sábado, março 24, 2007

Professores comunistas debatem a profissão


Professores debatem profissão

Os professores comunistas do distrito de Coimbra realizaram, sexta-feira, a sua VI assembleia da organização. Na reunião, elegeu-se o novo organismo de direcção, composto por oito elementos, e aprovou-se uma resolução política. João Frazão, da Comissão Política, encerrou os trabalhos. No documento da assembleia destacou-se o «desinvestimento progressivo na Educação», levado a cabo pelos últimos governos, com especial incidência para o actual executivo do PS, liderado por José Sócrates. Para 2007, denunciam, a diminuição cifra-se em 4,2 por cento. A revisão do Estatuto da Carreira Docente foi também duramente criticada pela organização dos professores comunistas de Coimbra na sua assembleia. Lembrando que esta é uma intenção antiga dos sucessivos governos, os delegados à assembleia acusam o Governo do PS de levar a cabo uma «completa destruição» deste estatuto. Mas valorizaram também as «acções de unidade e luta» promovidas em torno desta questão. Acções que, consideram, ficarão na história da profissão. Entre elas, conta-se a marcha nacional de professores e educadores do dia 5 de Outubro, o protesto geral de 12 do mesmo mês ou a greve nacional do sector, nos dias 18 e 19 de Outubro.Os professores comunistas de Coimbra repudiam ainda o encerramento de escolas e a degradação das condições de trabalho dos docentes. O agravamento do horário, a dispersão funcional das tarefas e o reforço das actividades não lectivas são alguns exemplos.

quarta-feira, março 21, 2007

Promover a leitura


Joana Santos 2007-03-21
A aprendizagem da língua é um dos factores que mais contribui para o êxito escolar dos alunos. Na Escola Secundária D. Luísa de Gusmão concilia-se a magia dos livros com as actividades de substituição. Falta um professor e os alunos já sabem que, provavelmente, irão ter uma aula de substituição diferente. Os vários exemplares do livro que estão a ler começam a chegar à sala, juntamente com o professor responsável pela substituição. Com ele traz um dossier planificado com a sinopse da obra em causa, a respectiva ficha de leitura, sugestões de leitura e de actividades a desenvolver em sala de aula, e uma folha de registo de actividades por turma. Deste modo, a actividade fica documentada e todos os docentes que voltem a realizar actividades de substituição no âmbito do projecto Ler na Escola sabem quais as leituras já realizadas.Durante a aula lê-se individualmente ou em grupo, em silêncio ou em voz alta, identificam-se e caracterizam-se personagens, ilustram-se ou dramatizam-se as cenas preferidas. Uma vez por outra, também se contam histórias.O projecto nasceu na sequência de uma reflexão sobre as aulas de substituição na Escola Secundária D. Luísa de Gusmão. «Pareceu-nos que juntar os professores no centro de recursos [como foi feito em 2005-2006] sem tarefas previamente planeadas, à espera de substituir, eventualmente, algum docente ausente, era tão penoso para alunos como para professores», explica Isabel Cluny, responsável pelo projecto. A experiência com as aulas de substituição «muito pouco gratificante para os participantes» e as «dificuldades em manter a turma disciplinada e interessada nas tarefas» foram mais um motivo para passar da ideia à acção.Foi nesse sentido que se propôs ao Conselho Executivo, e depois ao Conselho Pedagógico, que esses tempos fossem ocupados com actividades ligadas ao Plano Nacional de Leitura. O objectivo, segundo Isabel Cluny, era que na ausência do docente «não se ocupasse os tempos escolares dos alunos com medidas de carácter administrativo, mas sim com actividades concretas, com objectivos previamente traçados e explicitados claramente a todos os envolvidos».E assim aconteceu. Uma vez aprovada, a proposta tem vindo a ser implementada com sucesso, a par de outras actividades desenvolvidas de comum acordo entre docentes e alunos, desde o início deste ano lectivo.A execução do projecto coube a um grupo coordenador, que depois de ter obtido o apoio da Comissão do Plano Nacional de Leitura, elaborou uma lista de livros de apoio às actividades. As primeiras obras foram adquiridas pela escola e, já no 2.º Período, a Fundação Calouste Gulbenkian subsidiou a compra de outros títulos para alunos do 3.º ciclo dos Ensino Básico e Secundário.Até agora o balanço provisório das actividades parece ser positivo, uma vez que, como refere Isabel Cluny, «os docentes adoptaram maioritariamente o projecto Ler na Escola como meio de ocupar os tempos escolares dos alunos».Foi no 9.º ano que o projecto colheu maior aceitação, sendo que em 16 aulas de substituição 14 foram dedicadas à leitura. A primeira obra foi o Diário Cruzado de João e Joana. A leitura foi tão rápida que obrigou à aquisição de um novo título - Uma questão de Cor - ainda durante o 1.º Período.No 7.º ano, 24 das 48 aulas de substituição foram dedicadas à leitura da obra Félix o Pé-de-Vento. A necessidade de um elevado número de aulas, devido ao atraso na colocação dos professores, também obrigou a adquirir outra obra - A Biblioteca Mágica - que passou a ser objecto de leitura também em outros anos de escolaridade.Para o 8.º ano foi escolhida a obra Diário do Nosso Grupo que foi lida em 25 das 43 aulas de substituição. Os encarregados de educação também têm apoiado a iniciativa e, neste momento, já se pondera a possibilidade de alargar o projecto Ler na Escola para que no próximo ano surja com um dinamismo diferente.

terça-feira, março 20, 2007

Escolas secundárias vão alugar espaços para casamentos e baptizados


Mini centros comerciais? Nada disso. Mas as escolas secundárias portuguesas vão desenvolver internamente "áreas de negócio" para ajudar a financiar o programa de modernização dos estabelecimentos de ensino. O aluguer de espaços de desporto, serviços de restauração, a exploração de papelarias e reprografias são exemplos de "unidades de negócio". A valorização patrimonial, que pode incluir a concessão de edifícios não utilizados, também. "Desde o aluguer de espaços para casamentos e baptizados, de rinques para torneios de solteiros e casados, ou de espaços para entidades de formação, tudo pode ser feito", disse ontem ao DN o porta-voz do Ministério da Educação. "Aliás, já há escolas que o fazem", acrescentou.A estratégia foi apresentada ontem de manhã no Porto e à tarde em Lisboa, pela ministra da Educação, pelo primeiro-ministro e pelo presidente da Parque Escolar, EPE que explicou que "a concessão de utilização de instalações escolares no período pós-escolar, bem como a concessão de instalações não utilizadas a instituições públicas e/ou privadas, vocacionadas para a educação e formação profissional" é uma prioridade no que diz respeito à valorização patrimonial.Nas ditas unidades de negócio, "as regras vão ser a criteriosa escolha de produtos e de fixação de preços (não se trata de um mini centro comercial) e o rigoroso controlo de qualidade dos produtos a vender, em particular no que refere à alimentação", afirmou João Sintra Nunes.Para isto, a Parque Escolar conta "até fim de 2007 concluir um conjunto de parcerias que permitam "encher" os edifícios a intervencionar nos primeiros dois anos". É que o programa de modernização quer abranger 332 escolas até 2015. E inicia-se em Julho em quatro: duas no Porto e duas em Lisboa. A experiência piloto deve ser estendida a outras escolas nos próximos oito anos, para, entre outras coisas (ver texto em baixo) abrir a escola à comunidade. O que "não quer dizer que toda a gente lá possa entrar", mas que "os edifícios possam ser utilizados em actividades de formação pós-laboral, eventos culturais e sociais, desporto e ao lazer".

Hábitos alimentares reúnem pais e filhos na escola



Sara R. Oliveira 2007-03-19
Alunos da EB2,3 de Leça da Palmeira envolvem adultos na mudança de rotinas alimentares. Contos tradicionais dão o mote a ementas saudáveis e conselhos úteis, revelados num encontro animado. Ponto de partida: contos tradicionais em que um ou mais alimentos tivessem um minuto de protagonismo. As histórias serviram de pretexto para aplicar conhecimentos adquiridos, sobretudo em Ciências da Natureza, e destacar aspectos para uma alimentação saudável. A partir daí, 27 alunos de uma turma do 6.º ano de escolaridade da EB2,3 de Leça da Palmeira arregaçaram as mangas e "condimentaram" a Área de Projecto, onde rebuscaram temas de diferentes disciplinas, como Português, Educação Musical, Formação Cívica e, em particular, Ciências da Natureza. Resultado: ilustrações sobre a extracção do sal, um elogio feito à sopa, contos tradicionais adaptados aos tempos modernos, a receita de uma tarte de uva, um folheto com indicações de como temperar alimentos com pouco sal, representação de uma peça de teatro em que o sal ocupa o papel central, uma canção com letra e música originais sobre a Roda dos Alimentos. E um concurso em que o paladar, o tacto e o cheiro dos pais foram postos à prova, para adivinhar quais as ervas aromáticas e especiarias que lhes eram colocadas nas mãos. Uma tarefa feita com os olhos vendados. A exposição dos trabalhos teve lugar esta semana com a presença maciça dos pais. Os alunos, entusiasmados perante a plateia, conduziram e animaram a sessão, em que a interacção foi constante. A liberdade de criação é total. A cumplicidade entre pais e filhos é evidente. E a ideia é que o debate à volta dos hábitos alimentares, iniciado na escola, se prolongue em casa. Nuno Pires, 12 anos, é o autor da letra e música da canção sobre a Roda dos Alimentos, que fez questão de salpicar com conselhos a reter. As frases surgiram naturalmente, nunca fugindo ao assunto principal. As palavras colaram-se à melodia e a música acabou por nascer. Não é a primeira vez que Nuno Pires empresta os seus dotes musicais às actividades escolares. "É por gosto e as coisas vêm-me à cabeça", explica. E o encontro? "É uma boa maneira de transmitir o que há de melhor e pior sobre determinados temas", responde. A representante dos pais da turma do 6.º ano, Helena Guedes esteve atenta ao desenrolar das actividades. Como de costume. "Esta escola não tem o portão fechado, procura trazer os pais de forma a que acompanhem mais de perto os conhecimentos e crescimento dos filhos", afirma. A presença dos educadores é como a cereja em cima do bolo. "É bastante importante porque os nossos filhos sentem-se motivados ao apreciarmos o trabalho que fazem e, por isso, gostam e participam", comenta. Ponto assente. "Trazer o mais possível os pais à escola, de uma forma positiva". A directora da turma do 6.º ano, Armanda Zenhas, sublinha que o encontro tem dois objectivos específicos. "Trazer os pais à escola para verem coisas positivas e partilhar conhecimentos que os miúdos adquirem na escola", explica. Tudo num projecto que trata de fomentar o gosto pela leitura e desenvolver hábitos de alimentação saudável. "Desde o aprender ao praticar vai um caminho", realça a docente. Por isso, a aproximação entre a escola e a casa dos alunos. "Para melhorar hábitos alimentares é imprescindível a colaboração dos pais". E o papel principal é colocado nas mãos dos alunos que tentam "modificar a prática quotidiana a partir do que aprendem na escola". A delegada de saúde de Leça da Palmeira, Cecília Eira, sublinha a sintonia entre pais e filhos ao redor do mesmo tema. "A promoção da saúde, uma área fundamental, tem de ser trabalhada em conjunto com toda a comunidade escolar", aponta. Uma desmultiplicação da mensagem partilhada por pais e alunos é fortemente valorizada. Um encontro de dois em um. Ou seja, "responsabiliza-se os pais e os filhos". Em nome de uma alimentação rica e cuidada. O ditado faz todo o sentido e Cecília Eira faz questão de recordá-lo: "De pequenino é que se torce o pepino". O próximo encontro entre pais e alunos está marcado para 8 de Maio. Dia em que a abordagem ao assunto entra na fase final. Os trabalhos já estão preparados. O quadro da sala de aula será ocupado por uma exposição, feita em powerpoint, sobre nutrientes e rótulos de várias comidas. Nessa altura, os resultados dos inquéritos feitos aos alunos sobre os hábitos alimentares serão divulgados. No final, a delegada de saúde de Leça da Palmeira e uma nutricionista entram em acção para esclarecer dúvidas, dar conselhos, envolver ainda mais a comunidade escolar para os cuidados a ter à hora das refeições. Para crianças e adultos.

Notícias da SPRC


ASSEMBLEIA GERAL DE SÓCIOS DO SPRC

Encontram-se disponíveis, para consulta e para apresentação de propostas, os documentos que estarão em discussão na próxima Assembleia Geral do SPRC

Consulta em http://www.sprc.pt

APRECIAÇÃO PARLAMENTAR

O SPRC colocou na sua página electrónica os dois textos que se encontram em debate na Assembleia da República, apresentados por dois partidos da oposição parlamentar (o PCP e o PSD). Estes dois documentos referem-se ao Estatuto da Carreira Docente e visam alterar o Dec.-Lei 15/2007 imposto pelo actual governo

Consulta em http://www.sprc.pt/paginas/Novidades/novidades_apreciacao.html

NÃO ESQUECER

Se ainda não escolheu aquele considera ser o maior Pirata da Educação em 2006, não perca essa oportunidade e faça-o já através da página electrónica do SPRC

Vote em http://www.sprc.pt/asps/votapirata.htm

E se ainda não disse que é contra a fractura na carreira docente em duas categorias com diferentes conteúdos funcionais, a qual tem por principal objectivo não promover o mérito absoluto, mas sim impedir a maioria dos professores de chegar ao topo da Carreira

Assine em http://www.sprc.pt/asps/defesacap.htm

Cordiais saudações

Departamento de Informação e Comunicação

Mil milhões de euros para a requalificação de escolas



Lusa 2007-03-19O primeiro-ministro anunciou hoje o investimento de cerca de mil milhões de euros na requalificação da rede das escolas secundárias do País, no âmbito de um programa a concretizar nos próximos nove anos. "Queremos dar um sinal político claro aos professores e aos alunos de que esta é a nossa prioridade", sublinhou José Sócrates, que presidiu hoje, na Escola Rodrigues de Freitas, no Porto, à apresentação do Programa de Modernização do Parque Escolar do Ensino Secundário.Este programa de modernização abrangerá 332 escolas de todo ao país até ao ano 2015 e inicia-se em Julho em quatro escolas-piloto, duas no Porto (Rodrigues de Freitas e Soares dos Reis) e duas em Lisboa (D. Dinis e Pólo de Educação e Formação D. João de Castro)."Vamos começar por quatro escolas, mas com vontade de a estender a todo o país rapidamente em parceria com as autarquias, que são um parceiro estratégico e essencial para que este programa seja um êxito", disse José Sócrates, sublinhando que "o investimento em educação é essencial para o desenvolvimento e crescimento económico do país".Considerando que o "espaço público da escola é essencial para melhorar o ambiente educativo", José Sócrates frisou que o objectivo do programa é "fazer escolas de referência que sejam um orgulho para as cidades"."Por isso, viemos a esta escola histórica do Porto para apresentar ao País este programa", disse o primeiro-ministro, explicando que na Secundária Rodrigues de Freitas será feita "uma intervenção requalificadora, que conserve os seus traços de identidade, e que, ao mesmo tempo, a transforme num espaço moderno e funcional".Por seu lado, a ministra da Educação considerou que "não se trata de investir mais dinheiro, mas de investir mais e melhor, de acordo com um planeamento exigente de modernização e conservação, respeitador da evolução dos modelos pedagógicos, da autonomia e responsabilidade das escolas, bem como de princípios da racionalidade económica na gestão futura, duradoura e sustentada dos edifícios e dos espaços escolares"."Através deste programa de modernização do parque escolar, o Ministério da Educação demonstra a sua aposta clara na requalificação da rede das escolas secundárias", garantiu Maria de Lurdes Rodrigues.A ministra reconheceu que "a maioria dos edifícios que constituem o parque escolar apresenta sinais vários de degradação física e ambiental e de obsolescência funcional, resultantes do desgaste material a que os edifícios têm sido sujeitos, da alteração das condições de uso iniciais decorrentes, por exemplo, da evolução dos currículos, bem como, em alguns casos, da sua sobre-ocupação"."Estes problemas são ainda o resultado da ausência de um modelo eficaz de financiamento e de programas continuados de conservação e de manutenção dos espaços escolares", frisou.O Programa de Modernização das Escolas Secundárias, aprovado em Conselho de Ministros a 06 de Dezembro de 2006, visa a adopção de medidas e acções que invertam o progressivo estado de degradação e desactualização dos estabelecimentos destinados ao Ensino Secundário.Para coordenar a execução do programa, o Governo criou a Parque Escolar, uma empresa pública empresarial que será ainda responsável pelo controlo de custos e por assegurar as fontes e modelos de financiamento.O responsável pela empresa Parque Escolar, João Sintra Nunes, explicou que a maioria das intervenções decorrerá em simultâneo com a actividade escolar e que cada intervenção será iniciada com o encerramento do ano lectivo, concluindo-se, aproximadamente um ano depois.O investimento global previsto é de 940 milhões de euros, com um pico de investimento de 193 milhões de euros em 2010.Segundo Sintra Nunes, cerca de 60% do investimento será garantido através de financiamento comunitário (QREN), Orçamento de Estado e autarquias.Os restantes 40% serão garantidos por financiamento bancário (25%) e por acções de valorização patrimonial e desenvolvimento de unidades de negócio (15%).

segunda-feira, março 19, 2007

Restos mortais de Aquilino Ribeiro vão para o Panteão Nacional


9.03.2007 - 12h20

O projecto já era conhecido, mas a oficialização só apareceu hoje no Diário da República: os restos mortais de Aquilino Ribeiro vão ser trasladados para o Panteão Nacional.
"O Panteão é a homenagem da pátria aos seus maiores, não deve ter nada de sagrado", disse hoje à Lusa o escritor Baptista Bastos, confessando-se "muito feliz" com a iniciativa da Assembleia da República.Aquilino, que o autor de "A Colina de Cristal" conheceu pessoalmente, era um homem "com consciência da sua valia, da sua importância, não só no panorama da cultura portuguesa mas também no plano dos princípios, princípios morais e da relação com os outros"."Ele representa — realçou — o Portugal de uma certa nobreza, de uma certa integridade, e isso está nos seus livros. Foi sempre um homem da liberdade, a súmula de uma cultura".Entre a morte de Aquilino, em 1963, e a homenagem que agora lhe é prestada decorreram 44 anos. Muito tempo, na opinião de Baptista Bastos: "Já lá devia estar", observou.Para um outro escritor, Mário Cláudio, "tudo aquilo que sirva para homenagear um escritor é bem-vindo" e merece ser aplaudido, mais ainda quando se está em presença de um autor "da dimensão de Aquilino Ribeiro"."Mas não se promove o respeito pela sua obra através de realizações deste tipo", ressalvou."Não tenho o culto dos mortos", pontuou, para salientar em seguida que "não há melhor homenagem do que ler-lhe os livros"."Culto dos mortos" é algo que também Lídia Jorge não tem. O que importa, na sua avaliação, "é a obra, é a memória, é a cidadania".A autora de "Vento Soprando nas Gruas" admitiu à Lusa que a trasladação será "válida" se for uma forma de "lembrar ao país" quem foi Aquilino e chamar a atenção para a sua obra.

Requalificação de secundárias começa hoje


No balanço aos dois anos de governação, feito anteontem no "Fórum Novas Fronteiras", o primeiro-ministro referiu-se ao programa de Modernização do Parque Escolar como sendo a prova do esforço do Governo em valorizar a escola pública e melhorar a qualidade do ensino. Hoje, José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues fazem não uma mas duas sessões de apresentação da nova aposta do Executivo às 10 horas, na Escola Rodrigues de Freitas, no Porto, e às 15, na secundária D. Dinis, em Lisboa. Precisamente duas das quatro primeiras escolas onde serão feitas obras de requalificação. O programa será executado em parceria com as autarquias, de acordo com o anúncio de José Sócrates. Na terça-feira, em Castelo Branco, a ministra da Educação também já havia defendido a transferência de novas competências para as câmaras municipais e um maior apoio destas ao Governo "na renovação do parque das escolas básicas".A execução da requalificação cabe à Parque Escola. A nova Entidade Pública Empresarial, presidida por João Sintra Nunes, coordenará o programa de modernização, controlará os custos, indicará as fontes e modelos de financiamento e garantirá, ainda, a manutenção das intervenções.O programa arranca no início do próximo ano lectivo nas escolas Oliveira Martins e Rodrigues de Freitas, no Porto, e D. João de Castro e D. Dinis, em Lisboa.Além deste grupo de escolas-piloto,o ministério já anunciou que as escolas Pedro Nunes, Machado de Castro e Passos Manuel, em Lisboa, serão objecto de projectos especiais, previstos para 2008. A tutela, aliás, já garantiu que o levantamento de todas as intervenções necessárias já está feito, restando, apenas, à nova empresa Parque Escolar a calendarização de todas as obras de requalificação. O Governo garante que o programa de modernização estará concluído no início do ano lectivo de 2011/2012.

Governo força 2200 docentes a formação profissional extra


Alexandra InácioGoverno força 2200 docentesa formação profissional extraComo no próximo concurso nacional de professores, em 2009, não poderão candidatar-se os docentes sem profissionalização (ou seja, os licenciados sem um estágio em Ciências da Educação), a tutela acabou de decretar para os 2200 professores que estão nessa situação uma formação extraordinária e obrigatória - pelo menos para quem queira entrar para o quadro do ministério.Na semana passada, o secretário de Estado, Valter Lemos, assinou um despacho que facilita o acesso aos estágios para os profissionais com um mínimo de cinco anos de serviço (ou seis, desde que completos no ano lectivo de 2008/09) e horário igual ou superior a oito horas lectivas. Os sindicatos, no entanto, receiam que essa "aparente boa notícia" se traduza em mais desemprego.As normas, recorde-se, já tinham sido aprovadas. Mas o novo despacho assinado por Valter Lemos prolonga por mais um ano a oportunidade de os docentes realizarem o estágio - condição essencial para que posam candidatar-se aos quadros do ministério. De acordo com o secretário de Estado um despacho semelhante, publicado no ano passado, permitiu a formação de aproximadamente 700 professores.Neste caso, Valter Lemos diz que se trata "de uma última oportunidade para mais de 2000 docentes".Sindicato preocupado"Sendo uma boa notícia, o prolongamento pode vir a ter um resultado prático muito residual", afirmou ao JN Anabela Delgado, coordenadora para o ensino secundário do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL). O problema, argumentou, é que os dois requisitos exigidos excluem os docentes que nunca conseguiram horários completos. Apesar de trabalharem há anos, demoram mais a acumular tempo de serviço. Para esses professores, alerta, será ainda mais difícil conseguir uma colocação. Os sindicatos receiam, por isso, que o despacho atire mais professores para o desemprego. Até porque o aumento dos horários em mais duas horas, o encerramento de escolas e a diminuição do número de alunos - "que não permite, no entanto, turmas com menos de 28 alunos" - também já reduz o número de horários a concurso. Condições exigidas para o concurso O acesso aos estágios só será permitido aos professores que cumulativamente tenham habilitações próprias, possuam "pelo menos cinco anos completos de serviço docente efectivo" e tenham um horário "igual ou superior a oito horas lectivas" por semana. Redução e acréscimo de horas para estagiáriosPor forma a criar algum equilíbrio entre os candidatos à profissionalização, no universo do pré-escolar ao secundário, o despacho prevê que os docentes com horário completo (22 horas) vejam o seu horário reduzido em seis horas semanais, por forma a poderem frequentar a formação. E, no caso dos docentes que têm horários iguais ou superiores a oito horas, haverá um aumento de seis horas semanais na sua componente lectiva.Mais experientes são dispensados O diploma dispensa da frequência da profissionalização os professores com habilitação própria que "tenham 45 anos e 10 anos de serviço docente efectivo" ou os docentes com 15 anos de serviço.

Governo apresenta hoje Programa de Modernização Escolas Secundárias


O primeiro-ministro e a ministra da Educação apresentam hoje o Programa de Modernização do Parque Escolar do Ensino Secundário, que visa corrigir problemas construtivos e melhorar as condições de adaptabilidade, segurança e acessibilidade das escolas



José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues vão estar presentes em duas sessões de apresentação, uma de manhã, na Escola Secundária Rodrigues de Freitas, no Porto, e à tarde na Secundária D. Dinis, em Lisboa.
O programa, aprovado em Conselho de Ministros a 06 de Dezembro de 2006, visa a adopção de medidas e acções que invertam o progressivo estado de degradação e desactualização dos estabelecimentos destinados ao ensino secundário.
Para coordenar a execução do programa, o Governo criou a Parque Escolar, uma empresa pública empresarial que será ainda responsável pelo controlo de custos e por assegurar as fontes e modelos de financiamento.
O programa arranca no início do ano lectivo 2007/08 com intervenções nas escolas piloto Oliveira Martins e Rodrigues de Freitas, no Porto, e na D.João de Castro e D.Dinis, em Lisboa.
Por outro lado, está já identificado um outro conjunto de escolas que serão objecto de projectos especiais, cujas intervenções deverão estar concluídas até 2011/2012.

Lusa/SOL

domingo, março 18, 2007

A nossa língua

Alice Vieira , Escritora
Lembro-me muitas vezes daquela sensação de medo (e depois de vergonha) que senti na primeira noite que passei em Chicago, quando oiço baterem insistentemente à porta da cozinha e vejo, a toda a largura e altura do vidro da porta, o enorme rosto de um negro, cabelo em tranças "rasta", fazendo gestos ameaçadores. Eu estava sozinha em casa, as crianças dormiam no quarto ao fundo, o meu filho ia chegar tarde. Imaginei-me no pior cenário do pior filme de terror, tremia sem saber o que fazer - até que o Diogo, estremunhado, veio lá do quarto, olhou e disse "ah, é o nosso vizinho do lado". Era e os gestos ameaçadores eram apenas gestos de um pai que também estava sozinho em casa, e descobrira ter ficado sem leite no frigorífico... A vergonha que tive acho que nunca chegou a passar, nem mesmo depois de lhe ter passado para as mãos um pacote inteiro e, até ao fim da minha estadia, ter tido sempre para ele o mais rasgado dos sorrisos.Não há dúvida, somos instintivamente racistas, ou já estamos programados para o sermos.Desta vez não estou em Chicago mas na estação de Metro de Sete Rios, passa pouco das seis da manhã, o quiosque do café ainda não abriu, faço horas para apanha ruma camioneta na rodoviária mesmo em frente. Diante de mim aparece um negro, o cabelo em tranças, olhos pesados de sono e álcool, ar de quem ainda não se deitou. Estende-me o braço e pede-me um cigarro. Enfio a mão na algibeira e entrego-lhe o resto do maço, olhando em volta, mas em volta não anda ninguém, e ele pede lume e eu estendo-lhe o isqueiro, esperando que ele não veja a minha mão pouco segura de si. "Obrigado", diz, "obrigado pela sua amabilidade." Repete "amabilidade" - devagarinho, e separando bem as sílabas. Franze a testa, põe-se bem na minha frente, e continua: "É amabilidade, que se diz? Não será amavilidade? Pois se a gente diz 'amável', devíamos dizer 'amavilidade'. A não ser que a palavra venha de 'habilidade'. Quer dizer: a 'habilidade' de ser amável. Amabilidade". E durante muito tempo ficou naquelas altas filosofias matinais. Já se afastara um pouco quando de repente volta atrás, deixa cair a mão pesadamente no meu ombro (tenho metro e meio e ele tem para aí o dobro...) e, enquanto eu olho desesperadamente em volta, exclama: "a nossa língua é muito bonita!" O quiosque já estava aberto, paguei-lhe um café.Aquela "nossa", pronunciado com tanta força, tinha-nos feito, de repente, irmãos. Exactamente da mesma cor.Alice Vieira escreve no JN, quinzenalmente, aos domingos

sábado, março 17, 2007

CONTRA A FRACTURA NA CARREIRA DOCENTE
EM DEFESA DAS CARREIRAS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Caro(a) Colega

Já se encontra disponível online, na página do SPEC o Abaixo-Assinado contra a fractura da Carreira Docente em duas categorias.

Veja em http://www.sprc.pt

Como sabe, certamente, trata-se de uma situação que gerará profundas injustiças dentro de cada escola e agrupamento e que secciona o corpo docente, alimentando a competição e impedindo a maioria dos professores de chegar ao topo da carreira.

Esta iniciativa da Plataforma Sindical dos Professores pretende afirmar, perante o governo e a opinião pública, um veemente protesto contra a imposição de uma carreira que desvaloriza a função principal dos docentes e alimenta desconfianças em relação aos professores e educadores.

Para assinar basta seguir este endereço http://www.sprc.pt/asps/defesacap.htm

É TEMPO DE CONTINUAR A DIZER NÃO! DE NÃO DESISTIR…

brincar com as palavras


Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

Fernanda Braga da Cruz

Prioridade para investigação a agressões contra professores

Nova Lei de Política Criminal vigorará a partir de Setembro A Lei de Política Criminal, que deverá vigorar a partir de Setembro, vai considerar prioritária a prevenção e investigação das agressões contra professores e funcionários das escolas, afirmou o coordenador da Unidade de Missão para a Reforma Penal, Rui Pereira, em declarações à Lusa. A política criminal compreende a definição de objectivos, prioridades e orientações em matéria de prevenção da criminalidade, investigação criminal, acção penal e execução de penas e medidas de segurança. Segundo a legislação, os professores integram um conjunto de profissões e cargos a quem uma agressão é susceptível de "revelar especial censurabilidade ou perversidade", podendo, por isso, a pena de prisão ser agravada em um terço nos seus limites mínimo e máximo. No âmbito das alterações ao Código Penal, aprovadas na generalidade a 22 de Fevereiro, também as agressões a outros membros da comunidade escolar, incluindo os funcionários não docentes, passam a ter uma moldura penal agravada. Além de qualificadas, estas agressões passarão a ser consideradas prioritárias a nível da investigação das forças de segurança e do Ministério Público já a partir de 01 de Setembro, com a entrada em vigor da Lei de Política Criminal.

Professores: Ministério de Educação e sindicatos voltam a encontrar-se na quarta-feira



O SINDEP e a FECAP e o Ministério da Educação regressam à mesa de negociações na próxima quarta-feira caso surja algum dado novo suficientemente forte a ponto de levar à desmarcação da greve anunciada para 22 e 23 deste mês.
O Ministério de Educação e Ensino Superior sem avançar alguma data precisa reafirmou ontem durante a ronda negocial com os sindicatos que os professores vão receber ainda este ano os montantes relativos às promoções e progressões de 2003 e 2004.
De acordo com o presidente do SINDEP, Nicolau Furtado, o MEES reafirmou, durante o encontro de ontem, «a reclassificação, ainda este ano, dos professores diplomados em 2004 e 2005 ignorando os retroactivos que são devidos».
A integração dos professores no sistema de Previdência Social, outra das reivindicações dos docentes, nem sequer foi ventilada, segundo Nicolau Furtado, pelos representantes do MEES que «não confirmaram a existência, a nível das Finanças, de qualquer plano de pagamentos dos atrasados das progressões de 2003 e 2004 a ser executado a partir de 22 próximo».
Contudo, segundo uma fonte, o pagamento vai mesmo avançar podendo mesmo começar antes da data prevista e conta com o envolvimento pessoal da Ministra das Finanças, Cristina Duarte, que levou a questão para o Conselho de Ministros de ontem.
Recorde-se que os sindicatos (SINDEP e FECAP) têm marcada para os dias 22 e 23 (quinta e sexta-feira) a greve de professores em todo o país.

quinta-feira, março 15, 2007

Exames: 1ª fase de 18 a 26 Junho, resultados a 6 Julho


A primeira fase dos exames nacionais do ensino secundário realiza-se este ano de 18 a 26 de Junho, sendo as classificações afixadas a 06 de Julho, de acordo com um despacho publicado quarta-feira em Diário da República.
Na primeira fase realizam-se 38 exames, sendo que as nove disciplinas em que coexistem programas novos e programas antigos, devido à reforma curricular introduzida em 2004, têm este ano enunciados comuns.
Os alunos que concluírem todas as provas na primeira fase poderão concorrer ao ensino superior público entre 09 e 13 de Julho, conhecendo o resultado da candidatura a 17 de Setembro.
A segunda fase de exames decorre de 12 a 17 de Julho, com afixação das pautas de classificações a 27 de Julho.
Os alunos que só concluírem provas nesta fase concorrem ao ensino superior de 27 de Julho a 03 de Agosto, excepto os que tenham feito melhoria de nota ou que repitam os exames para aprovação e que, por isso, são remetidos para a segunda fase de acesso à universidade, de 17 a 21 de Setembro, onde há menos vagas disponíveis.
Relativamente aos exames nacionais do 9º ano, a primeira chamada é a 19 de Junho para a prova de Língua Portuguesa e a 21 para Matemática, com afixação dos resultados a 11 de Julho.
Quanto à segunda chamada, decorre a 25 e 26 de Junho, a Língua Portuguesa e Matemática, respectivamente, com afixação das pautas igualmente a 11 de Julho.
Diário Digital / Lusa
15-03-2007 16:33:00

Educação no tempo de Salazar


Ministra admite vender 20 secundárias já encerradas

A ministra da Educação admitiu hoje no Parlamento vender ou arrendar cerca de 20 escolas secundárias de Lisboa e Porto actualmente desactivadas, caso não possam ser reconvertidas, por exemplo em escolas do primeiro ciclo.
«A situação de cada escola desactivada tem de ser vista no quadro de gestão da rede, mas se não houver utilidade a dar ao edifício que já foi escola e já não é, qual é o problema [de vender]?», questionou Maria de Lurdes Rodrigues em declarações aos jornalistas, à saída da Comissão Parlamentar de Educação, onde hoje foi ouvida.
Segundo a ministra, a hipótese de vender património coloca-se apenas no caso de secundárias já encerradas, o que acontece com «10 ou 12 escolas na região de Lisboa», como a David Mourão Ferreira, Dona Maria I ou Veiga Beirão, por exemplo, e «sete ou oito na zona do Porto».
Perante os deputados, a responsável deu o exemplo da secundária lisboeta Veiga Beirão, no Largo do Carmo, encerrada há quase dez anos, que a tutela pondera transformar em escola do primeiro ciclo - o único nível de ensino em que há falta de estabelecimentos em Lisboa - ou vender, caso isso não seja possível.
«Vender não é crime. Faz parte das obrigações de quem gere o interesse público e é preferível vender do que deixar ao abandono», afirmou.
Desde o ano lectivo 2000/01 fecharam portas, só na região de Lisboa, oito escolas secundárias: Anjos, Póvoa de Santo Adrião (Odivelas), Delfim Guimarães (Amadora), Rainha Dona Amélia, Cidade Universitária, David Mourão Ferreira, Machado de Castro e D. João de Castro, a única que o Ministério da Educação (ME) já assegurou não vender.
Para inverter a tendência de diminuição do número de alunos no ensino secundário, que poderia levar ao encerramento de várias outras escolas, o Executivo aposta na diversificação da oferta através de vias profissionalizantes e na atracção de estudantes da periferia para os estabelecimentos de ensino localizados no centro de Lisboa e Porto.
O ME quer ainda valorizar o uso das secundárias, criando «áreas de negócio como lojas de conveniência para estudantes e aluguer de pavilhões para baptizados», exemplos destacados hoje pela ministra que permitam aumentar as verbas para a manutenção dos edifícios.
Diário Digital / Lusa
14-03-2007 15:43:00

segunda-feira, março 12, 2007

Candidaturas no final de Março




Joana Santos 2007-03-12
A abertura das candidaturas para a colocação de docentes em 2007/2008 deverá começar na segunda quinzena deste mês. Este primeiro concurso destina-se exclusivamente aos professores contratados.
Segundo a Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação (DGRHE) não há ainda uma data concreta para a abertura do concurso de colocação de docentes deste ano, embora o seu anúncio deva ocorrer no final deste mês. Até lá, educadores de infância e professores dos Ensino Básico e Secundário contratados deverão ficar atentos à página da DGRHE (http://www.dgrhe.min-edu.pt/) que, enquanto o concurso não se inicia, recomenda que os novos candidatos façam a sua inscrição e que os que já estão inscritos testem os seus dados.Os professores que ainda não se inscreveram devem efectuar uma inscrição online obrigatória, que consiste no preenchimento de uma ficha de dados pessoais e na definição de uma palavra-chave. Será esta a palavra-chave, juntamente com o número de candidato indicado no recibo, que servirá para identificar o candidato ao longo de todas as etapas do concurso. Aos docentes que já se encontram inscritos, a DGRHE aconselha que realizem um teste com o seu número de candidato e a respectiva palavra-chave, para confirmarem se a informação disponibilizada se encontra correcta e sem quaisquer irregularidades.A DGRHE conta disponibilizar, em breve, na sua página online mais informações sobre o concurso, nomeadamente a data de abertura, os documentos a entregar e respectivos locais de candidatura.O concurso de colocação é anual. Se existirem vagas nas escolas onde os profissionais se encontram a leccionar, e se essa for a sua vontade, poderão ser reconduzidos para o mesmo estabelecimento de ensino. Para tal, basta apenas que indiquem, na ficha de candidatura, se querem que seja feita a recondução.Os contratos individuais de trabalho a celebrar terão a duração mínima de 30 dias e não poderão ultrapassar o fim do ano lectivo. As contratações terão de ser autorizadas pelos ministros das Finanças e da Educação, que anualmente fixam num despacho conjunto a quota máxima de contratos a celebrar por parte dos estabelecimentos de ensino.Os concursos de destacamento por ausência da componente lectiva (horários zero), destinados aos docentes dos quadros de estabelecimentos de educação ou de ensino que se encontrem sem componente lectiva, e de afectação, para os docentes vinculados aos quadros de zona pedagógica que não estejam afectos ou se encontrem sem componente lectiva no lugar de colocação plurianual, deverão realizar-se durante o mês de Julho.O novo regime de contratação de docentes foi publicado no passado dia 15 de Fevereiro no Diário de República.

A Devida Comédia



Criancinhas
A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.

A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis Nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.
Desperta.É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».
Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal. Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».
A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha? Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.
Miguel Carvalho