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sábado, janeiro 17, 2009

Educação: Professores regressam à greve segunda-feira, prometem lutar até Governo ceder

Lisboa, 17 Jan (Lusa) - Menos de dois meses depois da última paralisação, os professores realizam segunda-feira uma nova greve. Os sindicatos esperam uma adesão semelhante à registada em Dezembro e prometem luta até ao Governo ceder na avaliação e na revisão do Estatuto

Relativamente à greve realizada a 03 de Dezembro passado, os sindicatos estimaram uma adesão de 94 por cento, enquanto os números avançados pelo Ministério da Educação são de 66,7 por cento.
"O Ministério da Educação vai ter de avaliar se quer ou não ter esta luta dos professores, pelo tempo que for preciso. Nunca vamos deixar cair esta luta e estou convencido de que os professores vão ter força para lutar por isto, seja com este Governo, seja com qualquer outro", afirmou Mário Nogueira, porta-voz da Plataforma Sindical de Professores, em declarações à Agência Lusa.
Governo e sindicatos divergem, desde há meses, sobre o modelo de avaliação de desempenho e o Estatuto da Carreira Docente (ECD), nomeadamente a divisão da profissão em categorias hierarquizadas e a existência de quotas para a atribuição de "Muito Bom" e "Excelente".
O também secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) manifestou a expectativa de que a greve de segunda-feira tenha uma adesão "semelhante" à registada no mês passado, garantindo que todos os indicadores "vão nesse sentido".
"Esta greve foi marcada por 120 mil professores, a 08 de Novembro. Por outro lado, será um dia de luto, já que se assinalam dois anos sobre a publicação em Diário da República do ECD", acrescentou.
Para Mário Nogueira, uma "grande" paralisação na segunda-feira é fundamental para "reforçar" a posição das estruturas sindicais durante a revisão do ECD e, por outro lado, enfraquecer a do Governo.
Relativamente a novas formas de luta, os sindicatos reservam o anúncio de novos protestos para depois do arranque das negociações, a 28 de Janeiro. Tudo depende da "atitude" da equipa da ministra Maria de Lurdes Rodrigues durante esse processo, referiu.
"Vai depender da forma como as coisas evoluírem durante a revisão do ECD. Os objectivos dos professores são claros, mas se não forem alcançados vamos continuar a lutar, nas mesmas dimensões", promete o dirigente sindical.
Lucinda Manuela, da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), defende a mesma posição: "O Governo terá de ter uma verdadeira abertura negocial, alterar a sua postura e discutir as propostas que os sindicatos vão apresentar".
O braço-de-ferro entre Governo e professores preocupa também os encarregados de educação, que consideram que os seus filhos estão a ser prejudicados pelo clima de "instabilidade" e "perturbação" que se vive nas escolas.
O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais apela ao "bom senso" entre as duas partes durante a revisão do ECD, deixando, no entanto, uma crítica às estruturas sindicais.
"Limitamo-nos a constatar que o Governo deu mais sinais de abertura do que os sindicatos. O regime simplificado teve por base aquilo que os parceiros achavam que impedia a avaliação", afirmou Albino Almeida.
Já Maria José Viseu, da Confederação Nacional e Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), teme, sobretudo, que os alunos venham a ser os principais prejudicados com o clima de "intranquilidade", devido à eventual falta de disponibilidade dos professores.
"Todos os procedimentos da avaliação de desempenho vão cair numa altura crucial do ano, no terceiro período. É preciso alertar que determinadas situações podem pôr em causa as aprendizagens dos alunos e o sucesso educativo", referiu a responsável.
MLS.
Lusa/Fim

sábado, novembro 08, 2008

Avaliação dos professores compromete aprendizagem dos alunos, defendem pais

07.11.2008 - 17h59 Lusa
A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) considerou hoje que o processo de avaliação de desempenho dos professores "pode comprometer a qualidade das aprendizagens dos alunos", exigindo ao Governo um modelo "menos burocrático e pesado".

"Na realidade, o que está a acontecer em muitas escolas do país torna evidente que esta complexa operacionalização do processo está a desviar os professores da sua tarefa de educar e ensinar", afirma a CNIPE, em comunicado, garantindo que "em muitas escolas as entrevistas aos professores estão a realizar-se durante o horário lectivo". Para a CNIPE, "muita da energia dos professores está a ser desviada para o plano excessivamente burocrático do processo com prejuízo da acção pedagógica que os docentes devem privilegiar".

"Esta situação é preocupante já que tenderá a agravar-se nos períodos escolares seguintes, com a aplicação integral e extensiva do modelo, o que terá implicações graves nos resultados finais dos alunos e das próprias escolas, no que ao sucesso diz respeito", afirma a confederação.

Os professores realizam amanhã uma manifestação nacional em Lisboa, para contestar o modelo de avaliação de desempenho, entre outras matérias, esperando uma adesão de cerca de 100 mil docentes, tal como aconteceu em Março, na "Marcha da Indignação".

A CNIPE exige que seja desencadeado ainda no decurso do ano lectivo um processo que conduza "à criação de um modelo menos burocrático e pesado, que potencie a melhoria da acção pedagógica". Os sindicatos de professores já exigiram a suspensão do processo de avaliação de desempenho, disponibilizando-se para iniciar de imediato um processo negocial tendo em vista alterações ao modelo proposto pelo Ministério da Educação.

Segundo o memorando de entendimento assinado entre a tutela e a plataforma sindical de professores em Abril, na sequência de uma manifestação que juntou em Lisboa cerca de 100 mil docentes, o processo negocial está previsto para Junho e Julho do próximo ano. O Governo já disse que o processo de avaliação de desempenho não será suspenso nem simplificado, como aconteceu em 2007/08, lembrando que os docentes que não forem avaliados não progridem na carreira. Por outro lado, afirma que nesta altura a única coisa que é pedida aos professores é a definição dos seus objectivos individuais.