Mostrar mensagens com a etiqueta Matemática. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Matemática. Mostrar todas as mensagens

domingo, junho 01, 2008

Condições sociais afectam alunos no Secundário

Estudo revela que o sexo feminino está em maioria e cerca de metade dos inquiridos pertence a famílias monoparentais.

2008-05-30
Pedro Araújo

São fundamentalmente mulheres, mostram-se pouco interessados em política ou religião, fogem da Matemática, metade não tem computador em casa, vão mais a pé para a escola e muitos pertencem a famílias monoparentais.
As variações em torno desta realidade pintada em traços grossos dependem fundamentalmente do tipo de curso que escolheram quando chegaram ao Secundário. Os dados foram revelados pelo Observatório de Trajectos dos Estudantes do Ensino Secundário (OTES) no relatório "Estudantes à Entrada do Nível Secundário de Ensino".
O estudo contou com a colaboração de 11 estabelecimentos de ensino e a participação de 1806 alunos do 10.º ano ou equivalente, através de um questionário on-line. A maior parte dos alunos que chegam ao Ensino Secundário são, de facto, do sexo feminino (66,6%) e mais de metade dos que frequentam cursos científico-humanísticos (58,3%) pertencem a famílias monoparentais, percentagem que não é negligenciável nos cursos de educação e formação (CEF- 44,4%) nem nos cursos profissionais (40,9%). Mais de metade (58,3%) vai a pé para a escola nos científico-humanísticos e 50% dos que frequentam os CEF..
Uma parte significativa não quer saber de política nem de associações religiosas. Habilitações O estudo revela ainda que uma grande parte dos alunos que chega ao 10.º ano advém de estratos socioeconómicos onde as habilitações escolares são iguais ou superiores ao Ensino Secundário, mas só no caso dos estudantes que seguem cursos científico-humanísticos ou de ensino artístico especializado (Artes Visuais e Audiovisuais).
Nível predominante é o 1º Ciclo
O nível de escolaridade dominante nas famílias dos alunos que frequentam os CEF é o 1.º ciclo do Ensino Básico (57,1%) e no caso dos cursos profissionais a percentagem aproxima-se dos 40%. Quanto às condições perante o trabalho na família, o inquérito mostra que só metade dos alunos dos CEF é que tem os dois encarregados de educação empregados e 57,9% no caso dos cursos profissionais. Nos científico-humanísticos, 25% dos alunos não têm os dois pais a trabalhar.
No caso de metade dos alunos dos CEF, a profissão dominante na respectiva família encaixa na categoria de "trabalhadores não qualificados", percentagem que é de 33,3% para os discentes do Secundário que optaram por cursos profissionais. Quanto ao percurso académico percorrido pelos alunos que acabaram de chegar ao Secundário (entre 16 e 18 anos), todos os que optaram pelos CEF dizem que chumbaram duas vezes, situação que se aplica a 43,8% do universo daqueles que enveredaram pelos cursos profissionais.
A maior parte dos alunos que está nos cursos científico-humanísticos (72,7%) teve a nota de 2 (na escala de 0 a 5), no 9.º ano ou equivalente, e todos os inquiridos dos CEF declararam ter tido a nota mínima de passagem, situação que piora no caso dos cursos profissionais (só 46,2% tiveram a nota de 3). Os alunos foram igualmente inquiridos sobre as condições proporcionadas pelas habitações da família.
Percentagens entre 92 e 78% declararam ter espaços próprios para estudar, mas curiosamente 9,1% dos alunos dizem não ter luz eléctrica em casa, percentual que sobe 16,7% nos CEF e 14,3% nos profissionais. Nestes dois últimos tipos de curso do Secundário, mais de metade não tem computador em casa, situação que ocorre em apenas 36,4% das casas de alunos a frequentar a área científico-humanística.
O OTES inquiriu também os alunos constantes da amostra sobre o interesse ou desinteresse sobre assuntos abrangidos pela comunicação social. A informação geral, a cultura, o entretenimento e a música interessam a quase todos, independentemente do tipo de curso que se encontram a frequentar.
A política não interessa a mais de metade dos alunos, posição que só melhora um pouco no caso dos alunos dos cursos profissionais (33,3% acha a política desinteressante). Metade dos que estão nos CEF e profissionais não gostaria de integrar uma associação de solidariedade social. Nas Humanidades, o desinteresse é de 88,9%.

quinta-feira, julho 12, 2007

Mais de 70% de negativas a matemática no 9º ano


Já são conhecidos os resultados dos exames do nono ano de Matemática e Português. Os resultados vão em sentido contrário: a Português houve quase 90 por cento de positivas, a Matemática mais de 70 por cento dos alunos teve negativa.
( 21:21 / 11 de Julho 07 )
Um ano depois de ser lançado o plano de acção para melhorar os tradicionais maus resultados à disciplina, as negativas a Matemática acentuaram-se significativamente, passando de 63 por cento em 2006 para 72,8 por cento este ano. Entre os cerca de 96 mil alunos que realizaram a prova a 21 de Junho, 25 por cento (24.656) obtiveram nível um, o mais baixo de uma escala até cinco valores, e 47,2 por cento (45.471) não foram além do nível dois, ainda negativo. Assim, só 27,2 por cento dos estudantes conseguiram positiva no exame da disciplina mais temida, sendo que destes apenas 1,4 por cento (1.326 alunos) alcançaram o nível máximo. A presidente da Associação de Professores de Matemática, Rita Bastos, disse à TSF «que já é habitual haver maus resultados a matemática», considerando «que essa questão tem mais a ver com a forma como os exames são feitos» do que com o plano de acção estabelecido pelo ministério, embora isso não explique esta subida de maus resultados.Já o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, não hesita em classificar este resultado como «muito grave». «São resultados muito graves, ainda piores do que os do ano passado, e isto prova que há problemas que não se resolvem com acção casuística», afirma.Nuno Crato diz mesmo que estes exames revelam um fracasso do Plano de Acção da Matemática. «Isto não funcionou. Os professores fazem o melhor que fazem», afirma.