segunda-feira, janeiro 19, 2009



Testemunho de uma colega de Barcelos

"Onde estais vós, gente de pouca fé?! Hoje dói-me a alma, a desilusão apoderou-se de mim. Tenho vergonha de pertencer a uma classe de professores que tem medo; que não acredita que para se conseguir algo são necessários sacrifícios; que é agora ou nunca; que o tempo urge; que já não há que acreditar em falsas promessas. O hoje passou e o amanhã não será melhor, se nada fizermos. Onde pára essa gente de fortes convicções? Estou cansada de ouvir tantos disparates, tanta caricaturização, tanta justificação, tanta falta de informação !!! Onde estão os 120 mil ? Fizeram como a avestruz?Hoje confirmei que portugueses há muitos, mas quero aqui tecer um elogio a todos aqueles que acreditam e têm vontade de mudar este país.Tenho vergonha dos nossos representantes políticos. Politizaram uma questão tão séria como é o ensino público, pondo em risco a continuação de um ensino público credível, brincaram com a vida de 120 mil profissionais.Não sou fundamentalista, mas temo pela democracia neste país e quero que os meus filhos vivam em democracia.Nestes últimos anos senti-me ultrajada por um ministério que não me respeita.Hoje dei mais um passo em frente... não entrego, nem entregarei os objectivos individuais, faço uma greve por período indeterminado, faço tudo o que ainda estiver ao meu alcance para derrubar esta política de ensino insana. Não aceito que um ano de luta acabe por "parir" um rato. Não me venham com a treta de que devo ter outros meios de me sustentar. Não, não tenho. Tenho quatro filhos a estudar, um na Universidade, um apartamento e um carro que pago às prestações e todas as despesas inerentes a uma família numerosa. Não tenho pais ricos, aliás a minha mãe é viúva e aposentada. Ah! e já não tenho marido.Quando ouço alguns colegas que desabafam "Ai, eu tenho um filho a estudar na universidade e não posso perder parte do meu ordenado"... Pois eu também tenho um na universidade e mais três em idade escolar.Esses três mais novos acompanharam-me a Lisboa, quis dar-lhes uma lição de democracia ao vivo e a cores e quero ser um exemplo para eles. Quero que eles no futuro sigam o meu exemplo, não aceitem nada com base no medo, que lutem pelos seus ideais, que sejam gente com valores, carácter, com fortes convicções e cidadãos bem formados.Maria da Glória Costa, uma mulher de uma só cara!(Escola Secundária de Barcelos)"

Naufrágio da educação


GREVE A 19


Pais apelam a Cavaco para intervir no conflito da Educação

A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIP) exigiu hoje a intervenção do Presidente da República para resolver o 'braço-de-ferro' entre sindicatos dos professores e Governo, considerando que os maiores prejudicados são os alunos
«Apelamos ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, para excercer a sua magistratura de influência no sentido de tentar resolver este conflito, que já se arrasta há mais de um ano e cada vez mais prejudica a aprendizagem dos nossos filhos», disse à agência Lusa Maria José Viseu, presidente da CNIP.
«A nossa preocupação tem a ver, sobretudo, como o facto de este conflito, que não tem fim a vista, estar a influenciar negativamente a aprendizagem dos alunos», acrescentou.
Situação que, segundo Maria José Viseu, vai se «agudizar ainda mais» se o braço-de-ferro e a «situação de conflito» continuarem por muito mais tempo.
«Os professores irão dispor de muito pouco tempo para apoiar os alunos, sobretudo os do ensino secundário e aqueles do 9º ano que irão fazer os exames nacionais», precisou.
Para a responsável da CNIP, o dia de paralisação hoje dos professores «trouxe alguma anormalidade», uma vez que a «adesão à greve foi elevada e impediu o normal funcionamento das escolas».
A greve de professores de hoje registou uma adesão de 91 por cento, segundo os sindicatos, mais 50 pontos do que a estimativa do Governo, que fala em 41 por cento.
Maria José Viseu criticou ainda que algumas escolas, «sobretudo na zona de Sintra», mesmo estando abertas, se viram obrigadas a mandar os alunos para casa, «já que as empresas contratadas não forneceram o serviço de refeição».
Os professores realizaram hoje mais uma greve em protesto contra o modelo de avaliação de desempenho e o Estatuto da Carreira Docente (ECD).
Os sindicatos exigem a suspensão e substituição do modelo de avaliação de desempenho e, relativamente ao ECD, querem eliminar a divisão da carreira em categorias hierarquizadas (professores e professores titulares).
Lusa / SOL

A culpa é dos professores



Escrito por Noel Petinga Leopoldo
19-Jan-2009


Não há família portuguesa que não tenha uma mão cheia de estórias envolvendo falhas de professores. O povo latino é, essencialmente, canalha e não tem qualquer vislumbre do valor da pedagogia. A escola é para ir pedir satisfações aos profs., ralhar com eles e, se os ventos correrem de feição, bater-lhes impunemente...esse é o verdadeiro valor da pedagogia.
Entre um qualquer português e o caminho do sucesso absoluto há sempre um obstáculo, um professor qualquer...”esse grand malandre disse qu’a minha filha era malcriada...olha a minha filha...ele devia era ver-se ó espelhe...quem é qu’ele pensa que é, óh... Ao português era merecido o céu, mas na sua história de vida há, de certeza, um professor que o traumatizou, que o ofendeu, que não lhe deu a nota certa, isto é, um diabo perverso que só tira gozo quando maltrata os alunos. Será que os culpados disto são os Pink Floyd e o seu milionaríssimo “The Wall”? (Não! A canalhada portuguesa não precisa de inspiração para falar mal dos professores...está-lhes no sangue.)
Quando os políticos gastam as suas parcas energias discutindo a terminologia, não o essencial, de quem é a culpa? É dos professores!Quando os banqueiros roubam aos milhões e se diz que houve desvio de fundos, de quem é a culpa? É dos professores!Quando um drogado rouba 5 euros e se diz que é um ladrão sacana, de quem é a culpa? É dos professores!Quando o governo não consegue (nem se atormenta com...) resolver os problemas dos mais carenciados, de quem é a culpa? É dos professores!Quando o desemprego sobe, e os ladrões de casaca ficam do lado de fora das cadeias, de quem é a culpa? É dos professores!Quando Sócrates se vê obrigado a tirar uma licenciatura em regime ‘simplex’, de quem é a culpa? É dos professores! Quando as empresas não produzem o necessário porque a administração não sabe para mais, ou, simplesmente, achou que seria melhor colocar o dinheiro na carteira, de quem é a culpa? É dos professores!Quando as empresas deslocalizam em demanda de mão-de-obra (ainda mais) escrava, de quem é a culpa? É dos professores!Quando a galinha do vizinho é melhor do que a minha, de quem é a culpa? É dos professores!Quando a vida não é aquilo que nós queríamos, de quem é a culpa? É dos professores!Quando o analfabetismo dá lugar à iliteracia (um nome muito mais bonito), de quem é a culpa? É dos professores!Quando Cavaco seniliza a olhos vistos, de quem é a culpa? É dos professores! (por acaso a mulher foi professora...)Quando os tribunais são assaltados e caem pedaços de esquadra em cima dos ocupantes, de quem é a culpa? É dos professores!Quando um burgesso novo-rico arrota na cara de um funcionário público os milhares resultantes da fuga ao fisco, de quem é a culpa? É dos professores!Quando um empresário de sucesso declara ganhar o salário mínimo...ainda bem que já aumentou 23 euros...coitadinho, podia lá governar-se com tão pouco..., de quem é a culpa? É dos professores!Quando a escola serve apenas para ‘ir pôr’ os filhos, de quem é a culpa? É dos professores!Quando a sanidade dos portugueses com dificuldades está a ser minada por políticos e amigos: banqueiros, administradores de empresas públicas e corja da mesma estirpe, de quem é a culpa? É dos professores!Quando Portugal deixa de estar na cauda da Europa, e passa a ser o ânus da mesma, de quem é a culpa? Também é dos professores?
Não, é dos saloios que nos governam!

P.S. Na segunda, mandemos às urtigas a ministra, a corja, o ECD, os sectários de estado, e os 70 euros do salário. Se não o fizermos, e a ministra acabar o ‘servicinho’, de quem é a culpa? ...nem mais!

Jornal de Peniche

'Greve dos professores não se justifica'

A greve dos professores não se justifica, porque o processo de avaliação está a decorrer com normalidade. Esta é a reacção da tutela à paralisação dos professores.
Sem comentar números, o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, diz que o problema está na intransigência dos sindicatos.
Valter Lemos falava à margem da assinatura de um protocolo entre a Microsoft e o Ministério da Educação para melhorar o acesso dos estudantes portugueses às tecnologias da informação.

Plataforma dos Professores entrega abaixo-assinado com mais de 71 mil assinaturas

São mais de 71 mil assinaturas que constam do abaixo-assinado entregue pela Plataforma dos Professores ao Ministério da Educação.
O porta-voz, Mário Nogueira, sublinha que, num mês, a plataforma conseguiu reunir mais mil asssinaturas do que no abaixo-assinado anterior.
Em dia de greve, a plataforma volta a exigir a revisão do Estatuto da Carreira Docente e a suspensão do processo de avaliação. Mário Nogueira quer ver os professores invadirem as galerias do Parlamento no dia 23.

PROFESSORES: VIVER OU MORRER!

Esta semana começa a ser decisiva para os professores. A escolha é entre viver e morrer. E esta opção é apresentada por todos os intervenientes mais directamente implicados no processo de avaliação de desempenho destes profissionais. O Ministério de Educação, depois dos recuos e da ratificação pelo Presidente da República do novo decreto de avaliação...
…esticou o dedo indicador e declarou que os docentes e conselhos executivos estão obrigados a cumprir os normativos. Os que derem cumprimento «às tábuas da lei», que, afinal já não têm «dez mandamentos» mas quiçá os 5 da «santa madre», se resumem a uma auto-avaliação, ao sabor de cada um, e que, por isso, não lhes trará este ano sequer uma gripezinha, entrarão no reino dos céus, onde encontrarão à sua disposição as delícias angélicas - pãozinho barrado com queijo Philadélphia, por exemplo, mas nunca uma virgem (eles) ou um gigolô (elas). (Bem pior era, no Antigo Egipto o «julgamento de Osíris» que confrontava o penitente com um pena como medida para julgar as suas acções). Caso os potenciais avaliados não se apresentem vestidos a rigor e prontos para confessarem as suas «boas obras» o castigo será o «fogo eterno onde só haverá choro e ranger de dentes», coisa muito próxima da que estava reservada aos antigos sumérios no pós-morte, a quem só se destinava uma «vida» de sofrimento no Além. Os sindicatos, firmes nos seus propósitos, convidam, agitando a suas bandeiras, os professores a segui-los seja na subida ao Evereste, seja na caminhada até ao âmago de um vulcão onde dada um, heroicamente, se poderá lançar no calor e destruição infernal. No primeiro caso, escorregando, poderão alegremente ouvir partir os seus ricos ossinhos nas pedras duras e afiadas; no segundo caso poderão adquirir o conhecimento científico de como se esturrica carne no magma incandescente. Em qualquer das situações os sindicatos garantem a cura total a todos. Uns têm a promessa de que farão uma óptima recuperação no Alcoitão e, no segundo caso, os todos ressuscitarão das cinzas, ao sétimo dia, inteiros, renovados, quase semi-deuses. Os movimentos independentes, como os sindicatos, garantem que não é suicídio qualquer uma das opções propostas É que chegou o tempo da verdade ou seja o momento da imolação. Desde logo, esta palavra assusta. Há os que não têm medo de caminhar para a morte. Há os que, diz-se, hesitam. Muitos destes pensam na casa, no carro, nos filhos, na crise, nas ameaças do Ministério, na demissão, e, quando o desemprego a longo prazo é um dinossauro de boca aberta e com os dentes afiados, o problema é complexo. Talvez se possa dizer que o momento é dramático. Faz-me lembrar S. Pedro quando negou Cristo. Este é pois o momento crucial. É necessário escolher entre viver e morrer. É tempo de salvar a pele. O problema e não se saber qual é o lado que amanhã nos trará a glória. Agora, escolha pertence a cada um. Habilitem-se. Habilitem-se a uma ou outra coisa.
NOTAS:
1- A avaliação de professores tem mobilizado os partidos políticos de forma diferente. Na semana passada, na votação da suspensão da avaliação dos professores, deputados houve que continuaram a dizer , em voz alta , que o importante não é o País é o interesse da sua bandeira. Nós sabemos que é assim. Foi só uma confirmação. Estando em causa um problema da Escola Portuguesa, cada partido escolheu os seus interesses. É de sublinhar que apenas um partido – o Bloco de Esquerda - tinha um projecto alternativo ao do Governo. Ou outros … já perceberam… queriam só salvar a sua pele. Triste, não?
2 - O Governo, pelo Secretário de Estado, ameaça os professores com processos e demissões e a Direcção Regional de Educação de Lisboa avança( DN de dia 10) com a informação de que “não serão abertos processos disciplinares aos avaliados que não entreguem os objectivos individuais”. “Apenas os avaliadores estão sujeitos ao dever de zelo”. Segundo o juiz-conselheiro Guilherme da Fonseca até pode haver processo disciplinar, mas “dificilmente poderá dar lugar a uma condenação do avaliado”. Uma Babel!
Notícias de Vila Real
GREVE DE 19 DE JANEIRO: ENORME PROTESTO DOS PROFESSORES NA REGIÃO CENTRO

PORQUE FIZERAM GREVE, COM ESTA DIMENSÃO, OS PROFESSORES E EDUCADORES?

Hoje, 19 de Janeiro, na região centro, mais de 90% dos docentes com serviço distribuído terão estado de novo em greve. Ou seja, a quase totalidade dos docentes recusam este status quo, esta política de pressão, esta imposição sem base científica, este passar a exigência pelo cumprimento de normativos sem sentido.

Quanto à avaliação do desempenho, cujo modelo em vigor foi transitoriamente simplificado para, apenas, este ano lectivo, mantém todo o articulado geral, procedimentos e instrumentos de avaliação, burocracia e inexequibilidade, pelo que os professores consideram que as condições objectivas para a sua aplicação, mesmo que simplificada, não se alteraram, tendo em conta os seguintes aspectos:

1. O modelo de avaliação da actividade docente de Lurdes Rodrigues não é um instrumento de valorização da escola pública e do desempenho dos/as professores/as e educadores/as;
2. a alternativa ao actual modelo de avaliação do desempenho só pode passar pelo fim da divisão artificial da carreira em professores e titulares, uma fractura que descredibiliza o próprio estatuto profissional e a função docente;
3. a simplificação agora publicada em Diário da República (Decretos-Regulamentares 1-A e 1-B/2009, de 1 de Janeiro) despreza a componente científica e pedagógica do trabalho docente, ao mesmo tempo que, não mexendo no essencial do modelo e apresentando-se, apenas, como uma solução transitória, visa ganhar tempo aproveitando-se, cinicamente, do próprio calendário eleitoral para fazer valer, no futuro, medidas por todos rejeitadas;
4. o ministério da Educação e o governo recorreram à ameaça e à chantagem para forçarem os docentes a abdicar da sua luta, acenando com processos disciplinares, inquéritos ou demissões sobre quem se recusasse a se sujeitar à iniquidade do seu modelo, o que deixou os professores tremendamente indignados.

Com esta atitude, AUTISTA E ISOLADA, o ministério da Educação tem revelado uma incapacidade confrangedora para ler, politicamente, a determinação e coragem dos docentes portugueses, num legítimo processo de desobediência cívica, que tem as suas raízes no facto de o governo e ministério da Educação terem erguido uma barricada contra a razão e a sua força. Contra a escola pública, pondo em causa o dieito dos portgueses a um ensino de qualidade.

Por nada os docentes trocarão as sua convicções, a sua organização e a sua luta. Compete ao ME, agora, responder sem preconceitos e resolver o problema que criou.

Uma coisa é certa. Este modelo tem de ser alterado. Este Estatuto da Carreira terá de sofrer transformações profundas e os docentes continuarão determinados nesta transformação.

A Direcção

TUDO SOBRE A GREVE NA REGIÃO CENTRO EM
http://www.sprc.pt/default.aspx?id_pagina=660

Sindicato de Professores da Região Centro

SINDICATO DOS PROFESSORES DA REGIÃO CENTRO DEPARTAMENTO DE INFORMAÇÃO

inform@ção SPRC
Comunicado final da Plataforma Sindical

EM TODO O PAÍS,
GREVE ATINGIU OS 91% DE ADESÃO
À INTRANSIGÊNCIA E OBSTINAÇÃO GOVERNATIVA, PROFESSORES RESPONDEM, DE NOVO, COM LUTA EXEMPLAR


Foram cerca de 91% os professores e educadores que voltaram a fazer Greve, numa extraordinária resposta de luta face à intransigência, à teimosia e à obstinação de um Ministério e de um Governo que não desistem em levar por diante uma política desastrosa que está a degradar a Escola Pública e a dificultar o exercício profissional dos docentes, com graves repercussões nas aprendizagens dos alunos.
Com a Greve de hoje, os professores, em menos de um ano, concretizam, pela sexta vez, uma fortíssima luta, a saber:
– 8 de Março de 2008: Marcha Nacional da Indignação com a participação de mais de 100.000 docentes;
– 8 de Novembro de 2008: Manifestação Nacional de Professores com a participação de 120.000 docentes;
– 3 de Dezembro de 2008: Greve Nacional com 94% de adesão;
– 22 de Dezembro de 2008: Entrega de Abaixo-Assinado com cerca de 70.000 assinaturas;
– 19 de Janeiro de 2009: Entrega de Abaixo-Assinado com mais de 70.000 assinaturas;
– 19 de Janeiro de 2009: Greve Nacional dos Professores com 91% de adesão.
É este riquíssimo património de luta, construído pelos professores e educadores portugueses e hoje reforçado com mais uma inesquecível jornada, que estes reafirmam a exigência de suspensão do actual modelo de avaliação, bem como de uma revisão do ECD que permita eliminar os seus aspectos mais negativos, designadamente a divisão da carreira em categorias e o actual modelo de avaliação, incluindo a abolição das quotas.
Está, agora, nas mãos do Governo contribuir para que este conflito possa ser solucionado. Da parte dos professores a determinação para a luta continua a ser a que hoje, mais uma vez, revelaram, na certeza de que a razão está do seu lado e tudo farão para que esta se imponha à prepotência governativa, levando a uma profunda mudança no rumo da actual política educativa.


A Plataforma Sindical dos Professores

Greve paralisa escolas em todo o país



Sara R. Oliveira 2009-01-19
Plataforma sindical fala numa adesão superior a 90% e garante que os professores não vão baixar os braços. Tutela lamenta a "posição intransigente dos sindicatos".
Escolas sem aulas, avisos de encerramento por causa da greve, portões abertos mas poucos professores dentro das salas, alunos que entraram à primeira hora da manhã e que pouco depois regressaram a casa. Era este o cenário na manhã desta segunda-feira. A greve nacional da classe docente poderá ter registado uma adesão semelhante à realizada em Dezembro, segundo números dos sindicatos. Na última paralisação, as estruturas sindicais avançaram com uma adesão na ordem dos 94%, embora o Ministério da Educação (ME) tenha adiantado um valor diferente, de 66,7%. Hoje fala-se numa adesão acima dos 90%. Um pouco por todo o país, várias escolas não tiveram uma única aula. Segundo a Federação Nacional dos Professores (FENPROF), 27 escolas da região de Lisboa não estavam a funcionar às 10 horas da manhã, como as escolas básicas do 2.º e 3.º ciclos Avelar Brotero, Conde Oeiras, da Pontinha e secundárias Gil Vicente, Alcanena e Rio Maior. A Secundária D. João V, na Amadora, teve menos de um terço dos docentes a trabalhar. Na Secundária da Cidadela, em Cascais, previa-se uma adesão de mais de 90%. Em três primárias de Carcavelos, as aulas decorreram como habitualmente. A escola básica das Amoreiras e a EB 2,3 de Aranguez, em Setúbal, fecharam no início da manhã. A Secundária Madeira Torres, de Torres Vedras, também encerrou. Várias escolas estiveram abertas, mas a funcionar a meio gás, como aconteceu na Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho, em Lisboa, na secundária do Restelo e em várias dos concelhos de Leiria, Marinha Grande e Alcobaça. E no Agrupamento Dra. Maria Alice Gouveia, em Coimbra, foi lida uma moção, aprovada por unanimidade, em que os professores se comprometem a não avançar com qualquer procedimento da avaliação de desempenho. Na Região Norte, o panorama não foi muito diferente. A EB 1 João de Deus e a Secundária Clara de Resende não tiveram aulas. "A primeira impressão colhida é a de que há uma fortíssima adesão à greve, a níveis muito próximos - mais ponto, menos ponto - dos atingidos em 3 de Dezembro", referiu Manuela Mendonça, coordenadora do Sindicato dos Professores do Norte, em declarações à agência Lusa. No Algarve, os sindicatos avançaram com uma adesão na ordem dos 90%, enquanto a Direcção Regional de Educação do Algarve avançava com 74% nas primeiras horas da manhã. Na EB 2,3 D. Afonso III, em Faro, onde só foi dada uma aula à primeira hora, colou-se um cartaz que dizia: "Professores e educadores todos juntos em luta por um estatuto profissional digno e valorizado". Na EB 2,3 do Montenegro, também em Faro, a adesão foi de 100%, enquanto na Secundária de Tomás Cabreira foi de cerca de 45%. "Puro boicote"Entretanto, cinco movimentos de professores não sindicalizados, que se associaram à greve, emitiram um comunicado para explicar à sociedade portuguesa os motivos do protesto e garantir que os alunos não serão prejudicados. As estruturas sublinham que as várias manifestações e vigílias foram feitas fora do horário escolar, "ao fim do dia ou aos sábados para não prejudicar os alunos". E lembram que os professores "querem ser avaliados por processos justos e que contribuam para o seu aperfeiçoamento profissional", que não estão a pedir aumentos salariais, mas sim a lutar por "leis que valorizem a sua função e os ajudem a combater a indisciplina e a violência que têm vindo a crescer nas escolas". A Plataforma Sindical dos Professores garantia, ao início da manhã, uma adesão de mais de 90%. Mário Nogueira, porta-voz da estrutura e secretário-geral da FENPROF, esteve na Secundária Jaime Cortesão, em Coimbra, onde não houve aulas, e aproveitou para fazer um balanço. "Os professores estão de parabéns." "Se a ministra da Educação não tiver condições para ser ela uma das protagonistas dessa mudança, o Governo vai ter de encontrar quem possa sê-lo, porque hoje os professores, de forma inequívoca, estão a deixar claro que não aceitam e vão continuar a lutar contra esta política", sublinhou. O modelo de avaliação dos professores e o Estatuto da Carreira Docente (ECD) são, uma vez mais, os principais motivos do descontentamento. Ao início da tarde desta segunda-feira, a Plataforma Sindical entregou um abaixo-assinado com 70 mil assinaturas, que reclama a revisão do ECD, no ME. O documento foi ainda entregue nos governos civis do Porto, Braga, Bragança e Viana do Castelo. A tutela reagiu à situação. "Independentemente da adesão, que me parece bastante inferior à da última greve, lamento a posição intransigente dos sindicatos nesta matéria, apesar das condições que foram criadas", salientou o secretário de Estado da Educação, Válter Lemos. "Lamentamos que os sindicatos de professores se mantenham com aquele radicalismo e aquela intransigência que têm tido sempre, mas a verdade é que o processo [de avaliação] está a decorrer com normalidade", acrescentou. O também secretário de Estado da Educação Jorge Pedreira, em afirmações à Lusa, classificou de "puro boicote" à avaliação a greve às aulas assistidas. "Vem demonstrar, no fundo, que aquilo que os sindicatos querem é que não haja nenhuma avaliação", afirmou. Mário Nogueira respondeu e repudiou "as pressões e ameaças" da tutela para levar por diante a avaliação da classe. "O ME enganou-se e vai enganar-se cada vez mais. Os professores responderão mantendo aquilo que são as suas posições. O apelo que fazemos é que não apenas suspendam o modelo, como não entreguem objectivos individuais", referiu. E acrescentou: "O que os professores sabem é que neste modelo, apesar dos procedimentos simplificados, não se altera em nada a sua essência. É um modelo burocratizado, incoerente, desadequado, que tem quotas."

Confap ameaça recorrer a tribunais para que sejam criados serviços mínimos

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) ameaçou hoje recorrer aos tribunais para que sejam convocados serviços mínimos em futuras greves de professores, de forma a evitar que as escolas encerrem
Em declarações à Lusa, Albino Almeida frisou não existir nenhuma razão para justificar o fecho de estabelecimentos de ensino, uma vez que o funcionamento das escolas não é apenas assegurado por docentes, mas também por funcionários e auxiliares, que não estão em greve.«A Confap tomará medidas para que serviços como o refeitório e a guarda das crianças continuem a funcionar em futuras greves de professores, nem que para isso tenha de recorrer ao Tribunal Constitucional», afirmou, considerando que é preciso definir, do ponto de vista legal, quais os serviços mínimos que devem ser assegurados no sector da Educação.Para Albino Almeida, ao provocarem o encerramento de escolas, as greves de professores tornam-se «atentatórias dos interesses dos alunos e até dos seus direitos mais elementares, como comer» no refeitório.«O direito dos professores à greve não pode colidir com o direito dos alunos e das suas famílias. Espero que as organizações sindicais tenham a lucidez de não marcar mais nenhuma greve para este ano lectivo porque a escola pública fica seriamente ameaçada se se continuar por este caminho, de realizar uma greve por mês», afirmou.Um estabelecimento de ensino pode estar encerrado e não ter 100 por cento de adesão se o conselho executivo considerar que o elevado número de professores em greve não garante condições de segurança para os alunos. No entanto, pode dar-se também a situação contrária, mantendo-se a escola aberta e a funcionar só com auxiliares, estando todos os docentes ausentes.Os professores voltaram hoje à greve, menos de dois meses depois da última paralisação nacional, a 3 de Dezembro, que contou com uma adesão que atingiu os 94 por cento, segundo os sindicatos, tendo chegado aos 66,7 por cento, de acordo com o ME.Na última paralisação, cerca de um terço dos estabelecimentos de ensino fecharam portas, um número que não foi ainda divulgado relativamente à greve de hoje.A Plataforma Sindical de Professores assegura que a adesão a esta greve repete os valores históricos registados em Dezembro, mas o Ministério da Educação (ME) acredita que este protesto será «significativamente inferior», não tendo ainda revelado dados oficiais.
Lusa/SOL

Ministério garante que adesão à greve é de 41%

Por Margarida Davim

De acordo com os dados fornecidos hoje de manhã pelos conselhos executivos, o número de docentes em greve não ultrapassou os 41%. Mas os sindicatos falam numa adesão superior a 90%

Greve de professores: Governo desvaloriza, sindicatos congratulam-se

20h01m
O Governo garante que a greve de professores desta segunda-feira foi "muito inferior" à realizada em Dezembro, mas os sindicatos asseguram que a adesão voltou a ficar acima dos 90% e prometem, desde já, novas paralisações.
De acordo com o Ministério da Educação (ME), a participação no protesto ficou-se pelos 41 por cento, menos 20 pontos percentuais do que a adesão avançada pela tutela na última greve nacional, a 3 de Dezembro.
Segundo os dados oficiais, 318 das 1.170 escolas e agrupamentos em todo o país fecharam portas devido à paralisação, o que representa 27 por cento, um valor praticamente idêntico ao registado no mês passado (30 por cento).
Já os sindicatos garantem que a adesão à greve de hoje chegou aos 91 por cento, menos três pontos percentuais do que na última paralisação, mas 50 pontos acima dos números do Governo.
Classificando esta greve como "extraordinária", o porta-voz da Plataforma que reúne todos os sindicatos do sector, Mário Nogueira, afirmou que a contestação dos professores saiu hoje "reforçada" e prometeu novas acções de luta, caso o Executivo socialista não suspenda o actual modelo de avaliação e não ceda na revisão do Estatuto da Carreira Docente.
Para já, os professores iniciam terça-feira e até 20 de Fevereiro uma greve às aulas assistidas, previstas no modelo de avaliação de desempenho, um protesto que o secretário de Estado Adjunto da Educação considerou constituir um "puro boicote" ao processo, além de ser de "legalidade duvidosa".
O Governo reforçou o tom das críticas aos sindicatos, acusando-os de intransigência e radicalismo por realizarem protestos quando estão agendadas reuniões negociais, já para o final deste mês.
Para a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), as greves de docentes estão a tornar-se "atentatórias dos interesses dos alunos e até dos seus direitos mais elementares", não havendo qualquer justificação para o facto de serem encerradas escolas.
Em declarações à Lusa, o presidente da Confap, Albino Almeida, ameaçou recorrer aos tribunais para que sejam convocados serviços mínimos em futuras greves de professores, de forma a evitar que o fecho de estabelecimentos de ensino.
Os professores voltaram hoje à greve, menos de dois meses depois da última paralisação nacional, a 03 de Dezembro, que contou com uma adesão que atingiu os 94 por cento, segundo os sindicatos, tendo chegado aos 66,7 por cento, de acordo com o ME.

Adesão foi de 91% - sindicatos

19h03m
Lisboa, 19 Jan (Lusa) - A greve de professores de hoje registou uma adesão de 91 por cento, segundo os sindicatos, menos três pontos percentuais do que paralisação de Dezembro e menos 50 pontos do que a estimativa do Governo.
"Foram cerca de 91 por cento os professores e educadores que voltaram hoje a fazer greve, numa extraordinária resposta de luta face à intransigência, à teimosia e à obstinação de um Ministério e de um Governo que está a degradar a Escola Pública e a dificultar o exercício profissional dos docentes, com graves repercussões nas aprendizagens dos alunos", afirma a Plataforma Sindical de Professores, em comunicado.
MLS.

41% de adesão, 27% das escolas encerradas - ministério

17h56m
Lisboa, 19 Jan (Lusa) - A greve dos professores de hoje registou uma adesão de 41 por cento, o que obrigou ao encerramento de 27 por cento das escolas e agrupamentos do país, segundo dados oficiais do Ministério da Educação (ME).
MLS.
Lusa/Fim

Centenas de professores protestam em Braga, Viseu e Guarda

17h46m
Centenas de professores manifestaram-se esta segunda-feira em Braga, Viseu e na Guarda contra a avaliação e o Estatuto da Carreira do Docente, no mesmo dia em que os sindicatos do sector convocaram mais uma greve nacional.

Em Braga, algumas centenas de professores concentraram-se junto ao Governo Civil, exigindo a suspensão do actual modelo de avaliação e protestando contra "o clima de intimidação e ameaça instaurado pelo Ministério da Educação".
Um grupo de professores da Plataforma Sindical do sector foi recebido por um representante do Governo Civil, a quem entregou um Caderno Reivindicativo.
No local, vários dirigentes sindicais, entre as quais Júlia Vale, do Sindicato dos Professores do Norte, pediram "uma revisão do Estatuto que elimine a divisão da carreira em categorias, que estabeleça um modelo de avaliação pedagogicamente construído e garanta a abolição das quotas".
Em Viseu, cerca de 300 professores assinalaram o dia de greve com uma manifestação, num distrito onde, segundo fonte sindical, metade das escolas básicas, de 2º e 3º ciclo e secundárias estiveram encerradas.
Os professores concentraram-se no Rossio e, aproveitando uma pausa da chuva, deslocaram-se ao Governo Civil para entregar um abaixo-assinado onde é exigida a revogação do actual Estatuto de Carreira Docente.
Em frente do Governo Civil, Francisco Almeida, representante do Sindicato dos Professores da Região Centro em Viseu, anunciou que a adesão à greve de hoje "é superior à de Dezembro".
Na Guarda, cerca de duas centenas de professores de escolas da região participaram num "cordão humano" para apelar à "suspensão da avaliação" porque "não serve para a paz nas escolas".
Apesar das condições climatéricas adversas, os manifestantes percorreram a pé o trajecto entre a central de camionagem e o centro da cidade, terminando com uma concentração em frente do Governo Civil da Guarda.
Segundo a sindicalista Sofia Monteiro, coordenadora distrital do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC), pelos dados recolhidos, a adesão à greve a nível distrital "está acima dos 95%".
Pelas indicações do SPRC, no distrito da Guarda, a adesão à greve foi de 100% em Figueira de Castelo Rodrigo, Celorico da Beira, Trancoso, Meda, Manteigas e Sabugal e de 98% em Almeida, Pinhel e Vilar Formoso.

Professor de Évora que discorda de greves «avulso» quis dar aulas, mas alunos faltaram

O professor Hélder Fernandes, 37 anos, foi hoje um dos docentes da Escola Secundária André de Gouveia, em Évora, que não fez greve, por discordar de protestos «avulso», mas não pôde dar aulas porque os alunos faltaram
«Eu estava à espera de dar uma aula a uma turma de um curso profissional, mas, qual não é o meu espanto, chego aqui e nem um aluno», relatou à agência Lusa.Para o professor de Informática, efectivo na André de Gouveia há cerca de oito anos, a explicação é simples, mas também se revelou errada.«Na última greve, a 3 de Dezembro, não vim e os alunos pensaram que eu hoje iria aderir novamente à paralisação, mas enganaram-se», disse.Desta feita, o docente decidiu não fazer greve por não concordar com o agendamento de paralisações «avulso», sem «acção concertada», o que inviabiliza que os protestos «causem os impactos que os professores gostariam».Só com «as escolas fechadas dois ou três dias seguidos», segundo Hélder Fernandes, é que a sociedade civil poderia «sentir na pele o impacto da greve de professores».Também a professora de Português Ana Martins, de 40 anos, compareceu hoje na escola André de Gouveia, pois, apesar de estar «solidária com os colegas em greve», tinha teste com uma turma dos Cursos de Educação Formação (CEF).«Só tenho esta turma uma vez por semana e, se faltasse, o teste protelava-se. Temos uma calendarização a cumprir e responsabilidade para com os alunos», disse.Na Escola Secundária André de Gouveia, com 633 alunos, compareceram quatro dos 34 professores previstos para o primeiro tempo lectivo, às 08:15, sendo que, no segundo tempo, estiveram sete dos 37 docentes.À porta da escola, um grupo de alunas, que teve apenas uma aula durante a manhã, decidia o que fazer do resto do dia.«É pouco bom, é! Agora vamos embora, passear, ir às lojas, divertirmo-nos», contaram à Lusa.Uma delas, Cátia Barreiros, de 17 anos, acrescentou que a professora de Inglês é que deu aula, tendo justificado a não adesão ao protesto «porque o dinheiro fazia falta no final do mês».Em Beja, na Escola Secundária Diogo de Gouveia, a professora Natália Quinta Queimada, de 56 anos, foi um dos 25 docentes, de um total de 34 com aulas marcadas para hoje de manhã, que não aderiram à greve.Segundo a docente, que lecciona a disciplina de Português há 37 anos, «tudo o que tem vindo a público» relativo às negociações entre o ministério da Educação e os sindicatos sobre o modelo de avaliação dos professores «não está muito claro».«Ainda não consegui perceber de que lado está a razão», frisou à Lusa Natália Quinta Queimada, referindo que, por isso, optou por não fazer greve e dar aulas, aplicando um teste, que «já estava marcado», a duas turmas do 11.º ano.Para Carina Figueira e Ana Rita, de 16 anos e alunas do 11.º C, a greve dos professores hoje «calhou bem», porque não tiveram as aulas de Biologia e Físico-química, como é hábito à segunda-feira de manhã.«Até calhou bem. Não tivemos aulas. Mas tinha sido melhor se tivéssemos ficado na cama», disse Carina, referindo que, tal como Ana Rita, teve de se levantar cedo e ir para a escola porque «não sabia se os professores iam ou não aderir à greve».Na paralisação de 3 de Dezembro, segundo dados do Ministério da Educação, o Alentejo registou uma das adesões mais baixas do país, com 62,6 por cento dos docentes em greve.Contactada hoje pela Lusa, a Direcção Regional de Educação do Alentejo remeteu para a secretaria de Estado da Educação a divulgação de dados sobre a adesão à greve na região.
Lusa / SOL

«É uma greve sem sentido», afirma Jorge Pedreira


O porta-voz da plataforma sindical, Mário Nogueira, já disse que a paralisação desta segunda-feira mobilizou mais de 90 por cento dos professores em todo o país, mas o Ministério da Educação ainda não apontou números oficiais. Em declarações à TSF, o secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, afirmou ainda tratar-se de «uma greve sem sentido».




As escolas do país estão, esta segunda-feira, a funcionar a meio gás em consequência da greve dos professores.
O Ministério da Educação ainda não revelou os dados relativos à adesão dos docentes à paralisação desta segunda-feira, mas os primeiros números apontam para uma diminuição de professores em greve comparativamente ao protesto de Dezembro.
Em declarações à TSF, o secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, disse considerar que esta greve dos professores não tem sentido.
«Não é por a greve ter maior ou menor adesão que não deixaremos de achar que ela não se justifica porque havendo um processo negocial agendado e havendo a possibilidade de resolver as questões através do diálogo e da negociação, entendemos que não há nenhuma razão para prejudicar os alunos e as famílias», sublinhou Jorge Pedreira.

Secretário de Estado lamenta intransigência dos sindicatos

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, acredita que a greve de professores de hoje vai ter uma adesão «bastante inferior» à de Dezembro e acusa os sindicatos de «intransigência» ao promoverem uma paralisação quando estão agendadas negociações
De acordo com o porta-voz da Plataforma dos Professores, Mário Nogueira, a greve de hoje está a ter uma adesão de cerca de 90 por cento, menos quatro por cento do que a última realizada a 03 de Dezembro (dados dos sindicados).«Não comento os números. O Ministério da Educação divulgará os números oficiais da greve, penso que ainda ao final da manhã», disse o secretário de estado Valter Lemos à margem de uma assinatura de memorando de entendimento entre a Microsoft e o Ministério da Educação realizado esta manhã na Centro Cultural de Belém.«Independentemente da adesão, que me parece bastante inferior à da ultima greve, lamento a posição intransigente dos sindicatos nessa matéria, apesar das condições que foram criadas», acrescentou o governante. Para Valter Lemos, «foram criadas todas as condições pelo Ministério da Educação» e por isso «não há razão para esta greve», uma vez que «sobre as matérias que os sindicatos quiseram colocar em cima da mesa estão agendadas reuniões negociais».«Lamentamos que os sindicatos de professores se mantenham com aquele radicalismo e aquela intransigência que têm tido sempre, mas a verdade é que o processo (de avaliação) está a decorrer com normalidade», lamentou.
Lusa/SOL