segunda-feira, janeiro 19, 2009

Sindicatos afirmam que mais de 90% dos docentes aderiram à greve

Plataforma Sindical dos Professores garante que mais de 90% dos professores está em greve. A maior parte das escolas estão fechadas ou não têm aulas por falta de condições.Na última greve, realizada a 3 de Dezembro, os sindicatos revelaram que 94% dos professores aderiram à paralisação. Hoje, em Gaia por exemplo, na Escola EB2,3 Soares dos Reis, só três dos 130 professores picaram o ponto.Contactado pelo Rádio Clube, o Ministério da Educação opta, para já, pelo silêncio. Mário Nogueira, o porta-voz da plataforma sindical, esteve esta manhã na secundária Jaime Cortesão, em Coimbra, que não teve aulas, e declarou que a paralisação está a ser um sucesso.João Dias da Silva, outro dirigente da plataforma de professores, esteve esta manhã na Escola Clara de Resende no Porto, onde falou sobre a obrigatoriedade do 12ºano. O dirigente sindical afirmou que cada ano que passa é um atraso relativamente ao objectivo de alargar a escolaridade obrigatória dos portugueses.Ainda hoje, a plataforma dos professores vai entregar um abaixo-assinado ao Ministério da Educação para exigir a revisão do Estatuto da Carreira Docente e a suspensão do processo de avaliação dos professores.A Confederação das Associações de Pais (Confap) acusa os professores de estarem a prejudicarem os jovens. Albino Almeida, presidente da Confap, afirma que não faz sentido convocar uma greve durante um período de negociação.

Professores independentes garantem que alunos não serão prejudicados


Lisboa, 19 Jan (Lusa) - Cinco movimentos de professores não sindicalizados enviaram hoje uma "mensagem aos portugueses" para esclarecer os motivos da greve e garantir que os alunos não serão prejudicados.
Num comunicado enviado aos jornalistas, a Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE), a Comissão em Defesa da Escola Pública (CDEP), o Movimento Escola Pública (MEP), o Movimento de Mobilização e Unidade dos Professores(MUP) e o PROmova (PROFESSORES - Movimento de Valorização) dirigem uma "esclarecedora e convincente mensagem aos portugueses".
Na missiva, os professores independentes explicam que a opção pela greve só surgiu "depois de terem tentado de todas as maneiras que a suas opiniões fossem tomadas em consideração".
Os docentes "fizeram abaixo-assinados, vigílias e dezenas de manifestações - duas das quais com mais de 100 mil professores", tudo fora do horário de trabalho: "ao fim do dia ou aos sábados para não prejudicar os alunos", sublinham.
Hoje, estes docentes juntaram-se à greve convocada pelos sindicatos, que segundo o porta-voz da plataforma sindical dos professores está a ter uma adesão de 90 por cento em todo o país.
Os independentes explicam a sua adesão à greve em poucas palavras: "querem ser avaliados por processos justos e que contribuam para o seu aperfeiçoamento profissional", "querem ter uma carreira única, digna, em que o mérito seja sempre premiado e não uma carreira dividida artificialmente"; "querem ser tratados com respeito e que as suas opiniões sejam tidas em consideração na elaboração de diversas leis que o governo (...) procura impor".
Os professores lembram que "não estão a reivindicar aumentos salariais", mas sim a lutar por "leis que valorizem a sua função e os ajudem a combater a indisciplina e a violência que tem vindo a crescer nas escolas".
"Desejam uma escola que ministre um ensino de qualidade, onde os alunos passem de ano a dominar as matérias e não uma escola que não prepara para a vida e que permite a passagem indiferenciadamente, para ficar bem vista nas estatísticas europeias". Por isso, prometem não esquecer os alunos, garantindo que se vão empenhar para garantir a leccionação das matérias previstas.
Na semana passada, estes cinco movimentos de professores juntamente com o Movimento dos Professores Desterrados convocaram uma manifestação para esta sexta-feira frente ao Palácio de Belém, em Lisboa, para sensibilizar Cavaco Silva para o "clima de perturbação" que o modelo de avaliação de desempenho "está a provocar nas escolas".
Os docentes pretendem alertar o Chefe de Estado para os aspectos "mais gravosos" do modelo de avaliação do Ministério da Educação e apresentar a Cavaco Silva as suas "justas" reivindicações, durante uma audiência que irão solicitar para o mesmo dia.
SIM
Lusa/Fim

Escolas sem aulas e a funcionar a meio gás em todo o País no início da manhã

11h18m
jn

Escolas de todo o país começaram o dia sem aulas ou a funcionar a meio gás por causa da greve de professores, constatou-se numa ronda por diversos estabelecimentos de ensino.

Na secundária Jaime Cortesão, em Coimbra, por exemplo, onde esteve Mário Nogueira, o porta-voz da plataforma sindical que convocou o protesto, não houve aulas no início da manhã e os poucos alunos que estavam na escola às 08:30 preparavam-se para regeressar a casa.

Também na EB 2/3 D. Afonso III, em Faro, onde estudam cerca de 600 alunos, só houve uma aula à primeira hora. Dezenas alunos estavam concentrados no exterior da escola, assegurando não ter aulas. Nas grades que cercam o recinto, está colado um cartaz onde se lê: "Professores e educadores todos juntos em luta por um estatuto profissional digno e valorizado".

Ainda em Faro, na escola básica do Carmo também só um dos seis professores que habitualmente dão aulas logo de manhã estava hoje na escola.

Em Torres Vedras, a escola Secundária Madeira Torres está encerrada. A outra secundária da cidade tem as portas abertas, mas há muitos alunos sem aulas.

Lisboa a meio gás

Em Lisboa, na secundária Maria Amália Vaz de Carvalho, o cenário encontrado pela Lusa à mesma hora era semelhante: uma parte dos alunos tiveram mesmo de ficar na escola, porque muitos professores decidiram não fazer greve. Um funcionário da escola disse à Lusa que o parque de estacionamento costuma estar cheio logo de manhã, mas hoje tem apenas metade dos carros do que é normal.

Ainda em Lisboa, a secundária do Restelo está aberta, mas a Lusa encontrou muitos alunos no recinto sem aulas.

Em Leiria, as principais escolas secundárias da cidade encontram-se de portas abertas, mas não a funcionar normalmente, devido à greve dos professores.

O mesmo sucede nos concelhos da Marinha Grande e Alcobaça. Neste último, fonte do conselho executivo da Secundária D. Pedro I informou que dos quase cem professores do estabelecimento, "50 por cento estão a fazer greve".

Já o Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) fez àquela hora um "balanço positivo". A coordenadora do Executivo Distrital de Leiria, Ana Rita Carvalhais, adiantou à agência Lusa que pelo menos um estabelecimento de ensino - a EB 2,3 com Secundário da Maceira -, no concelho de Leiria, tinha uma adesão de 100 por cento à greve, taxa registada às 08:30.

A responsável acrescentou que "as escolas do 1º ciclo de Outeiro da Ranha e Meirinhas (Pombal), Maceirinha e A-dos-Pretos (Leiria), e São Martinho do Porto (Alcobaça) estão encerradas".

Ainda em São Martinho do Porto, "a EB 2,3 com Secundário regista uma adesão de 91 por cento, enquanto na EB 2 Padre Franklin, na Marinha Grande, 70 por cento dos professores não compareceram à escola".

Em Santarém, a EB 2,3 Alexandre Herculano está encerrada devido à greve dos professores, entendendo o Conselho Executivo que não tem condições para manter os 659 alunos na escola.

A presidente do Conselho Executivo Maria João Igreja, ela própria em greve, permaneceu ao portão do estabelecimento até cerca das 08:45, contabilizando o número de professores que apareceram ao primeiro tempo de aulas para tomar uma decisão quanto à abertura ou não da escola.

"Esta é uma decisão difícil. É preciso perceber se tenho condições ou não para acolher os alunos. Mesmo que tenha 10 professores ao primeiro tempo, o que lhes faço nas horas seguintes?", disse à agência Lusa.

Apenas três professores com turma atribuída atravessaram o portão, confessando que não faziam greve, uma delas, com apenas algumas horas lectivas, desabafando que o fazia "por questões financeiras". Além destes, entraram mais dois professores sem componente lectiva.

Com muitos alunos das freguesias rurais, dependentes do transporte colectivo, o Conselho Executivo solicitou a passagem dos autocarros para os levarem de regresso a casa, não havendo praticamente alunos à porta da escola às 09:00.

Ainda em Santarém, além desta escola, também a EB 2,3 Mem Ramires decidiu encerrar as portas. Na secundária Dr. Ginestal Machado, ao primeiro tempo a adesão à greve rondava os 89 por cento, com a presença de apenas sete dos 60 professores com aulas às 08:30, mantendo a escola, frequentada por cerca de mil alunos, as portas abertas.

Na Região Norte, a greve de professores de hoje está a registar uma adesão similar à de 03 de Dezembro, segundo os primeiros indicadores recolhidos pelos sindicatos.

"A primeira impressão colhida é a de que há uma fortíssima adesão à greve, a níveis muito próximos - mais ponto, menos ponto - dos atingidos em 03 de Dezembro", disse à Lusa a coordenadora do Sindicato dos Professores do Norte, Manuela Mendonça.

Referindo-se a algumas escolas do Porto, Manuela Mendonça disse que estão sem aulas a EB 1 João de Deus e a secundária Clara de Resende.

Os professores realizam hoje mais uma greve, em protesto contra o modelo de avaliação de desempenho e o Estatuto da Carreira Docente, estimando os sindicatos uma adesão superior a 90 %, à semelhança da registada a 03 de Dezembro.

Na última paralisação nacional de docentes, os sindicatos apontaram uma adesão na ordem dos 94 por cento, enquanto segundo os números avançados pelo Ministério da Educação não foi além dos 66,7 %, valor que a tutela considerou "significativo".

jn

COPIEM LÁ O EXEMPLO DE ESPANHA

Espanha promove a imagem dos professores.
Uma forma de olhar correctamente a Educação, valorizar a imagemdos professores e, consequentemente da Escola Pública.

Veja o anúncio na TV e na Radio...


http://www.educarex.es/documentos/anuncio/anuncio.html

27 escolas encerradas na Região de Lisboa às 10h

Vinte e sete escolas da região de Lisboa encontravam-se encerradas às 9h47 de hoje devido à greve dos professores, disse à agência Lusa uma fonte da Federação Nacional dos Professores (Fenprof)
«Neste momento, na região de Lisboa, temos já escrutinadas 27 escolas básicas, secundárias e do primeiro ciclo fechadas», avançou o dirigente sindical Manuel Grilo, ressalvando que «ainda é muito cedo para avançar com percentagens».«Temos algumas escolas emblemáticas já fechadas», disse Manuel Grilo, dando como exemplos a Escola Básica (EB) do 2.º e 3.º ciclo Avelar Brotero, Bairro Padre Cruz, Conde Oeiras, da Pontinha e as escolas Secundárias Gil Vicente, Alcanena, Entroncamento e Rio Maior.Numa ronda por escolas da Grande Lisboa, a Lusa encontrou várias escolas fechadas e, na maioria dos casos, a funcionar com menos professores do que o habitual.Em Setúbal, por exemplo, pelo menos duas escolas (a escola básica das Amoreiras e a EB2/3 Aranguez) decidiram fechar logo de manhã por causa da ausência de professores. Nos restantes estabelecimentos de ensino da cidade contactados esta manhã pela Lusa havia aulas, mas não a 100 por cento. Em alguns deles havia mesmo só um ou dois professores a dar aulas.
Também no Barreiro todas as escolas por onde passou a Lusa esta manhã estavam abertas, mas a maioria dos alunos estava sem aulas. No concelho da Amadora, a Secundária D. João V, na Damaia, teve apenas dez professores em funções na primeira hora (menos de um terço dos docentes), enquanto a Escola do 2º e 3º Ciclos Miguel Torga, no Casal de São Brás, começou o dia com «provavelmente menos de metade das aulas previstas», segundo fonte do Conselho Executivo. Ainda no concelho da Amadora, também nas secundárias Mães de Água (Falagueira) e da Amadora e na EB 2/3S Azevedo Neves (Damaia) eram vários os alunos que se mantinham nos recreios entre o período das 8h30 e das 9h15, mas não foi possível confirmar a adesão de professores à greve, devido à ausência de responsáveis dos Conselhos Executivos. Em Cascais, a greve teve, à primeira hora lectiva, um «grande» impacto em pelo menos cinco das oito escolas secundárias públicas do concelho. Na Secundária Frei Gonçalo de Azevedo (São Domingos de Rana), por exemplo, a direcção estimava uma adesão de 65 por cento, taxa que ascendia a «pelo menos 90 por cento» na Secundária da Cidadela. Em Carcavelos, 22 dos 52 professores esperados não compareceram nas aulas, mas fonte do Conselho Executivo do estabelecimento, que é sede de agrupamento, explicou que nas restantes escolas do grupo - três primárias - não foram registadas quaisquer faltas.O cenário repetiu-se em Loures, Odivelas e Sintra, onde as maiores escolas dos concelhos estavam de portas abertas, mas com muitos alunos sem aulas.
Lusa / SOL

NUNCA MAIS SEREI A MESMA A PARTIR DE HOJE




PORTUGUÊS


MATEMÁTICA


será que devo retirar-me?


o QUE sÓCRATES QUER DE NÓS


Comercializar estudantes é crime

Posted by Picasa
OS NOSSOS ALUNOS NÃO SÃO NÚMEROS NEM CÓDIGOS DE BARRA

Que sofrimento!!!!


Greve de hoje é teste à unidade dos professores

PEDRO SOUSA TAVARES
PAULO SPRANGER
DN

Greve de hoje é teste à unidade dos professores
Educação. Depois do 'simplex' da avaliação, os professores voltam hoje à greve em todo o País, num protesto que servirá para perceber se a "luta" está para durar ou se a classe começa a desmobilizar. A Plataforma está optimista. O Ministério não fala. Os pais dizem "basta"
"Uma greve forte." É esta a expectativa da Plataforma sindical, que arrisca valores de adesão da ordem dos 90%, e também dos movimentos independentes de professores, que garantem continuar a "acompanhar com empenho" a luta .Exactamente um ano após a aprovação do Estatuto que originou toda a agitação no sector. E um mês e meio depois do protesto de 3 de Dezembro, que bateu recordes de adesão -66,7% segundo o Governo, 94% para os sindicatos -, a expectativa é alta.Não porque se espere novo recuo ministerial mas, sobretudo, para avaliar em que medida o "simplex" avaliativo aprovado este mês - onde desapareceram alguns dos itens mais controversos, como os resultados dos alunos - serviu para desmobilizar os contestatários. Numa altura em que o ano lectivo está praticamente a meio este será um teste da forças dos professores.O Ministério da Educação voltou ontem a recusar fazer quaisquer comentário sobre este tema. Já os sindicatos - que, no final do mês, começam a discutir na 5 de Outubro uma revisão da carreira onde esperam acabar com a divisão entre professores e titulares e com as quotas - estão optimistas.61 mil em abaixo-assinado"Não sei se repetiremos os números de Dezembro", admitiu ao DN Lucinda Manuela, da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), "mas se houver um grande protesto, o Ministério da Educação terá de perceber que não pode continuar mais tempo de costas voltadas para os professores"."Vai ser um sinal muito forte dos professores", antecipou Mário Nogueira, da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), revelando que, "só até sexta-feira, já tinham sido recolhidas 61 mil assinaturas" no abaixo-assinado que a Plataforma entrega esta tarde no ministério. " Todos os indicadores que temos vão no sentido de uma greve de dimensão semelhante à anterior, que vai aproximar-se dos 90%".Uma mobilização que, segundo Mário Machaqueiro, da Associação dos Professores em Defesa do Ensino , vai contar com os independentes: "A greve não pode ser interpretada como o passo final da luta dos professores, até porque temos outros protestos agendados. Mas a expectativa é de uma adesão bastante significativa ".Atentos estarão também partidos da oposição, como o PSD que viu recentemente chumbada no Parlamento a sua proposta de suspensão da avaliação: "Espero uma grande greve", disse o deputado Emídio Guerreiro. "Do Ministério, sinceramente, não espero muito. Mas a a rejeição existe e vai continuar. Era importante que acabasse com um braço-de-ferro cujo desfecho será sempre negativo".

A primeira avaliação da guerra da avaliação

Hoje pode ser o dia D para a luta dos professores portugueses contra a avaliação. Depois dos recuos do ministério - que se recusa a falar em recuos - e da promulgação do regime simplifcado pelo Presidente da República, o movimento ficou sem grande margem de manobra. Foi, também ele, recuando para os redutos mais radicais da luta. E é essa radicalização que hoje será avaliada. É óbivo que o ambiente e a opinião pública já mudaram - se é que alguma vez estiveram do lado dos que não pretendem nenhum tipo de avaliação. Resta agora perceber que efeitos que isso teve nos próprios professores - são 140 mil ao todo, e desses muitos há que precisam da avaliação deste ano para subirem de escalão, outros haverá que estão cansados (económica e psicologicamente) desta luta tão comprida.Em todo o caso, até ao final do ano, que é como quem diz até ao final da legislatura e eleições, haverá dois números-chave para a ministra da Educação e para todo este processo. Um será a adesão da greve de hoje. Aqui, os sindicatos levam uma certa desvantagem analítica, porque este estará sempre em comparação com o estrondoso número da greve de Dezembro. O outro número é mais real: será no final deste mês quando se souber quantos professores entregaram os objectivos individuais para serem avaliados. Esta equação permitir-nos-á avaliar, com toda a certeza, quantos professores já estão contentes com o modelo simplificado, quantos querem de facto ser avaliados. E no final se perceberá quam ganhou esta guerra. Se os professores ou o ministério. Ou ainda, e mais importante, os alunos. Paulo Portas bem pode apelar ao voto do centro-direita e dos "descontentes" com o socialismo. Bem pode bramar que não quer ser "muleta de ninguém". Mas falta-lhe a frase mágica - 'em nenhuma circunstância faço acordos com o PS'. Sem ter dito essa frase, todas as dúvidas se tornam legítimas. Nas Caldas da Rainha, Portas deixou entreaberta a porta de um acordo, seja com quem for, caso a maioria que saia das
PS. Normalização de relações com sindicatos, casamentos entre homossexuais, fim dos offshores, regionalização... Tudo questões ideológicas... à esquerda. Aliás, o líder do PS não esconde que se candidata em defesa dessas bandeiras. Aparentemente, um eventual entendimento com o CDS parece inviável. Mas em política tudo é relativo tal como as maiorias. E se as sondagens estiverem certas, Paulo Portas pode bem ser a chave da estabilidade socrática.
DN- 19/01/09

Escolas sem aulas e a funcionar a meio gás em todo o País

Escolas de todo o país começaram hoje o dia sem aulas ou a funcionar a meio gás por causa da greve de professores, constatou a Lusa numa ronda por diversos estabelecimentos de ensino.
Na secundária Jaime Cortesão, em Coimbra, por exemplo, onde esteve Mário Nogueira, o porta-voz da plataforma sindical que convocou o protesto, não houve aulas no início da manhã e os poucos alunos que estavam na escola às 08:30 preparavam-se para regeressar a casa.
Também na EB 2/3 D. Afonso III, em Faro, onde estudam cerca de 600 alunos, só houve uma aula à primeira hora. Dezenas alunos estavam concentrados no exterior da escola, assegurando não ter aulas. Nas grades que cercam o recinto, está colado um cartaz onde se lê: «Professores e educadores todos juntos em luta por um estatuto profissional digno e valorizado».
Ainda em Faro, na escola básica do Carmo também só um dos seis professores que habitualmente dão aulas logo de manhã estava hoje na escola.
Em Torres Vedras, a escola Secundária Madeira Torres está encerrada. A outra secundária da cidade tem as portas abertas, mas há muitos alunos sem aulas.Em Lisboa, na secundária Maria Amália Vaz de Carvalho, o cenário encontrado pela Lusa à mesma hora era semelhante: uma parte dos alunos tiveram mesmo de ficar na escola, porque muitos professores decidiram não fazer greve. Um funcionário da escola disse à Lusa que o parque de estacionamento costuma estar cheio logo de manhã, mas hoje tem apenas metade dos carros do que é normal.
Ainda em Lisboa, a secundária do Restelo está aberta, mas a Lusa encontrou muitos alunos no recinto sem aulas.
Em Leiria, as principais escolas secundárias da cidade encontram-se de portas abertas, mas não a funcionar normalmente, devido à greve dos professores.
O mesmo sucede nos concelhos da Marinha Grande e Alcobaça. Neste último, fonte do conselho executivo da Secundária D. Pedro I informou que dos quase cem professores do estabelecimento, «50 por cento estão a fazer greve».

Lurdes Rodrigues e Sócrates estão hoje a ser avaliados


Mário Nogueira considera que greve de professores era inevitável

O secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, referiu esta segunda-feira, em declarações à TSF, que não restava outra opção aos professores que o regresso à greve. De acordo com os primeiros números do sindicato, a adesão é superior aos 90 por cento em todo o país.

Os professores marcaram para, esta segunda-feira, mais uma greve nacional contra o modelo e o processo de avaliação dos docentes.
O objectivo da plataforma dos sindicatos dos professores é repetir ou pelo menos ficar perto da adesão registada no protesto de Dezembro.
O secretário-geral da FENPROF e porta-voz da plataforma dos sindicatos dos professores, Mário Nogueira, considera que voltar à greve era inevitável, de outro modo o Governo ignora as razões das queixas dos docentes.
«Não nos parece que seja um exagero, pelo contrário até parece que o Governo e o Ministério da Educação só conseguem ouvir a voz da greve porque enquanto os professores lutaram à noite e ao fim-de-semana foi como se nada existisse», sublinhou o dirigente sindical.
O secretário-geral da FENPROF está por isso convencido que a adesão à greve desta segunda-feira ficará próxima da registada na paralisação de 3 de Dezembro.
Na última paralisação nacional de docentes, os sindicatos apontaram uma adesão na ordem dos 94 por cento, enquanto segundo os números avançados pelo Ministério da Educação não foi além dos 66,7 por cento, valor que a tutela considerou «significativo».
Os sindicatos exigem a suspensão e substitução do modelo de avaliação de desempenho e, relativamente ao Estatuto da Carreira Docente (ECD), querem eliminar a divisão da carreira em categorias hierarquizadas (professores e professores titulares) e abolir a existência de quotas para a atribuição de «Muito Bom» e «Excelente» nas classificações da avaliação.
Relativamente a novas formas de luta, os sindicatos reservam o anúncio de novos protestos para depois do arranque das negociações de revisão do ECD, a 28 de Janeiro, caso o ministério de Maria de Lurdes Rodrigues não reconsidere.

Rever gestão escolar é a luta seguinte na Educação

Sindicatos prevêem nova forte adesão na segunda greve em mês e meio
00h30m
ALEXANDRA INÁCIO

Os sindicatos querem rever o modelo de gestão escolar depois de concluída a revisão do Estatuto da Carreira Docente, que começa dia 28. Hoje os professores voltam a fazer greve. O Governo considera a paralisação injustificada.
"Logo que acabe" a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD) a "intenção" dos sindicatos é de mexerem no modelo de gestão escolar. "Se o Ministério aceitar o fim da divisão da carreira deixam de existir professores titulares e terão de se encontrar soluções, dentro do Conselho Pedagógico, sobre quem serão os avaliadores", explicou ao JN Carlos Chagas. Para o presidente do Fenei/ Sindep, tal como para os restantes dirigentes sindicais, a greve de hoje vai voltar a ter "uma forte adesão", mesmo que não fique acima dos 90% como a de 3 de Dezembro.
À tarde, a Plataforma Sindical entrega um abaixo-assinado no ME pela revogação do ECD. A contagem do número de subscrições vai ser feito até ao momento de entrega. Desde sexta-feira que os funcionários da Fenprof se dedicam a essa tarefa. A previsão de Manuel Grilo, dirigente do SPGL, é que o total de assinaturas ronde as 70 mil.
Do lado do Governo, o secretário de Estado Adjunto da Educação, Jorge Pedreira, defendeu ao JN começar a ser difícil gerir um processo em que uma das partes exerce pressões, como a convocação de uma greve, nas vésperas de novo processo negocial. Anteontem, a tutela admitiu que a greve de 3 de Dezembro teve uma adesão de 66,7%, ou seja mais 6% do que a divulgada nessa altura.
Amanhã, a Fenprof deve apresentar a sua proposta sobre a prova de ingresso na carreira docente - o primeiro tema, que será debatido nas reuniões de 28 e 29, no âmbito da revisão do ECD. O Fenei/Sindep também vai entregar uma proposta. Já a FNE só deverá fazê-lo em relação à divisão da carreira, tema que será debatido nas reuniões de 11 e 12 Fevereiro.
Desde a entrada em vigor do segundo regime simplificado de avaliação, que as escolas têm aprovado moções pela suspensão do processo. A Fenprof garante que cerca de 50 agrupamentos já confirmaram a suspensão e que muitas outras o devem fazer esta semana. Hoje, recorde-se, termina o prazo para os presidentes dos conselhos executivos afixarem o calendário da avaliação. Os docentes têm até final do mês para entregar os objectivos individuais.
"Por mais simplificações que façam o modelo não é aplicável", defende ao JN, Lucinda Manuela. Carlos Chagas frisa: "a ministra não mexeu no modelo, a simplificação é só para este ano"; e o dirigente do Movimento Promova garante que os docentes não podem aceitar o "simplex 2 porque querem uma avaliação exigente e justa e não um modelo que dispense os ítens pedagógicos".
Tanto a dirigente da FNE como o presidente do Sindep admitem que se o Governo aceitasse a carreira única o conflito seria superado. "Neste momento a resistência tem duas frentes: nas escolas, que é onde o processo está parado, e a pressão ao ME", afirmou Octávio Gonçalves. Os movimentos realizam sábado uma manifestação frente ao Palácio de Belém.
"O Presidente tem sido poupado mas enquanto órgão máximo de soberania tem o dever de mediar o conflito e de ouvir os professores, coisa que ainda não fez", argumenta Mário Machaqueiro da APEDE. Sindicatos e movimentos admitem endurecer as iniciativas de luta caso o ME "não manifeste um verdadeiro espírito negocial" nas reuniões de 28 e 29.

Professores voltam hoje à greve entre dúvidas sobre um boicote geral à avaliação


Nova jornada de luta dos sindicatos e dos movimentos independentes


19.01.2009 - 08h37 Graça Barbosa Ribeiro, Clara Viana
Com 94 por cento de adesão em Dezembro, segundo os sindicatos - 66,7 pela nova contagem do Ministério da Educação -, a fasquia para a segunda greve de professores deste ano lectivo, marcada para hoje, está colocada muito alto. Os presidentes dos conselhos executivos ouvidos pelo PÚBLICO optaram por não avançar prognósticos, entre os professores há quem aposte em alta, mas também quem preveja uma quebra.Ao fim da tarde de ontem, Mário Nogueira, porta-voz da Plataforma Sindical de Professores, que convocou a greve, continuava optimista: "As indicações que nos chegam das escolas apontam para uma grande adesão". O sindicalista reafirmou também o que tem vindo a dizer nas últimas semanas - que esta é fundamental" para o desfecho das negociações com vista à revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD), com um primeiro round marcado para o próximo dia 28. A greve de hoje coincide com o segundo aniversário da entrada em vigor do ECD, que está na origem do actual clima de contestação, devido à divisão da carreira docente em duas categorias (professores titulares e não-titulares), à imposição de quotas para aceder à mais elevada, e à criação de um modelo de avaliação com "critérios subjectivos", já simplificado por duas vezes, mas que no "essencial se mantém igual", segundo Nogueira.Mas com o novo calendário de avaliação já afixado em muitas escolas, será sobretudo nestas que se irá jogar o futuro deste modelo de avaliação. "Está tudo na mão dos professores", frisou Rosário Gama, um dos 139 presidentes dos conselhos executivos que reclamaram junto do ME a suspensão da avaliação. "Terão de ser eles a travar o processo não entregando os objectivos individuais (OI)", especificou quinta-feira, no final de um encontro de quatro horas com a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, A possibilidade de demissão em bloco destes responsáveis deverá ser um dos pontos em discussão no próximo encontro destes responsáveis, convocado para 7 de Fevereiro, em Coimbra. Entretanto, os PCE decidiram,"cumprir a lei", determinando e afixando o calendário das várias fases da aplicação do modelo de avaliação. "Se não cumprirmos a lei, somos de imediato substituídos pelo Governo e pensamos que, nesta fase, somos mais úteis na escola, ao lado dos professores. Quanto a estes, e como disse o próprio secretário de Estado Jorge Pedreira, só poderão ser punidos se não entregarem a auto-avaliação, uma questão que só se colocará em Julho", explica a presidente do CE da Infanta D. Maria, de Coimbra. "Por essa altura estou mais do que convencido de que o modelo de avaliação já estará suspenso", frisa Nogueira. Prazos diferentesO novo prazo dado aos presidentes dos CE para afixarem o calendário da avaliação termina amanhã. O PÚBLICO confirmou, numa ronda por escolas, que em muitas estes já foram afixados. A maioria estará a dar 15 dias aos seus docentes, mas por exemplo no agrupamento Clara de Resende, no Porto, este prazo foi dilatado para meados de Fevereiro. José Pinhal, presidente do CE, pensa que a maioria dos seus docentes não entregará os OI, dando cumprimento ao que decidiram em duas reuniões. "Quando decidiram não entregar os objectivos, o ambiente melhorou logo muito. Os professores descontraíram-se e puderam entregar-se às actividades lectivas", conta. Já Isabel Ramos, presidente do CE da Escola Secundária Camões, em Lisboa, não faz prognósticos, embora recorde que, apesar de se terem pronunciado, por duas vezes, contra a entrega dos OI, a maioria dos professores da escola acabou por o fazer ainda antes da nova simplificação. Segundo a Fenprof, cerca de 200 escolas e agrupamentos voltaram na semana passada a insistir na recusa da avaliação. Ricardo Montes, professor de Biologia e Geologia do 3.º ciclo no agrupamento vertical de escolas de Torre de Moncorvo, ainda não decidiu o que fazer. Fala de "dois factores em conflito": discorda profundamente do modelo de avaliação, mas também está habituado a pensar que, em democracia, um cidadão deve cumprir a lei em vigor. Sustenta que se recusar entregar os OI também terá que recusar a auto-avaliação, obrigatória por lei. "Não existem posições de conforto ou saídas airosas. Conheço as consequências, agora só falta mesmo escolher se estou disposto a sacrificar dois anos da minha vida profissional em prol do sistema educativo português". Eugénia Pinheiro, professora de Português na Escola EB 2-3 Mário de Sá Carneiro, em Camarate, já decidiu: não vai entregar. "Querem convencer-me de que ando a trabalhar há 36 anos sem objectivos, que durante estes anos nada fiz que tivesse préstimo, que nunca fui avaliada, em suma que nem existi". E os outros professores da sua escola? "A maioria não quer entregar, mas ainda estão na fase de se entreolharem a ver o que vai na cabeça de cada um".

“Aconteceu uma coisa terrível na Educação: tudo tem de ser divertido, nada pode dar trabalho”


19.01.2009 - 08h42 Bárbara Wong



Entrevista a Alice Vieira



É por causa dos seus livros que Alice Vieira é convidada para ir às escolas. Há 30 anos, falava de “Rosa, minha irmã Rosa” aos alunos dos 3.º e 4.º anos, hoje fala sobre o mesmo livro aos estudantes dos 7.º e 8.º. “Alguma coisa está mal”A escritora Alice Vieira começa por dizer que de educação percebe pouco. “Nunca fui professora na minha vida!”, justifica. Mas há três décadas que anda pelas escolas e observa o que se passa no mundo da educação. O retrato que faz, reconhece ser “assustador”: professores com fraca formação, alunos que não compreendem o que aprendem. Defende mais disciplina e mais autoridade para a escola. Quanto à luta dos docentes confessa, bem disposta: “Saúde e Educação seriam os ministérios que nunca aceitaria!”. Teme que se a contestação continuar o ano lectivo possa estar perdido.Esta é a segunda greve de professores, este ano lectivo. Em que é que estas acções influenciam a qualidade da escola pública?Os professores têm um calão muito próprio e gostava que um professor e a senhora ministra da Educação se sentassem e me explicassem o que é que é a avaliação? O que é que os professores têm que fazer? Para eu perceber! Os professores dizem que têm muitas fichas para preencher. Que tipo de fichas? O que é que a ministra quer fazer com aquilo?Sente que a opinião pública tem as mesmas dificuldades em compreender o que se passa?A maior parte não compreende e os professores queixam-se disso mesmo. Eu não quero acreditar que o que se passa é como aquela anedota, em que “todos vão com o passo errado e só o meu filho é que vai no passo certo”. O descontentamento é geral e quando 140 mil professores vêm para a rua, é óbvio que devem ter razão, mas não têm toda. A ideia que tenho, desde o princípio é de que a ministra tem razão em querer que os professores sejam avaliados, mas ela não sabe transmitir o que quer. Isso reflecte-se no modo como as negociações têm sido conduzidas?Sim, é visível nos vai-e-vem. Agora avalia-se assim e depois já é de outra maneira... As pessoas não sabem muito bem o que é ou não é. A ideia que passa é que os professores não querem trabalhar, que não querem ser avaliados e é fácil veicular essa ideia porque os professores são um grupo complicado. Porquê?Porque chegam a uma certa altura da carreira, têm os seus direitos adquiridos e é mais difícil aceitar outras coisas. Chega-se a uma altura em que as pessoas estão cansadas.Sente isso nas escolas aonde vai?A primeira coisa que ouço dizer é: “Estou cansada”, “vou-me reformar”, “estou farta disto”, “não me pagam para isto”... É só o que eu ouço.Mas sempre ouviu esses lamentos ou agudizaram-se nos últimos anos?Há 30 anos que vou às escolas e ouço-o agora. As leis são iguais para todos, mas há escolas onde dá gosto ver o trabalho que os professores fazem, que estão motivados e a ministra é a mesma! Não é a totalidade das escolas, mas sobretudo nas mais afastadas, nas do interior, encontro gente motivada e a fazer bons trabalhos. Essas escolas nem vêm no ranking das melhores. Também vou a privadas, ligadas à Igreja Católica, às vezes converso com professoras minhas amigas e conto-lhes: “Os alunos entram em fila, ou levantam-se quando eu entro, não fazem barulho...”. E respondem-me: “Está bem, mas isso é nessas escolas”. E eu pergunto: “Mas se está bem para essas escolas, porque é que não está para as outras?!” A escola pública está a perder qualidade?Há um desinteresse, um cansaço e depois há o problema da formação. Eu não quero generalizar, mas esta gente mais nova... Qual é a preparação que tem? Converso com professores e é um susto, desde a língua portuguesa tratada de uma maneira desgraçada, até ao desconhecimento de autores que deviam ter a obrigação de conhecer... Sabem muito bem o eduquês, mas passar além disso, é difícil. Muitos professores com que lido têm uma formação muito, muito, muito deficiente. Eles fazem com cada erro, que eu fico doida! E não só falam mal como se queixam diante dos miúdos. Podem dizer mal entre eles, mas não diante dos alunos, que depois reproduzem e a balda vai ser completa. A responsabilização dos professores é fraca, eles não são muito seguros e os alunos sentem que os professores não são seguros. E por isso há atitudes de indisciplina e de violência?Por exemplo, as manifestações dos miúdos também me perturbam um bocadinho, porque eles não sabem o que andam ali a fazer. Os miúdos devem aprender a falar bem, para saber reclamar, reivindicar, é uma questão de educação.Mas nesse caso a culpa não é da escola, pois não?Também é. Os professores queixam-se muito que têm de ser pai, mãe, assistente social, educadores... Pois têm! Porque a vida dos miúdos é na escola. Em casa não lhes dão as mínimas noções de educação, o simples “obrigada, se faz favor, desculpe”. Quando os alunos vêem os professores na rua, a berrar e a gritar, o que é que eles pensam? Os alunos manifestam-se para exigir melhor ensino? Não. Não os vejo preocupados porque os professores os ensinam mal.Com alunos e professores na rua, o ano lectivo está perdido?Não me parece que esteja perdido, se houver bom senso. Não se pode estar a brincar. As pessoas não entendem muito bem que o maior investimento que podem fazer é na educação. Se não tivermos gente educada, a saber, capaz, o que é que vai ser de nós? Estamos a fazer uma geração que não se interessa, não sabe nada, mas berra e grita. E isso perturba-me.Volto a perguntar, a educação está a perder qualidade?Eu comecei a ir às escolas há 30 anos, para apresentar o meu primeiro livro “Rosa, minha irmã Rosa” e ía falar com os alunos de 3.º e 4.º anos. Agora vou, exactamente com o mesmo livro falar a alunos dos 7.º e 8.º anos. Alguma coisa está mal. É assustador! Outra coisa assustadora é a utilização da Internet.Não concorda com o acesso dos mais novos às novas tecnologias?Estamos a queimar etapas, a atirar computadores para os colos dos miúdos quando não sabem ler nem escrever. Só devia chegar quando tivessem o domínio da língua e da escrita. E os mais velhos?Os mais velhos, não sabem utilizar a Internet, não sabem pesquisar, eles clicam, copiam e assinam por baixo. Eu chego a uma escola, vou ver e fizeram 50 trabalhos sobre um livro meu, todos iguais, com os mesmos erros e tudo, porque descarregam da Internet. Pergunto aos professores e respondem-me: “Mas eles tiveram tanto trabalho a procurar...” O professor tem que ensinar a pesquisar. Às vezes, estou a falar com os alunos e tenho a sensação nítida de que não estão a perceber nada do que eu estou a dizer.Essa sensação é generalizada?No geral, as crianças têm muitas, muitas dificuldades. E os professores, logo à partida, têm medo que os alunos se cansem e nem tentam! “O quê? Dar isso? Eles não gostam, cansam-se”. Há um medo de cansar os meninos. Desde 1974 que os alunos têm sido muito cobaias da educação. E os professores e os alunos não sabem muito bem o que é que andam a fazer... Aconteceu uma coisa terrível é que tudo tem que ser divertido. Há duas palavras que me põem fora de mim: moderno e lúdico! Tudo tem que ser lúdico, tem de ser divertido, nada pode dar trabalho. Não pode ser!É preciso mudar a mensagem?Quando vou às escolas esforço-me imenso por transmitir aos alunos que as coisas dão trabalho. E eles olham para mim como se fosse uma coisa terrível. Há muitas maneiras de se abordar as coisas, mas se os próprios professores passam a mensagem de não querer ter trabalho... Quando vou ao estrangeiro, vejo os professores e penso “se fosse em Portugal, não era assim”. Eles fazem o que for preciso fazer. Cá dizem que não é da sua competência... Isso é complicado. Disse que as escolas do interior são diferentes das de Lisboa. Essas diferenças não se devem aos públicos que cada escola acolhe?Sim, os miúdos de Lisboa têm mais solicitações, ao passo que para os de Trás-os-Montes, a ida de um escritor à escola é uma festa! Em Lisboa já não há lisboetas, há miúdos de todas as terras, de todos os países... E porque é que os miúdos da Europa de Leste se destacam nas escolas? Porque vêm de culturas de trabalho e, desde cedo, ouvem dizer que têm quee trabalhar. Com a democracia, as portas abriram-se, a escola deixou de ser de elite e estão todos na escola. Ainda bem! Mas os professores não estavam preparados para isso e admito que é difícil.Falta-lhes formação?Eu gostava de saber onde é que os professores são formados! Mas tendo alunos tão diferentes é necessário fazer formação. Porque, coitados dos professores, são deitados às feras! Como se chega aos alunos? Muitas vezes, olho para eles e vejo que não estão a ouvir nada. E eu apanho o melhor da escola, a parte boa, não tenho um programa para dar. Agora, quem está todos os dias na escola, compreendo que seja um stress terrível. A educação é daquelas matérias em que, se calhar, são precisas medidas impopulares, mas necessárias. Na educação nunca se fez um salto, que é necessário, nunca houve um ministro de quem se diga “fez”.É precisa mais disciplina?É preciso mais autoridade, o professor não pode fazer nada, não tem autoridade nenhuma. A solução passa por mais interesse e mais disciplina. O gosto pelo que se faz. E o professor tem que sentir esse gosto e passar aos miúdos. A profissão é de risco, de missionário e não de funcionário público na acepção perjurativa da palavra. Não é uma profissão como as outras e não é seguramente a de preencher impressos...Como é exigido na avaliação?Voltamos à avaliação! Ela é necessária, todos nós devemos ser avaliados, mas não pelo parceiro do lado ou pelo filho do patrão! Não faço ideia de como é que se avalia, mas na educação existe gente competente, que estudou, e devia ser chamada para dizer como avaliar. Não concordo que sejam avaliados entre eles. Não se pode ser irredutível, quer dum lado [professores] quer do outro [ministério]. As manifestações, no momento a que se chegou, não levam a nada, já vimos que agita, mas não levam a nada. Parece-lhe que o conflito entre ministério e professores não tem fim à vista?Os professores estão cansados, o que também é mau, porque aceitar uma situação só porque já se está cansado não é bom. Tem de haver uma solução, senão o ano lectivo perde-se e o culpado não será só um.

Simplificação da avaliação não resolveu «constrangimentos» de base do modelo

O descontentamento dos professores mantém-se porque a simplificação da avaliação não acabou com o problema de base: serem os titulares a avaliar os colegas, explica a presidente da secundária Infanta Dona Maria, Coimbra, uma das caras da contestação da classe.
«Todos os dias sei de novas escolas que estão a suspender [a avaliação dos professores]. A simplificação [que entrou em vigor este mês] não resolveu o problema. Os constrangimentos que existiam continuam a existir», disse à Lusa Rosário Gama, representante dos 139 responsáveis de escolas que esta semana voltaram a apelar à suspensão do processo.Segundo explicou a responsável hoje, no dia em que os professores voltam à greve contra as políticas do ministério da Educação, o problema de base do modelo de avaliação definido pelo Governo «radica na questão de serem os professores titulares a avaliar os colegas, que não lhes reconhecem competência para tal».«O grande problema tem a ver com a divisão da carreira entre titulares e não titulares e com a ausência de uma formação adequada para os professores avaliadores», afirmou, sublinhando que continua a viver-se um clima de «intranquilidade» nas escolas.Na Internet, em sites de escolas e blogues dedicados à Educação, estão disponíveis cerca de cem documentos aprovados em assembleias-gerais de professores, já depois das medidas de simplificação anunciadas em Novembro pelo Governo, nos quais os docentes reafirmam a sua recusa em participar em qualquer procedimento relacionado com o modelo de avaliação.«Os professores da Escola Secundária c/ 3º Ciclo Fernando Namora, coerentes com todas as tomadas de posição que têm assumido ao longo deste processo, reafirmam a sua vontade em manter a suspensão do mesmo», refere, por exemplo, um documento aprovado quarta-feira passada por 61 dos 73 docentes deste estabelecimento de ensino de Condeixa-a-Nova.Também na secundária de Camões, em Lisboa, 126 docentes reunidos em assembleia-geral na passada quarta-feira decidiram «assumir, colectiva e individualmente, a posição tomada em 5 de Novembro de 2008, continuando a não realizar qualquer acção relacionada com este processo de avaliação de professores».
Lusa / SOL

Professores regressam hoje à greve, sindicatos esperam adesão superior a 90%

Os professores realizam hoje mais uma greve, em protesto contra o modelo de avaliação de desempenho e o Estatuto da Carreira Docente, estimando os sindicatos uma adesão superior a 90 por cento, à semelhança da registada a 3 de Dezembro

Na última paralisação nacional de docentes, os sindicatos apontaram uma adesão na ordem dos 94 por cento, enquanto segundo os números avançados pelo Ministério da Educação não foi além dos 66,7 por cento, valor que a tutela considerou «significativo».«O Ministério da Educação vai ter de avaliar se quer ou não ter esta luta dos professores. Nunca a vamos deixar cair e estou convencido de que os professores vão ter força para lutar por isto, seja com este Governo, seja com qualquer outro, pelo tempo que for preciso», afirmou Mário Nogueira, porta-voz da Plataforma Sindical de Professores, em declarações à Agência Lusa.Os sindicatos exigem a suspensão e substituição do modelo de avaliação de desempenho e, relativamente ao Estatuto da Carreira Docente (ECD), querem eliminar a divisão da carreira em categorias hierarquizadas (professores e professores titulares) e abolir a existência de quotas para a atribuição de ‘Muito Bom’ e ‘Excelente’ nas classificações da avaliação.A greve de hoje foi convocada no final da manifestação de 8 de Novembro, em Lisboa, que segundo as estruturas sindicais reuniu cerca de 120 mil professores.Relativamente a novas formas de luta, os sindicatos reservam o anúncio de novos protestos para depois do arranque das negociações de revisão do ECD, a 28 de Janeiro. Tudo depende da «atitude» da equipa da ministra Maria de Lurdes Rodrigues durante esse processo.«Vai depender da forma como as coisas evoluírem durante a revisão do ECD. Os objectivos dos professores são claros, mas se não forem alcançados vamos continuar a lutar, nas mesmas dimensões», promete o dirigente sindical.
Lusa / SOL

Professores falam em adesão à greve superior a 90%


O porta-voz da plataforma sindical dos professores, Mário Nogueira, afirmou que os primeiros dados sobre a adesão à greve de hoje apontam para "adesões superiores a 90 por cento" em todo o País.
Em declarações aos jornalistas esta manhã, na secundária Jaime Cortesão, em Coimbra, Mário Nogueira considerou que a paralisação de hoje "representa uma grande derrota das políticas educativas do Governo".
Os professores realizam hoje mais uma greve, em protesto contra o modelo de avaliação de desempenho e o Estatuto da Carreira Docente, estimando os sindicatos uma adesão superior a 90 por cento, à semelhança da registada a 3 de Dezembro.
Na última paralisação nacional de docentes, os sindicatos apontaram uma adesão na ordem dos 94 por cento, enquanto segundo os números avançados pelo Ministério da Educação não foi além dos 66,7 por cento, valor que a tutela considerou "significativo".


Lusa
9:37 Segunda-feira, 19 de Jan de 2009

Vale a pena lembrar algumas destas frases do Ministério da Educação!!!!

domingo, janeiro 18, 2009

Coragem!!!!!

A escola pública está de luto.
Greve dia 19

Coragem!!!!!


Documento aprovado em Santarém por 139 presidentes de Conselhos Executivos
Exma. Sra. Ministra da Educação,
As Presidentes e os Presidentes dos Conselhos Executivos das Escolas em relação infra, reunidos em 10/01/2009, cientes e convictos das suas obrigações perante Vª. Exa. e perante a Escola, cientes e convictos da importância e necessidade de implementação de um processo de avaliação que promova, eficiente e eficazmente, a qualidade do ensino público e da condição docente, cientes e convictos, ainda, da importância do seu contributo em tudo o que à Escola Pública respeita, unanimemente entenderam dever manifestar a Va. Exa.:
1) que a regulamentação agora publicada, apesar de retirar do processo avaliativo alguns parâmetros anteriormente previstos, não se torna, ainda assim, mais exequível, nomeadamente por força da concentração de competências no Presidente do Conselho Executivo;
2) que a mesma regulamentação, ao consignar a não obrigatoriedade de os Professores serem avaliados na componente científico-pedagógica, não só não promove, como compromete, a qualidade do ensino;
3) que este processo de avaliação, a realizar-se nos termos agora regulamentados, promoverá a injustiça entre pares, constituindo-se, assim, como instrumento promotor de desmotivação e consequente mau instrumento de gestão, pois não assegura, de forma distinta, a avaliação do mérito científico-pedagógico;
4) que a insistência, assim, no actual modelo de avaliação, compromete a construção, desde já e a longo prazo, de um modelo de avaliação justo, sério e credível, bem como desvia significativamente a Escola da sua principal razão: a educação dos alunos;
5) ser da maior importância, para a realização de uma justa e credível avaliação do desempenho dos Professores em sede da respectiva escola, a rectificação da injustiça instalada nas escolas com o processo de concurso para Professores titulares, no qual não foi dado o primado ao mérito profissional;
6) haver, pelo exposto e a fortiori, fundamento suficiente para reiterar a posição maioritária do Conselho de Escolas, favorável à suspensão deste processo de avaliação de desempenho.
Mais unanimemente entenderam, considerando que a sua responsabilidade e missão não se esgotam num papel puramente funcional, ser a respectiva avaliação em quadro de SIADAP desadequada, pelo que solicitam consequente revisão de tal.
Reiterando a disponibilidade neste acto expressa, são:
Presidentes dos Conselhos Executivos das(os) seguintes Escolas/Agrupamentos:
Agrupamento Afonso Betote – Vila do Conde
Agrupamento Cidade Castelo Branco
Agrupamento de Escolas a Sudoeste de Olivelas
Agrupamento de Escolas Anselmo de Andrade – Almada
Agrupamento de Escolas António José de Almeida – Penacova
Agrupamento de Escolas D. Afonso Henriques – Guimarães
Agrupamento de Escolas D. Nuno Álvares Pereira – Tomar
Agrupamento de Escolas D. Sancho I –Cartaxo
Agrupamento de Escolas da Cordinha – Oliveira do Hospital
Agrupamento de Escolas da Guia – Pombal
Agrupamento de Escolas da Lousã
Agrupamento de Escolas da Pedrulha – Coimbra
Agrupamento de Escolas da Pontinha – Odivelas
Agrupamento de escolas de Aguada de Cima – Águeda
Agrupamento de Escolas de Aguiar da Beira
Agrupamento de Escolas de Almeida
Agrupamento de Escolas de Anadia
Agrupamento de Escolas de Cabanas do Viriato – Carregal do Sal
Agrupamento de Escolas de Campo de Besteiros - Tondela
Agrupamento de Escolas de Canas de Senhorim
Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal
Agrupamento de Escolas de Ceira - Coimbra
Agrupamento de Escolas de Entre Ribeiras – Paul- Covilhã
Agrupamento de Escolas de Figueira de Castelo Rodrigo
Agrupamento de Escolas de Góis
Agrupamento de Escolas de José Relvas – Alpiarça
Agrupamento de Escolas de Midões
Agrupamento de Escolas de Miranda do Corvo
Agrupamento de Escolas de Mortágua
Agrupamento de Escolas de Nelas
Agrupamento de Escolas de Oliveira de Frades
Agrupamento de escolas de Ourém
Agrupamento de Escolas de Pinhel
Agrupamento de Escolas de S. Pedro do Sul
Agrupamento de Escolas de S. Silvestre – Coimbra
Agrupamento de escolas de Santo Onofre – Caldas da Rainha
Agrupamento de Escolas de Soure
Agrupamento de Escolas de Vizela
Agrupamento de Escolas de Vouzela
Agrupamento de Escolas do Caramulo – Tondela
Agrupamento de Escolas do Concelho de Vila do Bispo
Agrupamento de Escolas do Sátão
Agrupamento de Escolas do Tortosendo
Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Fernandes – Abrantes
Agrupamento de Escolas Febo Moniz – Almeirim
Agrupamento de Escolas Finisterra – Febres – Cantanhede
Agrupamento de Escolas Gil Vicente – Lisboa
Agrupamento de Escolas Inês de Castro – Coimbra
Agrupamento de Escolas Maria Pais Ribeiro "A Ribeirinha" – Vila do Conde
Agrupamento de Escolas Marinhas do Sal – Rio Maior
Agrupamento de Escolas Martim de Freitas - Coimbra
Agrupamento de Escolas Padre António Andrade – Oleiros
Agrupamento de Escolas S. Martinho do Porto – Alcobaça
Agrupamento de Escolas Santa Cruz da Trapa – S. Pedro do Sul
Agrupamento de Escolas Silva Gaio – Coimbra
Agrupamento de Escolas Soares dos Reis – Vila Nova de Gaia
Agrupamento de Escolas Virgínia Moura - Guimarães
Agrupamento de Samora Correia – Benavente
Agrupamento de Vila Nova de Poiares
Agrupamento do Avelar
Agrupamento Fazendas de Almeirim – Almeirim
Agrupamento Idães – Felgueiras
Agrupamento Marcelino Mesquita – Cartaxo
Agrupamento Maria Alice Gouveia – Coimbra
Agrupamento Marquês de Pombal – Pombal
Agrupamento Paço de Sousa – Penafiel
Agrupamento Pêro da Covilhã
Agrupamento Vale Aveiras – Azambuja
Agrupamento Vertical de Escolas – Alcochete
Agrupamento Vertical de Escolas de Ponte da Barca
Conservatório de Música de Coimbra
EB23 Alexandre Herculano – Santarém
EB23 António Correia de Oliveira - Esposende
Eb23 Ciclos Santa Iria – Tomar
EB23/S de Oliveira de Frades
Escola Sec. Com 3º Ciclo Fernando Namora de Condeixa-a-Nova
Escola Sec/3 de Pinhel
Escola Sec/3 de Raul Proença – Caldas da Rainha
Escola Secundária /3 de Alcanena
Escola Secundária Alberto Sampaio – Braga
Escola Secundária Avelar Brotero – Coimbra
Escola Secundária Cacilhas – Tejo – Almada
Escola Secundária D. Duarte – Coimbra
Escola Secundária da Lousã
Escola Secundária da Lousada
Escola Secundária da Mealhada
Escola Secundária da Quinta das Flores – Coimbra
Escola Secundária Daniel Faria – Baltar
Escola Secundária de Arganil
Escola Secundária de Barcelinhos – Barcelos
Escola Secundária de Barcelos
Escola Secundária de Barcelos
Escola Secundária de Felgueiras
Escola Secundária de Figueira de Castelo Rodrigo
Escola Secundária de Oliveira do Hospital
Escola Secundária de Porto de Mós
Escola Secundária de S. Pedro – Vila Real
Escola Secundária de Vilela - Paredes
Escola Secundária de Vouzela
Escola Secundária do Fundão
Escola Secundária Dr João Lopes Morais - Mortágua
Escola Secundária Dr. Ginestal Machado – Santarém
Escola Secundária Dr. J.C.C. Gomes – Ílhavo
Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima de Aveiro
Escola Secundária Dr. Mário Sacramento – Aveiro
Escola Secundária Eça de Queirós – Póvoa de Varzim
Escola Secundária Emídio Navarro – Viseu
Escola Secundária Fernão Mendes Pinto – Almada
Escola Secundária Gama Barros – Lisboa – Cacém
Escola Secundária Homem Cristo de Aveiro
Escola Secundária Infanta D. Maria – Coimbra
Escola Secundária Jácome Ratton – Tomar
Escola Secundária Jaime Cortesão – Coimbra
Escola Secundária José Falcão – Coimbra
Escola Secundária José Régio – Vila do Conde
Escola Secundária Luis Sttau Monteiro – Loures
Escola Secundária Manuel da Fonseca – Santiago do Cacém
Escola Secundária Marquesa de Alorna – Almeirim
Escola Secundária Pe. Benjamim Salgado – Vila Nova de Famalicão
Escola Secundária Rainha D. Amália – Lisboa
Escola Secundária Rocha Peixoto – Póvoa de Varzim
Escola Secundária Rodrigues Lobo de Leiria
Escola Secundária Sá da Bandeira – Santarém
Escola Secundária Santa Maria do Olival- Tomar
Escola Secundária Sebastião da Gama - Setúbal
Escola Secundária/3 Amato Lusitano – Castelo Branco
Escola Secundária/3 de Carregal do Sal
Escola Secundária/3 de Santa Comba Dão

EDUCAÇÃO: OS CRITÉRIOS DA EXCELÊNCIA

Lídia Jorge
Público, Sexta-feira, 9 de Janeiro 2009


1 - Ficarão por muito tempo célebres os braços-de-ferro que Margaret Thatcher manteve com os sindicatos do Reino Unido, como conseguiu vencê-los, e como à medida que os humilhava, mais ia ganhando o eleitorado do seu país. Na altura a primeira-ministra britânica era a voz da modernidade liberal, criou discípulos por toda parte, e ainda hoje, apesar do negrume da sua era, há quem se refira à sua coragem como protótipo da determinação governativa. Mas neste diferendo que opõe professores e Governo, está enganado quem associa o seu perfil ao de Maria de Lurdes Rodrigues. Se alguma associação deve ser feita e só no plano da determinação, é bom que o faça directamente com a pessoa do primeiro-ministro.
De facto, a equipa deste Ministério da Educação tem-se mantido coesa, iniciou reformas aguardadas há décadas, soube transferir para o plano da realidade as mudanças que em António Guterres foram enunciadas como paixão, conseguiu que o país discutisse a instrução como assunto de primeira grandeza, fez habitar as escolas a tempo inteiro, fez ver aos professores que o magistério não era mais uma profissão de part-time, arrancou crianças de espaços pedagógicos inóspitos, e muitos de nós pensámos que a escola portuguesa ia partir na direcção certa. Quando José Sócrates saía com todos os ministros para a rua, nos inícios dos anos lectivos, via-se nesse gesto uma determinação reformista que augurava um caminho de rigor. Não admira que o primeiro-ministro várias vezes tenha falado do óbvio que era necessário determinar quem eram, na escola portuguesa, os professores de excelência. Era preciso identificá-los, promovê-los, responsabilizá-los, outorgar-lhes credenciais de liderança. Era fundamental que se procedesse à sua escolha. Mas a sua equipa legislou sobre o assunto e infelizmente errou.

2 - Errou ao criar, de um momento para o outro; duas categorias distintas, quando a escola portuguesa não se encontrava preparada para uma diferenciação dual. A escola portuguesa tinha o defeito de não diferenciar, mas tinha a virtude de cooperar. O prestígio do professor junto dos alunos e dos colegas não era contabilizado, mas era a medida da sua avaliação. Pode dizer-se que era uma escola artesanal que necessitava de uma outra sofisticação. Mas, para se proceder a essa modificação com êxito, era preciso compreender os mecanismos que a sustentavam há décadas, e tomar cuidado em não humilhar uma classe deprimida, a sofrer dia a dia o efeito de uma erosão educacional que se faz sentir à escala global. Só que em vez da aplicação cuidadosa e gradual de um processo de mudança, a equipa do Ministério da Educação resolveu criar um quadro de professores titulares, a esmo, à força e à pressa. No afã de encontrar a excelência, em vez de se aplicar critérios de escolha pedagógica e científica, aplicaram-se critérios administrativos, de tal modo aleatórios que deixaram de fora grande percentagem de professores excelentes, muitas vezes os responsáveis directos pelo êxito pedagógico das escolas.
O alvoroço que essa busca de um quadro de excelência criou está longe de ser descrito devidamente. Basta visitar algumas escolas para se perceber como a titularidade está distribuída a professores bons, excelentes, mas também a maus e muito maus, e foi negada a professores competentes. Isto é, criou-se um esquema que não premiou nada, porque baralhou tudo. Os erros foram detectados por muita gente de boa fé, em devido tempo, mas o processo avançou, a justiça não foi reposta, nem sequer a nível da retórica política. Pelo contrário, aquilo que a razão mostrava à evidência foi sendo desmentido, adiado, ridicularizado, ou desviado para o campo da luta sindical dita de inspiração comunista.

3 - O segundo instrumento ao serviço da excelência não teve melhor sorte. Era preciso inaugurar nas escolas uma cultura de responsabilidade que até agora fora relegada para determinismos de vária ordem, menos os estritamente pedagógicos, o que era um vício da escola portuguesa, pelo menos até à publicação dos rankings. Mas aí, de novo, a equipa do Ministério da Educação funcionou mal. Se os campos de avaliação do desempenho dos professores estão mais ou menos fixados, e começam a ser universais, os parâmetros em questão foram pensados por mentes burocráticas sem sentido da realidade, na pior deturpação que se pode imaginar em discípulos de Benjamin Bloom, porque um sistema que transforma cada profissional num polícia de todos os seus gestos, e dos gestos de todos os outros, instaura dentro de cada pessoa um huis clos infernal de olhares paralisantes. Ninguém melhor do que os professores sabe como a avaliação é um logro sempre que a subjectividade se transforma em numerologia.
Claro que não está em causa a tentativa de quantificação, está em causa um método totalitário que se transforma num processo autofágico da actividade escolar. Aliás, só a partir da divulgação das célebres grelhas é que toda a gente passou a entender a razão da pressa na criação dos professores titulares – eles estavam destinados a ser os pilares dessa estrutura burocrática de que seriam os pivots. Isto é, quando menos se esperava, e menos falta fazia, estavam lançadas as bases para uma nova desordem na escola portuguesa. Como ultrapassá-la?

4 - Não restam muitos caminhos. Ultimamente, almas de boa fé falam de cedência de parte a parte. Negociação, bondade, comissões de sábios. A questão é que não há, neste campo, nenhuma justiça salomónica a aplicar. O objecto em causa não é negociável. Tendo em conta uma erosão à vista, só a Maria de Lurdes Rodrigues, que sabe que foi longe de mais, competiria dizer "Não matem a criança, prefiro que a dêem inteira à outra", mas já se percebeu que não o vai fazer.
Obcecada pela sua missão, que começou tão bem e está terminando mal, quererá ir até ao fim, mesmo que do papel dos mil quesitos que alguém engendrou para si só reste um farrapo. É pena. Depois de ter tido a capacidade de pôr em marcha uma mudança estrutural indispensável para a modernização do ensino, acabou por não ser capaz de ultrapassar o desprezo que desde o início mostrava ter em relação aos professores.
E, no entanto, numa política de rosto humano, seria justo voltar atrás, reparar os estragos, admitir o erro sem perder a face. Ou simplesmente passar o mandato a outros que possam reiniciar um novo processo.
De facto, em Portugal existem vários vícios na ascensão ao poder. Um deles consiste em não se saber entrar no poder. Pessoas sem perfil técnico, ou humano, aceitam desempenhar cargos para os quais não foram talhados. Parece que toda a gente gosta de um dia dizer ao telefone, no telejornal, "Papá, sou ministro!", com o resultado que se conhece. Outro é não se saber sair do poder. Houve um tempo em que Mário Soares ensinou ao país como os políticos saem no tempo certo, para retomarem, quando voltam a ser úteis. Os grandes políticos conhecem a lei do pousio. E o objecto da disputa deve ser sempre mais alto do que a própria disputa. É por isso estranho e desmedido o que está a acontecer.

5 - José Sócrates deverá estar a pensar que pode ter pela frente um golpe de sorte - Margaret Thatcher teve a guerra das Falklands - e até pode vir a ter uma maioria absoluta outra vez . Aliás, pelo que se ouve e vê, a frase da ministra da Educação "Perco os professores mas ganho o país", cria efeitos de grande admiração junto duma população ansiosa por ver braços-de-ferro no ar, sobretudo se eles vierem do corpo de uma mulher. Não falta quem faça declarações de admiração à sua coragem, como se a coragem prescindisse da razoabilidade. E até é bem possível que a Plataforma Sindical um dia destes saia sorridente da 5 de Outubro com um acordo qualquer debaixo do braço, como já aconteceu.
Mas a verdade é que, a insistir-se neste plano, despropositado, está-se a fomentar uma cadeia de injustiças e inoperâncias que só a alternância democrática poderá apagar. Se José Sócrates pediu boas soluções e lhe ofereceram estas, foi enganado, e deveria repensar nos seus contratos. Mas se ele mesmo acredita neste processo kafkiano, é uma desilusão, sobretudo para os que confiaram na sua capacidade de ajudar o país a mudar. Neste momento, entre nós, a educação tornou-se uma fábula.

Escritora

"Dezenas de milhares" vão manter recusa da avaliação

PEDRO SOUSA TAVARES
Escolas. Apesar do Simplex, professores de cerca de 50 estabelecimentos já terão reafirmado a recusa de apresentarem os objectivos individuais de avaliação e os sindicatos acreditam que os números vão disparar para a semana. O Ministério da Educação recusa fazer previsões até terminar o prazo
"Dezenas de milhares" de professores vão recusar a entrega dos objectivos individuais de avaliação, cujo prazo termina no final do mês, defendeu ao DN o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira. O Ministério da Educação, pelo menos para já, não quis fazer projecções sobre o desenrolar do processo.Em antecipação da greve geral de amanhã, a segunda num mês e meio, a Plataforma tem medido o pulso à "luta" dos professores. E os indicadores estão a animar os sindicatos: "O que nos está a chegar - e até poderia ser surpreendente atendendo ao 'Simplex' da avaliação e às ameaças que têm sido feitas - são as escolas, uma a uma, a retomarem as suspensões." A Fenprof divulgou já uma lista, que garante não ser exaustiva, com cerca de 50 agrupamentos e secundárias de todo País em que os professores "reafirmaram" a suspensão do processo já depois da entrada em vigor das últimas alterações. E "para a próxima semana, sobretudo na quarta e quinta-feira, estão marcadas muitas reuniões" com esse fim."Mesmo que estivéssemos a falar de 100 escolas, seriam logo 10 mil professores", explicou. "Depois, sabemos que há muitas escolas onde, mesmo não tendo sido votada a suspensão, perto de metade dos professores não vão entregar os objectivos individuais. No final, poderão ser 30, 40, 50 mil. Logo se verá."Processo avança mesmo sem acordoÀ luz das últimas regras, a recusa da entrega dos objectivos pelos professores já não pára a avaliação. Além de passarem a receber directamente este documento (sem passar pelo avaliador), os presidentes dos conselhos executivos terão o poder de o definir sozinhos se não houver acordo com o avaliado ao fim de 15 dias. Em teoria, a recusa dos professores até seria mais prática para as chefias, que poderiam definir objectivos-padrão (inspirando-se no projecto educativo da escola) em vez de analisarem dezenas de processos diferentes. Mas, além de colocar os dirigentes numa posição difícil perante os subordinados, esse cenário manteria a incerteza sobre o sucesso da avaliação na sua fase decisiva no final do ano lectivo, onde a cooperação do professor é indispensável.Para já, terminam amanhã os prazos para as escolas definirem os novos calendários da avaliação, que à partida terão sido cumpridos sem problemas. Mesmo os 139 presidentes de conselhos executivos que recentemente voltaram a pedir ao ministério para travar o processo, já assumiram que não podem inviabilizar a avaliação aos professores que a desejem.

Portas desafia Sócrates a dar liberdade de voto a deputados na avaliação de professores

Hoje às 18:31

O presidente do CDS-PP desafiou José Sócrates a dar liberdade de voto na votação da proposta dos democratas-cristãos sobre a avaliação de professores. No encerramento do congresso do partido, Paulo Portas pediu aos seus apoiantes para que não votem no PS nem no PSD.
O presidente do CDS-PP desafiou o primeiro-ministro a dar liberdade de voto aos deputados do PS na votação da proposta dos democratas-cristãos sobre a avaliação de professores na sexta-feira no Parlamento.
No encerramento do XXIII Congresso do CDS-PP, Paulo Portas recordou que «não faz pressão sobre a consciência de qualquer deputado» e pediu a José Sócrates para ser «realmente democrata».
«Deixe a liberdade de consciência dos seus deputados funcionar. É urgente voltar à paz nas escolas, dar ensino aos alunos, dignidade aos professores e ultrapassar este momento muito mau na educação em Portugal», explicou.
No seu discurso, Portas anunciou ainda a entrega de um pacote legislativo sobre segurança que inclui entre as suas sete medidas a obrigatoriedade dos tribunais julgarem em 48 horas os detidos em flagrante delito.
Paulo Portas pediu ainda aos portugueses para «castigarem com o seu voto o PS» quer nas eleições legislativas quer nas eleições europeias, que considerou ser a «primeira volta das legislativas».
«Os socialistas não merecem nenhum prémio tal o estado em que o país está e o país está a ficar cansado de tanta arrogância do primeiro-ministro e de tanta mediocridade de alguns dos seus ministros», acrescentou.
O líder dos democratas-cristãos apelou ainda aos seus apoiantes para que não votem no PSD, considerado por Paulo Portas, como fazendo, a par do PS, parte dos «partidos tradicionais», partidos que os portugueses vêem como parte do problema e não da solução».
No final deste congresso, que decorreu nas Caldas da Rainha, Portas considerou que o seu partido sai reforçado e que constitui agora uma «alternativa real» ao PS «em tempos de grande instabilidade partidária e até em tempos de ameaça de decisão no partido do Governo».
Para Portas, o CDS-PP oferece agora «certeza, segurança e estabilidade», tendo colocado-se «no campo de quem não é socialista» e «de quem quer acolher os que estão desiludidos com os socialistas».
«O CDS afirma-se por si próprio, tem autonomia e reivindica a sua independência. Não é confuso, nem se confunde, não é acessório nem será nunca subalterno. Temos uma ambição: sermos maiores. Alguém nos pode criticar por termos tanta ambição?», perguntou.

Reunião de Professores do Barreiro e Moita


Constituída Comissão Inter-Escolas do Barreiro / Moita . Apoiam activamente a greve de 19 de Janeiro "
Apoiam a realização de uma Marcha Nacional da Educação convocada pela Plataforma Sindical. Apoiam a manifestação de dia 24 de Janeiro frente à Presidência da RepúblicaNuma reunião que decorreu ontem, no Barreiro, com a presença de cerca de 80 professores e educadores, dos concelhos do Barreiro e Moita, foi aprovada uma Resolução, por unanimidade, na qual é exigida a “ revogação do actual modelo de ADD”, assim como a “reposição da carreira única para os professores”.Sublinham os professores e educadores que - “as leis só são legítimas quando reconhecidas por aqueles a quem se aplicam, e a esmagadora maioria dos professores já demonstrou, em manifestações e greves massivas, que rejeita as medidas deste Ministério da Educação”.
Divulgamos o teor integral da Resolução aprovada por cerca de 80 professores dos concelhos do Barreiro e Moita:Considerando que, em democracia, as leis só são legítimas quando reconhecidas por aqueles a quem se aplicam, e a esmagadora maioria dos professores já demonstrou, em manifestações e greves massivas, que rejeita as medidas deste Ministério da Educação (ME), em particular o modelo de Avaliação de Desempenho Docente (ADD) e o ECD que nos foi imposto a partir de 19 de Janeiro de 2007; Os professores e educadores, reunidos no Barreiro no dia 17 /Janeiro/ 2009 para analisar a situação da luta dos docentes contra o actual modelo de avaliação de desempenho e o ECD impostos pelo Ministério da Educação, decidem:
1. Afirmar a exigência de revogação do actual modelo de ADD, consubstanciado no dec. 2/ 2008 e subsequentes decretos regulamentares, inclusive o dec. 1-A/2009 (“Simplex 2”);
2. Reafirmar as exigências de reposição da carreira única para os professores, do fim da prova de ingresso, de reposição de horários compatíveis com a especificidade da nossa profissão, de reposição das condições de aposentação do antigo ECD e de regulamentação de mecanismos para a vinculação dos professores contratados – o que implica a construção negociada de um verdadeiro ECD, incompatível com o actual “ECD da Ministra”;
3. Afirmar a exigência de revogação do decreto que regulamenta o novo regime de gestão, o qual irá acabar com o que resta da gestão democrática nas escolas, transformando os directores em meras correias de transmissão das directivas dos governos;
4. Apoiar a luta dos outros trabalhadores da Função Pública contra o novo sistema de vínculos e carreiras aprovado na Assembleia da República, que irá ter inevitáveis repercussões também na nossa carreira, no sentido da sua acentuada precarização;
5. Apoiar as tomadas de posição dos professores das escolas do concelho e do país que reafirmaram, neste 2º Período, a decisão de não entregarem os objectivos individuais no quadro da ADD do ME;
6. Apoiar a posição dos Conselhos Executivos reunidos em Santarém no dia 10 de Janeiro, de rejeição do actual modelo de ADD, incluindo o “Simplex 2”;
7. Apoiar todos os professores que, em condições extremamente difíceis, nomeadamente de oposição dos órgãos de gestão das suas escolas, afirmam ou mantêm a decisão de não entregarem os seus objectivos individuais;
8. Apoiar activamente e mobilizar-se para a greve de 19 de Janeiro, convocada pela Plataforma Sindical;
9. Apoiar activamente e mobilizar-se para a manifestação de dia 24 de Janeiro frente à Presidência da República, convocada pelos Movimentos de Professores;
10. Apoiar a decisão dos professores de Beja, de realização de uma Marcha Nacional da Educação convocada pela Plataforma Sindical, Associações de Pais e as centrais sindicais, CGTP e a UGT. Decidem ainda:
11. Apelar a que as direcções da CGTP e da UGT declarem publicamente o seu apoio à luta dos professores e discutam com a Plataforma Sindical a iniciativa da Marcha Nacional pela Educação proposta pelos colegas de Beja;
12. Apelar a que os Conselhos Executivos dos concelhos do Barreiro e Moita se reunam, para analisarem as condições em que o ME pretende fazer deles os aplicadores do seu modelo de ADD, nomeadamente por via do dec.1-A, sobrecarregando-os com tarefas burocráticas incompatíveis com uma gestão minimamente pedagógica;
13. Apelar a que as direcções sindicais da Plataforma apoiem activamente, inclusive a nível jurídico, os professores que, nas suas escolas, se vêem impossibilitados de reunirem e discutirem a ADD devido à oposição dos respectivos CEs; sugerimos que os responsáveis sindicais promovam reuniões com esses colegas, se necessário fora das suas escolas;
14. Saudar as posições de várias Assembleias Municipais e Sindicatos de apoio à luta dos professores; apelar a que as Assembleias Municipais do Barreiro e da Moita, assim como as organizações sindicais representadas no nosso concelho, tomem a mesma posição;
15. Constituir-se em Comissão Inter-escolas do Barreiro/ Moita. Aprovada por unanimidade

PCP: Jerónimo de Sousa acusa primeiro-ministro de ter mentido aos portugueses

Alpiarça, Santarém, 17 Jan (Lusa) - O secretário-geral do PCP acusou hoje o primeiro-ministro de ter "mentido" ao povo português, servindo não a maioria que o elegeu mas os interesses dos que hoje "dramatizam uma situação de caos para o país sem Sócrates".
Jerónimo de Sousa, que encerrou um encontro de quadros deste partido do distrito de Santarém, afirmou que o Governo socialista "anda há quatro anos a apregoar o sucesso económico e a modernidade da sociedade, mas termina a legislatura sem cumprir nenhum dos grandes objectivos económicos e sociais que anunciou ao país".
Afirmando que o PS conseguiu a maioria absoluta porque prometeu desenvolvimento económico, baixa de impostos, criação de 150.000 novos postos de trabalho, reformas superiores a 300 euros, o líder comunista disse que essas foram "bandeiras" que "enganaram tanta gente".
"Aqui chegados, há razão para dizer que José Sócrates mentiu ao povo português. Não cumpriu porque se pôs do lado não da maioria que lhe deu os votos, mas do grande capital. A esses sim, serviu os interesses", afirmou.
São estes interesses que, segundo Jerónimo de Sousa, hoje "estão preocupados com o destino do Governo do PS e de José Sócrates" e "dramatizam uma situação de caos para o país sem Sócrates", desenvolvendo uma "campanha que anuncia um país ingovernável sem Sócrates".
"O apocalipse do cenário está montado: ou José Sócrates ou o dilúvio", afirmou, acusando esses interesses de, ao apelarem à unidade das forças partidárias como um "imperativo para conter a crise", quererem que os portugueses "se resignem".
Acusando o PS de protagonizar "a mais cínica forma de acção política" ao "dar-se ares de esquerda", Jerónimo de Sousa considerou "hipocrisia" vir garantir-se aos portugueses que "vão passar a viver melhor, com mais rendimentos em 2009, apesar da crise e da recessão económica".
"É espantoso. É, no mínimo, preciso ter lata, que, num quadro de crise, venha um ministro dizer que o ano até nem vai ser mau para os rendimentos das famílias. É quase como dizer então viva a crise", afirmou.
No final de um encontro que se destinou a aprovar um "plano de trabalho para 2009", com o objectivo de "intensificar a luta" e preparar os três actos eleitorais - europeias, legislativas e autárquicas -, Jerónimo de Sousa apelou à mobilização para "a grande jornada nacional de luta" agendada para 13 de Março, em Lisboa, e à adesão maciça à greve de professores de segunda-feira.
Para o líder do PCP, o Governo deve suspender "de imediato" o modelo de avaliação dos professores e "entrar de forma séria num processo negocial com as organizações sindicais, que permita encontrar um modelo alternativo que valorize a profissão".
O secretário-geral do PCP acusou o Governo de ter passado "da ofensa e da calúnia à chantagem e à ameaça" e de estar a procurar dividir os professores para diminuir a sua capacidade de luta.
"Ainda não perceberam que cada vez que falam sobre o conflito que abriram com os professores, isso tem como efeito imediato criar mais revolta e uni-los ainda mais", disse, considerando que o Governo tem sido "mais parte do problema do que da solução".
Jerónimo de Sousa afirmou ainda que o PS apenas espera que passe o período eleitoral para "retomar o mesmo caminho de destruição" do Serviço Nacional de Saúde, só travado graças à "luta ampla e vigorosa das populações".
MLL.
Lusa/fim

Ministra fala sobre desafios da Educação, mas não sobre greve de professores

A ministra da Educação falou sobre os desafios da Educação em Portugal, tendo lembrado que nunca se fizeram tantos exames como agora. Contudo, perante 30 jovens socialistas, Maria de Lurdes Rodrigues não se referiu à greve dos professores de segunda-feira.

A ministra da Educação falou, este sábado, sobre os novos paradigmas da Educação em Portugal, não tendo, no entanto, se pronunciado sobre a greve de professores, marcada para segunda-feira.
Durante cerca de meia hora, num encontro com 30 jovens socialistas, no Porto, Maria de Lurdes Rodrigues preferiu falar sobre os desafios da Educação, destacando a mudança de paradigma de uma educação selectiva, só para alguns, para uma aberta e obrigatória para todos.
«Nunca na história do sistema educativo se fizeram tantos exames como actualmente se fazem. Ao contrário do que possam ter ouvido, há sempre uns nostálgicos da história do passado que falam do antigo exame da quarta classe e dos outros exames, mas o que vos posso garantir é que nunca se realizaram tantas provas de exame e provas externas», explicou.
Para a ministra da Educação, estas provas «permitem aferir não apenas a qualidade do ensino, mas a qualidade das aprendizagens» num sistema de ensino «com referenciais de qualidade que nunca antes tinham sido definidos».
Maria de Lurdes Rodrigues falou ainda sobre as «exigências de avaliação de escolas, ensino, políticas e desempenhos profissionais», «exigências novas e que terão forçosamente como contrapartida uma mudança no que é o contrato social seja com a escola, professores ou outros profissionais».
«Tenho dúvidas que seja possível continuar a fazer o caminho, enfrentar as novas exigências sem rupturas», acrescentou Maria de Lurdes Rodrigues ao cabo de um encontro sem direito a perguntas para os jornalistas presentes que tiveram mesmo de sair da sala.
Antes da saída dos jornalistas deste encontro promovido pelo PS/Porto, Maria de Lurdes Rodrigues anunciou que iria responder às perguntas dos jovens socialistas presentes na sala.

Dois terços dos professores fizeram greve

Os professores fazem greve amanhã em todo o País, numa paralisação em protesto contra o modelo de avaliação de desempenho e o estatuto da carreira docente (ECD).
Na última greve, a 3 de Dezembro, a adesão foi de 66,7 por cento, segundo os dados definitivos do Ministério da Educação, quase mais seis por cento do que o inicialmente divulgado pela tutela. Para amanhã, os sindicatos esperam uma forte adesão dos professores. "Será um dia de luto, já que se assinalam dois anos sobre a publicação em Diário da República do ECD", considerou Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof e porta-voz da Plataforma Sindical de Professores.
Uma greve nas escolas pode ser sinónimo de dor de cabeça para os pais com filhos em idade escolar. Ana Cristina Nunes, administrativa, vai ter de colocar um dia de férias para poder ficar com o filho, de seis anos. "É o segundo em menos de dois meses", afirmou, indignada.

Sistema de ensino na Finlândia

Recebi por e-mail esta mensagem que aqui deixo. Não conhecia estes pormenores da educação na Finlândia mas eles respondem ao que eu tenho sugerido.
São medidas como estas, de acompanhamento dos alunos e dos professores, que evitam a indisciplina, as retenções e os abandonos e tornam os alunos responsáveis pelo trabalho que têm de desenvolver juntamente com os professores e não contra eles.
Este ambiente também é propício a um melhor conhecimento das capacidades de cada aluno e por isso cada um pode ser colocado no lugar mais certo.
Este modelo fará dos alunos e dos professores criaturas mais felizes no seu dia-a-dia o que contribuirá para uma maior produtividade.
msg p/ Sr.ª Ministra
Como a Sr.ª gosta muito do sistema de Ensino da Finlândia, aqui fica um pequeno contributo elucidativo do que por lá se faz:
1. Na Finlândia as turmas têm 12 alunos;
2. Na Finlândia há auxiliares de acção educativa acompanhando constantemente os professores e os educandos;
3. Na Finlândia, os pais são estimulados a educar as crianças no intuito de respeitarem a Escola e os Professores;
4. Na Finlândia os professores têm tempo para preparar aulas e são profissionais altamente respeitados.
5. Na Finlândia as aulas terminam às 3 da tarde e os miúdos vão para casa brincar, estudar, usufruir do seu tempo livre;
6. Na Finlândia o ensino é totalmente gratuito, inclusivamente os LIVROS, CADERNOS E OUTRO MATERIAL ESCOLAR;
7. Na Finlândia todas as turmas QUE TÊM ALUNOS com necessidades educativas especiais, têm na sala de aula um professor especializado a acompanhar o aluno que necessita de apoio;
8 . Na Finlândia não há professores avaliadores, professores avaliados nem Inspectores.!!!!!
9. Na Finlândia não há professores de primeira e de segunda.
Nota alguma diferença???
Eu não notei nada... Atentamente, Pedro G. R. A.
Mandem para o máximo de pessoas que conhecerem para ver se esta mensagem chega aos ouvidos daquela tão adorada, Sra. Maria Ministra da Educação.
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Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora

Lurdes Rodrigues: Futuro da educação exige rupturas

FERNANDO BASTO
A diversidade dos instrumentos de intervenção é a palavra-chave para novas mudanças no sistema educativo, orientado para a qualidade. Para tanto, a ministra da Educação defende rupturas com o passado, sem nostalgias.
Maria de Lurdes Rodrigues veio, ontem, ao Porto, reflectir sobre os novos desafios da educação. O convite foi feito pela "Geração Desafios", uma plataforma de debate político constituída por jovens socialistas do distrito. O seu objectivo é promover o debate político e gerar ideias sobre os desafios para a região.
Ontem, no primeiro encontro da plataforma, a ministra da Educação falou sobre as mudanças processadas no sistema educativo e os desafios que se colocam no futuro.
"O grande desafio que se coloca ao sistema educativo é o da qualidade e da exigência, pois só assim se pode cumprir o desafio da igualdade de oportunidades", sublinhou a governante.
Maria de Lurdes Rodrigues explicou que, hoje, o sistema educativo está marcado pelas heranças herdadas dos sistemas anteriores. "Houve uma evolução feita em contínuo, em acumulação. E enfrentar o futuro vai exigir maiores rupturas com o passado", defendeu.
A governante realçou que, se antes o sistema tinha como preocupação seleccionar os melhores e formar elites, hoje a escola é para todos. "Antes media-se a eficácia dos sistema educativo pelo número de alunos que ficavam para trás, hoje avalia-se pelo número de alunos que passam", explicou. A ministra fez notar que, nunca no passado, houve tantas provas para aferir a qualidade das aprendizagens. "É uma nova era a de hoje, em que queremos todos na escola, durante mais tempo, mas num sistema com maior qualidade. Isto exige uma ruptura com o passado", sublinhou. Maria de Lurdes Rodrigues defendeu uma nova organização dos recursos, mais diversificados. A este passo, criticou o concurso centralizado de professores, que "trata as escolas como se fossem todas iguais". Por outro lado, as mudanças não se coadunam com "olhares nostálgicos do passado". "Há muitos equívocos nostálgicos em relação ao passado e o futuro será muito diferente", fez notar. A ministra recusou comentar a greve nacional dos professores que se realiza amanhã.

atreve-te

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Ministra fala sobre desafios da Educação, mas não sobre greve de professores


Para ela a greve é como se não existisse!!!!!!!


Ontem às 21:59

A ministra da Educação falou sobre os desafios da Educação em Portugal, tendo lembrado que nunca se fizeram tantos exames como agora. Contudo, perante 30 jovens socialistas, Maria de Lurdes Rodrigues não se referiu à greve dos professores de segunda-feira.
A ministra da Educação falou, este sábado, sobre os novos paradigmas da Educação em Portugal, não tendo, no entanto, se pronunciado sobre a greve de professores, marcada para segunda-feira.
Durante cerca de meia hora, num encontro com 30 jovens socialistas, no Porto, Maria de Lurdes Rodrigues preferiu falar sobre os desafios da Educação, destacando a mudança de paradigma de uma educação selectiva, só para alguns, para uma aberta e obrigatória para todos.
«Nunca na história do sistema educativo se fizeram tantos exames como actualmente se fazem. Ao contrário do que possam ter ouvido, há sempre uns nostálgicos da história do passado que falam do antigo exame da quarta classe e dos outros exames, mas o que vos posso garantir é que nunca se realizaram tantas provas de exame e provas externas», explicou.
Para a ministra da Educação, estas provas «permitem aferir não apenas a qualidade do ensino, mas a qualidade das aprendizagens» num sistema de ensino «com referenciais de qualidade que nunca antes tinham sido definidos».
Maria de Lurdes Rodrigues falou ainda sobre as «exigências de avaliação de escolas, ensino, políticas e desempenhos profissionais», «exigências novas e que terão forçosamente como contrapartida uma mudança no que é o contrato social seja com a escola, professores ou outros profissionais».
«Tenho dúvidas que seja possível continuar a fazer o caminho, enfrentar as novas exigências sem rupturas», acrescentou Maria de Lurdes Rodrigues ao cabo de um encontro sem direito a perguntas para os jornalistas presentes que tiveram mesmo de sair da sala.
Antes da saída dos jornalistas deste encontro promovido pelo PS/Porto, Maria de Lurdes Rodrigues anunciou que iria responder às perguntas dos jovens socialistas presentes na sala.

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