quarta-feira, maio 23, 2007

OMinistro, o professor e as piadas


Se um ministro brinca com o primeiro-ministro, adormeço tranquilo. Gostei de escrever, há dias, uma crónica por Mário Lino gozar com José Sócrates sem os quartéis terem entrado em prevenção. Lembrei, então: nem sempre foi assim. Camões foi exilado para a Índia por ter brincado com o rei D. Manuel. Ora, agora, um professor foi castigado por ter dito uma piada sobre Sócrates. Disse um qualquer assessor: "Os funcionários têm o dever da lealdade institucional." Falemos de lealdades. Com Mário Lino, eu escrevi: agora já se pode brincar com os de cima. Passei por parvo. Sócrates tem um dever de lealdade para comigo. Que apareça com o professor a rir-se às gargalhadas de piadas sobre o primeiro-ministro. Eu, na crónica, defendi Sócrates com unhas e dentes: disse que ele era um primeiro-ministro normal num país normal. Lealmente, rindo-se como o professor, Sócrates não me deixará perder a face. Obrigado.

Ministra recusa ir ao Parlamento


A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, recusa ir à Assembleia da República esclarecer o caso do processo disciplinar movido no Ministério da Educação a um professor por, alegadamente, ter dito piadas sobre a licenciatura do primeiro-ministro.Falando ao DN, o secretário de Estado-adjunto da Educação, Jorge Pedreira, explicou a recusa da ministra: "A ministra não tem nada que explicar aos deputados, porque não foi ela que desencadeou o procedimento [disciplinar]". Jorge Pedreira afirmou que a decisão em causa foi tomada à luz da "autonomia" da DREN (Direcção Regional de Educação do Norte), desmentindo que esta tenha sido sancionada por Maria de Lurdes Rodrigues. Por isso, argumentou, o ministério não tem, pelo menos por enquanto, que tomar qualquer posição pública sobre este caso: "Não há qualquer reacção a tomar. Se houver um recurso hierárquico, então o ministério vai pronunciar-se."Ontem, no Parlamento, todos os partidos da oposição exigiram esclarecimentos da ministra, ou sob a forma de depoimento na comissão de Educação ou sob a forma de requerimento dirigido à titular governamental da pasta. As duas medidas têm eficácias diferentes: enquanto a solicitação da presença da ministra no Parlamento pode ser inviabilizada pela maioria PS, já um requerimento parlamentar é de resposta obrigatória pelo membro do Governo a quem é dirigido (embora o regimento da Assembleia da República não imponha prazos de resposta aos ministérios). Por enquanto ainda ninguém admite apelar formalmente ao Presidente da República, embora a ideia circule.O sentido unânime das opiniões manifestadas na oposição parlamentar é que se está perante mais um caso de tentativa de limitação da liberdade de expressão.O PS, evidentemente, não concorda. Luís Fagundes Duarte, coordenador dos deputados socialistas na comissão de Educação, salientou ao DN que "a DREN tem competências próprias na gestão do seu pessoal". "Por definição não comentamos processos disciplinares".Se a directora da DREN, Margarida Moreira, "cometeu ou não um erro é algo que o próprio processo disciplinar determinará", afirmou ainda o deputado. Porém, embora dizendo não querendo comentar a substância dos factos, Fagundes Duarte lá foi dizendo ser para si "evidente" que "é preciso fazer qualquer coisa" quando "os políticos são achincalhados na rua". "É muito fácil chamar nomes às pessoas e não acontecer nada", acrescentou.No gabinete do primeiro-ministro a ordem é de não comentar. "O assunto é do âmbito da Direcção Regional de Educação do Norte e do Ministério da Educação", explicou ao DN um colaborador de José Sócrates. "Para já não nos metemos", acrescentou - querendo com isto também dizer que não foram dadas instruções à ministra para fazer o processo recuar. Seja como for, há uma certeza, de acordo com o mesmo interlocutor do DN: "O que ele [o professor Fernando Charrua] disse [e que não coincide com o que o próprio afirma ter dito] não foi nenhuma piada nem um dito jocoso, como o próprio afirma. Foi um insulto." A actuação da directora da DREN é enquadrada pelo gabinete de Sócrates como tendo também um fundo de "rivalidades internas" naquele organismo. E, evidentemente, garante-se que Sócrates nada teve a ver com o procedimento disciplinar.Entretanto, quem se pôs em campo foi a provedoria de justiça. Fê-lo emitindo um comunicado dizendo ter solicitado à directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, "comentários que esta queira fazer para boa elucidação do caso, bem como a proposta e despacho que terão determinado a suspensão preventiva do mesmo funcionário".No Governo, a sanção aplicada ao funcionário - que na legislatura passada foi deputado do PSD, tendo aliás tido uma participação activa na revisão da lei de bases da educação - também não caiu bem. As reacções variam entre o tom mais emotivo em que classificação a decisão da directora regional como "exagerada" ou mesmo "nada inteligente" e aqueles a consideram apenas como ou excessivamente zelosa. Mas todos parecem concordar que foi contraproducente e negativa do ponto de vista político.No seu blogue (causa-nossa.blogspot.com), o constitucionalista Vital Moreira, há muito compagnon de route dos socialistas, criticou, sem nomear, a atitude da directora da Direcção Regional de Educação do Norte: "Há-os sempre, os zelosos guardiões do poder, excedendo-se na punição dos que se excedam no desrespeito ao poder. Não se dão conta, os zelosos, que no seu excesso só desajudam quem julgam proteger."Num outro blogue (quartarepublica.blogspot.com, onde em tempos participou um actual assessor presidencial, David Justino), Pinho Cardão, também ele deputado do PSD na legislatura passada (2002-2005), testemunhou sobre o professor agora penalizado: "Entre parêntesis, gostaria de dizer que conheci o dr. Fernando Charrua na Assembleia da República, nos pouco mais de dois anos que por lá passei, e muito gostei da qualidade do seu trabalho, do seu empenho em bem fazer, acompanhado de um constante ar jovial." "Acredito nele", escreveu o ex-deputado.

Educação: Tribunal dá razão ao Governo na imposição de serviços mínimos em dias de greve

Lisboa, 23 Mai (Lusa) - O Tribunal Central Administrativo considerou legal a polémica decisão dos Ministérios da Educação e do Trabalho de convocar serviços mínimos para uma greve de professores que em 2005 coincidiu com os exames nacionais do 9º e 12º anos.
Num acórdão proferido a 10 de Maio e divulgado hoje, o Tribunal afirma que o despacho dos dois ministérios, que na altura gerou grande polémica, "não padece nem de ilegalidade, nem do vício de incompetência".
Há dois anos, as duas maiores federações sindicais de professores convocaram quatro dias de greves regionais para contestar medidas como o alargamento da idade de reforma, agendando a paralisação para a primeira semana de exames nacionais, entre 20 e 23 de Junho.
Para assegurar a realização das provas, considerada pelo Governo como uma "necessidade social impreterível", os ministros da Educação e do Trabalho emitiram um despacho a definir serviços mínimos de docentes, uma decisão contestada pela oposição e por alguns juristas, que afirmaram estar em causa o direito à greve.
O caso motivou uma batalha jurídica entre os sindicatos e a tutela, tendo os tribunais administrativos de Lisboa e Ponta Delgada proferido duas decisões judiciais divergentes sobre providências cautelares interpostas pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof) para contestar os serviços mínimos.
Perante as duas decisões contraditórias, a Fenprof recorreu para o Tribunal Central Administrativo, que este mês acabou por dar razão ao Governo nesta matéria.
"Ninguém tem dúvidas de que o sector do ensino é um sector vital para qualquer sociedade democrática e evoluída. Sem menosprezar a importância do direito à greve como direito fundamental, parece-nos que, no caso concreto, o Governo detinha competência para a definição de serviços mínimos", refere o acórdão, hoje divulgado.
No entanto, o caso promete ainda arrastar-se na justiça, uma vez que a Fenprof vai recorrer deste acórdão para o Supremo Tribunal Administrativo.
"Vamos recorrer porque mantemos o entendimento de que o conceito de serviços mínimos, estabelecido por lei, não abrange o sector da Educação. Os serviços mínimos são apenas aplicáveis a coisas inadiáveis, como as urgências hospitalares, o que não é o caso dos exames", afirmou à Lusa o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.
JPB.
Lusa/Fim

Formalizado concurso de professores titulares

A legislação que regula o primeiro concurso de acesso à categoria de professor titular, a que podem candidatar-se cerca de 60 mil docentes, foi publicada ontem em "Diário da República" e entra hoje em vigor.

Segundo o diploma, que mantém a assiduidade como um dos critérios, o concurso vai decorrer em duas fases autónomas de acordo com os índices remuneratórios dos docentes, sendo o número de vagas fixado posteriormente através de despacho da ministra da Educação.

A regulamentação do concurso prevê a selecção dos docentes através da análise curricular onde são ponderadas as habilitações académicas, com a valorização da formação académica acrescida como os graus de mestre (15 pontos) e doutor (30 pontos).

São ainda consideradas a experiência profissional e a avaliação de desempenho com a valorização do exercício de actividades lectivas, o desempenho de cargos de coordenação, direcção e supervisão de outros docentes e a assiduidade.

Na versão final do documento as faltas dadas por motivo de doença, assistência a filhos menores ou morte de familiar deixam de ser contabilizadas em termos de assiduidade, mas uma fonte sindical citada pela Lusa referiu que o documento não é específico quanto a estes casos.

Na questão da assiduidade é considerado no diploma o menor número de faltas em cinco dos últimos sete anos lectivos, não contabilizando as "faltas, licenças e dispensas legalmente consideradas, durante o mesmo período, como prestação efectiva de serviço".

Na versão inicial, o diploma penalizava, entre outros, os casos de ausências por motivos de doença, acompanhamento de filhos doentes ou morte de familiar, por exemplo, o que foi fortemente contestado pelos sindicatos durante o processo de negociação do regulamento do concurso.

A avaliação do currículo dos candidatos, que o diploma do Ministério da Educação (ME) limita aos últimos sete anos lectivos, é também um dos principais aspectos contestados pelos sindicatos, que alegam que os professores em condições de concorrer têm, em média, 21 anos de serviço.

Educação: DREN reafirma que inquérito a professor foi originado por "insulto" ao primeiro-ministro

23 de , 11:35

Porto, 23 Mai (Lusa) - A Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) reafirmou hoje que o inquérito instaurado a um professor foi originado por "um insulto ao primeiro-ministro", feito dentro das instalações daquele organismo.

"A directora regional entende que é inadmissível que um professor se expresse nos termos em que aquele o fez, seja sobre o primeiro-ministro ou sobre qualquer outra pessoa", refere um comunicado divulgado esta manhã no Porto.

Neste documento, a DREN "insiste que o insulto em causa não tem absolutamente nada a ver com anedotas ou a licenciatura do primeiro-ministro", mas não esclarece o teor do que entende ter sido um insulto a José Sócrates.

O comunicado surge na sequência de informações que têm vindo a ser veiculadas pela comunicação social nos últimos dias, que, na perspectiva da DREN, criaram na opinião pública a ideia de que se trata de um caso de perseguição política a alguém que teria contado uma anedota relacionada com a licenciatura do primeiro-ministro.

O caso ocorreu em finais de Abril, culminando com a instauração de um inquérito e a suspensão preventiva de Fernando Charrua, ex-deputado do PSD e funcionário da Direcção Regional de Educação do Norte há cerca de duas décadas.

Numa carta enviada na altura a várias escolas, Fernando Charrua admitiu ter feito um "comentário jocoso a um colega, dentro de um gabinete", acrescentando que o referido comentário foi "retirado do anedotário nacional do caso Sócrates/Independente".

Segundo Fernando Charrua, esse comentário foi "maldosamente pintado de insulto" e levado à directora regional, originando um processo disciplinar e a suspensão preventiva, entretanto já levantada.

A frase que terá originado a decisão da directora Regional de Educação do Norte ainda não foi divulgada oficialmente, mas o Correio da Manhã, na edição de hoje, citando uma fonte oficial não identificada refere que a polémica terá sido provocada pela frase "Estamos num país de bananas, governado por um filho da... de um primeiro-ministro".

Na sequência desta polémica, o Provedor de Justiça já solicitou esclarecimentos à DREN e os partidos da oposição pronunciaram-se sobre o assunto no parlamento, pedindo uma tomada de posição do Ministério da Educação, que já esclareceu tratar-se de uma questão da competência da DREN.

O professor envolvido na polémica reagiu à suspensão preventiva imposta pela direcção regional e interpôs uma providência cautelar, tendo o Ministério da Educação decidido, ainda antes da decisão judicial, terminar a requisição de Fernando Charrua na DREN, onde trabalhava na área dos recursos humanos.

Desta forma, o professor de inglês regressou à Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, onde exercia a actividade docente antes de ser requisitado pela DREN, encontrando-se actualmente colocado em funções na biblioteca daquele estabelecimento de ensino.

A Lusa tentou hoje contactar a advogada de Fernando Charrua para esclarecer os contornos deste caso, mas as várias tentativas realizadas revelaram-se infrutíferas até ao momento.

FR.

Lusa/fim

terça-feira, maio 22, 2007

Fenprof avança com providência cautelar contra concurso de professores

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) entrega amanhã junto do Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa uma providência cautelar, tendo em vista a suspensão das normas que considera ilegais no aviso de abertura do concurso de professores para o próximo ano lectivo.
Em comunicado, a Fenprof afirma que decidiu recorrer aos tribunais para que o concurso de professores para o ano lectivo de 2007/2008 decorra "de acordo com as regras que se encontram legalmente estabelecidas" e não tendo em vista a suspensão global do processo.De acordo com aquela federação sindical, o aviso de abertura impõe que o processo de contratação cíclica termine a 8 de Outubro, quando o decreto-lei 20/2006 "refere explicitamente que as contratações de docentes por oferta de escola suspendem o processo de contratações cíclicas (...) nunca antes do termo do primeiro período lectivo".Segundo a Fenprof, outra das ilegalidades prende-se com os professores dos Quadros de Escola que estejam deslocados e em Setembro decidam regressar ao estabelecimento de origem.No caso de não haver serviço lectivo para todos os docentes da escola, àqueles será atribuído horário zero, caso o seu lugar se encontre ocupado por um professor do Quadro de Zona Pedagógica, independentemente de qualquer critério, como o da graduação profissional, contrariando o que indica o mesmo decreto-lei, refere ainda a Fenprof.

Fenprof critica realização das provas de aferição nos 4º e 6º anos

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) criticou hoje a realização das provas de aferição nos 4º e 6º anos, considerando que a intenção do Ministério da Educação é responsabilizar as escolas e os docentes pelos resultados dos alunos.
"O ministério de Maria de Lurdes Rodrigues parece pretender que as referidas provas sejam mais um mecanismo de avaliação e responsabilização das escolas e professores, caso as classificações dos alunos venham a ser baixas", afirma a Fenprof, em comunicado.Os alunos dos 4º e do 6º anos testam os conhecimentos a Português e a Matemática amanhã e na quinta-feira, respectivamente, realizando provas nacionais de aferição que não contam para a nota, mas servem para aferir se estão a ser adquiridas as competências básicas."Esta intenção, que a Fenprof rejeita e repudia, fica muito clara pelo facto de o Ministério da Educação remeter para as escolas a incumbência de montar estratégias de superação das dificuldades dos alunos, pretensamente diagnosticadas através das classificações por eles obtidas", acrescenta a federação sindical.Provas de aferição começaram por ser universaisIntroduzidas em 1999, as provas de aferição começaram por ser universais, mas, em 2002, passaram a ser realizadas apenas por uma amostra representativa dos alunos.Para a Fenprof, estas provas não podem servir para avaliar alunos, professores ou escolas, mas o sistema educativo, defendendo também que o modelo da amostragem cumpre aquele objectivo.Este ano, o Ministério da Educação decidiu que os testes voltam a ser aplicados a todos os estudantes dos dois anos de escolaridade, alegando que as provas de aferição são o instrumento "mais adequado para avaliar a qualidade do currículo nacional e a prestação das escolas nos primeiros ciclos do ensino básico".Notas alcançadas serão afixadas em pautaApesar de não contarem para efeitos de reprovação dos alunos, as notas alcançadas nestas provas serão, pela primeira vez, afixadas em pauta, possibilitando, segundo a tutela, "uma reflexão colectiva e individual sobre a adequação das práticas lectivas".Os estabelecimentos de ensino terão de realizar um relatório, a partir da análise dos resultados alcançados pelos alunos, no qual definem um plano de acção com medidas para melhorar o desempenho a Língua Portuguesa e Matemática.Com base nos relatórios de cada escola, caberá depois à Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular elaborar um documento de avaliação dos currículos das duas disciplinas.Generalização das provas levanta questões organizativasSegundo a Fenprof, a generalização das provas de aferição levanta ainda questões organizativas, já que os docentes destacados para as provas terão de trabalhar no final do ano lectivo mais dois dias, caso não possam leccionar nos dias da sua realização."Os docentes que leccionem em regime duplo da tarde terão, no final das provas de aferição, de trabalhar com as suas turmas, o que, em alguns casos, levará a que nesse dia desenvolvam nove horas de actividade, o que é ilegal", denuncia a Fenprof. Em 2006, a então directora do Gabinete de Avaliação Educacional do Ministério da Educação fez um balanço dos seis anos em que se realizam provas de aferição, afirmando ser possível concluir que a aquisição de competências básicas não registou uma melhoria. "A evolução a Língua Portuguesa e a Matemática não é positiva", afirmou à Lusa Glória Ramalho, então directora daquele gabinete.

Pequena carta a José Sócrates


Senhor primeiro-ministro eu não conheço o caso senão pelas páginas dos jornais mas sei que Fernando Charrua é um professor de Inglês requisitado pela Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) e agora suspenso por ter gracejado sobre o processo da sua licenciatura. Mais de meio país, seguramente, fez "comentários" sobre o assunto - graçolas, piadas, anedotas, coisas soezes ou apenas risíveis e imbecis. O senhor sabe. É natural, somos portugueses e conhecemos a injustiça do humor de Gil Vicente, mesmo que o assunto seja tão irritante e tão menor como esse. O tema não é tabu e o senhor mesmo foi à televisão por causa dele. A responsável pela DREN, avisada por alguém (que achou por bem denunciar o caso, sabe-se lá porquê) achou que o comentário do professor era um insulto ao primeiro-ministro e resolveu suspendê-lo de funções e instaurar-lhe um processo disciplinar, com participação - creio - ao Ministério Público. O que apurará o processo não se sabe ainda, mas prevejo um grande debate sobre o que é e não é insulto e sobre os deveres dos funcionários públicos. A coisa promete. Como em muitas situações semelhantes, vamos ter mais anedotas sobre o assunto. Ele merece. De acordo com a directora regional de Educação - é, portanto, a posição oficial do Ministério da Educação -, "o Sr. primeiro-ministro é o primeiro-ministro de Portugal" e os funcionários públicos devem-lhe respeito. Ora, nem que não fosse primeiro-ministro. Em declarações ao jornal "Público", Margarida Moreira acrescentou que a sua decisão (a de suspender o professor, a de instaurar-lhe um processo disciplinar e a de participar ao Ministério Público) se deve ao facto de "poder haver perturbação do funcionamento do serviço".Dado que o processo se encontra em fase de "segredo", uma figura jurídica que serve para tudo, não sabemos que insulto lhe terá Fernando Charrua dirigido, a si, senhor primeiro-ministro, que pudesse perturbar tão gravemente "o serviço". Imagino que o senhor também não saiba. Mas, andando na política há tantos anos, suponho que nenhum insulto lhe deva ser estranho. Basta aparecer na televisão, ter um nome e ocupar um cargo. O senhor sabe como essas coisas se passam. De tudo fazemos uma anedota. O mundo é cruel.Há, evidentemente, a hipótese de a notícia não ser totalmente verdadeira. Mas não vejo como a directora da DREN confirmou-a e o ministério da Educação não a desmentiu até hoje. Se o processo disciplinar ao professor continuar a correr neste segredo, aumentarão os rumores e as suspeitas. A principal delas, mesmo sendo injusta, é a de que o senhor autoriza o Ministério da Educação, através da DREN, a fomentar o autoritarismo, o culto da personalidade ou a perseguição política a funcionários públicos que contem anedotas sobre José Sócrates. Seja como for, acho que a directora da DREN se excedeu. Foi mais papista do que o papa e causou-lhe, a si, um problema o de poder passar a haver despedimentos por "delito de opinião", o que é muito grave. O senhor dirá que não se trata de um despedimento mas, na pobre linguagem da pequena política, já se sabe que não basta "ser" - é também necessário "parecer". Ora, isto parece, exactamente, "delito de opinião". Argumentarão alguns que o comentário foi feito "nas horas de serviço" e "nas instalações da DREN"; teria sido assim tão grave que as paredes da DREN coraram de vergonha?Sei que o senhor primeiro-ministro não concorda com este tipo de perseguições. Não deixe que isso aconteça no seu, e meu, país. De contrário, o senhor será responsável pelo reaparecimento de milhares de pequenos ditadores e papistas, um pouco por todo o lado. Eles detestam-no a si porque o senhor é de uma nova geração de políticos que nasceu para a política já em liberdade; mas aproveitarão a boleia que este caso pode dar-lhes para satisfazer a pequena tentação portuguesa da intolerância.


Francisco José Viegas

Fenprof entrega terça-feira providência cautelar contra "ilegalidades

Em causa estão as normas "ilegais" do aviso de abertura do concurso de professores para o próximo ano lectivo

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) entrega terça-feira junto do Tribunal Administrativo de Lisboa uma providência cautelar tendo em vista a suspensão das normas "ilegais" do aviso de abertura do concurso de professores para o próximo ano lectivo.Em comunicado, a Fenprof salienta que decidiu recorrer aos tribunais para que o concurso de professores para o ano lectivo de 2007/08 decorra "de acordo com as regras que se encontram legalmente estabelecidas" e não tendo em vista a suspensão global do processo.De acordo com a federação sindical, o aviso de abertura impõe que o processo de contratação cíclica termine a 8 de Outubro, quando o decreto-lei 20/2006 "refere explicitamente que as contratações de docentes por oferta de escola suspendem o processo de contratações cíclicas (...) nunca antes do termo do primeiro período lectivo".Segundo a Fenprof, outra das ilegalidades prende-se com os professores dos Quadros de Escola que estejam deslocados e em Setembro decidam regressar ao estabelecimento de origem.No caso de não haver serviço lectivo para todos os docentes da escola, àqueles será atribuído horário zero, caso o seu lugar se encontre ocupado por um professor do Quadro de Zona Pedagógica, independentemente de qualquer critério, como o da graduação profissional, contrariando o que indica o mesmo decreto-lei.

segunda-feira, maio 21, 2007

Como avaliar os professores?


Joana Santos 2007-05-21

Parece não existir um modelo de avaliação ideal mas todos concordam que o processo é essencial. Responsáveis nacionais e internacionais partilharam a sua experiência numa conferência que decorreu em Lisboa.
«Todos os modelos de avaliação são imperfeitos por definição», afirmou a ministra da Educação, na abertura da conferência internacional "Avaliação de professores: visões e realidades", organizada pelo Conselho Científico para a Avaliação de Professores. Reconhecendo que não existem modelos ideais ou perfeitos e que estes resultam de escolhas políticas e de várias condicionantes, Maria de Lurdes Rodrigues salientou a importância da avaliação de professores, opinião partilhada com todos os oradores presentes para quem esta avaliação é inevitável.Apesar das condicionantes, a ministra pretende alcançar um modelo «com o máximo de apuramento e o mínimo de problemas». O objectivo, realçou, é alinhar Portugal pelas melhores práticas internacionais. Por isso mesmo, Maria de Lurdes Rodrigues sublinhou a importância de se conhecerem os modelos de avaliação existentes internacionalmente, para se poder decidir e adoptar as melhores soluções para os problemas concretos.O EDUCARE.PT falou com alguns dos especialistas presentes para saber a sua opinião sobre esta matéria.Gerard Figari (França)«Em França o sistema de avaliação não é recente», refere Gerard Figari, responsável pelo laboratório de ciências da educação da Universidade P. Mendès France, de Grenoble. A avaliação é feita externamente por inspectores, que têm funções diferentes dos inspectores portugueses. Cabe-lhes fazer uma avaliação pedagógica, em que avaliam individualmente os professores e visitam-nos nas suas aulas. Paralelamente, são avaliados pelos responsáveis do estabelecimento de ensino no âmbito de um plano administrativo e de organização do trabalho interno da escola.Os professores já estão habituados a esta avaliação e os pais não têm qualquer participação. Dificuldades? Nem por isso. Gerard Figari defende que tudo depende da maneira como as coisas são feitas: «Tem havido uma evolução nas funções dos inspectores nos últimos anos que se consideram não como controladores mas como acompanhantes do trabalho dos professores e isso ajuda». Contudo Gerard Figari reconhece que «há uma tradição de controlo» e, consequentemente, «há quem pense que a avaliação só serve para controlar». Mas a avaliação contribui também para o desenvolvimento dos próprios professores, para ajudar a tomar decisões, para assegurar transparência, defende. «Avaliar é julgar mas também é legitimar», sublinha Gerard.Ainda assim Gerard reconhece que a avaliação gera necessariamente mal-entendidos e riscos: «Avaliação não é compreendida nem aceite porque ninguém quer ser julgado. É vista como algo desmoralizador e ineficaz, pode criar climas de conflitos entre avaliadores e avaliados; influenciar o clima das escolas e criar sentimentos de injustiça», alerta.Quanto a Portugal, uma vez que se está a trabalhar num novo sistema de avaliação, Gerard argumenta que «é preciso encontrar a melhor maneira de aplicar o sistema e de este ser aceite por todos», salientando que é impossível pensar na avaliação dos professores sem se pensar na avaliação do sistema educativo.Anne O'Gara (Irlanda)Para Anne O'Gara, presidente do Marino Institute of Education, a avaliação dos professores é importante uma vez que «encoraja e ajuda os professores na sua carreira». Por isso mesmo, considera que a avaliação deve ocorrer aos mais variados níveis - ao nível individual, ao nível da escola e do sistema educativo, em colaboração com a UE e OCDE - e ser um processo contínuo, desde o momento em que se entra para a profissão até final da carreira.Na Irlanda, existem diferentes níveis de avaliação. Em alguns casos, a avaliação é feita pela própria escola mas também existe uma avaliação individual dos professores, num processo que começa na formação para a profissão e que continua no exercício da mesma, quando as aulas passam a ser acompanhadas pelos inspectores de educação.Na avaliação participa toda a comunidade educativa, desde a direcção da escola, passando pelos restantes profissionais do estabelecimento de ensino, até aos pais e aos alunos. Só depois de uma reunião com os respectivos profissionais é que é feita a avaliação em sala de aula. Concluído todo este processo, os inspectores reúnem-se novamente com os professores para lhes apresentar relatório final da avaliação.Anne O'Gara defende que «a avaliação dos professores tem de ser complementada com desenvolvimento contínuo dos professores», porque tem efeitos nos resultados dos alunos. «O desenvolvimento profissional dos professores é muito positivo, uma vez que se reflecte nos resultados dos próprios alunos », salienta.Alerta, por isso, para a necessidade de desenvolver um trabalho conjunto para se «criar confiança na avaliação e nos benefícios que dela advém». Aos professores recomenda a avaliação por acreditar que «traz melhorias e que os aproxima do seu próprio trabalho», permitindo-lhes reflectir e melhorar o mesmo.Gunter Schmid (Áustria)«Qualquer processo que ocorra deve ser avaliado. Não se podem fazer coisas sem se saber o que se está a fazer e onde é que isso nos está a levar». É assim que o responsável pelo Wiedner Gymnasium e Sir-Karl-Poppoer-Schule justifica a importância de avaliar os professores.Defende que «é preciso mudar de atitude» e deixar de pensar na avaliação como uma ameaça e encará-la como um meio para o desenvolvimento e o conhecimento.Lembra que há 15 anos, na Áustria, os professores eram avaliados mediante inspecções clássicas, em que o inspector se limitava a assistir a uma aula dos professores em avaliação. Concluiriam que não era suficiente. «Há qualidades que não se podem avaliar apenas numa aula. A avaliação é um processo contínuo, que tem de prolongar-se ao longo de toda a carreira», sublinha.Nos anos 90, a situação alterou-se e a avaliação passou a ser feita por inspectores e por headmasters, que estão sempre presentes, acompanhando o dia-a-dia dos professores.Mas a avaliação não é só feita de cima para baixo ou ao nível dos pares. Inclui o feedback dos alunos e a participação indirecta dos pais, ainda que não de um modo institucionalizado.Quanto a Portugal, afirma que se está a caminhar na direcção certa. «Estão num momento de decisão. Acho que vão no bom caminho e que as coisas vão correr bem. Ainda há muito por fazer, mas se os professores perceberem a mensagem positiva da avaliação então acho que é quase certo um bom futuro».Reconhece que alguns profissionais não estão motivados para este processo e que «é preciso motivá-los para participarem no melhoria» até porque, acredita, «a avaliação de professores terá benefícios para os alunos, para a formação, para a relação entre professores e alunos e mesmo reflexos sociais».Maria do Carmo Clímaco (Portugal)«Se a avaliação for bem concebida e bem realizada poderá ser um momento fundamental de desenvolvimento profissional», defende a antiga subinspectora-geral de Educação e presidente da Associação Internacional de Inspectores de Educação. Caso contrário, sublinha, se for reduzida a um procedimento administrativo, será «muito pobre e não valerá a pena».Para Maria do Carmo Clímaco, não há motivo para receios por parte dos professores. «Se os professores consideram que os próprios alunos não têm que ter medo da avaliação, devem lutar para que a avaliação se desenvolva como um processo de crescimento. Obviamente, terá momentos de prestação de contas e de selecção, que irão afectar as suas carreiras, mas que também lhes trarão gratificação e reconhecimento».Face aos sucessivos modelos de avaliação, considera difícil identificar melhores e piores práticas avaliativas, mas argumenta que é consensual que a avaliação é indispensável e necessária. Embora não acredite que a avaliação dos professores se irá reflectir necessariamente em melhores resultados dos alunos, se for conduzida como processo formativo, de desenvolvimento profissional, entende que «terá consequências positivas não só na progressão na carreira mas no exercício da profissão».

Porto Editora lança manuais virtuais


Lusa 2007-05-21

O novo formato integra toda a matéria dos livros escolares em papel, além de outros recursos como vídeos, actividades e exercícios.
Jogos didácticos e animações em vídeo são algumas das potencialidades dos manuais escolares virtuais que a Porto Editora vai disponibilizar na Internet, a partir de Setembro, para todas as disciplinas do 8.º e 10.º anos de escolaridade.Os manuais virtuais integram toda a matéria dos livros escolares em formato de papel, além de outros recursos como vídeos, áudios e actividades lúdicas, estando ainda ligados à Escola Virtual, a plataforma de e-learning criada pela Porto Editora em 2005, que disponibiliza conteúdos programáticos do 2.º ao 12.º ano de escolaridade.Segundo a editora, os manuais virtuais permitem "a adopção de novas estratégias de ensino e aprendizagem", já que os conteúdos poderão ser projectados na sala de aula, de forma a criar um "ambiente mais motivador e atractivo".A autonomização e flexibilização do processo de aprendizagem por parte dos estudantes é outra das vantagens apontadas pela Porto Editora.Confiante que este conceito terá uma importância crescente no futuro, a editora promete alargar os manuais virtuais a todos os outros anos de escolaridade até 2010/2011.A ligação dos manuais virtuais à plataforma de e-learning da Porto Editora é, segundo a editora, uma inovação em Portugal que "pode marcar o início de uma nova forma de aprender e estudar".

Brincar com números, desafiar a Matemática


Sara R. Oliveira 2007-05-21

O Clube da Matemática instala-se no Museu de Ciência da Universidade de Lisboa durante dois meses. O arranque das iniciativas, que envolvem os algarismos, acontece no Dia da Criança, a 1 de Junho.
Há muito para explorar no reino dos números, das equações, das operações de aritmética. O Clube da Matemática, da Sociedade Portuguesa de Matemática, tem uma mão-cheia de actividades para cativar os mais pequenos para o universo dos algarismos. Ao longo de dois meses, o Museu de Ciência da Universidade de Lisboa não descansa a pensar nos mais novos e não só. O Clube da Matemática entra em funcionamento numa data especial, a 1 de Junho, Dia da Criança. E fica com as portas abertas até 29 de Julho, durante o horário de funcionamento do espaço museológico, com horas marcadas para cada iniciativa.O programa está bem preenchido. Exposições com os números em pano de fundo, campeonatos de jogos para espicaçar a competitividade, palestras sobre a disciplina, uma grande feira dedicada à Matemática, uma maratona de origami, mais a parte lúdica da matéria para captar a atenção dos mais pequenos. Filmes, caça ao tesouro, um clube dedicado ao tempo, matemática a brincar integram a longa lista de actividades. E está tudo pensado. No dia da inauguração, o Clube da Matemática é oficialmente inaugurado e a partir das 10h00 há muito para fazer, para aprender. Os números que moram nos papéis aos quadradinhos são o centro das atenções, ora colocados em barraquinhas decoradas com simetrias, ora estampados em livros que são apresentados ao público. Um espectáculo de mágica matemática marca também o momento da abertura.As iniciativas estão abertas a quem gosta da Matemática ou a quer conhecer mais de perto. As exposições e actividades foram pensadas para envolver um público bastante abrangente, desde crianças a jovens, passando pelas famílias e escolas. Um dos objectivos deste passo da Sociedade Portuguesa de Matemática passa precisamente por promover o intercâmbio entre os clubes de Matemática, incentivar a criação de novas estruturas com as mesmas características, divulgar livros sobre o assunto, dar a conhecer material pedagógico e colar nas paredes trabalhos sobre a matéria. Tudo isto numa altura em que se comemora o centenário do nascimento do matemático António Aniceto Monteiro, que nasceu a 31 de Maio de 1907 em Angola.Há tempo dedicado a apreender conceitos com recurso a técnicas a pensar nos mais novos. O ciclo de palestras "No quadro com..." conta com a participação de Nuno Crato no painel "Tintim e a álgebra da aventura", a 2 de Junho, às 16h00. "Os números na flauta mágica de Mozart" são abordados por Carlota Simões a 9 de Junho, às 16h00. Jorge Buescu trata "Truelos - A lei do mais fraco" a 23 de Junho, também às 16h00. E depois de 29 de Julho, o Clube da Matemática continua em funcionamento na morada http://clube.spam.pt/. É neste site que os interessados em acompanhar actividades e novidades podem pesquisar sempre que a curiosidade falar mais alto.

Educação: Só neste mês houve 222 passagens à reforma


Cada professor ou educador de infância reforma-se com uma média de 2364 euros. Nos últimos 13 meses passaram à reforma 4632 docentes. No entanto, o ritmo de saídas tem vindo a abrandar desde Dezembro do ano passado: de 567 que começaram a receber a pensão em 1 de Dezembro, passaram a 222 em 1 de Maio.




Apesar de haver carreiras mais bem pagas na Função Pública, a maior parte dos professores consegue reformas superiores à de agentes principais da PSP ou sargentos-mor do Exército, entre outros.Para pagar a primeira prestação dos 222 novos aposentados de Maio, a Caixa Geral de Aposentações (CGA) despendeu mais de 512 mil euros. Nos últimos 13 meses, só para pagar o primeiro mês de pensão de cada professor que passou à reforma foram necessários 10,95 milhões de euros (ver tabela).Entre os milhares de professores e educadores de infância ao serviço do Ministério da Educação que passaram à reforma no último ano alguns destacam-se devido ao valor da pensão que passaram a auferir. Assim, a professora com a reforma mais alta é Maria Cristina Maldonado, do agrupamento de Escolas de Santa Maria dos Olivais (em Lisboa): reformou-se em Dezembro, com uma pensão de 3863,70 euros. Também nesse mês, a professora Nazaré Correia, que deu aulas na Secundária Pedro Alexandrino (Póvoa de Santo Adrião, Odivelas), começou a receber uma pensão de reforma no valor de 3584,68 euros.Nas listas da CGA surgem ainda três docentes com mais de três mil euros de reforma: Maria Judite Preto (Escolas Rio Tinto 2, com 3013,31 euros), Maria Carmo Dinis Cabral (EB 23 Eugénio de Castro, Coimbra, com 3062,82 euros) e Maria José Duarte (agrupamento D. Afonso Henriques, Guimarães, a auferir 3062,05 euros).Com vencimentos – e reformas – bem mais gordos encontram-se os professores catedráticos universitários. A título de exemplo, em Maio passaram à reforma Manuel Maria Godinho (Universidade de Coimbra, 4627,20 euros), Rogério Martins (Universidade do Porto, 4572,48 euros) e Maria Clara Meneses (Universidade de Évora, 4295,08 euros). 'CONTÍNUAS' DAS ESCOLAS MUITO ABAIXOAs pensões na Administração Pública podem atingir os vários milhares de euros, dependendo da carreira e dos anos de descontos. A média das reformas dos professores ronda os 2364 euros. Na folha dos aposentados a 1 de Maio é possível encontrar outros profissionais com valores bastante inferiores: soldado da GNR (997,34 euros), agente principal da PSP (1391,41), guarda florestal (850,57) ou carteiro (1332,34). Mas também há algumas reformas superiores: coronel da GNR (3013,91), capitão de fragata da Armada (2439,59), tenente-coronel do Exército (2498,45), major da Força Aérea (2386,57), juiz conselheiro do Conselho Superior da Magistratura (5834,70), enfermeiro especialista (3169,89), chefe de serviço de medicina interna (4904,37), professor catedrático universitário (4627,20) ou controlador de tráfego aéreo (4902,37). Já as auxiliares de acção educativa (vulgarmente conhecidas por ‘contínuas’ das escolas) auferem muito menos do que os docentes – a pensão máxima em Maio foi de 880,87 euros.SAIBA MAIS2439 professoras e educadoras de infância reformadas pela Caixa Geral de Aposentações desde Maio de 2006 que têm Maria como nome próprio.1318 novos pensionistas da Administração Pública desde 1 de Maio. Pelo Ministério da Educação são 354, pelo da Saúde 221, e pelo do Ambiente 208.ÍNDICE 100 É o indicador base da escala salarial dos funcionários públicos. Para este ano o valor do índice 100 do Regime Geral é de 326,75 euros. Em 1990, o índice 100 era de 35 392 escudos (176,53 euros).CORPOS ESPECIAISExistem 26 corpos especiais na Administração Pública, cujos valores de índice 100 diferem do regime geral. Bombeiros municipais, diplomatas, docentes, médicos, enfermeiros, investigadores, elementos da GNR, PSP e Polícia Judiciária ou militares das Forças Armadas estão entre as várias carreiras especiais.AS REFORMAS DOS PROFESSORESMAIO 2006: 236 reformados / 539.769,25 euros / 2.287,15 euros (valor médio)MAIO 2006: 236 reformados / 539.769,25 euros / 2.287,15 euros (valor médio)JUNHO 2006: 167 reformados / 384. 460,45 euros / 2.302,15 euros (valor médio)JULHO 2006: 6 reformados / 11.806,52 euros / 1.967,75 euros (valor médio)AGOSTO 2006: 584 reformados / 1.411.016,96 euros / 2.416,12 euros (valor médio)SETEMBRO 2006: 507 reformados / 1.206.642,05 euros / 2.379,96 euros (valor médio)OUTUBRO 2006: 452 reformados / 1.102.872,07 euros / 2.439,98 euros (valor médio)NOVEMBRO 2006: 464 reformados / 1.105.586,95 euros / 2.382,73 euros (valor médio)DEZEMBRO 2006: 567 reformados / 1.246.971,52 euros / 2.199,24 euros (valor médio)JANEIRO 2007: 458 reformados / 1.093.958,26 euros / 2.388,55 euros (valor médio)FEVEREIRO 2007: 349 reformados / 847.362,72 euros / 2.427,97 euros (valor médio)MARÇO 2007: 347 reformados / 835.232,37 euros / 2.407,00 euros (valor médio)ABRIL 2007: 273 reformados / 656.528,84 euros / 2.404,86 euros (valor médio)MAIO 2007: 222 reformados / 512.271,26 euros / 2.307,52 euros (valor médio)TOTAL: 4.632 reformados / 10.954.479,22 euros / 2.364,95 euros (valor médio)

A nova directora da DREN

Para os que eventualmente não tenham conhecimento,
a "doutora" Margarida Moreira, directora da DREN, tem
como habilitações o curso de educadora de infância e
como currículum, ser filiada no PS e ser antiga sindicalista!

E É ESTA A DIRECTORA DA DREN!!!!

Professor de Inglês suspenso de funções por ter comentado licenciatura de Sócrates

Um professor de Inglês, que trabalhava há quase 20 anos na Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), foi suspenso de funções por ter feito um comentário – que a directora regional, Margarida Moreira, apelida de insulto – à licenciatura do primeiro-ministro, José Sócrates.
A directora regional não precisa as circunstâncias do comentário, dizendo apenas que se tratou de um "insulto feito no interior da DREN, durante o horário de trabalho". Perante aquilo que considera uma situação "extremamente grave e inaceitável", Margarida Moreira instaurou um processo disciplinar ao professor Fernando Charrua e decretou a sua suspensão. "Os funcionários públicos, que prestam serviços públicos, têm de estar acima de muitas coisas. O sr. primeiro-ministro é o primeiro-ministro de Portugal", disse a directora regional, que evitou pormenores por o processo se encontrar em segredo disciplinar. Numa carta enviada a diversas escolas, Fernando Charrua agradece "a compreensão, simpatia e amizade" dos profissionais com quem lidou ao longo de 19 anos de serviço na DREN (interrompidos apenas por um mandato de deputado do PSD na Assembleia da República). No texto, conta também o seu afastamento. "Transcreve-se um comentário jocoso feito por mim, dentro de um gabinete a um "colega" e retirado do anedotário nacional do caso Sócrates/Independente, pinta-se, maldosamente de insulto, leva-se à directora regional de Educação do Norte, bloqueia-se devidamente o computador pessoal do serviço e, em fogo vivo, e a seco, surge o resultado: "Suspendo-o preventivamente, instauro-lhe processo disciplinar, participo ao Ministério Público"", escreve. A directora confirma o despacho, mas insiste no insulto. "Uma coisa é um comentário ou uma anedota outra coisa é um insulto", sustenta Margarida Moreira. Sobre a adequação da suspensão, a directora regional diz que se justificou por "poder haver perturbação do funcionamento do serviço". "Não tomei a decisão de ânimo leve, foi ponderada", sublinha. E garante: "O inquérito será justo, não aceitarei pressões de ninguém. Se o professor estiver inocente e tiver que ser ressarcido, será." Neste momento, Fernando Charrua já não está suspenso. Depois da interposição de uma providência cautelar para anular a suspensão preventiva e antes da decisão do tribunal, o ministério decidiu pôr fim à sua requisição na DREN. Como o professor, que trabalhava actualmente nos recursos humanos, já não se encontrava na instituição, a suspensão foi interrompida. O professor voltou assim à Escola Secundária Carolina Michäelis, no Porto. O PÚBLICO tentou ontem contactá-lo, sem sucesso. No entanto, na carta, o professor faz os seus comentários sobre a situação. "Se a moda pega, instigada que está a delação, poderemos ter, a breve trecho, uns milhares de docentes presos políticos e outros tantos de boca calada e de consciência aprisionada, a tentar ensinar aos nossos alunos os valores da democracia, da tolerância, do pluralismo, dos direitos, liberdade e garantias e de outras coisas que, de tão remotas, já nem sabemos o real significado, perante a prática que nos rodeia."
João Cortesão Gomes/PÚBLICO

Concurso de professor titular

Em http://www.dgrhe.min-edu.pt já existe um formulário para a inscrição, obrigatória, dos candidatos a Professores Titulares.

Ministra da Educação salienta importância da avaliação dos professores

Ministra da Educação salienta importância da avaliação dos professores
A ministra da Educação salientou hoje a importância da avaliação de professores ao abrir a conferência internacional organizada pelo Ministério da Educação, que decorre na Escola Superior de Comunicação Social, no Instituto Politécnico de Lisboa, em Benfica.
Maria de Lurdes Rodrigues estruturou a sua intervenção em torno de quatro mensagens.
A primeira foi a da oportunidade aberta pela conferência, que se realiza entre a aprovação e a regulamentação do Estatuto da Carreira Docente (ECD), em que a avaliação dos professores surge como o principal ponto de apoio à introdução de outras alterações no sistema de ensino.
Mencionou a seguir a importância do conhecimento dos modelos de avaliação em outros países, designadamente para decidir e adoptar as melhores soluções para problemas concretos.
Reconheceu que não há modelos ideais ou perfeitos, desde logo na avaliação, e que estes resultam de escolhas políticas e de condicionantes várias.
Desejou, em todo o caso, a construção de um modelo com o máximo de apuramento e o mínimo de problemas.
O objectivo, realçou, é alinhar Portugal pelas melhores práticas internacionais.
A ministra apontou depois os pontos seguintes, dos quais disse serem os princípios que sustentam a revisão do ECD e organizam o novo modelo de avaliação de professores, a saber, a exigência da diferenciação pelo mérito e a procura do equilíbrio na tensão entre as dimensões profissional e organizacional da actividade dos professores.
Por fim, sobre o tema estrito da conferência, recomendou uma atitude útil, consistente na maior abertura possível no debate das visões e realidades da avaliação dos professores.

Sindicato de Professores da Madeira adere à greve do dia 30


Semana intensa de plenários já previa decisão tomada hoje em assembleia-geral
Data: 18-05-2007

Tal como as outras classes profissionais, os professores têm várias razões para aderir, no próximo dia 30, à manifestação contra as políticas penalizantes do Governo. Depois de uma semana de plenários concelhios, que contaram com a presença dos secretários-gerais da FENPROF e da CGTP-IN, os professores votaram claramente, ontem, em assembleia-geral, a favor da adesão à greve.
Ana Teresa Gouveia

Estudo para avaliar cidadania ambiental


Sara R. Oliveira 2007-05-18

Equipa de investigadores lança o desafio aos alunos do 5.º e 8.º anos de escolaridade para analisar conhecimentos e sensibilidades para questões ambientais. Os questionários são aplicados em Portugal e no Brasil.
O convite é lançado ao 5.º e 8.º anos de todas as escolas do país. O mesmo acontece no Brasil. Uma equipa de investigadores, composta por representantes dos dois países, está interessada em avaliar comportamentos, atitudes, conhecimentos de alunos quanto à percepção do uso racional da água e à percepção da cidadania ambiental, através da aplicação de questionários. Os responsáveis educativos interessados só têm de contactar a professora Maria da Conceição Silva através do seu endereço electrónico m.dasilva@netvisao.pt. As instruções são dadas pela docente, que coordena projectos internacionais a partir da EB2, 3 de Cacia. E esta pesquisa é mais um programa que ultrapassa fronteiras.Maria da Conceição em Portugal, Roosevelt Fernandes no Brasil. O grande objectivo do projecto, que liga dois territórios separados pelo Atlântico, é fazer um estudo comparativo mediante os dados recolhidos e que serão tratados pelo Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental da Universidade de Espírito Santo, no Brasil, sob coordenação de Roosevelt Fernandes. Os questionários estão devidamente adaptados às realidades de cada país e a faixa etária dos estudantes é precisamente a mesma, correspondendo ao 5.º e 8.º anos - exactamente onde começa e termina o ensino médio no Brasil. "Pretendemos saber até que ponto os alunos estão sensibilizados e têm conhecimentos sobre o consumo da água", explica Maria da Conceição Silva. "O objectivo é também analisar a percepção que têm dos graves problemas da escassez de água e do aquecimento global", acrescenta.Os resultados serão apresentados nas XV Jornadas da Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA), marcadas para Janeiro do próximo ano. Foi precisamente nas jornadas anteriores da ASPEA que surgiu a ideia de aplicar os questionários aos estudantes portugueses e brasileiros. No encontro, realizado em Janeiro último, foram apresentados os resultados de um estudo comparativo sobre a percepção dos professores portugueses e brasileiros quanto a questões ambientais, embora o projecto tenha envolvido a participação de alunos, encarregados de educação e comunidade envolvente de uma escola brasileira e de duas turmas da EB2/3 de Cacia. "Nessas jornadas, foi proposto aos elementos do Grupo de Trabalho 'Metodologias Participativas' alargar o estudo a outros alunos e a mais escolas", revela a professora. "E decidimos lançar-nos nesta aventura um bocadinho arrojada, adaptando os questionários è realidade portuguesa e aplicando-os directa ou indirectamente aos alunos ", confessa.Está tudo a postos. A ideia é aplicar os questionários ainda no decurso deste ano lectivo ou no início do próximo, para que haja tempo de tratar os dados, de forma a serem apresentados em Janeiro de 2008. Os inquéritos são simples e incisivos sobre a matéria em estudo - e que permanentemente tem estado na ordem do dia -, com várias perguntas, cada qual com diversas opções de resposta.

quinta-feira, maio 17, 2007

Ponte de Sor: Ministra lança primeira pedra de escola, sindicatos protestam

16 de Maio, 20:17

Ponte de Sor, Portalegre, 16 Mai (Lusa) - A ministra da Educação, Maria José Rodrigues, lançou hoje em Ponte de Sor a primeira pedra da nova Escola Básica e Integrada e recebeu a Medalha de Mérito da cidade, sob protestos da União de Sindicatos do Norte Alentejano.
Os alunos queixaram-se à ministra das instalações da escola, que dizem ser "velha e sem condições, principalmente as casas de banho", e perguntaram a Maria José Rodrigues se com o novo edifício "vai haver mais segurança para as crianças", uma questão que ficou sem resposta.
As actuais instalações escolares, que não permitem a colocação de aquecimento central, e com o telhado em zinco, é frequentado por cerca de 350 alunos.
Mesmo assim os docentes fizeram questão de mostrar a Maria José Rodrigues que há aulas ministradas em quadros digitais e projectos inovadores.
O edifício antigo e "sem condições" vai ser totalmente demolido e as obras, no valor de 1,5 milhões de euros, devem arrancar em Novembro e prolongar-se por 12 meses.
à entrada do cine-teatro, um grupo de manifestantes da União de Sindicatos do Norte Alentejano, afectos à CGTP- IN, contestava as posições da ministra e afirmava que o lançamento de uma nova escola é positivo, mas que se trata "apenas um rebuçado amargo com um lindo embrulho".
No final da visita, a Câmara Municipal de Ponte de Sor condecorou a ministra da Educação com a Medalha de Mérito da Cidade - grau ouro, "pelo projecto de modernização das escolas e pelo contributo dado na organização e qualidade do ensino, com relevância para o 1º ciclo, nomeadamente com a introdução das actividades de enriquecimento curricular".
Maria José Rodrigues recebeu a distinção "com gosto", mas disse querer repartir o prémio com todos aqueles que com ela partilham a actual "política educativa".
JLR.
Lusa/Fim

quarta-feira, maio 16, 2007

Cyber-bullying não conhece fronteiras


Por Edgar Macedo
As notícias de casos relacionados com cyber-bullying alargam-se por vários países, sendo que alguns governos já avançaram com medidas para travar o problema.


O caso mais grave relacionado com cyber-bullying registou-se nos Estados Unidos em 2003. O jovem Ryan Patrick Halligan, de 13 anos de idade, foi durante meses alvo de um boato posto a circular on-line sobre a sua orientação sexual. Após receber constantemente mensagens de colegas a acusarem-no de ser gay o jovem suicidou-se.
O seu pai, John Halligan, iniciou a partir daí uma cruzada para a elaboração de leis contra o cyber-bullying entre os adolescentes. Em Vermont, onde o caso aconteceu, as escolas estão obrigadas a afixarem políticas contra o fenómeno, algo que se prepara para ser seguido nos estados de Oregon, Rhode Island e Washington.
O governo britânico também já veio a público manifestar preocupação sobre o assunto, com o secretário de estado da educação, Alan Johnson, a defender que as empresas fornecedores de Internet «têm a responsabilidade e obrigação moral de agir».
Alan Johnson pediu aos responsáveis pelos sites de partilha de vídeos para darem ao cyber-bullying o mesmo tratamento que é dados aos filmes de cariz pornográfico, ou seja barrar o acesso.
No Canadá, um liceu católico suspendeu no passado mês de Fevereiro onze alunos por terem criado na rede social «Facebook» o grupo «McMahon ... Grinch of School Spirit» onde publicavam comentários insultuosos e humilhantes sobre o director.
O caso repete-se na Europa onde, de acordo com uma pesquisa divulgada pelo jornal «Guardian», 17 por cento dos professores no Reino Unido confessaram que já foram vítimas de cyber-bullying.
Em Espanha, no final de 2006, a polícia das Canárias revelou receber um número cada vez maior de queixas relacionadas com o tema, situando-se numa média de 12 por mês. Os motivos, na maioria das vezes, relacionam-se com imagens de cariz sexual enviadas pela Internet e que pouco tempo depois acabam a circular pela escola.
Conselhos para fugir ao problema
Existem algumas organizações que divulgam conselhos e dão apoio nos casos de cyber-bullying. O site «Websafe Crackers» aponta alguns passos a seguir, entre os quais constam não responder às mensagens, registar num diário o dia e a hora a que ocorreram, guardar os textos numa pasta no computador, tirar um «print screen» e depois apresentar esses dados a um pai ou professor.
Em Espanha existe um ponto de auxílio às vítimas de bullying através da «linha de ayuda contra el acoso escolar», da responsabilidade de uma organização não governamental que actua na área da segurança infantil nas tecnologias de informação, a «Protegeles».

Autoridades alheias ao cyber-bullying


A tecnologia já é a nova arma do bullying. A humilhação e intimidação sobre colegas e professores fazem-se agora através do telemóvel, da Internet, do MSN e do e-mail. O fenómeno, denominado cyber-bullying, tem crescido a um ritmo acelerado nos últimos anos e já chegou a Portugal. No entanto, as entidades nacionais parecem ainda “pouco preocupadas


Amália Marques é doutorada pela Faculdade de Motricidade Humana e integrou a equipa portuguesa que estudou o bullying nas escolas num projecto a nível europeu.
Actualmente a dar aulas de Educação Física a alunos do 2º ciclo do Ensino Básico, constata que o cyber-bullying«começa a aparecer» em Portugal, sendo no entanto «menos comum que o bullying físico».
Seguindo a tendência que se tem verificado em vários países, também em Portugal os professores não escapam ao problema. «As situações mais comuns com docentes são de alunos que gravam as aulas nos leitores de mp3 e depois nos corredores gozam com a voz do professor, ou descontextualizam as frases», afirma Amália Marques.
A maioria dos casos verificam-se entre os alunos, sendo que muitas vezes os pais não chegam a saber o que aconteceu pois os filhos têm receio que, se contarem, a consequência seja ficarem sem acesso à Internet.
Como forma de enfrentar o problema, Amália Marques aponta a necessidade de os pais estarem «muito atentos ao que os filhos andam a fazer na web», defendendo, contudo, que não se deve ser «polícia dos filhos». «É necessário controlar, não proibir», afirma.
Em oposição ao bullying físico, que tem um rosto e caracteriza-se por ser o mais forte contra o mais fraco, na Internet muitas vezes o agressor esconde-se no anonimato, não sendo possível conhecer as suas características. «Não é possível traçar um perfil», explica.
Apesar da dimensão preocupante e global do fenómeno, provocando medidas de governos e autoridades em vários países, as entidades nacionais parecem algo “despreocupadas” com o problema. Logo à partida, não são conhecidos dados relativamente ao problema embora se saiba que o fenómeno já chegou.
Contactado pelo SOL, o Ministério da Educação preferiu não dar qualquer resposta às questões que colocámos sobre o problema. Já a Associação Nacional de Professores revelou que conhece o fenómeno mas referiu não ter queixas oficiais registadas.

Ministra reforça humanísticas


O Ministério da Educação (ME) anunciou ontem que vai reforçar a carga horária de várias disciplinas do Ensino Secundário, já a partir do próximo ano lectivo, para aumentar as vertentes prática e experimental dos cursos científico-humanísticos.Em comunicado, o ME salienta que este reforço "visa uma maior eficiência na formação científica dos alunos e a clarificação e simplificação curricular nos cursos de Ciências e Tecnologias, Ciências Socioeconómicas e Artes Visuais". De acordo com a tutela, a partir do ano lectivo de 2007/08 é criado o curso de Línguas e Humanidades, por junção dos de Ciências Humanas e Sociais e de Línguas e Literaturas. As novas matrizes dos currículos destes cursos, que o ministério irá aprovar através de um Decreto-Lei, surgem depois de um conjunto de recomendações feitas pelo Grupo de Avaliação e Acompanhamento da Implementação da Reforma do Ensino Secundário (GAAIRES). O relatório, divulgado no final de Fevereiro, sugeria o aumento da carga horária naqueles cursos em um tempo lectivo semanal de 90 minutos, recomendação associada à extinção da disciplina de Tecnologias de Informação e Comunicação enquanto obrigatória no 10º ano. "Reforça-se também a carga horária em várias disciplinas para viabilizar as respectivas componentes prática e experimental", limita-se a anunciar o ME, em comunicado, sem indicar de que disciplinas se trata. A Agência Lusa contactou o Ministério da Educação para obter mais esclarecimentos sobre as alterações a estes cursos, mas tal não foi possível em tempo útil. O documento do GAAIRES alertava para a diminuição do número de alunos no curso de Línguas e Literaturas, com apenas 859 estudantes inscritos no 12º ano este ano lectivo, enquanto no 10º ano o número de matriculas passou de 1.440 em 2004/05 para 581 em 2006/07.


Balanço do ano lectivo



Relatório da Inspecção-Geral de Educação divulga análise sobre a organização do ano lectivo em curso. O balanço é positivo mas revela incumprimentos.
O trabalho levado a cabo pela Inspecção-Geral de Educação tinha como objectivo analisar a organização das unidades de gestão, identificar as situações de conformidade e de desvio aos normativos em vigor, avaliar a racionalidade e a eficácia na gestão dos recursos disponíveis e garantir boas práticas na gestão de recursos. Para a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, o relatório hoje apresentado traça um retrato positivo. A redução do número de escolas do 1.º ciclo com menos de 10 alunos, o aumento de estabelecimentos escolares a funcionarem até às 17h30 e o acréscimo do número de escolas com serviço de refeições são alguns dos factores enunciados que fazem com que a ministra acredite que «as políticas educativas estão a ter resultados positivos». Apesar de se ter vindo a assistir a uma progressiva consolidação do conceito de «escola a tempo inteiro» e de se ter verificado, de 2005/2006 para 2006/2007, um crescimento da oferta de actividades de animação e apoio à família para as crianças da educação pré-escolar, (65% para 72%) a verdade é que, segundo os dados divulgados pela Inspecção-Geral de Educação, 22% dos jardins-de-infância intervencionados encerravam antes das 17h30 e 26,1% estavam abertos menos de oito horas diárias. Em 29 estabelecimentos detectou-se ainda que não tinha sido correctamente definido o início e o fim das actividades educativas.Já no 1.º ciclo do Ensino Básico, 2,6% das escolas intervencionadas funcionavam em regime duplo injustificadamente e 11,4% escolas encerravam igualmente antes das 17h30, sendo que 180 (12,2%) também estavam abertas menos de oito horas diárias. Em 9,6% dos estabelecimentos de ensino não existia quaisquer actividades de enriquecimento do currículo. Apesar destes dados, o relatório garante que houve um significativo aumento de escolas que oferecem estas actividades aos alunos - de 67% para 90%.No que respeita ao horário para as refeições, verificou-se, de 2005/2006 para 2006/2007, uma significativa redução das turmas que não respeitavam o intervalo definido para o almoço nos respectivos horários. Contudo, essa situação persiste em 3,5% e 5,1% dos estabelecimentos de ensino do 2.º e 3.º ciclos respectivamente. A situação já observada em 2005/2006 relativa ao desrespeito do intervalo de, pelo menos, 1 hora após o período definido para o almoço, para a prática da Educação Física também se mantém. Esta é, aliás, uma situação que se repete nos diferentes graus de ensino. De acordo com os dados divulgados, das 7317 turmas do 2.º e 3.º ciclos e Ensino Secundário, 306 (4,2%) não respeitavam o intervalo para almoço e 103 (1,4%) não respeitavam o intervalo de uma hora, após o intervalo para o almoço, para a prática da Educação Física.A Inspecção denuncia ainda que cerca de 15% das escolas dos ensinos Básico e Secundário não tinham definido critérios para a constituição de turmas, oscilando esta percentagem entre 18,2% no 1.º ciclo e 12,4% no 2.º. Do 1.º ao 3.º ciclos foram detectadas cerca de 150 turmas com mais ou menos alunos do que o previsto na legislação e das 5622 turmas do 2.º e 3.º ciclos, 776 (13,8%) tinham mais de quatro blocos no mesmo dia e 51 (0,9%) tinham "furos" no horário. Contudo, segundo dados do relatório, esta é uma situação que tem vindo a ser reduzida.Mas os incumprimentos detectados atingem também os horários dos professores. Dos 11 064 horários dos docentes do 2.º e 3.º ciclos e Ensino Secundário, constituindo uma amostra representativa dos horários docentes das unidades de gestão intervencionadas, 254 (2,3%) tinham horas extraordinárias não marcadas, 190 (1,7%) não tinham as horas da componente não lectiva registadas, 190 (1,7%) não marcavam as horas supervenientes e 12 (0,1%) tinham mais de seis tempos consecutivos.Dos 16 669 grupos/disciplina constituídos no Ensino Secundário, 323 (1,9%) eram irregulares, sendo 119 do 10.º ano. Segundo o relatório, os 323 grupos irregulares geraram 282 horas docentes «evitáveis», correspondentes a 12 horários docentes completos. Em relação ao serviço docente do 2.º e 3.º ciclos e Ensino Secundário, foram atribuídas horas extraordinárias a 27 horários com redução da componente lectiva ao abrigo do art.º 79.º do Estatuto da Carreira Docente e a docentes de grupos com insuficiência de tempos lectivos ou horários "zero", originando 52 horas extraordinárias «evitáveis».Apesar de terem sido sujeitos a uma significativa redução face ao ano lectivo anterior (20% para 2,2%), o relatório chama ainda a atenção para os semanários/horários, que, na sua elaboração, não respeitam os critérios definidos pelo Conselho Pedagógico.Dos 6663 movimentos de colocação de professores, por destacamento, afectação e contratação, 35 não respeitavam os preceitos legais.O relatório agora apresentado repete-se todos os anos. Foi realizado com base numa amostra de 312 unidades de gestão face a um universo de 1260.Versão integral do relatório em: http://www.ige.min-edu.pt/upload/docs/OAL_REL_INTEGRAL%202006_2007.pdf

Maioria dos cursos adaptados em 2007/2008


Lusa 2007-05-15

No próximo ano lectivo, cerca de 90% das licenciaturas e mestrados em Portugal estarão adaptados às regras de Bolonha.
Os dados foram avançados pelo Ministério do Ensino Superior e serão apresentados no debate sobre os resultados da implementação do processo de Bolonha a nível europeu, a decorrer esta semana em Londres, na reunião bianual dos ministros do Ensino Superior dos 45 países que aderiram ao Processo de Bolonha.De acordo com a nota, no ano lectivo em curso, 2006/2007, cerca de 38% da oferta de 1.º e 2.º ciclos de estudos (respectivamente, licenciaturas e mestrados) estão a ser oferecidos de acordo com as regras introduzidas no âmbito do Processo de Bolonha, estando previsto que mais cerca de 50% dessa oferta seja oferecida no próximo ano lectivo de 2007/2008. Ficarão apenas cerca de 12% da oferta de 1.º e 2.º ciclos para adaptação em 2008/2009. A adequação dos programas deve ser feita até ao final desse ano lectivo, uma vez que em 2009/2010 todos os ciclos de estudos devem já estar organizados de acordo com o processo europeu de Bolonha.Para o Ministério de Mariano Gago, "Portugal registou durante o último ano progressos significativos na concretização do processo de Bolonha no Ensino Superior, mostrando hoje um desempenho considerável face ao processo em curso em toda a Europa para a modernização da oferta educativa e dos padrões de mobilidade de estudantes no espaço europeu".Em números concretos, estão actualmente a funcionar 820 cursos que foram adequados a Bolonha e 282 novos cursos criados especificamente no âmbito deste programa europeu. No próximo ano lectivo, entrarão em funcionamento mais 842 cursos adaptados e 366 novos.Feitas as contas, no próximo ano lectivo, as instituições de Ensino Superior terão para oferecer aos estudantes um total de 1662 cursos "antigos" adaptados a Bolonha e 648 novos cursos criados de raiz.Contudo, os pedidos que deram entrada na Direcção-Geral do Ensino Superior para 2006/2007 e 2007/2008 excedem em muito os que foram autorizados e registados por aquele organismo: 2068 pedidos para adequação e 1666 para novos cursos.Adicionalmente, todos os estudantes graduados em 2007 já receberão um Suplemento de Diploma de acordo com as regras de Bolonha, emitido em português e em inglês e correspondendo ao formato europeu.Além disso, cerca de 70% dos programas oferecidos em universidades públicas já aplica o regime europeu de créditos (ECTS), assim como 60% dos institutos politécnicos públicos.Entre os privados, esse regime é aplicado por 99% das universidades e 70% dos politécnicos.A mobilização das instituições portuguesas e da comunidade académica na adequação ao Processo de Bolonha foi recentemente analisada no âmbito de um inquérito conduzido pela Comissão de Acompanhamento do Processo de Bolonha, com o apoio da Direcção-Geral do Ensino Superior.Este processo foi desenvolvido durante o último ano na sequência da publicação pelo Governo, no início de 2006, de três diplomas que regulamentaram as alterações à Lei de Bases do Sistema Educativo decorrentes da aplicação do Processo de Bolonha no sistema de ensino superior português.Esses diplomas consistem no regime jurídico dos graus e diplomas de ensino superior, regime jurídico dos cursos de especialização tecnológica, e regime especial de acesso ao Ensino Superior para maiores de 23 anos.

Novas alterações no Secundário


O Ministério da Educação pretende reforçar a vertente prática e experimental dos cursos científico-humanísticos e a formação científica dos alunos. As modificações entrarão em vigor já no próximo ano lectivo.
O Ministério da Educação (ME) anunciou que vai reforçar a carga horária de várias disciplinas do Ensino Secundário já a partir do próximo ano lectivo, para aumentar as vertentes prática e experimental dos cursos científico-humanísticos.Em comunicado, a tutela salienta que este reforço "visa uma maior eficiência na formação científica dos alunos e a clarificação e simplificação curricular nos cursos de Ciências e Tecnologias, Ciências Socioeconómicas e Artes Visuais".Nesse sentido, o ME afirma que pretende reforçar a carga horária em várias disciplinas para viabilizar as respectivas componentes prática e experimental, sem indicar, no entanto, de que disciplinas se tratam.A partir do ano lectivo de 2007/2008, e de acordo com as novas directrizes do ME, está também prevista a criação do novo curso de Línguas e Humanidades, por junção dos de Ciências Humanas e Sociais e de Línguas e Literaturas.Entre os reajustamentos pretendidos está o início de duas disciplinas bienais na componente de formação específica no 10.º ano e a frequência de duas optativas anuais no 12.º, uma das quais obrigatoriamente ligada à natureza do curso.As novas matrizes dos currículos destes cursos surgem no seguimento das recomendações feitas pelo Grupo de Avaliação e Acompanhamento da Implementação da Reforma do Ensino Secundário (GAAIRES).A avaliação detectou um conjunto de constrangimentos, designadamente na operacionalização da componente prática e experimental das disciplinas científicas e artísticas, além de uma excessiva flexibilização dos percursos formativos. O documento alertava ainda para a diminuição do número de alunos no curso de Línguas e Literaturas, com apenas 859 estudantes inscritos no 12.º ano este ano lectivo, enquanto no 10.º ano o número de matrículas passou de 1440 em 2004/2005 para 581 em 2006/2007.O relatório divulgado em Fevereiro sugeria então o aumento da carga horária naqueles cursos para um tempo lectivo semanal de 90 minutos, recomendação associada à extinção da disciplina de Tecnologias de Informação e Comunicação enquanto obrigatória no 10.º ano.Com estas medidas, o ME espera conseguir solucionar os constrangimentos verificados pelo GAAIRES. As directrizes terão de ser aprovadas através de um decreto-lei; entretanto, segundo o comunicado, foi já solicitado parecer ao Conselho Nacional de Educação

Professores de Matemática acusam ministra

Por Andreia Felix Coelho

A Associação de Professores de Matemática está descontente com as afirmações da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que associou os resultados dos exames do 9.º ano ao desempenho das escolas
«Pela primeira vez, o país associará os resultados não apenas à performance dos alunos, mas também ao trabalho das escolas dos professores, para o melhor e para o pior» disse a ministra na semana passada.
Em comunicado emitido hoje, a APM considera que esta afirmação foi dirigida ao trabalho no âmbito do Plano Nacional da Matemática, lançado em Maio do ano passado, e afirma discordar desta ideia.
A associação defende que não se pode ter um «discurso excessivamente centrado sobre os resultados esperados com a realização dos projectos nas escolas, porque há muitos aspectos da aprendizagem que não são mensuráveis».
A associação fala ainda de «factores, alheio ao sistema educativo, que influenciam as aprendizagens dos alunos». A APM acusa ainda a tutela de ter atrasado os apoios que havia prometido.
«O ano lectivo começou sem as escolas terem informação sobre a aprovação dos seus planos», denuncia o comunicado.
andreia.coelho@sol.pt

Governo aprova decreto-lei sobre avaliação dos manuais escolares

O Conselho de Ministros aprovou no dia 10 de Maio o Decreto-Lei que regulamenta a Lei n.º 47/2006, de 28 de Agosto, que define o regime de avaliação, certificação e adopção dos manuais escolares do Ensino Básico e do Ensino Secundário, bem como os princípios e objectivos a que deve obedecer o apoio sócio-educativo relativamente à aquisição e empréstimo de manuais escolares. Com este diploma pretende-se, assim, que seja garantida a conformidade dos manuais escolares com os objectivos e conteúdo dos programas e orientações curriculares, promovendo a elevação do seu nível científico-pedagógico e proporcionando às famílias formas de utilização dos livros menos dispendiosas. ME

“Isto anda ao deus-dará, para ver quem é o mais esperto”

Rejeita tratar a Matemática à parte, «como se fosse um assunto extraterrestre», dizendo que os maus resultados à disciplina resultam de problemas gerais do sistema educativo. João Queiró, professor do Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia de Coimbra, lamenta, ainda, que, face à quebra de procura dos cursos de ciências e engenharias, algumas instituições do ensino superior retirem a disciplina dos critérios de acessoDiário de Coimbra – A Matemática é daquelas áreas que as pessoas quase parecem ter orgulho em dizer que não gostam ou não percebem.João Filipe Queiró – É um cliché associado à Matemática dizer isso. Mas eu nunca encontrei ninguém que o afirmasse explicitamente. Coisa diferente é saber se as pessoas têm grande gosto pela Matemática, ou se tiveram grande sucesso. Não acho que a Matemática tenha um lugar especial nos problemas do sistema educativo.DC – É das disciplinas onde, todos os anos, há piores resultados.JFQ – Mas tratar a Matemática à parte, como se fosse um assunto extraterrestre, tem o efeito de esconder que vários dos problemas que se prendem com a disciplina resultam de problemas gerais do sistema educativo. A especificidade da Matemática é ser a construção de um edifício. É o seu carácter sequencial, cumulativo.DC – Ou seja, exige um esforço diário do aluno.JFQ – Todas exigem, mas este carácter cumulativo é mais pronunciado na Matemática do que noutras disciplinas. Uma falha localizada, num certo capítulo da História ou da Geografia, ou de uma disciplina de Ciências Naturais, não prejudica tanto o edifício.DC – Esse mal resulta de uma postura cultural, de evitar o que é difícil e dá trabalho, ou também se pode apontar o dedo ao ensino: aos professores?JFQ – Há quem o diga, que é uma questão cultural, se ca-lhar até genética. Mas é especulativo ir por esse caminho. Prefiro falar de aspectos sobre os quais se poderia intervir. E eu ponho à cabeça o ambiente geral no qual a escola está imersa. A indisciplina escolar é um fenómeno grave, que todos os professores observam nas escolas portuguesas, ao qual não é dado o devido relevo, e que é tudo menos conducente a um estudo e uma aprendizagem serenas.DC – Mas isso para todas as disciplinas.JFQ – Eu prefiro concentrar--me nos problemas gerais, para não dizer que a Matemática é um problema específico. A indisciplina, dizia, resulta da desvalorização do conhecimento que há em Portugal. Há estudos que sugerem que os portugueses não sabem muito eque não querem saber muito. Depois, a timidez educativa em Portugal, a dúvida que já se estendeu aos próprios professores sobre o interesse disto tudo... Porquê tentar impor seja o que for? Ensinar qualquer coisa é uma imposição.DC – Concorda com a teoria de que não se deve ser demasiado exaustivo nas avaliações, porque o estudante tem de ter gosto para aprender?JFQ – Há que perceber que a escola, com o que significa de pôr duas ou três dezenas de jovens numa sala, com um adulto a falar de assuntos que não são da experiência directa desses jovens, tem algo de anti-natural. Uma criança “posta à solta”, se lhe derem a escolher entre um campo com uma bola, e uma sala onde vai estar sentada uma hora a ouvir um adulto, essa criança não hesita.DC – Mas a vida é assim. As crianças têm de aprender coisas de que não gostam.JFQ – Essa frase é chave. A vida é assim, é feita de constrangimentos, de coisas que, de vez em quando, nós fazemos contrariados. Mas há algum pensamento que, face às dificuldades escolares, acha que a questão do gosto e das tendências da criança deve prevalecer sobre o resto. O que é muito mau.DC – Não será perverso?JFQ – Pode ser muito perverso. Mesmo que fique na sala de aula, pode representar que a criança não aprenda. Muitas vezes, estas coisas, de dizer que o aluno deve chegar lá por si, parecem plausíveis, mas, depois, a aplicação disso na prática tem efeitos terríveis, de uma enorme dissolução de ambientes de aprendizagem. Outra dificuldade grande são os professores. Coexistem os bem formados, em boas universidades, sérias, com outros, formados por instituições que não têm os mesmos padrões. Um problema que existe, seguramente, há 20 anos em Portugal é a falta de vigilância e controlo do ensino superior. No caso dos professores, o principal empregador é o Ministério da Educação, que recruta pela nota de licenciatura. Se a faculdade de dar a nota se entrega a ins-tituições não credíveis, isto tem os efeitos que se pode imaginar e que aconteceram. Ao longo dos anos 90, e princípios já desta década, o Estado contratou muitos professores com uma formação deficiente.DC – Daí que se venha, agora, propor um exame de acesso à carreira. JFQ – Não só. Também esta agência de acreditação e avaliação do ensino superior, que vem regular a qualidade de todos os cursos.DC – Mas deve, ou não, apontar-se o dedo ao ensino, pelo insucesso na Matemática?JFQ – Há más orientações nos programas e nas metodologias para os cumprir. Um constituinte essencial da Matemática é o rigor: do raciocínio, da prova, da dedução. E isso tem sido progressivamente desvalorizado, o que tem um efeito dissolvente, porque a Matemática não é uma lista de factos desconexos.DC – Por a Matemática ser assim, não se justificaria torná-la obrigatória em todos os currículos escolares e não apenas nos ramos ditos científicos?JFQ – Essa pergunta leva a uma questão política muito difícil: de saber quais são as disciplinas que todos devem estudar e até onde. Isto tem provocado enormes tensões no sistema educativo português. Há quem sustente que no secundário toda a gente deve ter Matemática. E há quem ache que isso má ideia, até porque há muitos alunos que escolhem a sua via pelo simples facto de não haver lá Matemática.DC – Não faria sentido, por isso mesmo, insistir na disciplina até ao final do secundário? Para que as escolhas no ensino superior não fossem de recurso e dessem mais saídas profissionais.JFQ – Há uma quebra global nacional de procura dos cursos de ciências e engenharias, porque a base de recrutamento para esses cursos é, normalmente, a Matemática, a Física e a Química. Há instituições de ensino superior em Portugal, que, por causa disto, retiram a Matemática das disciplinas de acesso. De novo, Estado e governos vêem a situação e não fazem nada. Isto anda ao deus--dará, para ver quem é o mais esperto. Quem sai prejudicado, em primeiro lugar, é o país. Em segundo, as instituições que tentam ser sérias.

A VIDA AOS 10 ANOS ... O QUE MUDOU ENTRE DUAS GERAÇÕES

GERAÇÃO HEIDI
Têm hoje 30 anos, ou à volta disso. Chamavam-se Anas Tudo (especialmente Cristina, Paula, Filipa, Rita ou Sofia). As outras eram Carla, Sandra ou Sónia. Os rapazes eram João Tudo (especialmente Pedro, Nuno ou Paulo) ou Luís Miguel.
Muitas mães eram domésticas, e levantavam-se mais cedo para enfiarem almôndegas à força nos termos da escola. As que não eram, andavam muito ocupadas nas manifestações e davam dinheiro para comer na cantina.
Principal preocupação dos pais: que os filhos dessem em doutores.
Pequeno-almoço: papa de qualquer coisa, se possível com leite gordo e muito açúcar, ou então café com leite. Lanche: uma carcaça mole ensopada de doce de morango ou marmelada. Comida da cantina: carne assada com massa, frango com massa, bife com massa e jardineira.
Levava-se para a escola: uma mochila verde tipo tropa com fechos de cabedal que encaracolavam no segundo dia e com inscrições dos grupos favoritos: Duran Duran, Spandau Ballet ... havia uma régua espetada nos dias das aulas de desenho. Pesavam toneladas. Não se conseguia encontrar os livros escolares. Estavam sempre esgotados porque eram os mesmos para toda a gente. Havia quem os forrasse para passarem para o irmão mais novo no ano seguinte.
Na papelaria da esquina comprava-se uma embalagem de marcadores, 1 afia, 1 borracha, 1 esquadro e era suposto que desse para todo o ano. Na ginástica, usava-se sapatilhas brancas e fatos de treino azuis-escuros, encarnados ou verdes com uma risca branca e uns fechos muito desconfortáveis que faziam uma marreca à frente. E andava-se com aquilo o dia todo.
Nas aulas:faziam-se cadernos de autógrafos a dizer: "Nas ondas do teu cabelo, ensinaste-me a nadar / Agora que estás careca, ensina-me a patinar". Passavam-se papelinhos.
Nas férias: Iam para a casa dos avós ou eram deixados à balda.
Vestia-se aquilo que viesse a mão. Blusas verde-eléctrico com golas de bico, calças de bombazine com joalheiras. As meninas podiam ter aplicações de malmequeres de pano, vestiam saias de pregas sem nenhuma forma e sapatos rasos com lacinhos. Ambos: Pullovers às riscas, camisolas tricotadas pelas mães dois números acima, kispos (que deveriam durar quatro anos, no mínimo), galochas amarelas e botas caneleiras. Não havia Zara. Era normal ser-se muito feio com 10 anos. Trocavam-se cromos das Maravilhas da Natureza, da Kate Greenaway ou da caderneta do Benfica.
Em casa brincava-se: às bonecas, aos carrinhos e com os bonecos dos estrunfes. Jogava-se ao jogo da Glória e ao Monopolio. Batia-se nos irmãos. Com os amigos, andava-se de skate, jogava-se ao elástico, o bate-pé e ao quarto-escuro. Alguns ficavam na rua a tarde toda a jogar à bola e a andar de bicicleta.
Lia-se: "A Condessa de Segur", os "Cinco", as "Gémeas no Colégio de Santa Clara" e a Patricia. A Mónica, a Mafaldinha e o Asterix. Os rapazes liam o Michel Vaillant.
Na televisão via-se a "Abelha Maia", a "Água Viva" e o Espaco 1999" (em reposição continua), O Vasco Granja com desenhos animados checoslovacos que ensinavam a atravessar a rua, a Pantera cor-de-rosa e o professor Baltazar. Aos domingos, o Julio Isidro, o "Sítio do picapau amarelo", "Dallas, o "Homem da Atlântida", os "Marretas" e os "Anjos de Charlie".
No cinema:"7 noivas para 7 irmaos", a "Sissi", "ET", a "Música no coração" pela 2934848 vez, e "Os malucos" em outras fases da sua existência.
Ídolos: O Chalana, os Queen, Duran Duran, Bruce Springsteen, Bryan Adams, Sheena Easton e Bob Geldof.
O que se vai recordar: esfregar a sola dos sapatos novos no passeio. A bola da comida de termo no prato. Verdade ou consequência. Os Porcos no Espaço. A tiara de lata da Supermulher, as barbatanas entre os dedos do Patrick Duffy. Os pacotes de rebuçados.

GERAÇÃO POKEMON

Têm hoje 10 anos, ou à volta disso. Chamam-se Joana, Inês e Filipa. Ou, então, Mariana, Marta, Madalena ou Rita, sem falar na Cátia e na Vanessa, claro. Os rapazes são André, Tiago, Bernando, Fábio ou Marco.
As mães trabalham até às oite da noite, passam duas horas paradas no tabuleiro da ponte a ouvir a Rádio Nostalgia ou a pensar na vida e sabem que descongelar é uma arte.
Principal preocupação dos pais: que os filhos não dêem em drogados.
Pequeno almoço: qualquer coisa que tenha crocante, chocolate e brinde escrito no mesmo pacote.Lanche: donuts, batatas fritas, tiras de milho frito ou snacks de chocolate.Comida da cantina: carne assada com massa, frango com massa e bife com massa.
Levam para a escola uma mochila de rodinhas. Ou, então, mochilas impermeáveis de marca, pretas ou azuis-escuras. Continuam a pesar toneladas.
Em Setembro vão ao corredor do hipermercado que diz "Regresso às Aulas" e compram milhares de canetas, aguarelas e lápis de cêra. Têm coisas sofisticadíssimas dentro do estojo, principalmente as meninas: borrachas com cheiro a tangerina, elásticos e fitas de cabelo, autocolantes minúsculos e pulseiras. Na ginástica, as meninas vestem tops e calças de lycra. Os rapazes, calções. Ambos: ténis com sola fluorescente e que não digam "Made in Indonesia".
Nas aulas: jogam Gameboy e mandam mensagens pelo telemóvel.
Nas férias:vão para campos de férias moer o juízo dos animadores ou passam 15 dias em Inglaterra a estudar Inglês. Os mais sortudos vão para casa de um amigo.
Ambos vestem calças e sweat-shirts com t-shirts por baixo, e ténis de camurça. As meninas usam brincos, pulseiras, borboletas autocolantes para espetar no pescoço, molas, ganchos, malinhas, gel fluorescente. Há calças especiais para meninas, mais justas em cima. Todos os anos (algumas todos os dias) têm roupa nova. Não é suposto andarem andrajosos, nem no recreio. Conhecem as tendências internacionais. Há marcas que usam e outras que só por cima do seu cadáver. Dois anos depois, tornam-se dread.
Trocam-se cartas do Pokemon e brindes dos pacotes de batatas fritas. Quem pode, joga computador e fala num chat da Internet até às quatro da manhã, vê-se televisão. Bate-se nos irmãos (é bom ver que algumas coisas não mudam). Nunca se brinca na rua porque se pode ser raptado por um pedofilo. O tempo que não se está na escola, está-se no inglês, na natação, no taekwondo, no kickboxing ou, então, em casa a olhar para o ar.
Lêem:a colecção "Uma aventura" e outros autores portugueses. Os "Arrepios". "O clube das Amigas". Os mais intelectuais já se atiraram ao Harry Potter.
Na televisão vêem:tudo o que os adultos vêem. Filmes de terror e desenhos animados (às vezes são a mesma coisa). O "Ranger do Texas", o "Querido Professor", o "Zip Zap" e os programas de videoclips. Há quem ainda veja o "Batatoon" por saudades, embora não confesse, e quem tem TV cabo ainda vê o Cartoon Network e o Panda. Muitos têm toneladas de cassetes com filmes da Disney.
No cinema vêem:"O professor chanfrado", "Missão impossível", e tudo o que tenha um carro a perseguir um camião (os rapazes) e Tom Cruise a perseguir quem quer que seja (as meninas). Ofendem-se quando os querem levar aos desenhos animados, embora depois gostem.
Ídolos:o Figo, os Anjos, o d´Arrasar, O Miguel e o André. Tambem há a Britney Spears e a Jennifer Lopez, os Backstreet Boys e todas as bandas de adolescentes que pareçam agricultores suecos do seculo XVIII.
O que se vai recordar:ainda não se sabe. Embora alguns falem no cheiro dos ténis do irmão.

Filosofia num impasse


Depois da suspensão do exame nacional de Filosofia, encontra-se a decorrer uma petição para o regresso da prova e para o alargamento da oferta da disciplina no Ensino Secundário.
Não havendo exame nacional de Filosofia nem no âmbito da formação específica (12.º ano) nem no âmbito da formação geral (10.º/11.º anos), e de acordo com o quadro legal instituído, deixa de ser possível utilizar a Filosofia como critério para o acesso ao Ensino Superior, inclusive para os próprios cursos de Filosofia.Para Maria Filomena Molder, coordenadora do Departamento de Filosofia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, a situação actual não faz qualquer sentido. Todos os cursos do Ensino Superior que requisitavam Filosofia como prova de ingresso deixaram de o poder fazer, o que, segundo esta responsável, "veio perturbar e mesmo desfigurar a relação entre o Ensino Secundário e o Ensino Universitário".Já a Associação de Professores de Filosofia (APF) considera "lamentável o facto de as aprendizagens em Filosofia terem deixado de ser objecto de avaliação externa", sublinhando que deveria haver um exame nacional que aproveitasse a presença da disciplina no currículo do Ensino Secundário como condição de acesso a cursos do Ensino Superior. Apesar de tudo, não receiam o fim da Filosofia no Secundário, até porque, asseguram, nos contactos que têm mantido com o Ministério da Educação (ME) tem sido garantido que não só não se pretende acabar com a disciplina no Ensino Secundário como "se reconhece a sua valência e se pretende valorizá-la".Alice Santos e Luís Vilela, ambos docentes de Filosofia, não estão de acordo com a extinção do exame e não compreendem a opção da tutela. Para Alice Santos, a Filosofia está "muito subtilmente a perder espaço", temendo que a médio prazo seja posta em risco a obrigatoriedade da disciplina no 10.º e 11.º anos.A Filosofia "é um espaço de diálogo e discussão, exercício de actividade argumentativa que não se encontra noutras disciplinas", garante Alice Santos. Com "importância vital não só por si mas também pelas suas características", acrescenta Luís Vilela, a Filosofia desenvolve capacidades argumentativas, de leitura, análise textual, clarificação e fundamentação de ideias. "Os alunos necessitam disso. Gostam disso", sublinha Luísa Almeida, docente na mesma escola.Por tudo isto, Luís Vilela acredita que muitos pais poderão vir a assinar a petição que está a decorrer e que contém duas pretensões: alargar a oferta da disciplina de Filosofia a todos os cursos científico-humanísticos do 12.º ano e reintroduzir o exame nacional de Filosofia do 10.º/11.º anos para efeitos quer de conclusão do Secundário, quer de ingresso no Ensino Superior.Luísa Almeida defende que "não está em causa qualquer tipo de corporativismo" mas sim o reconhecimento da importância da Filosofia. Até ao momento já decorreram vários debates com figuras de diferentes áreas profissionais e a petição já foi assinada por diversas personalidades, entre as quais António Barreto, António Dias de Figueiredo, Carlos Fiolhais, Daniel Sampaio, Guilherme Valente, João Lopes Alves, José Pacheco Pereira e Nuno Crato. A iniciativa continua a receber apoios diariamente e a petição vai continuar aberta até que as pretensões sejam atendidas pela tutela.Também para a Sociedade Portuguesa de Filosofia a causa para estas medidas do ME continua a ser um mistério porque, dizem, "os vários responsáveis no Ministério nunca deram uma explicação científica e curricularmente fundamentada para estas decisões".Segundo António Paulo Costa, da SPF, a verdade é que apesar de o Ministério se socorrer de argumentos segundo os quais a Filosofia teria agora mais "espaço" do que nunca, a disciplina está "manifestamente a perder espaço no Ensino Secundário". Para além da supressão do exame nacional de Filosofia, o responsável lamenta a "quase inexistência de oferta de formação" na área por iniciativa do ME."Um sistema de ensino que ignore ou desvalorize o papel decisivo de disciplinas como a Filosofia no seu seio promove o aparecimento de cidadãos mais indiferentes e menos participativos, de pessoas mais acríticas e menos capazes de pensar por si", sublinha o responsável da SPF.Por isso mesmo, garante, o próximo passo terá de ser dado pela tutela, que "não pode continuar a ignorar aquilo que lhe é solicitado em uníssono pela comunidade filosófica e por cidadãos que há muito perceberam que o desenvolvimento do país não pode ser feito atalhando na ciência, na cultura, na arte ou na Filosofia".

35 professores concorrem ao Prémio Nacional


Dos mais de 150 mil docentes portugueses, apenas 35 são candidatos ao Prémio Nacional do Professor, lançado pelo Governo para distinguir os profissionais que se distinguem de forma excepcional no ensino.
Segundo o regulamento do Prémio Nacional do Professor, lançado em Janeiro, cabia aos conselhos executivos e às associações profissionais de professores propor os candidatos ao galardão, que podiam igualmente ser indicados por, pelo menos, 50 docentes do mesmo agrupamento de escola ou do mesmo grupo disciplinar.Os professores, individualmente, não podiam concorrer, impedimento que poderá justificar o reduzido número de candidaturas, inferior a 0,1% do universo de docentes em Portugal.O desenvolvimento do ensino experimental e da criatividade, a diminuição do insucesso e abandono escolares, a colaboração com os pais para a inclusão de alunos que se encontrem numa situação social problemática e a contribuição para a melhoria de funcionamento da escola são alguns dos critérios para a atribuição do prémio, no valor de 25 mil euros, cuja primeira edição deverá ocorrer em Dezembro deste ano.Além deste galardão, foram lançadas outras quatro distinções de mérito, nomeadamente o prémio "Carreira", "Integração" (destinado a docentes que dêem particular atenção às necessidades de alunos de diferentes culturas e com diferentes ritmos de aprendizagem), "Inovação" (dirigido a professores que introduzam métodos inovadores), e "Liderança" (que pretende reconhecer o trabalho a nível da coordenação e gestão da escola).A estas quatro distinções, que não estão associadas a qualquer valor económico, mas à atribuição de diplomas e oferta de visitas de estudo a escolas no estrangeiro, foram apresentadas 30 candidaturas.O júri presidido pelo psiquiatra Daniel Sampaio e composto por outras seis personalidades, entre as quais o reitor da Universidade de Lisboa, António Nóvoa, e o ex-ministro da Educação Roberto Carneiro, irá analisar um total de 65 candidaturas até ao final de Outubro.De acordo com o Ministério da Educação, 53 das 65 propostas foram subscritas por conselhos executivos, enquanto 11 candidatos foram apresentados por um conjunto de 50 ou mais colegas de escola e um promovido por uma associação profissional de docentes.Os candidatos são, maioritariamente, professores do 3.º ciclo do Ensino Básico e do Secundário, existindo ainda 12 candidaturas referentes a docentes do 2.º ciclo, cinco ao 1.º ciclo e apenas três ao ensino pré-escolar e à educação especial.Entre as 65 candidaturas aos cinco prémios, só duas são de professores do ensino privado.A criação do Prémio Nacional dos Professores foi anunciada em Setembro do ano passado pelo primeiro-ministro, José Sócrates, que classificou a iniciativa como "um sinal claro de que o Governo deseja fazer um apelo a toda a comunidade educativa para que melhore e evolua, para assim servir melhor os alunos".

O Ministério da Educação instalou em todas as escolas um atendedor automático de chamadas de forma a ajudar todos os encarregados de educação nos contactos com o estabelecimento, encaminhando a chamada para a pessoa certa!

- Para mentir sobre a justificação das faltas do seu filho, tecla 1
- Para inventar uma desculpa sobre porque é que o seu filho não fez o seu trabalho de casa, tecla 2
- Para se queixar sobre o que nós fazemos, tecla 3
- Para insultar os professores, tecla 4
- Para saber por que razão não recebeu determinada informação que já estava referida no boletim informativo ou em diversos documentos que lhe enviámos, tecla 5
- Se quiser que lhe criemos o seu filho/educando, tecla 6
- Se quiser agarrar, tocar, esbofetear ou agredir alguém, tecla 7
- Para pedir um professor novo, pela terceira vez este ano, tecla 8
- Para se queixar dos transportes escolares, tecla 9
- Para se queixar dos almoços fornecidos pela escola, tecla 0
- Se já compreendeu que este é o mundo real e que o seu filho/educando deve ser responsabilizada e responsável pelo seu comportamento, pelo seu trabalho na aula, pelos seus tpcs, e que a culpa da falta de esforço do seu filho/educando não é culpa do professor, desligue e tenha um bom dia!