terça-feira, novembro 04, 2008

QUANTOS SEREMOS?

Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!

Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.
E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.


Miguel Torga,
Câmara Ardente

Confédération Nationale du Travail - Fédération des Travailleuses/eurs de l'Éducation





Au Portugal, ces trois dernières années, le gouvernement Sócrates (PS), et la ministre de l’éducation, Maria de Lurdes Rodrigues, ont lancé plusieurs offensives contre l’école publique.

Les réformes ont provoqué une dégradation sans précédent de l’enseignement, et créé un profond mal-être chez les professeurs . Le 8 mars 2008, 100 000 enseignants (un sur trois) vêtus de noir en signe de deuil ont défilé dans les rues de Lisbonne. Ce fut le plus grand mouvement de protestation des enseignants qui ait jamais eu lieu au Portugal.

Cette manifestation a été le point culminant de semaines de lutte et de contestation nées au sein même des écoles contre les nouvelles modalités d’évaluation des enseignants, unanimement rejetées à cause de leur contenu irrationel et de leurs objectifs purement économiques. Ces modalités d’évaluation découlent du Statut de Carrière des enseignants, que le gouvernement a imposé contre la volonté des professeurs et qui a donné lieu a une énorme contestation.

Les centaines de rassemblements, manifestations, et “vigílias” qui ont précédé la mega-manifestation furent très souvent conduites par des groupes de professeurs qui s’étaient organisés à l’intérieur des établissements. Beaucoup de rendez-vous ont circulé anonymement par sms ou par internet. Ces mouvements de contestation de la base, nés en dehors des structures syndicales enseignantes, ont mis la pression sur les syndicats de professeurs.

Ce mécontentement est la réponse naturelle à des années de réformes économiques qui ont gravement mis en cause la qualité du travail enseignant, et qui ont contribué à la dégradation de l’école publique au Portugal. Ces réformes ont mené à la fermeture de nombreuses écoles , ont modifié la nature des programmes et ont réduit la participation des enseignants aux instances dirigeantes des établissements. L’enseignement spécialisé et l’enseignement artistique ont également subi de graves attaques, qui ont sérieusement mis à mal les principes de l’école pour tous (“inclusive”). Le plan qui est en marche vise au désengagement progressif de l’État du secteur éducatif pour le transférer aux municipalités et ouvrir ainsi la porte à une future privatisation de l’enseignement. Ce plan, qui a débuté par la remise aux collectivités locales de la gestion du parc scolaire, pour ensuite être éventuellement confiée a l’Eglise, menace maintenant d’être étendu aux travailleurs non-enseignants ainsi qu’aux professeurs eux- mêmes qui courent le risque de changer de ministère de tutelle et de perdre leurs droits . Un récent projet de loi ouvre la porte au passage des professeurs sous la dépendance des municipalités. (1)

Au Portugal le réseau public d’enseignement aurait perdu entre 16 et 23 000 enseignants ces trois dernières années.(2) Ces réductions ne sont pas causées par la diminution du nombre d’élèves, comme le gouvernement a voulu le faire croire, mais plutôt à la fermeture d’écoles et à l’augmentation des horaires de travail.

Le Plan de fermetures d’écoles mis en place dès l’entrée en fonctions du gouvernement Sócrates prévoyait de fermer environ 4000 écoles primaires jusqu’au terme de la législature en 2009 (3). Rien qu’au début de l’année scolaire 2006/2007, 1500 écoles ont été fermées, la fermeture de 900 écoles supplémentaires étant prévue pour l’année suivante. Ces fermetures touchent surtout les zones de l’intérieur nord et du centre du Portugal, déjà largement désertifiées et elles vont naturellement accentuer cette tendance. Les élèves des écoles primaires fermées sont aujourd’hui obligés de rester la journée entière loin de leur domicile et perdent de longues heures dans les transports. Le réseau de transports scolaires, dépendant des municipalités, fonctionne avec de graves déficiences. Des enfants très jeunes sont ainsi obligés d’utiliser les transports publics sans que la surveillance adéquate ne soit garantie, ce qui a déjà provoqué des morts.(4)

L’enseignement spécialisé (pour handicapés) est un autre secteur qui a subi des assauts qui ont mis en danger les principes de l’école « inclusive ». La disparition des Équipes de l’Éducation Spécialisée et de leurs coordinations régionales a laissé les enseignants du secteur isolés dans les écoles. Le gouvernement a imposé un plan de restructuration qui prévoit uniquement un soutien aux handicapés (déficients), laissant de côté des milliers d’élèves dyslexiques, hyperactifs et ayant des problèmes de comportement et d’apprentissage. Ceux-ci courent le risque de se perdre et d’être envoyés dans les “circuits alternatifs” perdant ainsi toute possibilité de progresser a l’intérieur du système éducatif.(5)(6)

L’enseignement artistique, qui était déjà le parent pauvre, n’a pas non plus été épargné par les réformes. À l’école primaire, il a même été retiré du programme obligatoire tout comme l’éducation physique. Ces activités sont maintenant inclues dans les “prolongement d’horaires” et laissées à des moniteurs sans qualification apropriée , engagés sous contract précaire et mal payés par les municipalités(7).

Le système éducatif Portugais se trouve donc dans une situation réellement préoccupante. Le profond mal-être causé par les réformes du gouvernement actuel et menées à bien par la ministre Maria de Lurdes Rodrigues lui font pleinement mériter son surnom de “ Sinistre Ministre”.

José António Antunes .

Metade das escolas suspenderam ou vão suspender a avaliação


Minsitério da Educação garante que a avaliação "está a avançar" nas escolas

04.11.2008 - 12h27 Natália Faria
Sindicatos confiam que manifestação de sábado vai superar a de Março, quando mais de 100 mil professores saíram à rua em protesto

Mais de 150 escolas já suspenderam o processo de avaliação imposto pelo Ministério da Educação. E, segundo a Fenprof, mais 450 escolas estão a recolher assinaturas para travar o processo, somando-se a estas outra centena de escolas que "optaram por adiar consecutivamente os prazos, fazendo com que, na prática, a avaliação não esteja a avançar", segundo Francisco Almeida, daquela federação.

Num universo composto por quase 1200 escolas do básico e secundário, a Fenprof conclui assim que "mais de metade está a recusar-se a avançar com um modelo de avaliação do desempenho docente que, além de mau, é inexequível".

Ao PÚBLICO o assessor de imprensa do Ministério da Educação (ME) afirmou apenas que "a avaliação está a avançar nas escolas, com calma e serenidade".

A Fenprof, por seu turno, diz ver nesta recusa das escolas um sinal de que o protesto marcado para sábado vai superar a manifestação de 8 de Março, que levou perto de cem mil professores à rua.



Mais autocarros alugados

"De norte a sul do país, estamos a ter mais autocarros alugados do que na última manifestação", disse Francisco Almeida, notando que o aumento das inscrições levou a organização a mudar o itinerário: a partida mantém-se da Cidade Universitária, mas o destino passa a ser a praça dos Restauradores, e não as portas do ME.

Com milhares de professores outra vez na rua, o dirigente da Fenprof diz-se convencido de que a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, será obrigada a recuar no modelo de avaliação imposto às escolas, apesar de ter avisado, na sexta-feira, que os professores que não se sujeitarem à avaliação não vão progredir na carreira.

"A ministra não terá condições para concretizar uma ameaça deste tipo, porque não estamos a falar de meia dúzia de professores mas de milhares", diz Almeida. E acrescenta: "Na última manifestação, a ministra também disse que não ia mudar nada, mas depois viu-se obrigada a assinar um memorando em que suspendia a avaliação do desempenho para a maioria dos professores e a colocava em regime experimental este ano lectivo."

Preferindo não arriscar números quanto às escolas que suspenderam ou deliberaram suspender a avaliação, a Associação Nacional de Professores (ANP) deverá hoje divulgar um comunicado apelando à adesão à manifestação, porque "a situação não se alterou desde Março", justificou João Grancho, porta-voz da ANP.

E porque "há escolas que faltaram à manifestação de Março mas que se estão a mobilizar para o protesto de sábado", Grancho também diz acreditar numa afluência superior: "Longe de ter dissuadido os professores, a coacção do ministério o que fez foi alastrar o descontentamento."

A opinião de Garcia Barreto

«Uma das razões, porventura a mais forte, que contribui para a imagem que se tem hoje dos professores, o desrespeito de que são alvo por parte de alguns alunos e encarregados de educação, sobretudo de gente menos avisada, deve-se às políticas sindicais protagonizadas pelo sindicalista Nogueira, que transformaram uma classe digna em carne para canhão de políticas reivindicativas antigovernamentais. Hoje olha-se para um professor e vemo-lo colocado ao nível de um administrativo ou um auxiliar de educação. É a tendência para o basismo total.»
Eu sei que não é politicamente correcto concordar com esta conclusão, por demais óbvia, mas custa-me ver uma classe que tem dentro de si tanto e tão bom material humano, ser amesquinhada diariamente mercê de uma política sindical de todo em todo mal conduzida.
Os professores - classe a que desde sempre me orgulhei de pertencer! - eram uma das classes mais prestigiadas em Portugal, antes desta inglória polémica, onde ninguém tem a razão absoluta pelo seu lado, mas onde a actividade oratória do sindicalista Nogueira coloca a maioria do lado oposto aos professores. O Ministério da Educação não poderia ter melhor aliado. É que já se sabe sempre, com dias de antecedência, o que a "cassete" vem dizer. O desprestigio da politica é total em casos como este.

António Garcia Barreto

segunda-feira, novembro 03, 2008

Opinião

Sócrates quer avaliar professores e professoras a qualquer preço. E quer chegar às eleições sem este trunfo. Precisa dele como prova da domesticação da maior manifestação profissional de sempre, e precisa dele para ser "moderno". Mas precisa ainda deste trunfo porque, deixando em banho-maria a verdadeira prioridade, as políticas de fundo para o combate ao insucesso, tenta lá chegar a baixo custo, penalizando professores e professoras pelos resultados escolares.

Este modelo de avaliação de professores é dos mais baratos e lucrativos que se conhece. Entope a progressão na carreira, põe pares desqualificados a fazer o trabalhinho sujo e pressiona para um sucesso escolar administrativo. Em nome da prestação de contas dos serviços públicos e sob a batuta da "competitividade ou morte", esta avaliação é um poderoso mecanismo de controlo e disciplina das instituições. E deixem-se de tretas: está demonstrado que não serve uma avaliação séria do desempenho das instituições e dos seus profissionais. O pandemónio é o dia-a-dia das escolas.

Os professores e as professoras que saíram à rua a 8 de Março sabem tudo isto. Sindicatos, movimentos, formadores de opinião, também. O que se joga no pedido de suspensão da avaliação é nem menos nem mais que o futuro da escola pública. É a recusa da asfixia das escolas, das ditaduras em pirâmide, é a dignidade do tempo e do trabalho para educar com qualidade. Todas boas razões para o protesto a uma só voz.

Agora, ou professores e professoras têm duas alternativas: ou mostram unidade e assumem a sua responsabilidade como rosto da escola pública, ou dão a Sócrates um prémio sem retorno. E não há que enganar: o alvo é o Ministério da Educação. Esta certeza tem levado muitos professores e movimentos a lançar o apelo: uma única manifestação.

É necessário que sindicatos e movimentos acertem no que realmente interessa: uma única manifestação, sem donos, onde todos os parceiros de luta tenham direito à palavra, com sindicatos, movimentos, com quem sabe que é a escola pública que está em causa.

Cecília Honório

Auto-avaliação .... com humor!!!

FICHA PREENCHIDA (PARA COPY-PASTE) – AUTO AVALIAÇÃO
Nome do avaliado – PROFESSORA …

Categoria - Titular do seu nariz

Departamento Curricular - Língua Portuguesa e Literaturas



1. Como avalia o cumprimento do serviço lectivo e dos seus objectivos individuais estabelecidos neste âmbito?
Avalio com um EXCELENTE. Cá vou vindo todos os dias, como faço há quatro décadas… com a pasta recheada de manuais, livros, dicionários, prontuários, gramáticas, fichas, cadernos, lápis e canetas, uma pen de 4 GB e caneta felpuda para o quadro branco que há nos contentores. Trago a lancheira, uns maços de tabaco, PROZAC e, às vezes, o PC portátil. E trago uns óculos para ver perto (para longe não uso, apesar das cataratas, sou vaidosa…), trago sempre a cabeça entre as orelhas, mãos, braços, pernas e tudo o mais que me faz falta neste domínio. Excelente.

2. Como avalia o seu trabalho no âmbito da preparação e organização das actividades lectivas? Identifique sumariamente os recursos e instrumentos utilizados e os respectivos objectivos.

Avalio com um excelente. Utilizo todos os recursos supracitados com grande mestria, inclusive as TIC, PPS, PPT, PDFs, Scribd, Word, Excel, Moodle, blogues, data-show, Dvds, Cds de todos os tamanhos e Bics de todas as cores. Só me falta usar mais o quadro interactivo e comprar um Migalhões para guardar o lanche que trago de casa, pois ainda não sou de ferro e na minha idade preciso alimentar-me de forma mais saudável do que engolir cafés em todos os intervalos.

3. Como avalia a concretização das actividades lectivas e o cumprimento dos objectivos de aprendizagem dos seus alunos? Identifique as principais dificuldades e as estratégias que usou para as superar.
As actividades lectivas concretizam-se de modo excelente. Entramos e saímos vivos e contentes, apesar da falta de espaço, das obras, da poeira, das salas de aula em contentores, da falta de ar circulante, do amianto em cima das cabeças. E segue o baile. Dos objectivos de aprendizagem dos meus alunos, pois eles que falem! Às vezes doem-me as "cruzes" pois já me custa carregar com a tralha toda já referida, mas os alunos, por enquanto, vão ajudando. Excelente.


4. Como avalia a relação pedagógica que estabeleceu com os seus alunos e o conhecimento que tem de cada um deles?

Excelente. Apesar de me terem trocado as voltas, de me terem tirado turmas e alunos de continuidade e de me terem dado sessenta e dois novos (ôps… será que foi uma homenagem à minha idade?), para lá dos que já tinha, conhecemo-nos excelentemente. E, quanto à nossa relação, os meus alunos riem-se, muito mais do que choram, à minha beira. E estou certa de que aprendem comigo - ainda há dias, no intervalo, a fumar fora de portas os meus cigarros, uma aluna de doze anos correu para o meu lado e puxou ela também de um cigarro para me acompanhar no gesto. Até esta aprendizagem definida pela ASAE é integralmente cumprida.


5. Como avalia o apoio que prestou à aprendizagem dos seus alunos?
Excelente, também. E vou tendo sempre clientes nas aulas de reforço, apoio, substituições, salas de estudo... até no jardim em frente à escola a avaliar com os alunos os galhos das árvores que podem aguentar que se trepe, apoiando-os no exercício, ou a tentar apoiar e compreender a linguagem utilizada pelos jovens casais de alunos, sob as mesmas árvores, a exercitar experiências de natureza físico-química aprendidas nas aulas práticas …

6. Como avalia o trabalho que realizou no âmbito da avaliação das aprendizagens dos alunos? Identifique sumariamente os instrumentos que utilizou para essa avaliação e os respectivos objectivos.

Excelente. Estou sempre de olho neles e de ouvido alerta, memória de elefante e caderno mágico para anotações. Consegui preencher todas as grelhas das turmas do ensino regular e recorrente, conforme a legislação específica que muda a cada semana e que já tenho decorada, preenchi cuidadosamente o PIAV das oito turmas com todas as cruzes e percentagens, os cronogramas e as configurações da avaliação de todas as turmas, produzi planificações, relatórios disto e daquilo, consegui fazer todos os diagnósticos, reflexões e análises do APA, dos NEE, dos AOPES, do PEE, do PAA, de todos os PCP (planos curriculares de turma), do PQP (isto não sei bem o que é, mas preenchi…) conforme descrito nas actas de todos os Conselhos de Turma e reuniões de Departamento, Grupos, Minigrupos, etc. E, mais difícil ainda, consegui distribuí-los por níveis, só quatros e cincos no básico, assim como nas turmas do secundário, dezoitos e dezanoves pois o vinte é pra mim, que o mereço por ter contribuído com eficácia para as estatísticas ministeriais referentes ao sucesso educativo. Excelente.

7. Identifique a evolução dos resultados escolares dos seus alunos. Avalie o seu contributo para a sua melhoria e o cumprimento dos objectivos individuais estabelecidos neste âmbito.

Excelente. Este ponto descreverei detalhadamente apenas no final do ano, mas atendendo a que esta escola não costuma ficar bem colocada nos rankings, posso contribuir para essa melhoria e ir dizendo antecipadamente, com alguma alegria, que a maior parte dos alunos do 11º e 12º anos já consegue ler, e quase todos já escrevem frases utilizando a letra maiúscula no início, apesar das enormes dificuldades com a pontuação e a troca dos B pelo V e bice-bersa.
Apesar de nunca lerem as obras obrigatórias, é notável a ampliação vocabular que revelam devido aos hábitos de aprendizagem adquiridos através dos “Morangos com Açúcar”, obra-prima que pode servir como exemplo de prática inovadora e motivadora, ao invés da leitura de “Os Lusíadas” ou do “Memorial do Convento”, obras impostas pelo M.E. e que são a verdadeira causa dos maus resultados desta escola nos exames. Caso esse factor seja objecto de alteração pelo M.E., posso afirmar desde já que os resultados serão excelentes, assim como eu. Excelente.

ESCOLAS NA VANGUARDA DA RESISTÊNCIA

LISTA ACTUALIZADA:


Agrupamento de Escolas António José De Almeida -Penacova
Agrupamento de Escolas Aristides de Sousa Mendes - Póvoa de Santa Iria
Agrupamento de Escolas Clara de Resende - Porto
Agrupamento de Escolas Conde de Ourém – Ourém
Agrupamento de Escolas Coura e Minho - Caminha
Agrupamento de Escolas D. Carlos I - Resende
Agrupamento de Escolas D. Carlos I - Sintra
Agrupamento de Escolas D. Manuel de Faria e Sousa – Felgueiras
Agrupamento de Escolas D. Martinho C. Branco - Portimão
Agrupamento de Escolas D. Miguel de Almeida – Abrantes
Agrupamento de Escolas da Maceira – Leiria
Agrupamento de Escolas de Alvide - Cascais
Agrupamento de Escolas de Aradas - Aveiro
Agrupamento de Escolas de Armação de Pêra - Algarve
Agrupamento de Escolas de Aveiro
Agrupamento de Escolas de Castro Daire
Agrupamento de Escolas de Forte da Casa - Lisboa
Agrupamento de Escolas de Lousada Oeste
Agrupamento de Escolas de Marrazes - Leiria
Agrupamento de Escolas de Ourique - Alentejo
Agrupamento de Escolas de Ovar
Agrupamento de Escolas de S. Julião Da Barra - Oeiras
Agrupamento de Escolas de Vila do Bispo - Algarve
Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Poiares
Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Santo André - Santiago do Cacém
Agrupamento de Escolas de Vouzela
Agrupamento de Escolas Dra. Maria Alice Gouveia
Agrupamento de Escolas José Maria dos Santos - Pinhal Novo
Agrupamento de Escolas Nº1-Beja
Agrupamento de Escolas Nuno Álvares Pereira – Camarate
Agrupamento de escolas Pedro de Santarém - Lisboa
Agrupamento de Escolas Ribeiro Sanches – Penamacor
Agrupamento Vertical Clara de Resende - Porto
Agrupamento Vertical da Senhora da Hora - Porto
Agrupamento Vertical de Escolas de Gueifães – Maia
Agrupamento Vertical de Escolas Dr. Garcia Domingues – Silves
Agrupamento Vertical Escolas de Azeitão
Comunicado Conjunto de Alguns Executivos para a DREC
Declaração da Demissão de Avaliador do Prof. José Maria Barbosa Cardoso
Departamento de Expressões da Escola Eugénio de Castro - Coimbra
Departamento de Expressões da Escola Secundária Filipa de Vilhena - Porto
Departamento de História, Filosofia e E.M:R. da Escola Secundária de Odivelas
Escola Alice Gouveia - Coimbra
Escola Básica 1 de Santa Maria de Beja - Demissão do Conselho Executivo e de todos os Órgãos intermédios
Escola Básica 2, 3 da Abelheira - Viana do Castelo
Escola Básica 2, 3 Frei Bartolomeu dos Mártires - em Viana do Castelo
Escola Básica 2,3/Secundário de Celorico da Beira
Escola Básica 2/3 António Fernandes de Sá - Gervide
Escola Básica 2/3 de Tortosendo
Escola Básica 2/3 de Lijó
Escola Básica Frei André da Veiga - Santiago do Cacém
Escola de Arraiolos
Escola EB23 Dr. Rui Grácio - Sintra
Escola Eugénio de Castro - Coimbra
Escola Fernando Lopes-Graça, Parede - Cascais
Escola Jaime Magalhães Lima - Aveiro
Escola Martim de Freitas - Coimbra
Escola Secundária Alcaides de Faria - Barcelos
Escola Secundária André de Gouveia
Escola Secundária Augusto Gomes - Matosinhos
Escola Secundária Avelar Brotero - Coimbra
Escola secundária c/ 3ª ciclo Camilo Castelo Branco - Vila Real
Escola Secundária c/ 3ª ciclo Manuel da Fonseca - Santiago do Cacém
Escola Secundária c/ 3º CEB Madeira Torres - Torres Vedras
Escola Secundária c/ 3º ciclo de Barcelinhos
Escola Secundária c/ 3º Ciclo de Madeira Torres - Torres Vedras
Escola Secundária c/ 3º ciclo Rainha Santa Isabel - Estremoz
Escola Secundária Camões - Lisboa (Demissão da maioria dos professores Avaliadores n/Coordenadores)
Escola Secundária Campos-Melo - Covilhã
Escola Secundária D. João II - Setúbal
Escola Secundária da Amadora
Escola Secundária da Amora
Escola Secundária de Albufeira - Algarve (Abaixo-assinado)
Escola Secundária de Arganil
Escola Secundária de Camões - Lisboa (Declaração de Demissão da maioria dos professores Avaliadores n/ Coordenadores)
Escola Secundária de Francisco Rodrigues Lobo - Leiria
Escola Secundária de Miraflores - Oeiras
Escola Secundária de Montemor-o-Novo
Escola Secundária de S. Pedro - Vila Real
Escola Secundária de Sebastião da Gama - Setúbal
Escola Secundária de Vila Verde
Escola Secundária Dom Manuel Martins - Setúbal
Escola Secundária Dona Maria - Coimbra
Escola Secundária Dr. Júlio Martins - Aveiro
Escola Secundária Emídio Navarro - Viseu
Escola Secundária Ferreira de Castro
Escola Secundária Ferreira Dias - Santiago do Cacém
Escola Secundária Infanta D. Maria – Coimbra
Escola Secundária Jaime Magalhães Lima / Aveiro
Escola Secundária Martins Sarmento - Guimarães
Escola Secundária Monte da Caparica - Lisboa
Escola Secundária Montemor-o-Novo
Escola Secundária Rio Tinto
Escola Secundária Seomara da Costa Primo – Amadora
Escola Secundária Severim de Faria
Escola Secundária/3 De Barcelinhos (Conselho Pedagógico Suspende Avaliação)
Escolas do Concelho de Chaves (9 escolas)
O autor deste texto é João Pereira Coutinho , jornalista. Vale a pena ler!•

'Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades.
Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas.Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos.Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar.
Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito.É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.

Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos.Quanto mais queremos,mais desesperamos.A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade.O que não deixa de ser uma lástima.• Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne,
saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!




Dá que pensar, não é???...

A Grande Evasão

"Quem pode, foge. Muitos sujeitam-se a perder 40% do vencimento. Fogem para a liberdade. Deixam para trás a loucura e o inferno em que se transformaram as escolas. Em algumas escolas, os conselhos executivos ficaram reduzidos a uma pessoa. Há escolas em que se reformaram antecipadamente o PCE e o vice-presidente. Outras em que já não há docentes para leccionar nos CEFs. Nos grupos de recrutamento de Educação Tecnológica, a debandada tem sido geral, havendo já enormes dificuldades em conseguir substitutos nas cíclicas. O mesmo acontece com o grupo de recrutamento de Contabilidade e Economia. Há centenas de professores de Contabilidade e de Economia que optaram por reformas antecipadas, com penalizações de 40% porque preferem ir trabalhar como profissionais liberais ou em empresas de consultadoria. Só não sai quem não pode. Ou porque não consegue suportar os cortes no vencimento ou porque não tem a idade mínima exigida. Conheço pessoalmente dois professores do ensino secundário, com doutoramento, que optaram pela reforma antecipada com penalizações de 30% e 35%. Um deles, com 53 anos de idade e 33 anos de serviço, no 10º escalão, saiu com uma reforma de 1500 euros. O outro, com 58 anos de idade e 35 anos de serviço saiu com 1900 euros. E por que razão saíram? Não aguentam mais a humilhação de serem avaliados por colegas mais novos e com menos habilitações académicas. Não aguentam a quantidade de papelada, reuniões e burocracia. Não conseguem dispor de tempo para ensinar. Fogem porque não aceitam o novo paradigma de escola e professor e não aceitam ser prestadores de cuidados sociais e funcionários administrativos.
'Se não ficasse na história da educação em Portugal como autora do lamentável 'pastiche' de Woody Allen 'Para acabar de vez com o ensino', a actual ministra teria lugar garantido aí e no Guinness por ter causado a maior debandada de que há memória de professores das escolas portuguesas. Segundo o JN de ontem, centenas de professores estão a pedir todos os meses a passagem à reforma, mesmo com enormes penalizações salariais, e esse número tem vindo a mais que duplicar de ano para ano.
Os professores falam de 'desmotivação', de 'frustração', de 'saturação', de 'desconsideração cada vez maior relativamente à profissão', de 'se sentirem a mais' em escolas de cujo léxico desapareceram, como do próprio Estatuto da Carreira Docente, palavras como ensinar e aprender. Algo, convenhamos, um pouco diferente da 'escola de sucesso', do 'passa agora de ano e paga depois', dos milagres estatísticos e dos passarinhos a chilrear sobre que discorrem a ministra e os secretários de Estado sr. Feliz e sr. Contente. Que futuro é possível esperar de uma escola (e de um país) onde os professores se sentem a mais?'

Manuel António Pina

“A escola é cada vez menos interessante”

António Avelãs, Dirigente da Fenprof, falou ao 'Correio da Manhã' sobre o Ensino em Portugal.


Correio da Manhã – Como está a escola em Portugal?

António Avelãs – Globalmente não melhorou. Podem ter existido alterações positivas, mas na generalidade não melhorou. A escola é cada vez menos interessante para os alunos, porque aprendem cada vez menos. Para os professores não é interessante, porque não realizam a sua função principal de ensinar. Passam o tempo dispersos em tantas coisas diferentes que dificultam a tarefa. Se em algumas escolas melhorou, em muitas outras piorou bastante.

– Quais são as medidas positivas deste Governo?

– A requalificação das escolas. A preocupação de encerrar escolas do 1.º Ciclo sem condições para funcionar é positivo. O esforço que existe de informatizar as escolas também é, apesar de todas as questões paralelas associadas.

– É suficiente?

– Não. Essas medidas não compensam a sensação de desconforto que os professores têm com as restantes alterações.

– Como analisa o comportamento do Governo?

– Este Governo tem por hábito apresentar como grande novidade aquilo que não é. A avaliação de professores já existia, o estatuto do aluno também.

– José Sócrates lamenta que os sindicatos não estejam a cumprir o acordo assinado...

– Nós lamentamos é que a ministra da Educação continue a achar que as suas teorias e esquemas são mais importantes do que a realidade. Apresentam esquemas teóricos que deveriam funcionar bem e depois, na realidade, é exactamente o contrário.

– Como o processo de avaliação dos professores?

– A avaliação dos professores podia ser bastante útil se fosse feito com bom senso. Acabou por tornar-se um verdadeiro pesadelo e basta entrar nas escolas para perceber isso.

André Pereira

Por que protestam os professores?

Seja qual for o Governo, seja qual for o ministro, há uma verdade que o tempo se tem encarregado de tornar indesmentível: os professores manifestam-se, protestam, fazem greve.

Normalmente, essa actividade contestária da classe docente resulta na demissão do responsável pela pasta da Educação. Mas, nos tempos que correm, a situação é diferente. Maria de Lurdes Rodrigues, que ostenta o título de governante que enfrentou a maior manifestação de sempre - 100 mil professores saíram à rua em Março último -, tem resistido à força dos cartazes e das palavras de ordem e na sua agenda estão já assinalados mais dois dias de luta, a 8 e 15 de Novembro.

Mas, afinal, por que protestam tanto os professores? A pergunta não é de resposta fácil, mas há uma justificação, avançada pelo antigo ministro Couto dos Santos, que pode muito bem ser o ponto de partida para outras análises. "Após o 25 de Abril, o sistema educativo em Portugal não se conseguiu libertar do anátema de politizar as questões relacionadas com a educação." Depois, vêm as razões mais directas, enumeradas pelos próprios docentes, por quem os representa, por quem está do outro lado e mesmo por quem assiste de fora: desrespeito por parte da tutela; adopção de medidas que alteram os fundamentos da escola pública; mudança de regras e introdução de normas de rigor e exigência; e ausência de constrangimentos de natureza contratual que os [professores] possam fazer sentir em perigo.

Independentemente da validade de cada uma ou de todas elas, é difícil pôr de lado a ideia de uma certa vulgarização da manifestação. É a "coreografia ou ritualização da contestação sindical", nas palavras do professor e bloguista Paulo Guinote.

Uma vida de protestos

Nos próximos dias 8 e 15, os professores voltarão a sair à rua para protestar contra a política educativa do Governo. "Oito meses depois da marcha de oito de Março, os professores farão um grande oito de Novembro".

É este o lema mobilizador da Plataforma Sindical dos Professores, que congrega as organizações mais representativas da classe. Sete - e não oito - dias depois, uma nova manifestação, desta feita organizada por diversas associações do sector. Sinal de divisão? Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof - a maior federação sindical - diz que a classe dos professores não está tão dividida como se quer fazer crer. "Somos suficientemente unidos para nos juntarmos e suficientemente preocupados para reivindicarmos", sintetiza, sublinhando que esta é uma das razões de base por que os docentes se manifestam tão frequentemente.

Não obstante, prossegue o sindicalista, há motivos mais palpáveis. "No sector da Educação, os governos, particularmente desde o de Durão Barroso, tomaram medidas que têm vindo a alterar profundamente os fundamentos da escola pública". Decisões que, na sua opinião, se traduziram em desinvestimento e num modelo de gestão em que o professor é cada vez menos chamado a participar. Como resultado disso, afirma, a estabilidade dos profissionais foi ferida. "Se alguém vive todos os dias a escola são os professores, que, em alguns casos, até são o seu suporte financeiro, pondo à disposição o seu próprio material. E em troca recebem o quê? Desrespeito e falta de reconhecimento, através de ataques às carreiras e aos horários", acusa Mário Nogueira, referindo-se em concreto à política seguida pela actual ministra, Maria de Lurdes Rodrigues.

Uma política que, nas palavras do secretário de Estado da Educação, mais não pretende do que instaurar regras de rigor e de exigência. Valter Lemos admite que houve, nesta legislatura, uma alteração significativa à organização do trabalho dentro da escola, que obriga a uma maior permanência do docente no estabelecimento de ensino, bem como a introdução do princípio de carreira, por ser a única classe que não o tinha. "São alterações profundas, estruturais", reconhece, afirmando, por isso, compreender a "perplexidade, intranquilidade e estupefacção" dos professores. E como estamos a falar de uma classe com cerca de 150 mil profissionais, cada situação abrange sempre um elevado número de pessoas. Outra razão que favorece o protesto.

Santana Castilho, que já foi secretário de Estado dos Assuntos Pedagógicos no Governo liderado por Pinto Balsemão, recua até ao tempo do marquês de Pombal para dar conta da insatisfação permanente da sociedade face às questões da Educação. "Há, ciclicamente, um conflito entre a sociedade, a escola e o sistema de ensino, em Portugal ou em qualquer parte do mundo ocidental, como está a acontecer em Itália e em França", testemunha o agora professor de Organização e Gestão do Ensino. Mas... "em 34 anos de democracia nunca vi uma política para a Educação tão acintosa", arrisca, frisando que os docentes "estão cansados, fartos, não aguentam o que se está a passar". E o que se está a passar é, diz, uma política para formar mão-de-obra mais rapidamente, mais barata e menos reivindicativa. Nesse sentido, entende que, se noutras alturas houve greves ou manifestações questionáveis, agora não é assim.

Essas greves ou manifestações questionáveis são definidas por Paulo Guinote como "a coreografia ou ritualização da contestação sindical". O professor e autor do blogue "A educação do meu umbigo" enquadra a tendência pró-protesto da sua classe na circunstância de os docentes constituírem o grupo profissional qualificado mais numeroso a trabalhar para o Estado e, também, pelas condições em que desde há muito se viu obrigado a trabalhar (precariedade do vínculo laboral de muitos milhares durante vários anos, instabilidade nas colocações, inexistência de apoio em caso de desemprego).

Guinote, que assume ter feito a sua estreia em manifestações apenas este ano e já lecciona desde 1987, considera que a tal coreografia da contestação - "muito marcada durante os anos 90 e aceite tácita ou mesmo activamente pelos sucessivos governos" -, para além de ter eventualmente saturado quem está de fora, também cansou muitos docentes, apontando-se a ele próprio como um exemplo. E do rol de culpados constam os sindicatos. "Incapazes durante muito tempo de uma renovação de mentalidades, deixaram-se adormecer por essa ritualização negocial baseada em acções de rua seguidas de umas quantas reuniões de gabinete em que as coisas lá se resolviam, com as assinaturas dos acordos a variarem conforme o partido no poder".

O docente, que se assume como "alguém que está longe de ser um tradicional activista da constestação", deixando claro que nunca foi sindicalizado nem integra os recém-formados movimentos de professores, entrou agora na luta de rua por a Educação ser, neste momento, "a arma política por excelência deste Governo". "O uso das escolas como locais para uma despudorada pré-campanha eleitoral é algo que choca qualquer observador neutro, quanto mais aqueles que nela trabalham", desabafa.

Neste ponto, vai ao encontro de Mário Nogueira quando o dirigente sindical afirma que o início deste ano lectivo foi usado pelo Governo para valorizar os equipamentos (o famoso Magalhães, os quadros electrónicos...) e ignorar os professores. "Aliás, quando se referiram aos professores (os membros do Governo) foi apenas para dizer que já lá vai o tempo do facilitismo".

Na verdade, o que faz falta é um consenso. Couto dos Santos, que já passou pelo Ministério da Educação e que recorda os protestos quase diários de que foi alvo - não é, portanto, de estranhar que fale em vulgarização da manifestação e sua consequente descredibilização - defende que o presidente da República deveria assumir a questão da Educação como um desígnio e promover um debate supranacional, que ajudasse a resolver o handicap do país em relação a outros países.

Consenso ou concertação, como aponta Ivo Domingues. O sociólogo da Universidade do Minho, que escreve e reflecte sobre temas da Educação, lamenta a não existência em Portugal de uma cultura da política favorável à concertação. "Temos o Governo a legislar sem ouvir convenientemente os parceiros e movido por uma agenda política em que o tempo é erradamente concebido. As mudanças fazem-se muito por decreto. E temos sindicatos que apenas existem para defender o que há. Precisamos de governos que negoceiem mais as medidas e sindicatos que sejam parceiros na antecipação do futuro", observa.

Como este cenário não se verifica e como os professores têm uma identidade profissional muito própria, o resultado está à vista: manifestações e mais manifestações. Do ponto de vista da análise sociológica, a questão da identidade profissional é muito importante, segundo Ivo Domingues. Ou seja, na medida em que os professores se vêem a eles próprios como formadores de personalidades e de cidadãos, assumem para eles o comportamento de cidadania que lhes permite dizer com toda a liberdade o que pensam. "E como não têm constrangimentos de natureza contratual que os possa fazer sentir em perigo, porque o patrão é o Estado e é ao Estado que compete garantir todos os direitos de cidadania"..., avançam para a rua.

Mas será que esta falta de concertação é exclusiva do sector da Educação? Não, diz o sociólogo. A questão é que, explica, os médicos e os juízes, por exemplo, têm outros palcos de influência e de defesa dos seus interesses. "Estão mais representados nos órgãos centrais do Estado", sintetiza.

Estatísticade trabalho de um professor num ano lectivo...

O QUE EM MÉDIA UM PROFESSOR DO 2.º OU 3.º CICLO FAZ DURANTE UM ANO LECTIVO:

Com base no meu 'estudo' pessoal_Lurdes Paraíso

Lecciono 6 turmas em Educação Visual, no total de 117 alunos

Lecciono 1 turma em Formação Cívica, de 19 alunos

Lecciono 1 turma em Área Projecto, de 23 alunos

Lecciono Aulas de Complemento Curricular no 1.º ciclo, no Clube de Artes, do 1.º ao 4.º ano, no total de 21 alunos

Lecciono o Clube de Jornalismo, no total de 13 alunos
Logo trabalho em contextos específicos com 193 alunos
A Documentação/papeis criados, preenchidos e tratados:
1- Início do ano: Planificações (1 pág. por turma/disciplina/área = total de 10 págs.); Critérios de Avaliação/correcção (1 pág. por turma/disciplina/área = total de 10 págs.); Descriminação de competências a atingir (1 pág. por turma/disciplina/área = total de 10 págs.); articulações interdisciplinares (1 pág. por turma = total de 6 págs.); (...)
são fotocopiadas (1 exemplar para o dossier de Directores de Turma, no Plano Curricular de Turma, 1 ex. para o Conselho Executivo, anexo à acta, 1 ex. para os nossos registos pessoais, 1 ex. para o dossier de Departamento...)
Logo, num total de 36 páginas (120 fotocópias)
Se temos alunos com 'NEE', serão mais 4 páginas de documentação, fotocopiadas em triplicado, logo 12 págs.)
Ficam de fora, testes diagnósticos (117 fotocópias e 6 relatórios = 6 págs.)
2- a meio de cada período (Avaliações Intercalares):registo de avaliações intercalares (1 pág. por turma/disciplina = total de 8 págs.) (...)
Logo 3 períodos, num ano lectivo, no total de 24 págs.)
3- Final de período: fichas de avaliação(1 pág. por aluno = total de 193 págs. Fotocopiadas em duplicado); ficha de avaliação de Formação Cívica, Área Projecto, Clube de Jornalismo, Educação para a saúde, Clube de Artes
(1.º ciclo) (1 pág. por disciplina/área = total de 5 págs.) Logo, num total de 198 págs. (394 fotocópias)
Logo, tendo 3 períodos lectivos, dá um total de 594 págs. (1182 fotocópias)

4- Sou Directora de Turma:início do ano: Plano Curricular de Turma (25 págs., fotocopias: 1 ex. para dossier de Direcção de Turma, 1 ex. para o Conselho Executivo); Planos de Recuperação (este ano tive 6 alunos com)
(cada plano 4 págs., logo 24 págs., fotocopiadas duplicado); registo de faltas (10 disciplinas, registadas em fichas e depois no sistema informático); preenchimento das fichas de avaliação (total de 19 páginas);
(...)
Logo, num total de 78 págs. (98 fotocópias)

5- No último período, ainda relatórios de avaliação: para Formação Cívica (1 pág.); para Área Projecto (1 pág.); para Clube de jornalismo (1 pág.); como Directora de turma: para avaliação da turma (2 págs.); para Planos de Acompanhamento (1 pág.); para Retenção (1 pág. por aluno, depende das retenções); para Retenção Repetida (3 pág. por aluno, depende das retenções repetidas); para Planos de Recuperação (1 pág. por aluno, vou fazer 6,
porque tenho 6 alunos em Planos = 6 págs.); para Director de Turma, sobre o meu trabalho desenvolvido (média 3 págs.); para o Clube (1 pág.); para o 1.º Ciclo (1 pág.); (...)
Logo, num total no mínimo de 22 págs. (44 fotocopias)

Como compreenderá, deve estar a escapar-me alguma coisa, ou haver aqui alguma margem de erro,

Em resumo (ao longo dum ano lectivo):

a)Trabalho com..._193 alunos
b)Posso criar, analisar, preencher, ('passam-me pelas mãos') ... _758 páginas (papel)
c)Estão envolvidos aproximadamente... _1 456 fotocópias/PB
d) Faço em média... _17 367 registos (mão livre/informatizados)em documentos oficiais (explico a seguir) Nas fichas de avaliação dos alunos (1 por aluno = 193 alunos) são registados dados (cruzes, abreviaturas de menções qualitativas, etc.):
Educação Visual_7 dados/aluno x 117 alunos x 6 turmas x 3 períodos = 14742 registos;
Formação Cívica_7 dados/aluno x 19 alunos x 3 períodos = 399 registos;
Área Projecto _5 dados/aluno x 23 alunos x 3 períodos = 345 registos;
Como Directora de Turma (preencher dados como: nome, números, faltas, cruzes de avaliação global, cruzes de recomendações ao encarregado de educação) = aproximadamente: 33 dados/aluno x 19 alunos x 3 períodos = 1881
registos
e) Somando os registos oficiais com os pessoais (alínea a + e), dá..._30003 registos totais (explico a seguir) Se considerar os dados que manipulo antes de os introduzir nos documentos oficiais, então será só na disciplina de Educação Visual, o seguinte:
3 Trabalhos (média) por período x 12 registos (12 critérios de avaliação/correcção em Excel) x 3 períodos x 117 alunos (em Educação Visual) = 12636 registos pessoais
B
Reuniões ao longo do ano lectivo: 91 reuniões

a) Conselhos de Turma:
1 Setembro + 1 início ano lectivo (após as aulas começarem) + 1 fins de Setembro
+ 1 Intercalar do 1.º período + 1 final do 1.º período (avaliação) + 1 intercalar do 2.º período + 1 final do 2.º período (avaliação) + 1 intercalar do 3.º período + 1 final do 3.º período (avaliação) x 6 turmas = total de 54 reuniões
b) Encarregados de Educação, porque sou também Directora de Turma:
1 Início aulas + fim 1.º período + fim 2.º período + fim do 3.º período x 1 turma = total de 4 reuniões
(fora as reuniões que vou tendo com Encarregados de Educação nas horas de atendimento e a título individual)
c) Outras reuniões:
Reunião Geral (2 reuniões/ano) + Conselho de Directores de Turma (10 reuniões/ano) + Áreas Curriculares não Disciplinares (3 reuniões/ano) + Clubes e Projectos (3 reuniões/ano) + Departamento (11 reuniões/ano) +
reuniões diversas, tipo preparar actividades extra-curriculares (média 4 reuniões/ano) = total de 33 reuniões
C
Outros indicadores, que 'não têm papel', nem convocatórias:
- Ensino Educação Visual, sou 'psicóloga', 'mãe/pai', procuro resolver problemas de indisciplina, de zangas, de 'guerras e guerrinhas', ouço desabafos, confidências, avalio e envio relatórios para Segurança Social,
Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, quando é necessário; _nota: trabalho com adolescentes
- Atendo Pais e Encarregados de Educação, articulo com eles, mas não recebo outros Pais ou Encarregados de Educação de que tanto preciso, porque não querem, ou, não podem vir à escola;
- Participo na organização, colaboração de actividades extra-curriculares, tipo: Festa de Natal, Carnaval, Páscoa, 'Feira de Maio', Encerramento Ano Lectivo, (..);
- Faço a paginação do jornal da escola (28 págs. /jornal x 3 períodos = 84 págs.)
- (Fazendo uma média de dois trabalhos por período na minha disciplina), observo e acompanho: 117 alunos x 2 trabalhos/média/período x 3 períodos
=702 trabalhos práticos.
- (...)

FIM
Mandei estes dados para um deputado da Assembleia da República que nos pedia o número de alunos que em média um professor tem, porque por lá consta que é uma média de 7 ou 8 alunos/professor.

Respondi ao e-mail, mas resolvi acrescentar toda esta informação...
Falaram em muita Burocracia? Que os Professores que não trabalham e têm muito tempo livre, muitas férias? Que os Professores dão as suas 'aulitas' e estão na sala de professores aos 'montes' sem fazer nada?

ENTÃO PERGUNTO QUEM FAZ TUDO ISTO? O GATO DA VIZINHA?

Não falei das aulas de substituição...
Também me esqueci, de lembrar que um professor é um ser, com direito a uma vida pessoal, a constituir família e a ter horas e momentos felizes e livres...

ATÉ HOJE, NÃO ME QUEIXAVA DO TRABALHO...

MAS AGORA, DIGO 'BASTA'

BASTA DE MAIS BUROCRACIA, DEIXEM-ME DAR AULAS...
E SOBRETUDO, NÃO ADMITO QUE ME AO FIM DE TUDO ISTO...
ME DESRESPEITEM...
QUE ME CHAMEM DE 'PROFESSORZECA'
QUE NÃO FAÇO NADA...
E DIGAM QUE NÃO ENTENDO A LEGISLAÇÃO...
AGORA PENSEM, QUANDO O ESTATUTO DO ALUNO ENTRAR... E A SUPOSTA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO?

TU ACHAS QUE VAIS AGUENTAR?

“Mais punitivo do que este sistema não há”

Sara R. Oliveira| 2008-10-30



Docentes insatisfeitos com as mudanças no processo de avaliação garantem que "a face humanizada da escola está a ficar completamente destruída". A indignação está à flor da pele.

Indignação. Descontentamento. Uma tristeza que não passa. A insatisfação na área da Educação pode ser contada através de números. A 8 de Março deste ano, cerca de 100 mil professores juntaram-se e percorreram algumas ruas de Lisboa. Há mais uma manifestação marcada para 8 de Novembro na capital e possivelmente acontecerá uma outra no dia 15 do mesmo mês. A mesma insatisfação também é contada através de sentimentos. O EDUCARE.PT falou com alguns docentes e constatou que a dor é grande. O pulso já não bate como antigamente. Hoje fala-se de colegas contra colegas, pedidos de reforma antecipada, ambiente de medo, desconforto, estatísticas para a Europa aplaudir.

A revolta passou e deu lugar a uma tristeza profunda. Adélia Silvestre, 30 anos de serviço, há 20 na Escola Secundária João Gonçalves Zarco, em Matosinhos, admite que está "tristíssima" com o que se está a passar. "Agora temos colegas contra colegas e amigos contra amigos. A atmosfera é de cortar à faca, discute-se por tudo e por nada, as emoções estão à flor da pele", descreve. "Este modelo de avaliação acaba por pôr professores contra professores". A professora de Português lamenta o actual cenário, garante que a contestação não é por causa dos professores serem avaliados, mas sim pela forma como o processo está a ser conduzido. E dá um exemplo. Na sua opinião, não é compreensível como o abandono e o insucesso escolares fazem parte dos critérios de avaliação. "São dois conceitos que acabam por ser tratados como já aconteceu. A ministra fala de aumento do sucesso escolar no final do ano lectivo e reúne as estatísticas para mandar para a Europa. E isto é inqualificável".

Adélia Silvestre defende uma avaliação consistente e não um modelo que funcione à semelhança do de uma empresa. Em seu entender, é preciso ter em conta as características de um sector específico, como o é a Educação. "Querem que os professores sejam burocratas, mas não são. Os professores devem ser professores", defende. "Tudo o que está a acontecer tem a ver com esta equipa do Ministério da Educação que, ainda por cima, está rodeada por dois secretários de Estado absolutamente inqualificáveis". A docente participou na marcha da indignação a 8 de Março, mas não vai estar na de 8 de Novembro. "Sinto-me completamente traída nos motivos que me levaram a participar nesse protesto. A FENPROF feriu os professores". Adélia Silvestre refere-se à assinatura do memorando de entendimento com a tutela, assinado pouco depois da manifestação. A professora tenciona marcar presença na concentração agendada por um grupo de docentes para 15 de Novembro.

Fernanda Rego, professora de Português na EB 2,3 de Leça da Palmeira, vai pedir a reforma antecipada no início do próximo ano, depois de 33 anos na docência. "O ambiente é muito negro, muito negro. Estou completamente alarmada com o que se está a passar. Vou pedir a reforma antecipada com a punição que isso implica, mas mais punitivo do que este sistema não há", desabafa. É a indignação. "Este sistema está a arrumar com aqueles que realmente gostam de ser professores. Neste momento, como a Educação está no nosso país, não estamos a trabalhar para os alunos, mas sim para as estatísticas". "A face humanizada da escola está a ficar completamente destruída", comenta.

O novo modelo de avaliação merece-lhe críticas. "O ambiente é de medo, medo do chefe que vai ser director. Há toda uma situação que faz com que os professores queiram deixar de ser professores", diz. "Como vou exigir de mim própria na avaliação que faço aos alunos, quando sou avaliada por quem não tem competência científica para o fazer?", questiona-se. Por convicção tem votado contra várias regras definidas pelo ministério e que chegam à mesa da escola. Fernanda Rego prefere lutar no terreno, no dia-a-dia da docência, e não vai à manifestação de 8 de Novembro, nem esteve na de 8 de Março. "Tenho-me manifestado na escola. É importante que os professores percebam que a luta começa em si". "Receio que, no futuro, quando se fizer um historial do que está acontecer, que isso seja vergonhoso para os professores. Este sistema levanta o que há de pior", conclui.

Fátima Loureiro, professora do 1.º Ciclo há nove anos, ligada ao agrupamento vertical de S. João de Sobrado de Valongo, vai participar no plenário de 8 de Novembro. "Torna-se imperioso, no momento actual, lutar por uma maior dignificação e respeito por todos aqueles que optaram por seguir uma carreira docente". A sua presença explica-se em vários motivos. Fátima Loureiro considera que é necessário continuar a reclamar "um modelo de avaliação justo, o respeito pelo tempo de trabalho dos professores, uma maior estabilidade dos docentes".

"Com a entrada deste novo modelo de avaliação, o ambiente que se vive nas nossas escolas degrada-se de dia para dia, já que, o mesmo, instalou entre os docentes um clima de desconforto, visto pautar-se por uma linha altamente burocrática, exigindo muitas horas de trabalho, para além daquelas que constituem os horários dos professores, prejudicando, dessa forma, a preparação do trabalho lectivo com os alunos", refere. "Esta avaliação não se constituirá como algo construtivo para o processo de ensino/aprendizagem dos vários agentes da educação, mas sim como um elemento profundamente penalizador", acrescenta. Fátima Loureiro sublinha ainda que não é a avaliação dos docentes que está em causa, mas o modelo desenhado pelo ministério. "O que os professores reclamam não é o final da avaliação, mas sim um modelo de avaliação exequível e justo que contribua verdadeiramente para o melhoramento da actividade docente, logo, do processo de ensino/aprendizagem dos nossos alunos, assim como, para o crescimento pessoal de todos aqueles que partilham o espaço escolar", conclui.

Sindicatos esperam 50 mil professores e equacionam novo local para protesto

03.11.2008 - 19h17 Lusa

Manifestação no próximo sábado

A Plataforma Sindical de Professores espera pelo menos 50 mil docentes na manifestação de sábado em Lisboa, mas admite rever em alta esta previsão nos próximos dias, estando por isso a equacionar uma alteração do local do protesto.

O porta-voz da Plataforma, Mário Nogueira, adiantou que as estimativas dos sindicatos apontam, "nesta altura, para a presença de mais de 50 mil" docentes, mas que só haverá uma previsão final depois de serem entregues pelos delegados sindicais as listas de inscrição dos professores.

"Admito que esse número possa subir, podendo a manifestação vir a ter uma dimensão semelhante ou próxima à realizada a 8 de Março", afirmou Mário Nogueira, relembrando os cerca de 100 mil professores que naquela data desfilaram entre o Marquês de Pombal e a Praça do Comércio, em Lisboa.

Por este motivo, os sindicatos estão a equacionar a mudança dos locais do protesto de sábado, inicialmente marcados para o Alto do Parque Eduardo VII, com desfile para o Ministério da Educação, na Avenida 5 de Outubro. A hipótese agora é a realização do plenário na Alameda da Cidade Universitária, seguindo os professores depois em manifestação até aos Restauradores.

Esta manifestação foi convocada para contestar as políticas educativas da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e, em concreto, o processo de avaliação de desempenho, o novo regime de gestão das escolas, o concurso de colocação de professores e o Estatuto da Carreira Docente, entre outras matérias.
30.10.2008 - 16h56 Lusa
O Governo aprovou hoje, em Conselho de Ministros, três decretos que reforçam e clarificam o ensino português no estrangeiro. Assim, foi aprovada a criação da Escola Portuguesa de Díli (Timor-Leste), a reformulação o regime jurídico da Escola Portuguesa de Moçambique e a uniformização dos programas de português de ensino privado no estrangeiro.

A criação da Escola Portuguesa de Díli faz parte de um acordo de cooperação entre Portugal e Timor-Leste assinado em 2002 e estará aberta a cidadãos portugueses, timorenses e de outras nacionalidades residentes nesta antiga colónia portuguesa. A nova Escola Portuguesa de Díli terá como missões "promover o ensino e a difusão da língua portuguesa", reforçar os laços linguísticos e a cooperação entre os dois países, aplicar "as orientações curriculares para a educação pré-escolar e dos planos curriculares e programas dos ensinos básicos e secundário em vigor no sistema educativo português". Entre outros objectivos, o diploma prevê que a Escola Portuguesa de Díli se constitua "como centro de formação contínua de professores e centro de recursos".



Escola de Moçambique deixa de ser “instituto público”

No que respeita à Escola Portuguesa de Moçambique, o decreto agora aprovado altera o seu regime jurídico, alegadamente, para o dotar de "mecanismos que permitam o aumento da eficiência na prestação do serviço público de educação". "Pretende-se uniformizar o regime jurídico aplicável às escolas portuguesas no estrangeiro", passando a de Moçambique a "ter a mesma natureza dos estabelecimentos públicos de educação e ensino do sistema educativo português", deixando de ser um "instituto público". O diploma consagra também novas regras quanto à organização interna, "designadamente através da criação de um conselho pedagógico e da definição das respectivas competências". As mudanças agora introduzidas estendem-se à composição do Conselho de Patronos e ao recrutamento dos membros do Conselho de Directivo da escola. Ainda de acordo com o executivo, o diploma procura "solucionar a questão relativa ao recrutamento de pessoal docente do ensino público português, estipulando-se regras que permita aos docentes exercer funções na Escola Portuguesa de Moçambique "sem prejuízo da sua carreira".



Escolas privadas fora do país com as mesmas regras

O terceiro diploma aprovado pelo Conselho de Ministros sobre a temática da educação do português no estrangeiro visa definir "requisitos de qualidade" para as escolas de ensino privado fora do território nacional. "Fixam-se as condições que as instituições devem respeitar em termos de direcção pedagógica e da qualificação de pessoal docente para que o reconhecimento seja concedido", refere o decreto. "Com este diploma pretende-se assegurar aos filhos dos emigrantes o ensino do português e o acesso à cultura portuguesa, bem como reconhecer o papel da língua portuguesa enquanto veículo de comunicação e transmissão de cultura portuguesa à escala mundial", refere o comunicado do Conselho de Ministros.

Ministra vai ao Parlamento explicar ideia de acabar com "chumbos" até ao 9º ano

30.10.2008 - 20h31 Lusa
O Parlamento aprovou hoje por unanimidade a audição da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e do Conselho Nacional de Educação sobre a proposta para acabar com as reprovações de alunos no ensino obrigatório.

O requerimento aprovado hoje foi apresentado pelo CDS-PP. O deputado democrata-cristão José Paulo Carvalho disse que o objectivo é esclarecer qual a posição do ministério face a um parecer do Conselho Nacional de Educação que recomenda ao Governo que estude soluções alternativas aos chumbos de ano.

Os deputados aprovaram também a audição dos dois relatores do documento do Conselho Nacional de Educação, órgão consultivo do Governo. José Paulo Carvalho afirmou concordar que os alunos com mais dificuldades tenham mais acompanhamento desde que "isso não signifique que se generalize um sistema de passagens administrativas".

De acordo com a edição de ontem do “Diário Económico”, um projecto de parecer do Conselho Nacional de Educação recomenda que o Ministério da Educação estude "soluções adoptadas noutros países que `encontraram alternativas às repetições, obtendo bons desempenhos por parte dos alunos e resolvendo os problemas do insucesso".

Ao PÚBLICO, o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, explicou que o Governo não quer proibir os chumbos, mas pretende reforçar "as estratégias e as medidas de apoio à recuperação de alunos, de forma a que a retenção e a repetição de ano deixem naturalmente de acontecer".

Magalhães causa polémica entre professores

A Federação Nacional da Educação tem recebido centenas de queixas de docentes que se queixam de estar a ser encarregados de funções "burocráticas e administrativas relacionadas com o Magalhães", indica a FNE em comunicado.

Segundo a federação, as tarefas delegadas aos professores "não dignificarem em nada a profissão docente, ainda mais sobrecarregam o tempo de trabalho destes profissionais, diminuindo-lhes o tempo para o que verdadeiramente conta: ensinar".

Ao que tudo indica, os docentes têm a indicação do Ministério da Educação de que devem ocupar o tempo "livre", o que traduzindo para a realidade actual, os coloca a fornecer os documentos de adesão ao computador, efectuar pagamentos às operadoras móveis, receber e entregar aos encarregados de educação as facturas das respectivas operadoras e aconselhar os alunos ou pais quanto à operadora mais adequada para cada caso.

A FNE afirma que a acção do Ministério da Educação é "completamente despropositada", isto no que se refere "ao exigir que os professores tenham de fornecer os documentos de adesão ao computador […], validando posteriormente as fichas e os termos de responsabilidade". Em nota à imprensa, a federação chega a acusar o ministério de "desrespeito absoluto pela actividade docente, introduzindo até no acto de leccionar uma componente comercial abusiva".

Guerra à avaliação em quase cem escolas

Educação. Cada vez mais professores de agrupamentos e escolas isoladas assumem-se contra a avaliação. A ministra disse ontem que os protestos se resumem a alguns professores, mas até a presidente da melhor pública do ano a contraria

Professores dizem que estão prontos para não progredir

De norte a sul, 92 escolas e agrupamentos, segundo uma lista elaborada pela Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), já tomaram posição, em reuniões e moções de professores, pedindo a suspensão da avaliação. E os sindicatos e movimentos independentes do sector afirmam que esta é só a ponta do icebergue.

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, considerou ontem, em Anadia, que a contestação se resume a alguns professores e não às suas escolas: "Há professores que não querem ser avaliados e já o sabemos há muito tempo, mas o País não entenderá que os professores sejam uma classe à parte, pelo que terão de estar sujeitos a regras", disse.

Melhor pública do ano na lista

A verdade é que não foi preciso procurar muito para encontrar uma presidente de conselho executivo que desmentisse essa leitura dos factos. Precisamente a que lidera a Escola Secundária Infanta D. Maria, de Coimbra, a melhor pública do ano segundo os rankings publicados esta semana pelo DN, e uma das 92 com moções contra a avaliação.

"Não é verdade que os professores não queiram ser avaliados. Querem é ter outra avaliação. Não esta, que só lhes está a tirar tempo para ensinarem", disse ao DN Rosário Gama. "Na minha escola, 90 assinaram. Só não assinaram três que não estiveram na reunião. Eu não o fiz porque, nas minhas funções, nunca poderia recusar--me a avaliar um professor que o quisesse. Mas como professora teria assinado e aplicado a decisão", disse, acrescentando "não ter dúvidas" de que muitos pedidos de aposentação na sua escola decorrem deste caso.

"Prontos" para consequências

Ontem, a ministra da Educação lembrou também o que acontecerá a quem rejeitar a avaliação: "A consequência imediata é que, não sendo avaliado, o professor não reúne as condições para progredir na carreira", avisou. Mas os sindicatos e movimentos dizem que os professores estão preparados para tudo.

DN
Pedro Sousa Tavares

"Magalhães" enche docentes de burocracia

O "Magalhães" está a a sobrecarregar de trabalho os professores do 1.º Ciclo. A denúncia é da Federação Nacional da Educação (FNE) que diz ter recebido centenas de queixas de docentes sobrecarregados com tarefas burocráticas.

Nas últimas semanas, chegaram à FNE centenas de queixas de professores que "estão a realizar tarefas burocráticas e administrativas relacionadas com os computadores 'Magalhães' que, para lá de não dignificarem em nada a profissão docente, ainda mais sobrecarregam o tempo de trabalho destes profissionais, diminuindo-lhes o tempo para o que verdadeiramente conta: ensinar", denuncia a federação, em comunicado divulgado ontem.

Os docentes estão a receber instruções do Ministério da Educação (ME) que "os obrigam a ocupar tempo desnecessário", além de lhes imputar responsabilidades que ultrapassam as suas funções, de acordo com a estrutura sindical. "A FNE considera completamente despropositada a acção do ME, ao exigir que os professores tenham de fornecer os documentos de adesão ao computador 'Magalhães', validando posteriormente as fichas e os termos de responsabilidade."

Entre as tarefas consideradas desadequadas à função docente estão assinalar a efectivação dos pagamentos às operadoras móveis, tratar de receber e entregar aos encarregados de educação as facturas das respectivas operadoras e sugerir a operadora mais adequada para cada aluno.

"Para a FNE, estas obrigações revelam um desrespeito absoluto pela actividade docente, introduzindo até no acto de leccionar uma componente comercial abusiva", lê-se no comunicado.

O vice-presidente do Conselho Directivo da Casa Pia, José Lucas, disse, ontem, que a avaliação de desempenho dos professores dos centros educativos se mantém, apesar de existir uma proposta para suspender o processo. José Lucas esclareceu que o que existe é uma moção, que foi votada no Centro Educativo Pina Manique, na semana passada no sentido de se fazer uma proposta de suspensão do processo de avaliação de desempenho dos professores.

Anteontem, o vice-presidente do Sindicato de Professores da Grande Lisboa, Óscar Soares, disse à agência Lusa que os professores dos centros de educação e desenvolvimento de Pina Manique, Nuno Álvares e Jacob Pereira tinham decidido suspender a avaliação de desempenho de professores. José Lucas explicou que a avaliação não foi suspensa, esclarecendo que o assunto tem sido discutido com os sindicatos de professores e "até à data nunca o sindicato manifestou a sua proposta de se proceder à suspensão do processo na instituição".

JN

Trabalho dos professores para "vender" Magalhães

A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação criticou a atribuição pelo Ministério da Educação de "tarefas burocráticas e administrativas" aos professores do primeiro ciclo relacionadas com o computador Magalhães, garantindo ter já recebido "centenas de queixas" de docentes.

Segundo Lucinda Manuela, dirigente da FNE, os professores do 1º ciclo estão a receber orientações da tutela, através de um "guião", para serem os próprios a fornecer os documentos de adesão do computador, validando posteriormente as fichas e os termos de responsabilidade e tratando inclusivé de receber e entregar aos encarregados de educação as facturas das operadoras.

"Somos a favor das novas tecnologias e do acesso de todos os alunos a elas, mas não pode ser à custa de mais trabalho burocrático e administrativo para os professores, que já estão nas escolas muito para além do seu horário de trabalho", afirmou a dirigente sindical, em declarações à agência Lusa.

Considerando "inaceitável e injustificável" este pedido do Ministério da Educação, a FNE sublinha ainda que "estas obrigações", que surgem no âmbito do programa e.escolinhas, revelam um "desrespeito absoluto pela actividade docente, introduzindo até no acto de leccionar uma componente comercial abusiva".

"Além do tempo que os professores perdem com a avaliação de desempenho, estas obrigações vão prejudicar ainda mais a preparação de aulas e o acompanhamento dos alunos. Só podem estar a desempenhar estas funções [relacionadas com o Magalhães] no tempo que deveriam ter para a sua vida pessoal", criticou Lucinda Manuela.

A Agência Lusa tentou contactar, sem sucesso, o Ministério da Educação

JN

Professores “chumbam” teste da ministra da Educação

Perto de três centenas de professores evidenciaram, ao final da tarde de sábado, no Largo da Misericórdia, a sua insatisfação pelo processo de avaliação imposto pelo Ministério da Educação. A manifestação nacional dos professores segue dentro de momentos, em Lisboa.

Foi entre músicas de Zeca Afonso interpretadas pelo trio Francisco Fanhais, Pedro Fragoso e Pedro Branco, no gélido fim de tarde de sábado, e no mal iluminado Largo da Misericórdia, que perto de três centenas de professores do ensino básico e secundário se manifestaram.

Jaime Pinho foi o professor de serviço. Aliás, este docente foi o mentor desta acção de protesto contra a política de avaliação dos professores, implementada pela ministra da Educação, à qual os professores respondem com um rotundo ‘chumbo’, apelando ao bom senso da ministra para fazer marcha-atrás.

“Esta manifestação é resultado de um grupo expontâneo de 35 professores de várias escolas e graus de ensino dos concelhos de Setúbal e Palmela, e que, em poucos dias, fomos passando a palavra para nos reunir aqui hoje,” disse Jaime Pinho, que resumiu o que está em causa: “A avaliação que pretendemos tem de ir ao encontro dos direitos e necessidade dos alunos, e tem de promover uma escola que aposta na formação plena e equilibrada dos cidadãos.”

Entre os presentes, encontrava-se o professor Constantino Piçarra, da escola de Ourique que, em finais de Setembro, deu início ao movimento da escola pública. “Este modelo de avaliação está tecnicamente mal concebido, e implica uma situação insustentável nas escolas. Nós temos o dever de ensinar e, com este sistema de avaliação do Governo, essa obrigação é ofuscada, porque entramos em devaneios legislativos” alerta.

De entre as questões, este docente pergunta à ministra da Educação: “é mais importante os professores debaterem os problemas dos seus alunos, ou andarem de braço dado com o Ministério, armados em legisladores para porem em prática um sistema de avaliação que, ainda por cima, objectiva que 75 por cento não atinja o topo da carreira?”

Outra voz no microfone do Largo da Misericórdia foi a de João Trigo, do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa. “As questões do estatuto da carreira docente e da avaliação do desempenho preocupam grandemente a classe, a que a ministra insiste com a prática do medo, mas verifico que os professores estão unidos e não aceitam tal situação,” disse.

Paulo Guinote, professor e reconhecido bloguista, deixou à plateia de colegas dois pedidos: “Unidade e dignidade da classe.” Informando haver moções para suspensão deste processo em mais de meio milhar de escolas do país, Guinote apelou para a continuação desta luta: “Que cada um e todos juntos saibamos agir em conformidade”.

Teodoro João

Professores de Almada concentram-se nesta 3ª feira

Nesta Terça-feira, 4 de Novembro, realiza-se uma concentração de professores em Almada, a partir das 17,30 horas, na Praça da Liberdade, junto ao Fórum Romeu Correia.
Os professores lutam pela imediata suspensão da avaliação de desempenho, que consideram burocrática, economicista e inaplicável. Os docentes de Almada exigem ainda uma só carreira e defendem que os seus direitos e dignidade não se negoceiam.
No passado dia 18 de Outubro, dezenas de professores reuniram na SRUP/Pragal e apelaram a todos os professores da Margem Sul para que manifestem publicamente a sua indignação e protesto contra a prepotência e os ataques ministeriais aos direitos e dignidade dos professores.

Desse encontro, que juntou 65 professores, saiu a iniciativa de convocar o protesto nesta 3ª feira, 4 de Novembro. O encontro aprovou ainda uma tomada de posição unânime: denunciando as condições de trabalho existentes nas escolas; saudando as diversas iniciativas de protesto e resistência; apelando a que as direcções sindicais "rompam o acordo assinado com Lurdes Rodrigues" e apelando ainda à "constituição de um movimento nas escolas pela suspensão imediata da actual avaliação de desempenho".

Avaliação dos professores a andar parada

17:34 | Quarta-feira, 29 de Out de 2008



O Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (CCAP) está parado. Desde Julho que não reúne. Não vejo por que haveria de andar. Mesmo que o fizesse, sabemos que qualquer reunião é sempre estática. Ou, pelo menos, extática. O tipo de reunião muito contemplativo, que faz com que o CCAP não morra do síndrome de hiperactividade. A CCAP não existe. Ou anda em comunhão com o Além. "Científico" só se estiver, dada a discrição, dedicado às ciências ocultas.

A presidente, Conceição Castro Ramos, aposentou-se cinco meses depois da posse. Não teve tempo para dizer: posse e mando. Não foi substituída. É insubstituível. Outro membro, Matias Alves, abandonou por deixar de ser "titular". Sabemos a dificuldade em manter títulos. Disse que o Conselho corria o risco de se tornar um órgão "inútil". Há docentes à cata da sua utilidade.

Sem pressa de reunir o CCAP (e alguns dos seus grupos de trabalho apenas em sessões esotéricas), este fogoso conselho consultivo criado pelo Ministério da Educação, para supervisionar o processo de avaliação do desempenho dos professores, poderá estar a sofrer de depressão pós-parto. Até a sua página na Internet, http://www.ccap.min-edu.pt/ , desovada a 2 de Abril do corrente ano, foi actualizada pela última vez (e primeira?) a 24 de Julho!

Ainda assim, o Conselho Científico para a Avaliação de Professores quer organizar uma rede de escolas e agrupamentos para desenvolver projectos de colaboração em matéria de avaliação do desempenho docente. Os seus grandes objectivos estão a ser cumpridos com sonolentos abanos de cabeça. São maravilhosos. Vale a pena transcrevê-los: "promover a interacção entre a teoria e a prática da avaliação do desempenho docente; proporcionar oportunidades para conhecer de perto potencialidades e dificuldades existentes na concretização do sistema de avaliação; estimular o diálogo, o debate e a troca de experiências entre as escolas associadas e entre estas e o Conselho; contribuir para a identificação de dispositivos, instrumentos e procedimentos que possam ser caracterizados como exemplos de boas práticas; desenvolver reflexões sobre aspectos específicos da problemática da avaliação do desempenho docente centrados na realidade das escolas e na prática dos avaliadores; incentivar o desenvolvimento de colaborações entre escolas e agrupamentos e instituições de ensino superior; facilitar a participação das escolas associadas em programas de intercâmbio com escolas de outros países europeus com experiências relevantes nesta área". Uff!

De boas intenções está a 5 de Outubro grávida. De más intenções estão as escolas que rejeitam o modelo de avaliação, dada a extrema dificuldade em concretizá-lo e a colossal carga burocrática exigida. Falava-se, e bem mal, da burocracia dos tempos da outra senhora. E a dos desta senhora?

Com o CCAP contemplativo, ou em coma acólito, os professores andam esfalfados a produzir toneladas de papel, impresso a jacto de tinta, para arquivo morto. Ou para trituradoras que engolem folhas A4 como sorvetes de morango. Não lhes sobra, aos professores, tempo para preparar aulas, nem para desenvolver "boas práticas" com os alunos. Mas disto o sistema educativo de excelência que perseguimos precisa?

José Alberto Quaresma

Dificuldade de exames nacionais de português explica resultados piores

29.10.2008 - 14h29 Lusa
A dificuldade acrescida dos exames nacionais da disciplina de português no ensino básico e secundário é, para a Associação de Professores de Português (APP), o motivo para os piores resultados obtidos face ao ano passado.

Segundo os resultados dos exames nacionais, divulgados terça-feira pelo Ministério da Educação (ME), seis escolas do ensino básico tiveram média negativa no exame nacional de Língua Portuguesa do 9º ano, o que representa 0,4 por cento das escolas onde a prova se realizou, quando no ano passado apenas duas escolas tiveram resultados negativos.

Entre as dez escolas básicas com melhores resultados estão nove privadas e apenas uma pública. Por oposição, entre as dez piores prestações só se encontram estabelecimentos de ensino públicos.

Quanto a Português B do 12º ano, 74 por cento das escolas alcançaram média positiva no exame nacional, um resultado 16 pontos percentuais abaixo do verificado no ano passado, quando 90 por cento dos estabelecimentos de ensino ficaram acima dos 9,5 valores.

Também neste caso, as privadas estão em maioria entre as dez que tiveram a média mais alta (seis privadas e quatro públicas), enquanto as públicas estão em maior número no fim da tabela, ocupando nove dos dez últimos lugares.

"De facto considero que não há correspondência entre a realidade e estes resultados, porque estes são influenciados pela dificuldade ou facilitismo dos exames", disse à Lusa a vice-presidente da APP, Edviges Antunes Ferreira.

A responsável considerou "normal que os resultados de Português sejam inferiores" aos do ano passado, porque este ano a prova da primeira chamada de Português foi "dificílima".

"Isto não implica necessariamente que os alunos este ano sejam piores do que no ano passado", considerou, salientando que "as duas provas do ano passado tiveram um equilíbrio e foram fáceis, coisa que não aconteceu este ano, em que uma primeira prova dificílima baixou a média geral".

Edviges Antunes Ferreira desvalorizou ainda a elaboração de rankings de escolas a partir destes resultados, nos quais os primeiros lugares são maioritariamente ocupados por escolas privadas.

"É normal que um aluno que esteve sempre no mesmo colégio, muitas vezes desde os três anos de idade, onde é às vezes acompanhado pelos mesmos professores durante anos, tenha melhores resultados do que um aluno que está numa escola pública, onde tem um professor no 10º ano, outro no 11º e ainda outro no 12º, pode calhar numa boa ou numa má turma", salientou.

"Eu tanto tenho turmas de 12º ano muito boas como tenho outras que são fracas, é o que nos calha, na escola pública não dá para escolher", disse.

Rangel reclama educação exigente e não “política de computadores Magalhães”


03.11.2008 - 16h45 Lusa
O líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, afirmou hoje que o seu partido defende uma política educativa "de exigência e de rigor" que contrasta com a "política de computadores Magalhães" do Governo.

Na abertura das jornadas parlamentares do PSD, em Évora, Paulo Rangel acusou o Governo do PS de apostar numa "cultura do facilitismo, da não verdade, do trabalhar para as estatísticas" que atirou as escolas públicas para "os lugares finais dos 'rankings' das escolas".

O PSD defende "não uma política de computadores Magalhães, mas uma política de exigência e de rigor nas escolas", acrescentou Paulo Rangel, defendendo que "só com exigência há igualdade de oportunidades". "Não aparecem escolas públicas nos dez primeiros lugares dos 'rankings'", assinalou. "A escola pública aparece nos lugares finais dos 'rankings' porque não se premeia o mérito, porque o Governo na política educativa desistiu do mérito e da exigência", sustentou o líder parlamentar do PSD.

No seu discurso, Paulo Rangel salientou que o tema das jornadas de Évora é "Verdade e alternativa" e alegou que o PSD também se distingue do PS por falar verdade aos portugueses. "Recuperando o código genético do PSD encontrei no hino do PSD as palavras que são o lema da nossa jornada de hoje e de amanhã: Paz, pão, povo e liberdade / Todos sempre unidos no caminho da verdade", citou. "O PSD não mente aos portugueses, não ilude as dificuldades, tem como critério para propor medidas e para governar Portugal o critério da verdade", alegou Rangel.

Adaptação do Manifesto Anti-Dantas, de Almada Negreiros, poeta d'Orpheu, futurista e tudo..


MANIFESTO ANTI-MARIA DE LURDES

Basta pum basta!!!

Uma geração que consente deixar-se dominar por uma Maria de Lurdes é uma geração que nunca o foi. É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!

Abaixo a geração Maria de Lurdes!

Corram com a Maria de Lurdes, corram! Pim!

Uma geração com uma Maria de Lurdes a cavalo é um burro impotente!

Uma geração com uma Maria de Lurdes ao leme é uma canoa em seco!

A Maria de Lurdes é meio demagoga!

A Maria de Lurdes é demagoga inteira!

A Maria de Lurdes saberá de sociologia, saberá estatística, saberá escrever sobre o estatuto dos engenheiros, saberá transformar uma anarquista numa ditadorazeca do terceiro mundo, saberá de tudo menos de educação que é a única coisa que se esperaria que ela soubesse!

A Maria de Lurdes pesca tanto de pedagogia que erigiu em fim principal da escola a ocupação dos tempos livres dos alunos ociosos, que transformou os professores em principal inimigo do Governo, que quis pôr o País inteiro contra os professores!

A Maria de Lurdes é uma habilidosa!

A Maria de Lurdes tem um trauma de infância contra os professores!

A Maria de Lurdes que foi professora primária esconde esta 'mácula' na sua biografia oficial. Sente vergonha de ter sido professora como quem tem vergonha da própria mãe. É uma vergonha!

A Maria de Lurdes transformou a pedagogia em demagogia!

A Maria de Lurdes manipula, tergiversa, mente e tenta colocar as escolas ao serviço dos interesses partidários!

A Maria de Lurdes quer destruir a escola pública!

Corram com a Maria de Lurdes, corram com ela! Pim!

A Maria de Lurdes fez um Estatuto da Carreira Docente que só poderia ter sido feito no Chile de Pinochet de onde o seu mestre anarquista, João Freire, o copiou mal e porcamente!

E a Maria de Lurdes teve claque! E a Maria de Lurdes teve palmas! E a Maria de Lurdes agradeceu!

A Maria de Lurdes é uma vergonha!

Não é preciso ir prá 5 de Outubro pra se ser pantomineiro, basta ser-se pantomineiro!

Não é preciso disfarçar-se pra se ser salteador, basta extrorquir aos professores os seus direitos como a Maria de Lurdes faz! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem pedagógicos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões do eduques, com as
alucinações de um alumbrado como Valter Lemos! Basta usar o tal sorrisinho cínico, basta fazer aparência de muito delicada, e usar olhos meigos para os jornalistas! Basta ser Judas! Basta ser Maria de Lurdes!

Corram com a Maria de Lurdes, corram com ela! Pim!

A Maria de Lurdes nasceu para provar que nem todos os que governam sabem governar!

A Maria de Lurdes é um autómato que deita pra fora o que a gente já sabe o que vai sair..., bastando ter lido os textos alucinados daquela espécie de Menino do Lapedo fóssil que é Valter Lemos. Mas é preciso deitar mentiras, estatísticas manipuladas, dinheiro, prémios, livros e computadores para comprar os votos aos pais!

A Maria de Lurdes é uma doentia perturbação dela-própria!

A Maria de Lurdes em génio nem chega a pólvora seca e em competência é pim-pam-pum.

A Maria de Lurdes em poses eróticas no jornal Expresso é horrorosa!

A Maria de Lurdes tresanda a mentira e a demagogia!

Corram com a Maria de Lurdes, corram com ela! Pim!

A Maria de Lurdes é o escárnio da consciência!

Se a Maria de Lurdes é portuguesa eu quero ser do Chile, do país de onde importaram o Estatuto da Carreira Docente!

A Maria de Lurdes é a vergonha da intelectualidade portuguesa!

A Maria de Lurdes é a meta da decadência mental!

E ainda há uns propagandistas na comunicação social que não coram quando dizem admirar a Maria de Lurdes, quais Vitais Moreiras e outras lavadeiras das imundices da socratinada!

E ainda há quem lhe estenda a mão!

E quem lhe lave a imagem com campanhas de propaganda!

E quem tenha dó da Maria de Lurdes, imputando as culpas deste desastre ao inenarrável Valter Lemos!

E ainda há quem duvide que a Maria de Lurdes não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!

Continue a senhora Maria de Lurdes a governar assim que o País há-de ganhar muito com destruição das escolas públicas e há-de ver que ainda apanha uma estátua de cera no Museu dos Horrores e um monumento erecto por subscrição pública dos espanhóis que finalmente ao fim de oito séculos conseguirão destruir Portugal, e a Praça de Camões mudada em Praça Dr.ª Maria de Lurdes, e com festas da cidade plos aniversários, e sabonetes em conta Maria de Lurdes' e pasta Maria de Lurdes prós dentes, e graxa Maria de Lurdes prás botas e Niveína Maria de Lurdes,
e comprimidos Maria de Lurdes, e autoclismos Maria de Lurdes e Maria de Lurdes, Maria de Lurdes, Maria de Lurdes, Maria de Lurdes... E limonadas Maria de Lurdes-Magnésia.

E fique sabendo a Maria de Lurdes que se um dia houver justiça em Portugal todo o mundo saberá que o autor de Os Lusíadas é a Maria de Lurdes que num rasgo memorável de modéstia só consentiu a glória do seu pseudónimo Camões.

E fique sabendo a Maria de Lurdes que se todos fossem como eu, haveria tais munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar.

Mas julgais que nisto se resume a pedagogia portuguesa? Não Mil vezes não!

Temos, além disto o Secretário de Estado Valter Lemos, outro iluminado vítima da Síndrome de Legiferação Compulsiva que, como ela, esquecendo a sua formação docente, vive obcecado em perseguir os professores e em
transformar os alunos num bando de ignorantes e insubordinados.
E há ainda a Directora Regional de Educação do Norte que, encarnado o espírito ditatorial de um engenheiro que não o é, se deleita a punir delitos de opinião e que proclamou ao mundo o direito inalienável dos alunos ao sucesso, mesmo que não saibam ler nem escrever nem contar. E há ainda o Director do GAVE especialista em fabricar exames nacionais
para atrasados mentais, para mostrar ao mundo a grande sabedoria dos alunos portugueses.

Corram com a Maria de Lurdes, corram com ela! Pim!

Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mas atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos!
Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!

Corram com a Maria de Lurdes, depressa, corram com ela! Pim!


Adaptado de José de Almada Negreiros
Poeta d'Orpheu
Futurista E Tudo
1915 (2008)

por um singelo Amante da Pátria Portuguesa indignado com a corja de bandidos e de incompetentes dirigidos pelo maior especialista em falsos diplomas que a história lusíada produziu…, seja o dele próprio sejam os das Novas Oportunidades que ele distribui a esmo, transformando milagrosamente ignorantes em letrados, cabulões em
engenheiros de obras feitas, nulidades em políticos do mais alto coturno maquiavélico, cavalidades em sábios ministros e secretários de estado…

SUSPENDER ESTA AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES É UM SERVIÇO

Os sindicatos de professores já o tinham anunciado, na declaração para a acta que consumou o “memorando de entendimento” que firmaram com o ME em Março deste ano: “… a Plataforma Sindical dos Professores, no que à avaliação diz respeito, reafirma o seu desacordo com o modelo imposto pelo ME, … reafirma, ainda, que os pressupostos base da actual situação de profundo conflito em nada alteram as divergências de fundo que as organizações sindicais mantêm …”.

Ora, o conflito atrás referido, serenado que foi até ao final do ano lectivo anterior, reacende-se de imediato, e mais forte ainda, quando os professores se apercebem da verdadeira dimensão do “monstro” que têm pela frente. Não é, infelizmente, o único motivo mas será, estamos seguros, o que mais pesa na ideia cada vez mais sedimentada de que assim não se pode ser professor.

De facto, bastou 1 mês de aulas para todos os professores e educadores terem claro que este modelo não é capaz sequer de ser instalado, quanto mais aplicado com um mínimo de equidade.

Destacaremos um conjunto de razões que justificam esta afirmação:

• Desde logo a enorme complexidade do modelo, sujeito a leituras tão difusas quanto distantes entre si e que nem o próprio Ministério da Educação consegue explicar devidamente

• Dentro desta complexidade, a instalação do modelo revela-se morosa, muito divergente nos ritmos que as escolas conseguem encontrar e dificultada ainda pela falta de informação cabal e inequívoca às perguntas que vão, naturalmente, aparecendo

• Por outro lado, decorrente de bizarras concepções do papel de quem avalia, as decorrentes do próprio modelo e outras ligadas ao universo de avaliadores que o ME definiu, está já latente um clima de contestação à indigitação destes, registando-se em muitos casos uma inversão de papeis no binómio avaliador-avaliado
• A maioria dos itens constantes das fichas não são passíveis de ser universalizados. Alguns só se aplicam a um número reduzido de professores. Outros, pelo seu grau de subjectividade, ressentem-se de um problema estrutural – não existem quadros de referência em função dos quais seja possível promover a objectividade da avaliação do desempenho

• As questões colocadas anteriormente assumem um papel fundamental nas arbitrariedades que se têm sucedido porque, o modelo centra-se nas responsabilidades individuais e não no contributo para o desenvolvimento de uma cultura de avaliação

• Suspender o processo de avaliação desde já, e numa altura em que cresce o número de escolas que, por motu proprio, suspendem todo o processo, permitirá:

1. recentrar a atenção dos professores naquela que é a sua primeira e fundamental missão – ensinar
2. permitir assim que os professores se preocupem prioritariamente com quem devem – os seus alunos
3. antecipar em alguns meses a negociação de um outro modelo de avaliação do desempenho docente, quando já estão em circulação outras propostas, radicalmente diferentes e surgidas do meio sindical
4. dirigir as energias das partes contratuais (ME/Sindicatos) para a problematização e renegociação dos principais eixos da desastrosa política educativa deste Governo, que incluem, inevitavelmente o Estatuto da Carreira Docente e a gestão e administração das escolas



Lisboa, 24 de Outubro de 2008
A Plataforma Sindical dos Professores

escolas que suspenderam a avaliação

• Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Santo André
• Escola Secundária Campos-Melo (Covilhã)
• Agrupamento de Escolas António José de Almeida (Penacova)
• Agrupamento D.Manuel Farias (Felgueiras)
• Escola Secundária Ferreira Dias (Cacém)
• Escola Secundária Rio Tnto
• Agrupamento de Escolas de Alvide (Cascais)
• Escola Secundária de Montemor-o-Novo
• Escola Secundária D.Manuel Martins (Setúbal)
• Escola Secundária do Monte da Caparica
• Agrupamento de Escolas de Maceira
• Agrupamento de Escolas D. Carlos I
• Escola Secundária/3 Raínha Santa Isabel, Extremoz
• Agrupamento de Escolas José maria dos Santos, Pinhal Novo
• Escola Secundária/3 de Barcelinhos
• Escola Secundária Augusto Gomes Matosinhos
• Agrupamento de Escolas de Ovar
• Escola de Eugénio de Castro (Coimbra)
• Escola Secundária D.João II (Setúbal)
• Professores de Chaves
• Agrupamento de Ourique
• Agrupamento de Escolas de Aradas (Aveiro)
• Escola Secundária Jaime Magalhães Lima (Aveiro)
• Agrupamento de Armação de Pêra
• Escola Alice Gouveia (Coimbra)
• Escola Secundária da Amadora
• Agrupamento Vertical Clara de Resende (Porto)
• Escola de Arraiolos
• Escola Secundária Dr. Júlio Martins (Chaves)
• Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Poiares
• Agrupamento de Escolas de Vouzela
• Agrupamento de Escolas do Forte da Casa
• Escola Secundária Camilo Castelo Branco (Vila Real)
• Escola Secundária da Amora
• Escola EB 2,3 Dr. Rui Grácio
• Agrupamento Vertical de Escolas de Azeitão
• Escola Manuel da Fonseca de Santiago do Cacém
• Agrupamento de escolas António José de Almeida, em Penacova
• Agrupamento de escolas nº 1 em Beja - Santa Maria
• As duas escolas secundárias da Amadora
• Agrupamento de escolas de Vila do Bispo
• O agrupamento de escolas Júdice Fialho. Portimão
• Escola Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra
• Escola da Tocha
• Escola Secundária da Amadora / Sintra
• Escola Secundária Dr. Júlio Martins / Aveiro
• Secundária Alcaides de Faria / Barcelos
• Departamento de Expressões da Escola Eugénio de Castro / Coimbra
• Departamento de Expressões da Escola Secundária Filipa de Vilhena / Porto
• Departamento de História, Filosofia e E.M:R. da Escola Secundária de Odivelas
• Declaração da Demissão de Avaliador do Prof. José Maria Barbosa Cardoso,
• Declaração de Demissão da maioria dos professores Avaliadores n/ Coordenadores, da Escola Secundária Camões



Muitas outras têm o processo parado ainda que não tenham aprovado moções. Circula por sms e email o seguinte texto: Lisboa pára processo de avaliação de desempenho