segunda-feira, janeiro 19, 2009

“Aconteceu uma coisa terrível na Educação: tudo tem de ser divertido, nada pode dar trabalho”


19.01.2009 - 08h42 Bárbara Wong



Entrevista a Alice Vieira



É por causa dos seus livros que Alice Vieira é convidada para ir às escolas. Há 30 anos, falava de “Rosa, minha irmã Rosa” aos alunos dos 3.º e 4.º anos, hoje fala sobre o mesmo livro aos estudantes dos 7.º e 8.º. “Alguma coisa está mal”A escritora Alice Vieira começa por dizer que de educação percebe pouco. “Nunca fui professora na minha vida!”, justifica. Mas há três décadas que anda pelas escolas e observa o que se passa no mundo da educação. O retrato que faz, reconhece ser “assustador”: professores com fraca formação, alunos que não compreendem o que aprendem. Defende mais disciplina e mais autoridade para a escola. Quanto à luta dos docentes confessa, bem disposta: “Saúde e Educação seriam os ministérios que nunca aceitaria!”. Teme que se a contestação continuar o ano lectivo possa estar perdido.Esta é a segunda greve de professores, este ano lectivo. Em que é que estas acções influenciam a qualidade da escola pública?Os professores têm um calão muito próprio e gostava que um professor e a senhora ministra da Educação se sentassem e me explicassem o que é que é a avaliação? O que é que os professores têm que fazer? Para eu perceber! Os professores dizem que têm muitas fichas para preencher. Que tipo de fichas? O que é que a ministra quer fazer com aquilo?Sente que a opinião pública tem as mesmas dificuldades em compreender o que se passa?A maior parte não compreende e os professores queixam-se disso mesmo. Eu não quero acreditar que o que se passa é como aquela anedota, em que “todos vão com o passo errado e só o meu filho é que vai no passo certo”. O descontentamento é geral e quando 140 mil professores vêm para a rua, é óbvio que devem ter razão, mas não têm toda. A ideia que tenho, desde o princípio é de que a ministra tem razão em querer que os professores sejam avaliados, mas ela não sabe transmitir o que quer. Isso reflecte-se no modo como as negociações têm sido conduzidas?Sim, é visível nos vai-e-vem. Agora avalia-se assim e depois já é de outra maneira... As pessoas não sabem muito bem o que é ou não é. A ideia que passa é que os professores não querem trabalhar, que não querem ser avaliados e é fácil veicular essa ideia porque os professores são um grupo complicado. Porquê?Porque chegam a uma certa altura da carreira, têm os seus direitos adquiridos e é mais difícil aceitar outras coisas. Chega-se a uma altura em que as pessoas estão cansadas.Sente isso nas escolas aonde vai?A primeira coisa que ouço dizer é: “Estou cansada”, “vou-me reformar”, “estou farta disto”, “não me pagam para isto”... É só o que eu ouço.Mas sempre ouviu esses lamentos ou agudizaram-se nos últimos anos?Há 30 anos que vou às escolas e ouço-o agora. As leis são iguais para todos, mas há escolas onde dá gosto ver o trabalho que os professores fazem, que estão motivados e a ministra é a mesma! Não é a totalidade das escolas, mas sobretudo nas mais afastadas, nas do interior, encontro gente motivada e a fazer bons trabalhos. Essas escolas nem vêm no ranking das melhores. Também vou a privadas, ligadas à Igreja Católica, às vezes converso com professoras minhas amigas e conto-lhes: “Os alunos entram em fila, ou levantam-se quando eu entro, não fazem barulho...”. E respondem-me: “Está bem, mas isso é nessas escolas”. E eu pergunto: “Mas se está bem para essas escolas, porque é que não está para as outras?!” A escola pública está a perder qualidade?Há um desinteresse, um cansaço e depois há o problema da formação. Eu não quero generalizar, mas esta gente mais nova... Qual é a preparação que tem? Converso com professores e é um susto, desde a língua portuguesa tratada de uma maneira desgraçada, até ao desconhecimento de autores que deviam ter a obrigação de conhecer... Sabem muito bem o eduquês, mas passar além disso, é difícil. Muitos professores com que lido têm uma formação muito, muito, muito deficiente. Eles fazem com cada erro, que eu fico doida! E não só falam mal como se queixam diante dos miúdos. Podem dizer mal entre eles, mas não diante dos alunos, que depois reproduzem e a balda vai ser completa. A responsabilização dos professores é fraca, eles não são muito seguros e os alunos sentem que os professores não são seguros. E por isso há atitudes de indisciplina e de violência?Por exemplo, as manifestações dos miúdos também me perturbam um bocadinho, porque eles não sabem o que andam ali a fazer. Os miúdos devem aprender a falar bem, para saber reclamar, reivindicar, é uma questão de educação.Mas nesse caso a culpa não é da escola, pois não?Também é. Os professores queixam-se muito que têm de ser pai, mãe, assistente social, educadores... Pois têm! Porque a vida dos miúdos é na escola. Em casa não lhes dão as mínimas noções de educação, o simples “obrigada, se faz favor, desculpe”. Quando os alunos vêem os professores na rua, a berrar e a gritar, o que é que eles pensam? Os alunos manifestam-se para exigir melhor ensino? Não. Não os vejo preocupados porque os professores os ensinam mal.Com alunos e professores na rua, o ano lectivo está perdido?Não me parece que esteja perdido, se houver bom senso. Não se pode estar a brincar. As pessoas não entendem muito bem que o maior investimento que podem fazer é na educação. Se não tivermos gente educada, a saber, capaz, o que é que vai ser de nós? Estamos a fazer uma geração que não se interessa, não sabe nada, mas berra e grita. E isso perturba-me.Volto a perguntar, a educação está a perder qualidade?Eu comecei a ir às escolas há 30 anos, para apresentar o meu primeiro livro “Rosa, minha irmã Rosa” e ía falar com os alunos de 3.º e 4.º anos. Agora vou, exactamente com o mesmo livro falar a alunos dos 7.º e 8.º anos. Alguma coisa está mal. É assustador! Outra coisa assustadora é a utilização da Internet.Não concorda com o acesso dos mais novos às novas tecnologias?Estamos a queimar etapas, a atirar computadores para os colos dos miúdos quando não sabem ler nem escrever. Só devia chegar quando tivessem o domínio da língua e da escrita. E os mais velhos?Os mais velhos, não sabem utilizar a Internet, não sabem pesquisar, eles clicam, copiam e assinam por baixo. Eu chego a uma escola, vou ver e fizeram 50 trabalhos sobre um livro meu, todos iguais, com os mesmos erros e tudo, porque descarregam da Internet. Pergunto aos professores e respondem-me: “Mas eles tiveram tanto trabalho a procurar...” O professor tem que ensinar a pesquisar. Às vezes, estou a falar com os alunos e tenho a sensação nítida de que não estão a perceber nada do que eu estou a dizer.Essa sensação é generalizada?No geral, as crianças têm muitas, muitas dificuldades. E os professores, logo à partida, têm medo que os alunos se cansem e nem tentam! “O quê? Dar isso? Eles não gostam, cansam-se”. Há um medo de cansar os meninos. Desde 1974 que os alunos têm sido muito cobaias da educação. E os professores e os alunos não sabem muito bem o que é que andam a fazer... Aconteceu uma coisa terrível é que tudo tem que ser divertido. Há duas palavras que me põem fora de mim: moderno e lúdico! Tudo tem que ser lúdico, tem de ser divertido, nada pode dar trabalho. Não pode ser!É preciso mudar a mensagem?Quando vou às escolas esforço-me imenso por transmitir aos alunos que as coisas dão trabalho. E eles olham para mim como se fosse uma coisa terrível. Há muitas maneiras de se abordar as coisas, mas se os próprios professores passam a mensagem de não querer ter trabalho... Quando vou ao estrangeiro, vejo os professores e penso “se fosse em Portugal, não era assim”. Eles fazem o que for preciso fazer. Cá dizem que não é da sua competência... Isso é complicado. Disse que as escolas do interior são diferentes das de Lisboa. Essas diferenças não se devem aos públicos que cada escola acolhe?Sim, os miúdos de Lisboa têm mais solicitações, ao passo que para os de Trás-os-Montes, a ida de um escritor à escola é uma festa! Em Lisboa já não há lisboetas, há miúdos de todas as terras, de todos os países... E porque é que os miúdos da Europa de Leste se destacam nas escolas? Porque vêm de culturas de trabalho e, desde cedo, ouvem dizer que têm quee trabalhar. Com a democracia, as portas abriram-se, a escola deixou de ser de elite e estão todos na escola. Ainda bem! Mas os professores não estavam preparados para isso e admito que é difícil.Falta-lhes formação?Eu gostava de saber onde é que os professores são formados! Mas tendo alunos tão diferentes é necessário fazer formação. Porque, coitados dos professores, são deitados às feras! Como se chega aos alunos? Muitas vezes, olho para eles e vejo que não estão a ouvir nada. E eu apanho o melhor da escola, a parte boa, não tenho um programa para dar. Agora, quem está todos os dias na escola, compreendo que seja um stress terrível. A educação é daquelas matérias em que, se calhar, são precisas medidas impopulares, mas necessárias. Na educação nunca se fez um salto, que é necessário, nunca houve um ministro de quem se diga “fez”.É precisa mais disciplina?É preciso mais autoridade, o professor não pode fazer nada, não tem autoridade nenhuma. A solução passa por mais interesse e mais disciplina. O gosto pelo que se faz. E o professor tem que sentir esse gosto e passar aos miúdos. A profissão é de risco, de missionário e não de funcionário público na acepção perjurativa da palavra. Não é uma profissão como as outras e não é seguramente a de preencher impressos...Como é exigido na avaliação?Voltamos à avaliação! Ela é necessária, todos nós devemos ser avaliados, mas não pelo parceiro do lado ou pelo filho do patrão! Não faço ideia de como é que se avalia, mas na educação existe gente competente, que estudou, e devia ser chamada para dizer como avaliar. Não concordo que sejam avaliados entre eles. Não se pode ser irredutível, quer dum lado [professores] quer do outro [ministério]. As manifestações, no momento a que se chegou, não levam a nada, já vimos que agita, mas não levam a nada. Parece-lhe que o conflito entre ministério e professores não tem fim à vista?Os professores estão cansados, o que também é mau, porque aceitar uma situação só porque já se está cansado não é bom. Tem de haver uma solução, senão o ano lectivo perde-se e o culpado não será só um.

Simplificação da avaliação não resolveu «constrangimentos» de base do modelo

O descontentamento dos professores mantém-se porque a simplificação da avaliação não acabou com o problema de base: serem os titulares a avaliar os colegas, explica a presidente da secundária Infanta Dona Maria, Coimbra, uma das caras da contestação da classe.
«Todos os dias sei de novas escolas que estão a suspender [a avaliação dos professores]. A simplificação [que entrou em vigor este mês] não resolveu o problema. Os constrangimentos que existiam continuam a existir», disse à Lusa Rosário Gama, representante dos 139 responsáveis de escolas que esta semana voltaram a apelar à suspensão do processo.Segundo explicou a responsável hoje, no dia em que os professores voltam à greve contra as políticas do ministério da Educação, o problema de base do modelo de avaliação definido pelo Governo «radica na questão de serem os professores titulares a avaliar os colegas, que não lhes reconhecem competência para tal».«O grande problema tem a ver com a divisão da carreira entre titulares e não titulares e com a ausência de uma formação adequada para os professores avaliadores», afirmou, sublinhando que continua a viver-se um clima de «intranquilidade» nas escolas.Na Internet, em sites de escolas e blogues dedicados à Educação, estão disponíveis cerca de cem documentos aprovados em assembleias-gerais de professores, já depois das medidas de simplificação anunciadas em Novembro pelo Governo, nos quais os docentes reafirmam a sua recusa em participar em qualquer procedimento relacionado com o modelo de avaliação.«Os professores da Escola Secundária c/ 3º Ciclo Fernando Namora, coerentes com todas as tomadas de posição que têm assumido ao longo deste processo, reafirmam a sua vontade em manter a suspensão do mesmo», refere, por exemplo, um documento aprovado quarta-feira passada por 61 dos 73 docentes deste estabelecimento de ensino de Condeixa-a-Nova.Também na secundária de Camões, em Lisboa, 126 docentes reunidos em assembleia-geral na passada quarta-feira decidiram «assumir, colectiva e individualmente, a posição tomada em 5 de Novembro de 2008, continuando a não realizar qualquer acção relacionada com este processo de avaliação de professores».
Lusa / SOL

Professores regressam hoje à greve, sindicatos esperam adesão superior a 90%

Os professores realizam hoje mais uma greve, em protesto contra o modelo de avaliação de desempenho e o Estatuto da Carreira Docente, estimando os sindicatos uma adesão superior a 90 por cento, à semelhança da registada a 3 de Dezembro

Na última paralisação nacional de docentes, os sindicatos apontaram uma adesão na ordem dos 94 por cento, enquanto segundo os números avançados pelo Ministério da Educação não foi além dos 66,7 por cento, valor que a tutela considerou «significativo».«O Ministério da Educação vai ter de avaliar se quer ou não ter esta luta dos professores. Nunca a vamos deixar cair e estou convencido de que os professores vão ter força para lutar por isto, seja com este Governo, seja com qualquer outro, pelo tempo que for preciso», afirmou Mário Nogueira, porta-voz da Plataforma Sindical de Professores, em declarações à Agência Lusa.Os sindicatos exigem a suspensão e substituição do modelo de avaliação de desempenho e, relativamente ao Estatuto da Carreira Docente (ECD), querem eliminar a divisão da carreira em categorias hierarquizadas (professores e professores titulares) e abolir a existência de quotas para a atribuição de ‘Muito Bom’ e ‘Excelente’ nas classificações da avaliação.A greve de hoje foi convocada no final da manifestação de 8 de Novembro, em Lisboa, que segundo as estruturas sindicais reuniu cerca de 120 mil professores.Relativamente a novas formas de luta, os sindicatos reservam o anúncio de novos protestos para depois do arranque das negociações de revisão do ECD, a 28 de Janeiro. Tudo depende da «atitude» da equipa da ministra Maria de Lurdes Rodrigues durante esse processo.«Vai depender da forma como as coisas evoluírem durante a revisão do ECD. Os objectivos dos professores são claros, mas se não forem alcançados vamos continuar a lutar, nas mesmas dimensões», promete o dirigente sindical.
Lusa / SOL

Professores falam em adesão à greve superior a 90%


O porta-voz da plataforma sindical dos professores, Mário Nogueira, afirmou que os primeiros dados sobre a adesão à greve de hoje apontam para "adesões superiores a 90 por cento" em todo o País.
Em declarações aos jornalistas esta manhã, na secundária Jaime Cortesão, em Coimbra, Mário Nogueira considerou que a paralisação de hoje "representa uma grande derrota das políticas educativas do Governo".
Os professores realizam hoje mais uma greve, em protesto contra o modelo de avaliação de desempenho e o Estatuto da Carreira Docente, estimando os sindicatos uma adesão superior a 90 por cento, à semelhança da registada a 3 de Dezembro.
Na última paralisação nacional de docentes, os sindicatos apontaram uma adesão na ordem dos 94 por cento, enquanto segundo os números avançados pelo Ministério da Educação não foi além dos 66,7 por cento, valor que a tutela considerou "significativo".


Lusa
9:37 Segunda-feira, 19 de Jan de 2009

Vale a pena lembrar algumas destas frases do Ministério da Educação!!!!

domingo, janeiro 18, 2009

Coragem!!!!!

A escola pública está de luto.
Greve dia 19

Coragem!!!!!


Documento aprovado em Santarém por 139 presidentes de Conselhos Executivos
Exma. Sra. Ministra da Educação,
As Presidentes e os Presidentes dos Conselhos Executivos das Escolas em relação infra, reunidos em 10/01/2009, cientes e convictos das suas obrigações perante Vª. Exa. e perante a Escola, cientes e convictos da importância e necessidade de implementação de um processo de avaliação que promova, eficiente e eficazmente, a qualidade do ensino público e da condição docente, cientes e convictos, ainda, da importância do seu contributo em tudo o que à Escola Pública respeita, unanimemente entenderam dever manifestar a Va. Exa.:
1) que a regulamentação agora publicada, apesar de retirar do processo avaliativo alguns parâmetros anteriormente previstos, não se torna, ainda assim, mais exequível, nomeadamente por força da concentração de competências no Presidente do Conselho Executivo;
2) que a mesma regulamentação, ao consignar a não obrigatoriedade de os Professores serem avaliados na componente científico-pedagógica, não só não promove, como compromete, a qualidade do ensino;
3) que este processo de avaliação, a realizar-se nos termos agora regulamentados, promoverá a injustiça entre pares, constituindo-se, assim, como instrumento promotor de desmotivação e consequente mau instrumento de gestão, pois não assegura, de forma distinta, a avaliação do mérito científico-pedagógico;
4) que a insistência, assim, no actual modelo de avaliação, compromete a construção, desde já e a longo prazo, de um modelo de avaliação justo, sério e credível, bem como desvia significativamente a Escola da sua principal razão: a educação dos alunos;
5) ser da maior importância, para a realização de uma justa e credível avaliação do desempenho dos Professores em sede da respectiva escola, a rectificação da injustiça instalada nas escolas com o processo de concurso para Professores titulares, no qual não foi dado o primado ao mérito profissional;
6) haver, pelo exposto e a fortiori, fundamento suficiente para reiterar a posição maioritária do Conselho de Escolas, favorável à suspensão deste processo de avaliação de desempenho.
Mais unanimemente entenderam, considerando que a sua responsabilidade e missão não se esgotam num papel puramente funcional, ser a respectiva avaliação em quadro de SIADAP desadequada, pelo que solicitam consequente revisão de tal.
Reiterando a disponibilidade neste acto expressa, são:
Presidentes dos Conselhos Executivos das(os) seguintes Escolas/Agrupamentos:
Agrupamento Afonso Betote – Vila do Conde
Agrupamento Cidade Castelo Branco
Agrupamento de Escolas a Sudoeste de Olivelas
Agrupamento de Escolas Anselmo de Andrade – Almada
Agrupamento de Escolas António José de Almeida – Penacova
Agrupamento de Escolas D. Afonso Henriques – Guimarães
Agrupamento de Escolas D. Nuno Álvares Pereira – Tomar
Agrupamento de Escolas D. Sancho I –Cartaxo
Agrupamento de Escolas da Cordinha – Oliveira do Hospital
Agrupamento de Escolas da Guia – Pombal
Agrupamento de Escolas da Lousã
Agrupamento de Escolas da Pedrulha – Coimbra
Agrupamento de Escolas da Pontinha – Odivelas
Agrupamento de escolas de Aguada de Cima – Águeda
Agrupamento de Escolas de Aguiar da Beira
Agrupamento de Escolas de Almeida
Agrupamento de Escolas de Anadia
Agrupamento de Escolas de Cabanas do Viriato – Carregal do Sal
Agrupamento de Escolas de Campo de Besteiros - Tondela
Agrupamento de Escolas de Canas de Senhorim
Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal
Agrupamento de Escolas de Ceira - Coimbra
Agrupamento de Escolas de Entre Ribeiras – Paul- Covilhã
Agrupamento de Escolas de Figueira de Castelo Rodrigo
Agrupamento de Escolas de Góis
Agrupamento de Escolas de José Relvas – Alpiarça
Agrupamento de Escolas de Midões
Agrupamento de Escolas de Miranda do Corvo
Agrupamento de Escolas de Mortágua
Agrupamento de Escolas de Nelas
Agrupamento de Escolas de Oliveira de Frades
Agrupamento de escolas de Ourém
Agrupamento de Escolas de Pinhel
Agrupamento de Escolas de S. Pedro do Sul
Agrupamento de Escolas de S. Silvestre – Coimbra
Agrupamento de escolas de Santo Onofre – Caldas da Rainha
Agrupamento de Escolas de Soure
Agrupamento de Escolas de Vizela
Agrupamento de Escolas de Vouzela
Agrupamento de Escolas do Caramulo – Tondela
Agrupamento de Escolas do Concelho de Vila do Bispo
Agrupamento de Escolas do Sátão
Agrupamento de Escolas do Tortosendo
Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Fernandes – Abrantes
Agrupamento de Escolas Febo Moniz – Almeirim
Agrupamento de Escolas Finisterra – Febres – Cantanhede
Agrupamento de Escolas Gil Vicente – Lisboa
Agrupamento de Escolas Inês de Castro – Coimbra
Agrupamento de Escolas Maria Pais Ribeiro "A Ribeirinha" – Vila do Conde
Agrupamento de Escolas Marinhas do Sal – Rio Maior
Agrupamento de Escolas Martim de Freitas - Coimbra
Agrupamento de Escolas Padre António Andrade – Oleiros
Agrupamento de Escolas S. Martinho do Porto – Alcobaça
Agrupamento de Escolas Santa Cruz da Trapa – S. Pedro do Sul
Agrupamento de Escolas Silva Gaio – Coimbra
Agrupamento de Escolas Soares dos Reis – Vila Nova de Gaia
Agrupamento de Escolas Virgínia Moura - Guimarães
Agrupamento de Samora Correia – Benavente
Agrupamento de Vila Nova de Poiares
Agrupamento do Avelar
Agrupamento Fazendas de Almeirim – Almeirim
Agrupamento Idães – Felgueiras
Agrupamento Marcelino Mesquita – Cartaxo
Agrupamento Maria Alice Gouveia – Coimbra
Agrupamento Marquês de Pombal – Pombal
Agrupamento Paço de Sousa – Penafiel
Agrupamento Pêro da Covilhã
Agrupamento Vale Aveiras – Azambuja
Agrupamento Vertical de Escolas – Alcochete
Agrupamento Vertical de Escolas de Ponte da Barca
Conservatório de Música de Coimbra
EB23 Alexandre Herculano – Santarém
EB23 António Correia de Oliveira - Esposende
Eb23 Ciclos Santa Iria – Tomar
EB23/S de Oliveira de Frades
Escola Sec. Com 3º Ciclo Fernando Namora de Condeixa-a-Nova
Escola Sec/3 de Pinhel
Escola Sec/3 de Raul Proença – Caldas da Rainha
Escola Secundária /3 de Alcanena
Escola Secundária Alberto Sampaio – Braga
Escola Secundária Avelar Brotero – Coimbra
Escola Secundária Cacilhas – Tejo – Almada
Escola Secundária D. Duarte – Coimbra
Escola Secundária da Lousã
Escola Secundária da Lousada
Escola Secundária da Mealhada
Escola Secundária da Quinta das Flores – Coimbra
Escola Secundária Daniel Faria – Baltar
Escola Secundária de Arganil
Escola Secundária de Barcelinhos – Barcelos
Escola Secundária de Barcelos
Escola Secundária de Barcelos
Escola Secundária de Felgueiras
Escola Secundária de Figueira de Castelo Rodrigo
Escola Secundária de Oliveira do Hospital
Escola Secundária de Porto de Mós
Escola Secundária de S. Pedro – Vila Real
Escola Secundária de Vilela - Paredes
Escola Secundária de Vouzela
Escola Secundária do Fundão
Escola Secundária Dr João Lopes Morais - Mortágua
Escola Secundária Dr. Ginestal Machado – Santarém
Escola Secundária Dr. J.C.C. Gomes – Ílhavo
Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima de Aveiro
Escola Secundária Dr. Mário Sacramento – Aveiro
Escola Secundária Eça de Queirós – Póvoa de Varzim
Escola Secundária Emídio Navarro – Viseu
Escola Secundária Fernão Mendes Pinto – Almada
Escola Secundária Gama Barros – Lisboa – Cacém
Escola Secundária Homem Cristo de Aveiro
Escola Secundária Infanta D. Maria – Coimbra
Escola Secundária Jácome Ratton – Tomar
Escola Secundária Jaime Cortesão – Coimbra
Escola Secundária José Falcão – Coimbra
Escola Secundária José Régio – Vila do Conde
Escola Secundária Luis Sttau Monteiro – Loures
Escola Secundária Manuel da Fonseca – Santiago do Cacém
Escola Secundária Marquesa de Alorna – Almeirim
Escola Secundária Pe. Benjamim Salgado – Vila Nova de Famalicão
Escola Secundária Rainha D. Amália – Lisboa
Escola Secundária Rocha Peixoto – Póvoa de Varzim
Escola Secundária Rodrigues Lobo de Leiria
Escola Secundária Sá da Bandeira – Santarém
Escola Secundária Santa Maria do Olival- Tomar
Escola Secundária Sebastião da Gama - Setúbal
Escola Secundária/3 Amato Lusitano – Castelo Branco
Escola Secundária/3 de Carregal do Sal
Escola Secundária/3 de Santa Comba Dão

EDUCAÇÃO: OS CRITÉRIOS DA EXCELÊNCIA

Lídia Jorge
Público, Sexta-feira, 9 de Janeiro 2009


1 - Ficarão por muito tempo célebres os braços-de-ferro que Margaret Thatcher manteve com os sindicatos do Reino Unido, como conseguiu vencê-los, e como à medida que os humilhava, mais ia ganhando o eleitorado do seu país. Na altura a primeira-ministra britânica era a voz da modernidade liberal, criou discípulos por toda parte, e ainda hoje, apesar do negrume da sua era, há quem se refira à sua coragem como protótipo da determinação governativa. Mas neste diferendo que opõe professores e Governo, está enganado quem associa o seu perfil ao de Maria de Lurdes Rodrigues. Se alguma associação deve ser feita e só no plano da determinação, é bom que o faça directamente com a pessoa do primeiro-ministro.
De facto, a equipa deste Ministério da Educação tem-se mantido coesa, iniciou reformas aguardadas há décadas, soube transferir para o plano da realidade as mudanças que em António Guterres foram enunciadas como paixão, conseguiu que o país discutisse a instrução como assunto de primeira grandeza, fez habitar as escolas a tempo inteiro, fez ver aos professores que o magistério não era mais uma profissão de part-time, arrancou crianças de espaços pedagógicos inóspitos, e muitos de nós pensámos que a escola portuguesa ia partir na direcção certa. Quando José Sócrates saía com todos os ministros para a rua, nos inícios dos anos lectivos, via-se nesse gesto uma determinação reformista que augurava um caminho de rigor. Não admira que o primeiro-ministro várias vezes tenha falado do óbvio que era necessário determinar quem eram, na escola portuguesa, os professores de excelência. Era preciso identificá-los, promovê-los, responsabilizá-los, outorgar-lhes credenciais de liderança. Era fundamental que se procedesse à sua escolha. Mas a sua equipa legislou sobre o assunto e infelizmente errou.

2 - Errou ao criar, de um momento para o outro; duas categorias distintas, quando a escola portuguesa não se encontrava preparada para uma diferenciação dual. A escola portuguesa tinha o defeito de não diferenciar, mas tinha a virtude de cooperar. O prestígio do professor junto dos alunos e dos colegas não era contabilizado, mas era a medida da sua avaliação. Pode dizer-se que era uma escola artesanal que necessitava de uma outra sofisticação. Mas, para se proceder a essa modificação com êxito, era preciso compreender os mecanismos que a sustentavam há décadas, e tomar cuidado em não humilhar uma classe deprimida, a sofrer dia a dia o efeito de uma erosão educacional que se faz sentir à escala global. Só que em vez da aplicação cuidadosa e gradual de um processo de mudança, a equipa do Ministério da Educação resolveu criar um quadro de professores titulares, a esmo, à força e à pressa. No afã de encontrar a excelência, em vez de se aplicar critérios de escolha pedagógica e científica, aplicaram-se critérios administrativos, de tal modo aleatórios que deixaram de fora grande percentagem de professores excelentes, muitas vezes os responsáveis directos pelo êxito pedagógico das escolas.
O alvoroço que essa busca de um quadro de excelência criou está longe de ser descrito devidamente. Basta visitar algumas escolas para se perceber como a titularidade está distribuída a professores bons, excelentes, mas também a maus e muito maus, e foi negada a professores competentes. Isto é, criou-se um esquema que não premiou nada, porque baralhou tudo. Os erros foram detectados por muita gente de boa fé, em devido tempo, mas o processo avançou, a justiça não foi reposta, nem sequer a nível da retórica política. Pelo contrário, aquilo que a razão mostrava à evidência foi sendo desmentido, adiado, ridicularizado, ou desviado para o campo da luta sindical dita de inspiração comunista.

3 - O segundo instrumento ao serviço da excelência não teve melhor sorte. Era preciso inaugurar nas escolas uma cultura de responsabilidade que até agora fora relegada para determinismos de vária ordem, menos os estritamente pedagógicos, o que era um vício da escola portuguesa, pelo menos até à publicação dos rankings. Mas aí, de novo, a equipa do Ministério da Educação funcionou mal. Se os campos de avaliação do desempenho dos professores estão mais ou menos fixados, e começam a ser universais, os parâmetros em questão foram pensados por mentes burocráticas sem sentido da realidade, na pior deturpação que se pode imaginar em discípulos de Benjamin Bloom, porque um sistema que transforma cada profissional num polícia de todos os seus gestos, e dos gestos de todos os outros, instaura dentro de cada pessoa um huis clos infernal de olhares paralisantes. Ninguém melhor do que os professores sabe como a avaliação é um logro sempre que a subjectividade se transforma em numerologia.
Claro que não está em causa a tentativa de quantificação, está em causa um método totalitário que se transforma num processo autofágico da actividade escolar. Aliás, só a partir da divulgação das célebres grelhas é que toda a gente passou a entender a razão da pressa na criação dos professores titulares – eles estavam destinados a ser os pilares dessa estrutura burocrática de que seriam os pivots. Isto é, quando menos se esperava, e menos falta fazia, estavam lançadas as bases para uma nova desordem na escola portuguesa. Como ultrapassá-la?

4 - Não restam muitos caminhos. Ultimamente, almas de boa fé falam de cedência de parte a parte. Negociação, bondade, comissões de sábios. A questão é que não há, neste campo, nenhuma justiça salomónica a aplicar. O objecto em causa não é negociável. Tendo em conta uma erosão à vista, só a Maria de Lurdes Rodrigues, que sabe que foi longe de mais, competiria dizer "Não matem a criança, prefiro que a dêem inteira à outra", mas já se percebeu que não o vai fazer.
Obcecada pela sua missão, que começou tão bem e está terminando mal, quererá ir até ao fim, mesmo que do papel dos mil quesitos que alguém engendrou para si só reste um farrapo. É pena. Depois de ter tido a capacidade de pôr em marcha uma mudança estrutural indispensável para a modernização do ensino, acabou por não ser capaz de ultrapassar o desprezo que desde o início mostrava ter em relação aos professores.
E, no entanto, numa política de rosto humano, seria justo voltar atrás, reparar os estragos, admitir o erro sem perder a face. Ou simplesmente passar o mandato a outros que possam reiniciar um novo processo.
De facto, em Portugal existem vários vícios na ascensão ao poder. Um deles consiste em não se saber entrar no poder. Pessoas sem perfil técnico, ou humano, aceitam desempenhar cargos para os quais não foram talhados. Parece que toda a gente gosta de um dia dizer ao telefone, no telejornal, "Papá, sou ministro!", com o resultado que se conhece. Outro é não se saber sair do poder. Houve um tempo em que Mário Soares ensinou ao país como os políticos saem no tempo certo, para retomarem, quando voltam a ser úteis. Os grandes políticos conhecem a lei do pousio. E o objecto da disputa deve ser sempre mais alto do que a própria disputa. É por isso estranho e desmedido o que está a acontecer.

5 - José Sócrates deverá estar a pensar que pode ter pela frente um golpe de sorte - Margaret Thatcher teve a guerra das Falklands - e até pode vir a ter uma maioria absoluta outra vez . Aliás, pelo que se ouve e vê, a frase da ministra da Educação "Perco os professores mas ganho o país", cria efeitos de grande admiração junto duma população ansiosa por ver braços-de-ferro no ar, sobretudo se eles vierem do corpo de uma mulher. Não falta quem faça declarações de admiração à sua coragem, como se a coragem prescindisse da razoabilidade. E até é bem possível que a Plataforma Sindical um dia destes saia sorridente da 5 de Outubro com um acordo qualquer debaixo do braço, como já aconteceu.
Mas a verdade é que, a insistir-se neste plano, despropositado, está-se a fomentar uma cadeia de injustiças e inoperâncias que só a alternância democrática poderá apagar. Se José Sócrates pediu boas soluções e lhe ofereceram estas, foi enganado, e deveria repensar nos seus contratos. Mas se ele mesmo acredita neste processo kafkiano, é uma desilusão, sobretudo para os que confiaram na sua capacidade de ajudar o país a mudar. Neste momento, entre nós, a educação tornou-se uma fábula.

Escritora

"Dezenas de milhares" vão manter recusa da avaliação

PEDRO SOUSA TAVARES
Escolas. Apesar do Simplex, professores de cerca de 50 estabelecimentos já terão reafirmado a recusa de apresentarem os objectivos individuais de avaliação e os sindicatos acreditam que os números vão disparar para a semana. O Ministério da Educação recusa fazer previsões até terminar o prazo
"Dezenas de milhares" de professores vão recusar a entrega dos objectivos individuais de avaliação, cujo prazo termina no final do mês, defendeu ao DN o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira. O Ministério da Educação, pelo menos para já, não quis fazer projecções sobre o desenrolar do processo.Em antecipação da greve geral de amanhã, a segunda num mês e meio, a Plataforma tem medido o pulso à "luta" dos professores. E os indicadores estão a animar os sindicatos: "O que nos está a chegar - e até poderia ser surpreendente atendendo ao 'Simplex' da avaliação e às ameaças que têm sido feitas - são as escolas, uma a uma, a retomarem as suspensões." A Fenprof divulgou já uma lista, que garante não ser exaustiva, com cerca de 50 agrupamentos e secundárias de todo País em que os professores "reafirmaram" a suspensão do processo já depois da entrada em vigor das últimas alterações. E "para a próxima semana, sobretudo na quarta e quinta-feira, estão marcadas muitas reuniões" com esse fim."Mesmo que estivéssemos a falar de 100 escolas, seriam logo 10 mil professores", explicou. "Depois, sabemos que há muitas escolas onde, mesmo não tendo sido votada a suspensão, perto de metade dos professores não vão entregar os objectivos individuais. No final, poderão ser 30, 40, 50 mil. Logo se verá."Processo avança mesmo sem acordoÀ luz das últimas regras, a recusa da entrega dos objectivos pelos professores já não pára a avaliação. Além de passarem a receber directamente este documento (sem passar pelo avaliador), os presidentes dos conselhos executivos terão o poder de o definir sozinhos se não houver acordo com o avaliado ao fim de 15 dias. Em teoria, a recusa dos professores até seria mais prática para as chefias, que poderiam definir objectivos-padrão (inspirando-se no projecto educativo da escola) em vez de analisarem dezenas de processos diferentes. Mas, além de colocar os dirigentes numa posição difícil perante os subordinados, esse cenário manteria a incerteza sobre o sucesso da avaliação na sua fase decisiva no final do ano lectivo, onde a cooperação do professor é indispensável.Para já, terminam amanhã os prazos para as escolas definirem os novos calendários da avaliação, que à partida terão sido cumpridos sem problemas. Mesmo os 139 presidentes de conselhos executivos que recentemente voltaram a pedir ao ministério para travar o processo, já assumiram que não podem inviabilizar a avaliação aos professores que a desejem.

Portas desafia Sócrates a dar liberdade de voto a deputados na avaliação de professores

Hoje às 18:31

O presidente do CDS-PP desafiou José Sócrates a dar liberdade de voto na votação da proposta dos democratas-cristãos sobre a avaliação de professores. No encerramento do congresso do partido, Paulo Portas pediu aos seus apoiantes para que não votem no PS nem no PSD.
O presidente do CDS-PP desafiou o primeiro-ministro a dar liberdade de voto aos deputados do PS na votação da proposta dos democratas-cristãos sobre a avaliação de professores na sexta-feira no Parlamento.
No encerramento do XXIII Congresso do CDS-PP, Paulo Portas recordou que «não faz pressão sobre a consciência de qualquer deputado» e pediu a José Sócrates para ser «realmente democrata».
«Deixe a liberdade de consciência dos seus deputados funcionar. É urgente voltar à paz nas escolas, dar ensino aos alunos, dignidade aos professores e ultrapassar este momento muito mau na educação em Portugal», explicou.
No seu discurso, Portas anunciou ainda a entrega de um pacote legislativo sobre segurança que inclui entre as suas sete medidas a obrigatoriedade dos tribunais julgarem em 48 horas os detidos em flagrante delito.
Paulo Portas pediu ainda aos portugueses para «castigarem com o seu voto o PS» quer nas eleições legislativas quer nas eleições europeias, que considerou ser a «primeira volta das legislativas».
«Os socialistas não merecem nenhum prémio tal o estado em que o país está e o país está a ficar cansado de tanta arrogância do primeiro-ministro e de tanta mediocridade de alguns dos seus ministros», acrescentou.
O líder dos democratas-cristãos apelou ainda aos seus apoiantes para que não votem no PSD, considerado por Paulo Portas, como fazendo, a par do PS, parte dos «partidos tradicionais», partidos que os portugueses vêem como parte do problema e não da solução».
No final deste congresso, que decorreu nas Caldas da Rainha, Portas considerou que o seu partido sai reforçado e que constitui agora uma «alternativa real» ao PS «em tempos de grande instabilidade partidária e até em tempos de ameaça de decisão no partido do Governo».
Para Portas, o CDS-PP oferece agora «certeza, segurança e estabilidade», tendo colocado-se «no campo de quem não é socialista» e «de quem quer acolher os que estão desiludidos com os socialistas».
«O CDS afirma-se por si próprio, tem autonomia e reivindica a sua independência. Não é confuso, nem se confunde, não é acessório nem será nunca subalterno. Temos uma ambição: sermos maiores. Alguém nos pode criticar por termos tanta ambição?», perguntou.

Reunião de Professores do Barreiro e Moita


Constituída Comissão Inter-Escolas do Barreiro / Moita . Apoiam activamente a greve de 19 de Janeiro "
Apoiam a realização de uma Marcha Nacional da Educação convocada pela Plataforma Sindical. Apoiam a manifestação de dia 24 de Janeiro frente à Presidência da RepúblicaNuma reunião que decorreu ontem, no Barreiro, com a presença de cerca de 80 professores e educadores, dos concelhos do Barreiro e Moita, foi aprovada uma Resolução, por unanimidade, na qual é exigida a “ revogação do actual modelo de ADD”, assim como a “reposição da carreira única para os professores”.Sublinham os professores e educadores que - “as leis só são legítimas quando reconhecidas por aqueles a quem se aplicam, e a esmagadora maioria dos professores já demonstrou, em manifestações e greves massivas, que rejeita as medidas deste Ministério da Educação”.
Divulgamos o teor integral da Resolução aprovada por cerca de 80 professores dos concelhos do Barreiro e Moita:Considerando que, em democracia, as leis só são legítimas quando reconhecidas por aqueles a quem se aplicam, e a esmagadora maioria dos professores já demonstrou, em manifestações e greves massivas, que rejeita as medidas deste Ministério da Educação (ME), em particular o modelo de Avaliação de Desempenho Docente (ADD) e o ECD que nos foi imposto a partir de 19 de Janeiro de 2007; Os professores e educadores, reunidos no Barreiro no dia 17 /Janeiro/ 2009 para analisar a situação da luta dos docentes contra o actual modelo de avaliação de desempenho e o ECD impostos pelo Ministério da Educação, decidem:
1. Afirmar a exigência de revogação do actual modelo de ADD, consubstanciado no dec. 2/ 2008 e subsequentes decretos regulamentares, inclusive o dec. 1-A/2009 (“Simplex 2”);
2. Reafirmar as exigências de reposição da carreira única para os professores, do fim da prova de ingresso, de reposição de horários compatíveis com a especificidade da nossa profissão, de reposição das condições de aposentação do antigo ECD e de regulamentação de mecanismos para a vinculação dos professores contratados – o que implica a construção negociada de um verdadeiro ECD, incompatível com o actual “ECD da Ministra”;
3. Afirmar a exigência de revogação do decreto que regulamenta o novo regime de gestão, o qual irá acabar com o que resta da gestão democrática nas escolas, transformando os directores em meras correias de transmissão das directivas dos governos;
4. Apoiar a luta dos outros trabalhadores da Função Pública contra o novo sistema de vínculos e carreiras aprovado na Assembleia da República, que irá ter inevitáveis repercussões também na nossa carreira, no sentido da sua acentuada precarização;
5. Apoiar as tomadas de posição dos professores das escolas do concelho e do país que reafirmaram, neste 2º Período, a decisão de não entregarem os objectivos individuais no quadro da ADD do ME;
6. Apoiar a posição dos Conselhos Executivos reunidos em Santarém no dia 10 de Janeiro, de rejeição do actual modelo de ADD, incluindo o “Simplex 2”;
7. Apoiar todos os professores que, em condições extremamente difíceis, nomeadamente de oposição dos órgãos de gestão das suas escolas, afirmam ou mantêm a decisão de não entregarem os seus objectivos individuais;
8. Apoiar activamente e mobilizar-se para a greve de 19 de Janeiro, convocada pela Plataforma Sindical;
9. Apoiar activamente e mobilizar-se para a manifestação de dia 24 de Janeiro frente à Presidência da República, convocada pelos Movimentos de Professores;
10. Apoiar a decisão dos professores de Beja, de realização de uma Marcha Nacional da Educação convocada pela Plataforma Sindical, Associações de Pais e as centrais sindicais, CGTP e a UGT. Decidem ainda:
11. Apelar a que as direcções da CGTP e da UGT declarem publicamente o seu apoio à luta dos professores e discutam com a Plataforma Sindical a iniciativa da Marcha Nacional pela Educação proposta pelos colegas de Beja;
12. Apelar a que os Conselhos Executivos dos concelhos do Barreiro e Moita se reunam, para analisarem as condições em que o ME pretende fazer deles os aplicadores do seu modelo de ADD, nomeadamente por via do dec.1-A, sobrecarregando-os com tarefas burocráticas incompatíveis com uma gestão minimamente pedagógica;
13. Apelar a que as direcções sindicais da Plataforma apoiem activamente, inclusive a nível jurídico, os professores que, nas suas escolas, se vêem impossibilitados de reunirem e discutirem a ADD devido à oposição dos respectivos CEs; sugerimos que os responsáveis sindicais promovam reuniões com esses colegas, se necessário fora das suas escolas;
14. Saudar as posições de várias Assembleias Municipais e Sindicatos de apoio à luta dos professores; apelar a que as Assembleias Municipais do Barreiro e da Moita, assim como as organizações sindicais representadas no nosso concelho, tomem a mesma posição;
15. Constituir-se em Comissão Inter-escolas do Barreiro/ Moita. Aprovada por unanimidade

PCP: Jerónimo de Sousa acusa primeiro-ministro de ter mentido aos portugueses

Alpiarça, Santarém, 17 Jan (Lusa) - O secretário-geral do PCP acusou hoje o primeiro-ministro de ter "mentido" ao povo português, servindo não a maioria que o elegeu mas os interesses dos que hoje "dramatizam uma situação de caos para o país sem Sócrates".
Jerónimo de Sousa, que encerrou um encontro de quadros deste partido do distrito de Santarém, afirmou que o Governo socialista "anda há quatro anos a apregoar o sucesso económico e a modernidade da sociedade, mas termina a legislatura sem cumprir nenhum dos grandes objectivos económicos e sociais que anunciou ao país".
Afirmando que o PS conseguiu a maioria absoluta porque prometeu desenvolvimento económico, baixa de impostos, criação de 150.000 novos postos de trabalho, reformas superiores a 300 euros, o líder comunista disse que essas foram "bandeiras" que "enganaram tanta gente".
"Aqui chegados, há razão para dizer que José Sócrates mentiu ao povo português. Não cumpriu porque se pôs do lado não da maioria que lhe deu os votos, mas do grande capital. A esses sim, serviu os interesses", afirmou.
São estes interesses que, segundo Jerónimo de Sousa, hoje "estão preocupados com o destino do Governo do PS e de José Sócrates" e "dramatizam uma situação de caos para o país sem Sócrates", desenvolvendo uma "campanha que anuncia um país ingovernável sem Sócrates".
"O apocalipse do cenário está montado: ou José Sócrates ou o dilúvio", afirmou, acusando esses interesses de, ao apelarem à unidade das forças partidárias como um "imperativo para conter a crise", quererem que os portugueses "se resignem".
Acusando o PS de protagonizar "a mais cínica forma de acção política" ao "dar-se ares de esquerda", Jerónimo de Sousa considerou "hipocrisia" vir garantir-se aos portugueses que "vão passar a viver melhor, com mais rendimentos em 2009, apesar da crise e da recessão económica".
"É espantoso. É, no mínimo, preciso ter lata, que, num quadro de crise, venha um ministro dizer que o ano até nem vai ser mau para os rendimentos das famílias. É quase como dizer então viva a crise", afirmou.
No final de um encontro que se destinou a aprovar um "plano de trabalho para 2009", com o objectivo de "intensificar a luta" e preparar os três actos eleitorais - europeias, legislativas e autárquicas -, Jerónimo de Sousa apelou à mobilização para "a grande jornada nacional de luta" agendada para 13 de Março, em Lisboa, e à adesão maciça à greve de professores de segunda-feira.
Para o líder do PCP, o Governo deve suspender "de imediato" o modelo de avaliação dos professores e "entrar de forma séria num processo negocial com as organizações sindicais, que permita encontrar um modelo alternativo que valorize a profissão".
O secretário-geral do PCP acusou o Governo de ter passado "da ofensa e da calúnia à chantagem e à ameaça" e de estar a procurar dividir os professores para diminuir a sua capacidade de luta.
"Ainda não perceberam que cada vez que falam sobre o conflito que abriram com os professores, isso tem como efeito imediato criar mais revolta e uni-los ainda mais", disse, considerando que o Governo tem sido "mais parte do problema do que da solução".
Jerónimo de Sousa afirmou ainda que o PS apenas espera que passe o período eleitoral para "retomar o mesmo caminho de destruição" do Serviço Nacional de Saúde, só travado graças à "luta ampla e vigorosa das populações".
MLL.
Lusa/fim

Ministra fala sobre desafios da Educação, mas não sobre greve de professores

A ministra da Educação falou sobre os desafios da Educação em Portugal, tendo lembrado que nunca se fizeram tantos exames como agora. Contudo, perante 30 jovens socialistas, Maria de Lurdes Rodrigues não se referiu à greve dos professores de segunda-feira.

A ministra da Educação falou, este sábado, sobre os novos paradigmas da Educação em Portugal, não tendo, no entanto, se pronunciado sobre a greve de professores, marcada para segunda-feira.
Durante cerca de meia hora, num encontro com 30 jovens socialistas, no Porto, Maria de Lurdes Rodrigues preferiu falar sobre os desafios da Educação, destacando a mudança de paradigma de uma educação selectiva, só para alguns, para uma aberta e obrigatória para todos.
«Nunca na história do sistema educativo se fizeram tantos exames como actualmente se fazem. Ao contrário do que possam ter ouvido, há sempre uns nostálgicos da história do passado que falam do antigo exame da quarta classe e dos outros exames, mas o que vos posso garantir é que nunca se realizaram tantas provas de exame e provas externas», explicou.
Para a ministra da Educação, estas provas «permitem aferir não apenas a qualidade do ensino, mas a qualidade das aprendizagens» num sistema de ensino «com referenciais de qualidade que nunca antes tinham sido definidos».
Maria de Lurdes Rodrigues falou ainda sobre as «exigências de avaliação de escolas, ensino, políticas e desempenhos profissionais», «exigências novas e que terão forçosamente como contrapartida uma mudança no que é o contrato social seja com a escola, professores ou outros profissionais».
«Tenho dúvidas que seja possível continuar a fazer o caminho, enfrentar as novas exigências sem rupturas», acrescentou Maria de Lurdes Rodrigues ao cabo de um encontro sem direito a perguntas para os jornalistas presentes que tiveram mesmo de sair da sala.
Antes da saída dos jornalistas deste encontro promovido pelo PS/Porto, Maria de Lurdes Rodrigues anunciou que iria responder às perguntas dos jovens socialistas presentes na sala.

Dois terços dos professores fizeram greve

Os professores fazem greve amanhã em todo o País, numa paralisação em protesto contra o modelo de avaliação de desempenho e o estatuto da carreira docente (ECD).
Na última greve, a 3 de Dezembro, a adesão foi de 66,7 por cento, segundo os dados definitivos do Ministério da Educação, quase mais seis por cento do que o inicialmente divulgado pela tutela. Para amanhã, os sindicatos esperam uma forte adesão dos professores. "Será um dia de luto, já que se assinalam dois anos sobre a publicação em Diário da República do ECD", considerou Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof e porta-voz da Plataforma Sindical de Professores.
Uma greve nas escolas pode ser sinónimo de dor de cabeça para os pais com filhos em idade escolar. Ana Cristina Nunes, administrativa, vai ter de colocar um dia de férias para poder ficar com o filho, de seis anos. "É o segundo em menos de dois meses", afirmou, indignada.

Sistema de ensino na Finlândia

Recebi por e-mail esta mensagem que aqui deixo. Não conhecia estes pormenores da educação na Finlândia mas eles respondem ao que eu tenho sugerido.
São medidas como estas, de acompanhamento dos alunos e dos professores, que evitam a indisciplina, as retenções e os abandonos e tornam os alunos responsáveis pelo trabalho que têm de desenvolver juntamente com os professores e não contra eles.
Este ambiente também é propício a um melhor conhecimento das capacidades de cada aluno e por isso cada um pode ser colocado no lugar mais certo.
Este modelo fará dos alunos e dos professores criaturas mais felizes no seu dia-a-dia o que contribuirá para uma maior produtividade.
msg p/ Sr.ª Ministra
Como a Sr.ª gosta muito do sistema de Ensino da Finlândia, aqui fica um pequeno contributo elucidativo do que por lá se faz:
1. Na Finlândia as turmas têm 12 alunos;
2. Na Finlândia há auxiliares de acção educativa acompanhando constantemente os professores e os educandos;
3. Na Finlândia, os pais são estimulados a educar as crianças no intuito de respeitarem a Escola e os Professores;
4. Na Finlândia os professores têm tempo para preparar aulas e são profissionais altamente respeitados.
5. Na Finlândia as aulas terminam às 3 da tarde e os miúdos vão para casa brincar, estudar, usufruir do seu tempo livre;
6. Na Finlândia o ensino é totalmente gratuito, inclusivamente os LIVROS, CADERNOS E OUTRO MATERIAL ESCOLAR;
7. Na Finlândia todas as turmas QUE TÊM ALUNOS com necessidades educativas especiais, têm na sala de aula um professor especializado a acompanhar o aluno que necessita de apoio;
8 . Na Finlândia não há professores avaliadores, professores avaliados nem Inspectores.!!!!!
9. Na Finlândia não há professores de primeira e de segunda.
Nota alguma diferença???
Eu não notei nada... Atentamente, Pedro G. R. A.
Mandem para o máximo de pessoas que conhecerem para ver se esta mensagem chega aos ouvidos daquela tão adorada, Sra. Maria Ministra da Educação.
*************************************************************
Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora

Lurdes Rodrigues: Futuro da educação exige rupturas

FERNANDO BASTO
A diversidade dos instrumentos de intervenção é a palavra-chave para novas mudanças no sistema educativo, orientado para a qualidade. Para tanto, a ministra da Educação defende rupturas com o passado, sem nostalgias.
Maria de Lurdes Rodrigues veio, ontem, ao Porto, reflectir sobre os novos desafios da educação. O convite foi feito pela "Geração Desafios", uma plataforma de debate político constituída por jovens socialistas do distrito. O seu objectivo é promover o debate político e gerar ideias sobre os desafios para a região.
Ontem, no primeiro encontro da plataforma, a ministra da Educação falou sobre as mudanças processadas no sistema educativo e os desafios que se colocam no futuro.
"O grande desafio que se coloca ao sistema educativo é o da qualidade e da exigência, pois só assim se pode cumprir o desafio da igualdade de oportunidades", sublinhou a governante.
Maria de Lurdes Rodrigues explicou que, hoje, o sistema educativo está marcado pelas heranças herdadas dos sistemas anteriores. "Houve uma evolução feita em contínuo, em acumulação. E enfrentar o futuro vai exigir maiores rupturas com o passado", defendeu.
A governante realçou que, se antes o sistema tinha como preocupação seleccionar os melhores e formar elites, hoje a escola é para todos. "Antes media-se a eficácia dos sistema educativo pelo número de alunos que ficavam para trás, hoje avalia-se pelo número de alunos que passam", explicou. A ministra fez notar que, nunca no passado, houve tantas provas para aferir a qualidade das aprendizagens. "É uma nova era a de hoje, em que queremos todos na escola, durante mais tempo, mas num sistema com maior qualidade. Isto exige uma ruptura com o passado", sublinhou. Maria de Lurdes Rodrigues defendeu uma nova organização dos recursos, mais diversificados. A este passo, criticou o concurso centralizado de professores, que "trata as escolas como se fossem todas iguais". Por outro lado, as mudanças não se coadunam com "olhares nostálgicos do passado". "Há muitos equívocos nostálgicos em relação ao passado e o futuro será muito diferente", fez notar. A ministra recusou comentar a greve nacional dos professores que se realiza amanhã.

atreve-te

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Ministra fala sobre desafios da Educação, mas não sobre greve de professores


Para ela a greve é como se não existisse!!!!!!!


Ontem às 21:59

A ministra da Educação falou sobre os desafios da Educação em Portugal, tendo lembrado que nunca se fizeram tantos exames como agora. Contudo, perante 30 jovens socialistas, Maria de Lurdes Rodrigues não se referiu à greve dos professores de segunda-feira.
A ministra da Educação falou, este sábado, sobre os novos paradigmas da Educação em Portugal, não tendo, no entanto, se pronunciado sobre a greve de professores, marcada para segunda-feira.
Durante cerca de meia hora, num encontro com 30 jovens socialistas, no Porto, Maria de Lurdes Rodrigues preferiu falar sobre os desafios da Educação, destacando a mudança de paradigma de uma educação selectiva, só para alguns, para uma aberta e obrigatória para todos.
«Nunca na história do sistema educativo se fizeram tantos exames como actualmente se fazem. Ao contrário do que possam ter ouvido, há sempre uns nostálgicos da história do passado que falam do antigo exame da quarta classe e dos outros exames, mas o que vos posso garantir é que nunca se realizaram tantas provas de exame e provas externas», explicou.
Para a ministra da Educação, estas provas «permitem aferir não apenas a qualidade do ensino, mas a qualidade das aprendizagens» num sistema de ensino «com referenciais de qualidade que nunca antes tinham sido definidos».
Maria de Lurdes Rodrigues falou ainda sobre as «exigências de avaliação de escolas, ensino, políticas e desempenhos profissionais», «exigências novas e que terão forçosamente como contrapartida uma mudança no que é o contrato social seja com a escola, professores ou outros profissionais».
«Tenho dúvidas que seja possível continuar a fazer o caminho, enfrentar as novas exigências sem rupturas», acrescentou Maria de Lurdes Rodrigues ao cabo de um encontro sem direito a perguntas para os jornalistas presentes que tiveram mesmo de sair da sala.
Antes da saída dos jornalistas deste encontro promovido pelo PS/Porto, Maria de Lurdes Rodrigues anunciou que iria responder às perguntas dos jovens socialistas presentes na sala.

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sábado, janeiro 17, 2009

Reforma da administração pública
Açores e Madeira beneficiam funcionários públicos
Os funcionários públicos da Madeira e dos Açores vão manter o vínculo ao Estado, ficando com um regime mais favorável do que a generalidade dos funcionários do Continente que, no início de Janeiro, foram obrigados a transitar para o Contrato de Trabalho em Funções Públicas (CTFP). Notícia do Jornal de Negócios deste Sábado não é novidade para mim pois já tinha lido o Decreto Legislativo Regional n.º 26/2008/A que no Art.ºArtigo 7.ºManutenção e conversão da relação jurídica de emprego público1 — Os actuais trabalhadores da administração regionalnomeados definitivamente mantêm a nomeação definitiva,sem prejuízo de, caso assim o entendam, manifestarem porescrito, no prazo de 90 dias, a intenção de transitarem nostermos fixados da Lei n.º 12 -A/2008, de 27 de Fevereiro,para a modalidade de contrato por tempo indeterminadoE temos mais no Art.º 117 — Sem prejuízo do disposto nos artigos 9.º e 10.ºdo Decreto Legislativo Regional n.º 21/2007/A, de 30de Agosto, aos docentes dos estabelecimentos de ensinonão superior que à data da entrada em vigor do presentediploma se encontrem a prestar serviço no Sistema Educativo Regional, o tempo de serviço prestado neste sistemadurante o período de congelamento, ocorrido de 30 deAgosto de 2005 a 31 de Dezembro de 2007, é relevado,na actual carreira, para efeitos de progressão, de acordocom os módulos de tempo naquela previstos, nos seguintestermos:a) 50 % daquele período de congelamento a partir dadata da entrada em vigor do presente diploma;b) 50 % daquele período de congelamento a partir de 1de Setembro de 2009.Se mais razões havia para a greve do dia 19

Ministra fala sobre desafios da Educação, mas não sobre greve de professores

Hoje às 21:59

A ministra da Educação falou sobre os desafios da Educação em Portugal, tendo lembrado que nunca se fizeram tantos exames como agora. Contudo, perante 30 jovens socialistas, Maria de Lurdes Rodrigues não se referiu à greve dos professores de segunda-feira.
A ministra da Educação falou, este sábado, sobre os novos paradigmas da Educação em Portugal, não tendo, no entanto, se pronunciado sobre a greve de professores, marcada para segunda-feira.
Durante cerca de meia hora, num encontro com 30 jovens socialistas, no Porto, Maria de Lurdes Rodrigues preferiu falar sobre os desafios da Educação, destacando a mudança de paradigma de uma educação selectiva, só para alguns, para uma aberta e obrigatória para todos.
«Nunca na história do sistema educativo se fizeram tantos exames como actualmente se fazem. Ao contrário do que possam ter ouvido, há sempre uns nostálgicos da história do passado que falam do antigo exame da quarta classe e dos outros exames, mas o que vos posso garantir é que nunca se realizaram tantas provas de exame e provas externas», explicou.
Para a ministra da Educação, estas provas «permitem aferir não apenas a qualidade do ensino, mas a qualidade das aprendizagens» num sistema de ensino «com referenciais de qualidade que nunca antes tinham sido definidos».
Maria de Lurdes Rodrigues falou ainda sobre as «exigências de avaliação de escolas, ensino, políticas e desempenhos profissionais», «exigências novas e que terão forçosamente como contrapartida uma mudança no que é o contrato social seja com a escola, professores ou outros profissionais».
«Tenho dúvidas que seja possível continuar a fazer o caminho, enfrentar as novas exigências sem rupturas», acrescentou Maria de Lurdes Rodrigues ao cabo de um encontro sem direito a perguntas para os jornalistas presentes que tiveram mesmo de sair da sala.
Antes da saída dos jornalistas deste encontro promovido pelo PS/Porto, Maria de Lurdes Rodrigues anunciou que iria responder às perguntas dos jovens socialistas presentes na sala.

Deputada do BE defende avaliação de políticas educativas, antevendo greve muito significativa

Santarém, 17 Jan (Lusa) -- A deputada do Bloco de Esquerda (BE) Cecília Honório, do Movimento Escola Pública, defendeu hoje durante um debate em Santarém uma avaliação das políticas educativas, antevendo para segunda-feira uma greve "muito significativa".
"Não há, nem nunca houve uma avaliação das políticas educativas, nunca acontece nada aos ministros", afirmou Cecília Honório, durante o encontro promovido pelo MEP e que reuniu duas dezenas de pessoas.
Após o debate, a deputada, que disse não ter reservas à necessidade de "avaliar as escolas e os professores com seriedade", reiterou esta posição.
"Estivemos aqui boa parte da tarde a falar sobre a responsabilidade e esquecemo-nos muitas vezes que a máxima responsabilidade é dos governantes, dos ministros e das ministras, e que o país tem uma larga experiência de políticas educativas, cada ministro que chega vê-se ao espelho e faz a sua reforma e depois sobre isso não há, de facto, avaliação", frisou.
Para a Cecília Honório, "os danos em educação só são avaliados daqui a muito tempo a todos os níveis, os traumas que uma ministra provoca nas escolas e no seu funcionamento demora a verificar".
A deputada disse ainda esperar que segunda-feira ocorra "uma greve muito significativa", porque "está muita coisa em jogo" e considerando a greve como "uma boa altura para avaliar as políticas deste Ministério da Educação nas questões centrais".
"O que é que mudou na qualidade de ensino e de trabalho? Mudaram as condições de trabalho? Mudaram as turmas sobrelotadas? Os alunos aprendem melhor? Houve reforma curricular?", questionou Cecília Honório, enaltecendo a oportunidade de "mostrar, claramente, à senhora ministra da Educação que as suas políticas não têm sido as melhores para a defesa da escola pública".
Além da deputada e representante do MEP, participaram no debate representantes das associações de pais, conselhos executivos e dos professores do distrito de Santarém.
JPS.

Docentes levam protesto à porta de Cavaco

2009-01-14
Seis movimentos de professores convocaram uma manifestação para o próximo dia 24, em frente ao Palácio de Belém, para sensibilizar Cavaco Silva para o "clima de perturbação" que o modelo de avaliação de desempenho "está a provocar nas escolas".
"Estamos convictos de que o presidente da República terá uma palavra a dizer. Temos a expectativa de que possa ajudar a resolver este conflito, já que o Governo tem-se mostrado intransigente nas questões fundamentais", declarou Octávio Gonçalves.
Segundo o coordenador do Movimento Promova, os docentes pretendem alertar ainda o chefe de Estado para os aspectos "mais gravosos" do modelo de avaliação do Ministério da Educação e apresentar a Cavaco Silva as suas "justas" reivindicações, durante uma audiência que irão solicitar para o mesmo dia.
"O simplex da avaliação só é válido para este ano lectivo. Aceitá-lo agora significa estar de acordo com a imposição no próximo ano do modelo completo e integral. Este modelo põe em causa o bom ambiente nas escolas e é um foco de conflitualidade", defende Octávio Gonçalves, considerando que foram introduzidos "aspectos preocupantes", como a avaliação facultativa da componente científico-pedagógica e a valorização dos aspectos burocráticos.
No protesto frente ao Palácio de Belém, participam o Movimento Mobilização e Unidade dos Professores, a Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino, o Movimento Escola Pública, o Movimento dos Professores Desterrados e a Comissão de Defesa da Escola Pública, além da Promova.
JN

Modelo de avaliação dos sindicatos não satisfaz presidente do Conselho das Escolas

16.01.2009 - 20h35 Lusa
O presidente do Conselho das Escolas (CE) concordas que o modelo de avaliação de desempenho dos professores deve ser revisto, mas defende que os sindicatos deveriam apresentar outra proposta que fosse “justa, credível e séria”. Álvaro Almeida dos santos considera que os resultados da aplicação deste modelo poderão “ficar aquém do esforço realizado”."O actual modelo deve ser revisto", afirmou Álvaro Almeida dos Santos, em declarações à agência Lusa, adiantando que, por ser "complexo e difícil", os resultados da sua aplicação "poderão ficar aquém do esforço realizado" pelas escolas. Segundo o presidente deste órgão consultivo do Ministério da Educação (ME), "os sindicatos deveriam apresentar uma proposta alternativa que fosse justa, credível e séria", o que até agora não aconteceu."A proposta que apresentaram no mínimo não é credível, nomeadamente porque se baseia em pressupostos que já estavam ultrapassados", afirmou o responsável. Álvaro Almeida dos Santos afirmou que não fará greve na próxima segunda-feira, alegando que a realização de um protesto deve ser acompanhada da apresentação de propostas alternativas. "Não vislumbro perspectivas de construção de uma solução e é essa a minha objecção", justificou. Menos de dois meses depois da última paralisação nacional, os professores voltam segunda-feira à greve contra o modelo de avaliação de desempenho definido pelo Governo, contestando ainda a divisão da carreira em duas categorias e a existência de quotas para aceder à carreira mais elevada. A 03 de Dezembro, a greve contou com uma adesão de 94 por cento, segundo os sindicatos, e de 61 por cento, de acordo com o Ministério da Educação

Professores de Beja propõem mais greves de dois ou três dias consecutivos


15.01.2009 - 09h37 Lusa
Um plenário do "Movimento Professores de Beja em luta" aprovou ontem à noite uma moção onde apela à Plataforma Sindical para convocar mais greves nacionais de dois ou três dias consecutivos, contra a política educativa do Governo. Além da greve nacional agendada para segunda-feira, os docentes "apelam à Plataforma Sindical para realizar mais greves nacionais de professores que durem pelo menos dois ou três dias consecutivos", disse à agência Lusa Cláudia Páscoa, do Movimento Professores de Beja em Luta, promotor do plenário. Segundo Cláudia Páscoa, que falou no final do plenário, onde se reuniram "cerca de 50 professores" em Beja, os participantes "entendem que uma greve nacional de dois ou três dias consecutivos tem mais força e um impacto mais significativo do que greves alternadas de um só dia cada". Na moção, aprovada "por maioria", os docentes apelam também à Plataforma Sindical, à CGTP e à UGT para organizarem, ainda durante o actual período lectivo, "uma grande marcha nacional pela Educação e em defesa da escola pública, com todos os membros da comunidade educativa". Cláudia Páscoa justificou as propostas do plenário dos docentes de Beja com a necessidade de "endurecer a luta" contra o "ataque injusto e continuado à escola pública" e a política educativa do Governo, nomeadamente a revisão do Estatuto da Carreira Docente e o modelo de avaliação de desempenho. A moção, que vai ser enviada à Plataforma Sindical e distribuída por docentes do distrito de Beja, apela ainda aos professores para participarem na greve nacional de segunda-feira, na manifestação nacional agendada para dia 24, em Lisboa, e no segundo Encontro Nacional de Escolas em Luta, dia 31. O Movimento Professores de Beja em Luta foi criado por professores de 15 escolas do Baixo Alentejo, no início deste ano lectivo, "em defesa de uma escola pública de qualidade" e para "lutar contra a revisão do Estatuto da Carreira Docente e o modelo de avaliação de desempenho".

MOBILIZAR! UNIR! RESISTIR!


Caro(a) colega,
A semana de 19 a 24 de Janeiro de 2009 vai ficar na história de Portugal, pela determinação, mobilização e participação dos PROFESSORES em duas jornadas de luta.A semana inicia-se (19 de Janeiro) com uma GREVE e termina com uma CONCENTRAÇÃO/MANIFESTAÇÃO em frente do Palácio de Belém (24 de Janeiro, às 14:30h).Uma e outra necessitam de uma adesão e participação massiva dos professores.É importante que demonstres a tua determinação na luta contra a política educativa que continua a fazer de ti um "indigno" e a destruir a tua profissão e escola pública.Vê como te consideram:«quando se dá uma bolacha a um rato, ele a seguir quer um copo de leite!» (Jorge Pedreira, Auditório da Estalagem do Sado, 16/11/2008, referindo-se aos professores e à sua luta).«vocês [deputados do PS] estão a dar ouvidos a esses professorzecos» (Valter Lemos, Assembleia da República, 24/01/2008).«caso haja grande número de professores a abandonar o ensino, sempre se poderiam recrutar novos no Brasil» (Jorge Pedreira, Novembro/2008).«admito que perdi os professores, mas ganhei a opinião pública» (Maria de Lurdes Rodrigues, Junho/2006).«[os professores são] arruaceiros, covardes, são como o esparguete (depois de esticados, partem), só são valentes quando estão em grupo!» (Margarida Moreira - DREN, Viana do Castelo, 28/11/2008).É POR TUDO O QUE TÊM FEITO E DITO...É preciso dizer não!É por tudo isto ...
... que é determinante fazer greve no dia 19;
... que é importante participar na concentração/manifestação em frente do Palácio de Belém, no dia 24, às 14:30 h;

... que não entregues os "objectivos individuais".
MOBILIZAR! UNIR! RESISTIR!



Copia e divulga o CARTAZ da Concentração/Manifestação, que se encontra no blogue do MUP - http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/


ENVIA ESTA MENSAGEM AO MAIOR NÚMERO DE COLEGAS!

A coragem de um prof


Colegas,
Suponho que todos se sintam sensibilizados por sentirem que, no passado Sábado, fizeram parte de “algo maior”, que fizeram parte da história…
Pois na história, por maior e mais significativa que tenha sido a manifestação, é onde todos e cada um dos 120 000 irá ficar se, chegados às escolas, nada fizerem para mudar as coisas.
Sei que muitos se sentiram desiludidos com as consequências práticas da primeira manifestação e que muitos temem a repetição do mesmo com esta segunda manifestação. Alguns sentem-se desiludidos, ou mesmo ultrajados, com as declarações da Sr.ª ministra da Educação na televisão…Seremos assim tão ingénuos que estávamos à espera que ela viesse às televisões pedir desculpa, dizer que se tinha enganado e que se iria empenhar, connosco, no combate aos verdadeiros males do nosso ensino?! Não me façam rir!
Porque não há-de a ministra se sentir segura, se ela sabe que 90% dos professores que aos Sábados vêm gritar para as ruas chegam às escolas, na segunda-feira seguinte, e continuam a colaborar na política das aparências…
Ela conta com o nosso medo, conta com a nossa inércia, conta com o nosso “seguidismo”…Não lhe interessa resolver nada do que está mal, interessa-lhe apenas a nossa colaboração. E ela sabe que a está a ter em centenas de escolas, as mesmas de onde vieram muitos dos 120 000. A esse medo chama-se CONIVÊNCIA!
Sejamos honestos! Em causa não está a avaliação, mas TUDO o resto. Toda a política da aparência que está a conduzir o sistema de ensino público português para o mesmo caminho que o nosso famigerado sistema nacional de saúde.
Quem, de entre nós, tendo um pouco de dinheiro, não prefere recorrer a uma clínica privada do que perder horas num centro de saúde ou num hospital público?! Pois o mesmo irá acontecer ao sistema de ensino público português, caso não nos revoltemos contra esta política que, perante as dificuldades, cede.
No futuro, e o futuro é daqui a dois ou três anos, no sistema de ensino público ficarão apenas os que forem incapazes de fugir para o privado: professores e alunos.
Os meninos estão a ter maus resultados a Matemática? Não faz mal, baixa-se o nível de exigência dos exames. Os meninos ficam retidos no final do ano? Não faz mal, inventam-se dezenas de “planos” e de “justificações” e o pessoal, só para não ter que preencher a papelada, continua a “engolir sapos” e a passar os meninos todos no final de cada ano.
É necessário passar a imagem, para a opinião pública, que o governo está muito preocupado com os problemas do ensino? Inventa-se uma “avaliação burocrática de docentes” e a malta colabora, com medo, e vamos para casa todos contentes com o “Bom”…
O sistema público de ensino está a ruir a cada ano e em vez de enfrentarmos os problemas de frente e assumir o que está mal, incluindo o que está errado dentro da classe docente, continuamos a colaborar com o “sistema”…Ou seja, o “Titanic” afunda-se, mas nós continuamos a dançar ao som da orquestra…Pois bem, se houver alguém que acredite que este sistema de avaliação vai melhorar o nosso sistema de ensino, que entregue os objectivos pessoais.
Se houver alguém que acredita que os professores que se esforçam, que sempre se esforçaram, vão ser “premiados”, que entregue os objectivos pessoais.
Se alguém acredita que os nossos colegas que sempre fizeram do ensino a sua “segunda profissão” e se gabam de usar indiscriminadamente os 102 irão ser penalizados, que entregue os objectivos pessoais.
Se alguém acredita que este processo nos irá ajudar a melhorar os nossos métodos de ensino e a ser melhores professores, que entregue os objectivos pessoais.
Se alguém acredita que este processo irá permitir detectar os nossos erros e corrigi-los, beneficiando indirectamente os nossos alunos, que entregue os objectivos pessoais.Mas NÃO ENTREGUEM OS OBJECTIVOS POR MEDO! Não cedam à chantagem do medo e às ameaças da ministra. Todos temos muito a perder, mas há coisas que não têm preço…Uma delas é a nossa dignidade profissional.
Nós somos professores e, na nossa profissão, todos os dias somos confrontados com ameaças directas à nossa autoridade. Quando não temos mais argumentos para convencer os nossos alunos pela razão, o que é que fazemos?! Ameaçamos! É a última arma que resta, quando faltam mais argumentos…Sabemos bem como é!
Pois bem, temos uma ministra que, há muito, desistiu de nos convencer pela razão, pois nós bem sabemos da hipocrisia desta pseudo-avaliação. Que lhe resta? A ameaça…Como não pode mandar os professores para a “rua” com uma falta disciplinar, ameaça-nos com a não progressão na carreira. E nós? Nós, pelos vistos, cedemos com um sorriso nos lábios…Seremos assim tão ingénuos que pensamos que, se alinharmos no “esquema” e entregarmos os objectivos, nada nos irá acontecer?!
Seremos tão ingénuos ao ponto de pensar que, se alinharmos com o “sistema”, o nosso emprego estará assegurado para sempre?
Será que as pessoas não compreenderam que os tempos mudaram e que já não há certezas no que toca a um emprego para toda a vida, nem mesmo para quem trabalha para o Estado?
ACORDEM e olhem à vossa volta…Estamos a entrar numa das piores crises financeiras que o mundo ocidental já conheceu… Alguém acredita que o seu emprego estará seguro indefinidamente só por não contrariar o “chefe”?! Os tempos mudaram e não voltam atrás, nem mesmo para quem é funcionário público.
A escola de Silves está cheia de pessoas normais, não de super-heróis. As pessoas que estão a boicotar a avaliação na minha escola são pessoas honestas e cumpridoras da lei. Pagam impostos e não têm cadastro criminal. Não são loucas, nem irresponsáveis e, por isso, também têm medo.
Estão habituadas a ensinar aos seus alunos e filhos a cumprir as leis. Mas sabem que antes de qualquer lei, está a lealdade e a rectidão perante as nossas mais profundas convicções.
Os professores de Silves também têm medo das repercussões que este acto de resistência pode ter nas suas carreiras, sobretudo os corajosos avaliadores que arriscam, talvez, um processo disciplinar. De onde lhes vem a coragem? De saber que pior que ter medo de não cumprir esta avaliação, é o medo de olharmos para o espelho e termos vergonha de não termos defendido a nossa dignidade profissional e os nossos alunos.
É disso que se trata, de defender a dignidade do nosso sistema de ensino. É daí que nos vem a força, das nossas convicções…Como poderíamos olhar de frente, olhos nos olhos, os nossos alunos se cedêssemos na luta pelos nossos ideais?
A ministra ameaça-nos como “meninos mal comportados” e nós claudicamos? Em Silves, não!Não sigam o exemplo dos professores do Agrupamento Vertical de Escolas Dr. Garcia Domingues de Silves, sigam a vossa consciência. E se, perante ela, se sentirem bem em entregar os objectivos pessoais, entreguem-nos!
Nós, perante o medo, continuamos a RESISTIR! E desde que o começámos a fazer que dormimos melhor e que temos um outro sorriso…Estamos bem com a nossa consciência e isso não tem preço.
Desde que resisto, que sou MAIS FELIZ! Os meus alunos agradecem…

Cartaz da greve


Documento aprovado em Santarém

Documento aprovado em Santarém por 139 presidentes de Conselhos Executivos e entregue nesta quinta-feira, 15 de Janeiro, no ME.Exma. Sra. Ministra da Educação,As Presidentes e os Presidentes dos Conselhos Executivos das Escolas em relação infra, reunidos em 10/01/2009, cientes e convictos das suas obrigações perante Vª. Exa. e perante a Escola, cientes e convictos da importância e necessidade de implementação de um processo de avaliação que promova, eficiente e eficazmente, a qualidade do ensino público e da condição docente, cientes e convictos, ainda, da importância do seu contributo em tudo o que à Escola Pública respeita, unanimemente entenderam dever manifestar a Va. Exa.:1) que a regulamentação agora publicada, apesar de retirar do processo avaliativo alguns parâmetros anteriormente previstos, não se torna, ainda assim, mais exequível, nomeadamente por força da concentração de competências no Presidente do Conselho Executivo;2) que a mesma regulamentação, ao consignar a não obrigatoriedade de os Professores serem avaliados na componente científico-pedagógica, não só não promove, como compromete, a qualidade do ensino;3) que este processo de avaliação, a realizar-se nos termos agora regulamentados, promoverá a injustiça entre pares, constituindo-se, assim, como instrumento promotor de desmotivação e consequente mau instrumento de gestão, pois não assegura, de forma distinta, a avaliação do mérito científico-pedagógico;4) que a insistência, assim, no actual modelo de avaliação, compromete a construção, desde já e a longo prazo, de um modelo de avaliação justo, sério e credível, bem como desvia significativamente a Escola da sua principal razão: a educação dos alunos;5) ser da maior importância, para a realização de uma justa e credível avaliação do desempenho dos Professores em sede da respectiva escola, a rectificação da injustiça instalada nas escolas com o processo de concurso para Professores titulares, no qual não foi dado o primado ao mérito profissional;6) haver, pelo exposto e a fortiori, fundamento suficiente para reiterar a posição maioritária do Conselho de Escolas, favorável à suspensão deste processo de avaliação de desempenho.Mais unanimemente entenderam, considerando que a sua responsabilidade e missão não se esgotam num papel puramente funcional, ser a respectiva avaliação em quadro de SIADAP desadequada, pelo que solicitam consequente revisão de tal.Reiterando a disponibilidade neste acto expressa, são:Presidentes dos Conselhos Executivos das(os) seguintes Escolas/Agrupamentos:Agrupamento Afonso Betote - Vila do CondeAgrupamento Cidade Castelo BrancoAgrupamento de Escolas a Sudoeste de OlivelasAgrupamento de Escolas Anselmo de Andrade - AlmadaAgrupamento de Escolas António José de Almeida - PenacovaAgrupamento de Escolas D. Afonso Henriques - GuimarãesAgrupamento de Escolas D. Nuno Álvares Pereira - TomarAgrupamento de Escolas D. Sancho I -CartaxoAgrupamento de Escolas da Cordinha - Oliveira do HospitalAgrupamento de Escolas da Guia - PombalAgrupamento de Escolas da LousãAgrupamento de Escolas da Pedrulha - CoimbraAgrupamento de Escolas da Pontinha - OdivelasAgrupamento de escolas de Aguada de Cima - ÁguedaAgrupamento de Escolas de Aguiar da BeiraAgrupamento de Escolas de AlmeidaAgrupamento de Escolas de AnadiaAgrupamento de Escolas de Cabanas do Viriato - Carregal do SalAgrupamento de Escolas de Campo de Besteiros - TondelaAgrupamento de Escolas de Canas de SenhorimAgrupamento de Escolas de Carregal do SalAgrupamento de Escolas de Ceira - CoimbraAgrupamento de Escolas de Entre Ribeiras - Paul- CovilhãAgrupamento de Escolas de Figueira de Castelo RodrigoAgrupamento de Escolas de GóisAgrupamento de Escolas de José Relvas - AlpiarçaAgrupamento de Escolas de MidõesAgrupamento de Escolas de Miranda do CorvoAgrupamento de Escolas de MortáguaAgrupamento de Escolas de NelasAgrupamento de Escolas de Oliveira de FradesAgrupamento de escolas de OurémAgrupamento de Escolas de PinhelAgrupamento de Escolas de S. Pedro do SulAgrupamento de Escolas de S. Silvestre - CoimbraAgrupamento de escolas de Santo Onofre - Caldas da RainhaAgrupamento de Escolas de SoureAgrupamento de Escolas de VizelaAgrupamento de Escolas de VouzelaAgrupamento de Escolas do Caramulo - TondelaAgrupamento de Escolas do Concelho de Vila do BispoAgrupamento de Escolas do SátãoAgrupamento de Escolas do TortosendoAgrupamento de Escolas Dr. Manuel Fernandes - AbrantesAgrupamento de Escolas Febo Moniz - AlmeirimAgrupamento de Escolas Finisterra - Febres - CantanhedeAgrupamento de Escolas Gil Vicente - LisboaAgrupamento de Escolas Inês de Castro - CoimbraAgrupamento de Escolas Maria Pais Ribeiro "A Ribeirinha" - Vila do CondeAgrupamento de Escolas Marinhas do Sal - Rio MaiorAgrupamento de Escolas Martim de Freitas - CoimbraAgrupamento de Escolas Padre António Andrade - OleirosAgrupamento de Escolas S. Martinho do Porto - AlcobaçaAgrupamento de Escolas Santa Cruz da Trapa - S. Pedro do SulAgrupamento de Escolas Silva Gaio - CoimbraAgrupamento de Escolas Soares dos Reis - Vila Nova de GaiaAgrupamento de Escolas Virgínia Moura - GuimarãesAgrupamento de Samora Correia - BenaventeAgrupamento de Vila Nova de PoiaresAgrupamento do AvelarAgrupamento Fazendas de Almeirim - AlmeirimAgrupamento Idães - FelgueirasAgrupamento Marcelino Mesquita - CartaxoAgrupamento Maria Alice Gouveia - CoimbraAgrupamento Marquês de Pombal - PombalAgrupamento Paço de Sousa - PenafielAgrupamento Pêro da CovilhãAgrupamento Vale Aveiras - AzambujaAgrupamento Vertical de Escolas - AlcocheteAgrupamento Vertical de Escolas de Ponte da BarcaConservatório de Música de CoimbraEB23 Alexandre Herculano - SantarémEB23 António Correia de Oliveira - EsposendeEb23 Ciclos Santa Iria - TomarEB23/S de Oliveira de FradesEscola Sec. Com 3º Ciclo Fernando Namora de Condeixa-a-NovaEscola Sec/3 de PinhelEscola Sec/3 de Raul Proença - Caldas da RainhaEscola Secundária /3 de AlcanenaEscola Secundária Alberto Sampaio - BragaEscola Secundária Avelar Brotero - CoimbraEscola Secundária Cacilhas - Tejo - AlmadaEscola Secundária D. Duarte - CoimbraEscola Secundária da LousãEscola Secundária da LousadaEscola Secundária da MealhadaEscola Secundária da Quinta das Flores - CoimbraEscola Secundária Daniel Faria - BaltarEscola Secundária de ArganilEscola Secundária de Barcelinhos - BarcelosEscola Secundária de BarcelosEscola Secundária de BarcelosEscola Secundária de FelgueirasEscola Secundária de Figueira de Castelo RodrigoEscola Secundária de Oliveira do HospitalEscola Secundária de Porto de MósEscola Secundária de S. Pedro - Vila RealEscola Secundária de Vilela - ParedesEscola Secundária de VouzelaEscola Secundária do FundãoEscola Secundária Dr João Lopes Morais - MortáguaEscola Secundária Dr. Ginestal Machado - SantarémEscola Secundária Dr. J.C.C. Gomes - ÍlhavoEscola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima de AveiroEscola Secundária Dr. Mário Sacramento - AveiroEscola Secundária Eça de Queirós - Póvoa de VarzimEscola Secundária Emídio Navarro - ViseuEscola Secundária Fernão Mendes Pinto - AlmadaEscola Secundária Gama Barros - Lisboa - CacémEscola Secundária Homem Cristo de AveiroEscola Secundária Infanta D. Maria - CoimbraEscola Secundária Jácome Ratton - TomarEscola Secundária Jaime Cortesão - CoimbraEscola Secundária José Falcão - CoimbraEscola Secundária José Régio - Vila do CondeEscola Secundária Luis Sttau Monteiro - LouresEscola Secundária Manuel da Fonseca - Santiago do CacémEscola Secundária Marquesa de Alorna - AlmeirimEscola Secundária Pe. Benjamim Salgado - Vila Nova de FamalicãoEscola Secundária Rainha D. Amália - LisboaEscola Secundária Rocha Peixoto - Póvoa de VarzimEscola Secundária Rodrigues Lobo de LeiriaEscola Secundária Sá da Bandeira - SantarémEscola Secundária Santa Maria do Olival- TomarEscola Secundária Sebastião da Gama - SetúbalEscola Secundária/3 Amato Lusitano - Castelo BrancoEscola Secundária/3 de Carregal do SalEscola Secundária/3 de Santa Comba Dão

Educação: 112 escolas e agrupamentos já tomaram posição

Recusa de avaliação alastra a todo o País
Professores de escolas de todo o País têm vindo a aprovar nos últimos dias tomadas de posição colectivas, assumindo a recusa em participar no processo de avaliação de desempenho, começando pela não entrega dos objectivos individuais.
Sindicatos, movimentos independentes e blogues de docentes apontam já para mais de uma centena de escolas e agrupamentos onde, após a publicação do Decreto Regulamentar de simplificação, a 5 de Janeiro, os professores voltaram a reunir e decidiram manter a suspensão do processo. O blogue ProfAvaliação apresentava ontem uma lista com 43 agrupamentos e 69 escolas onde foi aprovada a suspensão.
Para o dia da greve, segunda-feira, estão marcadas dezenas de reuniões de docentes que poderão tomar decisões idênticas. A Fenprof garante que "mesmo em escolas em que essa decisão não foi tomada, são milhares os professores que decidem não entregar os objectivos individuais". A Fenprof faz ainda um apelo para se encher com mensagens de protesto os mails de 40 deputados do PS que são docentes, divulgando os respectivos endereços electrónicos. A ideia é pressionar a aprovar o projecto do CDS-PP, que defende a suspensão da avaliação e será votada no Parlamento dia 23.

MOVIMENTOS FALAM EM DEMISSÃO
Os deputados socialistas que são professores vão romper a disciplina partidária e aprovar a suspensão da avaliação, quando dia 23 for votado na Assembleia da República o projecto do CDS-PP, levando o Governo a apresentar a demissão. Este é o cenário ontem aventado pelo movimento Mobilização e Unidade dos Professores (MUP) num texto colocado no seu site. "São notícias que vão chegando das sedes do PS a nível nacional. Fala-se, inclusivamente, de que se preparam para o Governo pedir a demissão. Falta o motivo e este parece ser aquele em que Sócrates aposta e vai daí ... professores socialistas juntam-se a Alegre e companhia ", pode ler-se no texto.

NOTAS
CONSELHO QUER REVISÃO
O presidente do Conselho das Escolas, Álvaro dos Santos, disse à Agência Lusa que o modelo de avaliação "deve ser revisto" mas defendeu que os sindicatos devem apresentar uma alternativa credível.
ABAIXO-ASSINADO
No dia da greve, a Plataforma Sindical vai entregar no Ministério um abaixo-assinado.

SINDICATOS QUEREM CONTINUAR A NEGOCIAR -Avaliação de professores suspensa nos Açores

Os sindicatos dos professores informa que o modelo de avaliação previsto no Estatuto da Carreira Docente (ECD) está suspenso e que, este ano lectivo, os professores em matéria de avaliação apenas deverão elaborar um “relatório crítico de 15 páginas”.
Para o Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA) “é um modelo simplificado e não o que está no ECD”, ou seja não há observação de aulas nem uma série de procedimentos previstos na proposta da secretaria. Na passada quinta-feira, a Secretaria Regional da Educação e Formação negou que o modelo de avaliação dos professores estivesse suspenso nas escolas açorianas. A responsável pela tutela fez questão de lembrar que “o modelo não está suspenso. Apenas está a ser analisada uma solução transitória para o presente ano lectivo”. A declaração da governante gerou alguma confusão junto dos docentes, mas na verdade o modelo está suspenso, pelo menos, este ano lectivo.A tutela da educação continua a negociar com os sindicatos as alterações do Estatuto da Carreira, hoje deverá realizar-se, em Angra do Heroísmo, a última ronda com o Sindicato Democrático dos Professores dos Açores.
Negociação suplementar
Na passada quinta-feira, Lina Mendes, responsável pela Secretaria da Educação, realizou a 2ª, e última, ronda de negociações com o SPRA, mas este sindicato já anunciou que vai requerer uma “negociação suplementar”, como sinal de “protesto”.Um comunicado do sindicato dá conta que, apesar de se ter conseguido “introduzir algumas alterações significativas no Estatuto da Carreira Docente”, considera que os resultados “globais alcançados não correspondem às expectativas dos docentes”. Por isso alegam a necessidade da negociação suplementar. O SPRA diz-se insatisfeito por a tutela não ter ido mais longe na eliminação dos “constrangimentos geradores do descontentamento e do desânimo que se instalou na classe docente”. Nomeadamente, exemplificam, os que se prendem com o agravamento das condições de trabalho e com o processo de avaliação.

Aspectos positivos Como aspectos positivos conseguidos até agora nas rondas negociais, os sindicalistas destacam a não aplicação, em 2008/2009, do modelo de avaliação consagrado no ECD e a introdução, este ano, de um regime de avaliação simplificado, que consistirá na elaboração, por todos os docentes, de um relatório, com o máximo de quinze páginas, e que incidirá sobre “as dimensões social e ética; o desenvolvimento do ensino e da aprendizagem; a participação na escola e a relação com a comunidade escolar e o desenvolvimento profissional”. Este relatório classificado apenas com as menções de “Insuficiente ou Bom”Numa lista de 14 pontos positivos destacam-se: a dispensa da avaliação do desempenho dos docentes que reúnam as condições para se aposentarem até 31 de Agosto de 2011; a abolição de todas as normas que impunham restrições ao direito constitucional de protecção na doença; a uniformização dos horários de trabalho dos docentes da Educação Especial; o direito à redução de uma hora na componente lectiva semanal dos docentes do Ensino Básico e do Ensino Secundário por cada 10 docentes a avaliar e o compromisso de reduzir, de 25 para 20, na Educação Pré-Escolar, o limite do número de alunos por turma.Este sindicato alega que vai defender na negociação suplementar a uniformização dos horários dos diferentes níveis e sectores de ensino, as consequentes reduções da componente lectiva resultantes do desgaste físico e psíquico da profissão e que a observação de aulas “ocorra apenas nas situações em que haja indícios de más práticas ou para validar a atribuição das menções de Muito Bom e de Excelente, contestando a implementação dos procedimentos diferenciados impostos pela secretaria.

Educação: Adesão à última greve de professores foi de 66,7% - números definitivos do Governo... continuam a não saber contar!!!!!

Lisboa, 17 Jan (Lusa) - A adesão à greve de professores de 03 de Dezembro passado foi de 66,7 por cento, mais quase seis pontos percentuais do que o inicialmente divulgado, segundo os dados definitivos do Ministério da Educação.
No dia do protesto, num balanço provisório, o Governo anunciou que a adesão dos professores à paralisação tinha sido de 61 por cento, provocando o encerramento de cerca de 30 por cento das escolas.
No entanto, aqueles eram números referentes às faltas registadas às 11:00 e que ainda não incluíam os professores que nesse dia não tinham aulas nos seus horários, mas mais tarde declararam ter estado em greve, solicitando o respectivo desconto nos seus salários, explicou à Lusa fonte do Ministério da Educação.
Também os mais de 350 dirigentes sindicais só mais tarde declararam a sua adesão à greve, não entrando na contabilidade inicial de professores em falta, feita pelos presidentes dos conselhos executivos no dia da paralisação.
Por outro lado, e segundo a mesma fonte, há ainda professores que faltaram nesse dia, mas não estiveram em greve. Como apresentaram atestados médicos para justificar a ausência, acabando por sair dos números da adesão.
Assim, de acordo com os números definitivos do Ministério da Educação, no dia 03 de Dezembro, 66,7 por cento dos professores fizeram greve. A maior adesão registou-se na região Norte (71,2 por cento), seguida do Centro (70,6 por cento), do Algarve (64,2 por cento), do Alentejo (62,6 por cento) e de Lisboa e Vale do Tejo (60,3 por cento).
Os novos números revelam algumas alterações significativas. No Norte e no Centro, por exemplo, os dados provisórios indicavam uma adesão maior, de 90,4 e 72,1 por cento, respectivamente, enquanto nas restantes regiões do país os primeiros números eram inferiores, oscilando entre os 45,6 por cento do Algarve e os 44,8 por cento do Alentejo.
Os números definitivos do Ministério mantêm-se, no entanto, muito diferentes dos dos sindicatos, que anunciaram uma adesão à greve de 03 de Dezembro, convocada para protestar contra o modelo de avaliação de desempenho, de 94 por cento, considerando-a "a maior" paralisação de docentes em Portugal.
"Os números da greve, registados oficialmente às 11:00 pelo Ministério da Educação (ME), confirmam que a adesão se estabeleceu em 61 por cento, com 30 por cento de escolas encerradas. Reconhecemos que revelam uma adesão significativa, mas os objectivos dos sindicatos estão muito longe de terem sido atingidos", afirmou no próprio dia o secretário de Estado Valter Lemos.
Os professores voltam a fazer greve na próxima segunda-feira contra o modelo de avaliação aprovado pelo Governo e o Estatuto da Carreira Docente.
MP

Educação: Professores regressam à greve segunda-feira, prometem lutar até Governo ceder

Lisboa, 17 Jan (Lusa) - Menos de dois meses depois da última paralisação, os professores realizam segunda-feira uma nova greve. Os sindicatos esperam uma adesão semelhante à registada em Dezembro e prometem luta até ao Governo ceder na avaliação e na revisão do Estatuto

Relativamente à greve realizada a 03 de Dezembro passado, os sindicatos estimaram uma adesão de 94 por cento, enquanto os números avançados pelo Ministério da Educação são de 66,7 por cento.
"O Ministério da Educação vai ter de avaliar se quer ou não ter esta luta dos professores, pelo tempo que for preciso. Nunca vamos deixar cair esta luta e estou convencido de que os professores vão ter força para lutar por isto, seja com este Governo, seja com qualquer outro", afirmou Mário Nogueira, porta-voz da Plataforma Sindical de Professores, em declarações à Agência Lusa.
Governo e sindicatos divergem, desde há meses, sobre o modelo de avaliação de desempenho e o Estatuto da Carreira Docente (ECD), nomeadamente a divisão da profissão em categorias hierarquizadas e a existência de quotas para a atribuição de "Muito Bom" e "Excelente".
O também secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) manifestou a expectativa de que a greve de segunda-feira tenha uma adesão "semelhante" à registada no mês passado, garantindo que todos os indicadores "vão nesse sentido".
"Esta greve foi marcada por 120 mil professores, a 08 de Novembro. Por outro lado, será um dia de luto, já que se assinalam dois anos sobre a publicação em Diário da República do ECD", acrescentou.
Para Mário Nogueira, uma "grande" paralisação na segunda-feira é fundamental para "reforçar" a posição das estruturas sindicais durante a revisão do ECD e, por outro lado, enfraquecer a do Governo.
Relativamente a novas formas de luta, os sindicatos reservam o anúncio de novos protestos para depois do arranque das negociações, a 28 de Janeiro. Tudo depende da "atitude" da equipa da ministra Maria de Lurdes Rodrigues durante esse processo, referiu.
"Vai depender da forma como as coisas evoluírem durante a revisão do ECD. Os objectivos dos professores são claros, mas se não forem alcançados vamos continuar a lutar, nas mesmas dimensões", promete o dirigente sindical.
Lucinda Manuela, da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), defende a mesma posição: "O Governo terá de ter uma verdadeira abertura negocial, alterar a sua postura e discutir as propostas que os sindicatos vão apresentar".
O braço-de-ferro entre Governo e professores preocupa também os encarregados de educação, que consideram que os seus filhos estão a ser prejudicados pelo clima de "instabilidade" e "perturbação" que se vive nas escolas.
O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais apela ao "bom senso" entre as duas partes durante a revisão do ECD, deixando, no entanto, uma crítica às estruturas sindicais.
"Limitamo-nos a constatar que o Governo deu mais sinais de abertura do que os sindicatos. O regime simplificado teve por base aquilo que os parceiros achavam que impedia a avaliação", afirmou Albino Almeida.
Já Maria José Viseu, da Confederação Nacional e Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), teme, sobretudo, que os alunos venham a ser os principais prejudicados com o clima de "intranquilidade", devido à eventual falta de disponibilidade dos professores.
"Todos os procedimentos da avaliação de desempenho vão cair numa altura crucial do ano, no terceiro período. É preciso alertar que determinadas situações podem pôr em causa as aprendizagens dos alunos e o sucesso educativo", referiu a responsável.
MLS.
Lusa/Fim