
segunda-feira, novembro 05, 2007
Ateliers de borboletas em Lisboa
Teresa Sousa 2007-10-31
O Tagis tem previstas para este ano lectivo diversas actividades de contacto com as borboletas, dirigidas ao público escolar e aos adultos.
O Centro de Conservação das Borboletas de Portugal (Tagis) tem agendados, para este ano lectivo, uma série de ateliers de borboletas. As propostas dirigem-se a todos os níveis de ensino, do básico ao secundário.Conhecer as borboletas é o primeiro passo para as proteger. É neste pressuposto que o Tagis, com sede no Museu de História Natural, em Lisboa, tem vindo trabalhar com o público escolar, no conhecimento teórico e experimentação destes insectos. Como explicou ao EDUCARE.PT Patrícia Garcia Pereira, coordenadora do projecto, "procurámos sempre que os visitantes não tenham um papel passivo".Assim, os estudantes começam por fazer uma visita guiada à exposição "As borboletas através do tempo", no Museu de História Natural, para logo a seguir passarem para o Lagartagis, no Jardim Botânico, um espaço onde vêem, ao vivo, os bichinhos que aprenderam a conhecer na exposição.Mas os ateliers não têm um propósito meramente informativo. Pretende-se, acima de tudo, que, através do conhecimento, se aprenda a proteger. "Há diversas borboletas em perigo e são estes alunos que poderão contribuir para diminuir as ameaças", declarou a bióloga.No laboratório vivo que é o Lagartagis, as crianças poderão não só observar as borboletas, como também alimentá-las. Por exemplo, se responderem correctamente às questões colocadas, vão à caça de toda a espécie de insectos e invertebrados (incluindo lesmas e bichos-de-conta) para distribuir alimento pelas borboletas. E também aprendem a protegê-las dos predadores, como é o caso da aranha, limpando todas as teias ao alcance. Patrícia Garcia Pereira confirma a absoluta surpresa dos visitantes no contacto com estas novidades da Natureza. "É muito engraçado observar as suas reacções e é interessante porque, na exposição, damos a cada aluno um caderno, uma espécie de guia, que depois o acompanha no Lagartagis e que podem levar para casa".Preservar as borboletas, criando ecossistemas, mesmo numa zona urbana, é possível. Mas, conclui Patrícia, "se uma grande cidade não tem um único espaço verde, estamos a ameaçar estas e outras espécies".Para além do público escolar, o Tagis também está a direccionar-se para o público em geral. Já para o mês de Novembro estão programados cursos de fotografias para crianças dos 6 aos 14 anos. "Fotografar plantas, lagartos e outros insectos" pode ser uma forma de aprofundar técnicas, mas também de aprender a conhecer melhor a Natureza. Para os adultos, o Tagis oferece a possibilidade de frequentar o curso "Metade borboletas, metade plantas". Nesta espécie de "dois em um", ensinam-se técnicas de jardinagem e um pouco mais sobre a relação de dependência entre as borboletas e as plantas de qualquer jardim.
ENCONTROS REGIONAIS - O NOSSO FUTURO ESTA AI

Caro(a) Associado(a),
Em pouco mais de meio ano o governo colocou em andamento um conjunto de medidas legislativas que visam alterar significativa e negativamente o enquadramento profissional de todos os trabalhadores da administração pública. É nesta exacta medida que foram impostas mudanças no Estatuto da Carreira Docente, de que discordamos frontalmente por negarem o direito dos professores e educadores a uma profissão estável, motivadora e valorizadora do seu estatuto sócio-profissional.
Para o SPRC e a FENPROF o pacote de projectos regulamentadores do ECD e do enquadramento profissional na administração pública representará mais um inadmissível ataque à administração pública no seu todo e, particularmente, aos professores e educadores.
Estão entre estes diplomas, alguns que são estruturantes da própria profissão, a saber:
— Portaria Regulamentadora do ingresso na profissão docente;
— Decreto Regulamentar da avaliação do desempenho;
— Decreto Regulamentar da prova e concurso de acesso à categoria da professor titular;
— Lei da Mobilidade Especial e da Aposentação;
— Lei da alteração de todo o regime de Carreiras, Vínculos e Remunerações na Administração Pública.
Como facilmente compreenderás, joga-se nestes diplomas todo o nosso futuro, quer no âmbito geral, enquanto trabalhadores do Estado, quer no âmbito específico do nosso exercício profissional, da nossa autonomia pedagógica, do nosso enquadramento na carreira e progressão.
Como verificarás, a tua presença nos encontros regionais que a Direcção do SPRC preparou é muito importante, por duas razões:
1. Porque vais poder informar-te, questionar, dar opinião e trocar impressões sobre todos estes assuntos com os teus colegas e com quem lidera o processo negocial com o governo, a FENPROF.
Daí o facto de o nosso coordenador e secretário-geral, Mário Nogueira, se ter imediatamente disponibilizado para estabelecer esse tão importante diálogo com todos os que queiram PARTICIPAR.
Esta é a palavra-chave: PARTICIPAR!... Não deixar que outros decidam por nós, sem que tivéssemos tido a oportunidade de ter uma opinião, de intervir.
2. Porque, com a presença massiva nestes grandes plenários, daremos mais um importante sinal ao governo da nossa determinação para que não descaracterizem a nossa profissão, para que não desvalorizem os serviços públicos e, muito particularmente, os de Educação e de Ensino, para que não transformem os trabalhadores que prestam serviços públicos fundamentais para a vida de cada cidadão em profissionais desmotivados e humilhados, pela sistemática desvalorização que deles tem sido feita e continua a fazer-se.
Contamos, por isso, contigo! Com essa força que sempre soubeste transmitir e que tão bons resultados sempre produziu! Está na hora de mantermos essa dinâmica.
COIMBRA, 15 DE NOVEMBRO
9h30 – Teatro Académico de Gil Vicente
VISEU, 16 DE NOVEMBRO
9H30 – Auditório da Igreja Nova
Para participares nestes Encontros, se tiveres de te sujeitar a longas deslocações, sugerimos que contactes os Executivos Distritais do SPRC da tua área, para dessa forma, combinarmos os transportes que serão assegurados:
AVEIRO: 234 420 775 COVILHÃ: 275 322 387
CASTELO BRANCO: 272 343 224 GUARDA: 271 213 801 SEIA: 238 315 498
LEIRIA: 244 815 702 LAMEGO: 254 613 197
Um abraço... contamos com a tua presença!
A Direcção
Professores oliveirenses pioneiros
Ministra assume desvalorizar faltas às aulas
Ir ou não às aulas não deve ser relevante para a avaliação dos alunos. Maria de Lurdes Rodrigues foi ontem à RTP esclarecer que deve progredir na escola quem tiver notas positivas, independentemente da assiduidade. "A avaliação tem que incidir sobre o conhecimento: sabe, passa; não sabe, não passa", disse a ministra da Educação, questionada sobre a nova proposta de lei sobre a matéria, que deverá ser aprovada este mês, na Assembleia da República.
Em causa está a alteração ao Estatuto do Aluno, sujeita recentemente a retoques pelo PS, no Parlamento. A oposição acusou os deputados socialistas de terem recuado, apresentando na quarta-feira na Assembleia da República uma nova versão onde se estreitava o poder de decisão das escolas sobre como proceder relativamente a alunos que excedam o número de faltas previsto e que não tenham aproveitamento na prova de recuperação.Maria de Lurdes Rodrigues disse, contudo, no programa Grande Entrevista, que esta nova versão "vai no sentido" da proposta aprovada já em Abril pelo Governo em Conselho de Ministros - admitindo que ela passa por cima de uma versão defendida pelo grupo parlamentar dos PS, na semana passada. A responsável pela Educação adiantou, a este propósito, que o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, teve um papel importante na "mediação" da solução final entre o executivo e os deputados socialistas."O Governo não tem de responder por nenhuma outra versão", justificou a ministra, sublinhando que a proposta apresentada entretanto pelos socialistas é fruto das "dinâmicas próprias dos parlamentos". "Estou muito satisfeita de que a versão final seja muito próxima da do Governo", regozijou-se. De facto, a proposta feita pelo PS anteontem aproxima-se da primeira versão apresentada pelo Governo. Com a diferença de que à possibilidade de chumbo do ano (para os alunos inscritos na escolaridade obrigatória) e de exclusão do aluno, até ao final do ano lectivo, da frequência das disciplinas relativamente às quais não obteve aproveitamento (para alunos do ensino secundário) se acrescenta a hipótese de o conselho pedagógico poder determinar, em alternativa, o cumprimento de um plano de trabalho acrescido e a realização de uma nova prova. Também deixa de ser feita qualquer distinção entre faltas justificadas e injustificadas.O que está escrito no diploma parece ser, contudo, um regime mais exigente do que aquele que a ministra vem defendendo. No mesmo dia em que o PS apresentava a nova proposta, numa entrevista publicada no jornal gratuito "Destak", Maria de Lurdes Rodrigues, tal como ontem na RTP, não foi clara sobre o alcance das novas regras. Questionada, nomeadamente, sobre o que acontece no caso de reprovação na prova de recuperação, Maria de Lurdes Rodrigues respondeu: "Se o aluno reprovar e tiver negativa, não pode passar, fica retido." "Mas, repito, é diferente ter uma negativa em Novembro ou em Julho, como todos sabemos. Tem que se confiar nos professores que fazem o acompanhamento quotidiano dos seus alunos", acrescentou. A ministra alertou para a necessidade de regulamentar a lei e para o facto de as escolas terem regulamentos próprios.
Educação: Alunos deficientes de Viseu obrigados a deixar escola por falta de pessoal de apoio
São as tarefeiras que prestam apoio aos alunos com deficiências, para além de assegurarem a limpeza das escolas. Sem a contratação de pessoal, criou-se "uma ruptura no normal funcionamento das escolas por causa de uma medida economicista", critica a presidente da direcção da Associação de Pais e Encarregados de Educação, Adelaide Campos. Na Escola 2,3 do Infante D. Henrique, em Repeses (sede do agrupamento), há dois alunos com necessidades de acompanhamento permanente. Já na Escola Básica de Jugueiros são necessárias três tarefeiras para apoiarem três alunos com deficiência motora e trissomia 21. Também a Escola Básica de Ranhados é frequentada por uma aluna com deficiência motora, o que implica a contratação de mais uma pessoa que lhe preste apoio. Todos estes alunos precisam, por exemplo, de ajuda sempre que vão à casa de banho, e há situações mais graves em que é necessário que uma funcionária faça um acompanhamento permanente e em exclusividade. A DREC só autorizou a contratação de uma tarefeira para a EB 2,3 do Infante D. Henrique, que irá prestar ajuda a apenas um dos alunos. À Associação de Pais e Encarregados de Educação têm chegado diversos pedidos de ajuda por parte dos pais que, perante a falta de condições nas escolas, não sabem onde deixar os filhos. Adelaide Campos já escreveu à directora da DREC para que encontre uma solução, mas os ofícios enviados na semana passada ainda não obtiveram resposta. Ontem, ninguém na DREC esteve disponível para prestar esclarecimentos adicionais.
sexta-feira, novembro 02, 2007
CDS faz interpelação a ministra da Educação no final de Novembro
A deputada Celeste Correia anunciou ainda a realização, na mesma semana, de uma interpelação do PCP sobre «o exercício das liberdades» e democracia.«Impõe-se uma reflexão muito séria sobre o estado da nossa democracia e sobre as condições para o exercício dos direitos, liberdades e garantias», argumentou o deputado do PCP, António Filipe, na passada quarta-feira.Há uma semana, o líder do CDS-PP, Paulo Portas, anunciou a interpelação ao Governo no Parlamento sobre a política de Educação para denunciar o que considera «os erros» da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, nomeadamente em relação ao novo Estatuto do Aluno, e «demonstrar que há outro caminho».Na quinta-feira, Portas defendeu a demissão de Maria de Lurdes Rodrigues depois de ter sido, segundo disse, ultrapassada pela bancada do PS numa alteração à lei, em que acabava por admitir a exclusão do aluno com excesso de faltas.
Lusa / SOL
Educação: 140 professores sem formação específica colocados no grupo de Educação Especial - Fenprof
Lisboa, 02 Nov (Lusa) - 140 professores sem formação específica ou experiência foram colocados no grupo 910 de Educação Especial, denunciou a Federação Nacional dos Professores (FENPROF), que considerou a decisão do Ministério da Educação "uma ilegalidade".
Segundo um comunicado da FENPROF, 140 professores - 53 dos Quadros de Escola e 87 dos Quadros de Zona Pedagógica - foram informados na tarde da passada quarta-feira, através de um e-mail da Direcção Geral de Recursos Humanos e da Educação (DGRHE), que tinham sido colocados no grupo de recrutamento de docentes 910 de Educação Especial.
Aos professores colocados no grupo 910 de Educação Especial compete, de acordo com o disposto em decreto-lei, prestar "apoio a crianças e jovens com graves problemas cognitivos, com graves problemas motores, com graves perturbações da personalidade ou da conduta, com multideficiência" e "apoio em intervenção precoce na infância".
"Os alunos com deficiências graves têm que ter apoios especializados que lhes permitam atenuar as suas dificuldades na aprendizagem e o que se passa é que vão passar a ser apoiados por pessoas sem qualquer formação ou experiência na área", afirmou o secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, em declarações à Lusa.
De acordo com Mário Nogueira, os professores colocados "de forma ilegal" no grupo 910 são professores dos Quadros de Escola com 'horário-zero' e professores dos Quadros de Zona Pedagógica com afectação administrativa.
"Há professores de Educação Especial que concorreram para estes lugares que não foram colocados e que estão neste momento desempregados", denunciou o Secretário-geral da FENPROF.
Mário Nogueira revelou também que a Federação vai na próxima segunda-feira entregar "uma carta na Provedoria de Justiça a pedir que seja resposta a legalidade" e outra ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, a alertar para a situação.
A professora de Português-Francês Natalina Pereira é um dos docentes afectados pelas colocações irregulares.
Natalina Pereira, destacada para o distrito de Santarém, estava com 'horário-zero' na escola EB 2/3 de Pontevel, uma localidade próxima do Cartaxo, quando na quarta-feira soube que tinha sido colocada no grupo 910 na Escola Básica de Ourém.
"Não tenho formação em Educação Especial e não concorri sequer para esse grupo", explicou Natalina Pereira à Lusa, acrescentando que quando hoje se apresentou na escola de Ourém "ficaram todos muito surpreendidos, uma vez que não tinham sido sequer contactados".
"Fiz uma declaração para anexar ao boletim de apresentação em que explicava que não tinha concorrido para aquele grupo, que a colocação tinha sido imposta pela DGRHE e que não tenho qualquer formação na área", revelou a professora que diz esperar obter uma resposta por parte da escola que clarifique se terá ou não que dar aulas de Educação Especial.
"Os professores não podem recusar colocações para não sofrerem processos disciplinares, mas devem apresentar de imediato uma reclamação à escola onde se apresentam", explicou Mário Nogueira.
A avaliação do desempenho a que os professores agora estão sujeitos, preocupa Natalina Pereira e a FENPROF, uma vez que estes docentes podem vir a ser avaliados pelo desempenho de funções para as quais não estão preparados.
Contacto pela Lusa, o Ministério da Educação não prestou qualquer esclarecimento sobre esta questão em tempo útil.
IZA
Lusa/fim
Governo diz que há alunos com processos parados há três anos
Alunos com deficiência vão ser ‘apoiados’ por professores sem formação
O Ministério da Educação colocou 140 professores sem formação nem experiência em Educação Especial a prestar apoio a crianças com deficiências graves, denuncia a Fenprof
Apesar de haver professores com formação específica para estas crianças, a tutela optou, garante o sindicato, pelos «que se encontram habilitados para leccionar disciplinas como Português, Francês, Geografia e tantas outras, mas que se encontram em situação de ‘horário zero’».
A Fenprof considera este procedimento «ilegal» e diz estar em causa «o carácter inclusivo da escola pública, ao ser recusado a alunos com problemas graves o apoio especializado a que têm direito».
Estatuto do aluno: PS recua e passa a admitir reprovação por excesso de faltas
Com o argumento de que estava a haver uma cortina de fumo para confundir a opinião pública, os socialistas, num inesperado volte-face, apresentaram, ontem, a meio da reunião da Comissão Parlamentar de Educação, a proposta de alteração à redacção do polémico artigo 22º, que estabelecia a realização de uma prova de recuperação para os alunos que excedessem o limite de faltas, independentemente de serem justificadas ou não. Sem quaisquer outras consequências. "Ministra desautorizada"À excepção do PS (que introduzira esta alteração à proposta de lei do Governo do novo Estatuto do Aluno), os partidos da oposição reagiram em bloco contra este ponto, denunciando tentativas de mascarar o absentismo e insucesso escolar e alertando para as contradições entre o discurso oficial do Executivo socialista da exigência e do rigor e o sinal de "facilitismo" desta medida.Com a polémica instalada, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, tentou aplacar a controvérsia, reduzindo a contestação a um alarmismo sem sentido. O certo é que agora de novo pela mão do PS a discussão reabriu-se, ainda que todos os partidos da oposição considerem que, apesar do recuo, subsiste o problema de o Estatuto tratar de igual modo as faltas justificadas e injustificadas. CDS e PCP falam mesmo de "uma desautorização" da ministra da Educação por parte dos socialistas. "Presente envenenado""A ministra veio defender a solução da prova de recuperação como a melhor e, agora, o grupo parlamentar do PS vem pôr em causa aquilo que ela disse. É um claro recuo do PS e uma situação que gera incómodo entre o grupo parlamentar e a ministra", afirma o deputado do PCP António Oliveira. Opinião idêntica tem o deputado do CDS José Paulo Carvalho, para quem "a ministra da Educação sai muito mal deste processo". "O PS defendeu o fim da retenção e da exclusão, dizendo que a escola teria de ser inclusiva e agora apresenta uma proposta que prevê a retenção e a exclusão do aluno", argumenta. Considerando que esta proposta vem dar razão às críticas que o CDS fez, José Paulo Carvalho sublinha, contudo, que, apesar de representar "uma evolução", ainda não merece a total concordância do seu partido. Ana Drago, do BE, insiste em denunciar que a proposta continua e enferma de um grave "erro". "Não há diferença entre faltas justificadas e injustificadas. Por muito que se confie no bom senso da escola [para o qual os socialistas remetem], isso não é compreensível", diz, apoiando, no entanto, o facto de o PS ter "retomado alguns instrumentos de gestão das faltas" defendidos pelos bloquistas e que não constavam da anterior versão do artigo 22º do Estatuto. O PSD, que pediu o adiamento da votação e que pondera apresentar uma proposta própria, regista a "cambalhota do PS", mas insiste no argumento de que o Estatuto "põe em causa o dever de assiduidade", uma vez que nada está previsto para os casos em que os alunos faltem sistematicamente e obtenham classificação positiva na prova de recuperação. "Tentam regular, mas sacodem para os conselhos pedagógicos das escolas, que terão de estar sistematicamente em reuniões para decidir se há prova de recuperação, se há retenção ou se há exclusão", critica ainda o deputado social-democrata Emídio Guerreiro, considerando que se trata de "um presente envenenado para as escolas".
PSD: Estatuto do Aluno "é mais uma trapalhada do Ministério da Educação

Em declarações à Lusa, o deputado social-democrata Emídio Guerreiro afirmou que, com esta lei, a maioria socialista pretende, "administrativamente, mascarar as estatísticas de abandono e de insucesso escolar".Para o deputado social-democrata, a polémica com o novo Estatuto do Aluno "é mais uma trapalhada do Ministério da Educação".O deputado disse também que a alteração apresentada pelo PS, ontem, na Comissão Parlamentar de Educação, é "mais um recuo" e "uma trapalhada" do Executivo socialista.Depois de ter, há semanas, admitido que os alunos faltosos poderiam passar de ano, ontem encontrou "um misto" em que "o aluno que falta continua a 'passar' de ano se tiver aproveitamento na prova de recuperação", referiu Emídio Guerreiro.O PSD contesta a solução, uma vez que considera a "assiduidade um valor essencial", e anunciou que vai fazer propostas na próxima reunião da comissão de educação.Os sociais-democratas fazem "uma avaliação negativa" da ministra da Educação, mas a seu tempo farão "uma avaliação final", acrescentou o deputado social-democrata."O PSD faz uma avaliação negativa do Ministério da Educação. Em tempo oportuno faremos uma avaliação definitiva. E no momento certo, já que o primeiro-ministro, José Sócrates, não sabe, diremos o que deve fazer para a política de educação mudar de rumo", sublinhou ainda Emídio Guerreiro.Durante a votação na especialidade do Estatuto do Aluno na Comissão Parlamentar de Educação, a maioria socialista apresentou uma proposta de alteração ao artigo referente às provas de recuperação para os alunos com excesso de faltas, tendo em vista a definição das consequências para os estudantes em caso de reprovação. Desta forma, os alunos do ensino básico com excesso de faltas sem aproveitamento na prova de recuperação poderão ficar retidos no respectivo ano de escolaridade se o conselho pedagógico da escola assim o decidir.A anterior redacção do artigo, que a maioria socialista aprovou na semana passada durante a discussão na especialidade, não especificava as consequências para o aluno da realização da prova, o que gerou críticas de toda a oposição. O líder do CDS-PP, Paulo Portas, afirmou hoje que este é um caso que reforça a ideia de que a ministra da Educação está a seguir "um caminho estreito" e que "há muito tempo" deveria ter deixado o Governo.
Ministra assume desvalorizar faltas às aulas
Ir ou não às aulas não deve ser relevante para a avaliação dos alunos. Maria de Lurdes Rodrigues foi ontem à RTP esclarecer que deve progredir na escola quem tiver notas positivas, independentemente da assiduidade. "A avaliação tem que incidir sobre o conhecimento: sabe, passa; não sabe, não passa", disse a ministra da Educação, questionada sobre a nova proposta de lei sobre a matéria, que deverá ser aprovada este mês, na Assembleia da República.
Em causa está a alteração ao Estatuto do Aluno, sujeita recentemente a retoques pelo PS, no Parlamento. A oposição acusou os deputados socialistas de terem recuado, apresentando na quarta-feira na Assembleia da República uma nova versão onde se estreitava o poder de decisão das escolas sobre como proceder relativamente a alunos que excedam o número de faltas previsto e que não tenham aproveitamento na prova de recuperação.Maria de Lurdes Rodrigues disse, contudo, no programa Grande Entrevista, que esta nova versão "vai no sentido" da proposta aprovada já em Abril pelo Governo em Conselho de Ministros - admitindo que ela passa por cima de uma versão defendida pelo grupo parlamentar dos PS, na semana passada. A responsável pela Educação adiantou, a este propósito, que o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, teve um papel importante na "mediação" da solução final entre o executivo e os deputados socialistas."O Governo não tem de responder por nenhuma outra versão", justificou a ministra, sublinhando que a proposta apresentada entretanto pelos socialistas é fruto das "dinâmicas próprias dos parlamentos". "Estou muito satisfeita de que a versão final seja muito próxima da do Governo", regozijou-se. De facto, a proposta feita pelo PS anteontem aproxima-se da primeira versão apresentada pelo Governo. Com a diferença de que à possibilidade de chumbo do ano (para os alunos inscritos na escolaridade obrigatória) e de exclusão do aluno, até ao final do ano lectivo, da frequência das disciplinas relativamente às quais não obteve aproveitamento (para alunos do ensino secundário) se acrescenta a hipótese de o conselho pedagógico poder determinar, em alternativa, o cumprimento de um plano de trabalho acrescido e a realização de uma nova prova. Também deixa de ser feita qualquer distinção entre faltas justificadas e injustificadas.O que está escrito no diploma parece ser, contudo, um regime mais exigente do que aquele que a ministra vem defendendo. No mesmo dia em que o PS apresentava a nova proposta, numa entrevista publicada no jornal gratuito "Destak", Maria de Lurdes Rodrigues, tal como ontem na RTP, não foi clara sobre o alcance das novas regras. Questionada, nomeadamente, sobre o que acontece no caso de reprovação na prova de recuperação, Maria de Lurdes Rodrigues respondeu: "Se o aluno reprovar e tiver negativa, não pode passar, fica retido." "Mas, repito, é diferente ter uma negativa em Novembro ou em Julho, como todos sabemos. Tem que se confiar nos professores que fazem o acompanhamento quotidiano dos seus alunos", acrescentou. A ministra alertou para a necessidade de regulamentar a lei e para o facto de as escolas terem regulamentos próprios.
terça-feira, outubro 30, 2007
Adultos podem concluir o secundário através de exames ou formação
Um número que diz muito sobre um país
Punição mais fácil e chumbo mais difícil
D.R. Os processos disciplinares vão ser mais rápidos, para que possam ser eficazes
Se, por um lado, a escola passa a ter mais facilidade em punir o aluno nos casos de indisciplina, agressão ou absentismo, por outro, o fim dos chumbos para os alunos faltosos faz esquecer a mão pesada que o novo documento pretende pôr em prática. As expulsões da escola, por exemplo, deixam de estar previstas.
Diana Ramos / Edgar Nascimento
Inclusão na escola versus Estatuto do Aluno
Novo Estatuto do Aluno
Chumbos por faltas vão deixar de existir
Justificadas ou injustificadas, as faltas dos alunos do ensino básico e secundário deixam de ter consequências, a não ser a realização de uma ou várias provas de recuperação para os estudantes que excedam os limites de faltas definidos por lei. Esta é a mais polémica medida que consta da proposta do novo Estatuto do Aluno dos ensinos básico e secundário, aprovada anteontem na especialidade pela comissão parlamentar de Educação apenas com os votos favoráveis do PS e a rejeição em bloco de todos os partidos da oposição. O líder do CDS/PP, Paulo Portas, já veio pedir o veto do Presidente da República.
e paga-se para isto? Por leftbrain, Lisboa
Esta forma de tratar da educação não faz sentido. Não tem nada de Excelente nem de inclusivo. Os políticos, nomeadamente a Ministra da Educação, são coveiros do nosso futuro, seguindo a lição (esquecida) de Cavaco Silva. A única coisa que se vê como estratégia coerente no governo é o esforço concertado de destruir os serviços que o Estado deve aos cidadãos que pagam impostos. Isso sim é coerente. E objectivo. Portanto este governo, seguindo harmonicamente o discurso da tanga, pretende liquidar tudo o que funciona no Estado de modo a criar «novas oportunidades» para os «investidores» que por sua vez «criarão» os postos de trabalho flexíveis que hão-de resolver as promessas eleitorais, bacocas e irrealistas. Como sempre é o «discurso social» que prepara o terreno ao totalitarismo, coisa que também se pode observar nas medidas governamentais, na confusão das polícias, no regabofe das escutas e no ridículo da justiça e dos seus salamaleques. Educar miúdos a quem não se exige qualquer responsabilidade é criar uma gente que dentro de alguns anos há-de estar no poder da mesma forma. A «elite» portuguesa, se o fosse, teria vergonha na cara, a começar nos senhores Jardins e a acabar no senhor constâncio, com as várias variações de senhor vodafone que andam pelo meio. Talvez as estatísticas se alterem, mas à custa do agravamento da realidade que a dita «elite» nem sequer pressente. Mas há uma coisa que tenho de reconhecer: não faltarão quadros «promiçores» nas jotas dos partidos que estão «vocassionados» para o «podêr». É que, com esta educação, o único futuro possível é mesmo na política.
Insucesso no secundário caiu de 32% para 25%
A taxa média de insucesso escolar do ensino secundário caiu para 25% percentuais no último ano lectivo de 2006/2007, disse a ministra da Educação em entrevista ao DN. Os números divulgados por Maria de Lurdes Rodrigues indicam uma quebra de cerca de sete pontos percentuais (ou seja, 22%) ao longo do último ano lectivo. E em 2004/05, aquele indicador, que estabelece a média para o conjunto dos 10.º, 11.º e 12.º anos de escolaridade, tinha-se situado acima dos 33%.Os números dizem respeito às reprovações e não especificamente às saídas precoces do sistema de ensino, vulgarmente conhecidas como abandono escolar. E não se referem a nenhum ano em particular, uma vez que o nível de chumbos difere consideravelmente entre o 10.º ano e o 12.º de escolaridade e também consoante a modalidade seja o curso geral ou tecnológico . De acordo com dados do Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo, no ano lectivo de 2004/2005, por exemplo, a taxa média de retenção e desistência era de 33,2% no ensino público. Enquanto no 10.º ano as reprovações equivaliam a 30%, no 11.º ano baixavam para 16%, sendo que no 12.º ano, as reprovações subiam substancialmente para os 50,8%.A ministra refere-se aos últimos números como "uma redução histórica, porque pela primeira vez de forma consistente estamos abaixo dos 30%, o que era uma espécie de fatalidade". Agora, acrescentou, com a adesão dos jovens aos cursos profissionalizantes, a probabilidade do sucesso aumenta. Alguns resultados positivos registaram-se também ao nível das saídas precoces do sistema. A percentagem dos jovens dos 18 aos 24 anos que não concluíram o secundário e não frequentava nenhuma acção escolar ou de formação baixou de 39,2% para 36,3, no ano lectivo de 2005/2006. "Isso significa que se mantiveram 30 mil jovens no ensino em 2006." Ainda assim, a taxa de abandono portuguesa é o dobro da média da UE. Para a quebra o abandono escolar tem contribuído o recente esforço de investimento nos cursos de educação formação (CEF) bem como nos cursos profissionalizantes. Como lembra ao DN o ex-secretário de Estado da Educação, José Canavarro, no último ano registou-se um acréscimo de cerca de 23 mil alunos naquelas duas modalidades. "Mas o que importa é saber se mais do que melhorar as estatísticas se estão também a melhorar as aprendizagens."- COM C.C. e P.S.T.


