sábado, abril 07, 2007

Governo garante objectividade na selecção de professores

O Governo aprovou hoje o regime transitório de recrutamento para a categoria de professor titular no próximo ano lectivo, garantindo a adopção de procedimentos informatizados para eliminar margens de subjectividade entre os mais de 60 mil candidatos estimados.
Na conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros, o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, referiu que o decreto agora aprovado «corresponde ao regime transitório de recrutamento para a categoria de professor titular», que surge na sequência da recente revisão do Estatuto da Carreira Docente.
«Queremos dotar as escolas de um corpo qualificado de professores com mais formação, experiência e mais autoridade para exercerem as funções de coordenação e supervisão pedagógica», justificou o membro do executivo.
O secretário de Estado começou por sublinhar que o regime transitório para o concurso aplica-se aos docentes dos oitavo, nono e décimo escalões e o objectivo «é que haja já no início do próximo ano lectivo professores com a categoria de titulares».
Jorge Pedreira referiu que o concurso «permitirá uma avaliação curricular de cada candidato a partir de alguns critérios fundamentais, designadamente a formação acrescida, a avaliação do desempenho e a experiência profissional relevante para efeitos do concurso».
«A experiência profissional considerada mais relevante para efeitos do concurso é a apreciação da actividade exercida pelos docentes, nomeadamente a valorização da actividade lectiva, assim como o exercício de cargos de maior responsabilidade», especificou o membro do Governo.
No concurso para o próximo ano lectivo, o Governo prevê que possam candidatar-se à categoria de professor titular mais de 60 mil docentes, mas nunca revelou o número de vagas que estarão disponíveis.
Face à dimensão do concurso, o executivo diz ter adoptado «um procedimento informatizado a partir de critérios objectivos, observáveis e quantificáveis em relação aos currículos dos professores».
«O procedimento será informatizado, permitindo eliminar as margens de subjectividade e discricionaridade», garantiu o secretário de Estado.
Jorge Pedreira adiantou que «o procedimento do concurso baseia-se num conjunto de critérios que têm pontuações atribuídas».
«Para a obtenção de graus académicos (doutoramentos e mestrados), há determinadas pontuações, assim como para o exercício de cargos de coordenação e supervisão pedagógica - pontuações que são atribuídas por cada ano de exercício de funções lectivas, funções técnico-pedagógicas, mas também de níveis de assiduidade», salientou.
Os professores do décimo escalão que tenham atingido os 95 pontos nessa escala terão acesso à categoria de professor titular sem dependência de vaga.
Já em relação aos professores do oitavo e nono escalões, será em função de um número de vagas ainda não fixado, mas que será equivalente a uma percentagem dos quadros de pessoal docente dos agrupamentos.
«Os que tiverem maior pontuação dentro do seu departamento de recrutamento serão aqueles que serão escolhidos», acrescentou Jorge Pedreira.
Segundo o decreto-lei hoje aprovado, as faltas justificadas como as dadas por motivos de doença, morte de familiar ou acompanhamento de filhos doentes, por exemplo, já não serão penalizadas na ponderação do factor assiduidade, como previa o projecto de diploma entregue aos sindicatos.
Diário Digital / Lusa
29-03-2007 15:51:35

Faltas por motivo de doença não serão contabilizadas para concurso de professores titulares


As faltas dadas por motivo de doença, assistência a filhos menores ou morte de familiar não serão contabilizadas para efeitos de selecção no primeiro concurso de acesso a professor titular, de acordo com a versão final do documento.
Segundo o Decreto-Lei que estabelece o regime do primeiro concurso de acesso a professor titular, a mais elevada categoria da carreira docente, não serão contabilizadas todas "as faltas, licenças e dispensas legalmente consideradas como prestação efectiva de serviço".Inicialmente, a proposta do Ministério da Educação previa que todas as faltas fossem consideradas na ponderação do factor assiduidade, o que desde logo foi alvo de grande contestação por parte dos sindicatos.Depois, durante a negociação do diploma com as estruturas sindicais, ao longo do mês de Março, a tutela decidiu que as faltas dadas por licença de maternidade, paternidade, actividade sindical e greve não seriam tidas em conta na ponderação da assiduidade.O critério assiduidade é analisado nos cinco anos em que o docente deu menos faltas, entre os últimos sete anos lectivos, de 1999/00 a 2005/06.Também não serão penalizados os docentes que tenham faltado por dispensa para formação ou por licença sabática e equiparação a bolseiro, ausências equiparadas a prestação efectiva de serviço, como prevê o Estatuto da Carreira Docente (ECD).Os docentes que contabilizarem entre zero a oito dias de falta são classificados com sete pontos, entre nove a 12 com cinco pontos, entre 13 e 15 com quatro, com 16 ou mais dias de falta é atribuído um ponto, enquanto com qualquer dia de falta injustificada o docente recebe zero pontos.De acordo com constitucionalistas contactados pela agência Lusa no final de Fevereiro, a progressão na carreira não pode ser penalizada por faltas justificadas por motivos de doença, por exemplo.Em declarações à agência Lusa na altura, o constitucionalista Bacelar Gouveia explicou que "a Constituição consagra o direito à protecção na doença e, por isso, ninguém pode ser prejudicado por ter estado doente".Sobre esta questão, os sindicatos de professores chegaram mesmo a admitir recorrer aos tribunais para contestar a proposta da tutela para o acesso à categoria de titular, considerando inaceitável que faltas justificadas fossem penalizadas para efeitos de progressão na carreira.Outra das alterações na versão final prende-se com o aumento de um para dois pontos atribuídos a todas as funções que não sejam lectivas, independentemente do local onde tenham sido exercidas, como a actividade sindical.A avaliação do currículo dos candidatos, que o ME limita aos últimos sete anos lectivos, é também um dos principais aspectos contestados pelos sindicatos, que alegam que os professores em condições de concorrer têm, em média, 21 anos de serviço.Além da assiduidade são ainda considerados outros critérios como a habilitação académica, a avaliação de desempenho e a experiência profissional, incluindo o exercício de cargos de coordenação ou gestão.Ao primeiro concurso de acesso à categoria de professor titular, que irá decorrer até ao final deste ano lectivo, o Ministério da Educação afirma que poderão candidatar-se mais de 60 mil professores, mas omitiu sempre o número de vagas.

Professores contestam


Estatuto e acesso

O prosseguimento da contestação do Estatuto da Carreira Docente e do projecto do Ministério da Educação, que inicia o processo de regulamentação do ECD, sobre o primeiro concurso para acesso à nova categoria de professor titular, vão estar em análise num encontro de professores e educadores, que a Plataforma de Sindicatos do sector hoje leva a cabo. Anteontem, à tarde, a Plataforma, que reúne 14 estruturas sindicais, levou os seus argumentos à comissão parlamentar de Educação, Ciência e Cultura. «Nenhuma organização sindical de docentes concorda com a divisão da carreira em categorias hierarquizadas e todas consideram, ainda, que o projecto da tutela para regulamentar este primeiro concurso de acesso agrava ainda mais a situação», referia a nota que anunciava o encontro em São Bento.Os sindicatos rejeitam que o ME queira limitar a apreciação dos currículos dos professores aos últimos sete anos, penalizando quem tenham faltado com justificação ou tenha beneficiado de licenças ou dispensas protegidas legalmente e equiparadas a serviço efectivamente prestado. O projecto saído da Avenida 5 de Outubro vai igualmente discriminar e penalizar professores que se encontram em desempenho de funções de interesse público, como sindicalistas, autarcas ou deputados, ou docentes requisitados na administração educativa ou em organismos públicos e instituições do Ensino Superior.Na Comissão, Mário Nogueira, dirigente da Fenprof e porta-voz da Plataforma sindical, citado pela agência Lusa, voltou a salientar que o projecto sobre o primeiro concurso contém aspectos de duvidosa constitucionalidade, nomeadamente em relação à assiduidade, sendo penalizados os docentes que faltaram por morte de familiar ou por doença.A ministra, na semana passada, recusou a exigência feita pelos sindicatos, para que a negociação suplementar da proposta de decreto-lei sobre o primeiro concurso decorresse em mesa única e com representações ao mais alto nível, para que as reuniões pudessem ter um carácter eminentemente político. «Há mais de ano e meio que a ministra da Educação evita reunir com os sindicatos, contribuindo, com essa atitude, para que se degrade ainda mais o clima de relacionamento institucional», notou, a propósito, o secretariado nacional da Fenprof.

Banda desenhada com conselhos para o 1.º e 2.º ciclos


Sara R. Oliveira 2007-03-27

PSP põe as mãos à obra e distribui livros para crianças por todo o País. Valores sociais e educação para a saúde são alguns dos temas abordados por bonecos que entram em histórias reais.
Abordar situações do quotidiano com "armadilhas" e obstáculos que é necessário contornar. Aprender a lidar com questões sensíveis e delicadas que fazem parte do crescimento. Saber distinguir o bem do mal. Estar preparado para prevenir pequenos acidentes com o máximo de conhecimentos possível. Estes e outros assuntos são tratados em dois livros que estão prestes a chegar às mãos das crianças do 1.º e 2.º ciclos, através do Programa Escola Segura, desenvolvido pela Polícia de Segurança Pública (PSP). A Segurança das Crianças destina-se aos mais pequenos, Prevenir o Futuro aos mais crescidos. Cerca de 40 mil exemplares serão distribuídos pelo dispositivo nacional da PSP, para que os estabelecimentos de ensino tenham mais um instrumento pedagógico. Não são livros com linhas e linhas paralelas e páginas cheias de letras. Os conselhos e as dicas vêm à tona através de histórias de banda desenhada que têm o condão de prender a atenção dos mais pequenos. A ideia partiu do comandante da PSP de São João da Madeira, Carlos Duarte, que defende que a Polícia tem também uma palavra a dizer na formação dos futuros homens e mulheres de amanhã. Com a ajuda de dois agentes da PSP de Aveiro, Helena Graça e Paulo Santos, com um jeito especial para o desenho, as obras literárias acabaram por nascer. "A Polícia, para se intrometer de uma forma positiva com a comunidade escolar, tem de ter conteúdos para oferecer", explica Carlos Duarte. "Ter uma postura interventiva que se alia à postura securitária da Polícia, como um contributo". Um contributo que chegará às mãos das crianças do 1.º e 2.º ciclos devidamente enquadrado. Carlos Duarte adianta que antes da distribuição dos livros, é feita uma acção nas escolas conduzida pelos elementos do Programa Escola Segura, que consiste na apresentação de um CD que aborda os conceitos da banda desenhada. Na opinião do comandante, os livros surgem como complemento a essa iniciativa que pretende que os alunos tirem dúvidas, saciem a curiosidade, na presença dos agentes policiais. Além disso, foram impressos milhares de cartazes com conselhos importantes para serem "colados" em vários compartimentos das escolas. Uma actividade integrada que também ajuda a dissipar a imagem do polícia mau, "tantas vezes transmitida por famílias menos esclarecidas". "Os livros têm uma finalidade informativa e pedagógica", remata o responsável. Carlos Duarte teve a ideia, mas não hesitou em contactar diversas instituições que, de alguma forma, podiam contribuir para que os livros se adaptassem o mais possível à realidade vivida pelos mais pequenos e para que a mensagem fosse direitinha ao alvo. Além da PSP, a banda desenhada contou com colaboração dos agrupamentos escolares, de uma psicóloga, dos bombeiros voluntários, do centro de saúde, da Câmara Municipal e de um jornal local. Os apoios para a impressão chegaram de uma empresa privada. Valores sociais foi o grande tema que os agrupamentos escolares sublinharam quando contactados pelo comandante Duarte.Tornou-se então imperativo incluir o assunto em ambos os livros, com uma psicóloga a abordar a atitudes a ter bem presente. "Valores sociais são regras de bem conviver, têm a ver com o interior de cada pessoa e a relação desse interior com os outros... estes valores passam de geração em geração... fazem com que tu te sintas bem contigo e na relação com os outros em sociedade... são descobertas que fazem parte da identidade e do processo de crescimento interior de cada um de nós", alerta a psicóloga desenhada. A questão da sexualidade, tema exclusivo para o 2.º ciclo, também não passou à margem. Educação para a saúde aborda as novas sensações, a mudança do corpo, os cuidados a ter para uma vida sexual saudável, bem como prevenir a sida. "Descobre os teus valores e sê feliz" é a última mensagem dos compêndios criados pela Polícia, com a ajuda de instituições importantes, e que têm como missão ajudar os mais novos a perceberem que a vida também tem perigos à espreita. O comandante da PSP de Aveiro, Francisco Bagina, não esconde a importância dos livros no prefácio que assina. "Entre os grupos de cidadãos que integram os grupos de maior risco, temos os jovens, devido à sua imaturidade psicológica e física, mais relevada, especialmente quando se encontram desacompanhados daqueles que podem e devem cuidar deles, nomeadamente: pais e demais familiares, professores e funcionários, como responsáveis pela sua educação e segurança", escreve. O responsável não parece ter dúvidas: "... não é difícil prever esta acção como uma experiência inédita e com grande êxito, a estender a outras localidades, logo que possível".

Universidade Júnior regressa no Verão


Lusa 2007-04-02

A Universidade Júnior, promovida pela Universidade do Porto, destina-se a jovens dos 11 aos 17 anos e disponibiliza 107 actividades programadas segundo a idade dos participantes.
Este será o terceiro ano consecutivo em que se realiza o programa da Universidade Júnior, durante o qual a Universidade do Porto abre as suas faculdades e centros de investigação a estudantes do 5.º ao 11.º anos de escolaridade, estando prevista a presença de cerca de 5 mil jovens.As inscrições para a Universidade Júnior, que decorrem durante os meses de Julho e Setembro, podem ser feitas em http://universidadejunior.up.pt, sendo necessária a autorização dos pais.Para os mais novos - alunos do 5.º e 6.º ano de escolaridade - o programa Experimenta no Verão prevê actividades em quatro áreas científicas diferentes, enquanto os alunos do 7.º e 8.º anos de escolaridade podem frequentar as Oficinas de Verão, que incluem a participação em pequenos projectos de experimentação.Os jovens estudantes que frequentam o 9.º, 10.º e 11.º anos de escolaridade participarão no Verão em Projecto, que lhes permitirá realizar um projecto científico na área que mais lhes interessar, estando disponíveis cerca de meia centena de opções.Para todos os participantes estará aberta a Escola de Línguas, com duas semanas de duração, onde serão leccionadas aulas de Alemão, Espanhol, Francês e Inglês.Os alunos mais velhos podem ainda optar por grego moderno, húngaro e italiano, línguas que se estreiam este ano na Universidade Júnior e se destinam apenas aos jovens do 9.º, 10.º e 11.º anos de escolaridade.

Quanto custa estudar?




Joana Santos 2007-03-27



Parte do orçamento de muitas famílias destina-se a encargos com a educação. O Estado permite deduzir cerca de 850 euros por ano, mas em alguns casos as despesas ultrapassam em muito esse valor.
Cumprida a licença de maternidade e paternidade, os pais regressam ao trabalho e deixam o novo elemento da família entregue ao cuidado dos avós, de amas ou de creches. Catarina ainda não tem 1 ano e enquanto os pais estão a trabalhar fica diariamente ao cuidado dos avós - um cenário que se repetirá até completar os 3 anos.Se Cristina tivesse recorrido a uma creche ou mesmo a uma ama, essas despesas poderiam ser deduzidas na entrega do IRS. Para que isso aconteça é necessário que as amas se encontrem legalizadas, colectadas nas finanças e passem recibo verde correspondente e que os estabelecimentos de ensino estejam integrados no sistema nacional de educação, situação que pode ser confirmada junto do Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo do Ministério da Educação (http://www.giase.min-edu.pt/).A colaboração dos avós de Catarina é por isso uma ajuda na redução das despesas de educação que Cristina Martins irá apresentar este ano. Feitas as contas, são cerca de 4 mil euros, entre material escolar, actividades extra-curriculares e a mensalidade do externato onde Francisco, o irmão mais velho, de 5 anos, frequenta o ensino pré-escolar. «O custo mensal com o colégio [cerca de 300 euros] inclui o almoço e o lanche, música uma vez por semana e ginástica duas vezes», esclarece Cristina.Apesar destas despesas, Cristina pretende que a pequena Catarina siga os passos do irmão e, «enquanto os custos mensais puderem ser suportados», pretende manter os dois a estudar no ensino privado. Também por isso, confrontada com o limite estabelecido no IRS para despesas de educação e formação profissional - 617,44 euros para uma família com dois filhos a estudar -, Cristina defende que o «valor está longe do mínimo necessário para dar a melhor educação ao filhos, que inclui também as actividades extracurriculares». Para ultrapassar a situação, sugere que este limite seja aumentado pelo menos para metade das despesas apresentadas, «que têm de ser devidamente documentadas», sublinha.Susana Graça também tem dois filhos e no seu caso os encargos mensais aumentam já que Beatriz, a filha mais nova, ingressou no infantário e o irmão, Vicente, entrou este ano para o 1.º ciclo. Ambos frequentam um colégio porque, na opinião de Susana, esta é «a única forma de assegurar um bom ensino em boas condições». Mensalmente, o infantário da Beatriz custa 319 euros enquanto que no caso do Vicente a mensalidade é de 359 euros. Mas estas não são as únicas despesas. Porque o tempo das aulas nem sempre coincide com o horário dos pais; ou porque as crianças gostam de praticar outras actividades, os pais recorrem a actividades extra curriculares. Aulas de música, teatro, línguas, desporto ou informática são apenas alguns exemplos das actividades praticadas e cujos custos podem ser deduzidos no IRS. O Vicente pratica ténis o que representa um custo mensal de cerca de 50 euros que os pais poderão agora deduzir, desde que tenham o recibo de pagamento e o estabelecimento esteja integrado no sistema nacional de educação.Feitas as contas, Susana Graça gasta em média com a educação dos filhos cerca de 4500 euros anuais. Por isso mesmo defende que o valor-limite estabelecido para apresentação de despesas «é claramente insuficiente num país que ainda tem muito para investir em matéria de formação». Para melhorar esta situação, defende que é necessário admitir que o investimento na formação é uma prioridade estatal, «devendo-lhe ser concedido um tratamento fiscal mais benéfico e existirem outros incentivos».Marta também entrou este ano para o 1.º ciclo, no Colégio Sá de Miranda. Já conhece os números mas as contas da mãe, Mafalda Santos, estão longe do seu imaginário. Mensalmente, Mafalda paga cerca de 400 euros ao colégio, o que inclui alimentação, ballet, natação e prolongamento de horário das 16 às 17 horas. A isto juntam-se cerca de 150 euros gastos em livros e material escolar e feitas as contas as despesas este ano ascendem os 4500 euros.Se passarmos para o ensino público, as despesas anuais diminuem drasticamente uma vez que não existe o pagamento de qualquer mensalidade Contudo, não são necessárias muitas actividades extra curriculares para as despesas ultrapassarem o limite estabelecido pelo IRS. Para Mafalda Santos, «a educação em Portugal está muito cara» e este valor «não deveria ter tecto mas sim ser muito bem controlado», para evitar abusos.Ensino Básico e SecundárioTerminado o 1.º ciclo, começam a aumentar as disciplinas, os livros e consequentemente as despesas.Catarina entrou este ano para o 5.º ano e o irmão, Tiago, já está no 11.º. Frequentam o ensino público e, entre livros e material escolar para os dois, os pais gastam cerca de 500 euros por ano. Para ajudar nos estudos Tiago tem também explicações, que representam um acréscimo de 45 euros mensais nas despesas. Soraia Raimundo é filha única, mas isso não significa necessariamente menos despesas. A frequentar o 9.º ano, a aluna também tem explicações cujo valor ronda os 150 euros mensais. Em ambos os casos, e sendo passado recibo do valor das explicações, os pais podem também incluir estes gastos como despesas de educação.Ao valor das explicações, Paula, mãe de Soraia, junta ainda cerca de 700 euros gastos entre livros, material de apoio e material escolar. Feitas as contas, têm despesas para apresentar no valor de sensivelmente 850 euros, quando o limite estabelecido pouco ultrapassa os 600 euros. Universidade e formação profissionalChegados à Universidade, os encargos com a educação aumentam significativamente. Entre matrículas e propinas, os custos podem ascender aos 2500 euros. Depois juntam-se os livros, algumas fotocópias e o restante material escolar necessário. Maria Almeida Alves está no 3.º ano do curso de Direito da Faculdade de Lisboa e ao todo tem despesas no valor de cerca de 1300 euros.Desde que devidamente comprovadas, o fisco aceita como despesas os encargos com taxas de inscrição, propinas, livros e material escolar. Os alunos que estejam deslocados da sua residência (normalmente mudar de distrito) podem ainda apresentar despesas com alimentação, alojamento e transportes. Contudo há alguns limites: os serviços têm de ser prestados por terceiros, as despesas com alimentação incluem refeições em cantinas, bares universitários e também restaurantes, mas têm de ser feitas na região em que o aluno estuda, e só são aceites as deslocações feitas em transportes públicos entre a casa e o local de ensino.Quem frequentar workshops e cursos de formação profissional pode também apresentar essas despesas, em conjunto com as despesas de educação. São aceites desde que a empresa formadora seja certificada pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional.Contudo, segundo a DECO, os trabalhadores por conta de outrem podem ter interesse em declarar estas despesas como dedução específica da categoria A (inscrita no anexo A e não no H) e não como despesas de educação. Para saber qual a solução mais vantajosa, antes de entregar o IRS, deve fazer uma simulação no sítio da Direcção-Geral dos Impostos (http://www.dgci.min-financas.pt/).Quando o sistema não funcionaO casal Inês e Miguel e a filha Mariana são um exemplo de que por vezes o sistema não funciona da melhor maneira. «O sistema público de ensino recusou uma escola para a minha filha de três anos», afirma Inês Leite.Ao tentarem inscrever a filha na escola da área de residência foi-lhes dito que, como a filha nasceu em Outubro, «não teria vaga na pré-primária pelo que só poderia entrar aos 4 anos» - recorda Inês - e, além disso, como lhes foi explicado na altura, a Mariana «provavelmente não teria vaga na 1.ª classe e também teria de esperar um ano».Para superar esta situação, e porque esperar não parecia ser uma boa opção e «tínhamos recursos económicos», sublinham, optaram por colocá-la num colégio privado. Esta decisão representa um custo mensal de 500 euros (já inclui almoço, lanche e transporte escolar) a que se juntam 100 euros do uniforme escolar e despesas pontuais com visitas ou material escolar.Mas as despesas de educação do casal não se ficam por aqui. Inês e Miguel eram assistentes na Faculdade de Direito de Lisboa e, «para não serem dispensados», viram-se "obrigados" a fazer o Mestrado. Apesar de estarem isentos do pagamento das propinas, o que já foi uma ajuda, garantem que gastaram muito dinheiro em livros. Além disso, foi necessário deslocarem-se à Alemanha para fazerem investigação o que representou uma despesa adicional de cerca de 3000 euros, «e sem qualquer apoio», refere Inês. Esta situação ocorre porque Inês e Miguel deslocaram-se à Alemanha apenas para investigação e não para frequentarem um curso. Quem quiser ir estudar para fora de Portugal também poderá apresentar as despesas aí realizadas, desde que a instituição em causa esteja integrada no sistema de ensino oficial português ou seja reconhecida pelo Governo desse país.Outras despesasSe comprou computadores para uso pessoal, incluindo software e equipamento para a Internet, pode deduzir à colecta metade do que gastou até ao montante de 250 euros.Para tal, os contribuintes deverão ter em atenção que esta dedução pode ser feita uma única vez entre 2006 e 2008 e apenas se a taxa de IRS aplicável aos rendimentos do agregado for inferior a 42% (para rendimentos sujeitos a imposto acima de 60 000 euros por ano), um dos elementos do agregado familiar estudar, o equipamento for novo e a factura mencionar o número de contribuinte e a expressão "uso pessoal".As pensões de alimentos pagas por contribuintes a dependentes que integram o seu agregado familiar, por mútuo acordo e com homologação judicial, devem também ser consideradas despesas de educação. Na declaração de IRS a entregar em 2007, os contribuintes podem deduzir 30% das despesas de educação e formação profissional até 617,44 euros, bem como metade do dinheiro gasto em material informático, até 250 euros. Nas famílias com três ou mais dependentes, o primeiro limite pode ser elevado em 115,77 euros por cada um, desde que todos sejam estudantes. A declaração Modelo 3, relativamente aos rendimentos auferidos em 2006, pelos sujeitos passivos que tenham exclusivamente auferido rendimentos de trabalho dependente e pensões, podem ser entregues, via Internet, até dia 15 de Abril. Os contribuintes que também tenham rendimentos de trabalho independente podem entregar a declaração de IRS a partir do dia 16 de Abril e até 25 de Maio.




Mais informações: http://www.e-financas.gov.pt/

Concentração de escolas vai continuar




A Plataforma Sindical de Professores, que congrega vários sindicatos de Bragança, denunciou ontem que existem crianças que são obrigadas a apanhar dois transportes para chegarem à escola. Aquele movimento aproveitou a visita da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues a Bragança para, em conferência de imprensa, criticar as reformas da educação, nomeadamente no que se refere à concentração de escolas.No início do actual ano lectivo encerraram no distrito de Bragança 229 escolas do ensino básico, o que reduziu para um terço o número destes estabelecimentos na região. As crianças, agora concentradas em pólos, têm de deslocar-se diariamente para as escolas de acolhimento. Segundo Alice Susano, da Plataforma Sindical, “há crianças que têm de apanhar dois transportes e percorrer dezenas de quilómetros”. A dirigente sindical deu o exemplo de um aluno de seis anos da aldeia de Pinheiro Novo, que diariamente tem de fazer 40 quilómetros até à sede de concelho. Segundo disse, esta criança tem de apanhar uma carrinha até uma aldeia, onde utiliza depois um autocarro até Vinhais.“Chega à escola e ainda tem de esperar pelo início das aulas, que só começam às nove”, afirmou. A Plataforma Sindical denunciou ainda que “o transporte das crianças é feito muitas vezes em autocarros antigos, sem as condições legais”. Para os sindicatos de professores “dificilmente esta criança terá sucesso e até criará aversão à Escola”. “Como é que de facto se pode dizer que a Educação é para todos e que a concentração de escolas foi feita em nome de uma melhoria”, questionou Alice Susano.A responsável sustentou ainda que há mais crianças nesta situação. Confrontada pelos jornalistas com estas denúncias a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, considerou que as deslocações se justificam para as crianças terem melhores condições. “Não sei se isso é uma caricatura [o caso denunciado], mas se a nova escola for melhor, se oferecer melhores condições e se o estabelecimento de ensino que retém a criança na sua aldeia for uma escola com três alunos, seguramente que vale mais andar uns quilómetros”, afirmou.
PJ, 2007-03-26

domingo, março 25, 2007

O aluno rebelde"Queria era jogar à bola e passear"


O aluno rebelde


"Queria era jogar à bola e passear"



"Era cada aula, cada falta disciplinar". Bruno Machado, 15 anos, ainda esboça um ligeiro sorriso ao relembrar os tempos - não muito longínquos - em que se entretinha a "animar" as aulas na Escola EB 2/3 de Valadares.Hoje, jura que tomou juízo. E quando se lhe pede que tente explicar porque martirizava a vida dos professores, perturbando as aulas e, assim, impedindo os outros seus colegas de aprender, sai-lhe de imediato "Não entendia nada do que ouvia". E continua "Tinha que estar sentado a ouvir o que os professores falavam, não havia nada de prático para fazer. Eu chateava-me e portava-me mal". Hoje, sente-se mais motivado na "Secundária" local, onde frequenta um curso de Educação e Formação de Electricista. "Aqui tenho mais liberdade, não tenho só que ouvir, também faço coisas". Ao lado, Carlos Costa, 16 anos, e José Nunes, 17 anos, mostram, com orgulho,a oficina que haviam acabado de arrumar, cheios de brio. Seguem-se relatos, cheios de sorrisos, de passados de insucesso no ensino regular. "Eu reprovava por faltas logo no final do primeiro período", lembrava o Carlos, que esteve inscrito três vezes no 7.º ano. Porquê? "Não gostava daquilo, era tudo muito teórico, eu queria era jogar à bola e andar a passear", recordou.História idêntica foi a do José Nunes. "Eu até tinha bom comportamento, mas não tinha qualquer vontade em ir às aulas, faltava muito e não estudava", lembrou. Ambos reconhecem que, agora, sentem-se mais motivados com o curso de mecânica, que lhes irá conferir formação profissional de nível II e o 9.º ano de escolaridade. "Aqui trabalhamos, aprendemos algo de útil", concordaram. Ao lado, Isabel Ferreira, vice-presidente do Conselho Executivo, esclarece "Estes alunos estão muito mais motivados com este tipo de cursos. Do passado trazem na cabeça o que tanto ouviram na escola: que não eram capazes. Agora, comprovam precisamente o contrário.


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Bruno Machado

15 anos

"Não há professor que não se sinta exausto"


O docente desanimado


Conversa nas aulas, falta de regras ao entrar na sala, desrespeito pelos colegas, recusa em obedecer às ordens dos professores, falta de vontade em participar nos trabalhos. É assim o dia-a-dia na escola onde Rui Santos dá aulas há dois anos, inserida num meio social urbano complicado e, por isso mesmo, considerada como Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP)."Ao fim do dia, não há professor que não se sinta exausto. Trabalhamos com desalento, ao ver que a resolução dos problemas com que nos debatemos continua sem resposta", afirmou.


Rui Santos lecciona Música a alunos que, devido ao historial de insucesso escolar, frequentam turmas com currículos alternativos. "Com eles, evito as exposições teóricas, já que são alunos com problemas comportamentais. Torna-se mais fácil colocar um instrumento musical na mão e pô-los a fazer exercícios", salientou. Rui Santos explica que o trabalho em aula para aguentar os alunos é árduo. "São alunos a quem a escola não diz nada, o que torna mais difícil motivá-los", recordou. Conquistá-los para a vida escolar ainda se torna mais complicado quando a escola não é, por si só, suficientemente atractiva. "São os tacos levantados, vidros partidos , paredes escaqueiradas. O próprio edifício escolar não é acolhedor e os miúdos sentem que aquele espaço está ao abandono", referiu. Quando o comportamento dos alunos merece castigo, são convidados a sair da aula e dirigem-se a uma sala de estudo. "Vão para ali com uma tarefa para cumprir e são obrigados a reflectir, juntamente com o professor que lá se encontra, sobre o comportamento que tiveram", explicou.


Mau ambiente


Rui Santos sabe que é difícil exigir de crianças oriundas de famílias desestruturadas e com mau ambiente familiar e social um comportamento igual ao dos outros colegas. "Não podemos querer que eles saiam de casa e se transformem ao entrar pelo portão da escola", realçou. Daí ter salientado a importância de um trabalho conjunto com as famílias. "Até isso ao professor é pedido. Sem assistentes sociais e apenas com um psicólogo numa escola que é considerada um TEIP, cabe-nos a nós termos, muitas vezes, de sair da escola e ir ao encontro das famílias", referiu.A demissão dos pais é, no entender de Rui Santos, algo que poderia ser combatido. "Se essas famílias que se recusam vir à escola vissem recusados os benefícios sociais de que dispõem, provavelmente participariam mais", sugeriu.


"Temos alunos que, por incrível que pareça, ficam meses sem aparecer na escola. São crianças cujos pais saem cedo de casa e os miúdos passam todo o dia entregues à sua própria vontade", revelou."E quando aparecem, provocam instabilidade na turma, impedindo os que lá estão com vontade de aprenderem", concluiu.


FB

Rui Santos

Professor de Música

Gabinete orienta alunos expulsos da sala de aula



J. Paulo Coutinho, Fernando Basto, Fernando Oliveira




Q uando o professor dá ordem de saída da sala de aula, qualquer aluno da Escola Secundária Clara de Resende, no Porto, já sabe qual o destino a seguir chama-se "gabinete disciplinar". É ali que, desde Setembro, professores e alunos reflectem sobre o que deu origem à sanção e procuram formas para corrigir e prevenir os comportamentos menos adequados no meio escolar.O novo projecto educativo implementado naquele estabelecimento de ensino, desde o início do ano lectivo e pelo período de três anos, é considerado inovador entre os professores da escola."Não temos casos graves de indisciplina nesta escola, mas mesmo assim consideramos que é importante agir sobre os casos menores, para impedir que passem aos níveis seguintes", disse ao JN Ana Patrício, professora-coordenadora de um grupo recém-criado a Equipa Disciplinar.Constituída por sete docentes e dois funcionários, aquela equipa foi igualmente criada pelo novo projecto educativo da "Clara de Resende". Ela parte do princípio de que a disciplina é um factor central que exponencia os melhores resultados escolares.Assim, cabe-lhe monitorizar os incidentes do dia-a-dia. Para tanto, analisa as participações que são feitas. Se um professor, ao colocar o aluno fora da sala, é obrigado a preencher uma participação do comportamento tomado pelo aluno, também este, quando é levado ao gabinete disciplinar, é obrigado a preencher um "registo de incidente disciplinar". No formulário, para além da discrição do seu comportamento na sala de aula, o aluno é convidado a reflectir sobre a situação. "O que poderias ter feito para evitar esta situação?" e "O que te comprometes a fazer para remediar e ultrapassar esta situação" são duas das questões colocadas aos jovens."Aquilo que pretendemos é que o aluno olhe para o seu comportamento de outra forma, ajudando-o a tomar uma outra atitude face ao futuro e obtendo o seu compromisso em relação ao modo como vai agir daí em diante", salientou Ana Patrício.Os incidentes disciplinares vão sendo monitorizados ao longo da semana pela Equipa Disciplinar. Este trabalho tem permitido, desde Setembro, organizar uma base de dados, através da qual se fica a saber em que horário dos turnos escolares, em que turmas e com que alunos se registam os casos."Ficamos com uma perspectiva sobre o funcionamento da escola e das relações entre os professores e os alunos", referiu a coordenadora do projecto.A Equipa Disciplinar pretende, com base nas informações colhidas ao longo do ano escolar, passar a uma fase seguinte, a nível da intervenção."A gestão da sala de aula merece uma boa aprendizagem. Queremos identificar os professores com maiores dificuldades e avançar para cursos de formação, além de promover encontros com especialistas e fornecer mais informação aos professores", concluiu Ana Patrício.

Indisciplina exige melhor formação dos docentes


Fernando Basto
Quando, na década de 80, João Amado estudou o problema da indisciplina numa escola dos arredores de Lisboa, contabilizou 774 participações - a maioria com expulsão da sala de aula - feitas por professores no espaço temporal de cinco anos lectivos. Hoje, aquele docente universitário sabe, através das investigações feitas pelos seus alunos, que aquelas sete centenas de participações diriam respeito a apenas um trimestre. Conversa e utilização de telemóveis dentro da sala de aula, agressão verbal - quando não mesmo física - a professores, cenas de luta nos corredores e recreios e desrespeito às ordens dos funcionários são alguns dos comportamentos que se tornam comuns no dia-a-dia escolar. As razões são várias. Há alunos que chegam à escola carregando problemas sociais e familiares, não encontrando ali resposta às suas carências. E há professores sem formação para gerir uma sala de aula. E há um tempo em que a imagem dos educadores se sente fragilizada e, assim, aberta à indisciplina e violência. Receitas para dar a volta à situação não faltam. Rever currículos e reforçar a autoridade dos professores são algumas das soluções propostas. João Amado investiga as questões de indisciplina no espaço escolar há décadas. Por isso, hoje, sente dificuldades em resumir as causas do mau comportamento, tantas que elas são. "Ultimamente, os professores têm sido vítimas da desvalorização da sua própria condição e do seu estatuto pelo poder político, o que se vai traduzir na representação que a sociedade faz dos professores. E isto tem reflexos na sala de aula", destacou.Por outro lado, o psicólogo da Universidade de Coimbra lamenta que, cada vez mais, as famílias se demitam da sua autoridade sobre os filhos. E salienta o abandono em que muitos se encontram, entregues a si próprios. "Não faltam nas escolas alunos com um grande historial de repetência, com problemas sociais e familiares muito graves. Por isso, são indisciplinados, vítimas do insucesso e também geradores de insucesso", realçou. Saber gerir os problemas que se levantam numa sala de aula é, no seu entender, algo que exige uma formação urgente.Da mesma opinião é João Lopes, director de mestrados do Departamento de Psicologia da Universidade do Minho. "Há pessoas que têm jeito para controlar uma turma. Mas ser professor não vai de habilidade, mas de formação. E no que se refere à gestão da sala de aula, os professores têm muita falta de formação", referiu.Por outro lado, o psicólogo critica o laxismo existente em muitas escolas em termos disciplinares. "As conversas paralelas na sala de aula já são assumidas como factos normais, padronizados. Por isso, a tendência é que os alunos evoluam no grau de indisciplina, passando a níveis superiores", explicou.Mesmo assim, João Lopes acredita que o que mais contribui para o aumento da indisciplina é a falência do factor académico. "Os alunos não aprendem e, por isso, não percebem do que se fala na aula. Não admira, portanto, que se portem mal. É preciso mudar a forma como se ensinam os alunos, sem que, para isso, tenham de estar mais tempo na escola. Aliás, devia-se diminuir o número de horas que passam na escola e acabar com a Área Projecto e Estudo Acompanhado, que só geram desorganização e ninguém entende para que servem", concluiu. A ministra da Educação já fez saber que o Estatuto do Aluno (Lei 30/2002) está a ser revisto "no sentido de reforçar a autoridade dos órgãos de gestão das escolas e dos professores na tomada de medidas disciplinares de carácter educativo". Conforme salientou, as alterações que estão a ser introduzidas implicam "desburocratizar os procedimentos associados à gestão da indisciplina, que são hoje excessivamente codificados e desvalorizadores da autoridade do professor, comprometendo a eficiência educativa". Maria de Lurdes Rodrigues é de opinião que "a indisciplina é geradora de um ambiente social negativo para o futuro dos alunos como profissionais e cidadãos". A governante destacou o papel de programas como a escola a tempo inteiro e ocupação plena dos tempos escolares, educação para a cidadania, educação para a saúde e desporto escolar. No seu entender, aqueles programas "visam justamente proporcionar às escolas instrumentos de prevenção e plena integração dos alunos no projecto escola". A ministra destacou, ainda, a importância de uma maior responsabilização dos pais quanto ao cumprimento da escolaridade obrigatória .

sábado, março 24, 2007

Ministra da Cultura quer disponibilização de manuscritos de Eça de Queirós



A ministra da Cultura apelou, esta sexta-feira, aos proprietários de obra manuscrita do escritor Eça de Queiroz, dispersa pelo mundo, para que a disponibilizem ao público, de modo a poder ser estudada pelos investigadores.

( 16:31 / 23 de Março 07 )

Isabel Pires de Lima fez este apelo durante uma cerimónia de doação, nas suas palavras «particularmente preciosa», de manuscritos queirosianos pelo banco Millennium BCP à Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), realizada nas instalações da entidade.Recentemente, o Millennium BCP descobriu nos seus cofres uma versão completa do ensaio "Novos Factores da Política Portuguesa" (53 folhas), e versões incompletas dos romances "A Cidade e as Serras" (100 folhas), e "A Ilustre Casa de Ramires" (184 folhas). «Trata-se de um conjunto de documentos muito importante para a compreensão da obra de Eça de Queiroz, sobretudo no caso dos dois romances póstumos, cuja edição o escritor não controlou», salientou a governante.Isabel Pires de Lima agradeceu a doação do BCP, manifestando uma «grande satisfação» pelo surgimento público dos documentos e a sua integração no espólio já existente do escritor na BNP.A governante, que participou na realização da edição crítica da obra queirosiana concebida pelo especialista Carlos Reis, explicou que os investigadores têm a ideia da existência de documentos manuscritos de Eça dispersos pelo mundo, nomeadamente nos Estados Unidos, Brasil, Chile e Espanha.«Isto deve-se ao facto de a família do autor ter tido o hábito peculiar de oferecer a amigos folhas soltas e capítulos de livros escritos por ele», indicou.Isabel Pires de Lima agradeceu ao presidente do BCP, Paulo Teixeira Pinto, «também amante de Eça, por não ter cedido à tentação de entregar os documentos ao Círculo Queirosiano, mas de os ter doado à Biblioteca Nacional».O Millennium BCP informou que a partir de hoje os documentos podem ser consultados pelo público no site do banco (www.millenniumbcp.pt).

Rede pública escolar vai ser reorganizada

Reorganizar a rede pública escolar de Lisboa e libertar temporariamente os estabelecimentos de ensino que necessitam de obras de recuperação ou de reconversão são os principais objectivos de um protocolo ontem assinado entre a Câmara Municipal e o Ministério da Educação (ME).No documento, ao qual o JN teve acesso, é assumido que "o estado de degradação em que se encontram os equipamentos educativos sob responsabilidade do município obrigam a uma rápida intervenção no sentido da sua recuperação e reabilitação e, necessariamente, a um urgente reordenamento". Segundo Jorge Nuno Sá, chefe de gabinete de Sérgio Lipari Pinto (vereador responsável pelo pelouro da Educação), após a concretização do estipulado no protocolo haverá um aumento da oferta. De entre as acções consagradas no protocolo destacam-se a transformação do actual edifício oficinal da Escola D. João de Castro em duas salas de jardim de infância e a fusão da Escola Básica (EB) 2 Padre Bartolomeu de Gusmão com a Escola Secundária Josefa de Óbidos, libertando as instalações da primeira com vista ao reforço da rede pública do primeiro ciclo e pré-escolar. No âmbito do protocolo, o ME cede à autarquia, nos anos lectivos de 2006/2007 e 2007/2008, as instalações da extinta EB 2,3 com Fernão Lopes para a Câmara aí instalar oito turmas provenientes da EB 1 das Gaivotas, duas da EB 1 do Carmo e duas salas de jardim de infância. "Há uma ideia do que se quer para a cidade e isso é fundamental", salientou Jorge Nuno Sá. "Pela primeira vez, há uma conjugação de esforços entre a Câmara e do ME".
Fátima Mariano

Biblioteca de valor europeu


ABiblioteca da Universidade de Coimbra está indicada para assumir a categoria de Património Europeu, uma distinção que deixa "satisfeito", mas não surpreendido, o director da instituição, Carlos Fiolhais. Aliás, como afirmou ao JN, "a surpresa seria se, havendo essa nova possibilidade de indicação para Património Europeu, a Biblioteca da Universidade não tivesse sido considerada".Esta biblioteca é um dos bens patrimoniais, juntamente com o Convento de Jesus, em Setúbal, Sé de Braga e abolição da pena de morte, que foram anunciados pela ministra da Cultura para integrarem a nova categoria europeia do património. A Biblioteca da Universidade, que engloba a Biblioteca Joanina, "é uma parte notável do património português e europeu", referiu Carlos Fiolhais, adiantando que, no caso concreto da Joanina, trata-se de "uma das mais belas bibliotecas europeias, além de possuir um fundo impressionante de livros antigos".Quem a visita "não tem dúvidas" quanto ao facto de a biblioteca merecer o novo título, defende o seu director, ao destacar "o barroco em todo o seu esplendor". "Há até quem entre e se benza porque julga que está numa igreja. É de facto um templo, mas um templo da sabedoria", diz Carlos Fiolhais. Essa sabedoria está representada nos tectos e nos livros que cobrem as paredes. Afinal, são quase cem mil livros antigos, ou seja, publicados até 1830.E será que a Biblioteca ganhará em ser considerada Património Europeu? O director acredita que sim. Se a indicação for aceite pelas instâncias europeias, Carlos Fiolhais espera que ela "contribua para restaurar alguns livros". Já existe o projecto "SOS Livro Antigo" que permite a empresas e instituições o uso adequado do espaço nobre em troca de uma contribuição para o restauro de obras raras. "A designação de património europeu permitirá acções mais alargadas de restauro, com mecenas certos". Também há o projecto "Biblioteca Joanina Virtual", apoiado pelo Ministério da Cultura e em colaboração com a Biblioteca Nacional, de digitalização de obras antigas. "Com o selo europeu", Fiolhais crê poder "continuar os objectivos do projecto, digitalizando o máximo de obras possíveis e colocando-as na Internet à disposição de todos".Já Pedro Saraiva, vice-reitor da Universidade de Coimbra, considera que a Biblioteca Joanina "serve, de forma exemplar, o propósito de reforçar a adesão dos cidadãos a uma identidade europeia", ideia subjacente à lista de Património Europeu. "A ela associam-se os conceitos de conhecimento, tolerância, liberdade e criatividade humana, fundamentais para suportar tal identidade", concluiu.

Relatório propõe pagamento entre 9 e 12 euros



Lusa 2007-03-22



Um relatório pedido pelo Ministério da Educação recomenda a fixação de um valor mínimo para o pagamento aos professores que asseguram as actividades de enriquecimento curricular, que varia entre os nove e os 12 euros brutos à hora. Segundo o documento, elaborado pela comissão que acompanha as actividades de enriquecimento no 1.º ciclo, os professores licenciados devem receber, no mínimo, 12 euros ilíquidos, um valor calculado com base no índice salarial 126 da Administração Pública.Já os professores que não tenham licenciatura deverão auferir, pelo menos, nove euros à hora, com base no índice salarial 89.Contactado pela agência Lusa, Mário Nogueira, dirigente da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), classificou estes valores de "inaceitáveis", alegando que a tutela se prepara para "nivelar por baixo" o pagamento destes docentes.As actividades de enriquecimento curricular no primeiro ciclo, que incluem o Inglês, a Música e o Desporto, são promovidas, na maior parte dos casos, pelas autarquias que, em média, pagam aos professores entre os 12 e os 15 euros por hora, explicou o sindicalista.Por isso, Mário Nogueira considera que "a proposta do relatório representa um decréscimo de pagamento para muitos professores e mostra que a tutela não tem qualquer intenção de valorizar os salários"."Sob a aparente intenção de criar uma situação mais favorável, o Ministério da Educação está a definir um valor mais baixo do que o que é pago em muitos casos", afirmou o sindicalista.O dirigente da FENPROF ressalvou, no entanto, que esta proposta poderá beneficiar alguns docentes, sobretudo os que são pagos por empresas privadas sub-contratadas pelas câmaras e que recebem, em média, seis ou sete euros à hora.Apesar da proposta da comissão de acompanhamento das actividades de enriquecimento curricular, o assessor do Ministério da Educação (ME) assegura não haver ainda qualquer decisão relativamente a esta matéria, uma vez que "o relatório está ainda a ser apreciado".No documento, a comissão, que integra representantes das associações de pais, das autarquias e da tutela, aponta ainda as principais dificuldades de implementação das actividades, que estão relacionadas com a compatibilização de horários, o acesso a salas e a espaços adequados, a contratação de docentes e a falta de pessoal auxiliar nas escolas.Segundo dados do ME, 99% das escolas do 1.º ciclo oferecem o ensino do Inglês no 3.º e 4.º anos e Actividade Física e Desportiva, actividades desenvolvidas no prolongamento do horário da antiga primária, entre as 15h30 e as 17h30. O ensino da Música é disponibilizado em 85% das escolas do 1.º ciclo.

Relatório propõe pagamento a professores entre os 12 e 9 euros/hora


Um relatório pedido pelo Ministério da Educação recomenda a fixação de um valor mínimo para o pagamento aos professores que asseguram as actividades de enriquecimento curricular, que varia entre os 9e os 12 euros brutos à hora.
Segundo o documento, a que a agência «Lusa» teve acesso, os professores licenciados devem receber, no mínimo, 12 euros ilíquidos, um valor calculado com base no índice salarial 126 da Administração Pública.
Já os professores que não tenham licenciatura deverão auferir, pelo menos, 9 euros à hora, com base no índice salarial 89.
Contactado pela agência «Lusa», Mário Nogueira, dirigente da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), classificou estes valores de «inaceitáveis», alegando que a tutela se prepara para «nivelar por baixo» o pagamento destes docentes.
As actividades de enriquecimento curricular no primeiro ciclo, que incluem o Inglês, a Música e o Desporto, são promovidas, na maior parte dos casos, pelas autarquias que, em média, pagam aos professores entre os 12 e os 15 euros por hora, explicou o sindicalista.
Por isso, Mário Nogueira considera que «a proposta do relatório representa um decréscimo de pagamento para muitos professores e mostra que a tutela não tem qualquer intenção de valorizar os salários».
«Sob a aparente intenção de criar uma situação mais favorável, o Ministério da Educação está a definir um valor mais baixo do que o que é pago em muitos casos», afirmou o sindicalista.
O dirigente da Fenprof ressalvou, no entanto, que esta proposta poderá beneficiar alguns docentes, sobretudo os que são pagos por empresas privadas sub-contratadas pelas cmaras e que recebem, em média, seis ou sete euros à hora.
Segundo dados do ME, 99 por cento das escolas do primeiro ciclo oferecem o ensino do Inglês no 3º e 4º anos e Actividade Física e Desportiva, actividades desenvolvidas no prolongamento do horário da antiga primária, entre as 15:30 e as 17:30.

Professores comunistas debatem a profissão


Professores debatem profissão

Os professores comunistas do distrito de Coimbra realizaram, sexta-feira, a sua VI assembleia da organização. Na reunião, elegeu-se o novo organismo de direcção, composto por oito elementos, e aprovou-se uma resolução política. João Frazão, da Comissão Política, encerrou os trabalhos. No documento da assembleia destacou-se o «desinvestimento progressivo na Educação», levado a cabo pelos últimos governos, com especial incidência para o actual executivo do PS, liderado por José Sócrates. Para 2007, denunciam, a diminuição cifra-se em 4,2 por cento. A revisão do Estatuto da Carreira Docente foi também duramente criticada pela organização dos professores comunistas de Coimbra na sua assembleia. Lembrando que esta é uma intenção antiga dos sucessivos governos, os delegados à assembleia acusam o Governo do PS de levar a cabo uma «completa destruição» deste estatuto. Mas valorizaram também as «acções de unidade e luta» promovidas em torno desta questão. Acções que, consideram, ficarão na história da profissão. Entre elas, conta-se a marcha nacional de professores e educadores do dia 5 de Outubro, o protesto geral de 12 do mesmo mês ou a greve nacional do sector, nos dias 18 e 19 de Outubro.Os professores comunistas de Coimbra repudiam ainda o encerramento de escolas e a degradação das condições de trabalho dos docentes. O agravamento do horário, a dispersão funcional das tarefas e o reforço das actividades não lectivas são alguns exemplos.

quarta-feira, março 21, 2007

Promover a leitura


Joana Santos 2007-03-21
A aprendizagem da língua é um dos factores que mais contribui para o êxito escolar dos alunos. Na Escola Secundária D. Luísa de Gusmão concilia-se a magia dos livros com as actividades de substituição. Falta um professor e os alunos já sabem que, provavelmente, irão ter uma aula de substituição diferente. Os vários exemplares do livro que estão a ler começam a chegar à sala, juntamente com o professor responsável pela substituição. Com ele traz um dossier planificado com a sinopse da obra em causa, a respectiva ficha de leitura, sugestões de leitura e de actividades a desenvolver em sala de aula, e uma folha de registo de actividades por turma. Deste modo, a actividade fica documentada e todos os docentes que voltem a realizar actividades de substituição no âmbito do projecto Ler na Escola sabem quais as leituras já realizadas.Durante a aula lê-se individualmente ou em grupo, em silêncio ou em voz alta, identificam-se e caracterizam-se personagens, ilustram-se ou dramatizam-se as cenas preferidas. Uma vez por outra, também se contam histórias.O projecto nasceu na sequência de uma reflexão sobre as aulas de substituição na Escola Secundária D. Luísa de Gusmão. «Pareceu-nos que juntar os professores no centro de recursos [como foi feito em 2005-2006] sem tarefas previamente planeadas, à espera de substituir, eventualmente, algum docente ausente, era tão penoso para alunos como para professores», explica Isabel Cluny, responsável pelo projecto. A experiência com as aulas de substituição «muito pouco gratificante para os participantes» e as «dificuldades em manter a turma disciplinada e interessada nas tarefas» foram mais um motivo para passar da ideia à acção.Foi nesse sentido que se propôs ao Conselho Executivo, e depois ao Conselho Pedagógico, que esses tempos fossem ocupados com actividades ligadas ao Plano Nacional de Leitura. O objectivo, segundo Isabel Cluny, era que na ausência do docente «não se ocupasse os tempos escolares dos alunos com medidas de carácter administrativo, mas sim com actividades concretas, com objectivos previamente traçados e explicitados claramente a todos os envolvidos».E assim aconteceu. Uma vez aprovada, a proposta tem vindo a ser implementada com sucesso, a par de outras actividades desenvolvidas de comum acordo entre docentes e alunos, desde o início deste ano lectivo.A execução do projecto coube a um grupo coordenador, que depois de ter obtido o apoio da Comissão do Plano Nacional de Leitura, elaborou uma lista de livros de apoio às actividades. As primeiras obras foram adquiridas pela escola e, já no 2.º Período, a Fundação Calouste Gulbenkian subsidiou a compra de outros títulos para alunos do 3.º ciclo dos Ensino Básico e Secundário.Até agora o balanço provisório das actividades parece ser positivo, uma vez que, como refere Isabel Cluny, «os docentes adoptaram maioritariamente o projecto Ler na Escola como meio de ocupar os tempos escolares dos alunos».Foi no 9.º ano que o projecto colheu maior aceitação, sendo que em 16 aulas de substituição 14 foram dedicadas à leitura. A primeira obra foi o Diário Cruzado de João e Joana. A leitura foi tão rápida que obrigou à aquisição de um novo título - Uma questão de Cor - ainda durante o 1.º Período.No 7.º ano, 24 das 48 aulas de substituição foram dedicadas à leitura da obra Félix o Pé-de-Vento. A necessidade de um elevado número de aulas, devido ao atraso na colocação dos professores, também obrigou a adquirir outra obra - A Biblioteca Mágica - que passou a ser objecto de leitura também em outros anos de escolaridade.Para o 8.º ano foi escolhida a obra Diário do Nosso Grupo que foi lida em 25 das 43 aulas de substituição. Os encarregados de educação também têm apoiado a iniciativa e, neste momento, já se pondera a possibilidade de alargar o projecto Ler na Escola para que no próximo ano surja com um dinamismo diferente.

terça-feira, março 20, 2007

Escolas secundárias vão alugar espaços para casamentos e baptizados


Mini centros comerciais? Nada disso. Mas as escolas secundárias portuguesas vão desenvolver internamente "áreas de negócio" para ajudar a financiar o programa de modernização dos estabelecimentos de ensino. O aluguer de espaços de desporto, serviços de restauração, a exploração de papelarias e reprografias são exemplos de "unidades de negócio". A valorização patrimonial, que pode incluir a concessão de edifícios não utilizados, também. "Desde o aluguer de espaços para casamentos e baptizados, de rinques para torneios de solteiros e casados, ou de espaços para entidades de formação, tudo pode ser feito", disse ontem ao DN o porta-voz do Ministério da Educação. "Aliás, já há escolas que o fazem", acrescentou.A estratégia foi apresentada ontem de manhã no Porto e à tarde em Lisboa, pela ministra da Educação, pelo primeiro-ministro e pelo presidente da Parque Escolar, EPE que explicou que "a concessão de utilização de instalações escolares no período pós-escolar, bem como a concessão de instalações não utilizadas a instituições públicas e/ou privadas, vocacionadas para a educação e formação profissional" é uma prioridade no que diz respeito à valorização patrimonial.Nas ditas unidades de negócio, "as regras vão ser a criteriosa escolha de produtos e de fixação de preços (não se trata de um mini centro comercial) e o rigoroso controlo de qualidade dos produtos a vender, em particular no que refere à alimentação", afirmou João Sintra Nunes.Para isto, a Parque Escolar conta "até fim de 2007 concluir um conjunto de parcerias que permitam "encher" os edifícios a intervencionar nos primeiros dois anos". É que o programa de modernização quer abranger 332 escolas até 2015. E inicia-se em Julho em quatro: duas no Porto e duas em Lisboa. A experiência piloto deve ser estendida a outras escolas nos próximos oito anos, para, entre outras coisas (ver texto em baixo) abrir a escola à comunidade. O que "não quer dizer que toda a gente lá possa entrar", mas que "os edifícios possam ser utilizados em actividades de formação pós-laboral, eventos culturais e sociais, desporto e ao lazer".

Hábitos alimentares reúnem pais e filhos na escola



Sara R. Oliveira 2007-03-19
Alunos da EB2,3 de Leça da Palmeira envolvem adultos na mudança de rotinas alimentares. Contos tradicionais dão o mote a ementas saudáveis e conselhos úteis, revelados num encontro animado. Ponto de partida: contos tradicionais em que um ou mais alimentos tivessem um minuto de protagonismo. As histórias serviram de pretexto para aplicar conhecimentos adquiridos, sobretudo em Ciências da Natureza, e destacar aspectos para uma alimentação saudável. A partir daí, 27 alunos de uma turma do 6.º ano de escolaridade da EB2,3 de Leça da Palmeira arregaçaram as mangas e "condimentaram" a Área de Projecto, onde rebuscaram temas de diferentes disciplinas, como Português, Educação Musical, Formação Cívica e, em particular, Ciências da Natureza. Resultado: ilustrações sobre a extracção do sal, um elogio feito à sopa, contos tradicionais adaptados aos tempos modernos, a receita de uma tarte de uva, um folheto com indicações de como temperar alimentos com pouco sal, representação de uma peça de teatro em que o sal ocupa o papel central, uma canção com letra e música originais sobre a Roda dos Alimentos. E um concurso em que o paladar, o tacto e o cheiro dos pais foram postos à prova, para adivinhar quais as ervas aromáticas e especiarias que lhes eram colocadas nas mãos. Uma tarefa feita com os olhos vendados. A exposição dos trabalhos teve lugar esta semana com a presença maciça dos pais. Os alunos, entusiasmados perante a plateia, conduziram e animaram a sessão, em que a interacção foi constante. A liberdade de criação é total. A cumplicidade entre pais e filhos é evidente. E a ideia é que o debate à volta dos hábitos alimentares, iniciado na escola, se prolongue em casa. Nuno Pires, 12 anos, é o autor da letra e música da canção sobre a Roda dos Alimentos, que fez questão de salpicar com conselhos a reter. As frases surgiram naturalmente, nunca fugindo ao assunto principal. As palavras colaram-se à melodia e a música acabou por nascer. Não é a primeira vez que Nuno Pires empresta os seus dotes musicais às actividades escolares. "É por gosto e as coisas vêm-me à cabeça", explica. E o encontro? "É uma boa maneira de transmitir o que há de melhor e pior sobre determinados temas", responde. A representante dos pais da turma do 6.º ano, Helena Guedes esteve atenta ao desenrolar das actividades. Como de costume. "Esta escola não tem o portão fechado, procura trazer os pais de forma a que acompanhem mais de perto os conhecimentos e crescimento dos filhos", afirma. A presença dos educadores é como a cereja em cima do bolo. "É bastante importante porque os nossos filhos sentem-se motivados ao apreciarmos o trabalho que fazem e, por isso, gostam e participam", comenta. Ponto assente. "Trazer o mais possível os pais à escola, de uma forma positiva". A directora da turma do 6.º ano, Armanda Zenhas, sublinha que o encontro tem dois objectivos específicos. "Trazer os pais à escola para verem coisas positivas e partilhar conhecimentos que os miúdos adquirem na escola", explica. Tudo num projecto que trata de fomentar o gosto pela leitura e desenvolver hábitos de alimentação saudável. "Desde o aprender ao praticar vai um caminho", realça a docente. Por isso, a aproximação entre a escola e a casa dos alunos. "Para melhorar hábitos alimentares é imprescindível a colaboração dos pais". E o papel principal é colocado nas mãos dos alunos que tentam "modificar a prática quotidiana a partir do que aprendem na escola". A delegada de saúde de Leça da Palmeira, Cecília Eira, sublinha a sintonia entre pais e filhos ao redor do mesmo tema. "A promoção da saúde, uma área fundamental, tem de ser trabalhada em conjunto com toda a comunidade escolar", aponta. Uma desmultiplicação da mensagem partilhada por pais e alunos é fortemente valorizada. Um encontro de dois em um. Ou seja, "responsabiliza-se os pais e os filhos". Em nome de uma alimentação rica e cuidada. O ditado faz todo o sentido e Cecília Eira faz questão de recordá-lo: "De pequenino é que se torce o pepino". O próximo encontro entre pais e alunos está marcado para 8 de Maio. Dia em que a abordagem ao assunto entra na fase final. Os trabalhos já estão preparados. O quadro da sala de aula será ocupado por uma exposição, feita em powerpoint, sobre nutrientes e rótulos de várias comidas. Nessa altura, os resultados dos inquéritos feitos aos alunos sobre os hábitos alimentares serão divulgados. No final, a delegada de saúde de Leça da Palmeira e uma nutricionista entram em acção para esclarecer dúvidas, dar conselhos, envolver ainda mais a comunidade escolar para os cuidados a ter à hora das refeições. Para crianças e adultos.

Notícias da SPRC


ASSEMBLEIA GERAL DE SÓCIOS DO SPRC

Encontram-se disponíveis, para consulta e para apresentação de propostas, os documentos que estarão em discussão na próxima Assembleia Geral do SPRC

Consulta em http://www.sprc.pt

APRECIAÇÃO PARLAMENTAR

O SPRC colocou na sua página electrónica os dois textos que se encontram em debate na Assembleia da República, apresentados por dois partidos da oposição parlamentar (o PCP e o PSD). Estes dois documentos referem-se ao Estatuto da Carreira Docente e visam alterar o Dec.-Lei 15/2007 imposto pelo actual governo

Consulta em http://www.sprc.pt/paginas/Novidades/novidades_apreciacao.html

NÃO ESQUECER

Se ainda não escolheu aquele considera ser o maior Pirata da Educação em 2006, não perca essa oportunidade e faça-o já através da página electrónica do SPRC

Vote em http://www.sprc.pt/asps/votapirata.htm

E se ainda não disse que é contra a fractura na carreira docente em duas categorias com diferentes conteúdos funcionais, a qual tem por principal objectivo não promover o mérito absoluto, mas sim impedir a maioria dos professores de chegar ao topo da Carreira

Assine em http://www.sprc.pt/asps/defesacap.htm

Cordiais saudações

Departamento de Informação e Comunicação

Mil milhões de euros para a requalificação de escolas



Lusa 2007-03-19O primeiro-ministro anunciou hoje o investimento de cerca de mil milhões de euros na requalificação da rede das escolas secundárias do País, no âmbito de um programa a concretizar nos próximos nove anos. "Queremos dar um sinal político claro aos professores e aos alunos de que esta é a nossa prioridade", sublinhou José Sócrates, que presidiu hoje, na Escola Rodrigues de Freitas, no Porto, à apresentação do Programa de Modernização do Parque Escolar do Ensino Secundário.Este programa de modernização abrangerá 332 escolas de todo ao país até ao ano 2015 e inicia-se em Julho em quatro escolas-piloto, duas no Porto (Rodrigues de Freitas e Soares dos Reis) e duas em Lisboa (D. Dinis e Pólo de Educação e Formação D. João de Castro)."Vamos começar por quatro escolas, mas com vontade de a estender a todo o país rapidamente em parceria com as autarquias, que são um parceiro estratégico e essencial para que este programa seja um êxito", disse José Sócrates, sublinhando que "o investimento em educação é essencial para o desenvolvimento e crescimento económico do país".Considerando que o "espaço público da escola é essencial para melhorar o ambiente educativo", José Sócrates frisou que o objectivo do programa é "fazer escolas de referência que sejam um orgulho para as cidades"."Por isso, viemos a esta escola histórica do Porto para apresentar ao País este programa", disse o primeiro-ministro, explicando que na Secundária Rodrigues de Freitas será feita "uma intervenção requalificadora, que conserve os seus traços de identidade, e que, ao mesmo tempo, a transforme num espaço moderno e funcional".Por seu lado, a ministra da Educação considerou que "não se trata de investir mais dinheiro, mas de investir mais e melhor, de acordo com um planeamento exigente de modernização e conservação, respeitador da evolução dos modelos pedagógicos, da autonomia e responsabilidade das escolas, bem como de princípios da racionalidade económica na gestão futura, duradoura e sustentada dos edifícios e dos espaços escolares"."Através deste programa de modernização do parque escolar, o Ministério da Educação demonstra a sua aposta clara na requalificação da rede das escolas secundárias", garantiu Maria de Lurdes Rodrigues.A ministra reconheceu que "a maioria dos edifícios que constituem o parque escolar apresenta sinais vários de degradação física e ambiental e de obsolescência funcional, resultantes do desgaste material a que os edifícios têm sido sujeitos, da alteração das condições de uso iniciais decorrentes, por exemplo, da evolução dos currículos, bem como, em alguns casos, da sua sobre-ocupação"."Estes problemas são ainda o resultado da ausência de um modelo eficaz de financiamento e de programas continuados de conservação e de manutenção dos espaços escolares", frisou.O Programa de Modernização das Escolas Secundárias, aprovado em Conselho de Ministros a 06 de Dezembro de 2006, visa a adopção de medidas e acções que invertam o progressivo estado de degradação e desactualização dos estabelecimentos destinados ao Ensino Secundário.Para coordenar a execução do programa, o Governo criou a Parque Escolar, uma empresa pública empresarial que será ainda responsável pelo controlo de custos e por assegurar as fontes e modelos de financiamento.O responsável pela empresa Parque Escolar, João Sintra Nunes, explicou que a maioria das intervenções decorrerá em simultâneo com a actividade escolar e que cada intervenção será iniciada com o encerramento do ano lectivo, concluindo-se, aproximadamente um ano depois.O investimento global previsto é de 940 milhões de euros, com um pico de investimento de 193 milhões de euros em 2010.Segundo Sintra Nunes, cerca de 60% do investimento será garantido através de financiamento comunitário (QREN), Orçamento de Estado e autarquias.Os restantes 40% serão garantidos por financiamento bancário (25%) e por acções de valorização patrimonial e desenvolvimento de unidades de negócio (15%).

segunda-feira, março 19, 2007

Restos mortais de Aquilino Ribeiro vão para o Panteão Nacional


9.03.2007 - 12h20

O projecto já era conhecido, mas a oficialização só apareceu hoje no Diário da República: os restos mortais de Aquilino Ribeiro vão ser trasladados para o Panteão Nacional.
"O Panteão é a homenagem da pátria aos seus maiores, não deve ter nada de sagrado", disse hoje à Lusa o escritor Baptista Bastos, confessando-se "muito feliz" com a iniciativa da Assembleia da República.Aquilino, que o autor de "A Colina de Cristal" conheceu pessoalmente, era um homem "com consciência da sua valia, da sua importância, não só no panorama da cultura portuguesa mas também no plano dos princípios, princípios morais e da relação com os outros"."Ele representa — realçou — o Portugal de uma certa nobreza, de uma certa integridade, e isso está nos seus livros. Foi sempre um homem da liberdade, a súmula de uma cultura".Entre a morte de Aquilino, em 1963, e a homenagem que agora lhe é prestada decorreram 44 anos. Muito tempo, na opinião de Baptista Bastos: "Já lá devia estar", observou.Para um outro escritor, Mário Cláudio, "tudo aquilo que sirva para homenagear um escritor é bem-vindo" e merece ser aplaudido, mais ainda quando se está em presença de um autor "da dimensão de Aquilino Ribeiro"."Mas não se promove o respeito pela sua obra através de realizações deste tipo", ressalvou."Não tenho o culto dos mortos", pontuou, para salientar em seguida que "não há melhor homenagem do que ler-lhe os livros"."Culto dos mortos" é algo que também Lídia Jorge não tem. O que importa, na sua avaliação, "é a obra, é a memória, é a cidadania".A autora de "Vento Soprando nas Gruas" admitiu à Lusa que a trasladação será "válida" se for uma forma de "lembrar ao país" quem foi Aquilino e chamar a atenção para a sua obra.

Requalificação de secundárias começa hoje


No balanço aos dois anos de governação, feito anteontem no "Fórum Novas Fronteiras", o primeiro-ministro referiu-se ao programa de Modernização do Parque Escolar como sendo a prova do esforço do Governo em valorizar a escola pública e melhorar a qualidade do ensino. Hoje, José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues fazem não uma mas duas sessões de apresentação da nova aposta do Executivo às 10 horas, na Escola Rodrigues de Freitas, no Porto, e às 15, na secundária D. Dinis, em Lisboa. Precisamente duas das quatro primeiras escolas onde serão feitas obras de requalificação. O programa será executado em parceria com as autarquias, de acordo com o anúncio de José Sócrates. Na terça-feira, em Castelo Branco, a ministra da Educação também já havia defendido a transferência de novas competências para as câmaras municipais e um maior apoio destas ao Governo "na renovação do parque das escolas básicas".A execução da requalificação cabe à Parque Escola. A nova Entidade Pública Empresarial, presidida por João Sintra Nunes, coordenará o programa de modernização, controlará os custos, indicará as fontes e modelos de financiamento e garantirá, ainda, a manutenção das intervenções.O programa arranca no início do próximo ano lectivo nas escolas Oliveira Martins e Rodrigues de Freitas, no Porto, e D. João de Castro e D. Dinis, em Lisboa.Além deste grupo de escolas-piloto,o ministério já anunciou que as escolas Pedro Nunes, Machado de Castro e Passos Manuel, em Lisboa, serão objecto de projectos especiais, previstos para 2008. A tutela, aliás, já garantiu que o levantamento de todas as intervenções necessárias já está feito, restando, apenas, à nova empresa Parque Escolar a calendarização de todas as obras de requalificação. O Governo garante que o programa de modernização estará concluído no início do ano lectivo de 2011/2012.

Governo força 2200 docentes a formação profissional extra


Alexandra InácioGoverno força 2200 docentesa formação profissional extraComo no próximo concurso nacional de professores, em 2009, não poderão candidatar-se os docentes sem profissionalização (ou seja, os licenciados sem um estágio em Ciências da Educação), a tutela acabou de decretar para os 2200 professores que estão nessa situação uma formação extraordinária e obrigatória - pelo menos para quem queira entrar para o quadro do ministério.Na semana passada, o secretário de Estado, Valter Lemos, assinou um despacho que facilita o acesso aos estágios para os profissionais com um mínimo de cinco anos de serviço (ou seis, desde que completos no ano lectivo de 2008/09) e horário igual ou superior a oito horas lectivas. Os sindicatos, no entanto, receiam que essa "aparente boa notícia" se traduza em mais desemprego.As normas, recorde-se, já tinham sido aprovadas. Mas o novo despacho assinado por Valter Lemos prolonga por mais um ano a oportunidade de os docentes realizarem o estágio - condição essencial para que posam candidatar-se aos quadros do ministério. De acordo com o secretário de Estado um despacho semelhante, publicado no ano passado, permitiu a formação de aproximadamente 700 professores.Neste caso, Valter Lemos diz que se trata "de uma última oportunidade para mais de 2000 docentes".Sindicato preocupado"Sendo uma boa notícia, o prolongamento pode vir a ter um resultado prático muito residual", afirmou ao JN Anabela Delgado, coordenadora para o ensino secundário do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL). O problema, argumentou, é que os dois requisitos exigidos excluem os docentes que nunca conseguiram horários completos. Apesar de trabalharem há anos, demoram mais a acumular tempo de serviço. Para esses professores, alerta, será ainda mais difícil conseguir uma colocação. Os sindicatos receiam, por isso, que o despacho atire mais professores para o desemprego. Até porque o aumento dos horários em mais duas horas, o encerramento de escolas e a diminuição do número de alunos - "que não permite, no entanto, turmas com menos de 28 alunos" - também já reduz o número de horários a concurso. Condições exigidas para o concurso O acesso aos estágios só será permitido aos professores que cumulativamente tenham habilitações próprias, possuam "pelo menos cinco anos completos de serviço docente efectivo" e tenham um horário "igual ou superior a oito horas lectivas" por semana. Redução e acréscimo de horas para estagiáriosPor forma a criar algum equilíbrio entre os candidatos à profissionalização, no universo do pré-escolar ao secundário, o despacho prevê que os docentes com horário completo (22 horas) vejam o seu horário reduzido em seis horas semanais, por forma a poderem frequentar a formação. E, no caso dos docentes que têm horários iguais ou superiores a oito horas, haverá um aumento de seis horas semanais na sua componente lectiva.Mais experientes são dispensados O diploma dispensa da frequência da profissionalização os professores com habilitação própria que "tenham 45 anos e 10 anos de serviço docente efectivo" ou os docentes com 15 anos de serviço.

Governo apresenta hoje Programa de Modernização Escolas Secundárias


O primeiro-ministro e a ministra da Educação apresentam hoje o Programa de Modernização do Parque Escolar do Ensino Secundário, que visa corrigir problemas construtivos e melhorar as condições de adaptabilidade, segurança e acessibilidade das escolas



José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues vão estar presentes em duas sessões de apresentação, uma de manhã, na Escola Secundária Rodrigues de Freitas, no Porto, e à tarde na Secundária D. Dinis, em Lisboa.
O programa, aprovado em Conselho de Ministros a 06 de Dezembro de 2006, visa a adopção de medidas e acções que invertam o progressivo estado de degradação e desactualização dos estabelecimentos destinados ao ensino secundário.
Para coordenar a execução do programa, o Governo criou a Parque Escolar, uma empresa pública empresarial que será ainda responsável pelo controlo de custos e por assegurar as fontes e modelos de financiamento.
O programa arranca no início do ano lectivo 2007/08 com intervenções nas escolas piloto Oliveira Martins e Rodrigues de Freitas, no Porto, e na D.João de Castro e D.Dinis, em Lisboa.
Por outro lado, está já identificado um outro conjunto de escolas que serão objecto de projectos especiais, cujas intervenções deverão estar concluídas até 2011/2012.

Lusa/SOL

domingo, março 18, 2007

A nossa língua

Alice Vieira , Escritora
Lembro-me muitas vezes daquela sensação de medo (e depois de vergonha) que senti na primeira noite que passei em Chicago, quando oiço baterem insistentemente à porta da cozinha e vejo, a toda a largura e altura do vidro da porta, o enorme rosto de um negro, cabelo em tranças "rasta", fazendo gestos ameaçadores. Eu estava sozinha em casa, as crianças dormiam no quarto ao fundo, o meu filho ia chegar tarde. Imaginei-me no pior cenário do pior filme de terror, tremia sem saber o que fazer - até que o Diogo, estremunhado, veio lá do quarto, olhou e disse "ah, é o nosso vizinho do lado". Era e os gestos ameaçadores eram apenas gestos de um pai que também estava sozinho em casa, e descobrira ter ficado sem leite no frigorífico... A vergonha que tive acho que nunca chegou a passar, nem mesmo depois de lhe ter passado para as mãos um pacote inteiro e, até ao fim da minha estadia, ter tido sempre para ele o mais rasgado dos sorrisos.Não há dúvida, somos instintivamente racistas, ou já estamos programados para o sermos.Desta vez não estou em Chicago mas na estação de Metro de Sete Rios, passa pouco das seis da manhã, o quiosque do café ainda não abriu, faço horas para apanha ruma camioneta na rodoviária mesmo em frente. Diante de mim aparece um negro, o cabelo em tranças, olhos pesados de sono e álcool, ar de quem ainda não se deitou. Estende-me o braço e pede-me um cigarro. Enfio a mão na algibeira e entrego-lhe o resto do maço, olhando em volta, mas em volta não anda ninguém, e ele pede lume e eu estendo-lhe o isqueiro, esperando que ele não veja a minha mão pouco segura de si. "Obrigado", diz, "obrigado pela sua amabilidade." Repete "amabilidade" - devagarinho, e separando bem as sílabas. Franze a testa, põe-se bem na minha frente, e continua: "É amabilidade, que se diz? Não será amavilidade? Pois se a gente diz 'amável', devíamos dizer 'amavilidade'. A não ser que a palavra venha de 'habilidade'. Quer dizer: a 'habilidade' de ser amável. Amabilidade". E durante muito tempo ficou naquelas altas filosofias matinais. Já se afastara um pouco quando de repente volta atrás, deixa cair a mão pesadamente no meu ombro (tenho metro e meio e ele tem para aí o dobro...) e, enquanto eu olho desesperadamente em volta, exclama: "a nossa língua é muito bonita!" O quiosque já estava aberto, paguei-lhe um café.Aquela "nossa", pronunciado com tanta força, tinha-nos feito, de repente, irmãos. Exactamente da mesma cor.Alice Vieira escreve no JN, quinzenalmente, aos domingos

sábado, março 17, 2007

CONTRA A FRACTURA NA CARREIRA DOCENTE
EM DEFESA DAS CARREIRAS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Caro(a) Colega

Já se encontra disponível online, na página do SPEC o Abaixo-Assinado contra a fractura da Carreira Docente em duas categorias.

Veja em http://www.sprc.pt

Como sabe, certamente, trata-se de uma situação que gerará profundas injustiças dentro de cada escola e agrupamento e que secciona o corpo docente, alimentando a competição e impedindo a maioria dos professores de chegar ao topo da carreira.

Esta iniciativa da Plataforma Sindical dos Professores pretende afirmar, perante o governo e a opinião pública, um veemente protesto contra a imposição de uma carreira que desvaloriza a função principal dos docentes e alimenta desconfianças em relação aos professores e educadores.

Para assinar basta seguir este endereço http://www.sprc.pt/asps/defesacap.htm

É TEMPO DE CONTINUAR A DIZER NÃO! DE NÃO DESISTIR…

brincar com as palavras


Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

Fernanda Braga da Cruz

Prioridade para investigação a agressões contra professores

Nova Lei de Política Criminal vigorará a partir de Setembro A Lei de Política Criminal, que deverá vigorar a partir de Setembro, vai considerar prioritária a prevenção e investigação das agressões contra professores e funcionários das escolas, afirmou o coordenador da Unidade de Missão para a Reforma Penal, Rui Pereira, em declarações à Lusa. A política criminal compreende a definição de objectivos, prioridades e orientações em matéria de prevenção da criminalidade, investigação criminal, acção penal e execução de penas e medidas de segurança. Segundo a legislação, os professores integram um conjunto de profissões e cargos a quem uma agressão é susceptível de "revelar especial censurabilidade ou perversidade", podendo, por isso, a pena de prisão ser agravada em um terço nos seus limites mínimo e máximo. No âmbito das alterações ao Código Penal, aprovadas na generalidade a 22 de Fevereiro, também as agressões a outros membros da comunidade escolar, incluindo os funcionários não docentes, passam a ter uma moldura penal agravada. Além de qualificadas, estas agressões passarão a ser consideradas prioritárias a nível da investigação das forças de segurança e do Ministério Público já a partir de 01 de Setembro, com a entrada em vigor da Lei de Política Criminal.

Professores: Ministério de Educação e sindicatos voltam a encontrar-se na quarta-feira



O SINDEP e a FECAP e o Ministério da Educação regressam à mesa de negociações na próxima quarta-feira caso surja algum dado novo suficientemente forte a ponto de levar à desmarcação da greve anunciada para 22 e 23 deste mês.
O Ministério de Educação e Ensino Superior sem avançar alguma data precisa reafirmou ontem durante a ronda negocial com os sindicatos que os professores vão receber ainda este ano os montantes relativos às promoções e progressões de 2003 e 2004.
De acordo com o presidente do SINDEP, Nicolau Furtado, o MEES reafirmou, durante o encontro de ontem, «a reclassificação, ainda este ano, dos professores diplomados em 2004 e 2005 ignorando os retroactivos que são devidos».
A integração dos professores no sistema de Previdência Social, outra das reivindicações dos docentes, nem sequer foi ventilada, segundo Nicolau Furtado, pelos representantes do MEES que «não confirmaram a existência, a nível das Finanças, de qualquer plano de pagamentos dos atrasados das progressões de 2003 e 2004 a ser executado a partir de 22 próximo».
Contudo, segundo uma fonte, o pagamento vai mesmo avançar podendo mesmo começar antes da data prevista e conta com o envolvimento pessoal da Ministra das Finanças, Cristina Duarte, que levou a questão para o Conselho de Ministros de ontem.
Recorde-se que os sindicatos (SINDEP e FECAP) têm marcada para os dias 22 e 23 (quinta e sexta-feira) a greve de professores em todo o país.

quinta-feira, março 15, 2007

Exames: 1ª fase de 18 a 26 Junho, resultados a 6 Julho


A primeira fase dos exames nacionais do ensino secundário realiza-se este ano de 18 a 26 de Junho, sendo as classificações afixadas a 06 de Julho, de acordo com um despacho publicado quarta-feira em Diário da República.
Na primeira fase realizam-se 38 exames, sendo que as nove disciplinas em que coexistem programas novos e programas antigos, devido à reforma curricular introduzida em 2004, têm este ano enunciados comuns.
Os alunos que concluírem todas as provas na primeira fase poderão concorrer ao ensino superior público entre 09 e 13 de Julho, conhecendo o resultado da candidatura a 17 de Setembro.
A segunda fase de exames decorre de 12 a 17 de Julho, com afixação das pautas de classificações a 27 de Julho.
Os alunos que só concluírem provas nesta fase concorrem ao ensino superior de 27 de Julho a 03 de Agosto, excepto os que tenham feito melhoria de nota ou que repitam os exames para aprovação e que, por isso, são remetidos para a segunda fase de acesso à universidade, de 17 a 21 de Setembro, onde há menos vagas disponíveis.
Relativamente aos exames nacionais do 9º ano, a primeira chamada é a 19 de Junho para a prova de Língua Portuguesa e a 21 para Matemática, com afixação dos resultados a 11 de Julho.
Quanto à segunda chamada, decorre a 25 e 26 de Junho, a Língua Portuguesa e Matemática, respectivamente, com afixação das pautas igualmente a 11 de Julho.
Diário Digital / Lusa
15-03-2007 16:33:00

Educação no tempo de Salazar