quarta-feira, junho 27, 2007

1.ª fase de exames terminou


A 1.ª fase dos exames nacionais do Ensino Secundário chegou ontem ao fim. Os resultados serão afixados no próximo dia 6 de Julho.
Embora envolta em menor polémica do que no ano passado, a 1.ª fase de exames nacionais do Ensino Secundário ficou marcada por algumas críticas por parte dos professores, sobretudo à prova de Português, em que se contestou o facto de não ter sido avaliada a maior parte do programa e, em particular, os conhecimentos de Gramática.Também na semana passada, uma incorrecção numa pergunta do exame de Física e Química A levou o Ministério da Educação (ME) a anular a questão e a decidir que a classificação final da prova será multiplicada por 1,0417, para que os alunos não fossem prejudicados.A classificação do exame nacional vale 30% da nota final da disciplina e conta entre 35% e 50% para a nota de candidatura às universidades e institutos politécnicos, sendo as pautas afixadas a 06 de Julho.A 1.ª fase dos exames nacionais terminou hoje com a realização das provas de História da Cultura e das Artes e de Aplicações Informáticas B.A 2.ª fase dos exames do Ensino Secundário decorre entre 12 e 17 de Julho, sendo os resultados afixados a 27 do mesmo mês.Os alunos que hoje concluírem todos os exames na 1.ª fase podem candidatar-se ao Ensino Superior entre 09 e 13 de Julho. Os alunos que optam pela 2.ª fase de provas concorrem entre 27 de Julho e 03 de Agosto.Embora ainda não sejam conhecidos os custos dos exames nacionais deste ano, o director do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE), Carlos Pinto Ferreira, já garantiu que o custo da realização dos exames nacionais diminui relativamente ao ano passado, em que foram gastos 6,5 milhões de euros.Sem querer precisar um valor, o responsável atribuiu esta redução à diminuição do número de provas, que baixou de 56 para 38, e ao facto de os critérios de classificação já não serem distribuídos em papel, mas apenas disponibilizados na Internet.Além do pagamento aos milhares de professores correctores, que recebem por cada prova revista, o Governo tem ainda encargos muito avultados com a operação de segurança que envolve cerca de 500 agentes da PSP e mais de 14 mil militares da GNR.A protecção, entrega e recolha dos exames nacionais fica a cargo da "Operação Athena 2007", que se prolonga durante mais de dois meses.

Sindicato dos Professores do Norte analisa a actuação da ministra da Educação


“Pior ano lectivo desde o 25 de Abril”
A direcção da área sindical do SPN/FENPROF afirma que o ano lectivo que está a terminar fica marcado como o “pior desde o 25 de Abril”. As medidas de política educativa do Governo português desagradam os profissionais da educação, que as apontam como sendo anti-democráticas.
Patrícia SantosEm conferência de imprensa, a direcção da área sindical do SPN aproveitou para fazer um balanço do ano lectivo que está a terminar. Perante as medidas “anti-democráticas” do Governo português, este organismo sublinhou que este ano fica “indelevelmente marcado como o pior desde o 25 de Abril”. Além das alterações no Estatuto de Carreira Docente, o ministério da Educação tem levado a cabo “o abate cego de escolas, a imposição ilegal de fusões/extinções de escolas e/ou agrupamentos e a redução estatística do número de alunos com necessidades educativas especiais”.Segundo os responsáveis, as acções protagonizadas pela ministra atingem “negativamente o exercício profissional docente, o reordenamento da rede escolar do ensino básico e secundário e o cumprimento do currículo do 1º ciclo”. Sem professores valorizados a educação não avançaAlém disso, o Estatuto da Carreira Docente do ministério da Educação, o novo regime de contratação e a modalidade de prestação de serviços, implementados já este ano lectivo, conduziram à “degradação das carreiras, à precarização dos vínculos e, inevitavelmente, ao aumento do desemprego”. Estas alterações desmotivam, por certo, os professores, que não se sentem valorizados numa profissão que abraçaram como sendo sempre uma causa a defender em prol do desenvolvimento do país.Já o encerramento de estabelecimentos de ensino, nomeadamente no que concerne ao 1º ciclo, não é muito perceptível pelo SPN, que entende que estas medidas têm, acima de tudo, um cariz economicista. A novidade da fusão de escolas básicas e secundárias também surpreendeu os sindicatos, que afirmam que estas megas unidades escolares colocarão em causa a gestão de espaços. Prevê-se o ‘abate’ de 4500 até 2010A reorganização da rede escolar englobou o encerramento de mais de 1.500 escolas a nível nacional, prevendo um total de 4.500 até 2010. Nos concelhos de Oliveira de Azeméis, Arouca e Vale de Cambra ainda não é quantificável o número de escolas que a encerrar. No entanto, se o critério a adoptar passar pela criação das turmas de ano e o fim dos desdobramentos, fecharão mais de 20 escolas nos três concelhos. Esta situação torna-se cada vez mais preocupante, visto que não se vislumbram para o próximo ano lectivo “os tão apregoados centros escolares”. Aliás, “Arouca continuará com os seus contentores, Oliveira de Azeméis sem solução para acabar com o regime de desdobramento e Vale de Cambra com uma situação atípica com evidentes prejuízos pedagógicos”. ------------------Dificuldades inerentes ao prolongamento do horário Segundo o SPN, o currículo do 1º ciclo foi empobrecido e ‘disciplinarizado’, através da marcação rígida de horas para Língua Portuguesa, Matemática e Estudo do Meio. A área das expressões – fundamental para o desenvolvimento das crianças – foi transferida para as designadas actividades de enriquecimento curricular, o que lhes atribui um papel menos importante. Além disso, os discentes passaram a ter mais dez horas semanais de aulas, uma vez que “não existe uma clara distinção entre o que é curricular e o que é enriquecimento curricular”. É de referir que estes prolongamentos são conseguidos através de mão-de-obra barata, qualificada e paga em regime de jorna.Educação serve para formar pessoasPara a direcção do SPN, a ideia do programa ‘Novas Oportunidades’ é em si benéfica. Através desta iniciativa, o governo pretende melhorar as qualificações de, aproximadamente, um milhão de habitantes até 2010. Porém, “começa a ser assustador verificar que um aluno vai conseguir adquirir equivalências escolares em poucos meses”, disse o sindicalista, lembrando que os centros escolares vão receber mediante os indivíduos que vão qualificar, ou seja, “é possível que se verifique uma verdadeira promiscuidade”. E, convém salientar, que ainda não há um estudo feito no que concerne às reais necessidades do mercado de trabalho. Desta forma, aumentar a qualificação não implica que as ofertas de emprego aumentem.

Esta é o máximo

Rir é mesmo o melhor remédio



























Por incumprimento legal Professores queixam-se da tutela



A falta de cumprimento da Lei da Negociação Colectiva para a definição do calendário escolar do próximo ano lectivo é o motivo de uma queixa institucional que a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) vão apresentar à Provedoria de Justiça.






Segundo a Federação, o despacho da ministra Maria de Lurdes Rodrigues não foi previamente apresentado aos sindicatos, a fim de ser dado um parecer, segundo a regulamentação legal. A Fenprof considera esta atitude “inédita em mais de 30 anos de democracia” e revela o “profundo desrespeito” do presente executivo do Ministério da Educação para com os professores e suas organizações representativas.A estrutura sindical, afecta à CGTP vai ainda apresentar um protesto formal junto da ministra da Educação, acusada de “falta de cultura democrática”.





Maria de Lurdes Rodrigues não estabelece prazos




A ministra da Educação considera que os grandes temas do futuro próximo são a reorganização dos ciclos do ensino e a discussão sobre a manutenção ou antecipação da idade para a entrada na escola. A proposta coloca a questão da obrigatoriedade do pré-escolar.




O gabinete de Maria de Lurdes Rodrigues esclareceu que o alargamento do percurso escolar, através da antecipação da entrada na escola e do aumento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano, é um dos objectivos do Governo, mas que se recusa para já a fixar um prazo para a implementação destas medidas.A Fenprof discorda da antecipação da entrada na escola, pois “as orientações curriculares estabelecidas desde 1999 é que estão correctas, por se adequarem ao desenvolvimento da criança”. Quanto à FNE, concorda com a proposta da ministra


domingo, junho 24, 2007

CONCURSO PARA ACESSO A "TITULAR"


MANUAL DE RECLAMAÇÕES
Já é possível ter acesso às minutas no âmbito do concurso a professor titular, a que os docentes poderão recorrer, após a sua notificação pelo júri.
O SPRC recomenda aos seus sócios que contactem sempre o Gabinete Jurídico ou os serviços de atendimento do Sindicato.
Acesso ao Manual - <http://www.sprc.pt/paginas/Legislacao/legislacao.html>
LEIA SEMPRE AS INSTRUÇÕES COM CUIDADO E SIGA-AS AO PORMENOR.
O Departamento de Informação e Comunicação

Professores de Português criticam prova do 9.º ano

A Associação de Professores de Português (APP) criticou ontem o exame nacional do 9.º ano à disciplina, lamentando que a prova não tenha abordado nenhuma das obras literárias obrigatórias no final do terceiro ciclo.Cerca de 107 mil alunos do 9.º ano realizaram ontem o exame de Língua Portuguesa, uma prova que não testou os seus conhecimentos relativamente a "Os Lusíadas", de Luís Camões, e à obra de Gil Vicente, que ocuparam grande parte das suas aulas durante este ano lectivo."Os professores gastam muito tempo a dar "Os Lusíadas" e Gil Vicente, que depois não saíram no exame. Devia ter aparecido pelo menos uma pergunta sobre uma das duas obras literárias", defendeu Paulo Feytor Pinto, presidente da APP.Em declarações à agência Lusa, o responsável da associação criticou ainda a parte da prova destinada a testar a elaboração de respostas de desenvolvimento, considerando que a tarefa foi demasiado facilitada aos estudantes. O problema, explicou, reside nas instruções dadas para a elaboração das respostas que os docentes de Português consideram "pouco correctas".

Mais críticas ao ministério da Educação

Professores de História arrasam exame
Carolina Reis

A Associação de Professores de História criticou fortemente os documentos apresentados como fontes e os critérios de correcção do ministério para o Grupo II do exame.

As críticas da APH-Associação de Professores de História à prova ontem realizada em todo o país, constam de um parecer a que o Expresso teve acesso, e visam, sobretudo, o Grupo II da prova. Para os professores de História, os alunos do antigo programa curricular foram prejudicados.
"Não se teve em consideração que este exame, que se destinava não só aos alunos de História A e História B, mas também, aos alunos de História do decreto-lei 286/89, de 29 de Agosto [antigo programa curricular], nunca abordaram esta temática, porque não fazia parte do programa", afirma-se no documento em jeito de conclusão. A “temática” em causa – as dinâmicas de transformação da economia de mercado nas últimas décadas – é a que consta do Grupo II da prova.
Acresce que, na opinião da APH, as fontes utilizadas, como base de resposta às quatro perguntas deste grupo, suscitam algumas dúvidas.
Os professores dão especial importância à primeira pergunta do Grupo II, que se apoia num quadro (documento 1) no qual se misturam países e regiões económicas. "[O quadro] faz referência a países numa coluna onde surgem também pólos de desenvolvimento económico correspondentes a grupos de países."
Além de identificar na coluna intitulada “países” uma região económica (União Europeia), os países identificados como “Quatro ‘Tigres’ Asiáticos” também motivam reparos. Segundo a APH, é utilizada uma “terminologia polémica, visto que a designação para os quatro países considerados como ‘Tigres’ asiáticos aparece em vários autores para designar o grupo dos quatro países correspondentes a uma fase seguinte no desenvolvimento do comércio do sudeste asiático – Malásia, Indonésia, Tailândia e Filipinas”. Ora, segundo o documento em causa, os “Quatro ‘Tigres’ asiáticos” são: “Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura”.
Mas as críticas não ficam por aqui. Com base no documento 1 do Grupo II é pedido aos alunos que apresentem “três razões justificativas do crescimento anual dos Quatro ‘Tigres’ asiáticos” quando “a fonte indica o crescimento médio por década” (1982-1992 e 1992-2002), sublinham os professores.
No conjunto das fontes apresentadas para responder à questão quatro do Grupo II, a associação considera que não foi possibilitado "o cruzamento de informação, uma vez que o relacionamento entre si é muito forçado. Torna-se difícil partir deste conjunto de documentos para chegar às conclusões pretendidas na questão". ("Explique, integrando os dados dos documentos 1 a 4, os processos de globalização da economia").
Em relação aos critérios de correcção, a associação afirma que as matrizes continuam a não explicitar as competências de avaliação. A atribuição de 60 pontos é considerada "excessiva" para o primeiro grupo.
Nas propostas de correcção da questão dois do Grupo I é criticado um dos descritores, apresentados como critério de avaliação pelo ministério, a saber, "distanciamento relativamente aos princípios anticoloniais incluídos na Carta das Nações Unidas e na Declaração Universal dos Direitos do Homem". A associação considera que é forçado e não decorre da fonte.
Os professores consideram ainda que uma parte do descritor proposto para correcção da questão quatro do Grupo II não está referida nos documentos para análise no exame. A temática do Grupo II foi considerada pela associação "pouco pertinente devido, por um lado à excessiva contemporaneidade da informação, pouco trabalhada do ponto de vista historiográfico; por outro, tratando-se do último módulo de um programa tão extenso, inibe a reflexão, o debate aprofundado e o correcto treino de competências".

Ministra admite antecipar idade de entrada na escola




Alfredo Maia e Helena Norte




A ministra da Educação considera que os grandes temas do futuro próximo são a reorganização dos ciclos do ensino e a discussão sobre a manutenção ou antecipação da idade para a entrada na escola, recolocando na ordem do dia a obrigatoriedade do pré-escolar. Embora Maria de Lurdes Rodrigues, citada pela agência Lusa, não tivesse precisado, numa reunião com militantes socialistas em Viseu, se se referia à antecipação da idade de entrada no 1.º Ciclo ou à obrigatoriedade da frequência do pré-escolar aos cinco anos, a segunda possibilidade é que colhe maior consenso de fontes ouvidas pelo "Jornal de Notícias". A ideia de alargar o percurso escolar, antecipando a entrada no sistema de ensino e aumentando a escolaridade obrigatória até ao 12.º ano, é um dos objectivos do Governo, esclareceu ao JN o gabinete de Maria de Lurdes Rodrigues. A obrigatoriedade da frequência do pré-escolar insere-se naquele objectivo, mas o ministério recusa, para já, fixar um horizonte para as medidas "Talvez daqui a seis meses, talvez daqui a seis anos", diz a mesma fonte.Há pelo menos seis anos que a Federação Nacional de Professores (Fenprof) defende a obrigatoriedade da entrada no sistema de ensino, ao nível do pré-escolar, no grupo etário dos cinco anos, como factor de diminuição das desigualdades no 1.º Ciclo, recordou ao JN o seu secretário-geral, Mário Nogueira, esperando ser este o objectivo da governante. A medida responsabiliza o Estado e implica o alargamento da rede de equipamentos, acentua.Também a Federação Nacional da Educação (FNE) defende a mesma obrigatoriedade aos 5 anos, por considerar que promove um percurso escolar de sucesso, e um regime facultativo para os 3 e 4 anos, explicitou ao JN o secretário-geral da organização, João Dias da Silva.Quanto à eventualidade de a ministra estar a pensar na antecipação da idade de entrada no 1.º Ciclo, a Fenprof discorda. "As orientações curriculares estabelecidas desde 1999 para o grupo dos 5 anos é que estão correctas, por se adequarem ao desenvolvimento da criança", afirma Mário Nogueira."É habitualmente aceite que é aos 6 anos, aproximadamente, que a criança está preparada para o cumprimento de regras e objectivos e para realizar tarefas de aprendizagem da educação formal", observa a investigadora em psicologia do desenvolvimento da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, Orlanda Cruz, defendendo o alargamento e maior qualidade da rede pré-escolar. O jardim-de-infância é importante para o estímulo e de-senvolvimento de competências e das relações interpares, diz. Enquanto a Fenprof não encontra "nada que justifique a reorganização dos ciclos do Básico e do Secundário" a que Maria de Lurdes Rodrigues se referiu, a FNE admite uma mudança, desde que precedida de "um consenso gerado através de um debate nacional".Em discussão está a possibilidade de fusão dos dois primeiros ciclos do Ensino Básico, o que implica que, nos primeiros seis anos, as crianças tenham apenas um professor. No regime actual, o 1.º Ciclo é leccionado por um professor, à excepção dos conteúdos de Inglês, Educação Musical e Educação Física, enquanto no 2.º cada disciplina é ministrada por um docente específico.João Dias da Silva considera que as alterações só poderão ser implementadas após mudanças no sistema de formação de professores, que os habilitem a leccionar matérias de seis anos.

Ensino do português nos EUA

O Presidente da República, Cavaco Silva, admitiu que os emigrantes têm razão nas queixas sobre o ensino do português nos Estados Unidos, ao fazer um balanço da visita que termina este sábado àquele País.
"O ponto em que eu penso que têm razão é o do ensino da língua portuguesa", referiu Cavaco Silva questionado sobre as queixas que ouviu do Conselho das Comunidades Portuguesas, que recebeu na passada quinta-feira em Boston. À saída dessa reunião, os representantes do Conselho, entre várias críticas ao Governo, estranharam a "coincidência" da assinatura de um novo protocolo com o Estado de Massachusetts para a continuação do ensino da língua portuguesa nas escolas locais apenas na véspera desta visita, quando o protocolo anterior caducara há cerca de um ano. Confrontado com estas críticas, o secretário de Estado das Comunidades, António Braga, que acompanhou a vista de Cavaco Silva aos EUA, respondeu que a assinatura nesta ocasião fora coincidência e justificou os atrasos com a transferência de competências do ensino do português no estrangeiro do Ministério da Educação para o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Ensino da língua portuguesa no estrangeiro "Ao longo do tempo as coisas não têm ido bem e em resultado de reajustamentos em matéria de competências no ensino do português no estrangeiro, ocorreram alguns atrasos, mas antes de partir para esta viagem assegurei-me que eram corrigidos, por isso foi possível assinar o acordo com o Estado de Massachusetts", explicou Cavaco Silva. "Houve contactos, como é obvio, entre o meu gabinete e dois ministérios, mas o próprio Governo estava empenhado em que este assunto fosse resolvido antes da minha viagem, talvez para evitar muitas perguntas dos senhores jornalistas", adiantou o Presidente, questionado sobre a sua intervenção neste caso. "Temos de fazer mais e melhor quanto ao ensino da língua portuguesa", insistiu. Portugal "um País de oportunidades"Sobre a visita de quatro dias aos Estados Unidos, três dos quais dedicados a contactos com a comunidade portuguesa, Cavaco Silva disse que tentou "mobilizar portugueses, luso-descendentes e amigos de Portugal para olharem o País, que é diferente do que conheceram há 20 ou 30 anos, e vê-lo como um País de oportunidades". O Presidente revelou que se reuniu quinta-feira última com um grupo que se chamará "Grupo dos Amigos de Portugal em Massachusetts", constituído por americanos que se comprometem a divulgar Portugalnos EUA. Portugal e os EUA "Tive oportunidade de falar com professores do MIT e da Escola Médica de Harvard que têm neste momento protocolos de cooperação com universidades portuguesas e ouvi os mais rasgados elogios a cientistas e professores que estão envolvidos na apresentação no próximo ano de um programa conjunto de pós-graduação com o MIT envolvendo universidades portuguesas", disse. "E o mesmo vai ser feito, penso, entre a Escola Médica de Harvard e as universidades portuguesas", adiantou. Presidente não visitou a Casa Branca Numa viagem em que passou ao lado da Casa Branca, Cavaco Silva justificou que George W. Bush, o presidente norte-americano - "que era a única pessoa com quem eu eventualmente podia encontrar-me" - não tinha o dia 20 disponível e esse era o dia em que o Chefe de Estado português tinha de estar em Washington para inaugurar a exposição "Encompassing the Globe". "Decidi que viria independentemente de quaisquer contactos ao mais alto nível com a administração norte-americana", disse. O Presidente da República almoçou este sábado com membros da comunidade portuguesa de Newark antes de partir para Lisboa.
Lusa

sábado, junho 23, 2007

Professores não vêem novidades em medidas de ministra

Os professores de matemática não vêem qualquer novidade no anúncio da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, em alargar o Plano Nacional de Acção para a Matemática ao 2º Ciclo. A presidente Rita Bastos lembra que algumas medidas deste plano já estavam em acção.
A presidente da Associação de Professores de Matemática não percebe o sentido das palavras da ministra da Educação, que decidiu alargar o Plano Nacional de Acção para a Matemática ao 2º Ciclo, ou seja, ao quinto e sexto ano de escolaridade.Ouvida pela TSF, Rita Bastos explicou que algumas das medidas deste plano já estavam alargadas ao 2º Ciclo, nomeadamente a formação contínua de professores e revisão dos programas da disciplina, que já estava alargada aos três ciclos.«Não vejo novidade nenhuma nisso. A única novidade é os resultados irem agora para as escolas e os professores terem oportunidade de usarem isso como regulador da sua própria acção», esclareceu.A medida da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, foi anunciada na sequência dos maus resultados obtidos nas provas de aferição de matemática do 2º Ciclo, em que cada quatro em dez alunos registaram resultados negativos.Esta quinta-feira, cerca de 175 mil alunos do 3º Ciclo e do secundário fazem os exames nacionais de matemática, 107 mil dos quais do 9º ano, que farão assim estes testes obrigatórios para a conclusão do ensino básico.

sexta-feira, junho 22, 2007

Novo concurso para professores titulares no próximo ano lectivo

A ministra da Educação comprometeu-se hoje a abrir, já no próximo ano lectivo, um novo concurso para professores titulares, a que poderão candidatar-se todos os docentes que este ano não conseguirem aceder à mais alta categoria da carreira.
Em entrevista à Antena 1, Maria de Lurdes Rodrigues disse que "o pacote legislativo relativo à regulamentação do Estatuto da Carreira Docente", que ainda falta, deverá estar concluído no final deste mês, prevendo-se a abertura de um novo concurso em 2007/2008."O meu compromisso com as escolas e com os professores é abrir no próximo ano um novo concurso para professor titular, em data que ainda não é possível antecipar porque os instrumentos ainda não estão produzidos", adiantou a ministra.Cerca de 50 mil docentes do topo da carreira candidataram-se ao primeiro concurso de acesso a professor titular, cuja fase de candidaturas decorreu entre 4 e 11 de Junho.Dos 49.884 professores que concorreram à mais elevada das duas categorias em que se divide a nova carreira, 30.168 são dos 8º e 9º escalões, estando dependentes de vaga para aceder a titular.Como a tutela abriu apenas 18.563 lugares nos agrupamentos de escolas, 11.605 docentes não terão vaga, ficando assim impedidos de subir na carreira.Ao concurso candidataram-se ainda 19.716 professores do 10º escalão (o último da profissão), sendo que estes não estão sujeitos a vaga, bastando-lhes somar 95 pontos no conjunto dos diversos factores em análise.No entanto, muitos destes docentes também poderão não chegar a titular, uma vez que aquela pontuação não é fácil de alcançar, sendo mesmo impossível para um professor que não tenha desempenhado cargos nos últimos sete anos, mesmo que tenha tido uma avaliação positiva e nunca tenha faltado.Alegando a escassez de vagas e a existência de ilegalidades no aviso de abertura do concurso, a plataforma sindical de professores já avisou que iria recorrer à justiça, admitindo entupir os tribunais com milhares de processos interpostos pelos docentes que não conseguirem aceder a titular.Na entrevista de hoje à Antena 1, Maria de Lurdes Rodrigues desvalorizou, no entanto, as críticas das organizações sindicais, considerando que as mesmas não representam a opinião dos docentes."Os sindicatos protestam, mas os professores sabem que nem todos poderão passar. Uma quota de 50 por cento nas categorias do 8º e 9º escalões é muitíssimo generosa e os professores sabem isso", concluiu.

Videovigilância em todas as escolas no próximo ano lectivo

O sistema de videovigilância vai ser generalizado a todas as escolas no próximo ano lectivo, garantiu hoje a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, em entrevista à Antena 1.
Em declarações à rádio, a ministra disse que a instalação de câmaras vai permitir, sobretudo, "proteger as escolas do exterior", uma vez que se têm registado "alguns assaltos" a estabelecimentos de ensino."Para criar melhores condições de trabalho para os professores e para as escolas e um clima de maior confiança para os alunos, o que está previsto é a instalação dos sistemas de vigilância. Já era um compromisso para este ano e estamos a cumpri-lo. [O Ministério da Educação] vai criar condições para que todas as escolas possam dispor desse equipamento", disse.A generalização de circuitos de videovigilância nos estabelecimentos de ensino foi anunciada em Janeiro, na sequência de um encontro entre o Ministério da Educação e o grupo coordenador do Programa Escola Segura.Segundo um relatório da PSP divulgado no final de 2006, a criminalidade nas escolas portuguesas aumentou 15 por cento no passado ano lectivo, tendo sido efectuadas 46 detenções pelos efectivos do Programa Escola Segura, principalmente por roubo, tráfico de droga, agressões e furtos. Em Novembro do ano passado, o Governo anunciou uma reestruturação deste programa, criando uma equipa de missão que, até 2009, vai avaliar a situação de violência nos estabelecimentos de ensino e propor novas políticas de segurança.

Ministério anula uma pergunta da prova de Física e Química

O Ministério da Educação anulou uma pergunta do exame nacional de Física e Química A do ensino secundário devido à existência de um erro.
Em causa está a prova de Física e Química A–715, no item 4.2.1. Na alínea D da versão 1 e na alínea B da versão 2, a figura apresenta "uma incorrecção que inviabiliza a concretização de uma resposta correcta", segundo um comunicado da tutela.Para não prejudicar os alunos na classificação final da prova, o ministério decidiu que a nota de cada um dos estudantes que realizou o exame será multiplicada por 1,0417.Ou seja, no caso de um aluno ter 12 valores na prova, por exemplo, a sua nota final no exame será de 12,5, o que corresponde a 13 valores.Ana Rego, da Sociedade Portuguesa de Química, congratulou-se com a decisão tomada pelo Gabinete de Avaliação Educacional (Gave), salientando a rapidez no processo."Antes do meio-dia já tinha recebido um telefonema do director do Gave a avisar que a questão estava errada e que iria ser anulada", disse.

quinta-feira, junho 21, 2007

Concurso Professor Titular- Informação


No âmbito do procedimento do concurso para acesso à categoria de professor titular, esclarece-se o seguinte:
1. O prazo de candidaturas decorreu entre 4 e 11 de Junho.
2. A comissão de certificação procede à validação dos dados de cada candidatura, no período compreendido entre 12 e 25 de Junho, nos termos dos n.ºs 1 e 2 do art. 15.º do Decreto-Lei n.º 200/2007, de 22/05.
3. De 26 a 28 de Junho, decorre um período de aperfeiçoamento da candidatura.
4. Os candidatos, nesses três dias, têm acesso à sua candidatura, podendo alterar dados, validados ou não validados pela comissão de certificação, tendo em conta os elementos constantes nos respectivos processos individuais.
5. No período de 29 de Junho a 5 de Julho, a comissão procede à certificação desses dados, conforme solicitação dos candidatos.
6. Posteriormente, serão divulgadas as listas dos candidatos admitidos e excluídos.
7. Após análise das participações dos docentes excluídos, o júri elabora a lista final dos admitidos e procede à selecção e ordenação dos candidatos.
8. O Presidente do Conselho Executivo e o Director do Centro de Formação da Associação de Escolas, enquanto elementos do júri, mais próximos dos candidatos e das comissões de certificação, deverão acompanhar todos os procedimentos do concurso.

Com os melhores cumprimentos,
A DGRHE - Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação

EXAMES 2007 - História



Mais críticas ao ministério da Educação
Professores de História arrasam exame
Carolina Reis

As Associação de Professores de História criticamente fortemente os documentos apresentados como fontes e os critérios de correcção do ministério para o Grupo II do exame.
As críticas da APH-Associação de Professores de História à prova ontem realizada em todo o país, constam de um parecer a que o Expresso teve acesso, e visam, sobretudo, o Grupo II da prova. Para os professores de História, os alunos do antigo programa curricular foram prejudicados.
"Não se teve em consideração que este exame, que se destinava não só aos alunos de História A e História B, mas também, aos alunos de História do decreto-lei 286/89, de 29 de Agosto [antigo programa curricular], nunca abordaram esta temática, porque não fazia parte do programa", afirma-se no documento em jeito de conclusão. A “temática” em causa – as dinâmicas de transformação da economia de mercado nas últimas décadas – é a que consta do Grupo II da prova.
Acresce que, na opinião da APH, as fontes utilizadas, como base de resposta às quatro perguntas deste grupo, suscitam algumas dúvidas.
Os professores dão especial importância à primeira pergunta do Grupo II, que se apoia num quadro (documento 1) no qual se misturam países e regiões económicas. "[O quadro] faz referência a países numa coluna onde surgem também pólos de desenvolvimento económico correspondentes a grupos de países."
Além de identificar na coluna intitulada “países” uma região económica (União Europeia), os países identificados como “Quatro ‘Tigres’ Asiáticos” também motivam reparos. Segundo a APH, é utilizada uma “terminologia polémica, visto que a designação para os quatro países considerados como ‘Tigres’ asiáticos aparece em vários autores para designar o grupo dos quatro países correspondentes a uma fase seguinte no desenvolvimento do comércio do sudeste asiático – Malásia, Indonésia, Tailândia e Filipinas”. Ora, segundo o documento em causa, os “Quatro ‘Tigres’ asiáticos” são: “Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura”.
Mas as críticas não ficam por aqui. Com base no documento 1 do Grupo II é pedido aos alunos que apresentem “três razões justificativas do crescimento anual dos Quatro ‘Tigres’ asiáticos” quando “a fonte indica o crescimento médio por década” (1982-1992 e 1992-2002), sublinham os professores.
No conjunto das fontes apresentadas para responder à questão quatro do Grupo II, a associação considera que não foi possibilitado "o cruzamento de informação, uma vez que o relacionamento entre si é muito forçado. Torna-se difícil partir deste conjunto de documentos para chegar às conclusões pretendidas na questão". ("Explique, integrando os dados dos documentos 1 a 4, os processos de globalização da economia").
Em relação aos critérios de correcção, a associação afirma que as matrizes continuam a não explicitar as competências de avaliação. A atribuição de 60 pontos é considerada "excessiva" para o primeiro grupo.
Nas propostas de correcção da questão dois do Grupo I é criticado um dos descritores, apresentados como critério de avaliação pelo ministério, a saber, "distanciamento relativamente aos princípios anticoloniais incluídos na Carta das Nações Unidas e na Declaração Universal dos Direitos do Homem". A associação considera que é forçado e não decorre da fonte.
Os professores consideram ainda que uma parte do descritor proposto para correcção da questão quatro do Grupo II não está referida nos documentos para análise no exame. A temática do Grupo II foi considerada pela associação "pouco pertinente devido, por um lado à excessiva contemporaneidade da informação, pouco trabalhada do ponto de vista historiográfico; por outro, tratando-se do último módulo de um programa tão extenso, inibe a reflexão, o debate aprofundado e o correcto treino de competências".

quarta-feira, junho 20, 2007

SOS Professor recebeu 60 agressões a docentes só este ano

Linha telefónica de apoio aos docentes, a SOS Professor registou, só durante o ano lectivo que está prestes a terminar, mais de 60 agressões físicas a professores. Já o programa Escola Segura, registou uma diminuição de 5% no número de casos de agressões escolares, refere a TSF.
Contactada pela rádio, a SOS Professor revelou que, apesar de existir há apenas nove meses, a linha de apoio já recebeu mais de 60 chamadas de professores vítimas de agressões físicas.
De acordo com dados divulgados pelo coordenador do projecto, João Grancho, a Linha SOS Professor registou, durante o período em questão, «160 comunicações de professores de todos os distritos do país», «40% das quais tinham a ver com a agressão física».
Há mais tempo no terreno, o programa da PSP «Escola Segura» defende, no entanto, uma ligeira diminuição no número de casos de agressão, falando em cerca de 1500 ocorrências criminais, entre Setembro e Março.
Este valor, que corresponde a um decréscimo na ordem dos 5% em relação ao mesmo período do ano lectivo anterior, não esconde, no entanto, segundo o coordenador do programa, Luís Elias, a gravidade dos crimes mais habituais, nomeadamente «ofensas à integridade física, furtos e roubos».
«Na sua maioria, como estamos a falar de ocorrências no exterior dos estabelecimentos de ensino, são agressões dirigidas aos alunos» e «cometidas por indivíduos na sua maioria estranhos ao ambiente escolar», frisou Luís Elias.
18-06-2007 12:40:33

Exames: Professores de Português criticam prova do 12º ano

A Associação de Professores de Português (APP) criticou hoje o exame nacional do 12º ano à disciplina, considerando que a prova não avalia a maior parte dos objectivos do programa e descura, em particular, os conhecimentos de Gramática.
Para a APP, a prova realizada hoje, na qual estavam inscritos cerca de 67 mil alunos, acabou por ser pobre a nível das competências avaliadas, incidindo demasiado na interpretação de texto e negligenciando outro tipo de conhecimentos.
«O exame acaba por não avaliar a maior parte dos objectivos do programa. Ficam de fora conhecimentos tão importantes como a oralidade e a Gramática, o que é um aspecto muito negativo», disse à agência Lusa Paulo Feytor Pinto, presidente da associação.
Na opinião do responsável, a avaliação da Gramática foi negligenciada devido à polémica em torno da TLEBS, a nova terminologia linguística que em Abril foi suspensa no ensino básico devido à existência de erros e imprecisões científicas, mas que continuou a vigorar no secundário.
Envolta em polémica, a nova terminologia, aprovada pelo Ministério da Educação em 2004, devia ter começado este ano lectivo a ser aplicada de forma generalizada nas escolas, mas muitos professores acabaram por não ensinar os novos termos, continuando a leccionar a antiga nomenclatura.
Para resolver o problema, o Ministério da Educação emitiu um ofício em Janeiro, ainda antes da TLEBS ser suspensa no básico, para determinar que as perguntas relacionadas com a Gramática no exame do 12º ano deviam ser elaboradas e corrigidas de forma a admitir igualmente as respostas dadas por alunos que aprenderam a nova terminologia e pelos que não a deram.
No entanto, a prova hoje realizada acabou por não incluir perguntas específicas sobre Gramática, uma lacuna que a APP considera ser uma forma «de o Ministério da Educação fugir com o rabo à seringa».
«A forma como o ministério geriu a TLEBS foi muito atabalhoada e foram dadas orientações algo vagas. Por isso, devem ter optado por não fazer uma avaliação efectiva dos conhecimentos da gramática. Compreendemos as razões, mas não concordamos [com a decisão da tutela]», afirmou Paulo Feytor Pinto.
Defensora da realização de provas orais a Português, a par de exames escritos, a APP critica ainda que, todos os anos, os conhecimentos relacionados com a oralidade continuem sem ser testados.
«Basicamente, são avaliados os conhecimentos relacionados com saber ler e saber escrever. Já saber ouvir e saber falar são competências essenciais que não são testadas porque os exames orais dão muito trabalho e são muito dispendiosos», lamenta o responsável da associação.
Diário Digital / Lusa
18-06-2007 15:15:23

Exames: Professores de Português criticam prova do 9º ano

A Associação de Professores de Português (APP) criticou esta terça-feira o exame nacional do 9º ano à disciplina, lamentando que a prova não tenha abordado nenhuma das obras literárias obrigatórias no final do terceiro ciclo.
Cerca de 107 mil alunos do 9º ano realizaram hoje o exame de Língua Portuguesa, uma prova que não testou os seus conhecimentos relativamente a «Os Lusíadas», de Luís Camões, e à obra de Gil Vicente, que ocuparam grande parte das suas aulas durante este ano lectivo.
«Devia ter aparecido pelo menos uma pergunta sobre uma das duas obras literárias», defendeu Paulo Feytor Pinto, presidente da APP, criticando ainda a parte da prova destinada a testar a elaboração de respostas de desenvolvimento, uma «tarefa que foi demasiado facilitada aos estudantes».
O problema, explicou, reside nas instruções dadas para a elaboração das respostas que os docentes de Português consideram «pouco correctas», adiantando que referem «exactamente o que os alunos têm de saber e aquilo que se pretendia avaliar».
Ainda assim, a APP considera que a prova do 9º ano «é melhor» do que o exame nacional do secundário, realizado segunda-feira, que mereceu críticas duras por parte dos professores, por não avaliar a maior parte dos objectivos do programa e descurar, em particular, os conhecimentos de gramática.
«No exame do 9º ano, a gramática não foi deixada de fora, nessa perspectiva, é sem dúvida melhor», disse o presidente da associação.
A par da prova de Matemática, que se realiza quinta-feira, o exame nacional de Língua Portuguesa do 9º ano é obrigatório para a conclusão do ensino básico, sendo as pautas afixadas a 11 de Julho.
Em apenas 90 minutos, os alunos testaram hoje conhecimentos relativos a toda a matéria leccionada ao longo dos três anos do terceiro ciclo.
No ano passado, 46 por cento dos estudantes teve negativa no exame de Língua Portuguesa, uma percentagem de reprovações muito superior à registada em 2005, quando houve 33 por cento de chumbos na prova.
Os dois exames valem 30 por cento da classificação final das duas disciplinas, sendo cotados numa escala de zero a 100, depois convertida em notas de um a cinco.
Diário Digital / Lusa
19-06-2007 15:51:22

Juventude Popular pede demissão da ministra Lurdes Rodrigues

A Juventude Popular (JP) pediu hoje a demissão da ministra da Educação, acusando Maria de Lurdes Rodrigues de autismo, prepotência, injustiça, mentira, falta de rigor, arrogância e incompetência.
«A demissão da ministra é inevitável neste Estado democrático. Queremos mais rigor, consequência nos actos e liberdade», sublinha a comissão política nacional da JP, em comunicado.
A estrutura autónoma do CDS-PP denuncia «sete pecados políticos» cometidos pela ministra da Educação.
Em primeiro lugar, a JP acusa Maria de Lurdes Rodrigues de ter agido com autismo, «sem escutar devidamente os agentes educativos».
Por outro lado, a JP acusa a ministra de prepotência, que considera ter ficado clara no caso do processo disciplinar instaurado ao professor Fernando Charrua por alegadamente ter insultado o primeiro-ministro e na recente expulsão da Associação dos Professores de Matemático no processo de avaliação da área.
«A liberdade de expressão, contemplada na constituição, jamais poderá ser posta em causa e muito menos limitada por representantes do Ministério que assim respondem a uma discordância formal«, salienta o comunicado.
A JP acusa ainda Maria de Lurdes Rodrigues de injustiça, pela decisão de, no ano lectivo 2005/2006, autorizar a repetição dos exames de Física e Química, agora declarada inconstitucional pelo Tribunal Constitucional.
Mentira, falta de rigor, arrogância e incompetência são os outros pecados que a Juventude Popular aponta à ministra da Educação e que considera terem apenas uma conclusão.
«Só podemos chegar à conclusão que a incompetência impera e necessita de ser extirpada (...) Queremos a demissão de Maria de Lurdes Rodrigues!», conclui a JP, estrutura liderada por Pedro Moutinho.
Diário Digital / Lusa
19-06-2007 18:04:00

Quatro em cada 10 alunos do 6º ano com negativa a Matemática

Quatro em cada dez alunos do 6º ano tiveram nota negativa na prova de aferição de Matemática, a que registou os piores resultados, segundo dados divulgados hoje pelo Ministério da Educação (ME).
Nessa prova, 41% dos alunos obteve «Não Satisfaz», dos quais 6,6% tiveram a nota mais baixa, alcançando o nível 1, numa escala até cinco valores, o que equivale a uma classificação entre os zero e os 20%.
Os resultados desta prova levaram o Governo a anunciar esta quarta-feira que o plano de acção lançado há um ano para melhorar o desempenho dos alunos do 3º ciclo à disciplina será alargado, «com carácter obrigatório e urgente», ao 2º ciclo no próximo ano lectivo.
Já na prova do 4º ano os resultados foram mais animadores, uma vez que a percentagem de notas negativas (19,7%) é menos de metade da verificada no segundo ciclo. Enquanto a prova de Matemática do 6º ano é a que regista a maior percentagem de notas mais baixas, a do 4º ano é a que apresenta o maior número de «Muito Bons», com 10% dos alunos a alcançar os cinco valores.
Na Língua Portuguesa, os resultados não evidenciam discrepâncias significativas entre os dois anos de escolaridade, com as notas concentradas mais próximo da média. Entre os alunos do 6º ano, 85% obteve nota positiva, um resultado alcançado por quase 90% dos colegas do 4º ano.
Apesar de divulgar hoje as notas das provas de aferição, por percentagem, o ME recusou adiantar as médias nacionais às duas disciplinas. Nos dados divulgados, a tutela também não especifica o desempenho dos alunos nas diferentes competências que estavam a ser testadas, uma informação que será analisada nos cerca de 30 mil relatórios que o Ministério vai elaborar por turma e por escola.
A partir desses documentos, que serão enviados aos estabelecimentos de ensino no princípio de Outubro, os professores vão poder avaliar as competências em que os alunos demonstram mais dificuldades e orientar, nesse sentido, a sua prática lectiva a partir do próximo ano lectivo.
Cerca de 250 mil alunos dos 4º e 6º anos realizaram no final de Maio as provas de aferição a Língua Portuguesa e Matemática, testes que não contam para nota, mas que, pela primeira vez, foram aplicados universalmente e não apenas a uma amostra dos estudantes.
Diário Digital / Lusa
20-06-2007 20:48:00

Plano de acção de Matemática alargado ao 2º ciclo

O plano de acção criado pelo Ministério da Educação para melhorar os resultados a Matemática no 3º ciclo vai ser alargado ao segundo ciclo, já no próximo ano lectivo, anunciou esta quarta-feira a ministra Maria de Lurdes Rodrigues. Segundo a tutela, os resultados das provas de aferição realizadas no 4º e 6º anos mostram que a prova de Matemática do 2º ciclo foi a que registou o pior desempenho por parte dos alunos.
«Estas provas confirmam as preocupações com o ensino e a qualidade das aprendizagens da disciplina de Matemática e, portanto, a necessidade de alargar ao segundo ciclo, com carácter obrigatório e urgente, o Plano de Acção para a Matemática», anunciou a ministra da Educação, em conferência de imprensa.
Com o objectivo de melhorar as notas dos alunos na disciplina habitualmente mais temida por todos, o ministério lançou há um ano um plano de acção que envolveu cerca de 293 mil alunos do 3º ciclo, em 1070 escolas e agrupamentos. No âmbito deste plano, que conta com um orçamento global de nove milhões de euros até 2009, as escolas apresentaram à tutela projectos de melhoria dos resultados à disciplina, com metas definidas e quantificadas a três anos.
A contratação de peritos de universidades, o recrutamento de mais docentes de Matemática para reforçar o apoio aos alunos e o aumento do número de horas dedicado à disciplina foram algumas das soluções encontradas pelos estabelecimentos de ensino e viabilizadas pelo ministério, que não autorizou, contudo, a diminuição do número de estudantes por turma, uma das principais solicitações das escolas.
Para apresentarem à tutela projectos de melhoria de resultados, as escolas terão de analisar o desempenho dos alunos do 6º ano nas provas de aferição realizadas em Maio, cujas notas são já do conhecimento dos estabelecimentos de ensino desde o início da semana, sendo afixadas quinta-feira.
No princípio de Outubro, o Ministério da Educação vai ainda entregar cerca de 30 mil relatórios por turma e por escola, nos quais serão especificadas as competências em que os alunos demonstram mais dificuldades.
De acordo com a ministra, a elaboração desses documentos vai permitir «avaliar elementos estruturais do sistema de ensino, tais como programas, manuais escolares e formação de professores».

terça-feira, junho 19, 2007

Cursos profissionais reforçados para combater o abandono escolar


O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou hoje, em Torres Novas, um reforço substancial dos cursos profissionalizantes para o ensino básico e secundário, numa aposta que visa combater o insucesso e o abandono escolar.
Na apresentação dos cursos do programa Novas Oportunidades para o próximo ano lectivo, José Sócrates explicou que o objectivo final do Governo é que metade dos alunos opte por este tipo de ensino, cumprindo as recomendações da OCDE nesta matéria.Segundo o primeiro-ministro, o aumento do número total de alunos nas escolas que se verificou no ano passado deve-se ao regresso de muitos jovens ao ensino através destes cursos, um resultado que inverte uma tendência de dez anos em que existiam cada vez menos jovens a estudar nestes escalões. "São mudanças muito difíceis de aceitar", que não foram executadas pelos governos anteriores porque "só produzem resultados a longo prazo", disse José Sócrates, salientando que esta alteração é decisiva para o futuro de Portugal."Nenhum país pode competir na primeira linha da economia global se apenas tiver 30 por cento" da população com o 12º ano, afirmou.Nesse sentido, é responsabilidade do Governo fazer "a promoção desses cursos profissionais e tecnológicos" de modo a que haja "procura" para a oferta agora apresentada."É muito importante que os jovens saibam que têm esta oportunidade", afirmou José Sócrates, instantes depois de ter entregue manuais com a oferta existente a finalistas do 9º anoNos cursos profissionalizantes "a taxa de insucesso e abandono escolar é muito menor" porque os alunos sabem que saem da escola com uma certificação profissional que "os habilita para o mercado de trabalho", sublinhou o primeiro-ministro.Ministra fala em "revolução silenciosa e tranquila"Na cerimónia também esteve presente a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que considerou o reforço do número de cursos "uma revolução silenciosa e tranquila" nas escolas que estão a adaptar "a sua oferta formativa às expectativas dos jovens e das suas famílias".Trata-se de "um processo lento e por vezes doloroso", para o qual tem contribuído "o empenho e motivação" da comunidade escolar, defendeu. No entanto, para completar este esforço, o Governo tenciona investir nos próximos anos na "modernização dos espaços e equipamentos das escolas" e alargar também "a cobertura da acção social escolar" no secundário."Temos de ter a garantia que nenhum aluno fica de fora [do sistema] por razões sociais e económicas", sustentou a ministra.Para o próximo ano lectivo, o número de cursos profissionais, tecnológicos, de aprendizagem e de educação e formação aumenta para 5000, mais 1700 do que no ano passado e o dobro do que em 2005/06.Segundo o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, em cada escola, "a quase totalidade dos alunos do ensino secundário e básico poderá optar por um curso profissionalizante que o habilita para o mercado de trabalho"."Todos os jovens terão a oportunidade de seguir os estudos [com vista à universidade] ou tirar um curso secundário para obter uma certificação profissional de nível 3", garantiu o secretário de Estado, salientando que estas opções existem "praticamente em todas as escolas do país".


Provas criticadas pela sua facilidade

Associação dos Professores de Português (APP) acusa o Ministério da Educação de "ter escolhido o caminho mais fácil" nos exames nacionais da disciplina - primeira fase -, realizados ontem, onde se inscreveram cerca de 67 mil alunos. Contactado pelo DN, Paulo Feytor Pinto, presidente da APP, diz que a prova -já de si "limitada" em termos de conteúdos, por se destinar a estudantes de dois programas distintos - deixa de fora a análise dos conhecimentos gramaticais obtidos pelos alunos ."Há um grupo de perguntas que se apresenta a si próprio como sendo de apreciação do conteúdo de gramática, mas que na prática quase não incide sobre essa área", considera.Para Paulo Feytor Pinto, o objectivo dessa omissão terá sido "evitar problemas" relacionados com os novos termos gramaticais (TLEBS) - que, apesar de suspensos no ensino básico, já estão presentes nos programas de Português do secundário, pelo que poderiam surgir nas provas. "Digamos que essa estrada [incluindo questões de gramática] era mais sinuosa e parece ter-se optado pelo caminho mais fácil. Só que essa 'estrada' fazia parte do programa".Outro aspecto a contribuir para serem avaliados "muito poucos conteúdos" programáticos é o facto de este ano o Ministério da Educação ter optado por um "exame único" (prova 639) para os alunos dos programas de 1989 e 2001: "A oralidade [prevista no programa mais recente] ficou de fora e mesmo na escrita só é aplicado o que era comum aos dois programas, com limitações, nomeadamente, ao nível dos autores abordados". Contactado pelo DN, o responsável pelo gabinete de comunicação do Ministério, Rui Nunes, não quis comentar estas críticas.15% dos alunos faltaramCerca de 15% dos 67 mil alunos inscritos nas provas de Português de ontem acabaram por não comparecer. De acordo com dados recolhidos pelo Júri Nacional de Exames (JNE), foi na região Açores que a afluência às provas foi maior: 90% dos 1347 inscritos marcaram presença. Já na Madeira, a taxa de participação não ultrapassou os 82%, correspondentes a 1820 alunos. Nas três maiores regiões educativas -Norte, Centro e Lisboa e Vale do Tejo, responsáveis por mais de 60 mil inscritos nos exames de Português, o nível de presenças oscilou entre os 84% e os 85%, com o Algarve nos 83%.Ontem realizaram-se ainda provas de Filosofia (só para alunos auto-propostos, com cerca de 8 mil inscritos) e de Geologia (pouco mais de 3 mil).Ao longo das próximas semanas, cerca de 280 mil estudantes do ensino básico (9.º ano) e secundário participam nos Exames Nacionais que, no caso dos mais velhos, podem também ser utilizados como provas de ingresso no superior.Cerca de 107 mil alunos do 9.º ano fazem esta manhã as provas de Português seguindo-se, na quinta-feira, os temidos exames de Matemática. No Secundário, às 09.00, 11.30 e 15.00 de hoje têm lugar exames de Inglês, Desenho A, Biologia e Geologia, Literatura Portuguesa e História.

domingo, junho 17, 2007

Um dia por Lisboa

UM DIA POR LISBOA
Fazer e Não Fazer
Teatro São Luiz, 19 de Junho


“Ninguém poderá conhecer uma cidade se não a souber interrogar,
interrogando-se a si mesmo”
José Cardoso Pires

Envolta numa ‘crise de destino’, a nossa Lisboa encontra-se num momento de encruzilhada. Todos sentimos como tem sido crescente a distância entre os espaços da política e os espaços da cidade – e os espaços da cidadania. Todos sentimos, também, que estes deveriam andar bem mais próximos.

Na próxima Terça-Feira, dia 19 de Junho, no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, ao Chiado, decorrerá uma sessão contínua (das seis da tarde à meia-noite) de expressão da cidadania. Convidámos vários cidadãos, entre eles alguns peritos, para virem falar sobre o que SE DEVE FAZER, e o que acham que absolutamente NÃO SE DEVE FAZER em Lisboa.

Cada convidado terá um máximo de dez minutos para fazer a sua declaração. Entre cada bloco de quatro ou cinco declarações será feito um ponto de situação/resumo das intervenções, por elementos do grupo coordenador. As intervenções estarão balizadas por cinco grandes temas:
Respirar (Ambiente e Paisagem), Relacionar (Vida Urbana e Quotidiano), Mover (Mobilidade e Estacionamento), Projectar (Urbanismo, Construção e Reabilitação) e Governar (Administração, Transparência e Participação).

Em simultâneo, convidamos todos os cidadãos residentes e utentes de Lisboa para virem também dizer o que FAZER E NÃO FAZER nos “speakers-corner”, cabines com sistema de gravação, que serão instalados no S. Luiz. Os depoimentos de especialistas e de cidadãos serão posteriormente tratados, sistematizados e divulgados. Poderão também ser vistos na PF tv (http://pftv.sapo.pt).
Do grupo que promove e coordena a iniciativa fazem parte nomes como: António Câmara, Alberto Lopes, Elisa Vilares, Isabel Peres Gomes, João Seixas, Jorge Barreto Xavier, José António Pinto Ribeiro, José Calisto, Lia Vasconcelos, Leonor Cintra Gomes, Luísa Schmidt, Nuno Artur Silva, Pedro Almeida Vieira, Pedro Matos e Rui Tavares.

Este grupo de cidadãos de Lisboa, não vinculado a qualquer das actuais candidaturas, pretende provocar discussões abertas, desmistificadoras e – sobretudo – motivadoras, em torno da nossa condição de cidadãos de uma cidade tão fascinante, intrigante, desejada e mal tratada. Assim, promove a sua primeira iniciativa – colectiva – em plena maré do período eleitoral, ciente de que compete a todo o cidadão, o direito e a responsabilidade de pensar e de actuar sobre a sua cidade. Sendo direito e responsabilidade permanentes, outras iniciativas se seguirão, no futuro.

Em breve divulgaremos a lista dos intervenientes.

sexta-feira, junho 15, 2007

Professores angustiados pela incerteza


Sara R. Oliveira 2007-06-15

Docentes incapacitados para dar aulas obrigados a concorrerem a serviços públicos, com excepção de escolas. FENPROF fala em "profundo desrespeito" por parte da tutela.
A chamada reconversão profissional dos docentes incapacitados para dar aulas, exposta no Decreto-Lei n.º 224, de Novembro de 2006, está a gerar um clima de incerteza nos professores que se encontram nessa situação. As escolas também não passam imunes a este cenário e a Federação Nacional de Professores (FENPROF) já abordou o assunto com o Ministério da Educação. "Estes colegas estão a ser tratados com um profundo desrespeito. Estão numa situação de grande incerteza e têm de concorrer a serviços sem que haja uma lista de ofertas", afirma Mário Nogueira, dirigente da FENPROF. Além disso, o responsável considera que há "uma posição completamente cega às situações concretas dos professores". "Esta incerteza, que se arrasta há tanto tempo, vai criar uma vontade de se irem embora, quando alguns professores estão ainda a meio do seu percurso profissional.""Estes docentes não podem dar aulas devido a problemas graves - desde não poderem estar de pé, a problemas vocais ou a estarem sujeitos a longos tratamentos -, mas são responsáveis pela informatização das escolas, acompanham os estudos dos alunos, estão nas bibliotecas", realça. "São professores que fazem falta às escolas que não têm outros professores para fazerem este trabalho". Mário Nogueira aponta um caminho: "A solução passa por esses professores se manterem nas escolas em trabalhos que não exigem qualquer reconversão porque é o que já fazem."O Decreto-Lei n.º 224/2006 estipula que os docentes incapacitados para darem aulas têm um prazo de 18 meses para a sua reconversão. Se a junta médica os considerar incapazes para a docência, ou pedem a reforma antecipada ou licença sem vencimento. Segundo a legislação, "o docente declarado incapaz para o exercício de funções docentes é convidado a manifestar preferências para o desempenho de funções não docentes, por carreira ou categoria, serviço ou organismo público e respectiva localização geográfica, através de formulário próprio, pelo prazo de 15 dias úteis a contar da sua notificação pela escola".Incapacitada para dar aulas, mas com capacidade para a actividade pedagógica. No início do ano, Lurdes Pacheco foi a uma junta médica que confirmou a sua incapacidade para dar aulas. As novas regras chegaram da Direcção Regional de Educação do Norte. "Mandaram-nos concorrer a todos os serviços públicos que quiséssemos, com excepção de escolas." A docente candidatou-se aos 18 lugares disponíveis para juntas de freguesias, museus e bibliotecas. Em meados deste mês, terá resposta às candidaturas apresentadas. Caso haja um serviço que a recrute, essa instituição terá de assegurar o mesmo ordenado que recebe como docente. Se não, tem de inscrever-se na bolsa de empregos públicos da Internet. "Ao fim de 90 dias, se nenhum serviço público nos quiser, temos 20 dias para pedir a aposentação antecipada ou ficar com licença sem vencimento." "Nunca pensei que isto pudesse acontecer. Até pensei que era inconstitucional. Sinto que não consigo dar aulas, mas acho que estou a fazer um trabalho válido", desabafa.Lurdes Pacheco completa 37 anos de docência a 30 de Setembro deste ano. Com o diagnóstico de um problema cardíaco, que faz com que se canse com muita facilidade e não consiga falar alto para uma turma, chegou a incapacidade para dar aulas. Há dois anos lectivos que a professora de Português e História acompanha os alunos com problemas de aprendizagem na sala de estudo da EB 2,3 de Leça da Palmeira. Acompanha ainda os alunos que estão em risco de abandono escolar, bate à porta das famílias, faz a ligação com a própria escola, é tutora de dois alunos, apoia visitas de estudo, trabalha competências sociais de estudantes. Um trabalho feito em articulação estreita com a psicóloga do estabelecimento de ensino. "Tento motivá-los a conhecer outros mundos." Emília Moreira, professora de Português e Francês, passou pelo mesmo percurso da colega com quem partilha a sala de estudo da EB 2,3 de Leça da Palmeira. Concorreu a vários serviços públicos e aguarda resposta. Um problema oncológico, detectado em Janeiro de 1990, revirou-lhe a vida. Ainda voltou a dar aulas, com redução de horário, mas a doença não a deixou sossegada. Sentia-se debilitada, a memória foi perdendo capacidades. Não teve alternativa: foi dada como incapaz para dar aulas. Desde 2001, acompanha os alunos na sala de estudo e os estudantes estrangeiros que chegam ao estabelecimento de ensino.As novas regras desorientaram-na. "Sinto-me muito mal, ando completamente desnorteada, nervosa. Não sei o que me vai acontecer", confessa. "Concorri ao Hospital de Matosinhos, para fazer o quê? Qual o organismo que me quer nestas condições?", questiona. "Mandam-nos concorrer, mas nem sequer nos dizem onde há lugares." O desalento é evidente. "Não trabalho como as colegas que têm turmas, mas estou 35 horas na escola e realizo as tarefas que me são designadas. Não estou sem fazer nada", afirma

FENPROF promoveu entrega de manifesto para sensibilizar autarcas

A Federação Nacional de Professores (FENPROF) promoveu hoje, no arranque do XVII Congresso da Associação Nacional de Municípios, nos Açores, a entrega de um manifesto para sensibilizar os autarcas para a tentativa de municipalização do ensino em Portugal
O secretário-geral da FENPROP, Mário Nogueira, adiantou à agência Lusa que este encontro de autarcas é «um espaço privilegiado para o debate e para a apresentação de pontos de vista», acrescentando fazer todo o sentido aproveitar a ocasião para «mais uma vez» expor o ponto de vista da classe docente.O documento entregue aos presidentes de câmara, reunidos em Ponta Delgada até sábado, resulta da declaração do seminário que a FENPROF realizou no início do mês, e que deixa no ar a pergunta: «Municipalização, até onde?».Mário Nogueira salientou que a FENPROF «rejeita completamente» a transferência de qualquer competência para os municípios relativa ao pessoal docente, nomeadamente no que diz respeito ao recrutamento, salários, carreira, avaliação de desempenho ou exercício da acção disciplinar.«Trata-se de uma actividade pedagógica específica que deve estar sempre na dependência de um ministério», afirmou o dirigente sindical.Segundo disse, a transferência de competências para o poder local, no domínio da Educação, deve sempre prosseguir o objectivo de melhorar a resposta da escola pública, mas acompanhada das condições financeiras adequadas à sua concretização.Para esta tarde a FENPROF tem agendada uma conferência de imprensa, em Ponta Delgada, onde irá expor mais em pormenor a sua posição face à intenção do Governo da República tencionar transferir competências para as autarquias.

Lusa/SOL

Quando é que acaba esta palhaçada?????


Margarida Moreira: um case-study do socratismo (2)




Margarida Moreira, a responsável da DREN que instaurou um processo disciplinar a Fernando Charrua por ter feito uma piada sobre José Sócrates, é um Estudo de Caso. Andou a fazer queixinhas e agora, zás. Feitiço contra feiticeiro. Leva acusações também. Segundo o Expresso, o presidente da Câmara Municipal de Vieira do Minho, o padre Albino Carneiro, queixou-se a Cavaco Silva de ter sido alvo de “enxovalhos” por parte da responsável da DREN que, durante uma reunião de trabalho, o mandou “voltar para a sacristia” pelo menos 15 vezes. Para quem exige tanto tento na língua, não está nada mal.Mas esta senhora, que em vez de ter sido demitida foi premiada por ser uma delatora e reconduzida no cargo (saiu terça-feira no Diário da República), tem mais história. Conta o referido jornal que, três dias após ter aplicado da sanção a Charrua, a excelentíssima directora participou numa homenagem a um professor de ginástica onde terá feito uma piada sobre o primeiro- -ministro. Margarida Moreira terá usado o programa ‘Novas Oportunidades’ para admitir a possibilidade de o primeiro-ministro resolver o problema da sua licenciatura. Está visto. Margarida Moreira é estilo bombeiro pirómano. Claro que depois de tanto exercício de autoridade e tanta demanda de rigor, não escapa ao escrutínio (e bem) dos jornalistas. Pelos vistos a senhora directora reduziu o horário de trabalho dos seus assessores e juristas. Em vez das legalmente obrigatórias 35 horas semanais, a carga destes é de apenas 25 horas.
Por Joana Amaral Dias.

Circe e Medusa


Circe e Medusa
José Ricardo Costa




Considero-me uma pessoa normal. Tenho televisão, telemóvel, gosto de bacalhau assado com batata a murro, faço praia, tenho o cartão Modelo, vejo os jogos da selecção, conheço as marcas de automóveis. Mais normal do que isto acho difícil.
Sendo professor em Portugal, posso mesmo considerar-me, dentro do possível, uma pessoa bem-disposta e equilibrada. Mas, esteticamente falando, talvez por ser professor em Portugal, posso dizer que tenho gostos um pouco bizarros.
Seja na literatura, no cinema, na pintura, na fotografia, sou um apreciador do horrível maravilhoso, daquilo que ficou conhecido por locus horrendus. Adoro os jazigos dos cemitérios, os ciprestes banhados por uma coada luz outonal, o pio do mocho, o sibilar do vento numa velha mansão abandonada, a lua cheia ofuscada pelo nevoeiro nocturno de um bosque.
É por isso que gosto dos poemas de Herculano. Deleito-me mais com a "Cruz Mutilada" do que a ouvir o António Vitorino à segunda-feira.
Ainda ontem li dois contos do Nataniel Wawthorne. Belos contos, passados nos ambientes lúgubres da puritana Nova Inglaterra do século XIX, com aqueles colonos vestidos de preto, eternamente culpados pela danação do pecado original. Estão na América, mas poderiam estar nos quadros de Munch, de Caspar David Friederich ou de Böcklin.
Sinto mesmo uma atracção por figuras pérfidas e malignas, sobretudo mulheres. Arrepio-me só de pensar nelas, mas sinto um inexplicável fascínio pelas vingativas Erínias. Ou divirto-me com as maldades de Hera, motivadas pelo espírito ciumento perante as adúlteras tropelias de Zeus.
Gosto delas más, seja na ficção ou na vida real. Gosto de Lady Macbeth, de Lucrécia Bórgia, de Salomé, da Condessa Bathory.
E a Juliana do Primo Basílio? Uma das mulheres mais odiosas de toda a história da literatura. Bem mais do que Carolina Salgado para um sócio do FCP. Mas é isso que a torna interessante. Pobre Luísa, a boazinha Luísa. É Juliana o verdadeiro centro da obra.
E aquelas lascivas e pálidas vampiras do Drácula de Bram Stoker, sedentas de sangue fresco? E a Ofélia pintada por Millais que tem tanto de angélico como de tétrico, e que a qualquer momento se pode erguer para nos vir beijar com os lábios da morte?
Não sei como explicar isto, mas preferia ser drogado por cinco pré-rafaelitas do Waterhouse e ficar à mercê dos seus inefáveis caprichos, do que jantar com a Edite Estrela no Papa Açorda.
Verdade seja dita, eu só digo tudo isto porque estamos no território da imaginação. Uma das vantagens da imaginação é o facto de nos podermos evadir para um mundo cheio de perigos e horrores e do qual saímos sem um arranhão, em vez de ficarmos condenados a acordar de manhã para enfrentar turmas de 27 alunos que não querem aprender o que lhes queremos ensinar.
O problema é que nem sempre é clara a fronteira que separa a imaginação da realidade. Eu consigo perceber o que sentiriam muitos gregos, só de pensarem que poderiam ir parar à ilha de Circe ou olhar para o rosto de Medusa.
E essa é uma das grandes virtudes da mitologia e da ficção. De um modo quase expressionista, ajudarem-nos a perceber o que às vezes está mesmo à frente dos nossos olhos sem nos apercebermos.
Está a ver aquela cena do "Shining" na qual o Jack Nicolson abraça uma bela e elegante mulher que sai da banheira e só depois se apercebe que se trata de uma horripilante e sulfurosa bruxa?
É neste sentido que, ainda que vivamos no Portugal tecnológico e simplex do século XXI, ninguém pode dormir descansado. Temos de estar de olhos bem abertos para não sermos vítimas de um sangrento e maléfico destino.
É verdade que não sou Dánae para ter medo de Hera. Não cometi qualquer crime de sangue para temer o assédio das Erínias. Não sou João Baptista para ter medo de Salomé. Não sou uma virgem de pele cálida e veias azuis para ter medo da Condessa Bathory.
Mas sou professor em Portugal e tenho medo de Circe e de Medusa. Circe, na sua ilha transformava os homens em porcos. Medusa transformava em pedra quem para ela olhasse.
Que Deus nos proteja.

Ministra irá "em breve" ao Parlamento

Dn-online de 15/06/07
O PS considera que estão agora "reunidas as condições" para a ministra da Educação ir ao Parlamento prestar esclarecimentos sobre o caso Fernando Charrua. Luiz Fagundes Duarte, coordenador socialista na comissão parlamentar de Educação, diz que Maria de Lurdes Rodrigues deverá ser chamada à Assembleia da República "muito em breve" - recorde-se que a oposição tinha já exigido a presença da titular da Educação no Parlamento, uma pretensão que o PS remeteu para depois de concluído o processo de inquérito.Sobre a sanção de suspensão proposta para o professor de inglês, que terá alegadamente insultado o primeiro-ministro, o parlamentar socialista não quis pronunciar-se, dizendo apenas partir do princípio de que o "inquérito terá sido feito com todos os critérios de isenção". Entre os partidos da oposição, o caso é definido numa palavra: "Preocupante." "Estamos perante uma situação de grande desproporção, de intolerância e de prepotência do Governo", acusa o deputado do PCP João Oliveira, sublinhando que o Executivo "parece assumir" as atitudes da responsável da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) "sem que isso constitua um factor de constrangimento". "Todos os funcionários públicos ficarão com este risco pendente sobre as suas cabeças", defende Cecília Honório. Para a deputada bloquista adensa-se a suspeita de que o caso Fernando Charrua se traduz numa "sanção por delito de opinião". Pelo que questiona: "Agora, os funcionários públicos ficam sujeitos a isto? A um delator que faça uma delação junto de um comissário político?". Sublinhando que há contornos deste caso ainda por esclarecer, José Paulo Carvalho (CDS) defende que a acusação ontem conhecida mais não faz do que vir confirmar um "juízo pré-determinado" da DREN - já patente no "despacho de suspensão que depois foi revogado". O deputado sublinha igualmente que todo o caso "resulta de uma delação", exigindo explicações da ministra e também de José Sócrates - "É importante que o primeiro-ministro diga se há ou não ofensa pessoal e se vai ou não participar criminalmente o caso." Já o PSD remeteu comentários para mais tarde.

"DREN estimula bufaria"


Hermana Cruz/JN
A frase da polémica, afinal, parece ter duas versões. A primeira é a apresentada pelo denunciante de Fernando Charrua "Estamos num país de bananas, governados por um 'f. da p.' de um primeiro-ministro"; na segunda versão, escrita no despacho de acusação da DREN, lê-se assim: "Somos governados por uma cambada de vigaristas e o chefe deles todos é um 'f. da p.'".Mas a polémica não se fica pela semântica. Ontem, ficou a saber-se que o instrutor do processo disciplinar movido pela Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) ao professor de inglês do Porto, propõe a suspensão daquele docente por ter demonstrado "um grave desinteresse pelo cumprimento dos deveres gerais de lealdade e correcção".Fernando Charrua insiste, porém, que só fez uma piada sobre a licenciatura de Sócrates e acusa a directora da DREN e o Governo de "perseguição política". Foi o próprio Charrua quem revelou parte das duas páginas da acusação, numa conferência de Imprensa à porta da escola Carolina Michäelis, onde está destacado desde que foi suspenso preventivamente em finais de Abril. "É a coisa mais ridícula que se pode imaginar", sustentou.Na nota de culpa, o instrutor do processo disciplinar, José Paulo Pereira, conclui que o professor de inglês agiu "livre e conscientemente", propondo assim a sua suspensão definitiva (ver caixa). "É inacreditável! Como é que um assunto que não é do serviço dá uma pena e suspensão, que é uma pena gravíssima na função Pública?", questiona-se Charrua."Desonestidade""Fui vítima de meticulosa criação de uma situação, urdida em local alheio à DREN", alega o professor, garantindo que não insultou o primeiro-ministro, como sustenta a acusação, e que só disse uma anedota, num gabinete da DREN. "A senhora directora transportou uma conversa de um restaurante onde eu estive e passou-a para o dia anterior. Isso é da maior, para não dizer aldrabice, desonestidade que um dirigente pode ter", diz. Daí que Charrua classifique a nota de culpa de "delação" e "bufaria, que a senhora directora regional protege, agradece e estimula".O professor acusa ainda Margarida Moreira de ter interferido no processo disciplinar. "Esta intervenção ilegal e abusiva não faz mais do que reforçar a perseguição de que tenho vindo a ser alvo e a inefável percepção que tenho desde o início de que, custe o que custar, tenho de ser punido e saneado, porque sou um elemento incómodo para a senhora directora regional e, também, para o Governo", remata.

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quinta-feira, junho 14, 2007

Javier Urra: “O pequeno ditador é alguém que aprendeu que pode impor a sua vontade e que entende que o outro não vale nada”


Sara R. Oliveira 2007-06-14

Para o autor do livro O Pequeno Ditador, limites e regras são fundamentais na educação. Saber dizer não pode ser o primeiro passo para que não passem a ser os mais pequenos a mandar lá em casa.
Javier Urra, psicólogo forense no Ministério da Justiça espanhol, já foi provedor de menores em Espanha e vê agora o seu livro transformado num verdadeiro best-seller. Em Portugal, já vendeu cerca de 20 mil exemplares e já vai na quarta edição. Em Espanha o sucesso ainda é maior, já com 180 mil livros vendidos. A razão de ser desta obra é simples - ajudar os pais a controlarem e evitarem que os seus filhos se transformem em pequenos ditadores. Talvez assim se deixem de ouvir lamentos como o que o autor lembrou: «Já não posso com o seu filho de 4 anos». Javier Urra lembra, por isso, que «um filho requer tempo, atenção, conflito e esforço» e garante que se não se fizer nada face a estes pequenos ditadores, «a situação só pode piorar».EDUCARE.PT: De que crianças se fala quando falamos em "pequenos ditadores"?Javier Urra: Não falamos de crianças com falta de atenção, com hiperactividade ou de adolescentes que por qualquer motivo se chatearam com os pais. Falamos antes de uma criança que se sente bem sendo agressiva e que se sente bem conseguindo aquilo que quer, a custa de tudo e de todos. E isso tanto pode ser com uma criança de 3 ou de 18 anos. O pequeno ditador é alguém que aprendeu que pode impor a sua vontade e que entende que o outro não vale nada. Para ele é o "eu", o "para mim", o "comigo". Vê os pais como uma caixa multibanco onde vai buscar dinheiro e os professores como alguém que está ali porque os pais lhes pagam para isso. O pequeno ditador é alguém que quer que tudo gire à sua volta. O mais importante é o eu. Não és tu, não são os outros, é ele próprio. E acredita nisso, porque para ele sempre foi assim.E.: E quem são os pais maltratados pelos filhos?JU: São pessoas de nível económico médio, alto e muito alto. Às vezes têm um filho pequeno e noutras situações são pais com um filho único que é o "rei" da família. Oito em cada dez agressores são rapazes e a vítima é sempre a mãe. Em alguns casos o pai também é maltratado mas na maior parte dos casos a vítima é a mãe. E são famílias em que às vezes a mãe quer educar, quer que o filho tome banho, que faça as tarefas e o pai não faz nada, faz de conta que não é nada com ele...E.: Quais são os primeiros sintomas que devem alertar os pais?JU: Os pais devem estar sempre atentos aos seus filhos e preocupar-se quando vêem que o seu filho não é como as outras crianças e, por exemplo, se aproveita quando vão a uma grande superfície e exige que quer isto e aquilo... Os pais têm de ver como se comportam as outras crianças. Têm que falar com outros amigos para perceber como são os seus filhos. E têm que falar com os professores. Parece que os pais não se apercebem, acreditam que passará com os anos, que vai melhorar... mas não, não vai haver melhoras. A situação vai piorar se não se fizer nada.E.: Em que é que os pais estão a falhar?JU: Não acho que os pais sejam os culpados de tudo. Os pais têm problemas que são reflexo da sociedade em geral. Por exemplo, há uma grande pressão de consumo, muitos anúncios para que as crianças comprem. E as crianças estão sempre descontentes, querem sempre algo mais... Depois, os pais de hoje nem sempre são adultos. São jovens, sentem-se muito jovens e querem viajar e ver, mas devem lembrar-se que têm filhos e que isso tem de ser prioritário. Um filho requer tempo, atenção, conflito, esforço... Há mães que competem com as filhas, compram as mesmas roupas e sentem-se estupendas. Podem estar estupendas mas não vão competir com as filhas. Há homens da minha idade que saem com raparigas jovens. Será que está bem ou mal? Aquilo que eu pergunto é: como é que se sente o filho de 27 anos sabendo que o pai sai com uma rapariga de 28? Se lhe perguntarmos, vai dizer que não tem qualquer problema e que lhe é indiferente, mas a verdade não é essa. E temos a questão dos exemplos. É preciso dar o exemplo, é essa moral que falta ao educar. Há também uma grande pressão capitalista que faz com que se trabalhe muitas horas para se ganhar muito dinheiro. Esse é outro problema que é preciso equilibrar. E há outro que é a falta de autoridade. Os pais têm de criar normas, critérios. Não deve haver medo, mas sim disciplina e autoridade.E.: Qual é a sua opinião da figura pai-amigo-companheiro/mãe-amiga-companheira?JU: Actualmente, os pais querem, e queremos, ser sempre muito bons pais. É bonito. Antes os pais não tinham uma relação próxima com os filhos, não falavam. Mas os pais são pais. Podem dizer "quero ser teu amigo", "quero, se tu me deixares". Mas os filhos têm os seus próprios amigos do mesmo modo que o pai tem os seus amigos e, seguramente, conta-lhes coisas que não conta aos filhos nem à mulher. E é assim que tem que ser. Quando acontecer alguma coisa, os pais estarão lá.E.: Quais são as "agressões" mais comuns de que os pais são vítimas?JU: A primeira são as birras de raiva. Depois vem a chantagem emocional: "se não me dás isto não gostas de mim", "se não me dás isto saio de casa", desaparecer de casa sem dizer nada, trazer amigos para casa sem pedir autorização. E por fim, pode, mas não obrigatoriamente, passar para a violência física e o insulto.E.: O que se deve fazer nessas situações?JU: A primeira coisa a fazer é evitar essas situações. É preciso conseguir que as coisas não cheguem aí. Educamos as crianças para serem respeitadoras, perceberem que os pais gostam delas e estão do seu lado, mas que também têm os seus direitos. Quando os pais vivem essas situações devem pedir ajuda a terceiros. Não se pode fechar estas crianças, embora sejam culpadas. Também são vítimas, porque os pais não as conseguiram educar. É preciso ensinar os pais a educarem correctamente os filhos para que em casa exista uma estrutura que funcione melhor.E.: Como é que se gere a fronteira entre o autoritarismo e a tolerância?JU: É muito difícil de definir mas muito fácil de fazer... Ser tolerante, aberto, ter um critério amplo de liberdade implica que se é livre, que se tem direitos, mas também responsabilidades pelos seus actos: tens que arrumar o teu quarto, tens que dar um beijo à avó, tens que levar o prato, nunca nos gritarás ou sequer agredirás... São normas da casa e têm que ser cumpridas. Se, por exemplo, o filho sai à noite com o compromisso de voltar às 21h00, mas só regressa às 22h00, da próxima vez terá de voltar às 19h00. Uma hora de atraso, duas horas a menos na próxima saída. É uma sanção. E se ele tiver perdido o autocarro ou tiver ficado a ajudar um amigo? Então acreditamos nele e dizemos-lhe para não nos dar motivos para duvidar, porque aí as normas serão mais apertadas. Se aprenderem a ser livres, sairão quando e como querem. Não se pode tomar conta de um filho durante 30 anos, há que deixá-lo ser livre...E.: Acha que os pais são muito permissivos?JU: Sim, no Ocidente, actualmente são.E.: Devíamos ser mais duros com os jovens?JU: Não acho que tenhamos que ser mais duros, mas sim mais exigentes em algumas coisas. Por serem jovens isso não significa que se possam impor. Sou responsável da UNICEF e faço muitas viagens para o Quénia e Nicarágua e lá as crianças sabem desde muito pequenas que têm de tomar banho, que têm de ajudar. Estão bem-educadas nesse sentido e cá não. Porquê? Os pais têm acesso a muitos livros, publicações, séries de televisão, mas ainda assim porque não funciona? Há um sentimento de culpabilidade, há pouco esforço, pouca coerência, pouca continuidade.E.: O que é que se pode fazer quando o diálogo já não funciona com os jovens?JU: A primeira coisa a fazer é perguntarmo-nos porque é que não funciona. Depois é preciso falar com eles de modo a perceber o que é que não funciona: Somos nós que estamos a falhar? É ele que está a falhar? O que é que se passa? Às vezes a presença de um amigo dos pais e dos filhos, alguém que tenha influência, também é uma boa ajuda para reflectir, falar, ter outras ideias e alternativas.E.: A palmada e os castigos podem servir para algo?JU: Acho que a palmada serve para muito pouco. A bofetada é muito fácil mas também muito perigosa e pouco eficaz. Diz-se à criança que "isto não" mas não se deixa claro que "isto sim". A sanção e o castigo, esses sim, são necessários. Fazem parte da educação e mostram quais são as normas. Se se ultrapassar as normas, então há que sofrer uma sanção clara, imediata, coerente e proporcional. E aquilo que se impõe, cumpre-se. O castigo tem de ser cumprido.E.: Acha que a figura do pai é fundamental?JU: A figura da mãe é insubstituível. A figura do pai é essencial. Pode-se educar sem um dos pais, há muitas famílias monoparentais. Mas pode uma mãe dar uma boa educação aos filhos se o pai está presente e não toma qualquer atitude, fingindo que nada é com ele? Dificilmente. O fundamental é educar em coerência.E.: "Eu quero" ou "Compra-me" são frases comuns a muitas crianças. Como é que se deve reagir? É importante dizer não?JU: Os pais não devem comprar tudo o que a criança pede. Devem saber dizer "não, não temos dinheiro" ou "sim, temos, mas não vamos comprar porque não é bom que te compremos tudo". A criança pode não entender, do mesmo modo que não percebe porque é que tem de comer legumes. Mas há coisas que têm de ser feitas.E.: Como é que se pode fazer para uma criança ser obediente desde pequenina?JU: Em primeiro lugar, seguindo o critério de "o que fazer?" fazendo. Ou seja, posso estar cansado mas se é preciso ir pôr a mesa levanto-me e vou. Em segundo lugar, às crianças só se deve dizer as coisas uma vez ou duas, não mais do que isso. "Levanta-te e ajuda" e se não se levantar e ajudar então castiga-se. Senão, pode-se dizer doze vezes "levanta-te" que a criança nunca se vai levantar. Temos que ser muito claros.E.: Que adultos podem ser estes pequenos ditadores?JU: Não sei muito bem. Por um lado, podem ser duros e insensíveis. Por outro lado, podem ser pessoas que não querem ter filhos porque viram como foi com eles. E haverá casos em que serão muito duros com os seus filhos. Não deixarão passar nada para que os filhos não se transformem naquilo que eles foram. Em adultos pode acontecer que agridam as mulheres. É muito possível. Se antes já agrediram a sua própria mãe, quando viverem com alguém e um dia as coisas não estiverem bem abre-se a porta ao mecanismo de frustração-agressão onde levantar a mão e gritar funcionava. É possível que depois tal também aconteça.E.: Há muitas denúncias em Espanha de filhos que maltratam os pais?JU: Em 2005 tivemos sete mil denúncias contra menores que agrediam os pais, entre os 14 e os 18 anos. Mas sete mil são muito menos do que a realidade porque as mães não denunciam. Quem faz a denúncia são os médicos, vizinhos... Em 2006 já houve mais de cinco mil denúncias e aí também envolviam raparigas. Acho que em Portugal o problema existe mas as pessoas não se dão conta porque está oculto. Mas quando se começa a falar, isso faz com que as pessoas contem os seus casos. É preciso um trabalho social. As pessoas devem procurar psicólogos, assistentes sociais e dizer que têm um problema. É preciso falar. Não se pode é permitir que os pais tenham medo dos filhos e se fechem à chave na sua própria casa com medos dos filhos.E.: A violência dos jovens é um reflexo da sociedade?JU: Acho que os jovens de um modo geral não são violentos. Comparando com a França ou mesmo com gerações anteriores, os jovens portugueses e espanhóis não são particularmente violentos. Às vezes são desrespeitadores, não têm respeito por si mesmos, pelas normas... Há casos, por exemplo, em que os jovens se viram contra os professores e os pais põe-se do lado dos filhos em vez de estarem do lado do professores. Isso é um erro.

DREN: instrutor do processo propõe suspensão de Fernando Charrua

O instrutor do processo disciplinar movido a Fernando Charrua na Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) por alegados comentários jocosos sobre a licenciatura do primeiro-ministro propõe a suspensão do professor de Inglês.
Parte da acusação foi revelada hoje pelo próprio Fernando Charrua, "momentos depois de a receber", mas o professor escusou-se a fornecer aos jornalistas cópia do texto integral.Fernando Charrua classificou a acusação como "a coisa mais ridícula que pôde acontecer" e revelou que a "iria estudar", juntamente com o seu advogado.O professor rejeitou a frase que lhe é atribuída na nota de culpa - "Estamos num país de bananas governados por um f. da p. [sic] de um primeiro-ministro" -, assinada pelo instrutor José Paulo Pereira, mas escusou-se a precisar qual foi a afirmação exacta. Charrua classificou a suspensão, hoje determinada, como "uma das mais graves sanções na função pública".O caso que está na origem desta polémica ocorreu em finais de Abril e culminou com a instauração de um inquérito e a suspensão preventiva de Fernando Charrua, ex-deputado do PSD e funcionário da Direcção Regional de Educação do Norte há quase duas décadas.A DREN considerou que Fernando Charrua proferiu um "insulto ao primeiro-ministro" dentro das instalações daquele organismo, enquanto o docente apenas admitiu ter feito "um comentário jocoso a um colega, dentro de um gabinete".O docente reagiu à suspensão preventiva imposta pela direcção regional e interpôs uma providência cautelar, tendo o Ministério da Educação decidido, ainda antes da decisão judicial, terminar a requisição de Fernando Charrua na DREN, onde trabalhava na área dos recursos humanos.Dessa forma, o professor de Inglês regressou à Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, onde exercia a actividade docente antes de ter sido requisitado pela DREN, encontrando-se actualmente colocado em funções na biblioteca daquele estabelecimento de ensino.No dia 8 de Maio, na sequência da reorganização da DREN, um despacho assinado pela ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e pelo primeiro-ministro, José Sócrates, reconduziu a directora regional de Educação do Norte.
Lusa, 14/06/07

Sindicato processa Estado por obrigar professora com leucemia a voltar ao trabalho

O Sindicato de Professores da Zona Centro (SPZCentro) anunciou hoje que vai processar o Estado "por atentado à dignidade humana", por ter obrigado a voltar ao serviço uma professora com leucemia, que veio depois a morrer.

Em comunicado, o SPZCentro anuncia que está a preparar "uma acção judicial contra o Estado por condução intolerável e atentado à dignidade da condição humana no caso Manuela Estanqueiro". "O SPZCentro apoiou desde o início as pretensões da sua associada tendo enviado vários relatórios médicos à Caixa Geral de Aposentações e, neste momento considera levar o caso até às últimas consequências", afirma o presidente daquele sindicato, José Ricardo.

Manuela Estanqueiro, professora da EB 2/3 de Cacia, em Aveiro, faleceu no dia 2 de Junho, vítima de leucemia, depois de ter sido considerada apta para o exercício de funções, o que a obrigou a voltar à escola para não perder o vencimento.

Segundo o sindicato, Manuela Estanqueiro estava à espera da reforma, depois de há um ano lhe ter sido diagnosticada uma leucemia.

No Verão de 2006, a docente foi presente a uma junta médica da Caixa Geral de Aposentações (CGA) e, "inexplicavelmente, foi considerada apta para o exercício de funções".

Apesar de um atestado médico passado pela Junta Médica da Direcção Regional de Educação do Centro (DREC), a professora de Cacia foi obrigada a regressar à escola porque a decisão da junta médica da CGA se sobrepôs à da DREC.

Um despacho da CGA, de que recorreu, negava-lhe a aposentação por "não se encontrar absoluta e permanentemente incapaz para o exercício das suas funções" e obrigava-a a regressar ao serviço. Teve de cumprir 31 dias na escola para poder voltar a meter atestado médico, sob pena de perder o vencimento.

A professora, de 63 anos de idade e 30 de serviço, acabou por conseguir a sua aposentação uma semana antes de falecer, no Hospital de Aveiro, para onde foi transferida em fase terminal após ter dado entrada nos Hospitais da Universidade de Coimbra dias depois de ter sido forçada a regressar ao serviço.

Cultura literária é fundamental


2007-06-13

A literacia e a cultura literária contribuem para exercício de uma cidadania activa e responsável. Cabe aos governos de cada país promover estes hábitos.
"Níveis de literacia elevados e uma forte cultura literária são elementos indispensáveis para assegurar uma sociedade de cidadãos responsáveis, activos e solidários. Os governos deviam, por isso, reconhecer que os seus interesses e os dos editores estão em perfeita sintonia." Foi esta a principal mensagem que Ana Maria Cabanellas, presidente da International Publishers Association (IPA), pretendeu transmitir no seu discurso de abertura da Feira Internacional do Livro de Seul 2007, que se realizou na Coreia do Sul. Para além de frisar a importância da promoção da cultura literária junto dos cidadãos, durante o discurso de abertura da feira, Ana Maria Cabanellas aproveitou também para dar a conhecer algumas das mais bem-sucedidas campanhas de promoção da leitura realizadas a nível internacional, nomeadamente em Espanha, no Reino Unido e nos Estados Unidos da América."Os estudos têm demonstrado que os cidadãos com hábitos de leitura são mais propensos a participar activa e voluntariamente em acções sociais, visitar exposições e museus e assistir a espectáculos artísticos." Cidadãos leitores e informados, sublinha a responsável, representam mais benefícios para a sociedade no seu todo.Na mesma sessão de abertura, Patrícia Judd, directora-executiva da Association of American Publishers (AAP), apresentou a "Get caught reading campaign", uma iniciativa de promoção da leitura junto dos cidadãos norte-americanos, lançada pela AAP, em 1999. Norio Komine, presidente da Associação de Editores do Japão, e Doh Jung-il, da Kyung Hee University, na Coreia do Sul, foram outros dos oradores convidados.A IPA é uma organização não-governamental para as questões relativas à edição de livros e outras publicações a nível mundial. Criada em 1896, conta actualmente com 65 membros de 53 países.

III Encontro de Professores Ecologistas em Constância

No próximo sábado, dia 16 de Junho, o Cine-Teatro Municipal de Constância recebe o III Encontro Nacional de Professores promovido pela associação ambientalista Os Verdes.Sob o lema «Educação-Semente de Cidadania», o evento pretende ser um espaço de debate para professores, educadores, pais, autarcas e outros cidadãos preocupados com as questões de educação e com as implicações que estas têm na formação dos cidadãos e na vida da comunidade.«O contributo da escola e dos professores/educadores para o sucesso escolar e para a formação da cidadania» e «À conversa com Mia Couto», biólogo, escritor e um moçambicano cidadão do mundo são os temas dos painéis a apresentar durante o encontro

Professores afastados do plano nacional por críticas à ministra

A Associação de Professores de Matemática criticou a ministra da Educação e, por isso, foi convidada a abandonar a Comissão de Acompanhamento do Plano de Matemática.
A Associação disse publicamente que a avaliação de Maria de Lurdes Rodrigues aos exames do 9 ª ano era uma visão simplista e redutora do trabalho das escolas e dos professores. Depois da crítica, chegou o convite para sair.
No dia em que se fazia o balanço do primeiro ano do Plano de Matemática, a ministra da Educação faz uma revelação aos jornalistas. A propósito dos possíveis resultados dos exames do 9º ano, Maria de Lurdes Rodrigues diz que este é um teste não só à actuação dos alunos, como também ao trabalho das escolas e dos professores, quer para melhor como para pior. Declarações que não caíram nada bem no seio da Associação de Professores de Matemática.
Uma opinião que foi tornada pública e que motivou um convite por parte da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular.
A Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura já fez saber que vai chamar Maria de Lurdes Rodrigues para prestar esclarecimentos aos deputados. Esta associação de professores representa perto de 5 mil docentes de Matemática e já existe há mais de 20 anos.
TVI