segunda-feira, novembro 03, 2008

Por que protestam os professores?

Seja qual for o Governo, seja qual for o ministro, há uma verdade que o tempo se tem encarregado de tornar indesmentível: os professores manifestam-se, protestam, fazem greve.

Normalmente, essa actividade contestária da classe docente resulta na demissão do responsável pela pasta da Educação. Mas, nos tempos que correm, a situação é diferente. Maria de Lurdes Rodrigues, que ostenta o título de governante que enfrentou a maior manifestação de sempre - 100 mil professores saíram à rua em Março último -, tem resistido à força dos cartazes e das palavras de ordem e na sua agenda estão já assinalados mais dois dias de luta, a 8 e 15 de Novembro.

Mas, afinal, por que protestam tanto os professores? A pergunta não é de resposta fácil, mas há uma justificação, avançada pelo antigo ministro Couto dos Santos, que pode muito bem ser o ponto de partida para outras análises. "Após o 25 de Abril, o sistema educativo em Portugal não se conseguiu libertar do anátema de politizar as questões relacionadas com a educação." Depois, vêm as razões mais directas, enumeradas pelos próprios docentes, por quem os representa, por quem está do outro lado e mesmo por quem assiste de fora: desrespeito por parte da tutela; adopção de medidas que alteram os fundamentos da escola pública; mudança de regras e introdução de normas de rigor e exigência; e ausência de constrangimentos de natureza contratual que os [professores] possam fazer sentir em perigo.

Independentemente da validade de cada uma ou de todas elas, é difícil pôr de lado a ideia de uma certa vulgarização da manifestação. É a "coreografia ou ritualização da contestação sindical", nas palavras do professor e bloguista Paulo Guinote.

Uma vida de protestos

Nos próximos dias 8 e 15, os professores voltarão a sair à rua para protestar contra a política educativa do Governo. "Oito meses depois da marcha de oito de Março, os professores farão um grande oito de Novembro".

É este o lema mobilizador da Plataforma Sindical dos Professores, que congrega as organizações mais representativas da classe. Sete - e não oito - dias depois, uma nova manifestação, desta feita organizada por diversas associações do sector. Sinal de divisão? Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof - a maior federação sindical - diz que a classe dos professores não está tão dividida como se quer fazer crer. "Somos suficientemente unidos para nos juntarmos e suficientemente preocupados para reivindicarmos", sintetiza, sublinhando que esta é uma das razões de base por que os docentes se manifestam tão frequentemente.

Não obstante, prossegue o sindicalista, há motivos mais palpáveis. "No sector da Educação, os governos, particularmente desde o de Durão Barroso, tomaram medidas que têm vindo a alterar profundamente os fundamentos da escola pública". Decisões que, na sua opinião, se traduziram em desinvestimento e num modelo de gestão em que o professor é cada vez menos chamado a participar. Como resultado disso, afirma, a estabilidade dos profissionais foi ferida. "Se alguém vive todos os dias a escola são os professores, que, em alguns casos, até são o seu suporte financeiro, pondo à disposição o seu próprio material. E em troca recebem o quê? Desrespeito e falta de reconhecimento, através de ataques às carreiras e aos horários", acusa Mário Nogueira, referindo-se em concreto à política seguida pela actual ministra, Maria de Lurdes Rodrigues.

Uma política que, nas palavras do secretário de Estado da Educação, mais não pretende do que instaurar regras de rigor e de exigência. Valter Lemos admite que houve, nesta legislatura, uma alteração significativa à organização do trabalho dentro da escola, que obriga a uma maior permanência do docente no estabelecimento de ensino, bem como a introdução do princípio de carreira, por ser a única classe que não o tinha. "São alterações profundas, estruturais", reconhece, afirmando, por isso, compreender a "perplexidade, intranquilidade e estupefacção" dos professores. E como estamos a falar de uma classe com cerca de 150 mil profissionais, cada situação abrange sempre um elevado número de pessoas. Outra razão que favorece o protesto.

Santana Castilho, que já foi secretário de Estado dos Assuntos Pedagógicos no Governo liderado por Pinto Balsemão, recua até ao tempo do marquês de Pombal para dar conta da insatisfação permanente da sociedade face às questões da Educação. "Há, ciclicamente, um conflito entre a sociedade, a escola e o sistema de ensino, em Portugal ou em qualquer parte do mundo ocidental, como está a acontecer em Itália e em França", testemunha o agora professor de Organização e Gestão do Ensino. Mas... "em 34 anos de democracia nunca vi uma política para a Educação tão acintosa", arrisca, frisando que os docentes "estão cansados, fartos, não aguentam o que se está a passar". E o que se está a passar é, diz, uma política para formar mão-de-obra mais rapidamente, mais barata e menos reivindicativa. Nesse sentido, entende que, se noutras alturas houve greves ou manifestações questionáveis, agora não é assim.

Essas greves ou manifestações questionáveis são definidas por Paulo Guinote como "a coreografia ou ritualização da contestação sindical". O professor e autor do blogue "A educação do meu umbigo" enquadra a tendência pró-protesto da sua classe na circunstância de os docentes constituírem o grupo profissional qualificado mais numeroso a trabalhar para o Estado e, também, pelas condições em que desde há muito se viu obrigado a trabalhar (precariedade do vínculo laboral de muitos milhares durante vários anos, instabilidade nas colocações, inexistência de apoio em caso de desemprego).

Guinote, que assume ter feito a sua estreia em manifestações apenas este ano e já lecciona desde 1987, considera que a tal coreografia da contestação - "muito marcada durante os anos 90 e aceite tácita ou mesmo activamente pelos sucessivos governos" -, para além de ter eventualmente saturado quem está de fora, também cansou muitos docentes, apontando-se a ele próprio como um exemplo. E do rol de culpados constam os sindicatos. "Incapazes durante muito tempo de uma renovação de mentalidades, deixaram-se adormecer por essa ritualização negocial baseada em acções de rua seguidas de umas quantas reuniões de gabinete em que as coisas lá se resolviam, com as assinaturas dos acordos a variarem conforme o partido no poder".

O docente, que se assume como "alguém que está longe de ser um tradicional activista da constestação", deixando claro que nunca foi sindicalizado nem integra os recém-formados movimentos de professores, entrou agora na luta de rua por a Educação ser, neste momento, "a arma política por excelência deste Governo". "O uso das escolas como locais para uma despudorada pré-campanha eleitoral é algo que choca qualquer observador neutro, quanto mais aqueles que nela trabalham", desabafa.

Neste ponto, vai ao encontro de Mário Nogueira quando o dirigente sindical afirma que o início deste ano lectivo foi usado pelo Governo para valorizar os equipamentos (o famoso Magalhães, os quadros electrónicos...) e ignorar os professores. "Aliás, quando se referiram aos professores (os membros do Governo) foi apenas para dizer que já lá vai o tempo do facilitismo".

Na verdade, o que faz falta é um consenso. Couto dos Santos, que já passou pelo Ministério da Educação e que recorda os protestos quase diários de que foi alvo - não é, portanto, de estranhar que fale em vulgarização da manifestação e sua consequente descredibilização - defende que o presidente da República deveria assumir a questão da Educação como um desígnio e promover um debate supranacional, que ajudasse a resolver o handicap do país em relação a outros países.

Consenso ou concertação, como aponta Ivo Domingues. O sociólogo da Universidade do Minho, que escreve e reflecte sobre temas da Educação, lamenta a não existência em Portugal de uma cultura da política favorável à concertação. "Temos o Governo a legislar sem ouvir convenientemente os parceiros e movido por uma agenda política em que o tempo é erradamente concebido. As mudanças fazem-se muito por decreto. E temos sindicatos que apenas existem para defender o que há. Precisamos de governos que negoceiem mais as medidas e sindicatos que sejam parceiros na antecipação do futuro", observa.

Como este cenário não se verifica e como os professores têm uma identidade profissional muito própria, o resultado está à vista: manifestações e mais manifestações. Do ponto de vista da análise sociológica, a questão da identidade profissional é muito importante, segundo Ivo Domingues. Ou seja, na medida em que os professores se vêem a eles próprios como formadores de personalidades e de cidadãos, assumem para eles o comportamento de cidadania que lhes permite dizer com toda a liberdade o que pensam. "E como não têm constrangimentos de natureza contratual que os possa fazer sentir em perigo, porque o patrão é o Estado e é ao Estado que compete garantir todos os direitos de cidadania"..., avançam para a rua.

Mas será que esta falta de concertação é exclusiva do sector da Educação? Não, diz o sociólogo. A questão é que, explica, os médicos e os juízes, por exemplo, têm outros palcos de influência e de defesa dos seus interesses. "Estão mais representados nos órgãos centrais do Estado", sintetiza.

Estatísticade trabalho de um professor num ano lectivo...

O QUE EM MÉDIA UM PROFESSOR DO 2.º OU 3.º CICLO FAZ DURANTE UM ANO LECTIVO:

Com base no meu 'estudo' pessoal_Lurdes Paraíso

Lecciono 6 turmas em Educação Visual, no total de 117 alunos

Lecciono 1 turma em Formação Cívica, de 19 alunos

Lecciono 1 turma em Área Projecto, de 23 alunos

Lecciono Aulas de Complemento Curricular no 1.º ciclo, no Clube de Artes, do 1.º ao 4.º ano, no total de 21 alunos

Lecciono o Clube de Jornalismo, no total de 13 alunos
Logo trabalho em contextos específicos com 193 alunos
A Documentação/papeis criados, preenchidos e tratados:
1- Início do ano: Planificações (1 pág. por turma/disciplina/área = total de 10 págs.); Critérios de Avaliação/correcção (1 pág. por turma/disciplina/área = total de 10 págs.); Descriminação de competências a atingir (1 pág. por turma/disciplina/área = total de 10 págs.); articulações interdisciplinares (1 pág. por turma = total de 6 págs.); (...)
são fotocopiadas (1 exemplar para o dossier de Directores de Turma, no Plano Curricular de Turma, 1 ex. para o Conselho Executivo, anexo à acta, 1 ex. para os nossos registos pessoais, 1 ex. para o dossier de Departamento...)
Logo, num total de 36 páginas (120 fotocópias)
Se temos alunos com 'NEE', serão mais 4 páginas de documentação, fotocopiadas em triplicado, logo 12 págs.)
Ficam de fora, testes diagnósticos (117 fotocópias e 6 relatórios = 6 págs.)
2- a meio de cada período (Avaliações Intercalares):registo de avaliações intercalares (1 pág. por turma/disciplina = total de 8 págs.) (...)
Logo 3 períodos, num ano lectivo, no total de 24 págs.)
3- Final de período: fichas de avaliação(1 pág. por aluno = total de 193 págs. Fotocopiadas em duplicado); ficha de avaliação de Formação Cívica, Área Projecto, Clube de Jornalismo, Educação para a saúde, Clube de Artes
(1.º ciclo) (1 pág. por disciplina/área = total de 5 págs.) Logo, num total de 198 págs. (394 fotocópias)
Logo, tendo 3 períodos lectivos, dá um total de 594 págs. (1182 fotocópias)

4- Sou Directora de Turma:início do ano: Plano Curricular de Turma (25 págs., fotocopias: 1 ex. para dossier de Direcção de Turma, 1 ex. para o Conselho Executivo); Planos de Recuperação (este ano tive 6 alunos com)
(cada plano 4 págs., logo 24 págs., fotocopiadas duplicado); registo de faltas (10 disciplinas, registadas em fichas e depois no sistema informático); preenchimento das fichas de avaliação (total de 19 páginas);
(...)
Logo, num total de 78 págs. (98 fotocópias)

5- No último período, ainda relatórios de avaliação: para Formação Cívica (1 pág.); para Área Projecto (1 pág.); para Clube de jornalismo (1 pág.); como Directora de turma: para avaliação da turma (2 págs.); para Planos de Acompanhamento (1 pág.); para Retenção (1 pág. por aluno, depende das retenções); para Retenção Repetida (3 pág. por aluno, depende das retenções repetidas); para Planos de Recuperação (1 pág. por aluno, vou fazer 6,
porque tenho 6 alunos em Planos = 6 págs.); para Director de Turma, sobre o meu trabalho desenvolvido (média 3 págs.); para o Clube (1 pág.); para o 1.º Ciclo (1 pág.); (...)
Logo, num total no mínimo de 22 págs. (44 fotocopias)

Como compreenderá, deve estar a escapar-me alguma coisa, ou haver aqui alguma margem de erro,

Em resumo (ao longo dum ano lectivo):

a)Trabalho com..._193 alunos
b)Posso criar, analisar, preencher, ('passam-me pelas mãos') ... _758 páginas (papel)
c)Estão envolvidos aproximadamente... _1 456 fotocópias/PB
d) Faço em média... _17 367 registos (mão livre/informatizados)em documentos oficiais (explico a seguir) Nas fichas de avaliação dos alunos (1 por aluno = 193 alunos) são registados dados (cruzes, abreviaturas de menções qualitativas, etc.):
Educação Visual_7 dados/aluno x 117 alunos x 6 turmas x 3 períodos = 14742 registos;
Formação Cívica_7 dados/aluno x 19 alunos x 3 períodos = 399 registos;
Área Projecto _5 dados/aluno x 23 alunos x 3 períodos = 345 registos;
Como Directora de Turma (preencher dados como: nome, números, faltas, cruzes de avaliação global, cruzes de recomendações ao encarregado de educação) = aproximadamente: 33 dados/aluno x 19 alunos x 3 períodos = 1881
registos
e) Somando os registos oficiais com os pessoais (alínea a + e), dá..._30003 registos totais (explico a seguir) Se considerar os dados que manipulo antes de os introduzir nos documentos oficiais, então será só na disciplina de Educação Visual, o seguinte:
3 Trabalhos (média) por período x 12 registos (12 critérios de avaliação/correcção em Excel) x 3 períodos x 117 alunos (em Educação Visual) = 12636 registos pessoais
B
Reuniões ao longo do ano lectivo: 91 reuniões

a) Conselhos de Turma:
1 Setembro + 1 início ano lectivo (após as aulas começarem) + 1 fins de Setembro
+ 1 Intercalar do 1.º período + 1 final do 1.º período (avaliação) + 1 intercalar do 2.º período + 1 final do 2.º período (avaliação) + 1 intercalar do 3.º período + 1 final do 3.º período (avaliação) x 6 turmas = total de 54 reuniões
b) Encarregados de Educação, porque sou também Directora de Turma:
1 Início aulas + fim 1.º período + fim 2.º período + fim do 3.º período x 1 turma = total de 4 reuniões
(fora as reuniões que vou tendo com Encarregados de Educação nas horas de atendimento e a título individual)
c) Outras reuniões:
Reunião Geral (2 reuniões/ano) + Conselho de Directores de Turma (10 reuniões/ano) + Áreas Curriculares não Disciplinares (3 reuniões/ano) + Clubes e Projectos (3 reuniões/ano) + Departamento (11 reuniões/ano) +
reuniões diversas, tipo preparar actividades extra-curriculares (média 4 reuniões/ano) = total de 33 reuniões
C
Outros indicadores, que 'não têm papel', nem convocatórias:
- Ensino Educação Visual, sou 'psicóloga', 'mãe/pai', procuro resolver problemas de indisciplina, de zangas, de 'guerras e guerrinhas', ouço desabafos, confidências, avalio e envio relatórios para Segurança Social,
Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, quando é necessário; _nota: trabalho com adolescentes
- Atendo Pais e Encarregados de Educação, articulo com eles, mas não recebo outros Pais ou Encarregados de Educação de que tanto preciso, porque não querem, ou, não podem vir à escola;
- Participo na organização, colaboração de actividades extra-curriculares, tipo: Festa de Natal, Carnaval, Páscoa, 'Feira de Maio', Encerramento Ano Lectivo, (..);
- Faço a paginação do jornal da escola (28 págs. /jornal x 3 períodos = 84 págs.)
- (Fazendo uma média de dois trabalhos por período na minha disciplina), observo e acompanho: 117 alunos x 2 trabalhos/média/período x 3 períodos
=702 trabalhos práticos.
- (...)

FIM
Mandei estes dados para um deputado da Assembleia da República que nos pedia o número de alunos que em média um professor tem, porque por lá consta que é uma média de 7 ou 8 alunos/professor.

Respondi ao e-mail, mas resolvi acrescentar toda esta informação...
Falaram em muita Burocracia? Que os Professores que não trabalham e têm muito tempo livre, muitas férias? Que os Professores dão as suas 'aulitas' e estão na sala de professores aos 'montes' sem fazer nada?

ENTÃO PERGUNTO QUEM FAZ TUDO ISTO? O GATO DA VIZINHA?

Não falei das aulas de substituição...
Também me esqueci, de lembrar que um professor é um ser, com direito a uma vida pessoal, a constituir família e a ter horas e momentos felizes e livres...

ATÉ HOJE, NÃO ME QUEIXAVA DO TRABALHO...

MAS AGORA, DIGO 'BASTA'

BASTA DE MAIS BUROCRACIA, DEIXEM-ME DAR AULAS...
E SOBRETUDO, NÃO ADMITO QUE ME AO FIM DE TUDO ISTO...
ME DESRESPEITEM...
QUE ME CHAMEM DE 'PROFESSORZECA'
QUE NÃO FAÇO NADA...
E DIGAM QUE NÃO ENTENDO A LEGISLAÇÃO...
AGORA PENSEM, QUANDO O ESTATUTO DO ALUNO ENTRAR... E A SUPOSTA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO?

TU ACHAS QUE VAIS AGUENTAR?

“Mais punitivo do que este sistema não há”

Sara R. Oliveira| 2008-10-30



Docentes insatisfeitos com as mudanças no processo de avaliação garantem que "a face humanizada da escola está a ficar completamente destruída". A indignação está à flor da pele.

Indignação. Descontentamento. Uma tristeza que não passa. A insatisfação na área da Educação pode ser contada através de números. A 8 de Março deste ano, cerca de 100 mil professores juntaram-se e percorreram algumas ruas de Lisboa. Há mais uma manifestação marcada para 8 de Novembro na capital e possivelmente acontecerá uma outra no dia 15 do mesmo mês. A mesma insatisfação também é contada através de sentimentos. O EDUCARE.PT falou com alguns docentes e constatou que a dor é grande. O pulso já não bate como antigamente. Hoje fala-se de colegas contra colegas, pedidos de reforma antecipada, ambiente de medo, desconforto, estatísticas para a Europa aplaudir.

A revolta passou e deu lugar a uma tristeza profunda. Adélia Silvestre, 30 anos de serviço, há 20 na Escola Secundária João Gonçalves Zarco, em Matosinhos, admite que está "tristíssima" com o que se está a passar. "Agora temos colegas contra colegas e amigos contra amigos. A atmosfera é de cortar à faca, discute-se por tudo e por nada, as emoções estão à flor da pele", descreve. "Este modelo de avaliação acaba por pôr professores contra professores". A professora de Português lamenta o actual cenário, garante que a contestação não é por causa dos professores serem avaliados, mas sim pela forma como o processo está a ser conduzido. E dá um exemplo. Na sua opinião, não é compreensível como o abandono e o insucesso escolares fazem parte dos critérios de avaliação. "São dois conceitos que acabam por ser tratados como já aconteceu. A ministra fala de aumento do sucesso escolar no final do ano lectivo e reúne as estatísticas para mandar para a Europa. E isto é inqualificável".

Adélia Silvestre defende uma avaliação consistente e não um modelo que funcione à semelhança do de uma empresa. Em seu entender, é preciso ter em conta as características de um sector específico, como o é a Educação. "Querem que os professores sejam burocratas, mas não são. Os professores devem ser professores", defende. "Tudo o que está a acontecer tem a ver com esta equipa do Ministério da Educação que, ainda por cima, está rodeada por dois secretários de Estado absolutamente inqualificáveis". A docente participou na marcha da indignação a 8 de Março, mas não vai estar na de 8 de Novembro. "Sinto-me completamente traída nos motivos que me levaram a participar nesse protesto. A FENPROF feriu os professores". Adélia Silvestre refere-se à assinatura do memorando de entendimento com a tutela, assinado pouco depois da manifestação. A professora tenciona marcar presença na concentração agendada por um grupo de docentes para 15 de Novembro.

Fernanda Rego, professora de Português na EB 2,3 de Leça da Palmeira, vai pedir a reforma antecipada no início do próximo ano, depois de 33 anos na docência. "O ambiente é muito negro, muito negro. Estou completamente alarmada com o que se está a passar. Vou pedir a reforma antecipada com a punição que isso implica, mas mais punitivo do que este sistema não há", desabafa. É a indignação. "Este sistema está a arrumar com aqueles que realmente gostam de ser professores. Neste momento, como a Educação está no nosso país, não estamos a trabalhar para os alunos, mas sim para as estatísticas". "A face humanizada da escola está a ficar completamente destruída", comenta.

O novo modelo de avaliação merece-lhe críticas. "O ambiente é de medo, medo do chefe que vai ser director. Há toda uma situação que faz com que os professores queiram deixar de ser professores", diz. "Como vou exigir de mim própria na avaliação que faço aos alunos, quando sou avaliada por quem não tem competência científica para o fazer?", questiona-se. Por convicção tem votado contra várias regras definidas pelo ministério e que chegam à mesa da escola. Fernanda Rego prefere lutar no terreno, no dia-a-dia da docência, e não vai à manifestação de 8 de Novembro, nem esteve na de 8 de Março. "Tenho-me manifestado na escola. É importante que os professores percebam que a luta começa em si". "Receio que, no futuro, quando se fizer um historial do que está acontecer, que isso seja vergonhoso para os professores. Este sistema levanta o que há de pior", conclui.

Fátima Loureiro, professora do 1.º Ciclo há nove anos, ligada ao agrupamento vertical de S. João de Sobrado de Valongo, vai participar no plenário de 8 de Novembro. "Torna-se imperioso, no momento actual, lutar por uma maior dignificação e respeito por todos aqueles que optaram por seguir uma carreira docente". A sua presença explica-se em vários motivos. Fátima Loureiro considera que é necessário continuar a reclamar "um modelo de avaliação justo, o respeito pelo tempo de trabalho dos professores, uma maior estabilidade dos docentes".

"Com a entrada deste novo modelo de avaliação, o ambiente que se vive nas nossas escolas degrada-se de dia para dia, já que, o mesmo, instalou entre os docentes um clima de desconforto, visto pautar-se por uma linha altamente burocrática, exigindo muitas horas de trabalho, para além daquelas que constituem os horários dos professores, prejudicando, dessa forma, a preparação do trabalho lectivo com os alunos", refere. "Esta avaliação não se constituirá como algo construtivo para o processo de ensino/aprendizagem dos vários agentes da educação, mas sim como um elemento profundamente penalizador", acrescenta. Fátima Loureiro sublinha ainda que não é a avaliação dos docentes que está em causa, mas o modelo desenhado pelo ministério. "O que os professores reclamam não é o final da avaliação, mas sim um modelo de avaliação exequível e justo que contribua verdadeiramente para o melhoramento da actividade docente, logo, do processo de ensino/aprendizagem dos nossos alunos, assim como, para o crescimento pessoal de todos aqueles que partilham o espaço escolar", conclui.

Sindicatos esperam 50 mil professores e equacionam novo local para protesto

03.11.2008 - 19h17 Lusa

Manifestação no próximo sábado

A Plataforma Sindical de Professores espera pelo menos 50 mil docentes na manifestação de sábado em Lisboa, mas admite rever em alta esta previsão nos próximos dias, estando por isso a equacionar uma alteração do local do protesto.

O porta-voz da Plataforma, Mário Nogueira, adiantou que as estimativas dos sindicatos apontam, "nesta altura, para a presença de mais de 50 mil" docentes, mas que só haverá uma previsão final depois de serem entregues pelos delegados sindicais as listas de inscrição dos professores.

"Admito que esse número possa subir, podendo a manifestação vir a ter uma dimensão semelhante ou próxima à realizada a 8 de Março", afirmou Mário Nogueira, relembrando os cerca de 100 mil professores que naquela data desfilaram entre o Marquês de Pombal e a Praça do Comércio, em Lisboa.

Por este motivo, os sindicatos estão a equacionar a mudança dos locais do protesto de sábado, inicialmente marcados para o Alto do Parque Eduardo VII, com desfile para o Ministério da Educação, na Avenida 5 de Outubro. A hipótese agora é a realização do plenário na Alameda da Cidade Universitária, seguindo os professores depois em manifestação até aos Restauradores.

Esta manifestação foi convocada para contestar as políticas educativas da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e, em concreto, o processo de avaliação de desempenho, o novo regime de gestão das escolas, o concurso de colocação de professores e o Estatuto da Carreira Docente, entre outras matérias.
30.10.2008 - 16h56 Lusa
O Governo aprovou hoje, em Conselho de Ministros, três decretos que reforçam e clarificam o ensino português no estrangeiro. Assim, foi aprovada a criação da Escola Portuguesa de Díli (Timor-Leste), a reformulação o regime jurídico da Escola Portuguesa de Moçambique e a uniformização dos programas de português de ensino privado no estrangeiro.

A criação da Escola Portuguesa de Díli faz parte de um acordo de cooperação entre Portugal e Timor-Leste assinado em 2002 e estará aberta a cidadãos portugueses, timorenses e de outras nacionalidades residentes nesta antiga colónia portuguesa. A nova Escola Portuguesa de Díli terá como missões "promover o ensino e a difusão da língua portuguesa", reforçar os laços linguísticos e a cooperação entre os dois países, aplicar "as orientações curriculares para a educação pré-escolar e dos planos curriculares e programas dos ensinos básicos e secundário em vigor no sistema educativo português". Entre outros objectivos, o diploma prevê que a Escola Portuguesa de Díli se constitua "como centro de formação contínua de professores e centro de recursos".



Escola de Moçambique deixa de ser “instituto público”

No que respeita à Escola Portuguesa de Moçambique, o decreto agora aprovado altera o seu regime jurídico, alegadamente, para o dotar de "mecanismos que permitam o aumento da eficiência na prestação do serviço público de educação". "Pretende-se uniformizar o regime jurídico aplicável às escolas portuguesas no estrangeiro", passando a de Moçambique a "ter a mesma natureza dos estabelecimentos públicos de educação e ensino do sistema educativo português", deixando de ser um "instituto público". O diploma consagra também novas regras quanto à organização interna, "designadamente através da criação de um conselho pedagógico e da definição das respectivas competências". As mudanças agora introduzidas estendem-se à composição do Conselho de Patronos e ao recrutamento dos membros do Conselho de Directivo da escola. Ainda de acordo com o executivo, o diploma procura "solucionar a questão relativa ao recrutamento de pessoal docente do ensino público português, estipulando-se regras que permita aos docentes exercer funções na Escola Portuguesa de Moçambique "sem prejuízo da sua carreira".



Escolas privadas fora do país com as mesmas regras

O terceiro diploma aprovado pelo Conselho de Ministros sobre a temática da educação do português no estrangeiro visa definir "requisitos de qualidade" para as escolas de ensino privado fora do território nacional. "Fixam-se as condições que as instituições devem respeitar em termos de direcção pedagógica e da qualificação de pessoal docente para que o reconhecimento seja concedido", refere o decreto. "Com este diploma pretende-se assegurar aos filhos dos emigrantes o ensino do português e o acesso à cultura portuguesa, bem como reconhecer o papel da língua portuguesa enquanto veículo de comunicação e transmissão de cultura portuguesa à escala mundial", refere o comunicado do Conselho de Ministros.

Ministra vai ao Parlamento explicar ideia de acabar com "chumbos" até ao 9º ano

30.10.2008 - 20h31 Lusa
O Parlamento aprovou hoje por unanimidade a audição da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e do Conselho Nacional de Educação sobre a proposta para acabar com as reprovações de alunos no ensino obrigatório.

O requerimento aprovado hoje foi apresentado pelo CDS-PP. O deputado democrata-cristão José Paulo Carvalho disse que o objectivo é esclarecer qual a posição do ministério face a um parecer do Conselho Nacional de Educação que recomenda ao Governo que estude soluções alternativas aos chumbos de ano.

Os deputados aprovaram também a audição dos dois relatores do documento do Conselho Nacional de Educação, órgão consultivo do Governo. José Paulo Carvalho afirmou concordar que os alunos com mais dificuldades tenham mais acompanhamento desde que "isso não signifique que se generalize um sistema de passagens administrativas".

De acordo com a edição de ontem do “Diário Económico”, um projecto de parecer do Conselho Nacional de Educação recomenda que o Ministério da Educação estude "soluções adoptadas noutros países que `encontraram alternativas às repetições, obtendo bons desempenhos por parte dos alunos e resolvendo os problemas do insucesso".

Ao PÚBLICO, o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, explicou que o Governo não quer proibir os chumbos, mas pretende reforçar "as estratégias e as medidas de apoio à recuperação de alunos, de forma a que a retenção e a repetição de ano deixem naturalmente de acontecer".

Magalhães causa polémica entre professores

A Federação Nacional da Educação tem recebido centenas de queixas de docentes que se queixam de estar a ser encarregados de funções "burocráticas e administrativas relacionadas com o Magalhães", indica a FNE em comunicado.

Segundo a federação, as tarefas delegadas aos professores "não dignificarem em nada a profissão docente, ainda mais sobrecarregam o tempo de trabalho destes profissionais, diminuindo-lhes o tempo para o que verdadeiramente conta: ensinar".

Ao que tudo indica, os docentes têm a indicação do Ministério da Educação de que devem ocupar o tempo "livre", o que traduzindo para a realidade actual, os coloca a fornecer os documentos de adesão ao computador, efectuar pagamentos às operadoras móveis, receber e entregar aos encarregados de educação as facturas das respectivas operadoras e aconselhar os alunos ou pais quanto à operadora mais adequada para cada caso.

A FNE afirma que a acção do Ministério da Educação é "completamente despropositada", isto no que se refere "ao exigir que os professores tenham de fornecer os documentos de adesão ao computador […], validando posteriormente as fichas e os termos de responsabilidade". Em nota à imprensa, a federação chega a acusar o ministério de "desrespeito absoluto pela actividade docente, introduzindo até no acto de leccionar uma componente comercial abusiva".

Guerra à avaliação em quase cem escolas

Educação. Cada vez mais professores de agrupamentos e escolas isoladas assumem-se contra a avaliação. A ministra disse ontem que os protestos se resumem a alguns professores, mas até a presidente da melhor pública do ano a contraria

Professores dizem que estão prontos para não progredir

De norte a sul, 92 escolas e agrupamentos, segundo uma lista elaborada pela Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), já tomaram posição, em reuniões e moções de professores, pedindo a suspensão da avaliação. E os sindicatos e movimentos independentes do sector afirmam que esta é só a ponta do icebergue.

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, considerou ontem, em Anadia, que a contestação se resume a alguns professores e não às suas escolas: "Há professores que não querem ser avaliados e já o sabemos há muito tempo, mas o País não entenderá que os professores sejam uma classe à parte, pelo que terão de estar sujeitos a regras", disse.

Melhor pública do ano na lista

A verdade é que não foi preciso procurar muito para encontrar uma presidente de conselho executivo que desmentisse essa leitura dos factos. Precisamente a que lidera a Escola Secundária Infanta D. Maria, de Coimbra, a melhor pública do ano segundo os rankings publicados esta semana pelo DN, e uma das 92 com moções contra a avaliação.

"Não é verdade que os professores não queiram ser avaliados. Querem é ter outra avaliação. Não esta, que só lhes está a tirar tempo para ensinarem", disse ao DN Rosário Gama. "Na minha escola, 90 assinaram. Só não assinaram três que não estiveram na reunião. Eu não o fiz porque, nas minhas funções, nunca poderia recusar--me a avaliar um professor que o quisesse. Mas como professora teria assinado e aplicado a decisão", disse, acrescentando "não ter dúvidas" de que muitos pedidos de aposentação na sua escola decorrem deste caso.

"Prontos" para consequências

Ontem, a ministra da Educação lembrou também o que acontecerá a quem rejeitar a avaliação: "A consequência imediata é que, não sendo avaliado, o professor não reúne as condições para progredir na carreira", avisou. Mas os sindicatos e movimentos dizem que os professores estão preparados para tudo.

DN
Pedro Sousa Tavares

"Magalhães" enche docentes de burocracia

O "Magalhães" está a a sobrecarregar de trabalho os professores do 1.º Ciclo. A denúncia é da Federação Nacional da Educação (FNE) que diz ter recebido centenas de queixas de docentes sobrecarregados com tarefas burocráticas.

Nas últimas semanas, chegaram à FNE centenas de queixas de professores que "estão a realizar tarefas burocráticas e administrativas relacionadas com os computadores 'Magalhães' que, para lá de não dignificarem em nada a profissão docente, ainda mais sobrecarregam o tempo de trabalho destes profissionais, diminuindo-lhes o tempo para o que verdadeiramente conta: ensinar", denuncia a federação, em comunicado divulgado ontem.

Os docentes estão a receber instruções do Ministério da Educação (ME) que "os obrigam a ocupar tempo desnecessário", além de lhes imputar responsabilidades que ultrapassam as suas funções, de acordo com a estrutura sindical. "A FNE considera completamente despropositada a acção do ME, ao exigir que os professores tenham de fornecer os documentos de adesão ao computador 'Magalhães', validando posteriormente as fichas e os termos de responsabilidade."

Entre as tarefas consideradas desadequadas à função docente estão assinalar a efectivação dos pagamentos às operadoras móveis, tratar de receber e entregar aos encarregados de educação as facturas das respectivas operadoras e sugerir a operadora mais adequada para cada aluno.

"Para a FNE, estas obrigações revelam um desrespeito absoluto pela actividade docente, introduzindo até no acto de leccionar uma componente comercial abusiva", lê-se no comunicado.

O vice-presidente do Conselho Directivo da Casa Pia, José Lucas, disse, ontem, que a avaliação de desempenho dos professores dos centros educativos se mantém, apesar de existir uma proposta para suspender o processo. José Lucas esclareceu que o que existe é uma moção, que foi votada no Centro Educativo Pina Manique, na semana passada no sentido de se fazer uma proposta de suspensão do processo de avaliação de desempenho dos professores.

Anteontem, o vice-presidente do Sindicato de Professores da Grande Lisboa, Óscar Soares, disse à agência Lusa que os professores dos centros de educação e desenvolvimento de Pina Manique, Nuno Álvares e Jacob Pereira tinham decidido suspender a avaliação de desempenho de professores. José Lucas explicou que a avaliação não foi suspensa, esclarecendo que o assunto tem sido discutido com os sindicatos de professores e "até à data nunca o sindicato manifestou a sua proposta de se proceder à suspensão do processo na instituição".

JN

Trabalho dos professores para "vender" Magalhães

A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação criticou a atribuição pelo Ministério da Educação de "tarefas burocráticas e administrativas" aos professores do primeiro ciclo relacionadas com o computador Magalhães, garantindo ter já recebido "centenas de queixas" de docentes.

Segundo Lucinda Manuela, dirigente da FNE, os professores do 1º ciclo estão a receber orientações da tutela, através de um "guião", para serem os próprios a fornecer os documentos de adesão do computador, validando posteriormente as fichas e os termos de responsabilidade e tratando inclusivé de receber e entregar aos encarregados de educação as facturas das operadoras.

"Somos a favor das novas tecnologias e do acesso de todos os alunos a elas, mas não pode ser à custa de mais trabalho burocrático e administrativo para os professores, que já estão nas escolas muito para além do seu horário de trabalho", afirmou a dirigente sindical, em declarações à agência Lusa.

Considerando "inaceitável e injustificável" este pedido do Ministério da Educação, a FNE sublinha ainda que "estas obrigações", que surgem no âmbito do programa e.escolinhas, revelam um "desrespeito absoluto pela actividade docente, introduzindo até no acto de leccionar uma componente comercial abusiva".

"Além do tempo que os professores perdem com a avaliação de desempenho, estas obrigações vão prejudicar ainda mais a preparação de aulas e o acompanhamento dos alunos. Só podem estar a desempenhar estas funções [relacionadas com o Magalhães] no tempo que deveriam ter para a sua vida pessoal", criticou Lucinda Manuela.

A Agência Lusa tentou contactar, sem sucesso, o Ministério da Educação

JN

Professores “chumbam” teste da ministra da Educação

Perto de três centenas de professores evidenciaram, ao final da tarde de sábado, no Largo da Misericórdia, a sua insatisfação pelo processo de avaliação imposto pelo Ministério da Educação. A manifestação nacional dos professores segue dentro de momentos, em Lisboa.

Foi entre músicas de Zeca Afonso interpretadas pelo trio Francisco Fanhais, Pedro Fragoso e Pedro Branco, no gélido fim de tarde de sábado, e no mal iluminado Largo da Misericórdia, que perto de três centenas de professores do ensino básico e secundário se manifestaram.

Jaime Pinho foi o professor de serviço. Aliás, este docente foi o mentor desta acção de protesto contra a política de avaliação dos professores, implementada pela ministra da Educação, à qual os professores respondem com um rotundo ‘chumbo’, apelando ao bom senso da ministra para fazer marcha-atrás.

“Esta manifestação é resultado de um grupo expontâneo de 35 professores de várias escolas e graus de ensino dos concelhos de Setúbal e Palmela, e que, em poucos dias, fomos passando a palavra para nos reunir aqui hoje,” disse Jaime Pinho, que resumiu o que está em causa: “A avaliação que pretendemos tem de ir ao encontro dos direitos e necessidade dos alunos, e tem de promover uma escola que aposta na formação plena e equilibrada dos cidadãos.”

Entre os presentes, encontrava-se o professor Constantino Piçarra, da escola de Ourique que, em finais de Setembro, deu início ao movimento da escola pública. “Este modelo de avaliação está tecnicamente mal concebido, e implica uma situação insustentável nas escolas. Nós temos o dever de ensinar e, com este sistema de avaliação do Governo, essa obrigação é ofuscada, porque entramos em devaneios legislativos” alerta.

De entre as questões, este docente pergunta à ministra da Educação: “é mais importante os professores debaterem os problemas dos seus alunos, ou andarem de braço dado com o Ministério, armados em legisladores para porem em prática um sistema de avaliação que, ainda por cima, objectiva que 75 por cento não atinja o topo da carreira?”

Outra voz no microfone do Largo da Misericórdia foi a de João Trigo, do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa. “As questões do estatuto da carreira docente e da avaliação do desempenho preocupam grandemente a classe, a que a ministra insiste com a prática do medo, mas verifico que os professores estão unidos e não aceitam tal situação,” disse.

Paulo Guinote, professor e reconhecido bloguista, deixou à plateia de colegas dois pedidos: “Unidade e dignidade da classe.” Informando haver moções para suspensão deste processo em mais de meio milhar de escolas do país, Guinote apelou para a continuação desta luta: “Que cada um e todos juntos saibamos agir em conformidade”.

Teodoro João

Professores de Almada concentram-se nesta 3ª feira

Nesta Terça-feira, 4 de Novembro, realiza-se uma concentração de professores em Almada, a partir das 17,30 horas, na Praça da Liberdade, junto ao Fórum Romeu Correia.
Os professores lutam pela imediata suspensão da avaliação de desempenho, que consideram burocrática, economicista e inaplicável. Os docentes de Almada exigem ainda uma só carreira e defendem que os seus direitos e dignidade não se negoceiam.
No passado dia 18 de Outubro, dezenas de professores reuniram na SRUP/Pragal e apelaram a todos os professores da Margem Sul para que manifestem publicamente a sua indignação e protesto contra a prepotência e os ataques ministeriais aos direitos e dignidade dos professores.

Desse encontro, que juntou 65 professores, saiu a iniciativa de convocar o protesto nesta 3ª feira, 4 de Novembro. O encontro aprovou ainda uma tomada de posição unânime: denunciando as condições de trabalho existentes nas escolas; saudando as diversas iniciativas de protesto e resistência; apelando a que as direcções sindicais "rompam o acordo assinado com Lurdes Rodrigues" e apelando ainda à "constituição de um movimento nas escolas pela suspensão imediata da actual avaliação de desempenho".

Avaliação dos professores a andar parada

17:34 | Quarta-feira, 29 de Out de 2008



O Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (CCAP) está parado. Desde Julho que não reúne. Não vejo por que haveria de andar. Mesmo que o fizesse, sabemos que qualquer reunião é sempre estática. Ou, pelo menos, extática. O tipo de reunião muito contemplativo, que faz com que o CCAP não morra do síndrome de hiperactividade. A CCAP não existe. Ou anda em comunhão com o Além. "Científico" só se estiver, dada a discrição, dedicado às ciências ocultas.

A presidente, Conceição Castro Ramos, aposentou-se cinco meses depois da posse. Não teve tempo para dizer: posse e mando. Não foi substituída. É insubstituível. Outro membro, Matias Alves, abandonou por deixar de ser "titular". Sabemos a dificuldade em manter títulos. Disse que o Conselho corria o risco de se tornar um órgão "inútil". Há docentes à cata da sua utilidade.

Sem pressa de reunir o CCAP (e alguns dos seus grupos de trabalho apenas em sessões esotéricas), este fogoso conselho consultivo criado pelo Ministério da Educação, para supervisionar o processo de avaliação do desempenho dos professores, poderá estar a sofrer de depressão pós-parto. Até a sua página na Internet, http://www.ccap.min-edu.pt/ , desovada a 2 de Abril do corrente ano, foi actualizada pela última vez (e primeira?) a 24 de Julho!

Ainda assim, o Conselho Científico para a Avaliação de Professores quer organizar uma rede de escolas e agrupamentos para desenvolver projectos de colaboração em matéria de avaliação do desempenho docente. Os seus grandes objectivos estão a ser cumpridos com sonolentos abanos de cabeça. São maravilhosos. Vale a pena transcrevê-los: "promover a interacção entre a teoria e a prática da avaliação do desempenho docente; proporcionar oportunidades para conhecer de perto potencialidades e dificuldades existentes na concretização do sistema de avaliação; estimular o diálogo, o debate e a troca de experiências entre as escolas associadas e entre estas e o Conselho; contribuir para a identificação de dispositivos, instrumentos e procedimentos que possam ser caracterizados como exemplos de boas práticas; desenvolver reflexões sobre aspectos específicos da problemática da avaliação do desempenho docente centrados na realidade das escolas e na prática dos avaliadores; incentivar o desenvolvimento de colaborações entre escolas e agrupamentos e instituições de ensino superior; facilitar a participação das escolas associadas em programas de intercâmbio com escolas de outros países europeus com experiências relevantes nesta área". Uff!

De boas intenções está a 5 de Outubro grávida. De más intenções estão as escolas que rejeitam o modelo de avaliação, dada a extrema dificuldade em concretizá-lo e a colossal carga burocrática exigida. Falava-se, e bem mal, da burocracia dos tempos da outra senhora. E a dos desta senhora?

Com o CCAP contemplativo, ou em coma acólito, os professores andam esfalfados a produzir toneladas de papel, impresso a jacto de tinta, para arquivo morto. Ou para trituradoras que engolem folhas A4 como sorvetes de morango. Não lhes sobra, aos professores, tempo para preparar aulas, nem para desenvolver "boas práticas" com os alunos. Mas disto o sistema educativo de excelência que perseguimos precisa?

José Alberto Quaresma

Dificuldade de exames nacionais de português explica resultados piores

29.10.2008 - 14h29 Lusa
A dificuldade acrescida dos exames nacionais da disciplina de português no ensino básico e secundário é, para a Associação de Professores de Português (APP), o motivo para os piores resultados obtidos face ao ano passado.

Segundo os resultados dos exames nacionais, divulgados terça-feira pelo Ministério da Educação (ME), seis escolas do ensino básico tiveram média negativa no exame nacional de Língua Portuguesa do 9º ano, o que representa 0,4 por cento das escolas onde a prova se realizou, quando no ano passado apenas duas escolas tiveram resultados negativos.

Entre as dez escolas básicas com melhores resultados estão nove privadas e apenas uma pública. Por oposição, entre as dez piores prestações só se encontram estabelecimentos de ensino públicos.

Quanto a Português B do 12º ano, 74 por cento das escolas alcançaram média positiva no exame nacional, um resultado 16 pontos percentuais abaixo do verificado no ano passado, quando 90 por cento dos estabelecimentos de ensino ficaram acima dos 9,5 valores.

Também neste caso, as privadas estão em maioria entre as dez que tiveram a média mais alta (seis privadas e quatro públicas), enquanto as públicas estão em maior número no fim da tabela, ocupando nove dos dez últimos lugares.

"De facto considero que não há correspondência entre a realidade e estes resultados, porque estes são influenciados pela dificuldade ou facilitismo dos exames", disse à Lusa a vice-presidente da APP, Edviges Antunes Ferreira.

A responsável considerou "normal que os resultados de Português sejam inferiores" aos do ano passado, porque este ano a prova da primeira chamada de Português foi "dificílima".

"Isto não implica necessariamente que os alunos este ano sejam piores do que no ano passado", considerou, salientando que "as duas provas do ano passado tiveram um equilíbrio e foram fáceis, coisa que não aconteceu este ano, em que uma primeira prova dificílima baixou a média geral".

Edviges Antunes Ferreira desvalorizou ainda a elaboração de rankings de escolas a partir destes resultados, nos quais os primeiros lugares são maioritariamente ocupados por escolas privadas.

"É normal que um aluno que esteve sempre no mesmo colégio, muitas vezes desde os três anos de idade, onde é às vezes acompanhado pelos mesmos professores durante anos, tenha melhores resultados do que um aluno que está numa escola pública, onde tem um professor no 10º ano, outro no 11º e ainda outro no 12º, pode calhar numa boa ou numa má turma", salientou.

"Eu tanto tenho turmas de 12º ano muito boas como tenho outras que são fracas, é o que nos calha, na escola pública não dá para escolher", disse.

Rangel reclama educação exigente e não “política de computadores Magalhães”


03.11.2008 - 16h45 Lusa
O líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, afirmou hoje que o seu partido defende uma política educativa "de exigência e de rigor" que contrasta com a "política de computadores Magalhães" do Governo.

Na abertura das jornadas parlamentares do PSD, em Évora, Paulo Rangel acusou o Governo do PS de apostar numa "cultura do facilitismo, da não verdade, do trabalhar para as estatísticas" que atirou as escolas públicas para "os lugares finais dos 'rankings' das escolas".

O PSD defende "não uma política de computadores Magalhães, mas uma política de exigência e de rigor nas escolas", acrescentou Paulo Rangel, defendendo que "só com exigência há igualdade de oportunidades". "Não aparecem escolas públicas nos dez primeiros lugares dos 'rankings'", assinalou. "A escola pública aparece nos lugares finais dos 'rankings' porque não se premeia o mérito, porque o Governo na política educativa desistiu do mérito e da exigência", sustentou o líder parlamentar do PSD.

No seu discurso, Paulo Rangel salientou que o tema das jornadas de Évora é "Verdade e alternativa" e alegou que o PSD também se distingue do PS por falar verdade aos portugueses. "Recuperando o código genético do PSD encontrei no hino do PSD as palavras que são o lema da nossa jornada de hoje e de amanhã: Paz, pão, povo e liberdade / Todos sempre unidos no caminho da verdade", citou. "O PSD não mente aos portugueses, não ilude as dificuldades, tem como critério para propor medidas e para governar Portugal o critério da verdade", alegou Rangel.

Adaptação do Manifesto Anti-Dantas, de Almada Negreiros, poeta d'Orpheu, futurista e tudo..


MANIFESTO ANTI-MARIA DE LURDES

Basta pum basta!!!

Uma geração que consente deixar-se dominar por uma Maria de Lurdes é uma geração que nunca o foi. É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!

Abaixo a geração Maria de Lurdes!

Corram com a Maria de Lurdes, corram! Pim!

Uma geração com uma Maria de Lurdes a cavalo é um burro impotente!

Uma geração com uma Maria de Lurdes ao leme é uma canoa em seco!

A Maria de Lurdes é meio demagoga!

A Maria de Lurdes é demagoga inteira!

A Maria de Lurdes saberá de sociologia, saberá estatística, saberá escrever sobre o estatuto dos engenheiros, saberá transformar uma anarquista numa ditadorazeca do terceiro mundo, saberá de tudo menos de educação que é a única coisa que se esperaria que ela soubesse!

A Maria de Lurdes pesca tanto de pedagogia que erigiu em fim principal da escola a ocupação dos tempos livres dos alunos ociosos, que transformou os professores em principal inimigo do Governo, que quis pôr o País inteiro contra os professores!

A Maria de Lurdes é uma habilidosa!

A Maria de Lurdes tem um trauma de infância contra os professores!

A Maria de Lurdes que foi professora primária esconde esta 'mácula' na sua biografia oficial. Sente vergonha de ter sido professora como quem tem vergonha da própria mãe. É uma vergonha!

A Maria de Lurdes transformou a pedagogia em demagogia!

A Maria de Lurdes manipula, tergiversa, mente e tenta colocar as escolas ao serviço dos interesses partidários!

A Maria de Lurdes quer destruir a escola pública!

Corram com a Maria de Lurdes, corram com ela! Pim!

A Maria de Lurdes fez um Estatuto da Carreira Docente que só poderia ter sido feito no Chile de Pinochet de onde o seu mestre anarquista, João Freire, o copiou mal e porcamente!

E a Maria de Lurdes teve claque! E a Maria de Lurdes teve palmas! E a Maria de Lurdes agradeceu!

A Maria de Lurdes é uma vergonha!

Não é preciso ir prá 5 de Outubro pra se ser pantomineiro, basta ser-se pantomineiro!

Não é preciso disfarçar-se pra se ser salteador, basta extrorquir aos professores os seus direitos como a Maria de Lurdes faz! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem pedagógicos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões do eduques, com as
alucinações de um alumbrado como Valter Lemos! Basta usar o tal sorrisinho cínico, basta fazer aparência de muito delicada, e usar olhos meigos para os jornalistas! Basta ser Judas! Basta ser Maria de Lurdes!

Corram com a Maria de Lurdes, corram com ela! Pim!

A Maria de Lurdes nasceu para provar que nem todos os que governam sabem governar!

A Maria de Lurdes é um autómato que deita pra fora o que a gente já sabe o que vai sair..., bastando ter lido os textos alucinados daquela espécie de Menino do Lapedo fóssil que é Valter Lemos. Mas é preciso deitar mentiras, estatísticas manipuladas, dinheiro, prémios, livros e computadores para comprar os votos aos pais!

A Maria de Lurdes é uma doentia perturbação dela-própria!

A Maria de Lurdes em génio nem chega a pólvora seca e em competência é pim-pam-pum.

A Maria de Lurdes em poses eróticas no jornal Expresso é horrorosa!

A Maria de Lurdes tresanda a mentira e a demagogia!

Corram com a Maria de Lurdes, corram com ela! Pim!

A Maria de Lurdes é o escárnio da consciência!

Se a Maria de Lurdes é portuguesa eu quero ser do Chile, do país de onde importaram o Estatuto da Carreira Docente!

A Maria de Lurdes é a vergonha da intelectualidade portuguesa!

A Maria de Lurdes é a meta da decadência mental!

E ainda há uns propagandistas na comunicação social que não coram quando dizem admirar a Maria de Lurdes, quais Vitais Moreiras e outras lavadeiras das imundices da socratinada!

E ainda há quem lhe estenda a mão!

E quem lhe lave a imagem com campanhas de propaganda!

E quem tenha dó da Maria de Lurdes, imputando as culpas deste desastre ao inenarrável Valter Lemos!

E ainda há quem duvide que a Maria de Lurdes não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!

Continue a senhora Maria de Lurdes a governar assim que o País há-de ganhar muito com destruição das escolas públicas e há-de ver que ainda apanha uma estátua de cera no Museu dos Horrores e um monumento erecto por subscrição pública dos espanhóis que finalmente ao fim de oito séculos conseguirão destruir Portugal, e a Praça de Camões mudada em Praça Dr.ª Maria de Lurdes, e com festas da cidade plos aniversários, e sabonetes em conta Maria de Lurdes' e pasta Maria de Lurdes prós dentes, e graxa Maria de Lurdes prás botas e Niveína Maria de Lurdes,
e comprimidos Maria de Lurdes, e autoclismos Maria de Lurdes e Maria de Lurdes, Maria de Lurdes, Maria de Lurdes, Maria de Lurdes... E limonadas Maria de Lurdes-Magnésia.

E fique sabendo a Maria de Lurdes que se um dia houver justiça em Portugal todo o mundo saberá que o autor de Os Lusíadas é a Maria de Lurdes que num rasgo memorável de modéstia só consentiu a glória do seu pseudónimo Camões.

E fique sabendo a Maria de Lurdes que se todos fossem como eu, haveria tais munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar.

Mas julgais que nisto se resume a pedagogia portuguesa? Não Mil vezes não!

Temos, além disto o Secretário de Estado Valter Lemos, outro iluminado vítima da Síndrome de Legiferação Compulsiva que, como ela, esquecendo a sua formação docente, vive obcecado em perseguir os professores e em
transformar os alunos num bando de ignorantes e insubordinados.
E há ainda a Directora Regional de Educação do Norte que, encarnado o espírito ditatorial de um engenheiro que não o é, se deleita a punir delitos de opinião e que proclamou ao mundo o direito inalienável dos alunos ao sucesso, mesmo que não saibam ler nem escrever nem contar. E há ainda o Director do GAVE especialista em fabricar exames nacionais
para atrasados mentais, para mostrar ao mundo a grande sabedoria dos alunos portugueses.

Corram com a Maria de Lurdes, corram com ela! Pim!

Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mas atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos!
Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!

Corram com a Maria de Lurdes, depressa, corram com ela! Pim!


Adaptado de José de Almada Negreiros
Poeta d'Orpheu
Futurista E Tudo
1915 (2008)

por um singelo Amante da Pátria Portuguesa indignado com a corja de bandidos e de incompetentes dirigidos pelo maior especialista em falsos diplomas que a história lusíada produziu…, seja o dele próprio sejam os das Novas Oportunidades que ele distribui a esmo, transformando milagrosamente ignorantes em letrados, cabulões em
engenheiros de obras feitas, nulidades em políticos do mais alto coturno maquiavélico, cavalidades em sábios ministros e secretários de estado…

SUSPENDER ESTA AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES É UM SERVIÇO

Os sindicatos de professores já o tinham anunciado, na declaração para a acta que consumou o “memorando de entendimento” que firmaram com o ME em Março deste ano: “… a Plataforma Sindical dos Professores, no que à avaliação diz respeito, reafirma o seu desacordo com o modelo imposto pelo ME, … reafirma, ainda, que os pressupostos base da actual situação de profundo conflito em nada alteram as divergências de fundo que as organizações sindicais mantêm …”.

Ora, o conflito atrás referido, serenado que foi até ao final do ano lectivo anterior, reacende-se de imediato, e mais forte ainda, quando os professores se apercebem da verdadeira dimensão do “monstro” que têm pela frente. Não é, infelizmente, o único motivo mas será, estamos seguros, o que mais pesa na ideia cada vez mais sedimentada de que assim não se pode ser professor.

De facto, bastou 1 mês de aulas para todos os professores e educadores terem claro que este modelo não é capaz sequer de ser instalado, quanto mais aplicado com um mínimo de equidade.

Destacaremos um conjunto de razões que justificam esta afirmação:

• Desde logo a enorme complexidade do modelo, sujeito a leituras tão difusas quanto distantes entre si e que nem o próprio Ministério da Educação consegue explicar devidamente

• Dentro desta complexidade, a instalação do modelo revela-se morosa, muito divergente nos ritmos que as escolas conseguem encontrar e dificultada ainda pela falta de informação cabal e inequívoca às perguntas que vão, naturalmente, aparecendo

• Por outro lado, decorrente de bizarras concepções do papel de quem avalia, as decorrentes do próprio modelo e outras ligadas ao universo de avaliadores que o ME definiu, está já latente um clima de contestação à indigitação destes, registando-se em muitos casos uma inversão de papeis no binómio avaliador-avaliado
• A maioria dos itens constantes das fichas não são passíveis de ser universalizados. Alguns só se aplicam a um número reduzido de professores. Outros, pelo seu grau de subjectividade, ressentem-se de um problema estrutural – não existem quadros de referência em função dos quais seja possível promover a objectividade da avaliação do desempenho

• As questões colocadas anteriormente assumem um papel fundamental nas arbitrariedades que se têm sucedido porque, o modelo centra-se nas responsabilidades individuais e não no contributo para o desenvolvimento de uma cultura de avaliação

• Suspender o processo de avaliação desde já, e numa altura em que cresce o número de escolas que, por motu proprio, suspendem todo o processo, permitirá:

1. recentrar a atenção dos professores naquela que é a sua primeira e fundamental missão – ensinar
2. permitir assim que os professores se preocupem prioritariamente com quem devem – os seus alunos
3. antecipar em alguns meses a negociação de um outro modelo de avaliação do desempenho docente, quando já estão em circulação outras propostas, radicalmente diferentes e surgidas do meio sindical
4. dirigir as energias das partes contratuais (ME/Sindicatos) para a problematização e renegociação dos principais eixos da desastrosa política educativa deste Governo, que incluem, inevitavelmente o Estatuto da Carreira Docente e a gestão e administração das escolas



Lisboa, 24 de Outubro de 2008
A Plataforma Sindical dos Professores

escolas que suspenderam a avaliação

• Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Santo André
• Escola Secundária Campos-Melo (Covilhã)
• Agrupamento de Escolas António José de Almeida (Penacova)
• Agrupamento D.Manuel Farias (Felgueiras)
• Escola Secundária Ferreira Dias (Cacém)
• Escola Secundária Rio Tnto
• Agrupamento de Escolas de Alvide (Cascais)
• Escola Secundária de Montemor-o-Novo
• Escola Secundária D.Manuel Martins (Setúbal)
• Escola Secundária do Monte da Caparica
• Agrupamento de Escolas de Maceira
• Agrupamento de Escolas D. Carlos I
• Escola Secundária/3 Raínha Santa Isabel, Extremoz
• Agrupamento de Escolas José maria dos Santos, Pinhal Novo
• Escola Secundária/3 de Barcelinhos
• Escola Secundária Augusto Gomes Matosinhos
• Agrupamento de Escolas de Ovar
• Escola de Eugénio de Castro (Coimbra)
• Escola Secundária D.João II (Setúbal)
• Professores de Chaves
• Agrupamento de Ourique
• Agrupamento de Escolas de Aradas (Aveiro)
• Escola Secundária Jaime Magalhães Lima (Aveiro)
• Agrupamento de Armação de Pêra
• Escola Alice Gouveia (Coimbra)
• Escola Secundária da Amadora
• Agrupamento Vertical Clara de Resende (Porto)
• Escola de Arraiolos
• Escola Secundária Dr. Júlio Martins (Chaves)
• Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Poiares
• Agrupamento de Escolas de Vouzela
• Agrupamento de Escolas do Forte da Casa
• Escola Secundária Camilo Castelo Branco (Vila Real)
• Escola Secundária da Amora
• Escola EB 2,3 Dr. Rui Grácio
• Agrupamento Vertical de Escolas de Azeitão
• Escola Manuel da Fonseca de Santiago do Cacém
• Agrupamento de escolas António José de Almeida, em Penacova
• Agrupamento de escolas nº 1 em Beja - Santa Maria
• As duas escolas secundárias da Amadora
• Agrupamento de escolas de Vila do Bispo
• O agrupamento de escolas Júdice Fialho. Portimão
• Escola Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra
• Escola da Tocha
• Escola Secundária da Amadora / Sintra
• Escola Secundária Dr. Júlio Martins / Aveiro
• Secundária Alcaides de Faria / Barcelos
• Departamento de Expressões da Escola Eugénio de Castro / Coimbra
• Departamento de Expressões da Escola Secundária Filipa de Vilhena / Porto
• Departamento de História, Filosofia e E.M:R. da Escola Secundária de Odivelas
• Declaração da Demissão de Avaliador do Prof. José Maria Barbosa Cardoso,
• Declaração de Demissão da maioria dos professores Avaliadores n/ Coordenadores, da Escola Secundária Camões



Muitas outras têm o processo parado ainda que não tenham aprovado moções. Circula por sms e email o seguinte texto: Lisboa pára processo de avaliação de desempenho

Documento para suspender a avaliação

Sindicato dos Professores da Região Centro . FENPROF
www.sprc.pt - www.fenprof.pt
viseu@sprc.pt – tel. 232 420320



Documento a subscrever pelos professores e educadores
e a apresentar ao C.Pedagógico e C. Executivo
Se desejar este documento por mail peça-o para - viseu@sprc.pt


_________________________________________________


Proposta ao Conselho Pedagógico e ao Conselho Executivo
Os professores e educadores do Agrupamento de Escolas/Escola Secundária de………………………………., subscritores deste documento vêm propor ao Conselho Pedagógico e ao Conselho Executivo a suspensão do processo de avaliação do desempenho em curso nos termos e com os fundamentos seguintes:
1. O modelo de avaliação do desempenho aprovado pelo Decreto-Regulamentar 2/2008 não está orientado para a qualificação do serviço docente, como um dos caminhos a trilhar para a melhoria da qualidade da Educação, enquanto serviço público;
2. O modelo de avaliação instituído pelo referido decreto-regulamentar destina-se, sobretudo, a institucionalizar uma cadeia hierárquica dentro das escolas e a dificultar ou, mesmo, impedir a progressão dos professores na sua carreira;
3. O estabelecimento de quotas na avaliação e a criação de duas categorias que, só por si, determinam que mais de 2/3 dos docentes não chegarão ao topo da carreira, completam a orientação exclusivamente economicista em que se enquadra o actual estatuto de carreira docente que inclui o modelo de avaliação decretado pelo ME;
4. Paradoxalmente, a aplicação do actual modelo de avaliação do desempenho está a prejudicar o desempenho dos professores e educadores por via da despropositada carga burocrática e das inúmeras reuniões que exige;
5. O modelo de avaliação reveste-se de enorme complexidade e é objecto de leituras tão difusas quanto distantes entre si e que nem o próprio Ministério da Educação consegue explicar devidamente;
6. A instalação do modelo revela-se morosa, muito divergente nos ritmos que é possível encontrar e dificultada ainda pela falta de informação cabal e inequívoca às perguntas que vão, naturalmente, aparecendo;
7. A maioria dos itens constantes das fichas não são passíveis de ser universalizados. Alguns só se aplicam com um número reduzido de professores. Outros, pelo seu grau de subjectividade, ressentem-se de um problema estrutural – não existem quadros de referência em função dos quais seja possível promover a objectividade da avaliação do desempenho;
8. O desenvolvimento do processo com vista à avaliação do desempenho não respeita o que determinam os artigos 8º e 14º, do próprio Dec-Regulamentar 2/2000, uma vez que o Regulamento Interno, o Projecto Educativo e o Plano Anual de Actividades não se encontram aprovados por forma a enquadrar os seus princípios, objectivos, metodologias e prazos;
9. É evidente um clima de contestação e indignação dos professores e educadores;
10. O próprio Conselho Científico da Avaliação dos Professores (estrutura criada pelo ME) nas suas recomendações, critica aspectos centrais do modelo de avaliação do desempenho como a utilização feita pelas escolas dos instrumentos de registo, a utilização dos resultados dos alunos, o abandono escolar ou a observação de aulas, como itens de avaliação;
11. O Ministério da Educação assumiu com os Sindicatos de Professores a revisão, este ano lectivo, do modelo instituído pelo Dec-Regulamentar 2/2008;
12. Suspender o processo de avaliação permitirá: (i) recentrar a atenção dos professores naquela que é a sua primeira e fundamental missão – ensinar; (ii) que os professores se preocupem prioritariamente com quem devem – os seus alunos; (iii) antecipar em alguns meses a negociação de um outro modelo de avaliação do desempenho docente, quando já estão em circulação outras propostas, radicalmente diferentes e surgidas do meio sindical.

Assim, o signatários, renovam a proposta de que o Conselho Pedagógico e o Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas/Escola Secundária de ……………………… suspendam todas as iniciativas e actividades relacionadas com o processo de avaliação em curso, certos que, desta forma, contribuem para a melhoria do trabalho dos docentes, das aprendizagens dos nossos alunos e da qualidade do serviço público de educação.

Os signatários
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VAMOS TODOS EXIGIR A SUSPENSÃO
DO MODELO DE AVALIAÇÂO DO DESEMPENHO
DECRETADO PELO GOVERNO.

VAMOS EXIGIR A NEGOCIAÇÃO DE OUTRO MODELO DE AVALIAÇÃO
E A REVOGAÇÃO DO ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE

"A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!"

Copiado de a SINISTRA MINISTRA...


"AS ESCOLAS PORTUGUESAS ESTÃO UM VERDADEIRO CAOS!!!!
Depois de ouvir hoje o que disse a Srª Ministra, depois de ler os desabafos de muitos colegas nossos, na minha Escola, na blogosfera, invadiu-me uma raiva que não consigo mais conter e gostaria de a gritar ao Mundo.
Dizia a Srª Ministra, com o seu ar sereno, que "o processo de avaliação de desempenho dos professores está a avançar de "forma normal e com grande sentido de responsabilidade" na maioria das escolas." e eu pergunto Srª Ministra:
- Quem tenta enganar? Os Professores? Os Pais dos alunos? A opinião pública? A Comunicação social? Quem? A si própria? O seu governo?
Na maioria das Escolas, Srª Ministra, a situação é esta:
- Os Professores estão cansados, desmotivados, não aguentam tanto trabalho para nada. Reuniões, grelhas, objectivos, mais reuniões, relatório, mais reuniões... e continua assim, semana atrás de semana. Resultado:
Os Professores não têm tempo para aquilo que gostam de fazer: ENSINAR!!!
A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!
Na maioria das escolas, muitos Professores que até agora eram empenhados na preparação das suas aulas, limitam-se a fazer o mais fácil, não têm tempo para pesquisa, para partilhar com os alunos. Os alunos não aprendem!
A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!

Na maioria das Escolas muitos Professores que tinham ainda TANTO para dar à Escola, eram o pilar da Escola, uma referência para os mais novos, estão a abandonar, vão para a APOSENTAÇÃO, mesmo com penalizações graves! É fácil perceber: por cada três que saem, entram apenas dois, com vencimentos muito mais baixos. O factor economicista sempre à frente!
Não lhe passa pela cabeça, Srª Ministra, o potencial humano que as Escolas estão a perder e os efeitos de tal fuga!
A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!
Na maioria das Escolas, há Professores de baixa médica, Professores esgotados que não aguentam mais esta loucura, que metem atestados e então vem outro professor substituir ou não vem… não faz mal! os alunos terão a farsa das aulas de substituição e, em vez de terem Português ou Matemática, têm aula com um Professor de Ed. Física ou Geografia… tanto faz, o que interessa é ter tudo ocupadinho, Professores e Alunos. Srª Ministra, são muitas aulas em que os alunos não têm aulas com o SEU professor, porque este está doente, em que a matéria não é leccionada.
A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!
Na maioria das Escolas, os Professores andam às voltas com o novo Estatuto do Aluno. A Srª Ministra mandou cá para fora um documento em que obriga os alunos que faltam a fazerem uma prova de recuperação mesmo que faltem porque não lhes apetece, um documento que não prevê distinção entre os alunos que faltam porque estão doentes e aqueles que ficaram a dormir até mais tarde. Os Professores têm que fazer a prova! Fazer a prova, prepará-la, corrigi-la, plano de recuperação…quantas horas implica tudo isto, Srª Ministra? Solução fácil! Esqueçamo-nos de marcar faltas! Se isto é para ser a brincar, nós fazemos-lhe a vontade.
A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!
Os Professores que até ao ano lectivo anterior eram uma classe que partilhava, onde não se sentia, regra geral, a competição, deixaram de confiar uns nos outros, vivem em função da avaliação de desempenho, num verdadeiro egoísmo. Desconfiam do colega que o vai avaliar, querem apanhar as quotas dos Excelentes ou Muito Bom. O mau estar nas Escolas é geral, um clima de desconfiança instalou-se!
A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!
E dirá a Srª Ministra: "Os Professores não querem ser avaliados". Engana-se Srª Ministra "Os Professores querem ser avaliados!!!! Sempre foram, tal como Vossa Excelência é e será avaliada (talvez não precise de tanta grelha, mas será!!). Os Professores fazem um trabalho público! São avaliados diariamente. QUEREM UMA AVALIAÇÃO SÉRIA e não um faz-de-conta.
Mas acha, Srª MINISTRA, que é avaliar seriamente um Professor, quando:
1 – Um colega (que pode ter menos habilitações e não é da área disciplinar) vai assistir a TRÊS aulas em 150 aulas que um Professor dá à turma? É tão fácil BRILHAR em três aulas, mesmo que nas outras 147 não se faça nada! Os Professores já tiveram aulas assistidas nos estágios…. Sabem fazê-lo. Não têm medo disso, Srª Ministra!!! Isto é avaliação séria, Srª Ministra?
2 – Um colega Coordenador de Departamento é de Francês/Inglês (excelente profissional na sua área, mas como viveu muitos anos em França, tem dificuldades na língua Portuguesa) vai avaliar um colega de Estudos Portugueses que, por não ter tido tantos cargos como o primeiro, não é TITULAR e por isso vai ser avaliado nas suas aulas de Português (com 30 anos de serviço) pelo primeiro. Isto é avaliação séria, Srª Ministra?
3 – Um colega de Educação Tecnológica, com uma licenciatura da Universidade Aberta obtida há alguns anos, vai avaliar colegas de MATEMÁTICA do seu Departamento (Ciências Exactas), alguns já com o Mestrado na área (Repito: os colegas são excelentes profissionais, mas não PODEM SER avaliadores de quem tem mais ou diferentes habilitações do que eles. Eles não têm culpa e muitos desejavam não representar tal papel). Isto é avaliação séria, Srª Ministra?
4 – Um dos elementos da avaliação dos alunos é a progressão dos resultados escolares dos seus alunos. Srª Ministra, é tão fácil falsear a progressão dos resultados escolares dos alunos…se NÃO formos sérios e quisermos contribuir apenas para o sucesso estatístico. Acha que os Professores, sabendo que estes dados contam para a sua avaliação, vão dar classificações baixas? Isto é avaliação séria, Srª Ministra?
5 – E o dito portefólio ou "dossier pedagógico" ser outro factor na avaliação?! É tão fácil, hoje em dia, enchê-lo com materiais LINDOS, pedagógicos….mesmo que os alunos nem os tenham visto, mesmo que estes materiais não sejam nossos. Isto é avaliação séria, Srª Ministra?
E finalmente, uma das aberrações do 2/2008
6 – O Presidente do Conselho Executivo, e simultaneamente Presidente do Conselho Pedagógico, não precisa ser TITULAR! Como explica isto Srª Ministra? A senhora Ministra criou esta distinção entre TITULARES e PROFESSOR! Então os Professores TITULARES não seriam aqueles que iriam desempenhar as funções de maior responsabilidade nas Escolas, um grupo altamente qualificado? Ou será que o Presidente do CE e do CP não é um cargo de responsabilidade? Como justifica que não seja necessário o título de TITULAR, se para outros cargos de menor importância, como Coordenador de Departamento ou de Directores de turma tal cargo é exigido? EXPLIQUE Srª Ministra! E quando este mesmo Presidente do Conselho Executivo tem apenas o equivalente ao antigo 7º ano (ou seja, é bacharel, depois de uma formação à distância de alguns meses)? Há TANTOS nas nossas escolas! Vai avaliar colegas com mestrados e licenciaturas? É ele que vai avaliar TODOS os colegas da Escola. Muitas vezes, para além de ter habilitação muito inferior aos avaliados, há anos que não lecciona! Isto é avaliação séria, Srª Ministra?
7 – Claro que há Professores, como há médicos, como há advogados, como há MINISTROS menos competentes. Mas acha que é assim que a situação vai melhorar? Quem não é tão bom profissional, vai continuar a não sê-lo e os bons agora também não têm tempo para o ser. Por que razão não se ajuda com avaliação formativa aqueles que têm mais dificuldades, sem o intuito de os penalizar? Acha que é justo um avaliador faltar às aulas das suas turmas (12avaliadosx3 aulas de 90mn= é só fazer as contas) para ir avaliar colegas? E os alunos ficam entregues a outros Professores que podem não ser seus? Então primeiro a avaliação dos Professores e depois a dos alunos?
Isto é avaliação séria, Srª Ministra?
Srª Ministra:
- Sou uma professora que, tal como milhares neste país (a senhora viu quantos no 8 de Março, mas fez que não viu!), dediquei toda a minha vida ao Ensino. Dei sempre o meu melhor, trabalhei com gosto para os meus alunos, férias, fins-de-semana, noites; gosto de ensinar mas sinto-me REVOLTADA por a srª Ministra nos ter tirado (ou querer tirar) esse grande prazer: ENSINAR!
- Sou uma Professora que, tal como milhares neste país, poderia ir agora para a reforma, mesmo com penalizações, mas VOU RESISTIR, não vou deixar que me obriguem a abandonar com mágoa, os meus alunos, a minha Escola!
- Sou uma Professora que confio no bom senso e tenho esperança que ainda vá a horas de não deixar a degradação atingir, ainda mais as nossas escolas.
- Srª Ministra oiça gente que sabe, (muita gente) dizer que é um crime o que se está a passar nas escolas portuguesas. Medina Carreira disse há poucos dias que se os pais tivessem a verdadeira percepção do que se está a passar na Escola em Portugal, viriam para a rua. Ele sabe do que fala.
- Srª Ministra OIÇA os Professores. Eles estão nas Escolas, no terreno. Mais do que ninguém, eles estão a dizer-lhe que assim NÃO teremos sucesso educativo. Assim, o sucesso será apenas ESTATÍSTICO e ECONÓMICO!
OS PROFESSORES (na sua maioria) SÃO SÉRIOS! QUEREM ENSINAR E QUEREM QUE OS SEUS ALUNOS APRENDAM! CONFIE NELES!OIÇA-NOS SRª MINISTRA!
E para terminar, um poema de Alberto Caeiro que encontrei hoje no blog Terrear e uma frase de JMA.
Des (aprender)
Procuro despir-me do que aprendi
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu...

Alberto Caeiro
"A grande e inadiável urgência de desaprender. De ver. Mesmo que isso nos custe. Porque a alternativa só pode ser a cegueira" JMA in blog Terrear
P.S. Peço desculpa a quem me ler, pela agressividade de algumas expressões, mas tenho de soltar este grito de REVOLTA! Aos puristas linguísticos, também, mas a intenção não foi fazer prosa. Imaginei a Srª Ministra à minha frente e pus no papel aquilo que gostaria de lhe dizer.
Peço desculpa também por não me identificar (por enquanto). Não o costumo fazer, mas as razões são óbvias!
UM ENORME BEM-HAJA A TODOS OS PROFESSORES!"
MEU COMENTÁRIO: se a ministra ouvisse esta declaração pensava "... sucesso ESTATÍSTICO e ECONÓMICO... Objectivo garantido".
• Povo ignorante = povo obediente e facilmente enganado.
• Os filhinhos DELES não andam nas escolas públicas..."que se lixem os outros"... "o futuro dos nossos será melhor"
Os Pais deste país que se ponham a pau - OS VOSSOS FILHOS VÃO PASSAR...VÃO TER MELHORES NOTAS...MAS VÃO SER MAIS IGNORANTES.
Democratizado por Tiago Soares Carneiro

a imagem de quem nos governa

CNE aconselha mudanças no acesso ao Ensino Superior

Lusa / EDUCARE| 2008-10-31


O Conselho Nacional de Educação recomenda alterações ao actual sistema de acesso ao ensino superior, num parecer onde faz um balanço positivo do Processo de Bolonha, mas salienta que falta verificar se os novos cursos estão adequados ao mercado.

No parecer "As alterações introduzidas no Ensino Superior", que responde a um pedido da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, o Conselho Nacional de Educação (CNE) recomenda que o actual regime de acesso ao Ensino Superior seja alterado "no sentido de se atribuir às próprias instituições de Ensino Superior a responsabilidade pelo recrutamento e selecção dos seus alunos, para além da exigência da habilitação geral de acesso - conclusão do Ensino Secundário".

Segundo o CNE, o actual sistema de acesso tem sido mantido por comodidade e está a ter inconvenientes "para o próprio desenvolvimento do Ensino Secundário como ciclo de estudos com vocação própria, para além de ser questionável a sua adequação à 'avaliação da capacidade de ingresso no Ensino Superior'".

O Conselho destaca ainda a "necessidade de melhorar a equidade no acesso e no sucesso do ensino superior, ainda bastante dependente do capital económico e cultural do agregado familiar dos estudantes".

Em relação ao Processo de Bolonha, o CNE destaca que a adequação formal já atinge mais de 98 por cento dos cursos, pelo que o objectivo do Governo de chegar aos 100% até 2010 é alcançável.

No entanto, salienta que a efectiva implementação do Processo de Bolonha "vai exigir um longo exercício que apenas se iniciou com o processo de adequação dos ciclos de estudo ao novo modelo".

"Entre outros aspectos, vai ser necessário proceder a um debate aprofundado sobre a adequação do regime de contratação e carreiras do Estado ao novo modelo de educação superior, nomeadamente ao nível da empregabilidade dos detentores do 1º ciclo de estudos superiores", lê-se no parecer, que realça ainda a necessidade de "averiguar a real adaptação dos novos ciclos de estudos às necessidades do mercado de trabalho e avançar na definição de um Quadro Nacional de Referência de Qualificações (NQF) adequado à formação ao longo da vida".

No que respeita à avaliação e acreditação dos cursos, o CNE considera que "se deve ter em atenção que, ligando-se a avaliação à acreditação, não apenas de ciclos de estudos, mas também dos próprios estabelecimentos de ensino, se está perante um novo sistema de regulação do ensino superior que exige ponderada reflexão, atendendo a que mesmo a nível europeu em geral não se encontrou, ainda, um modelo perfeitamente consistente".

No parecer, que teve como relatores Alberto Amaral e Jacinto Jorge Carvalhal, é referido que "é ainda muito cedo para que se possa proceder a uma avaliação" dos efeitos do novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior "sobre a eficiência da gestão das instituições".

Os conselheiros consideram que falta fazer em Portugal "uma discussão séria do financiamento do ensino superior na sua globalidade", já que a discussão "não tem ido além da questão de insuficiência do nível de financiamento estatal e do valor e modo da fixação das propinas a pagar pelos estudantes".

O CNE defende "que, face às mudanças entretanto introduzidas no quadro de regulação do sistema de ensino superior, se proceda à revisão consequente do regime jurídico-laboral especialmente aplicável à actividade docente e de investigação no ensino superior", salientando que esta revisão já há muito tem sido anunciada e está incluída no programa do Governo.

No parecer é ainda destacado que há um relativo consenso acerca da necessidade de reorganização e racionalização do sistema de ensino superior, admitida também junto do CNE pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago.

"A verdade, porém, é que, para além da restrição, no ensino público, dos cursos do 1.º ciclo com menos de 20 alunos, muito pouco se avançou no sentido da racionalização da oferta de Ensino Superior", alerta do CNE.
O organismo considera ainda que a distinção entre o que são universidades e o que são politécnicos está clara na lei, pelo que "terão agora de ser as próprias instituições a concretizar, ao nível dos seus projectos institucionais e da sua oferta formativa, o sentido e alcance dessa diferenciação".

Ministra "sem pressa" na transferência de escolas para as autarquias

Lusa / EDUCARE| 2008-10-31


A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, disse hoje que o Governo não tem pressa na transferência de competências para as autarquias e andará ao ritmo que estas queiram, com os recursos disponíveis.

Segundo a ministra da Educação, "uma centena de autarquias já assinou a contratualização da transferência de competências e muitas outras querem fazê-lo agora" e o Ministério da Educação "andará ao ritmo que as autarquias queiram andar, com a tranquilidade e a pressa que o país tiver".

"A disponibilidade para negociar tem na base a consciência de que estamos a partilhar problemas e o Ministério transfere os meios de que dispõe: nem mais, nem menos", advertiu, tomando como referência os recursos afectos pelo Orçamento de Estado para as escolas, nos últimos cinco anos.

A ministra, que falava no 2.º Encontro de Educação de Anadia, este ano dedicado ao tema da transferência de competências, lamentou a postura assumida na matéria pela Associação Nacional de Municípios Portugueses(ANMP), que "propôs uma metodologia diferente, tendo um padrão de despesa ideal com a transferência de recursos que o Ministério da Educação não tem".

"Não vale a pena. Se estivermos à espera da situação ideal, a transferência(de competências) nunca acontece!", comentou, afirmando estar ciente "da grande diversidade de situações", dado que se há autarquias que "reivindicam a transferência de toda a área da Educação, outras rejeitam o princípio de que a Educação possa ser de competência local".

Em causa está sobretudo a transferência de 900 escolas básicas 2/3 para os municípios, cujo impacto a ministra desvaloriza, comparando com as 6000 escolas do 1.º ciclo que as autarquias já gerem.

"Só nas grandes cidades é que é um grande aumento, porque na generalidade é só mais uma ou duas escolas que ficam a cargo da autarquia, em cuja manutenção muitos autarcas, de resto, já vinham colaborando", argumentou.

Afirmando que "o Ministério da Educação transfere meios que nunca teve", Maria de Lurdes Rodrigues referiu que 20 milhões de euros, "quase metade do PIDDAC do Ministério", foram para as escolas cuidarem da manutenção, responsabilizando os estabelecimentos de ensino pela conservação e preparando condições para as autarquias aderirem.

Quanto a escolas "irrecuperáveis", anunciou que está a decorrer o concurso para a substituição de 30 escolas básicas em adiantado estado de degradação.

Num extenso diagnóstico do parque escolar, em que historiou a sua construção desde os liceus e escolas técnicas do início do século XX e do programa dos centenários nas primárias, Maria de Lurdes Rodrigues aludiu também ao 1.º ciclo e às escolas secundárias.

Quanto ao primeiro, deixou como recado aos autarcas que "não vale a pena dizer que o envelope financeiro(das verbas disponibilizadas pelo QREN) é pouco, antes de o gastar e o mais importante é concretizar", deixando a garantia de que "não ficará nenhum centro escolar necessário por construir devido a problemas financeiros".

Em relação às secundárias, salientou que o Ministério da Educação definiu um programa para as modernizar, que as abrangerá todas, ao abrigo do qual quatro estão concluídas, 26 em obra, 75 com projectos que serão objecto de concurso em Novembro, e outras tantas a lançar em Março próximo.

Sistema de avaliação contestado em 80 escolas

Sara R. Oliveira| 2008-10-31


Moções e abaixo-assinados a pedir a suspensão do modelo de avaliação não param de aumentar. Centenas de professores já formalizaram o descontentamento e a insatisfação atinge os conselhos executivos.

A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) fez as contas e adianta que professores de 80 escolas aprovaram moções e abaixo-assinados a pedir a suspensão da avaliação de desempenho da classe docente. O levantamento continua e a FNE garante que o número deverá aumentar nos próximos dias. "Estamos convencidos de que isto é imparável e que vai arrastar a esmagadora maioria das escolas e agrupamentos do país", afirmou Octávio Gonçalves, porta-voz do Movimento de Professores Promova, à agência Lusa. "Podem surgir ameaças e obstinação por parte do Governo, como já têm surgido, mas da parte dos professores eles vão encontrar a mesma obstinação porque não vamos assistir à destruição da escola pública", sublinhou.

Mais de 100 professores da Escola Secundária de Albufeira pediram a suspensão da avaliação de desempenho da classe docente, "em defesa da qualidade do ensino e do prestígio da escola pública". "Onde se encontra alterada, por decreto, a parte em que se refere a avaliação de desempenho dos professores e a sua progressão na carreira se devem ao sucesso dos alunos e à redução do abandono escolar?", questiona-se no texto da contestação. "Há uma dormência da classe que só desperta quando se apercebe do que está escrito", comenta Célia Pedroso, presidente do Conselho Executivo da escola de Albufeira. A responsável lembra que o modelo esteve em discussão e que, nessa altura, era o momento certo para apontar o que estava bem ou mal. "Ainda estou para perceber como é que a escola pode suspender uma lei", diz.

Célia Pedroso já recebeu o texto que encaminhou "para a estrutura hierárquica superior". Mas recusa falar em abaixo-assinado, uma vez que não há qualquer número de bilhete de identidade, mas sim nomes e rubricas. "Há um conjunto de professores que se manifestam nesta altura fora do prazo, uma vez que quando tiveram oportunidade não apresentaram sugestões", refere. "Não é um modelo que está em discussão", reforça.

"Assenta numa perspectiva desmesuradamente burocrática, quantitativa e redutora da verdadeira avaliação de desempenho dos docentes. Pela sua absurda complexidade, não é aceite pela maioria dos professores deste país, não se traduzindo, por isso mesmo, em qualquer mais-valia pessoal e/ou profissional". Este excerto da moção aprovada pelo Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Poiares expressa a opinião dos 130 professores, menos um que votou contra, e que já foi enviada às entidades competentes. Maria Eduarda Carvalho, presidente do Conselho Executivo, fala em insatisfação, instabilidade e desconfiança em relação às vantagens do novo modelo. E deixa um alerta aos pais que, na sua opinião, têm sido pouco referenciados neste processo. "Os pais têm de perceber que nas escolas vão estar professores que não estavam antes. É preciso ter noção disso."

"Trata-se de um modelo nada justo, nada exequível, burocrático", afirma. Maria Eduarda Carvalho acrescenta que a moção, que chegou a ser aprovada por unanimidade em conselho pedagógico, nasceu "de um sentir que as coisas não estavam bem". "E assim foi proposto enviar para as entidades que não nos ouvem, mas que mesmo assim fazemos questão de enviar, a pedir a suspensão do processo." A responsável garante que "há uma depressão quase colectiva". "Este bicho atormenta toda a gente e eu, com as funções que exerço, estou bastante preocupada com os colegas", repara.

As últimas notícias dão nota que 130 dos 160 professores da Secundária Camilo Castelo Branco, em Vila Real, não entregaram as fichas individuais de avaliação, como forma de protesto pelo actual modelo. Fátima Rodrigues, presidente do Conselho Executivo, confessa que, até à data, o conselho pedagógico não recebeu qualquer documento oficial sobre essa matéria. Fátima Rodrigues adianta, porém, que o descontentamento é generalizado na escola de Vila Real. "Acredito que, neste momento, 99,9% das escolas do país estejam com a mesma dificuldade", afirma. A suspensão do modelo foi também pedida pela Secundária de Vagos, em Aveiro, onde pelo menos 57 professores dos 76 assinaram a tomada de posição em conselho pedagógico. "Será que é só esta escola que está insatisfeita? Espere pelas manifestações para ver o descontentamento", sugere Aniano Martins, presidente do Conselho Executivo.

Tutela receptiva a propostas
Com a insatisfação a aumentar, o Ministério da Educação acaba de admitir a possibilidade de proceder a alterações, nomeadamente no peso que a avaliação do desempenho tem no concurso de colocação de professores. "Admitimos negociar a forma concreta da avaliação do desempenho na graduação profissional com a sua aplicação no tempo, mas admitimos [isso] num cenário de chegada a um acordo", adiantou à Lusa o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira. Os sindicatos têm discordado do facto de a avaliação de desempenho ser um dos critérios determinantes na graduação dos docentes já no próximo concurso de docentes - quando até agora a ordenação dos professores baseava-se no tempo de serviço e no resultado da classificação profissional. De qualquer forma, Jorge Pedreira já deixou claro que "o tempo de serviço não pode valer o mesmo independentemente da avaliação".

A obrigatoriedade de os docentes concorrerem a um mínimo de 25 agrupamentos de escolas e a quatro quadros de zona pedagógica é também um dos pontos da discórdia. Neste ponto, o secretário de Estado desafia as estruturas sindicais a apresentar uma sugestão. "Se não for esta a solução, que apresentem uma outra proposta, desde que resolva o problema dos professores que ficam sem serviço", sublinhou, à Lusa, Jorge Pedreira. "Não faz sentido aproximar [as posições] se as estruturas sindicais negarem esse acordo", disse.

O que está também em cima da mesa é a possibilidade de uma manifestação única em Novembro. A Plataforma Sindical de Professores agendou um plenário nacional para o dia 8 e um movimento de professores marcou um outro protesto para 15 de Novembro. Ainda não há consenso sobre a matéria. Os representantes dos movimentos não sindicais de professores defendem a denúncia do memorando de entendimento, assinado em Abril, entre os sindicatos do sector e a tutela, enquanto a FENPROF rejeita essa possibilidade, reafirmando que o documento defendeu os interesses de cerca de 140 mil docentes portugueses.

Horários dos Professores e educadores - Regras e limites legalmente estabelecidos têm de ser cumpridos e respeitados

Este será um "trabalho" de cada um/a dos/as Professores/as nas respectivas escolas. Verifiquem os vossos horários e, em caso de dúvidas dirijam-se ao vosso sindicato, bem como se precisarem de agir.*
*Vamos a isso...*
**
*HORÁRIOS DOS PROFESSORES E EDUCADORES*

*Regras e limites legalmente estabelecidos têm de ser cumpridos e
respeitados***

*As reuniões com carácter permanente (não ocasional) devem integrar a
componente não lectiva de estabelecimento*

A elaboração dos horários dos professores e educadores tem, este ano,
regras e limites legalmente estabelecidos no Despacho n.º 19.117/2008,
de 17 de Julho, que, de acordo com informação chegada aos Sindicatos da
FENPROF, não estão a ser respeitados em algumas escolas e agrupamentos.

De acordo com o número 2 do artigo 5.º daquele despacho, a componente de
trabalho individual dos educadores de infância e dos professores do 1.º
Ciclo não poderá ser inferior a 8 horas e a dos docentes dos 2.º e 3.º
Ciclos e do Ensino Secundário a *10* ou *11* horas, respectivamente,
conforme tenham menos ou mais de 100 alunos.

Refere, ainda, o número 2 do artigo 5.º que aquele é o número mínimo de
horas de componente individual, pois deverão ser tidos em conta, para
além do critério "número de alunos", outros como o número de turmas e/ou
de níveis atribuídos ao docente.

Esclarece-se, por fim, que nas horas de trabalho individual (8, 10 ou
11, conforme antes se referiu) são consideradas horas para reuniões, mas
apenas as "que decorram de necessidades ocasionais" (n.º 2 do artigo 2.º
do Despacho 19.117/2008, de 17 de Julho). Em consequência as horas para
reuniões de carácter regular (departamentos; disciplinas) deverão ser
incluídas na componente não lectiva de estabelecimento registada no horário.

Em síntese, na elaboração dos horários dos docentes, nunca o conjunto
das três componentes poderá ultrapassar as 35 horas semanais, tendo de
ser respeitados os seguintes limites e regras legalmente estabelecidos:


2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico e Ensino Secundário:_*

Componente lectiva – entre 22 e 14 horas (de acordo com artigos 77.º
e 79.º do ECD);/*
Componente não lectiva de estabelecimento – máximo de 2 ou 3 horas
(consoante o docente tenha mais ou menos de 100 alunos, a que, apenas,
podem acrescer as horas de redução ao abrigo do artigo 79.º do ECD);/*

*/. Componente de trabalho individual – mínimo de 11 ou 10 horas*
(consoante o docente tenha mais ou menos de 100 alunos)./*

/* Inclui reuniões, mas apenas as "que decorram de necessidades
ocasionais"; terão de ser deduzidas as horas referentes a acções de
formação contínua, de acordo com artigo 6.º, n.º1, alínea n)./

Às horas referidas terão, ainda, de ser deduzidas as correspondentes ao
desempenho de cargos e funções na escola, como, por exemplo, direcção de
turma, coordenações, funções de avaliador, entre outras… recorda-se,
também, que nos termos do artigo 6.º, número 1, alínea n), as horas
referentes a *acções de formação contínua* que tenham carácter
obrigatório serão deduzidas na componente não lectiva de estabelecimento.



A FENPROF já teve conhecimento de horários ilegais por violação dos
limites e regras consagrados no Despacho n.º 19.117/2008, de 17 de
Julho. *Sempre que o limite de horas legalmente estabelecido for
ultrapassado, os horários deverão ser corrigidos ou, não sendo possível,
aos docentes terá de ser pago o correspondente serviço extraordinário.*
De entre as irregularidades/ ilegalidades mais frequentes e que implicam
maior prejuízo para os professores destaca-se a questão da definição de
qual a componente onde se integram as reuniões, o que depende de serem
consideradas *ocasionais* (a integrar na componente individual – não são
marcadas no horário semanal), ou *regulares/ permanentes/ não
ocasionais* (a integrar a componente não lectiva de estabelecimento – e
a marcar no horário semanal).

O SPGL está a acompanhar atentamente esta situação e intervirá sempre
que em alguma escola ou agrupamento os horários distribuídos aos
docentes apresentem ilegalidades. Recorda-se que a aprovação de regras e
limites sobre esta matéria resultou de um processo negocial complexo,
cujo primeiro momento culminou na assinatura do "Memorando de
Entendimento", entre o ME e as Organizações Sindicais, em 17 de Abril
passado, na sequência do qual teve lugar a negociação que levou à
aprovação do Despacho n.º 19.117/2008, de 17 de Julho.



Os horários de trabalho sobrecarregados, pedagogicamente absurdos e, por
vezes, ilegais que surgiram nos três últimos anos lectivos, foram alvo
da contestação dos professores e educadores e a sua "regularização" tem
sido uma das exigências sindicais. O SPGL e a FENPROF não pactuarão com
ilegalidades, tanto mais que as regras previstas neste despacho estão
ainda longe de corresponder às que, do ponto de vista pedagógico, se
recomendariam, tendo em conta todas as responsabilidades que, nas
escolas, os docentes são chamados a assumir.