terça-feira, novembro 11, 2008

Maria de Lurdes Rodrigues recebida em Fafe com «chuva de ovos»

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues foi recebida em Fafe com uma «chuva de ovos», por centenas de estudantes fafenses, quando se dirigia para uma cerimónia de entrega de diplomas aos alunos do programa «Novas Oportunidades».

Depois do almoço, Maria de Lurdes Rodrigues dirigia-se de carro para uma cerimónia de entrega de diplomas aos alunos do programa «Novas Oportunidades», mas junto às instalações dos Bombeiros Voluntários de Fafe, onde a associação empresarial da cidade ia fazer a entrega dos diplomas, estavam à espera da ministra da Educação, centenas de alunos, numa recepção com ovos.

Esta recepção foi testemunhada por uma jornalista da Rádio Clube de Fafe, Elsa Lima.

Cerca de 300 a 400 estudantes manifestaram-se junto à porta do edifício com cartazes e munidos de ovos e, quando deram conta do aproximar do carro ministerial, atacaram a ministra da Educação com os ovos, criando desta forma a falta de condições para que Maria de Lurdes Rodrigues conseguisse chegar junto dos estudantes.

A ministra da Educação teve conhecimento, durante o almoço, de que à sua espera estariam centenas de alunos para protestarem contra as políticas educativas do Governo, de acordo com o presidente da Câmara de Fafe, José Ribeiro, mas mesmo assim pretendia dirigir-se a eles.

Maria de Lurdes Rodrigues não chegou a sair do carro, falhando o compromisso da entrega dos diplomas.

O presidente da autarquia já pediu desculpa publicamente pelo sucedido e afirmou estar «envergonhado» pelo comportamento dos estudantes que considerou ser «uma total falta de respeito».

«Eu, em nome do município, apresentei públicas desculpas à sra. ministra, porque não esperava que, no meu concelho, ela tivesse uma manifestação desta natureza», afirmou José Ribeiro.

O presidente da autarquia de Fafe acrescentou que «os instigadores ou organizadores da manifestação devem um pedido de desculpas à associação empresarial e a todos aqueles alunos que receberam hoje o seu diploma que, com tanto brio e com tanto esforço o obtiveram».

Ministério propõe que avaliação de professores só conte dentro de quatro anos

O Ministério da Educação propôs que a avaliação de desempenho só pese no concurso de professores dentro de quatro anos. Os sindicatos discordam da proposta e falam em «cortina de fumo» e «encenação».
O Ministério da Educação propôs que a avaliação de desempenho dos professores tenha efeito no concurso de professores apenas dentro de quatro anos e não no próximo concurso como anunciado pela tutela.


O secretário de Estado adjunto da Educação assegurou que a proposta iria ser apresentada, ainda esta terça-feira, aos sindicatos, uma proposta que exclui esta avaliação dos factores determinantes da graduação de docentes.


Em declarações à TSF, no dia em que os sindicatos faltaram à Comissão Paritária que está a avaliar este processo de avaliação, Jorge Pedreira justificou esta proposta com o facto de haver ainda professores que ainda não têm avaliação.


«A bonificação só contará a partir de colocações que serão feitas em 2010/11. Claro que o próximo concurso para a maior parte dos professores será de facto daqui a quatro anos, mas residualmente todos os anos é preciso fazer um concurso para preencher os horários que entretanto fiquem vagos e para esses haverá já contagem», acrescentou.


Jorge Pedreira esclareceu ainda que «só os que não encontrarem colocação nas vagas dos quadros e portanto nas suas preferências é que terão de concorrer a um outro quadro de zona de uma lista em que há necessidades de professores, que são sobretudo os quadros do Litoral».


João Dias da Silva, da FNE, já considerou que esta proposta é uma «cortina de fumo e uma encenação», uma vez que o actual modelo de avaliação e as suas regras não pode ser aplicável em concursos de professores «nem daqui a oito anos».


A Fenprof também já desvalorizou esta proposta e lembrou que não só os docentes não aceitam que esta avaliação seja incluída nos concursos como que os concursos sejam feitos de quatro em quatro anos.


«Isso significa que durante quatro anos haja inúmeros lugares de quadro que vão sendo disponibilizados e portanto as necessidades efectivas do sistema vão sendo preenchidas por professores contratados quando deviam ser preenchidas com professores dos quadros», explicou Mário Nogueira.


Sobre a inclusão da avaliação nos concursos, este sindicalista recordou que esta situação não está abrangida pela legislação e que por isso esta proposta é uma «inovação e originalidade deste Ministério».


«O que o Ministério está, no fundo, a dizer é que havia um problema. Não estamos aqui para adiar problemas. Estamos aqui para resolver problemas», concluiu este dirigente da Fenprof.

Ministra não comenta declarações de Alegre sobre Educação

A ministra da Educação não quis comentar as declarações de Manuel Alegre, que disse ter ficado «chocado» com a reacção de Maria de Lurdes Rodrigues à manifestação de professores de sábado. Em Fafe, a ministra relembrou que a avaliação de professores está a ser feita em todas as escolas.

A ministra da Educação não quis comentar as declarações de Manuel Alegre, que se mostrou «chocado» com a reacção de Maria de Lurdes Rodrigues à manifestação dos professores de sábado, acusando-a de ter sido «inflexível».


No decurso de uma visita à escola EB 2,3 de Revelhe, em Fafe, e reagindo às declarações do histórico socialista, Maria de Lurdes Rodrigues recordou que todos conhecem a sua postura de negociação com os sindicatos.


«Assinei um memorando de entendimento que estou a respeitar e que respeitarei. É isso que se faz em democracia: criar espaços de participação e espaços de diálogo e respeitá-los. É isso que estou a fazer», adiantou.


Maria de Lurdes Rodrigues aproveitou ainda para desmentir o facto de haver várias escolas que estão a abandonar a avaliação de professores e frisou mesmo que «todas as escolas estão a concretizar o processo de avaliação de desempenho dos seus docentes».


«Todas as escolas estão a aplicar o modelo de avaliação de desempenho de professores. É isso que se espera que as escolas cumpram a lei e que os senhores professores cumpram a lei e é isso que estão a fazer», explicou.


Em declarações aos jornalistas, a ministra disse ser «inútil» criar a ideia de caos na Educação e recordou que as escolas estão a funcionar e que «o que se espera é que a lei seja cumprida».

Sindicatos consideram que comissão paritária deixou de «fazer sentido»

A plataforma sindical decidiu suspender a participação na comissão paritária que acompanha a avaliação dos professores. Os líderes sindicais da FENPROF e da FNE consideram que, depois dos sindicatos terem defendido a paragem do processo, a comissão deixou de fazer sentido.

A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) e a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) decidiram suspender a participação na comissão paritária de acompanhamento de aplicação da avaliação de desempenho dos professores.

«Se nós defendemos que a avaliação seja suspensa e se esta comissão servia para acompanhar a aplicação da mesma, deixa de ter qualquer razão para existir», refere Mário Nogueira da FENPROF.

Os argumentos do líder da Federação Nacional dos Professores são subscritos por João Dias da Silva, secretário-geral da FNE.

«Verificamos que a forma como o modelo de avaliação está a decorrer é inaplicável e não vale a pena estar a prolongar a existência de um instrumento de avaliação que tem deficiências extremamente graves e que está a provocar no funcionamento das escolas várias perturbações», defende o líder sindical da FNE.

Para a manhã desta terça-feira, está marcado um novo encontro da comissão, que acompanha o processo de avaliação dos professores, no qual não vão estar representados os sindicatos.

Ministro critica silêncio de Manuel Alegre sobre sindicatos

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, em resposta a Manuel Alegre, que afirmou estar farto de «pulsões e tiques autoritários» na política para a Educação, lamentou o silêncio do deputado socialista sobre atitudes que considerou menos próprias dos sindicatos.


O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, adiantou à TSF que só lamenta que Manuel Alegre não tenha também criticado os sindicatos que, na opinião do Governo, não respeitaram o acordo que tinham assinado.


«A razão principal da minha surpresa é o silêncio do deputado Manuel Alegre sobre este facto insólito que é as direcções dos sindicatos rasgarem um acordo que livremente subscreveram. Não é muito próprio de quem acredita no diálogo e na concertação social», afirma Augusto Santos Silva.


Interrogado pela TSF se considera que existe uma quebra de solidariedade de Manuel Alegre em relação ao Governo, Augusto Santos Silva considerou que o deputado socialista apenas «usou o direito à crítica, o mesmo que agora eu estou a usar».

A plataforma sindical decidiu, na segunda-feira, suspender a participação na comissão paritária que acompanha o processo de avaliação dos professores.

Ministério desmente SMS a anunciar suspensão do processo de avaliação dos professores

Hoje às 06:45
O Ministério da Educação já desmentiu a informação que está a circular por sms em que anuncia a suspensão do processo de avaliação dos professores.
Segundo uma nota do ministério, essa mensagem citaria uma alegada decisão de um tribunal administrativo relativa a uma providência cautelar.

O Gabinete de Comunicação do Ministério da Educação adianta que esta informação é falsa e que a avaliação dos professores continua.

A nota surge horas depois da Plataforma Sindical ter anunciado a suspensão da sua participação na Comissão Paritária de Acompanhamento de Aplicação da Avaliação de Desempenho.

A suspensão foi decidida em coerência com o apelo feito às escolas para suspenderem o processo de avaliação se o Ministério da Educação o mantiver.

Fenprof suspende participação na comissão paritária

Hoje às 00:01
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) decidiu, esta segunda-feira, suspender a participação na comissão paritária de acompanhamento de aplicação da avaliação de desempenho dos professores em consonância com decisões tomadas pelos mais de 120 mil docentes que se manifestaram sábado.

Em nota hoje divulgada, a Fenprof refere que, tal como as restantes organizações sindicais de professores que integram a Plataforma Sindical, decidiu suspender tal participação na comissão paritária também por «ser uma decisão coerente com o apelo que foi feito às escolas, no sentido de suspenderem a aplicação da avaliação de desempenho, caso o Ministério da Educação (ME) não o faça».

A Fenprof justifica ainda que suspendeu a participação com o facto de a comissão paritária se «ter transformado numa inutilidade no que diz respeito à resolução dos problemas que surgiram nas escolas».

No documento, diz ainda que é de «estranhar» que a ministra da Educação tenha afirmado que os sindicatos não tenham envidado qualquer documento à comissão, quando, sobre ele, a Fenprof «tentou, em 14 de Outubro, discutir alguns aspectos com a própria governante, não tendo havido abertura para que tal acontecesse».

A concluir, a Fenprof esclarece que, tal como as restantes organizações sindicais, não suspendeu o relacionamento institucional com o Ministério da Educação sobre avaliação mas «elevou-o para o nível político, disponibilizando-se para antecipar o início do processo, já previsto, de alteração do modelo», lembrando que a «comissão paritária tem apenas competências técnicas».

Alegre diz estar farto de «pulsões e tiques autoritários»

Com críticas à política educativa do Governo, Manuel Alegre, que lança esta terça-feira o segundo número da revista de Opinião Socialista Ops!, exige uma postura diferente por parte do Executivo, sublinhando que está farto de «pulsões e tiques autoritários».
Farto de «pulsões e tiques autoritários», farto daqueles que «não têm dúvidas, nunca se enganam e pensam que podem tudo contra todos». Manuel Alegre não poupa nem nos adjectivos nem no tom com que contesta o rumo do Executivo em matéria de Educação.

Mostrando-se «chocado» com a reacção da ministra da Educação à manifestação de sábado, o dirigente do PS considera que Maria de Lurdes Rodrigues foi «inflexível», utilizando uma linguagem imprópria e incompatível com a cultura democrática.

«Como reformar a Educação sem ou contra os professores?» é a pergunta que Alegre lança, afirmando que «passar de um laxismo anterior a um excesso de burocracia e facilitismo não é solução».

Alegre realça ainda que governar para as estatísticas não é reformar, considerando que se discute tudo menos o essencial, numa referência aos programas e conteúdos do ensino.

«Saber ouvir e dialogar» é o que o deputado reclama, porque - sublinha - as reformas da Educação «não se fazem tapando os ouvidos aos protestos e às críticas».

Mário Nogueira desvaloriza cedência do Ministério da Educação

Jorge Pedreira, anunciou que, ao contrário do que o Governo tinha dito, a avaliação do desempenho não vai ser tida em conta no concurso de colocação de docentes em Janeiro. Mas o líder da Plataforma Sindical, Mário Nogueira, desvaloriza: «O Governo não recuou nada. Só adiou. E nós não somos a favor de adiamentos»

Governo recua e adia efeitos da avaliação de professores

A avaliação de desempenho só terá efeitos na colocação de professores daqui a quatro anos e não no próximo concurso, como o Ministério da Educação tinha anunciado, revelou hoje o secretário de Estado Jorge Pedreira

Segundo o secretário de Estado Adjunto da Educação, a tutela vai apresentar ainda hoje aos sindicatos uma nova proposta sobre as regras dos concursos de professores, na qual a avaliação de desempenho deixa de constar entre os factores determinantes da graduação dos docentes.

«Ainda hoje faremos a entrega de uma nova proposta que representa uma aproximação à posição dos sindicatos. Vão ser incluídas disposições transitórias, em que a bonificação pela avaliação de desempenho apenas terá efeitos no concurso de 2013», afirmou Jorge Pedreira, em declarações aos jornalistas.

A anterior proposta do Governo previa que a graduação dos docentes para efeitos de colocação fosse determinada, não apenas pelo tempo de serviço e pela nota de licenciatura, os elementos que até agora pesavam na sua ordenação, mas também pela avaliação de desempenho, o que os sindicatos contestavam.

No final da comissão paritária de acompanhamento da avaliação de desempenho, que não chegou a realizar-se devido à não comparência das organizações sindicais, o secretário de Estado adiantou ainda que a nova proposta terá outras alterações, nomeadamente no que diz respeito aos professores que pertencem aos quadros de uma região educativa (os chamados quadros de zona pedagógica) e não de uma única escola.

O anterior documento previa que estes docentes fossem obrigados a concorrer a mais do que uma região, podendo ser colocados em escolas muito afastadas da sua residência, o que agora só terá de acontecer caso não tenham vaga na sua zona.

Para o responsável, as alterações constantes desta nova proposta mostram que o ME continua «interessado e disponível» para trabalhar com os sindicatos, mesmo depois de estes terem «rompido o memorando de entendimento» sobre avaliação de desempenho, assinado em Abril, e suspenso a sua participação na comissão paritária de acompanhamento.

«Lamentavelmente, os sindicatos decidiram suspender a sua participação e não compareceram nesta reunião da comissão paritária, o que é extremamente grave e coloca em causa a sua credibilidade como parceiros negociais. Continuamos dispostos a trabalhar com eles, mas a confiança ficou muito fragilizada», afirmou.

Perante a não comparência das organizações sindicais na reunião, o secretário de Estado anunciou ainda que o funcionamento da comissão paritária de acompanhamento do processo de avaliação ficará suspenso, a partir de hoje.

«A comissão paritária fica suspensa porque não é possível mantê-la apenas com a presença dos membros da administração educativa. Se os sindicatos quiserem voltar, reactivaremos o seu funcionamento», adiantou.

Lusa / SOL

Criticas de Alegre mostram que PS é «livre e plural»

O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, afirmou hoje que as críticas do deputado socialista Manuel Alegre à política de educação do Governo são próprias da «dinâmica» de «um partido livre e plural como o PS»

O ex-candidato presidencial Manuel Alegre lança hoje o segundo número da Ops!, Revista de Opinião Socialista, ocasião em que deverá renovar algumas das suas críticas à política de educação do Governo.

Domingo, em declarações ao jornal Público, Alegre comentou a manifestação de professores realizada na véspera e considerou que a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, revelou «pouca cultura democrática» ao referir-se à manifestação como «um acto de intimidação».

Falando aos jornalistas na Assembleia da República, o ministro da Presidência procurou desdramatizar as críticas de Manuel Alegre, alegando que «o PS é um partido livre e democrático».

«Não faço qualquer comentário [ao que afirmou Manuel Alegre]. As críticas de elementos do PS fazem parte da dinâmica de um partido livre, plural e democrático», argumentou Pedro Silva Pereira.

No entanto, o ministro da Presidência adiantou que o Governo «tem bem consciência da importância das reformas que estão em curso na educação».

«Não é uma coisa menor aquilo que está em causa» no sector da Educação, sustentou o titular da pasta da Presidência.

Segundo Pedro Silva Pereira, as intervenções do executivo vão no sentido de «melhorar a escola pública - e a avaliação dos professores é um elemento desse programa de mudanças na escola pública».

«É natural que as mudanças criem sempre dificuldades, sobretudo nos primeiros tempos, mas não há qualquer razão para não haver avaliação de professores. Lamentamos que um memorando de entendimento celebrado com os sindicatos não seja cumprido pelos mesmos sindicatos», declarou ainda Pedro Silva Pereira.

Horas antes desta declaração de Pedro Silva Pereira, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, desafiou o deputado socialista Manuel Alegre a aplicar a sua teoria da «cultura democrática» aos sindicatos dos professores, que o Governo acusa de terem desrespeitado um acordo que assinaram livremente.

«Convido o deputado Manuel Alegre a aplicar esse mesmo critério da cultura democrática ao comportamento das direcções dos sindicatos dos professores, que em Abril assinaram com o Governo um memorando de entendimento e agora em Novembro organizaram uma manifestação contra um acordo que assinaram livremente», declarou Augusto Santos Silva.

Lusa/SOL

«Ministério da Educação governa para as estatísticas»

O deputado socialista Manuel Alegre acusa o Ministério da Educação de «governar para as estatísticas», defendendo que «não se pode reformar a educação tapando os ouvidos aos protestos e às críticas», no editorial da revista Ops!

No segundo número da Revista de Opinião Socialista, Ops!, que hoje é lançada, Manuel Alegre sublinha que «não é possível passar do laxismo anterior a um excesso de burocracia conjugada com facilitismo».

«Governar para as estatísticas não é reformar», defende, alertando para o facto de «a falta de exigência da Escola Pública» pôr «em causa a igualdade de oportunidades».

Sobre as declarações da ministra Maria de Lurdes Rodrigues sobre a manifestação dos professores que no sábado juntou mais de cem mil docentes em Lisboa, o ex-candidato presidencial considerou que a responsável teve uma «linguagem imprópria de um titular da pasta» e «incompatível com uma cultura democrática», ao avaliar a manifestação como uma forma de intimidação ou chantagem.

Admitindo que o ministério possa ter razão em alguns pontos, Manuel Alegre defende que «é preciso saber ouvir e dialogar»: «É preciso perceber que, mesmo que se tenha uma parte de razão, não é possível ter a razão toda contra tudo e contra todos. Tal não é possível numa Democracia».

No editorial, o ex-candidato presidencial compara a mudança ocorrida nos Estados Unidos, com a eleição de Obama, à estagnação da situação em Portugal, em parte provocada pela formação das pessoas que está a ser afectada pelo «clima de tensão permanente entre o Ministério da Educação e os Professores», de «ambiente de incompreensão entre o Ministério da Ciência e tecnologia e Ensino Superior e as universidades».

«Num país como o nosso, o que faz mudar é a formação das pessoas, a educação, a cultura, a comunicação, a produção e a divulgação científica, a inovação tecnológica e social», defende.

No número colocado hoje nas bancas escrevem diversos professores, investigadores, actores institucionais e deputados como Alberto Amaral, Elísio Estanque, Nuno David, Francisco Alegre Duarte, Almerindo Afonso, Jorge Martins, a ex-secretária de Estado da Educação Ana Benavente e Teresa Portugal.

Lusa / SOL

'Há ministros que são uma vergonha'

Carvalho da Silva criticou a intransigência de Maria de Lurdes Rodrigues perante a dimensão dos protestos dos professores: «Há ministros que são uma autêntica vergonha». O líder da CGTP disse ainda que vai amanhã pedir a José Sócrates que torne «as leis do trabalho efectivas», reforçando os mecanismos de fiscalização

Carvalho da Silva afirmou esta tarde que o sucesso da manifestação de professores prova que vale a pena lutar e criticou a recusa da ministra da Educação em ceder às exigências de «130 mil professores».

«Há ministros que são uma autêntica vergonha», disse aos jornalistas, no final da reunião da Comissão Executiva. A ministra Maria de Lurdes Rodrigues «é um desses casos», precisou.

O líder da CGTP anunciou que vai amanhã a São Bento para uma audiência com José Sócrates, em que irá exigir o reforço da fiscalização e da boa aplicação das leis laborais.

«Sem leis efectivas» ocorre uma «subversão» dos direitos, em prejuízo dos trabalhadores, lamentou o líder da CGTP. Carvalho da Silva disse que o reforço de meios da Autoridade para as Condições do Trabalho é uma necessidade premente.

O secretário-geral anunciou ainda que a central sindical vai solicitar «às instituições com poderes para suscitar a apreciação da constitucionalidade» que accionem o mecanismo de fiscalização sucessiva em relação ao Código do Trabalho.

Entre os pontos considerados inconstitucionais, estão o fim do princípio da aplicação da regra mais favorável ao trabalhador, o alargamento da flexibilidade dos horários de trabalho, que contendem com a organização da vida familiar, e as novas normas sobre as convenções colectivas.

A situação económica e a crise financeira foram também alvo de análise na Comissão Executiva. Segundo Carvalho da Silva, percebe-se agora melhor o «autêntico roubo» que levou à situação actual, em prejuízo dos trabalhadores e da economia.

manuel.a.magalhaes@sol.pt

Alegre com críticas à política de educação do Governo no lançamento do 2.º número da ‘Ops!’

O deputado socialista Manuel Alegre lança hoje o segundo número da Ops!, Revista de Opinião Socialista, ocasião em que deverá renovar algumas das suas críticas à política de educação do Governo

Domingo, em declarações ao jornal Público, o ex-candidato presidencial comentou a manifestação de professores realizada na véspera e considerou que a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, revelou «pouca cultura democrática» ao referir-se à manifestação como «um acto de intimidação».

O vice-presidente da Assembleia da República mostrou-se «chocado» com a intervenção televisiva da ministra da Educação durante o protesto dos professores, criticando a sua inflexibilidade: «Temo que isso mine a confiança dos professores na própria profissão», afirmou Manuel Alegre, que sexta-feira passada, juntamente com mais quatro deputados socialistas, votou contra a proposta do Governo de revisão do Código de Trabalho.

No debate, dedicado ao tema da Questão Educativa: do Básico ao Superior, são também oradores os professores António Nóvoa, Rosário Gama, Paulo Guinote e Nuno David.

No segundo número da revista Ops!, que conta com um editorial de Manuel Alegre dedicado à educação, é publicada uma entrevista com o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, Seabra Santos, sobre as políticas do Governo para o Ensino Superior.

Escrevem ainda neste número diversos professores, investigadores, actores institucionais e deputados como Alberto Amaral, Elísio Estanque, Nuno David, Francisco Alegre Duarte, Almerindo Afonso, Jorge Martins, a ex-secretária de Estado da Educação Ana Benavente e Teresa Portugal.

Como alternativa à actual conduta do Governo no sector da educação, Manuel Alegre tem aconselhado a «ouvir a voz da rua», acrescentando que «se tantos [professores] estão na rua, terão as suas razões».

Lusa / SOL





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Comentários
amigo FigueiredoBatista; gostei de todos os advérbios do seu discurso mas! não consigo ver grande sumo em tanta letra.eu creio que o problema realmente se inicia nos Governos do Prof Cavaco e se agravou no tempo do Eng. Guterres que tendo sido um Politico honesto mas fácil de convençer, foi-se assustando com as grandes manifestações de classes profissionais especialmente a dos Professores e foi cedendo tudo o que são as actuais regalias, mordomias e facilitismos e hoje,os senhores professores não se dão bem com nada que seja refrear o movimento das subidas na escala profissional e a consequente melhoria salarial que sendo legitimas, são também despropositadas em função das capacidades do País.

baixonivel, em 2008-11-11 12:15:19
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O upovorico tu deves ser algum BOY e então mais um mamão infiltrado no PS, não gostas de ouvir a verdade o falas para dar graxa ao chefe???? Um dia pagaram todo o mal que fazem aos portugueses, O velho ditado assim o diz "todo o mal que fazes aos outros mais tarde pagaras e a dobrar" directa o indirectamente.

pesca, em 2008-11-11 11:42:35
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Oh Alegre... afinal está à espera de quê para se candidatar a secretário geral do PS? Quem sabe se ainda ganhava... e, ainda, talvez fosse presidente de qualquer coisa... sei lá duma junta de freguesia, numa aldeia de cegos...
Poda-se! Está sempre do contra mas arrecada e mama todo o tipo de subsídios que pode, mamando vitalícias a mais vitalícias!! Se não se revê no partido se candidata a controlá-lo e no caso dos militantes se marimbarem para as suas ideias porque não o abandona e cria um outro «como deve de ser», isto é à sua imagem e semelhança, como fez o Manuel Monteiro?
Ou então... seja homenzinho e abdique das vitalícias e mordomias que já «conquistou» e deixe que esse dinheiro vá para quem mais precisa, nomeadamente para aqueles que sobrevivem agoniados, com o desespero de manterem-se vivos com escassas dezenas de euros por mês!
Tá?!

Rufia, em 2008-11-11 11:37:57
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o problema é que os apoiantes de manuel alegre são muitos deles professores e ele não quer desapontá-los, mas se realmente o modelo não é o mais apropriado ainda não tempo de mostrar resultados e já o querem anular, será que haverá algum modelo eficaz!...

marbelo, em 2008-11-11 11:36:56
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Que a avaliação dos professores é necessária, não se discute: é e estava a fazer muita falta. Que os professores têm razão quando contestam este modelo é outro facto. Só não percebo uma coisa: porque é que não divulgam ao público em geral a ficha que o ME propõe? Rapidamente o resto do país verificaria o absurdo da dita. Não sou professora, estou reformada, não é uma luta que me diga directamente respeito. Mas conheço muitos e dedicados professores, LI A FICHA e não posso estar mais de acordo com a maior parte das reservas que levantam. Informem-se e depois comentem.
Outra pergunta: como é que uma ministra pode não achar anormal que tantos e tantos professores peçam reformas antecipadas com substancial perda de dinheiro e benefícios? São gente que deu muitos anos de dedicação ao país e que tem a experiência para fazer avançar o ensino na direcção da qualidade. Por amor de Deus, não me venham com o argumento de que são todos preguiçosos e não querem trabalhar... Se incompetentes há - como em tudo - a verdade é que muitos são os professores que nos ensinaram a nós, que têm criado projectos interessantes, que deram couro e cabelo a favor das nossas escolas. Não acham que seria altura do resto do país parar para pensar que talvez a ministra não tenha razão? Com o insulto não vamos a lado nenhum e com a constante desvalorização e achincalhamento dos professores as coisas só podem mesmo correr mal: não é por acaso que o nível de violência nas escolas está a aumentar...

MJoaoafonso, em 2008-11-11 11:14:45
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este senhor ja devia de estar na reforma... !

upovorico, em 2008-11-11 10:42:25
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Politica Escorreita 9.0. A Educação da Direita em Portugal.





Há uns tempos atrás o Presidente da Republica apelava ao envolvimento mais efectivo das camadas mais jovens na Área da Politica Nacional. Enquanto professor que sou quando pergunto aos meus alunos a perspectiva de uma profissão futura poucos ou nenhuns respondem, politico, pela mesma razão da descredibilização cada vez mais consternadora e galopante aos olhos do cidadão comum de determinada classe politica hipócrita, ignorante, incompetente que inclusivamente hipoteca gerações futuras com decisões politicas a médio e longo prazo erradas desajustadas e inadequadas, a que o Presidente da Republica na sua postura monárquico coloquial, do protocolo excessivamente bafiento, o simbolismo amestrado de filantropia politica bacoca, o desconstrutivismo politico ostentando parece um sumo pontificado da democracia em Portugal fazendo jus ao seu “ modus-operandi ) enquanto primeiro ministro, o de delapidador do estado também e que constantemente se esconde no argumento puído : “ manter o normal funcionamento das instituições e organismos democráticos ) depois do desplante, da afronta que foi o facto de nem sequer em visita oficial a Região “ Autónoma ) da Madeira ter colocado os pés na Assembleia Legislativa Regional, e vejam só, por imposição de um membro do seu próprio partido que anexou o poder aqui no paralelo trinta e três Português ostentando um regime democrático iminentemente Peronista fascizante e que inclusivamente tomou de assalto o Parlamento Regional que para quem não sabe é a Assembleia Legislativa Regional impedindo escandalosamente a entrada de um deputado do PND democraticamente eleito escarrando nauseabundo e abundantemente nos tais princípios tão preconizados pelo Presidente da Republica: “ o regular funcionamento das instituições democráticas ). A sete ventos e em arraiais pidescos não em cima de um elefante mas vociferando abundantemente vernáculo verborreia de democracia apelidando de “ anedota “ a anexação, o golpe de estado balofo, o Presidente do Governo Regional, o Doutor Alberto João Jardim zomba, escarnece, trombeteia com topete, o acalcar da Constituição e do Direito a Liberdade. Fecha-se em copas o Presidente da Republica endossando aos seus lacaios parece, vassalos, pajens, o lugar comum inócuo, estático, redundante, do protocolo esbatido, desvirtuado, munindo-se e vilipendiando competências e princípios democráticos estruturais o Presidente da Republica esconde-se e fugindo as suas responsabilidades contribui inequivocamente para o descrédito a que a classe politica esta votada mostrando ser muito mais um Presidente da Republica de vitrine em licença sabática a espera da reforma quiçá do Panteão. Castelos altaneiros politico esquizofrénicos de Direita uma vez mais a líder da Oposição emerge como a vaca sagrada do PSD no nevoeiro, desculpe o termo, nomeadamente ressuscitando Santana Lopes, imberbe, superficial, truculento e de dogmas infantis do numero de mandatos hipotéticos na Câmara de Lisboa, Ferreira Leite criticando a pasta da Educação, recordando-se enquanto ministra das Finanças e da Educação, todas as suas politicas que resultaram inclusivamente na desvitalização da Escola Publica e de redundância politica, amorfa, ausente de reformas e medidas politicas pertinentes e estruturais, o atraso da escola publica de cerca de uma década em relação as suas congéneres europeias deve-se essencialmente as politicas cavaquistas levadas a cabo em certa medida por Ferreira Leite que nos pretendendo presentear com mais do mesmo almeja com o cargo de Primeiro Ministro, muito cuidado, o actual, o engenheiro José Sócrates, munido de uma mistura de autismo com hipocrisia politica, vem com engenharia de tiques de direita chamar de ignorantes aos Professores, o espectáculo vexatório por quem o interpela na Assembleia parece não ser suficiente, nestes termos não há avaliação e ponto (…), já aqui foi dito que uma das patologias do PS é exactamente desconhecer os circuitos no terreno bem como os seus centros decisórios, não sabem que as habilitações e diplomas passados por Universidades e Politécnicos confere aos Professores legitimidade pedagógica, não sabem que com essa mesma avaliação são já geridos muitos dos recursos humanos e de carreira dos próprios docentes, não sabem que a actividade do docente não se resume a uma formatação hipotética de um sistema disfarçado de triagem acéfala que apenas e só ira levar a comissões de inquérito a semelhança das comissões de inquérito levadas a cabo sobre os senhores deputados imaginem só, por também deputados, ó julga-se que são semideuses ?!, Pergunto, perguntar não ofende, e porque não faz a senhora ministra da educação Maria de Lurdes Rodrigues um debate sobre a lei de Bases, sobre a Revisão Curricular, era muito mais produtivo e benemérito para a Educação em vez de estar a ostentar um braço de ferro indulgente, empedernido e néscio, se é católica como eu ateu graças a Deus na remissão das suas medidas o professor Agostinho da Silva que deve estar a dar voltas no tumulo certamente lhe daria um bom puxão de orelhas e a encaminharia para o limbo, ao lado do caldeirão dos sociólogos mal comportados e ignorantes. Com tiques de direita se quer subverter e atirar areia para os olhos com o ovo de Colombo chamado Magalhães, mas não chega, nem se quer é um principio, antes de dotarmos os estudantes com as ferramentas necessárias impõe-se a compreensão do manuseamento destas, pô-los também a pensar pelas suas próprias cabeças inseridos em sistema de ensino digno e representativo. De olhos bem vendados a ministra da Educação emana normas e memorandos que fazem ou não transitar o aluno confundindo sistemas educativos criando ambiguidade e indefinição e retirando autonomia imiscuindo-se no cerne do decisório do docente fazendo gerar, criar indefinição, desrespeito e revolta. O desnível entre a escola pública e privada faz recair sobre o ministério da Educação tutelado por Maria de Lurdes Rodrigues a avaliação de não satisfaz a maneira como subestima e gere a Escola Publica discentes e Professores. Enquanto “ Rotula Social ) a Escola Publica é o reflexo da Sociedade em que esta inserida bem como a sua forma, o seu veiculo benignamente transformista por Excelência, social-cultural-humano e de Valores, do conhecimento e Humanos.





Jorge Batista de Figueiredo.


figueiredobatista, em 2008-11-11 10:22:37
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stá provado que nao.

ARREDA, em 2008-11-11 10:20:55
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O Manel, o tal que fugiu da tropa, arma-se em valente sempre que precisa que saibam que ele ainda mexe, talvez devido ao sorna que sempre foi.

TOPAZIO, em 2008-11-11 10:15:32
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Obrigado Manuel Alegre, pela corajem e pela coerência nos princípios e valores.
Não temer apontar os erros e contribuir para a solução dos problemas.
Só tenho pena que Sócrates não lhe dê ouvidos.

inquisitio, em 2008-11-11 09:40:55
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É manifesta a falta de cultura democrática desta ignorante ministra para quem a democracia é "ir a votos". No entanto, se ela for a votos perde porque pertence à classe dos que pensam que "quem não está comigo, está contra mim" revelando um pensamento autoritário de cariz não democrático. A formação deformada desta senhora já há muito deveria ser razão para a afastar de um cargo para o qual não possui dimensão cívica nem ética. A falta de conhecimento das teorias democráticas por parte das pessoas do sector político nacional deverá ser razão para que os portugueses evitem a todo o custo as maiorias absolutas que ainda são vistas como um cheque em branco para gente pouco esclarecida fazer o que lhe apetece . Se isto não é ditadura de máscara democrática, então estamos em presença de banditismo político organizado. A ministra da educação e não só ela, imita e tenta introduzir no país modelos alemães esquecendo-se de que em relação aos germânicos andamos com anos de atraso e o "futurismo" não se aplica a um país de periferia. O mesmo acontece noutros ministérios. São maus aprendizes, mas gostam de gravatas.

Ministério diz que processo de avaliação continua, negando teor de SMS

O Ministério da Educação reafirmou hoje a continuação do processo de avaliação dos professores, negando o teor de um SMS que afirma estar a circular anunciando a suspensão daquele processo
De acordo com uma nota do ministério, essa mensagem citaria uma alegada decisão de um tribunal administrativo relativa a uma providência cautelar, cuja existência é negada pelo Gabinete de Comunicação ministerial.

A nota surge horas depois da Plataforma Sindical ter anunciado a suspensão da sua participação na Comissão Paritária de Acompanhamento de Aplicação da Avaliação de Desempenho.

A suspensão foi decidida em coerência com o apelo feito às escolas para suspenderem o processo de avaliação se o Ministério da Educação o mantiver.

Lusa / SOL

Ministério diz que sindicatos «perderam credibilidade como parceiros»

O secretário de Estado Adjunto da Educação, Jorge Pedreira, afirmou hoje que os sindicatos de professores «perderam credibilidade como parceiros» nos processos de negociação, alegando que quebraram o memorando de entendimento que em Abril assinaram com a tutela
«Ou os sindicatos entendem fazer um sindicalismo de concertação e negociação, honrando os memorandos e acordos que assinam, ou entendem fazer um sindicalismo de rua e de oposição e então não têm credibilidade. Neste momento, perderam a credibilidade como parceiros porque a partir de agora não poderemos ter a certeza de que cumprem a sua palavra», disse à Lusa o secretário de Estado.

Os sindicatos consideraram hoje que o Ministério da Educação (ME) não cumpriu alguns aspectos do memorando de entendimento assinado há sete meses, nomeadamente no que diz respeito aos horários de trabalho.

Em resposta, Jorge Pedreira acusa a plataforma sindical de utilizar «desculpas de mau pagador» para justificar o rompimento daquele documento, garantindo que o ME «tem cumprido escrupulosamente» o que foi acordado.

«Relativamente à comissão paritária, os sindicatos até hoje nunca reclamaram de nada e só agora é que vêm dizer que têm queixas no que diz respeito ao seu funcionamento. São só desculpas de mau pagador», acusou.

Em declarações à Lusa, o responsável também não poupou críticas aos partidos da oposição, que exigiram uma mudança da política seguida pelo ME nesta matéria, acusando-os de «mero oportunismo político e populismo».

Lusa/SOL

Ministério não vai iniciar já processos a professores que se recusem a avaliar

O Ministério da Educação (ME) não irá avançar, para já, com processos disciplinares aos professores avaliadores que recusarem aplicar o modelo de avaliação de desempenho, garantiu hoje à Lusa o secretário de Estado Adjunto, Jorge Pedreira

«O ME não fará nada para aplicar esses processos [disciplinares] neste momento», afirmou o secretário de Estado, lembrando mais uma vez que, caso não se concretize a avaliação, os docentes serão «as principais vítimas», uma vez que ficarão impedidos de progredir na carreira.

De acordo com o responsável, o processo de avaliação só terá de estar terminado em Dezembro de 2009, pelo que as escolas terão o «tempo necessário» para aplicar o regime de avaliação de desempenho, contando «com todo o apoio do ministério».

Questionado pela Lusa sobre o excesso de burocracia que os sindicatos acusam de ter sido imposto por este modelo, Jorge Pedreira afirmou que algumas escolas estão «a complicar» o processo de avaliação.

«Sabemos que há algumas escolas que, por vontade de fazer bem, complicam o processo, com documentos muito vastos e muitas reuniões», admitiu.

Na opinião do secretário de Estado, «os professores têm várias razões para protestarem» e para estarem insatisfeitos, como o aumento da idade da reforma ou a transformação de um regime «que, na prática, era de progressões automáticas na carreira» para um modelo de avaliação de desempenho «mais exigente».

«Os professores manifestaram-se [no sábado] porque estão a trabalhar mais e porque as condições de progressão na carreira são hoje mais difíceis», resumiu.

Apesar de reconhecer a «insatisfação» dos docentes, Jorge Pedreira considerou que o modelo de avaliação definido pelo ME terá de ser, ainda assim, aplicado, «em nome do interesse da Educação», sublinhando que esta reforma pode prosseguir sem o acordo da classe.

«Dizer que só se pode mudar o modelo de avaliação de desempenho dos professores para um mais exigente se houver o acordo dos próprios é o mesmo que dizer que só se podem aumentar os impostos com o acordo dos cidadãos. Se fosse assim, não se faziam porque, naturalmente, os próprios não estão dispostos a isso», afirmou o secretário de Estado.

Lusa/SOL

Associações de Pais preocupadas com situação nas escolas

A Confederação das Associações de Pais está preocupada com a situação que se vive nas escolas. Os últimos relatos dos professores dão conta de que o processo de avaliação está a prejudicar a preparação das aulas e os alunos.

Depois da manifestação deste sábado, que juntou cerca de 100 mil professores em Lisboa, o presidente da Confederação de Pais, Albino Almeida, afirma-se inquieto com eventuais consequências no quotidiano dos alunos.

O presidente da Confederação de Pais diz estar preocupado, até porque há uma greve já agendada para Janeiro que vai coincidir com um dia de aulas.

Albino Almeida lembra também que se for marcada uma paralisação para uma data que coincida com exames haverá «manifestos prejuízos».

segunda-feira, novembro 10, 2008

Ministério da Educação afirma que sindicatos "perderam credibilidade”


10.11.2008 - 20h06 Lusa
O secretário de Estado Adjunto da Educação, Jorge Pedreira, afirmou hoje que os sindicatos de professores "perderam credibilidade como parceiros" nos processos de negociação, alegando que quebraram o memorando de entendimento que em Abril assinaram com a tutela. Ainda assim, o ministério garantiu que não irá avançar, para já, com processos disciplinares aos professores avaliadores que recusarem aplicar o modelo.

"Ou os sindicatos entendem fazer um sindicalismo de concertação e negociação, honrando os memorandos e acordos que assinam, ou entendem fazer um sindicalismo de rua e de oposição e então não têm credibilidade”, disse o secretário de Estado. Os sindicatos consideraram hoje que o Ministério da Educação (ME) não cumpriu alguns aspectos do memorando de entendimento assinado há sete meses, nomeadamente no que diz respeito aos horários de trabalho. Em resposta, Jorge Pedreira acusa a plataforma sindical de utilizar "desculpas de mau pagador" para justificar o rompimento, garantindo que o ME "tem cumprido escrupulosamente" o que foi acordado.

"Relativamente à comissão paritária, os sindicatos até hoje nunca reclamaram de nada e só agora é que vêm dizer que têm queixas no que diz respeito ao seu funcionamento. São só desculpas de mau pagador", acusou. O responsável também não poupou críticas aos partidos da oposição, que exigiram uma mudança da política seguida pelo ME nesta matéria, acusando-os de "mero oportunismo político e populismo".

Apesar da discórdia a tutela não prevê avançar com processos disciplinares, neste momento, a quem se recusar a aplicar o modelo de avaliação existente. No entanto o secretário de Estado avisou que, caso não se concretize a avaliação, os docentes serão "as principais vítimas", uma vez que ficarão impedidos de progredir na carreira.

Escolas “complicam” o processo

De acordo com o responsável, o processo de avaliação só terá de estar terminado em Dezembro de 2009, pelo que as escolas terão o "tempo necessário" para aplicar o regime de avaliação de desempenho, contando "com todo o apoio do ministério". Questionado sobre o excesso de burocracia que os sindicatos acusam de ter sido imposto por este modelo, Jorge Pedreira afirmou que algumas escolas estão "a complicar" o processo. "Sabemos que há algumas escolas que, por vontade de fazer bem, complicam o processo, com documentos muito vastos e muitas reuniões", admitiu.

Na opinião do secretário de Estado, "os professores têm várias razões para protestarem" e para estarem insatisfeitos, como o aumento da idade da reforma ou a transformação de um regime "que, na prática, era de progressões automáticas na carreira" para um modelo de avaliação de desempenho "mais exigente". "Os professores manifestaram-se porque estão a trabalhar mais e porque as condições de progressão na carreira são hoje mais difíceis", resumiu.

Apesar de reconhecer a "insatisfação" dos docentes, Jorge Pedreira considerou que o modelo de avaliação definido terá de ser, ainda assim, aplicado, "em nome do interesse da Educação", sublinhando que esta reforma pode prosseguir sem o acordo da classe. "Dizer que só se pode mudar o modelo de avaliação de desempenho dos professores para um mais exigente se houver o acordo dos próprios é o mesmo que dizer que só se podem aumentar os impostos com o acordo dos cidadãos. Se fosse assim, não se faziam porque, naturalmente, os próprios não estão dispostos a isso", afirmou o secretário de Estado.

Movimentos de professores mantêm manifestação para sábado em Lisboa


10.11.2008 - 13h01 Lusa
Dois movimentos de professores mantêm a convocatória de uma manifestação para Sábado, em Lisboa, contra o processo de avaliação e pela necessidade de pôr fim ao memorando de entendimento assinado pela Plataforma Sindical com o Ministério da Educação.

Em comunicado hoje divulgado, a Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE) diz que a manifestação, que será também organizada pelo Movimento Mobilização e Unidade dos Professores (MUP), ganhou uma "legitimidade acrescida" depois da ministra da Educação ter reagido à manifestação de sábado [organizada pelos sindicatos e que, segundo os organizadores, juntou cerca de 120 mil docentes] como se fosse um pormenor irrelevante".

"A manifestação do dia 15 de Novembro, iniciativa que surgiu no seio dos professores (...) ganhou hoje uma legitimidade acrescida. Quando a Ministra da Educação reage ao enorme protesto que os professores fizeram hoje desfilar nas ruas de Lisboa como se 120 mil docentes em luta fosse um pormenor irrelevante, mostra que a nossa contestação não pode parar a 8 de Novembro", refere o comunicado, escrito sábado mas divulgado hoje.

Estas duas estruturas referem também que os movimentos independentes de professores "têm razão quando exigem da Plataforma Sindical a denúncia do memorando de entendimento que assinaram com o Ministério da Educação", "esse documento que a ministra continua a esgrimir para condicionar os sindicatos e a própria luta dos professores".

APEDE e MUP defendem uma "ruptura clara" com o acordo, considerando este outro "motivo fortíssimo para os professores regressarem às ruas de Lisboa no próximo Sábado".

Na opinião das duas estruturas, "o combate dos professores, no momento político que hoje se vive em Portugal, já não é apenas uma luta centrada nos alvos já conhecidos (...) é hoje também uma luta contra o autoritarismo que se apropriou das formas de governação, ao reduzir os cidadãos a executores passivos de políticas que eles mesmos não aceitam".

Sindicatos dizem que Governo é que não cumpre memorando de entendimento sobre avaliação

10.11.2008 - 12h44 Lusa
Os sindicatos dos professores consideram que o Ministério da Educação não está a cumprir o memorando sobre a avaliação, nomeadamente quanto aos horários de trabalho, em resposta a declarações do primeiro-ministro, José Sócrates.

Ontem, José Sócrates acusou os sindicatos de não respeitaram o memorando de entendimento assinado este ano com o Ministério da Educação (ME) sobre o processo de avaliação dos professores, na sequência do protesto que, segundo os organizadores, juntou cerca de 120 mil docentes em Lisboa no Sábado.

Em declarações hoje, João Dias da Silva, da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), contestou as afirmações do primeiro-ministro, afirmando que o memorando de entendimento previa que se "respeitasse e definisse regras que fossem no sentido de respeitar o tempo de trabalho individual de cada professor para a preparação de aulas".

Também Mário Nogueira, da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), disse que o ME se comprometeu no memorando com "alguns compromissos que não cumpre", nomeadamente com os horários de trabalho.

Fenprof acusa Sócrates de não ter lido o memorando

O dirigente da Fenprof acusou também o primeiro-ministro de não ter lido o memorando, assinado em Abril, afirmando que o documento "não é um acordo" e que resultou da pressão causada pela marcha dos professores em Março, que juntou cerca de 100 mil docentes.

"Aquilo que houve foram três reuniões, a última das quais a 17 de Abril e na qual foi elaborada uma acta, com três documentos anexos. Um memorando, uma declaração do ME e uma declaração dos sindicatos da Plataforma Sindical de Professores", referiu Mário Nogueira.

Ainda segundo o dirigente da Fenprof, na declaração da Plataforma "ficou claro que os sindicatos chegaram àquele entendimento porque o ME pretendia introduzir o processo de avaliação nas escolas, em pleno final do ano lectivo".

"O que o memorando veio fazer foi obrigar o ME a, naquele momento, suspender a avaliação a mais de 90 por cento dos professores e apenas a aplicar quatro procedimentos simplificados aos professores contratados por causa da renovação dos contratos", disse.

Deviam parar com o “disparate” da avaliação

Mário Nogueira lembra também que na declaração da Plataforma ficou expresso "que os pressupostos base que levaram ao desbloqueio do conflito" não punham em causa o "profundo desacordo que os sindicatos têm sobre esta avaliação".

"Aquele memorando só responde às questões imediatas suscitadas pela marcha" realizada em Março, disse, acrescentando que a declaração da Plataforma terminava com os sindicatos a prometerem mais acções de luta.

Na opinião do sindicalista, "qualquer pessoa responsável neste país, percebendo que a avaliação está a ter consequências negativas no desempenho dos professores com consequências ao nível da aprendizagem por parte dos alunos" devia "parar" com o "disparate" da avaliação.

Por sua vez, João Dias da Silva criticou o ME por não fornecer informações detalhadas sobre a análise do ministério ao processo, relativas às informações que ia recebendo.

"Nem em bruto nem de uma forma tratada, qualquer informação foi transmitida à Comissão Paritária, apesar de solicitada", adiantou.

A FNE diz que o ME nunca respondeu a "um conjunto de preocupações quanto à forma abusiva como o processo estava a decorrer", levantadas pela Federação em vários momentos.

domingo, novembro 09, 2008

CDS-PP: ministra deve corrigir "erro" que está a cometer no sistema de ensino

08.11.2008 - 19h34 Lusa
O CDS-PP apelou hoje à ministra da Educação que corrija de imediato "o erro" que está a cometer no sistema de ensino, considerando que o clima de tensão que se vive nas escolas começa a ser "perturbador".

Numa reacção à manifestação de professores em Lisboa para exigir a suspensão do modelo de avaliação de desempenho proposto pelo Governo, o deputado José Paulo Carvalho disse à Lusa não ter ficado surpreendido com a adesão ao protesto.

O deputado, que integra a comissão parlamentar de Educação, disse mesmo temer que a situação possa levar a "algum clima de descontrolo nas escolas", porque os professores estão "fartos e cansados de ser bastante maltratados pelo ministério da Educação".

Por isso, continuou, é preciso que a ministra Maria de Lurdes Rodrigues "corrija de imediato o erro que está a cometer". "Tem sido uma ministra sem qualquer abertura para uma saída de bom senso", lamentou José Paulo Carvalho, recordando as centenas de e-mails que tem recebido de professores com o relato das mais variadas situações.

Contudo, o deputado acrescentou que "o estado de tensão gravíssimo que se vive nas escolas" é denominador comum a todas as mensagens.

José Paulo Carvalho apelou ainda a todos os membros do Governo para que tentem incutir algum "bom senso" à titular da pasta da Educação, já que Maria da Lurdes Rodrigues tem revelado grandes dificuldades em perceber o que se passa.

Dezenas de milhares de professores vindos de todo o país desfilaram hoje entre o Terreiro do Paço e o Marquês de Pombal para exigir a suspensão do modelo de avaliação de desempenho proposto pelo Governo.

Professores aprovam por unanimidade greve nacional a 19 de Janeiro

08.11.2008 - 18h56 Lusa, PÚBLICO
As dezenas de milhares de professores que hoje participaram na manifestação nacional contra a avaliação de desempenho aprovaram, por unanimidade, a realização de uma greve nacional a 19 de Janeiro, caso o Ministério da Educação continue intransigente quanto à suspensão do modelo.

No final do desfile entre o Terreiro do Paço e o Marquês de Pombal, além da greve nacional, os professores, 120 mil segundo os sindicatos (a PSP recusou avançar com um balanço "dada a dimensão do protesto"), concordaram com a realização de protestos nas capitais de distrito na última semana deste mês e uma nova marcha nacional ainda durante este ano lectivo.

As reivindicações que hoje levaram os professores à rua serão as mesmas que vão motivar os protestos aprovados esta tarde: o regresso às negociações sobre a avaliação de desempenho com o ministério, o concurso de colocação de professores, os horários de trabalho, o novo regime de gestão e administração escolar e o Estatuto da Carreira Docente.

A Plataforma Sindical dos Professores decidiu ainda abandonar a comissão paritária de acompanhamento da aplicação do modelo de avaliação. Sobre o estatuto da carreira docente, os professores querem que seja eliminada a divisão da profissão em duas categorias hierarquizadas e "todos os constrangimentos administrativos à progressão na carreira".

Esta manifestação nacional segue-se à "Marcha da Indignação" que decorreu há exactamente oito meses e na qual participaram 100 mil professores, tornando-se num dos protestos mais participados no país nas últimas décadas. Para hoje, os sindicatos esperavam uma adesão "semelhante ou superior" à de 8 de Março.

PSD: Governo não pode continuar a ser "autista e indiferente" na política educativa

08.11.2008 - 18h36 Lusa
O PSD aguarda por mudanças na política educativa do Governo, considerando que o Executivo socialista não pode ser "autista e indiferente" perante a manifestação que hoje reuniu milhares de professores em Lisboa.

"A manifestação de hoje é a prova evidente que não pode ficar tudo na mesma, o Governo não pode ser autista e indiferente", defendeu o deputado social-democrata Pedro Duarte, em declarações à Lusa.

Pedro Duarte, que integra a comissão parlamentar de Educação, recordou que existem cerca de 143 mil professores em Portugal, sendo que "entre 80 a 90 por cento estão hoje em Lisboa" a manifestar-se "não por motivações políticas ou partidárias".

Por isso, continuou, quando "entre 80 a 90 por cento de uma classe profissional" decide sair à rua para se manifestar é porque a política que está a ser seguida não está a ser compreendida.

"A partir deste momento, é insustentável a manutenção da política educativa que o Governo está a seguir", sublinhou, considerando que é tempo do Executivo de maioria socialista sair da "redoma" em que está fechado. "É quase unânime, há um consenso quase total entre os agentes educativos", acrescentou, insistindo não se lembrar de alguma vez ter-se assistido a uma manifestação tão representativa de uma classe profissional.

O deputado do PSD lembrou ainda que já na sexta-feira, a líder do partido, Manuela Ferreira Leite, defendeu a suspensão do actual modelo de avaliação dos professores e a aprovação de um novo modelo de avaliação externa e sem quotas administrativas. "O modelo em vigor assenta em princípios inadequados e injustos e num esquema de tal forma burocrático e complexo que está criar uma enorme perturbação nas escolas e a desfocar os professores da sua função essencial", afirmou, anunciando que, "por isso, o PSD defende a suspensão imediata deste modelo de avaliação" e entende que, "desde já, se deve começar a trabalhar num novo modelo de avaliação, sério e eficaz".

Milhares de professores vindos de todo o país desfilaram hoje entre o Terreiro do Paço e o Marquês de Pombal para exigir a suspensão do modelo de avaliação de desempenho proposto pelo Governo.

Ministra não vai recuar no modelo de avaliação de professores

Maria de Lurdes Rodrigues critica sindicatos por não cumprirem acordo com tutela

08.11.2008 - 17h51 Cláudia Bancaleiro
A ministra da Educação reafirmou hoje que não vai recuar no sistema de avaliação do desempenho de professores, mesmo com dezenas de milhares de professores a contestar a sua política educativa. Numa reacção à manifestação que decorre em Lisboa, Maria de Lurdes Rodrigues lamentou que os sindicatos do sector venham para a rua criticar o modelo de avaliação que resultou de um entendimento com o ministério.

Numa conferência de imprensa agendada pela própria ministra, Maria de Lurdes Rodrigues afirmou que, apesar da manifestação nacional de hoje reunir mais uma vez dezenas de milhares de professores, o seu ministério tem um objectivo muito claro e uma única preocupação, que “o processo de avaliação continue a processar-se nas escolas”.

Para a ministra, “é essencial garantir a qualidade do sistema de ensino, que permita distinguir aqueles que são os melhores professores”. “É esse o objectivo, que o modelo de avaliação se concretize”, reforçou.

A responsável sublinhou que a manifestação de hoje é de longe o momento mais preocupante do seu mandato no Ministério da Educação, lembrando a greve aos exames nacionais, em 2005, como o período “mais difícil”, mas que “foi ultrapassado”.

Salientando que não se pode “perder a noção do que é o interesse do país”, Maria de Lurdes Rodrigues lamentou que os mesmos sindicatos que hoje estão a manifestar-se contra a política do seu ministério tenham sido os mesmos que no final de várias reuniões com a tutela tenham chegado a um entendimento sobre o modelo de avaliação.

“Estão criadas condições institucionais e legais para que se concretize a avaliação. Não tem sentido para mim falar de outro modelo de avaliação. Este foi negociado durante mais de dois anos. Este modelo não saiu de uma cartola, foi negociado com os sindicatos em mais de 100 reuniões”, insistiu, dizendo esperar que “os sindicatos cumpram o que foi acordado”.

A ministra admite que se trata de um processo “difícil”, mas defende que o anterior modelo de avaliação “era injusto” e “não permitia distinguir”. “Temos que continuar a procurar soluções. A minha disponibilidade é para apoiar as escolas e os professores que querem concretizar a avaliação”, acrescentou.

Maria de Lurdes Rodrigues reconhece que é “exigido muito trabalho e sacrifício” aos professores, mas que essa exigência não está relacionada com o processo de avaliação de desempenho. Nesta questão, a ministra frisa que é apenas pedido aos docentes o preenchimento de uma ficha, afirmando não compreender os argumentos dos sindicatos.

A ministra assegurou que vai continuar a “apoiar as escolas e professores que querem distinguir-se como os melhores”, através de um “modelo que apenas discrimina positivamente”. “Suspender [o processo de avaliação] significa desistir e eu não desisto”, rematou.

Plataforma Sindical propõe greve nacional de professores para 19 de Janeiro


08.11.2008 - 17h00 Cláudia Bancaleiro, com Lusa
A Plataforma Sindical de professores convocou para 19 de Janeiro uma greve nacional, que a estrutura antevê como a maior de sempre contra as políticas educativas do Governo. A proposta foi anunciada durante a manifestação nacional de docentes que decorre esta tarde em Lisboa, com a participação de dezenas de milhares de pessoas.

A manifestação esteve concentrada desde as 14h30 no Terreiro do Paço mas os professores já começaram a deslocar-se em direcção ao Restauradores, para depois seguirem para o Marquês de Pombal, onde termina o desfile de protesto. Quando ainda não foram avançados números oficiais da adesão à manifestação, as estruturas sindicais avançam que entre 110 mil e 120 mil docentes estão nas ruas da capital.

Além da greve nacional, estão ainda previstas novas manifestações até ao final deste mês em todas as capitais de distrito, segundo uma moção lida em plenário, no Terreiro do Paço, pela porta-voz da Plataforma Sindical e secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira. A proposta de novos protestos irá ainda ser votada no final do desfile.

Na sua intervenção no palco montado no Terreiro do Paço, Mário Nogueira afirmou que “Sócrates, Lurdes Rodrigues, Valter Lemos, e Jorge Pedreira entraram para sempre na galeria das figuras mais negras da história da educação em Portugal (...) por que assumiram e desenvolveram uma atitude de desrespeito e desconsideração pelos professores”.

O sindicalista sustentou que o processo de avaliação de desempenho dos professores, que considerou “burocrática e penalizadora”, “estará a interferir de forma muito negativa na organização e financiamento das escolas, retirando tempo e disponibilidade para o trabalho com os alunos”.

Além do sistema da avaliação, o dirigente da Fenprof sublinhou ainda a contestação dos professores quanto aos “absurdos e esmagadores” horários de trabalho, ao novo regime de gestão escolar e ao concurso de colocação de professores.

Também João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), criticou a política educativa da ministra Maria de Lurdes Rodrigues, realçando que a adesão ao protesto de hoje mostra “o imenso mal-estar e o profundo desencanto dos professores portugueses”.

Terreiro do Paço ocupado por milhares de professores


08.11.2008 - 16h00 Cláudia Bancaleiro, com Lusa
Cerca de uma hora depois do início marcado para a manifestação nacional de professores, eram milhares os docentes que ocupavam o Terreiro do Paço, em Lisboa, e que se preparavam para arrancar no desfile contra as políticas de educação do Governo até ao Marquês de Pombal. A Fenprof, uma das estruturas sindicais que participa no protesto, diz que a ministra da Educação e o primeiro-ministro “têm boas razões para estarem nervosos”.

Ainda sem números oficiais sobre os participantes na manifestação, a ocupação do Terreiro do Paço é total, continuando a chegar ao local centenas de professores, que neste protesto se fazem também acompanhar por alguns familiares. Alguns autocarros são ainda esperados na capital, lotados por docentes que querem expressar o seu descontentamento ao ministério de Maria de Lurdes Rodrigues.

"Noto que já ninguém trabalha com alegria. A burocracia é santa, já não temos tempo para nos dedicarmos aos alunos, que é a nossa missão principal., Por isso viemos aqui pedir que nos deixem ser professores", disse à Lusa Conceição Guimarães, educadora de infância no Porto há 32 anos.
Além de professores, estão também familiares dos docentes, como Franquelim Fernandes, de 85 anos. "Sou pai e avô de professores e vim hoje de propósito de Esposende para ajudar os meus familiares e dizer ao país que os professores estão a ser maltratados", defendeu à agência.

Na última hora, seguem-se os discursos de dirigentes sindicais. Antes do protesto, em declarações à TSF, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, que também vai falar no palco montado no Terreiro do Paço, disse que não estar nervoso com esta manifestação, mas que a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e o primeiro-ministro, José Sócrates, é que têm motivos para tal. “Eu não estou nervoso. Quem deve estar nervosa é a ministra da Educação e o primeiro-ministro a verem tantos professores na rua”, afirmou.

Esta manifestação nacional segue-se à "Marcha da Indignação" que decorreu há exactamente oito meses e na qual participaram 100 mil professores, tornando-se num dos protestos mais participados no país nas últimas décadas. Para hoje, os sindicatos esperam uma adesão "semelhante ou superior" à de 8 de Março.

Na origem da manifestação de hoje estão questões que nos últimos meses têm indignado os docentes, nomeadamente a avaliação de desempenho, o concurso de colocação de professores, os horários de trabalho e o novo regime de gestão e administração escolar, ou ainda o Estatuto da Carreira Docente.

Ministra acusa professores de chantagem

A ministra da Educação garante que não desiste do modelo de avaliação das escolas. Maria de Lurdes Rodrigues acusa os professores de chantagem com a manifestação deste sábado.





Em entrevista à RTP, a governante considerou que o protesto que juntou dezenas de milhares de docentes em Lisboa serviu como forma de pressão às escolas que já começaram a avaliação.





Maria de Lurdes Rodrigues falou ainda em clima de guerrilha eleitoral e acusou os sindicatos aproveitarem o facto de ser ano de eleições para pressionar o Ministério da Educação.

A Ministra da Educação não vai desistir do actual modelo de avaliação

Depois da segunda mega manifestação em Lisboa, com 120 mil professores nas ruas de Lisboa, a plataforma sindical ameaça com greves nacionais. Maria de Lurdes Rodrigues não cede à segunda mega manifestação de professores em Lisboa. A Ministra da Educação reagiu esta tarde no Porto, lembra que já teve momentos mais complicados como a greve aos exames em 2005 e não vai desistir deste modelo de avaliação.
A Ministra da educação vai manter o mesmo regime de avaliação nas escolas para que seja garantido premiar aqueles que são os melhores professores", segundo disse, em conferência de imprensa no Porto. A Ministra lembra ainda que há escolas onde o modelo esta a ser implementado e por isso vai ficar tudo na mesma.



A plataforma sindical, diz que estiveram em Lisboa 120 mil professores. Foi aprovada hoje por unanimidade a realização de uma greve nacional a 19 de Janeiro, caso o Ministério da Educação não suspenda o processo de avaliação de desempenho. A manifestação no Terreiro do Paço por volta das três horas da tarde passou pelo Rossio e terminou no Marquês de Pombal. A PSP recusou avançar os números do protesto, alegando ser impossível fazer um cálculo "dada a dimensão do protesto".
A plataforma sindical prevê que ainda possa haver uma greve durante o primeiro período, antes da greve nacional marcada para 19 de Janeiro.

O PSD aguarda por mudanças na política educativa do Governo

PSD aguarda por mudanças na política educativa do Governo, considerando que o Executivo socialista não pode ser "autista e indiferente" perante a manifestação de milhares de professores em Lisboa. "Não pode ficar tudo na mesma", defendeu o deputado social-democrata Pedro Duarte.




O CDS-PP pela voz de José Paulo Carvalho apelou à Ministra da Educação para que corrija de imediato "o erro" que está a cometer, considerando que o clima de tensão que se vive nas escolas começa a ser "perturbador".




Berardino Soares, líder parlamentar do PCP exigiu uma mudança nas políticas educativas do Governo por forma a que não haja degradação da escola pública.

PSD acusa Sócrates de fazer declarações «totalmente insensatas»

O líder parlamentar social-democrata acusou, este domingo, o primeiro-ministro de estar a desviar as atenções dos problemas existentes nas escolas, fazendo oposição à oposição. Paulo Rangel acusou ainda José Sócrates de proferir palavras pouco sensatas.


Numa declaração proferida também este domingo, o Chefe do Governo acusou a oposição de aproveitamento político da manifestação que, sábado, reuniu 120 mil professores em Lisboa, em protesto contra o novo modelo de avaliação dos docentes.

Na opinião do líder da bancada social-democrata, estas palavras de Sócrates são «declarações totalmente insensatas, porque o PSD sempre esteve a favor de avaliação», estando apenas contra o novo modelo aplicado pelo Governo, sobretudo quando «já foi testado» e demonstrou que «está a falhar nas escolas».

José Sócrates «está a tentar deslocar as atenções dos problemas do Governo para os partidos da oposição», estando assim «a fazer oposição à oposição», criticou.

Para Paulo Rangel, o primeiro-ministro deveria antes tentar resolver o problema principal, ou seja, o facto de neste momento as escolas não estarem a funcionar em condições regulares, devido à aplicação do novo modelo de avaliação de desempenho dos professores.

Sócrates acusa oposição de «lamentável» oportunismo

O primeiro-ministro acusou, este domingo, os partidos da oposição de aproveitamento político do protesto que, sábado, levou à rua 120 mil professores. Para José Sócrates trata-se de um «lamentável» oportunismo.


«Não sei se repararam nas televisões o lamentável oportunismo dos partidos políticos. Realmente, as oposições comportaram-se como aquele anarquista que dizia ‘dêem-me um movimento porque eu quero liderar à falta de alguma coisa para liderar’», acusou.

Por outro lado, acrescentou, «os partidos da oposição, sem tema e sem discurso, andam à procura de qualquer manifestação, de qualquer descontentamento, para poderem eles liderar».

Esta manhã, no Congresso da Federação Distrital de Coimbra do PS, o chefe do Governo reafirmou ainda as palavras da ministra da Educação de que o processo de avaliação é para continuar, sublinhando que os sindicatos têm de «honrar» os compromissos.

Sócrates deve explicar porque não respeita os professores, diz BE

O líder do Bloco de Esquerda considerou, este sábado, que o primeiro-ministro tem de explicar porque é que «não respeita os professores». Para Francisco Louçã, o Governo está a submeter as escolas a um «processo tormentoso de confusão burocrática».

Em declarações à TSF, o bloquista defendeu que a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, devia sair, mas «como o primeiro-ministro não deixa», é com ele que se deve «acertar contas».

Para Francisco Louçã, é José Sócrates quem «tem de responder porque é que não respeita os professores e as escolas e porque é que não compreende o que se está a passar».

«Estes professores são a garantia de que tem de haver uma educação para a igualdade e para a qualificação em Portugal. Em contrapartida, o Ministério da Educação e o Governo submetem hoje as escolas a um processo tormentoso de confusão burocrática», acrescentou.

Estas declarações surgem depois da titular da pasta da Educação ter reagido a uma manifestação de milhares de professores contra o novo processo de avaliação dos docentes, garantindo que o novo modelo é para manter.

Professores de todo o país manifestaram-se, esta em Lisboa contra o modelo de avaliação de desempenho, contestando também o diploma de concursos de colocação de docentes e o novo regime de gestão e administração escolar, num protesto convocado por todos os sindicatos do sector.

CDS-PP vai pedir sessão especial no Parlamento para debater avaliação dos docentes

O CDS-PP vai pedir uma sessão especial no Parlamento para debater o novo modelo de avaliação de desempenho dos professores, anunciou, este sábado, o líder do partido. Paulo Portas espera que o Governo corrija os «erros» que considera existir no sistema.

«Pediremos uma sessão especial no Parlamento» no sentido «constitutivo de ajudar a resolver este problema e não a agudizá-lo», disse Paulo Portas, mostrando-se a favor da avaliação de professores, mas contra o novo modelo de avaliação de desempenho.

Paulo Portas acrescentou que «o Governo tem de entender que há erros no sistema, que têm de ser corrigidos, e que não é possível continuar a tentar atirar os professores contra a parede e a desautorizá-los sistematicamente», algo que tem «consequências muito más no funcionamento das escolas».

Estas declarações surgiram depois da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, ter reagido a uma manifestação de milhares de professores contra o novo processo de avaliação dos docentes, garantindo que o novo modelo é para manter.

Professores aprovam por unanimidade greve nacional a 19 de Janeiro

Cerca de 120 mil professores, que representam 85 por cento da classe, aprovaram, este sábado, por unanimidade a realização de uma greve nacional a 19 de Janeiro, caso o Ministério da Educação não suspenda o processo de avaliação de desempenho.
Esta é uma das medidas que consta na resolução aprovada no final da manifestação realizada, este sábado, em Lisboa na qual participaram 120 mil docentes, segundo os sindicatos.

De acordo com a moção aprovada no final da manifestação, fica agendada a realização de protestos descentralizados nas capitais de distrito na última semana de Novembro e uma nova marcha nacional ainda durante este ano lectivo.

Além da suspensão imediata do processo de avaliação de desempenho, os professores exigem o início de novas negociações para alterar o modelo proposto pela tutela, bem como para uma revisão do estatuto da carreira docente.

A Plataforma Sindical dos Professores decidiu ainda abandonar a comissão paritária de acompanhamento da aplicação do modelo de avaliação.

«Não há entendimento possível» com o Governo, dizem sindicatos

O porta-voz da Plataforma Sindical avisou, este sábado, no final de uma manifestação em Lisboa, que reuniu mais de cem mil pessoas, contra o novo modelo de avaliação dos professores, que «não há entendimento possível» com a ministra da Educação.

Neste momento não há espaço para meios-termos ou meias conversas. Não há entendimento possível com esta gente», disse Mário Nogueira, referindo-se ao Governo, em particular ao Ministério da Educação.

O dirigente sindical frisou que, entre os professores, «não há nenhuma abertura» para outra solução «que não seja a suspensão da avaliação» dos docentes «e de imediato».

Mário Nogueira acusou ainda a ministra da Educação de analfabetismo político, sublinhando que Maria de Lurdes Rodrigues vai ter de assumir a responsabilidade de não suspender o novo regime de avaliação dos professores.

O sindicalista prometeu ainda um ano de luta, caso a titular da pasta da Educação queira prosseguir com o modelo de avaliação de desempenho e lembrou que a manifestação deste sábado reuniu 120 mil pessoas, entre professores, pais e alunos. «Querem guerra, terão guerra», rematou.

Entre os professores, que entretanto começaram a desmoblizar do Marquês de Pombal, em Lisboa, onde protestavam contra o modelo de avaliação dos professores, ouviram-se várias frases, acusando a ministra da Educação de «mentirosa».

Estas declarações surgiram depois da ministra da Educação ter garantido, este sábado, que o novo processo de avaliação dos docentes é para cumprir, apesar da manifestação dos professores.

PSD lamenta insistência do Governo no novo modelo de avaliação dos docentes

O deputado social-democrata Pedro Duarte lamentou, este sábado, a teimosia do Governo em insistir num modelo de avaliação dos docentes «que não tem qualquer efeito positivo».

O social-democrata falava à TSF numa reacção às palavras da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que reagiu a uma manifestação de milhares de professores contra a avaliação de desempenho, reiterando que o novo modelo de avaliação dos docentes é para manter.

«Aquilo que parece é que a ministra está bastante preocupada com a sua situação pessoal e sobrevivência política», mostrando que «está muito pouco preocupada com a qualidade de ensino» e com «a realidade que se vive» diariamente nas escolas portuguesas, disse.

Na opinião de Pedro Duarte, era preferível que os responsáveis governamentais tivessem a «humildade suficiente» para entender que «é insustentável esta teimosia num modelo de avaliação, que não tem qualquer efeito positivo».

O social-democrata acrescentou que, pelo contrário, o novo processo de desempenho está a «causar instabilidade, perturbação e desmotivação» junto dos professores, o que prejudica «o ensino nas escolas».

Modelo de avaliação «não saiu de nenhuma cartola», diz ministra

A ministra da Educação exortou, este sábado, os sindicatos a cumprir o memorando acordado para o modelo de avaliação de professores, depois de mais de «cem reuniões». Perante uma manifestação que reuniu mais de cem mil professores contra o novo processo de avaliação de desempenho, Maria de Lurdes Rodrigues frisou que a aplicação do modelo é difícil, acrescentando, no entanto, que desistir não é solução.

«É sempre necessário ter em atenção aquilo que são as divergências e as dificuldades dos processos de concretização das políticas, mas não podemos nunca perder a noção do que é o interesse público e o do país», disse Maria de Lurdes Rodrigues, para garantir que vai manter o processo de avaliação dos docentes.

Se a aplicação do novo processo de avaliação de desempenho «fosse fácil», continuou, o país não teria convivido, durante mais de 30 anos, com um modelo de avaliação que «tratava de forma igual os professores».

O «modelo de avaliação não saiu de nenhuma cartola», frisou, acrescentando que «não tem sentido falar de outro modelo» nesta altura.

Maria de Lurdes Rodrigues reafirmou esperar que os sindicatos «cumpram a lei e aquilo que foi acordado», no memorando de entendimento aprovado, após «mais de cem reuniões» entre a tutela e os sindicatos.

Numa declaração aos jornalistas, no Porto, a governante disse ainda que, «pesar da manifestação», aquilo que a «preocupa é que a avaliação continue a concretizar-se nas escolas», lembrando que o pior momento que passou enquanto ministra foi a greve aos exames nacionais.

Perante a manifestação, a ministra lembrou também que o novo modelo «prevê um espaço próprio para discussão» e está «validado por um concelho científico». «Quando alguém negoceia de boa-fé espera o cumprimento daquilo que está acordado», reforçou.

Plataforma Sindical propõe greve nacional de professores para 19 de Janeiro

A Plataforma Sindical de professores convocou, este sábado, para 19 de Janeiro uma greve nacional, que antevê como a maior de sempre contra as políticas educativas do Executivo.
A marcação de novas manifestações a realizar no final deste mês em todas as capitais de distrito foi outra das acções de luta anunciadas, este sábado, no Terreiro do Paço, onde milhares de professores estão a protestar contra o modelo de avaliação dos docentes.

As novas acções de luta constam de uma moção lida em plenário pela porta-voz da Plataforma Sindical, Mário Nogueira, que serão votadas no final do protesto.

No centro da contestação está o processo de desempenho proposto pela tutela, que o também secretário-geral da Federação Nacional dos Professores considera estar a «interferir de forma muito negativa na organização e financiamento das escolas, retirando tempo e disponibilidade para o trabalho com os alunos».

«Independentemente das filiações partidárias ou sindicais, toda uma classe profissional reuniu-se aqui para exprimir preocupações comuns com uma força que nasce da enorme insatisfação, do imenso mal-estar, e do profundo desencanto dos professores portugueses», disse João Dias da Silva.

«Está na hora da ministra ir embora» e «ministra mentirosa faz a escola desastrosa» foram algumas das palavras de ordem proferidas na manifestação deste sábado.

Muitos dos professores que vão aderir à manifestação deste sábado, contra o processo de avaliação e a burocracia no ensino , já chegaram ao Terreiro d

O PCP manifestou, este sábado, o seu apoio e solidariedade aos professores que se manifestam em Lisboa contra o sistema de avaliação de desempenho, exigindo uma mudança nas políticas educativas do Governo.

O líder parlamentar comunista, Bernardino Soares, manifestou «o apoio e a solidariedade do PCP aos professores», afirmando que o Governo «não pode continuar a ignorar o sentimento dos professores».

«A política educativa tem de ser mudada. Mudar o ministro e não mudar a política, como aconteceu na Saúde, é continuar a atacar a escola pública», afirmou o deputado do PCP.

Bernardino Soares encontra-se na praça do Comércio, onde decorre um plenário de professores, juntamente com os deputados da comissão de Educação João Oliveira e Miguel Tiago e o membro da comissão política do partido Jorge Pires.

O líder parlamentar comunista considerou ainda que o regime de avaliação de desempenho serve para atacar a carreira dos professores.

Milhares de professores estão concentrados na Praça do Comércio de onde partirão após o plenário em direcção ao Marquês de Pombal.

Fenprof diz que Sócrates e ministra da Educação devem estar «nervosos»

Muitos dos cerca de cem mil professores que os sindicatos estimam que adiram à manifestação deste sábado, contra o processo de avaliação e a burocracia no ensino, já chegaram ao Terreiro do Paço, em Lisboa. O dirigente da Fenprof diz que a ministra da Educação e o primeiro-ministro «têm boas razões para estarem nervosos». Porém, o secretário de Estado da educação desvaloriza o protesto.

Muitos dos professores que vão aderir à manifestação deste sábado, contra o processo de avaliação e a burocracia no ensino , já chegaram ao Terreiro do Paço, em Lisboa.

Os sindicatos esperam cerca cem mil docentes, sublinhando que se trata do maior protesto de sempre.

Mário Nogueira, dirigente da Fenprof, disse à TSF não estar nervoso, considerando que quem tem motivos para estar assim é a ministra da Educação, assim como José Sócrates.

«Eu não estou nervoso. Quem deve estar nervosa é a ministra da Educação e o primeiro-ministro a verem tantos professores na rua», afirmou.

O responsável disse ainda que o protesto não vai deixar dúvidas sobre aquilo que os docentes pensam acerca das políticas educativas do Governo.

Em contrapartida, o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, reafirmou que não entende o protesto dos professores, sublinhando que o processo de avaliação foi acordado entre os sindicatos e o Ministério da Educação.

Paulo Rangel classifica de «infelizes e insensatas» declarações de José Sócrates

O líder parlamentar do PSD classificou hoje como «infelizes e insensatas» as acusações do primeiro-ministro de «oportunismo político» da oposição, criticando a atitude de José Sócrates de «meter a cabeça na areia» em vez de resolver os problemas

«O primeiro-ministro não quer reconhecer a realidade, prefere meter a cabeça na areia como a avestruz e atacar a oposição, atacar o PSD», criticou o líder da bancada do PSD, Paulo Rangel, em declarações à Lusa.

Hoje ao início da tarde, José Sócrates acusou os partidos da oposição, em particular o PSD, de «oportunismo político» nas reacções à manifestação de milhares de professores no sábado, em Lisboa, contra o processo de avaliação.

Intervindo no XIII Congresso Distrital do PS de Coimbra, José Sócrates considerou «lamentável o oportunismo dos partidos», que «devem servir defender o interesse do geral do país e não para se colarem a reivindicações corporativas na esperança de ganhar uns míseros votos».

«Já não esperava nada dos partidos à nossa esquerda, que têm a habitual estratégia do protesto, mas que o principal partido da oposição, que ainda há uns meses atrás aquando da outra manifestação dizia ao PS que se recuasse era um vergonha, venha agora dizer que o Governo deve recuar», enfatizou José Sócrates.

Numa reacção a estas declarações, o líder da bancada social-democrata classificou-as de «infelizes e insensatas», lamentando que o primeiro-ministro prefira atacar a oposição «em vez de resolver os problemas que estão a afectar o normal funcionamento das escolas».

Paulo Rangel rejeitou ainda que o PSD tenha recusado ou entrado em contradição por defender a suspensão do actual modelo de avaliação de desempenho dos professores, lembrando que os sociais-democratas sempre foram a favor da avaliação.

Contudo, acrescentou, o que se passa é que «o modelo concreto que está em funcionamento falhou, é um fracasso», não havendo já a possibilidade de uma avaliação «justa e eficaz».

Por isso, continuou, os sociais-democratas defendem a suspensão do actual processo e a introdução de um novo modelo de avaliação simplificado e de avaliação externa.

«Não há nenhum recuo do PSD», insistiu Paulo Rangel, considerando que a atitude do primeiro-ministro de preferir atacar os sociais-democratas em vez de resolver os problemas «diz tudo».

Lusa/SOL




Sindicatos e políticos reagem a declarações da ministra

Por Margarida Davim com Andreia Félix Coelho

Sindicalistas e representantes dos partidos de Esquerda tecem duras críticas à ministra da Educação por «ignorar» um protesto da dimensão do de hoje e acusam-na de «cegueira total». Louçã diz que nas «eleições acertamos contas

Depois das declarações de Maria de Lurdes Rodrigues pelas 17h00, não tardaram em chegar reacções. Mário Nogueira, dirigente da Fenprof, considera que «se a ministra diz que os professores não querem ser avaliados é porque está a mentir. Nós dizemos que vamos suspender a avaliação», referiu aludindo às declarações da ministra que afirma não suspender a avaliação.

«Não há meios-termos. A diferença entre nós e a ministra é que nós temos aqui os professores à nossa frente a apoiar-nos e ela tem os professores a vaiá-la. Se a ministra não sabe ler os sinais de uma manifestação deste tamanho é porque não tem condições para fazer parte de um Governo democrático», defendeu ainda Mário Nogueira.

Francisco Louçã esteve também presente na manifestação e afirma que a «ministra está a fazer um braço de ferro com os docentes». E acrescentou que «se esta manifestação vai fazer com que mais escolas suspendam a avaliação, queria dar os parabéns aos professores. Porque se há força e dignidade está a ser mostrada aqui. A democracia está aqui».

O dirigente do Bloco de Esquerda deixou ainda o aviso: «Estamos muito longe das eleições, mal de nós se esperássemos pelas eleições. Esta avaliação tem de acabar agora. Nas eleições acertamos contas».

João Dias da Silva, da Federação Nacional de Educação, considera que as afirmações da ministra são de «cegueira total em relação a esta manifestação».

E conclui que «a avaliação não pode continuar e tem de ser suspensa». Carlos Chagas, dirigente do SINDEP, considera que este é «um governo que não está atento aos problemas da população e está contra as pessoas», por isso, «não tem capacidade para governar».

margarida.davim@sol.pt

Estão 120 mil professores nas ruas, dizem sindicatos

Os sindicatos estimam que estejam 120 mil professores no centro de Lisboa em protesto. Em declarações aos jornalistas, a PSP diz não poder avançar com um número por não ter «meios técnicos» para contar os manifestantes

«Não vamos desistir do modelo de avaliação», diz ministra

Em reacção ao protesto de hoje, Maria de Lurdes Rodrigues reagiu, sublinhando que não vai abrir mão do modelo de avaliação aprovado pelo Governo. Refere ainda que este não é o pior dia do seu mandato, mas sim o da greve aos exames

«Hoje tenho pensado que este não é o meu pior dia. O dia da greve aos exames foi o pior do meu mandato», começou por confessar a ministra da Educação.

«É sempre necessário ter em atenção àquilo que são divergências, as dificuldades dos processos das concretizações das políticas. Não podemos perder a noção do interesse público e do interesse do país», sublinhou Maria de Lurdes Rodrigues.

A ministra diz que pretende «que a avaliação continue a concretizar-se nas escolas», permitindo «distinguir e premiar os melhores professores. Este modelo é necessário ao país e este é aquele que resultou de um memorando de entendimento entre Governo e sindicatos»

A ministra assume que a adopção deste modelo de avaliação «é difícil» e justifica com o facto de «o país não tinha convivido durante mais de 30 anos com um modelo de avaliação. Tínhamos um modelo de avaliação que tratava os professores por igual, independentemente dos desempenhos».

«Desistir não é solução e não vamos voltar a um modelo injusto», deixou bem claro a ministra.

andreia.coelho@sol.pt

Sindicatos anunciam maior greve de sempre para 19 de Janeiro

Por Margarida Davim com Andreia Félix Coelho

O dirigente da Fenprof, Mário Nogueira, anunciou perante os milhares de professores concentrados na Baixa lisboeta que o dia 19 de Janeiro será marcado pela maior greve nacional de sempre. O protesto deste sábado arrancou do Terreiro do Paço rumo ao Marquês de Pombal e contaram-se milhares de pessoas entre estes dois pontos, sendo quase impossível circular

Mário Nogueira subiu ao palco da manifestação de hoje e anunciou que no dia 19 de Janeiro assinalar-se-á o Dia Nacional de Luto dos Professores e Educadores Portugueses porque contam-se dois anos sobre a publicação do Estatuto da Carreira Docente. Nesse dia, garantiu o dirigente sindical, vai haver greve nacional de todos os professores, que será a maior de sempre e que vai encerrar todas as escolas portuguesas.

Os sindicatos anunciaram também que vão suspender a participação sindical na comissão paritária de acompanhamento da avaliação dos professores.

Os docentes vão ainda ter novos protestos de rua na última semana de Novembro: Haverá manifestações em todas as capitais de distrito. A 25 será no Norte, a 26 no Centro, a 27 na Grande Lisboa e a 28 no Sul.

Os sindicatos vão também pedir reuniões com todos os grupos parlamentares da Assembleia da República.

Ainda durante este ano lectivo os docentes vão fazer uma marcha nacional pela Educação na qual juntarão alunos, pais, pessoal docente e não docente.

«É bom estarmos aqui mais do que estivemos em 8 de Março», afirmou Mário Nogueira. Para o dirigente sindical, «o país não pode continuar a ignorar o que se passa na Educação».

Em relação à actuação do Governo, Mário Nogueira afirma que os governantes de Sócrates «preferiram sempre a via do confronto e do conflito». «São muitas as razões que nos trazem para a rua, e todas jorram de uma só fonte: a política educativa de Sócrates», concluiu.

Ouviram-se muitas vaias cada vez que o nome de Sócrates e da ministra da Educação eram proferidos e uma grande vaia quando se fez referência ao computador Magalhães. Mário Nogueira sublinhou: «Tenham calma que o Magalhães não faz parte do Governo».

O Terreiro do Paço continua totalmente cheio de professores e a Rua do Ouro está já repleta com milhares de professores. Há ainda autocarros a caminho, por isso prevê-se um protesto em massa. As autoridades pedem já aos manifestantes para ocupar as ruas laterais.


Carlos Chagas, dirigente do Sindicato Nacional e Democrático dos Professores (SINDEP), afirmou também no seu discurso que «esta é uma grandiosa manifestação para que haja democracia em Portugal. À ministra da Educação exigimos o direito de sermos professores».

Chagas fez ainda uma referência ao memorando de entendimento entre a ministra e sindicatos assinado após o último protesto de professores: «Estamos aqui hoje porque fomos ludibriados pela ministra. Esta ministra não trabalha para a Educação, mas sim para a propaganda do Governo e para as estatísticas internacionais. Vamos lutar por um modelo de avaliação justo! Ninguém vai parar os professores de Portugal!».

Palavras de ordem não podem faltar em qualquer protesto e neste os alvos são Maria de Lurdes Rodrigues e José Sócrates: «A ministra quer poupar, nós queremos ensinar!» ou «Para o Sócrates ditador, a escola não tem valor!».

Na manifestação marcou presença o PCP, representado pelo líder da bancada parlamentar, Bernardino Soares, Jorge Pires, da Comissão Política e pelos deputados Manuel Tiago e António Filipe.

Ao SOL, Jorge Pires afirmou: «O PCP, ao longo destes últimos anos tudo tem feito na defesa da escola pública. Não podíamos deixar de estar presentes para dizer aos professores que podem continuar a contar com o PCP».

Jorge Pires considerou ainda que «o primeiro-ministro tem de tirar ilações políticas desta manifestação», mas os comunistas não exigem a demissão da ministra Maria de Lurdes Rodrigues. «Não é essencial a demissão, é preciso mudar a política. Na Saúde mudou o ministro, mas está tudo igual. A arrogância e a prepotência têm limites e há-de chegar um momento em que não vão resistir a este movimento de força».

Um acidente na auto-estrada do Norte ao início da tarde fez com que vários autocarros com professores chegassem bastante atrasados ao protesto. Segundo a organização tratava-se de cerca de três quilómetros de fila que, entretanto, ficou resolvida.

A Tuna Académica da Universidade de Coimbra actuou antes dos discursos dos sindicalistas.


margarida.davim@sol.pt