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sábado, janeiro 17, 2009

Professores de Beja propõem mais greves de dois ou três dias consecutivos


15.01.2009 - 09h37 Lusa
Um plenário do "Movimento Professores de Beja em luta" aprovou ontem à noite uma moção onde apela à Plataforma Sindical para convocar mais greves nacionais de dois ou três dias consecutivos, contra a política educativa do Governo. Além da greve nacional agendada para segunda-feira, os docentes "apelam à Plataforma Sindical para realizar mais greves nacionais de professores que durem pelo menos dois ou três dias consecutivos", disse à agência Lusa Cláudia Páscoa, do Movimento Professores de Beja em Luta, promotor do plenário. Segundo Cláudia Páscoa, que falou no final do plenário, onde se reuniram "cerca de 50 professores" em Beja, os participantes "entendem que uma greve nacional de dois ou três dias consecutivos tem mais força e um impacto mais significativo do que greves alternadas de um só dia cada". Na moção, aprovada "por maioria", os docentes apelam também à Plataforma Sindical, à CGTP e à UGT para organizarem, ainda durante o actual período lectivo, "uma grande marcha nacional pela Educação e em defesa da escola pública, com todos os membros da comunidade educativa". Cláudia Páscoa justificou as propostas do plenário dos docentes de Beja com a necessidade de "endurecer a luta" contra o "ataque injusto e continuado à escola pública" e a política educativa do Governo, nomeadamente a revisão do Estatuto da Carreira Docente e o modelo de avaliação de desempenho. A moção, que vai ser enviada à Plataforma Sindical e distribuída por docentes do distrito de Beja, apela ainda aos professores para participarem na greve nacional de segunda-feira, na manifestação nacional agendada para dia 24, em Lisboa, e no segundo Encontro Nacional de Escolas em Luta, dia 31. O Movimento Professores de Beja em Luta foi criado por professores de 15 escolas do Baixo Alentejo, no início deste ano lectivo, "em defesa de uma escola pública de qualidade" e para "lutar contra a revisão do Estatuto da Carreira Docente e o modelo de avaliação de desempenho".

terça-feira, outubro 16, 2007

Abordagem inovadora de avaliação


Sara R. Oliveira 2007-10-15

A Escola Superior de Educação de Beja coordena projecto que sugere modelo descentralizado de avaliação do desempenho de professores.
O professor como actor principal da avaliação do seu próprio desempenho profissional. A sugestão é apresentada no Manual de Implementação do Modelo de Avaliação de Competências para Professores e Educadores, ferramenta que surge no âmbito do projecto TEVAL - Modelo de Avaliação das Competências Práticas de Professores e Formadores, coordenado pela Escola Superior de Educação/Instituto Politécnico de Beja, numa iniciativa que envolveu vários especialistas na área e docentes de Portugal, França, Grécia, Alemanha, Estónia e Reino Unido, entre 2005 e 2007. Este modelo sistemático para a identificação de competências profissionais, e que lança bases para um processo inovador, enquadra-se no projecto Leonardo da Vinci. "É uma proposta inovadora para avaliação de competências de professores e educadores", avança Clara Rodrigues, investigadora do projecto TEVAL. "O professor tem de ser o principal agente da sua avaliação, o principal actor deste processo", concretiza. Para que assim se possa responder a dois objectivos considerados importantes: "à aprendizagem do próprio professor no seu desenvolvimento profissional" e à regulação do sistema "providenciando informações relevantes", que sustentem decisões importantes no percurso profissional do educador.O manual não quer ser formal ou restritivo de procedimentos, mas sim sugerir e propor caminhos para que a avaliação do desempenho dos professores seja feita o mais próximo possível das necessidades e actividades da organização onde se inserem. "É uma abordagem diferente do que actualmente é implementado". Uma abordagem que se quer descentralizada. O manual foi já apresentado ao Ministério da Educação que, eventualmente, poderá recolher algumas das ideias propostas. "A intenção do Ministério da Educação centra-se na observação do desenvolvimento profissional dos professores. No entanto, o Ministério tem muitas limitações ao implementar isso porque parte de uma análise feita à distância", repara Clara Rodrigues.Todo o trabalho de avaliação proposto pelo novo manual é feito em "colaboração com uma equipa de avaliação formativa que trabalhe na organização". "O professor é integrado na organização - escola ou centro de formação - dentro de um grupo de área formativa que acompanhe constantemente o seu trabalho". Esta equipa deverá ser constituída por um representante dos órgãos de gestão; dois ou três colegas, se possível do mesmo departamento disciplinar do docente; um avaliador externo; um aluno que represente uma turma do professor; e ainda alguém que represente a comunidade em que a organização está implementada. Isto porque, realça a investigadora, "o estatuto do professor trespassa a organização e tem algum impacto nas famílias". O manual sugere ainda a realização de dois cursos de formação tanto para os responsáveis pelo processo de avaliação, bem como para os professores avaliados."Uma vez constituído o grupo de avaliação, o professor cria o seu próprio perfil profissional para as diferentes áreas de intervenção." Ou seja, "descreve as suas capacidades actuais e as que prevê que sejam atingidas". É assim que é construído o portefólio de avaliação pessoal que integrará um conjunto de material demonstrativo do trabalho efectuado. O portefólio pode incluir a planificação de aulas, relatórios de projectos educativos desenvolvidos, filmes ou apresentações multimédia, inquéritos feitos aos alunos ou às famílias sobre a satisfação em relação ao desempenho, entre outros documentos.O grupo reúne-se sempre que se justifique para que o professor seja avaliado por si próprio e pelos membros da equipa. A avaliação é qualitativa, mas o manual do projecto TEVAL deixa a análise quantitativa em aberto, ou seja, à consideração dos responsáveis pelos espaços escolares e de formação. "O manual pode ser consultado e utilizado como uma ferramenta e instrumento de avaliação do próprio desempenho dos professores e formadores, funciona como uma auto-avaliação", reforça Clara Rodrigues. "Nos sistemas de avaliação actualmente utilizados há certas lacunas. Nos países anglo-saxónicos, esses sistemas são feitos por objectivos, por competências. Nos países latinos, há uma cultura para o desenvolvimento profissional que, no fundo, é baseada em instrumentos de reflexão, mas não muito operacionalizados".A segunda fase do projecto TEVAL passa por aplicar o modelo proposto em diversas instituições portuguesas e nos países que aderiram à iniciativa, abrangendo ainda a Polónia e a Itália. "Para verificar se funciona na prática", explica Clara Rodrigues. Esta fase inclui ainda a formação dos professores que irão para o terreno. Para isso, foi já apresentada uma candidatura à Comissão Europeia. Mais informações: www.teval.eu/