção, que, muitas vezes, coexiste com a promoção directa (pelos municípios). Os agrupamentos e escolas têm muito pouca voz no assunto e, na maior parte dos casos, desconhecem o que se passa nessas actividades», disse.
Os contratos firmados com os professores que ministram as AEC «chegam a roçar o escândalo, com normas ilegais», e os pagamentos variam entre os quatro e os 15 euros ilíquidos, havendo situações em que existe subsídio de refeição, outras em que são pagas deslocações ou em que se institui um subsídio de assiduidade.
«Há de tudo. O que não há são regras, porque o ME esgota o seu envolvimento na transferência da verba, tarde e a más horas», para as câmaras municipais, segundo Mário Nogueira.
O estudo efectuado pelo SPRC, baseado num questionário, envolveu contactos com responsáveis autárquicos, órgãos de gestão dos agrupamentos de escolas, professores pais e empresários que promovem as AEC.
«Face ao que o sindicato encontro na Região Centro, é necessário que tenha lugar uma auditoria a todo o processo», defendeu o dirigente, cuja intervenção foi seguida de uma apresentação mais detalhada dos resultados do estudo por Helena Arcanjo, também da direcção do SPRC.
Diário Digital / Lusa
23-01-2007 14:30:00

Fenprof vai entregar abaixo-assinado ao Ministério da Educação

Quinze mil professores querem que concurso de colocação seja repetido este ano23.01.2007 - 23h12 Lusa

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) vai entregar amanhã no Ministério da Educação um abaixo-assinado, subscrito por 15 mil docentes, que reivindica a realização de um novo concurso de colocação nas escolas em 2007.
O próximo processo de colocação só deverá realizar-se em 2009 porque, desde 2006, os resultados do concurso passaram a ser válidos por três anos. Mas a Fenprof pede a realização de um novo concurso alegando que o anterior “ficou marcado por um anormal e extraordinário conjunto de irregularidades e ilegalidades, resultado do desaparecimento massivo de vagas e colocações”.A Fenprof denuncia ainda colocações feitas por telefone, “à margem do concurso”.A federação pede uma correcção das injustiças que, a manterem-se, “serão ainda mais penalizadoras pelo facto de se fazerem para três anos”.



terça-feira, janeiro 23, 2007

Professores falam sobre o Estatuto Regional

Centenas de professores da ilha de São Miguel estiveram ontem reunidos em plenário para tomarem uma posição sobre a proposta do Governo açoriano de Estatuto da Carreira Docente diferenciado do nacional, que entrou recentemente em vigor. À margem do plenário de Ponta Delgada, o presidente do Sindicato dos Professores da Região Açores adiantou que, em breve, sairá uma posição final, uma vez que os educadores e professores vão votar se preferem o Estatuto Nacional ou a proposta regional.De acordo com Armando Dutra, existe a garantia do secretário açoriano da tutela de “só avançar” com a proposta regional “se ela merecer a concordância dos professores” das ilhas.Nos plenários, que vão decorrer nos Açores até ao próximo mês, Armando Dutra esclareceu que será feita uma análise comparativa para que os professores façam uma opção.“Nenhuma das propostas merece uma aprovação total pelos professores”, disse, alegando que os documentos são “mais penalizadores” do que o «antigo» Estatuto da Carreira.O sindicalista alegou que o Estatuto, publicado a 19 deste mês, “é altamente penalizador” para a classe, por ter sido concebido na base de “preocupações meramente economicistas” e por “desvalorizar” a profissão. No caso da proposta do Governo Regional, o sindicalista admitiu que existem “aspectos importantes, ao nível de questões de princípio e de outras”, que “vão ao encontro” dos sindicatos.

O que o futuro nos reserva

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Professor único no 5º e 6º ano é uma «infatilização», critica professor da Universidade de Coimbra

O presidente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) criticou hoje a intenção do governo de introduzir um professor generalista no II ciclo, considerando que representa «uma infantilização» deste nível de ensino.
«Vai provocar uma perda da qualidade do ensino e a infantilização do 5º e 6º anos» , declarou hoje João Gabriel Silva, que preside aos conselhos científico e directivo da maior faculdade da Universidade de Coimbra.

Para o catedrático, os alunos do 5º e 6º anos «estão muito mais próximos do III ciclo do que do I. Os requisitos de formação dos professores do III ciclo é que deviam ser estendidos aos do II ciclo. Está-se claramente a andar para trás», considerou.

Na óptica do responsável, esta transformação implica «aumentar no II ciclo a percentagem de formação pedagógica e didáctica, diminuindo a formação na área científica».

«Ninguém, por muito extraordinário pedagogo que seja, consegue ensinar aquilo que não sabe» , frisou João Gabriel Silva.

A possibilidade de um único professor acompanhar os alunos do 1º ao 6º ano nas áreas básicas foi admitida pelo secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, como «uma alternativa para o futuro, entre outras», no âmbito do novo Regime de Habilitações para a Docência.

Na edição de quinta-feira do DN, Valter Lemos considerava «estranho que só agora surjam críticas a um diploma que está há vários meses em consulta».

«Manifestámos o nosso desacordo quer formal, quer informalmente» , refutou hoje João Gabriel Silva, aludindo, nomeadamente, a pareceres da FCTUC e da UC sobre o ante-projecto, enviados, em Novembro passado, ao Ministério da Educação .

Ao frisar que a introdução de professores generalistas no II ciclo «não é uma boa aposta», o parecer da FCTUC sublinha não ser razoável que «o mesmo professor ensine, simultaneamente, Ciências da Natureza, História e Português».

«A especialização do ensino da Matemática no segundo ciclo deve ocorrer , mesmo que se mantenha o figurino dos professores generalistas no segundo ciclo, mas achamos que esse próprio modelo deve ser abandonado» , lê-se no documento.

Segundo o parecer, «como está, é uma mera extensão do ensino do primeir o ciclo para o segundo ciclo, algo que só seria justificável se o modelo do primeiro ciclo tivesse um grande sucesso, o que não ocorre».

Por seu turno, o parecer global da UC considera a opção por professores generalistas no II ciclo como «um erro estratégico que conduzirá, a curto prazo , a consequências preocupantes, nomeadamente por se traduzir na perda de qualidade desse mesmo ensino».

«É sabido que duas das mais sérias deficiências na formação actual dos nossos jovens se verificam na Matemática e no Português. Deveria ser, por isso, objectivo prioritário investir fortemente em ambas essas áreas. Ora, presumir qu e o docente que ensina Português possa também ensinar Matemática conduzirá neces sariamente à situação oposta» , é sublinhado na posição da Universidade de Coimbra.

Segundo este documento, «exigir idêntica formação para educadores de infância, professores do 1º ciclo e professores do 2º ciclo seria regressar a um modelo que provou já a sua ineficácia há largos anos, quando essa era uma solução de recurso em zonas desfavorecidas e que ficou conhecida como 6ª classe».

Carta duma professora


Carta duma professora
Autor: R. Mateus <ribeiromateus@hotmail.com>
Data: 14-01-2007
No número 1784 do Jornal Expresso, publicado no passado dia 6 de Janeiro, o colunista Miguel Sousa Tavares desferiu um violentíssimo ataque contra os professores (que não queriam fazer horas de substituição), assim como contra os médicos (que passavam atestados falsos) e contra os juízes (que, na relação laboral, pendiam para os mais fracos e até tinham condenado o Ministério da Educação a pagar horas extraordinárias pelas aulas de substituição). Em qualquer país civilizado, quem é atacado tem o direito de se defender. De modo que a professora Dalila Cabrita Mateus, sentindo-se atingida, enviou ao Director do Expresso, uma carta aberta ao jornalista Miguel Sousa Tavares. Contudo, como é timbre dum jornal de referência que aprecia o contraditório, de modo a poder esclarecer devidamente os seus leitores, o Expresso não publicou a carta enviada. Aqui vai, pois, a tal Carta Aberta, que circula pela Net. Para que seja divulgada mais amplamente, pois, felizmente, ainda existe em Portugal liberdade de expressão.
«Não é a primeira vez que tenho a oportunidade de ler textos escritos pelo jornalista Miguel Sousa Tavares. Anoto que escreve sobre tudo e mais alguma coisa, mesmo quando depois se verifica que conhece mal os problemas que aborda. É o caso, por exemplo, dos temas relacionados com a educação, com as escolas e com os professores. E pensava eu que o código deontológico dos jornalistas obrigava a realizar um trabalho prévio de pesquisa, a ouvir as partes envolvidas, para depois escrever sobre a temática de forma séria e isenta.O senhor jornalista e a ministra que defende não devem saber o que é ter uma turma de 28 a 30 alunos, estando atenta aos que conversam com os colegas, aos que estão distraídos, ao que se levanta de repente para esmurrar o colega, aos que não passam os apontamentos escritos no quadro, ao que, de repente, resolve sair da sala de aula. Não sabe o trabalho que dá disciplinar uma turma. E o professor tem várias turmas.O senhor jornalista não sabe (embora a ministra deva saber) o enorme trabalho burocrático que recai sobre os professores, a acrescer à planificação e preparação das aulas.O senhor jornalista não sabe (embora devesse saber) o que é ensinar obedecendo a programas baseados em doutrinas pedagógicas pimba, que têm como denominador comum o ódio visceral à História ou à Literatura, às Ciências ou à Filosofia, que substituíram conteúdos por competências, que transformaram a escola em lugar de recreio, tudo certificado por um Ministério em que impera a ignorância e a incompetência.O senhor jornalista falta à verdade quando alude ao «flagelo do absentismo dos professores, sem paralelo em nenhum outro sector de actividade, público ou privado». Tal falsidade já foi desmentida com números e por mais de uma vez. Além do que, em nenhuma outra profissão, um simples atraso de 10 minutos significa uma falta imediata.O senhor jornalista não sabe (embora a ministra tenha obrigação de saber) o que é chegar a uma turma que se não conhece, para substituir uma professora que está a ser operada e ouvir os alunos gritarem contra aquela «filha da puta» que, segundo eles, pouco ou nada veio acrescentar ao trabalho pedagógico que vinha a ser desenvolvido. O senhor jornalista não imagina o que é leccionar turmas em que um aluno tem fome, outro é portador de hepatite, um terceiro chega tarde porque a mãe não o acordou (embora receba o rendimento mínimo nacional para pôr o filho a pé e colocá-lo na escola), um quarto é portador de uma arma branca com que está a ameaçar os colegas. Não imagina (ou não quer imaginar) o que é leccionar quando a miséria cresce nas famílias, pois «em casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão». O senhor jornalista não tem sequer a sensibilidade para se por no lugar dos professores e professoras insultados e até agredidos, em resultado de um clima de indisciplina que cresceu com as aulas de substituição, nos moldes em que estão a ser concretizadas.O senhor jornalista não percebe a sensação que se tem em perder tempo, fazendo uma coisa que pedagogicamente não serve para nada, a não ser para fazer crescer a indisciplina, para cansar e dificultar cada vez mais o estudo sério do professor. Quando, no caso da signatária, até podia continuar a ocupar esse tempo com a investigação em áreas e temas que interessam ao país.O senhor jornalista recria um novo conceito de justiça. Não castiga o delinquente, mas faz o justo pagar pelo pecador, neste caso o geral dos professores penalizados pela falta dum colega. Aliás, o senhor jornalista insulta os professores, todos os professores, uma casta corporativa com privilégios que ninguém conhece e que não quer trabalhar, fazendo as tais aulas de substituição.O senhor jornalista insulta, ainda, todos os médicos acusando-os de passar atestados, em regra falsos. E tal como o Ministério, num estranho regresso ao passado, o senhor jornalista passa por cima da lei, neste caso o antigo Estatuto da Carreira Docente, que mandava pagar as aulas de substituição.Aparentemente, o propósito do jornalista Miguel Sousa Tavares não era discutir com seriedade. Era sim (do alto da sua arrogância e prosápia) provocar os professores, os médicos e até os juízes, três castas corporativas. Tudo com o propósito de levar a água ao moinho da política neoliberal do governo, neste caso do Ministério da Educação.Dalila Cabrita Mateus, professora, doutora em História Moderna e Contemporânea».

Novo Sinal de Trânsito

A paixão pela educação


Francisco José Viegas, Escritor
A"paixão pela educação", manifestada por António Guterres, revelou-se um dos grandes embustes políticos da época. Periodicamente, uma série de sociólogos e de especialistas em "mentalidades" vem lembrar-nos que o nosso problema é a educação e a necessidade - nunca satisfeita, afinal - de investir na educação. A actual ministra da educação tomou algumas medidas para disciplinar a vida das escolas e torná-las menos dependentes das arbitrariedades dos sindicatos e do corporativismo dos professores. No entanto, aquilo que seria um conjunto de medidas necessárias e urgentes acabou por transformar-se na criação de um clima de arrogância em que os professores passaram a ser publicamente apontados como responsáveis por tudo o que acontecia de mau nas escolas. A peregrina e estapafúrdia ideia de permitir que os pais e encarregados de educação possam funcionar como instâncias de avaliação da qualidade dos professores (entretanto abandonada) não passou de populismo de pacotilha. O problema é que o próprio ministério não tem a coragem de avaliar os professores. Expliquemos. Desde os anos setenta que o Ministério da Educação tem sido ciclicamente invadido por técnicos que se acham investidos de uma luminosa presciência para educar o povo - impondo modelos pedagógicos e científicos (na matemática como no ensino da História ou da Língua) conforme a sua vontade de experimentar e de mudar, mas vivendo na impunidade e na quase inimputabilidade. Muitos desses técnicos estão afastados do mundo real das escolas há muitos anos, circulando de seminário em seminário, de congresso em congresso, certamente munidos de muito boa-vontade, mas ignorando que a boa-vontade não é um instrumento generoso quando se trata de educação. Seria, aliás, muito útil saber quanto o Estado despendeu, nos últimos anos, em "reformas pedagógicas" incompletas e inconsequentes e na sucessivamente chamada "inovação pedagógica" ou "curricular". E, paralelamente, o que sobra dessas experiências, cujas vítimas são, em primeiro lugar, os alunos do básico e do secundário e, depois, os próprios professores que vivem parte do seu tempo de trabalho ocupados a interpretar o "eduquês" das senhoras e dos senhores técnicos do Ministério da Educação, distribuído por inenarráveis documentos que aparentemente são escritos em português e que, virtualmente, talvez falem de educação e de ensino. Recomendo que os interessados visitem os "sites" do Ministério e leiam, com atenção, os documentos teóricos sobre pedagogia, ensino da Língua e da Matemática - e que, se sobreviverem, entrem nos domínios reservados pelas associações de professores dessas matérias. Um dos exemplos desse temperamento estapafúrdio é a TLEBS, uma experiência do génio de alguns técnicos de linguística, deixados à solta pelos corredores e gabinetes do Ministério, autorizados a tratar a Língua Portuguesa como coisa sua, cometendo dislates na maior impunidade - e recebendo as críticas com uma arrogância que lembrava os velhíssimos lentes quando confrontados com a irrelevância dos seus conhecimentos e o abuso do seu poder. Quando oiço o primeiro-ministro apresentar o QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) e os seus fundos como uma oportunidade para valorizar a educação, temo estarmos a cair num erro crasso o de pensar-se que a educação precisa apenas de mais investimento e de mais dinheiro. Não. O problema não é dinheiro. É também juízo e exigência. Infelizmente, o Ministério da Educação, depois de "meter na ordem os professores", não parece querer meter-se a si mesmo na ordem. A demora a reagir no caso da TLEBS é um exemplo de como o Ministério, que enfrentou com facilidade o corporativismo sindical, tem agora receio de enfrentar o corporativismo ideológico que mina os seus corredores. E esse será o principal obstáculo ao investimento na educação.

Manifesto: juristas defendem vida desde a concepção



Jorge Miranda , Marcelo Rebelo de Sousa e Germano Marques da Silva são três dos cerca de 40 subscritores do manifesto pelo ‘Não’Cerca de 40 professores das Faculdades de Direito subscrevem um manifesto pelo ‘não’ ao referendo sobre o aborto. Jorge Miranda, Marcelo Rebelo de Sousa e Germano Marques da Silva são alguns dos subscritores do documento que destaca um fundamento “básico e incontestável: A inviolabilidade da vida humana a partir do momento da concepção, o que hoje não é posto em causa nem pela Medicina nem pelo Direito”, consideram

Para os subscritores, “o carácter inviolável da vida humana resulta do artigo 24.º, n.º 1, da Constitui- ção da República e do Direito Internacional dos Direitos do Homem, ao qual Portugal se vinculou”.Também contra a despenalização do aborto, o movimento ‘Diz que não’ anunciou ontem que vai associar-se à organização Ajuda de Berço, com o projecto ‘Mulher Merece Mais’, para mostrar que a solução para o aborto está na ajuda às mães e aos seus filhos. Sandra Anastácia, presidente da Ajuda de Berço, explicou que o trabalho do movimento ‘Diz que não’ vai passar pela recolha de bens até ao dia do referendo, 11 de Fevereiro, e considerou que é da sociedade civil que devem nascer forças que “apoiem verdadeiramente a família e as crianças”. O CM mostra-lhe os argumentos de figuras públicas a favor e contra a interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas.PORQUE NÃO: "PORQUE FERE UM BEBÉ" (Isilda Pegado, Federação pela Vida)“Porque o aborto fere um bebé [de morte], fere uma mulher/mãe, fere um pai, uma família e fere uma nação. Porque é dizer não à liberalização do aborto.” PORQUE SIM: "SOFRIMENTO ADICIONAL" (Rui Pereira, Professor de Direito)“A punição da mulher grávida que aborte nas primeiras dez semanas não é a melhor forma de defender a vida intra-uterina e cria um sofrimento adicional.”

ODE MARÍTIMA

Casa d´Os Dias da Água estreia «Ode Marítima» dia 25


O monólogo «Ode Marítima» estará em cena na Casa d´Os Dias da Água, em Lisboa, entre 25 de Janeiro e 4 de Fevereiro. O actor João Miguel Garcia sobe ao palco de terça-feira a domingo, às 21:30 horas.

Encenada por Alberto Lopes, a peça não segue a regra do texto teatral, cabendo ao actor «dar corpo às palavras, revelando os seus sentidos».
Sem personagens e sem acção, «Ode Marítima» é um texto com uma estética implícita e intensa, misturando a relação entre ideia e expressão.


22-01-2007 12:12:00

domingo, janeiro 21, 2007

Manuais com nova terminologia suspensos


Lusa 2007-01-17

O Ministério da Educação mandou suspender os novos manuais para a disciplina de Português do 8.º ano já adaptados à nova Terminologia Linguística do Ensino Básico e Secundário.
De acordo com o Diário de Notícias, a decisão de suspender, pelo menos por um ano, os novos manuais foi comunicada às duas principais associações de editores de manuais.Fontes da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) e da União de Editores Portugueses (UEP) confirmaram que a decisão de suspender os manuais de Português está relacionada com a Terminologia Linguística do Ensino Básico e Secundário (TLEBS), cuja aplicação está ainda por definir.Contudo, o assessor de imprensa do Ministério da Educação negou que a suspensão esteja apenas relacionada com a nova terminologia gramatical.Segundo esta fonte, além da nova gramática está a ser desenvolvido um processo de avaliação mais amplo na disciplina de Português, que inclui aspectos como o número de aulas no Ensino Básico e os hábitos de leitura.Envolta em polémica, a nova terminologia, aprovada pelo Ministério da Educação (ME) no final de 2004, começou este ano a ser leccionada de forma generalizada, para já no 3.º, 5.º e 7.º anos, devendo abranger todo o sistema de ensino em 2009, com o objectivo de uniformizar os termos gramaticais ensinados na escola.O director-geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, Luís Capucha afirmou no início do mês que a nova lista de termos "tem deficiências", tendo sido suspensa, para já, a generalização a todo o Ensino Básico e Secundário, por não haver "neste momento" uma formação suficiente dos professores.Em declarações à agência Lusa, José Nunes, o primeiro subscritor de uma petição online para a suspensão da experiência, afirmou, contudo, que não foi emitida qualquer portaria a suspender a TLEBS, mantendo-se, por isso, nos estabelecimentos de ensino a introdução dos conteúdos experimentais, que garante estarem " cheios de erros científicos".

Substituição de professores alvo de críticas


FNE e FENPROF alegam que o processo conduzido pelas escolas nos concursos para substituição de professores é burocrático e demorado e querem que seja restabelecido o recurso à lista nacional de graduação.
«O Ministério da Educação está a provocar uma grande confusão nas escolas e angústia nos professores». A afirmação é feita num comunicado divulgado pela Federação Nacional de Professores (FENPROF) e justifica-se pelo fim das colocações cíclicas no final do 1.º período.Até aqui todo o processo era conduzido pelo Ministério da Educação. Um professor de baixa ou licença de maternidade, por exemplo, era substituído pelo docente desempregado com a graduação mais elevada, recorrendo à lista nacional de graduação. Desde o início deste mês, são as próprias escolas que têm que assegurar estas substituições através da contratação directa, com anúncios na imprensa e na Internet.A alteração está já a provocar dificuldades em diversas escolas do País. A FENPROF aponta como exemplos os casos da EB 2,3 da Mealhada, em que surgiram mais de 700 candidatos para um horário, ou do Agrupamento de Escolas de Taveiro, em Coimbra, onde surgiram mais de 300 candidaturas para uma substituição num jardim de infância.A análise das centenas de candidaturas obriga os estabelecimentos de ensino a uma sobrecarga de trabalho que, defende a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), seria "dispensável se pudessem continuar a recorrer ao processo das colocações cíclicas".Mas este não será o único problema. De acordo com a FNE, este procedimento está a decorrer sem qualquer uniformidade de actuação entre as escolas, nomeadamente no que respeita aos documentos a apresentar para a candidatura e ainda à sua forma de apresentação. Algumas escolas estarão a exigir que a candidatura seja apresentada em impressos que apenas se obtêm na secretaria da própria escola, enquanto que outros estabelecimentos de ensino exigem o envio de currículos dos candidatos apenas em suporte de papel. A FENPROF garante que esta decisão "está a consumir recursos humanos, recursos materiais e recursos financeiros das escolas sem que tal se justificasse", salientando que são os alunos os principais prejudicados pela morosidade do processo. Os sindicatos exigem que seja restabelecido, por parte do Ministério da Educação, o recurso à lista nacional de graduação como referencial para as colocações para que o recrutamento de docentes volte a respeitar a ordem existente e para que se possa voltar a simplificar todo o processo.

Mudanças em vigor a partir de sábado


Estatuto dos professores publicado em DR

Última Hora
2007-01-19 - 15:33:00
O novo Estatuto da Carreira de Docente (ECD) foi esta sexta-feira publicado em Diário da República (DR), entrando sábado em vigor as alterações introduzidas na actividade de cerca de 180 mil professores e que causaram, nos últimos meses, diversos protestos contra o Ministério da Educação.


A principal mudança, e mais polémica, contemplada no diploma diz respeito à divisão da carreira em duas categorias (professor e professor titular), com quotas estabelecidas para subir de escalão e aceder à segunda e mais elevada.O exame de ingresso na carreira e a avaliação de desempenho, dependente de critérios como a observação de aulas e as taxas de insucesso e abandono escolar do alunos, são outros dos temas que têm criado atritos entre o Ministério e os sindicatos do sector, e que ficam consagrados a partir de hoje, com a publicação do documento em Diário da República.

Professores de Educação Física no 1º ciclo em Tomar estão sem receber desde Outubro

19 Jan 2007, 15:36h
O Mirante on line
Os professores contratados pelo Ginásio Clube de Tomar para as actividades extra-curriculares nas escolas do 1º ciclo do concelho, protocolizadas com a autarquia, estão sem receber desde de Outubro. A notícia foi confirmada a O MIRANTE por Filipe Fernandes, coordenador técnico do Ginásio, que garante, no entanto, que os professores já tinham sido avisados de que haveria atrasos. Segundo o técnico, a dívida aos 9 docentes ultrapassa os 5 mil euros, no entanto, Filipe Fernandes revela que a situação deverá estar resolvida a partir da próxima Segunda-feira. Para fazer face à situação, o Ginásio Clube chegou mesmo a adiantar uma pequena verba a cada um dos professores no Natal, de forma a tornar menos difícil a época de festas.
Um dos professores que está sem receber desde Outubro, confirmou a O MIRANTE, que já tinha sido avisado sobre os atrasos no pagamento, mas nunca pensou “que fosse tanto tempo”. O docente acrescenta que apesar de não estar em causa a sua sobrevivência, a situação é no mínimo, “desagradável”.
Paulo Arsénio, coordenador educativo do Médio Tejo, garante, entretanto, que a primeira tranche de pagamentos realizada pelo Ministério da Educação já foi entregue a todas as instituições que gerem as actividades extra-curriculares no 1º ciclo, como aulas de inglês, música, informática ou educação física. Questionado sobre os atrasos nos pagamentos, o responsável sublinha que “independentemente de receber ou não, as entidades quando fazem contratos, devem ter nos seus orçamentos as verbas para pagar os serviços”.
Apesar de tentar várias vezes, ainda não foi possível a O MIRANTE obter esclarecimentos por parte da Câmara de Tomar.