terça-feira, outubro 17, 2006

ó senhora ministra!!!

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segunda-feira, outubro 16, 2006

Educar o carácter

Educar o carácter

"Onde houver uma árvore para plantar, planta-a tu".
Onde houver um erro para emendar, emenda-o tu.
Onde houver um esforço que todos evitaram, fá-lo tu.
Sê tu quem tira as pedras do caminho . ''
Gabriela Mistral


No interior de um rapaz ou de uma rapariga de treze a dezoito anos de idade existe um desenvolvimento quase impossível de medir. É como uma Primavera de vida que flui com uma riqueza extraordinária. Aqueles que não contactam com gente jovem - ou o fazem de longe - não imaginam sequer quantas dúvidas, quantas tempestades, quantos entusiasmos apaixonados envolve a transformação do espirito adolescente.
Para os pais, ajudar os filhos na formação do carácter e da personalidade deve ser um dever indiscutível e, com o tempo, uma satisfação imensa.

- Mas tu conheces aquele provérbio universitário que diz que qui natura non dat, Salamanca non presta:, aquilo que a natureza não dá, nem sempre se pode conseguir com a educação, por muito boa que ela seja.

Precisamente por isso não podes exigir que os teus filhos sejam génios, porque pode faltar-lhes a substância natural necessária para o serem. Mas há outros aspectos, como o carácter, que dependem menos da natureza e mais da educação que cada um recebe, e das coisas que fazemos : o nosso carácter - dizia Aristóteles - é o resultado da nossa conduta.
O carácter não é como um título de alta linhagem, que se herda sem trabalho. O carácter vem a ser o resultado de uma luta singular que cada um tem consigo próprio, e da qual depende muito o acerto no viver. Uma luta que começa muito cedo e que fica quase decidida nesta fase de que nos ocupamos.
Tanto se fores pai ou mãe, como se fores, caro leitor, um adolescente a quem preocupa mudar o carácter, não queiras deixar isso para mais tarde. Começa ainda este ano. Não penses em dois nem em cinco. Não deixes para quando vierem circunstâncias favoráveis, que nunca chegam e, quando chegam, acabam por não ser tão favoráveis como pareciam. Pensa, para isso, num futuro imediato. Depois, quem sabe, será tarde.

- A mim, a educação do carácter parece-me bastante difícil porque é algo que se forja muito no interior do rapaz e da rapariga, e, além disso, é uma questão muito pessoal de cada um.

Tanto assim é, que penso que não deve ser fácil sequer definir em que consiste ser uma pessoa de carácter. Sim é difícil e é quase um dos primeiros aspectos que devemos abordar aqui: ver que aspectos contribuem para melhorar o carácter, para depois traçar alguns possíveis caminhos - de entre os infinitos que haverá - para o obter.

- Mas é o rapaz, a rapariga, quem tem de o obter, não eu.

É verdade, mas o êxito da construção do carácter depende muito de que ele ou ela se convença de que lhe interessa melhorá-lo, e estas ideias podem servir para os fazer reflectir.
Precisamente por essa razão, às vezes e ao longo destas páginas, não é fácil destinguir quando me dirijo aos pais e quando me dirijo aos filhos. Quando te parece que estou falando para os outros, pensa se é útil também para ti, para te pores no seu lugar, e para comentá-lo com eles. Procura encontrar o momento oportuno. Depressa chegarás à conclusão de que todo o tempo empregue em falar - com verdadeira vontade de entender-se, claro - é tempo ganho.

- Bem, mas muitos adolescentes gostariam de mudar, corrigir ao menos um defeito, e não conseguem porque lhes falta a força de vontade. Por exemplo, a maioria dos estudantes que reprovam gostaria de tirar boas notas, e não faltam razões para se convencerem disso. Nem tudo é uma questão de razões.

É verdade, a maioria da compreensão está também na vontade e nos sentimentos, mas uns e os outros podem educar-se.


- Mas a educação não é tudo, pois também conta aquilo que é dado por nascimento, e há também a liberdade.

Mas o que lhes é dado pelo nascimento é algo que pertence ao passado, e não podes mudá-lo. E com a educação procura-se precisamente que aprenda a fazer um bom uso da sua liberdade.
A educação, sem ser o único aspecto, é muito importante na hora de construir a maneira de ser de cada um, definitivamente, o carácter e a personalidade. O que os pais são, o que fazem e o que dizem vai-se reflectindo diariamente no carácter dos filhos.
Pensa que, desde o nascimento, está na criança o germe do seu futuro; mas, também desde o primeiro momento, os filhos são testemunhas implacáveis da vida dos pais. Por isso dizia Ackerman que a família faz quebrar a personalidade. As influências positivas da família no revelar da personalidade da criança tornam-se negativas se os pais falharem ao dar-lhes uma resposta adequada.


Autor: Alfonso Aguiló
Prémios de eLearning

Os Prémios de eLearning da European Schoolnet destinam-se a professores e escolas para premiar projectos, actividades, recursos online e websites de escolas pela inovação e excelência no uso das TIC no ensino e aprendizagem.
Há uma categoria principal Prémio de eLearning e um conjunto de Prémios Especiais. No ano passado, os Prémios Especiais incluíam as temáticas Multimédia e Ciência, entre outros.
No ano passado foram apresentados cerca de 760 projectos de escolas em 30 países diferentes. Os representantes dos 20 projectos vencedores estiveram presentes na cerimónia em Estocolmo onde foi atribuído um prémio total de €38.000 perante uma audiência de especialistas na educação de todo o Mundo.Regulamento
As escolas, instituições e organizações educativas na Europa, que se dediquem ao ensino básico, secundário ou à formação de professores, são elegíveis para participação no concurso dos Prémios eLearning. Os trabalhos terão de ser enviados através do sítio Web dos Prémios eLearning até ao dia 6 de Novembro de 2006, inclusive.
Os projectos criados por professores a título individual são elegíveis. No entanto, as candidaturas terão de estar obrigatoriamente associadas a uma escola ou a outra instituição elegível. O prémio monetário só poderá ser transferido para a conta bancária da escola ou instituição, a qual será também responsável pela sua gestão. Será enviado um convite para a cerimónia de entrega de prémios à pessoa que submeteu a candidatura do projecto premiado, sendo, no entanto, possível nomear um representante diferente.

Os fornecedores nacionais de conteúdos educativos ou entidades equiparáveis, ou projectos geridos por estas instituições/organizações não são elegíveis. Projectos que tenham recebido Prémios eLearning em anos anteriores, bem como projectos que façam parte da European Schoolnet (EUN) também não são elegíveis.

Projectos que tenham vencido outros prémios ou recebido apoios (p. ex. Comenius), ou que tenham beneficiado de patrocínios, são elegíveis. No entanto, tal informação deverá ser declarada na descrição do projecto que for enviada.

Uma candidatura pode corresponder a parte de uma escola, a um conjunto de recursos, a um projecto ou a uma actividade. Os conteúdos presentes na participação deverão ter sido criados, em larga medida, após 1 de Janeiro de 2005.

A avaliação é feita online. Lamentamos, mas para efeitos de avaliação não poderemos aceitar CD-ROMs ou materiais impressos.

Os projectos cooperativos entre escolas, instituições e organizações educativas são elegíveis desde que representados por uma única escola, instituição ou organização que faça parte do projecto. Se um projecto for apresentado por mais do que um parceiro, as correspondentes candidaturas serão consideradas como uma só.

As candidaturas devem ser apresentadas numa língua Europeia e terão de incluir um sumário informativo ou um resumo em Inglês, Alemão, Francês, Italiano ou Espanhol.

Todo o material a ser avaliado deverá estar online desde 6 de Novembro a 30 de Novembro de 2006. As participações vencedoras devem ser mantidas online até 31 de Dezembro de 2006.

Questões éticas e legais

Todas as participações terão de se cingir aos acordos Europeus em matéria de direitos de autor. Poderão ser usadas pequenas citações se a fonte estiver claramente indicada. Só poderão ser utilizadas imagens, filmes, sons ou outros elementos multimédia se o autor tiver explicitamente permitido a sua utilização, ou se tiverem sido retiradas de fontes de utilização livre.

As candidaturas apresentadas aos Prémios eLearning continuam a ser propriedade da escola/organização ou professor. A European Schoolnet tem plenos direitos para disponibilizar livremente o material para fins educativos na Web, em CD-ROM ou através de outros meios, a partir da data de apresentação da candidatura.

As participações não podem conter afirmações, factos, informações ou citações que possam prejudicar ou diminuir qualquer pessoa ou grupo de pessoas. As candidaturas não poderão encorajar a discriminação de pessoas com base na raça, opinião, nacionalidade, sexo, profissão ou outras afiliações. As participações não podem também encorajar o crime ou actos ilegais.

Desqualificação de um projecto

A European Schoolnet pode decidir desqualificar uma participação se a mesma não tiver sido apresentada dentro do prazo ou se violar qualquer das regras enunciadas na secção 'Questões éticas e legais'. A European Schoolnet reserva-se o direito de desqualificar projectos, removê-los da galeria de projectos ou de retirar um prémio atribuído.

A European Schoolnet reserva-se ainda o direito de alterar as regras e os prémios. A notificação das alterações será feita através do sítio Web dos Prémios eLearning.

Para mais informações consulte http://www.aprendereuropa.pt
15/10/2006 - 23:13
Lula dedica programa a professores
Agencia Estado - Brasil

No Dia dos Professores, o presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, dedicou os 10 minutos de seu programa eleitoral gratuito na televisão ao tema Educação e, em especial, à sua primeira professora, Dona Terezinha. "Se reeleito, a Educação será minha prioridade máxima", afirmou. Ele aproveitou o programa para comparar alguns números de seu governo com os de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, do PSDB.Segundo o programa, houve um investimento de R$ 849 milhões em merenda escolar em 2002 (governo Fernando Henrique) ante R$ 1,5 bilhão de sua gestão, em 2006. Acrescentou que foram distribuídos 12,5 milhões de livros didáticos gratuitos para o ensino médio e 204 mil bolsas de estudos para carentes em universidades, enquanto seu antecessor não fez investimentos deste tipo.Se reeleito, Lula prometeu distribuir mais 300 mil bolsas do Prouni e construir escolas técnicas em todas as cidades-pólo do País. Afirmou também que até o final deste ano todas as escolas de ensino médio contarão com laboratórios de informática, que 85 mil computadores e DVDs serão entregues em todas as regiões e que 32 novas escolas técnicas estarão instaladas em vários pontos do Brasil.O candidato disse ainda que o governo criou 10 universidades públicas e 48 extensões em universidades de cidades do interior. De acordo com o petista, os professores serão incentivados a se qualificar e, desta forma, terão uma remuneração maior. Lula disse ainda que criará um piso nacional para o magistério e que o programa universidade aberta continuará para a especialização de profissionais da área que atuam em escolas públicas. De acordo com o candidato do PT haverá ampliação de investimentos no setor em todos os níveis, da creche à universidade. "Não se muda o sistema educacional da noite para o dia. É o tempo de uma geração", disse. Ao final, o narrador do programa pergunta: "Será que com os tucanos, que investiam muito menos em programas sociais, o Bolsa-Família vai continuar". E continua: "Não troque o certo pelo duvidoso. Quero Lula de novo".

Docentes vão parar nos próximos dois dias

Sindicatos de professores esperam que adesão à greve mude atitude do ministério 16.10.2006 - 18h00 - Lusa

Os sindicatos de professores que negoceiam com o Ministério da Educação a revisão do Estatuto da Carreira Docente disseram hoje esperar que a adesão à greve de amanhã e quarta-feira leve a tutela a mudar a sua postura negocial.
"As indicações que nos chegam das escolas apontam para uma grande adesão à greve. Se os professores derem uma grande prova de força esperamos que a posição do ministério seja diferente na reunião de quinta-feira", disse Mário Nogueira, dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof).A greve nacional dos próximos dois dias foi decretada a 5 de Outubro, Dia Mundial do Professor, durante a marcha nacional de protesto, que reuniu em Lisboa mais de 20 mil docentes.Esta será a segunda paralisação nacional convocada para contestar a proposta do Estatuto da Carreira Docente (ECD), depois da cumprida a 14 de Junho, que contou com uma adesão de 70 a 80 por cento, de acordo com a Fenprof, e inferior a 30 por cento, segundo o gabinete da ministra Maria de Lurdes Rodrigues.Em conferência de imprensa realizada hoje, os 14 sindicatos que discutem com a tutela a revisão do ECD e que formaram uma plataforma sindical, salientaram que na última reunião os responsáveis governamentais não mostraram "abertura negocial" suficiente para levar à suspensão da greve.O secretário-geral da Fenprof, Paulo Sucena, sublinhou que o novo estatuto levará à permanência de dezenas de milhares de docentes no sétimo escalão, uma medida que pretende impedir a progressão na carreira com "critérios economicistas". "O Governo quer poupar na despesa do Estado à custa dos professores", afirmou o sindicalista, no dia em que o Governo apresenta a proposta de Orçamento de Estado para 2007.A plataforma sindical admite ainda a realização de mais greves, após a reunião de quinta-feira, na qual o ministério deverá apresentar a versão definitiva do ECD."Depois desta greve vamos ter uma reunião com o ministério, no dia 19, para ouvir as respostas que a tutela tem para dar e na sequência da atitude do Governo equacionaremos outras iniciativas, as que forem necessárias", sustentou, por sua vez, João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação.A divisão da carreira em duas categorias (professor e professor titular), a imposição de quotas para aceder à mais elevada e o modelo de avaliação de desempenho que inclui critérios como a apreciação dos pais e as taxas de abandono e insucesso escolar dos alunos são alguns dos aspectos que dividem a tutela e as organizações sindicais.
Percebendo que há bons e maus profissionais
Marçal Grilo: os professores têm de fazer parte da solução
16.10.2006 - 09h14 José Manuel Fernandes (PÚBLICO) e Dina Soares (Rádio Renascença)

Sete anos depois de ter deixado de ser ministro da Educação, Marçal Grilo continua a acompanhar e a pensar sobre os problemas do sector. Nalgumas áreas em que apostou, como o pré-escolar, pensa que tudo tem corrido bem, mas já critica a forma como se processou a adaptação das universidades ao protocolo de Bolonha e a pouca evolução na autonomia das escolas. Não se distancia da actual ministra, pelo contrário, mas gostaria que os sindicatos tivessem menos protagonismo no diálogo sobre as políticas educativas.

Marçal Grilo é hoje membro da administração da Fundação Gulbenkian, onde continua a ocupar-se de temas ligados à Educação, tendo sob a sua responsabilidade programas de apoio às bibliotecas escolares ou destinados a entender os problemas gerados pela presença de muitas comunidades linguísticas na sala de aula. Síntese do essencial da entrevista ao programa "Diga Lá Excelência", que ontem regressou aos ecrãs da Dois.

Pouco tempo antes de sair do Governo disse que tinha colocado o navio a ir na direcção correcta por três motivos: o lançamento do pré-escolar, o processo de autonomia das escolas e o sublinhar do papel essencial dos professores. Se não considerarmos o caso do pré-escolar, onde se tem realmente progredido, nas outras frentes o navio ou encalhou ou quase não se moveu...

De facto o pré-escolar tem corrido bem, o grau de cobertura do país é bom, os jardins de infância deixaram de ser apenas depósitos de crianças para terem uma componente educativa, pelo que não sinto que seja necessário fazer muito mais do que reforçar a cobertura em algumas zonas ainda carenciadas. Já quanto à autonomia, a Conferência da Gulbenkian sobre Educação foi precisamente sobre esse tema. O comissário, Neves Adelino, percorreu o país e aquilo que constatei é que, apesar de haver apenas uma escola que tinha assinado um contrato de autonomia, o conceito estava enraizado e havia muitas escolas que a usavam. A autonomia não é apenas um contrato, é uma atitude, uma forma de estar.

É possível haver autonomia quando os professores são colocados num concurso único nacional e centralizado?

Num caso limite diria que os professores devem seleccionados e contratados pelas próprias escolas. Parece óbvio que é para aí que tem de se caminhar.

Contudo fez-se o contrário...

O caminho nos últimos anos foi desastroso. Cheguei a ouvir alguém dizer que os professores deviam ser colocados por concursos nacionais semanais. É necessário inverter este caminho. O que se fez bem, por exemplo, foi o que aconteceu no primeiro ciclo com a contratação dos professores de inglês. Aquilo que imagino como ideal num prazo de, digamos, dez anos, é que todas as escolas tenham um conselho, mais pequeno do que o previsto na actual lei, que integre representantes da comunidade que nem têm necessidade de ser pais, podem ser apenas cidadãos empenhados e preocupados. Esse conselho escolhe depois o director da escola...

Tem de ser um professor?

Não, mas a verdade é que por regra costuma ser um professor nos países onde este processo está mais desenvolvido. A lei não tem de impor que seja um professor, mas é natural que seja alguém com competências pedagógicas que depois adquire competências de gestão. Isso sucede muito nas empresas, até nos jornais... Este caminhar para se terem conselhos, directores e equipas escolhidas pelas escolas deve ser feito instituição a instituição ou, pelo menos, agrupamento a agrupamento. Mesmo assim considero que a lei de 1998 ou 1999 fez algum caminho, pois sem ela as escolas não teriam começado a compreender a autonomia e que esta é um instrumento para cumprirem os objectivos que se propõem.

Como é que isso é possível se na maioria das escolas os pais nem sequer aparecem para as reuniões?

Nunca tenho uma perspectiva catastrofista, julgo que as coisas podem mudar e evoluir. Estive em Inglaterra em escolas em que o responsável do conselho nem sequer era pai, antes um cidadão que considerava que a escola era um activo muito importante da zona em que vivia. Por que é que o mesmo não há-de suceder em Portugal? É verdade que temos um atraso importante porque não consideramos muito a escola. Os portugueses acreditam mais na sorte do que na escola e no trabalho. Acham que o sucesso tem mais a ver com sorte e não com a escola, com o trabalho, com o sacrifício, com o esforço. Ora a escola é tudo isso e felizmente há cada vez mais famílias que o percebem.

Isso também explica o desinteresse pela formação ao longo da vida?

Aí a situação não é preocupante, é devastadora. No último inquérito conhecido os portugueses dizem que não precisam de aprender mais nada ao longo da vida.

Passemos então ao outro ponto, o de apostar nos professores. O que estes dizem é que têm sido desconsiderados e realizaram ainda agora uma das maiores manifestações de sempre...

O país tem excelentes professores, e sei do que falo porque conheço imensas escolas. Portanto os professores têm de fazer parte da solução e não do problema. O que é preciso é perceber que, como em qualquer profissão, há bons e maus professores, ou maus profissionais. Há muito professor que ainda julga que isto é dar umas aulas, ir para casa e corrigir uns testes. Ora a profissão de professor é complexa, porque cada um é uma referência em si: moral, profissional, cultural e até como ser humano. Todos fomos marcados por professores na nossa vida.

Não tem sido esse o discurso que tem vindo a ser feito, pelo que pergunto se o próximo ministro da Educação não vai ter de fazer aquilo que disse que teve de fazer, que foi perder quase dois anos a colar os cacos e a sarar as feridas?

Não tenho de defender a ministra, que acho que é uma pessoa notável. O seu discurso é claro e dirige-se aos que percebem bem qual o seu papel como professores. Não é preciso andar a elogiar os professores, pois eles conhecem-se. Os bons sabem que são bons e os maus sabem quem são os bons...

Só não admitem que eles são maus...

Daí a importância da avaliação. Algum bom professor tem medo de ser avaliado? Julgo que não. Como os que aqui estão também não. Eu, quando trabalhava no LNEC, como engenheiro, tive de prestar provas perante um júri de 40 pessoas. Temos todos a obrigação de prestar contas daquilo que fazemos.

O importante é chegar a professora titular


O importante é chegar a professora titular


O importante é chegar a professora titular. Foi com este pensamento que tracei a rigor o meu destino, há tantos anos atrás. Filhos, tê-los-ei aos quarenta, antes nem pensar pois quatro meses de licença de maternidade lançar-me-iam irremediavelmente no nível Regular impedindo-me a tão desejada progressão na carreira. E assim foi. Tudo me correu lindamente até ao décimo sétimo ano de leccionação. E ao longo desses anos aprendi a agradar a todos, aos alunos, aos pais e ao executivo da escola.Porque chegar a professora titular implicava uma escolha entre outros muitos candidatos, a quem tudo tinha corrido igualmente bem. Cheguei, inclusivamente, a ter alunos que passavam o fim-de-semana comigo e com a minha família. E eu até lhes passava as t-shirts a ferro e fazia trancinhas no cabelo das meninas.E um dia a televisão bateu-me à porta para fazer uma reportagem, assim inesperadamente. Era eu de avental a servir-lhes a sopinha, a dar-lhes conselhos e a fazer-lhes festinhas na cabeça. E o jornalista até me perguntou se também lhes cantava canções de embalar e eu disse-lhe logo que sim, que até lhes lia os "Versos de fazer ó-ó" do José Jorge Letria e que depois de adormecerem aproveitava para lhes ir lendo o "Memorial do Convento". E expliquei-lhes que a leitura durante o sono era um método totalmente inovador em que tudo se apreende de forma suave e que assim não havia o trauma de o livro ser grande ou de os jovens não perceberem as palavras e terem de ir ao dicionário, que isso dá muito trabalho, coitadinhos! Tudo me corria às mil maravilhas até ao dia em que uma apendicite aguda me levou à cirurgia. Oh, maldita apendicite!E voltei à escola ainda com os pontos fresquinhos, a pensar que só tinha dado cinco faltas. Mas enganara-me nas contas com a história da anestesia. Afinal eram seis as faltas, seis! E já não teria Bom na avaliação, somente um Regular. E já não passaria a professora titular. Foram mais seis anos de espera. Deixa, aos quarenta e seis ainda vou a tempo de ser mãe. É uma gravidez de risco mas isso que tem, se há já quem tenha os filhos aos cinquenta, aos sessenta e qualquer dia aos cem!Mas aos quarenta e cinco foi a hérnia discal. Oh, maldita hérnia discal! Ainda pensei em ir de cadeira de rodas ou se necessário fosse, de maca, mas o médico chamou-me louca e reteve-me dez longos dias no hospital. E foi assim que somente aos cinquenta e dois cheguei a professora titular. Era tarde demais para ser mãe.Mas, meu Deus! Eu era professora titular!Fiquei tão radiante que até me lembrei de bordar em todos os lençóis de renda, em arabescos graciosos, "professora titular", "professora titular" e em toalhas e em quadros de ponto cruz, "professora titular", " professora titular" e depois mandei gravar em todas as minhas canetas e no estojo dos lápis, "professora titular", "professora titular" e na porta do meu carro e no guarda-chuva e no guarda-sol porque, faça sol ou faça chuva, eu sou professora titular! Agora que sou professora titular tenho, além das aulas, muitos e variados cargos que me dão tanto que fazer.Mas ainda vou arranjando um tempinho para ir aconselhando os novos e vou-lhes ensinando como se chega a titular e como é importante ir ao médico todas as semanas e levar todas as vacinas possíveis e imagináveis e como é totalmente recomendável andar com um triplo airbag no carro. E digo-lhes e repito-lhes: " professor prevenido vale por dois". Mas apesar de todos os meus conselhos e avisos ainda há os que, desprezando-os, se vêem de repente em maus lençóis.Foi o caso de um brilhante ex-aluno meu, brilhante universitário, brilhante estagiário, brilhante professor que tendo passado com distinção o Exame de Estado e tendo obtido aprovação na entrevista, não conteve os seus impulsos mais genuínos e românticos durante o ano probatório, fruto da sua juventude e inexperiência e não se cansou de defender o indefensável, a exigência, o rigor, a disciplina, criticando com excessivo entusiasmo o facilitismo reinante e não se cansou de duvidar e de contestar. E eu que lhe dizia: " Meu filho, tem tento na língua, como queres tu chegar a professor titular? Vá aprende comigo e diz "Ámen"! "Ámen"! Mas ele que não me ouviu. E deu-se o caso, vá lá saber-se porquê, de o jovem brilhante professor obter, no final do ano probatório, a infeliz classificação de 6.8 quando precisava apenas de 6.9 para integrar o quadro. E foi assim exonerado da profissão.E teve de arranjar logo umas tabuinhas para se ir juntar aos outros muitos professores, desempregados e exonerados, lá debaixo da ponte Vasco da Gama porque ele me dizia que preferia a terra firme, senão tinha arranjado um botezinho como os outros fazem. E certa manhã ajudei-o a levar as tabuinhas e a construir a cabaninha debaixo da ponte.Era um dia brilhante, de cores perfeitas, em que o sol resplandecia sobre o rio azul e o sapal era verde marinho e gracioso, salpicado de aves pernaltas. Mas lá estavam as centenas de cabaninhas e os milhares de botes pacientemente amontoados. E ali tudo era cinzento e triste. E foi nesse momento que caí em mim e vi a injustiça daquilo tudo. A minha luta para chegar a professora titular parecia-me agora absolutamente vazia e sem sentido.Eu deveria ter lutado sim mas contra o "novo" estatuto da carreira docente de 2006!!
Por isso, como era urgente recuperar o atraso de trinta anos, transformei-me em gigante Adamastor e peguei nos milhares de professores e respectivas famílias que viviam nos botezinhos e nas cabaninhas e levei-os para o Ministério da Educação. Todo o edifício estremeceu à nossa chegada porque nós trazíamos uma tempestade de mil dias.Mas o "novo" estatuto depressa sucumbiu, de medo e de vergonha, porque muitas tinham sido as injustiças que criara. Adeus "novo" estatuto! Vai e não voltes nunca mais porque nós queremos mudança mas não queremos injustiça!Cristina Neves

sexta-feira, outubro 13, 2006


Educai as crianças e não será preciso castigar os homens.

(Pitágoras)

Estará a Srª Ministra com medo da greve de 17 e 18?


A ministra da Educação apelou esta segunda-feira aos professores para que leiam «por si próprios» a proposta de revisão do Estatuto Carreira Docente (ECD), recordando que até ao final do mês será apresentada uma quarta versão do documento, noticia a agência Lusa.
«Apelo aos professores para que leiam e conheçam por si próprios as propostas do Ministério da Educação que estão em cima da mesa. São propostas razoáveis com as quais pretendemos melhorar a qualidade de ensino», afirmou Maria de Lurdes Rodrigues.
A titular da pasta da Educação falava aos jornalistas à saída de uma sessão de apresentação dos resultados da fase piloto de avaliação externa das escolas, que decorreu no Conselho Nacional de Educação, em Lisboa.
«O estatuto é para os professores muito importante, mas do ponto de vista da escola é um instrumento de gestão que tem de ser melhorado. As coisas não podem ficar como estão», acrescentou a ministra.
Maria de Lurdes Rodrigues relembrou que, até ao final do mês, será apresentada uma quarta versão do ECD, pelo que durante o período de negociações, a tutela «está sempre a tempo de melhorar e incorporar as sugestões dos sindicatos».
Questionada pelos jornalistas sobre a manifestação de professores na quinta-feira, que reuniu em Lisboa mais de 20 mil docentes, Maria de Lurdes Rodrigues considerou que alguns professores desconhecem a proposta de revisão.
«Não vi a manifestação. Vi apenas reportagens curtas e pareceu- me que os professores inquiridos não conheciam de facto as propostas em cima da mesa», afirmou.
A Marcha Nacional contra a revisão do Estatuto da Carreira Docente foi o maior protesto de sempre de professores, segundo os sindicatos com cerca de 25 mil docentes, que aprovaram ainda a realização de uma greve nacional a 17 e 18 de Outubro.
A greve, cujo pré-aviso foi entregue na sexta-feira, será realizada caso «o Ministério da Educação não dê provas inequívocas de estar disposto a abrir um processo negocial em que as posições sindicais sejam democraticamente tidas em conta».

Interculturalidade- Associação de Prof's - IAP

A Interculturalidade - Associação de Professores (IAP) é uma jovem associação de professores, sem fins lucrativos, cujo objecto é a promoção sócio-cultural e profissional dos docentes, a formação científica e pedagógica e a actividade editorial.Para atingir os seus fins, a associação propõe-se: desenvolver iniciativas tendentes à criação de uma opinião pública atenta, esclarecida e interveniente, nomeadamente, através da observação e intervenção em defesa dos Direitos dos Cidadãos; promover e realizar debates, seminários, congressos, conferências e manifestações culturais; criar e gerir, no âmbito da formação profissional e pedagógica, um Centro de Formação Profissional e um Centro de Formação Contínua de Professores; criar, produzir e editar boletins, álbuns, revistas, livros e quaisquer outras publicações; relacionar-se com associações e personalidades nacionais e estrangeiras que possam contribuir para a realização do objecto da Associação; apoiar as iniciativas, quer de entidades privadas, quer públicas, que se compatibilizem com os seus fins; tomar quaisquer outras iniciativas relacionadas com as suas finalidades.A Interculturalidade - Associação de Professores (IAP) perspectiva a educação, enquanto importante instrumento para a assunção de uma cidadania plena, visando o combate a todas as formas de discriminação e exclusão social, e pretende constituir-se num fórum aberto à discussão dos problemas que se colocam ao ensino e ao mundo, de troca de opiniões e experiências, de edificação de vias alternativas e inovadoras que promovam a intervenção social dos cidadãos e a sua participação na construção do seu próprio futuro.
interculturalidade@gmail.pt
Apartado 22667 - 1147-501 Lisboa
Prezados Professores
Imagino que muitos de vós estejais tão perplexos quanto eu a respeito de uma série de ataques virulentos que me foram recentemente dirigidos, pondo em causa não apenas o meu trabalho como também a minha pessoa. Quanto a estes últimos, trata-se de calúnias que não merecem resposta. Já os ataques ao meu trabalho devem ser objecto de reflexão serena. Antes de a fazer, no entanto, não posso deixar de me perguntar: por que razão haverei eu de ocupar com este tema tão rara e tão preciosa ocasião de me comunicar convosco? Em boa verdade, a resposta é simples. Ao longo de duas décadas, muitos de vós tendes manifestado interesse no meu trabalho, usando os meus livros na preparação das vossas aulas e recomendando-os aos alunos. Agora que esse trabalho é posto em causa, é natural que isso vos cause alguma perplexidade e, sendo assim, estando eu próprio perplexo, é azado que nos tentemos esclarecer, oferecendo-me para lançar as primeiras pistas. Por limitações de espaço, refiro-me a duas questões que não abordei em intervenções recentes nos jornais. 1. O debate epistemológico. O conhecimento científico é uma construção social porque não há uma relação directa e imediata entre sujeito e objecto. Entre eles interpõem-se mediações que extravasam da relação: teorias, conceitos, métodos, protocolos e instrumentos que simultaneamente tornam possível o conhecimento e definem os seus limites. Isto não significa que o conhecimento científico seja arbitrário. Por duas razões principais. Em primeiro lugar, porque as mediações são o resultado de consensos alargados no seio da comunidade científica. São esses consensos que tornam possíveis os conflitos através dos quais o conhecimento progride. O que conta como verdade é a ausência provisória de um conflito significativo. O conhecimento científico é uma prática socialmente organizada. O social, longe de ser externo à racionalidade da ciência, é constitutivo dela. Por exemplo, os procedimentos de prova não dispensam a intervenção de mecanismos de confiança e de autoridade vigentes nas comunidades científica e, como tal, irredutíveis aos procedimentos dos cientistas tomados individualmente. Em segundo lugar, porque apesar de todo o conhecimento ser uma intervenção no real, isso não implica que o real possa ser modificado arbitrariamente. Pelo contrário, o real resiste e nisso consiste o seu carácter activo. O que conhecemos do real é a nossa intervenção nele e a sua resistência. Esta resistência faz com que a certificação das consequências do conhecimento fique sempre aquém da sua total previsibilidade. É por isso que as acções científicas tendem a ser mais científicas que as suas consequências. É por isso também que os novos conhecimentos geram novos desconhecimentos, aí residindo a sua incontornável incerteza.A existência do real não pressupõe a transparência do real. Mesmo a imagem mais transparente, a do espelho, é invertida e o conhecimento das regras da inversão, por mais rigoroso, não elimina a inversão. O realismo crítico, pragmático e agencial é o que permite a tensão mais criativa entre a possibilidade e os limites de conhecimento.
2. Ciência social positivista e crítica. Desde meados do séc. XIX começou a desenhar-se um confronto entre uma concepção "positiva" e uma concepção "crítica" da ciência social. Ambas visam analisar a realidade social, mas enquanto a primeira reduz a realidade ao que existe e, como tal, tende a conformar-se com o que existe, a segunda inclui na realidade a sua potencialidade e a sua capacidade para ser de modo distinto daquele que hoje prevalece - e melhor. A concepção positiva procura descrever os fenómenos sociais a partir de um ponto de vista alegadamente neutro e crê que a objectividade dos métodos de investigação protege a ciência das "contaminações" do contexto social e político em que a ciência é feita, das ideologias e do senso comum. Baseia-se numa separação estrita entre factos e valores e nega que, por via dessa separação, possa sufragar valores não explicitados. Refere-se a um cânone de autores clássicos, europeus e norte-americanos, defende as diferenças disciplinares e despreza tudo o que está para além desse cânone e, sobretudo, a produção científico-social das sociedades não-ocidentais.Por sua vez, a ciência social crítica assenta numa concepção dinâmica da realidade, do social e do conhecimento. A realidade contém em si tendências e alternativas, umas possíveis, outras já disponíveis mas marginalizadas ou ocultadas, e o conhecimento científico tem de as envolver a todas. Aliás, o conhecimento científico é parte integrante dessa realidade ampla, é ele próprio um processo social dinâmico onde é possível identificar, para além das concepções dominantes, as alternativas e os conhecimentos emergentes. Não há, pois, conhecimento neutro, já que todo ele é situado histórica e socialmente. A profissão de neutralidade tem servido quase sempre para valorizar o status quo contra as forças que o contestam. Para a ciência social crítica é assim crucial distinguir entre objectividade e neutralidade. A objectividade forte que se pretende assenta em dois pilares: na aplicação criteriosa dos métodos de investigação e na explicitação das condições pessoais, sociais e organizacionais que possibilitam, constrangem ou orientam a produção do conhecimento. Só assim é possível identificar o campo de alternativas que se oferecem e as razões pelas quais algumas são hegemónicas e outras marginalizadas, e os valores à luz dos quais algumas são de preferir e outras de rejeitar. A ciência social crítica é assim reflexiva, atenta às limitações do cânone clássico e das suas ortodoxias disciplinares quando se trata de produzir conhecimento adequado para identificar a opressão, o sofrimento e a discriminação a que está sujeita a maioria da população mundial (quase toda ela vivendo fora dos países onde se produz a ciência hegemónica), um conhecimento que sirva de fundamento cognitivo e ético à defesa da solidariedade, do respeito pelos direitos humanos, da participação política e da democracia.A ciência social crítica é tão empírica quanto a positiva e a objectividade forte por que se pauta permite-lhe criar conhecimento relevante, mesmo para os que não partilham os valores que lhes subjazem.
Boaventura Sousa Santos

Greve- Conheça os seus direitos!



O direito à Greve está consagrado na Constituição da República Portuguesa (Artigo 57.º) e traduz-se como uma garantia, competindo ao trabalhador a definição do âmbito de interesses a defender através do recurso à Greve.

Mais se acrescenta na Constituição da República: a lei não pode limitar este direito!

Por vezes, procurando condicionar o direito à Greve, alguns serviços e/ou dirigentes da administração educativa informam incorrectamente os educadores e professores sobre os procedimentos a adoptar em dia de Greve. Para que não restem dúvidas sobre a forma de aderir à Greve e as suas consequências, respondemos a algumas das perguntas que mais frequentemente surgem:

1. Os professores têm de pedir autorização ou comunicar previamente a sua adesão à Greve?
- NÃO! Como é óbvio, a adesão à Greve não carece de autorização nem de comunicação prévia. Esta comunicação é feita pelos Sindicatos que, nos termos da Lei, entregam no Ministério da Educação e noutros que têm sob sua tutela, um Pré-Aviso de Greve.

2. Tem de se ser sindicalizado para poder aderir à Greve?
- NÃO! De facto, só as organizações sindicais têm capacidade para convocar uma Greve, porém, fazendo-o, o Pré-Aviso entregue às entidades patronais abrange todos os profissionais independentemente de serem ou não sindicalizados.

3. Um Professor pode ser substituído no dia de greve?
- SIM! Mas apenas se aquele que o substitui for também professor desse estabelecimento de ensino, estiver destacado, nesse dia, para o fazer e se não aderir à greve, claro.

4. Um Professor tem de apresentar previamente planos de aulas para o dia em que está em Greve?
- NÃO! Se tal lhe fosse imposto corresponderia a uma grave ilegalidade, pois corresponderia ao levantamento prévio da sua adesão.

5. Um professor pode aderir à Greve no próprio dia?
- SIM! Pode mesmo acontecer que o docente já esteja no local de trabalho ou até tenha iniciado a actividade e, em qualquer momento, decida aderir à Greve.

6. O professor tem de estar no local de trabalho durante o período de Greve?
- NÃO! No dia de Greve o professor não tem de se deslocar à escola embora, se o quiser fazer, não esteja impedido disso.

7. O professor tem de justificar a ausência ao serviço em dia de Greve?
- NÃO! No dia da Greve só tem de justificar a ausência ao serviço quem tiver faltado por outras razões. Quem adere à Greve não deve entregar qualquer justificação ou declaração, cabendo aos serviços, através da consulta dos livros de ponto ou de registo de presença, fazer o levantamento necessário.

8. A adesão à Greve fica registada no Processo Individual do Professor?
- NÃO! É expressamente proibida qualquer anotação sobre a adesão à Greve, designadamente no Registo Biográfico dos professores. As faltas por adesão à greve, a par de outras previstas na lei, são apenas estatísticas.

9. Há alguma penalização na carreira pelo facto de um professor ter aderido à Greve?
- NÃO! A adesão à Greve não é uma falta, mas sim a quebra do vínculo contratual durante o período de ausência ao serviço, encontrando-se “coberta” pelo Pré-Aviso entregue pelas organizações sindicais. Daí que não haja qualquer consequência na contagem do tempo de serviço para todos os efeitos legais (concursos, carreira ou aposentação), nas bonificações previstas na lei ou no acesso a todas as regalias e benefícios consagrados no estatuto da carreira docente ou no regime geral da Administração Pública.
A única consequência é o não pagamento desse dia e do subsídio de refeição pela entidade patronal.

10. O dia não recebido é considerado para efeitos de IRS?
- NÃO! No mês em que for descontado esse dia de Greve (deverá ser no próprio mês ou, na pior das hipóteses, no seguinte) o cálculo de desconto para o IRS e restantes contribuições será feito, tendo por referência o valor ilíquido da remuneração processada, portanto, não incidindo no valor que não é recebido.

11. Os membros dos órgãos de gestão podem aderir à Greve não comparecendo na escola?
- SIM! A forma de aderir à Greve por parte dos membros dos órgãos de gestão é a mesma que foi referida para qualquer outro docente.

Nota: qualquer outra dúvida que surja sobre o direito à Greve deverá ser-nos apresentada. Qualquer forma de “pressão” que seja exercida sobre os professores, no sentido de os condicionar na decisão sobre a adesão à Greve deverá ser-nos comunicada.

A Direcção
Sindicato dos Professores da Região Centro

Greve a 17 e 18 de Outubro



A GRANDE ADESÃO DOS DOCENTES
CONTRIBUIRÁ PARA ALTERAR AS POSIÇÕES DO M.E.

Os professores e educadores confrontam-se com um ataque sem precedentes ao seu estatuto profissional e de carreira.

O Ministério da Educação apresentou um projecto que pretende, e é esse o seu objectivo principal, poupar dinheiro à custa dos professores e educadores e do seu trabalho.

Nesse sentido, fez assentar o projecto em alguns aspectos essenciais, de onde relevam:

- A atribuição de “Regular”: avaliação positiva de maior intervalo (2 valores – 5 a 6.9 em escala de 0 a 10), onde “cairá” um significativo número de docentes. Além disso, poderá ser atribuído “Regular” a um docente que teve um excelente desempenho, mas adoeceu 10 dias num ano. Faz perder o tempo de serviço avaliado de “Regular” (2 anos), aumentando, assim, a duração da permanência nos escalões (recorde-se que, em cada escalão, um docente é avaliado, pelo menos, duas vezes).

- “Categoria de titular”: o ME quer concentrar um conjunto específico de funções nos actuais 3 escalões de topo. Com esses escalões, cria uma categoria superior, a de titular, que passa a ter um conteúdo funcional diferente. Como categoria que é, o acesso aos seus escalões passa a estar condicionado a concurso e à existência de vagas. Esta proposta tem apenas um propósito: limitar o acesso da esmagadora maioria dos docentes aos escalões de topo, estagnando-os no actual 7º escalão, de onde dificilmente sairão. Os docentes que se encontrem em escalão superior ficarão, na esmagadora maioria, aí estagnados.
- “Aumento dos horários de trabalho”: O aumento de horários de trabalho, a alteração profunda do regime de reduções da componente lectiva e a transferência de funções da componente lectiva para a não lectiva tem, por objectivo, deixar no desemprego os actuais contratados e criar um quadro de supranumerários para onde serão transferidos milhares de docentes dos quadros.
- “Quotas de avaliação”: estes mecanismos administrativos servem, apenas, para impedir que docentes com desempenho de grande mérito o vejam reconhecido.

As propostas do ME, como facilmente se conclui, nada têm a ver com o mérito, com a distinção dos melhores ou com preocupações de elevação da qualidade educativa. Se fosse essa a intenção, não estaria preocupado em encontrar tantos constrangimentos administrativos ao normal desenvolvimento da carreira, antes procuraria que todos pudessem estar entre os melhores – esse deveria ser o objectivo máximo. Mas não! O objectivo é provocar perdas de tempo de serviço (que atrasam a progressão) e travar a esmagadora maioria dos docentes no 7º escalão (que, na verdade, passaria a ser o topo da carreira). Os que já hoje se encontram em escalões superiores, também, na sua esmagadora maioria, ficariam, para sempre, aí retidos, nunca chegando ao 10º.
Convém dizer, ainda, que, pelas propostas do ME, mesmo quem se encontrava a poucos dias, semanas ou meses de progredir, passa agora a estar muito mais longe. Primeiro, porque o Governo se prepara para congelar mais um ano de serviço a toda a Administração Pública; depois, porque os novos escalões da carreira têm, todos, uma duração superior aos que lhes correspondem na estrutura actual.

Está, agora, marcada uma nova reunião para o dia 19 de Outubro, ou seja, para o dia a seguir aos das Greves. Como é evidente, com esta reunião a Greve ganhou uma importância ainda maior. O sacrifício que todos iremos fazer poderá ser compensado se esta importante Greve tiver uma adesão ao nível da que teve a extraordinária Marcha que realizámos no Dia Mundial do Professor. Se tal acontecer, o Ministério da Educação terá, finalmente, de alterar algumas das suas posições. A responsabilidade é, pois, de todos os professores e educadores. Desta vez, ninguém poderá ficar de fora!


A Direcção do SPRC

quinta-feira, outubro 12, 2006

Portugal celebra acordo com o M.I.T.

Lusa 11.10.2006

A parceria, que envolve sete universidades e um investimento público de 32 milhões de euros, abrange as áreas de gestão e engenharia.


O Massachusetts Institute of Tecchnology (MIT) é um centro universitário norte-americano de referência que estabelece protocolos de investigação com institutos de pesquisa e consórcios nos EUA e noutros países. Entre eles, encontra-se o acordo de parceria nas áreas de gestão e engenharia que foi hoje celebrado com o Governo português e que envolve sete universidades e um financiamento público global de 32 milhões de euros às instituições nacionais envolvidas.

O acordo prevê 14 contratos anuais de professores/investigadores para as instituições portuguesas e 18 bolsas anuais de pós-doutoramento.

O programa vai vigorar durante cinco anos e envolverá anualmente cerca de 35 novos alunos de doutoramento e cerca de 80 estudantes em programas de "Professional Master".

O programa MIT-Portugal envolve centros de investigação, docentes, investigadores e alunos na forma de consórcios entre escolas de engenharia, faculdades de ciências e tecnologia e escolas de economia e gestão em 7 universidades portuguesas, incluindo empresas, laboratórios associados e estatais.

O acordo na área de engenharia será desenvolvido com base em quatro áreas temáticas: engenharia de concepção e sistemas avançados de produção, sistemas de energia, sistemas de transporte e sistemas de bioengenharia.

As instituições nacionais, em parceria com o MIT, poderão nos próximos cinco anos contratar professores convidados "de mérito internacional" e investigadores em pós-doutoramento.

O programa prevê ainda que os estudantes, investigadores e docentes em instituições portuguesas colaborem com equipas de investigação no MIT. Actualmente, o MIT é constituído por cinco escolas e uma faculdade, com 34 departamentos académicos e divisões, assim como centros interdisciplinares, laboratórios e programas.

Entre os seus departamentos e escolas destacam-se a Sloan School of Management, Lincoln Laboratory, Computer Science and Artificial Intelligence Laboratory, Media Lab e Whitehead Institute.

Actualmente, o MIT tem cerca de 992 docentes e 10 mil funcionários e é uma das referências mundiais em ciência e tecnologia, embora se dedique ainda a outras áreas do saber, como Administração, Economia, Linguística, Ciência Política e Filosofia.

Em 2005, o Instituto tinha 4066 estudantes de licenciatura (dos quais 362 eram estrangeiros) e 6140 de pós-graduação (2430 deles de outros países) e apenas 14% dos candidatos ao primeiro ano foram aceites no MIT.
Não admitimos que nos roubem o futuro!!!!

Pré- aviso de greve

PRÉ-AVISO DE GREVE

Ao Ministério da Educação
Ao Ministério da Saúde
Ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social
Ao Ministério da Defesa Nacional
Ao Ministério da Justiça
Ao Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e das Pescas
Ao Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional
A todos os órgãos e serviços da Administração Pública
Aos Institutos Públicos com Autonomia
À Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo
À Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado
À Associação dos Colégios com Contrato de Associação
À Associação Nacional de Ensino Profissional
À Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade
À União das Misericórdias Portuguesas
À Secretaria Regional de Educação e Ciência da Região Autónoma dos Açores
À Secretaria Regional dos Assuntos Sociais da Região Autónoma dos Açores
À Secretaria Regional de Educação da Região Autónoma da Madeira
A todas as entidades interessadas

PRÉ-AVISO DE GREVE
17 E 18 DE OUTUBRO DE 2006
PROFESSORES E EDUCADORES PORTUGUESES
EM DEFESA DE UMA PROFISSÃO RESPEITADA E VALORIZADA

Nos termos da Lei, apresenta-se o Pré-Aviso de Greve para os dias 17 e 18 de Outubro de 2006, abrangendo todos os Docentes de todos os graus de ensino, com excepção do Ensino Superior, e com base nos seguintes fundamentos:

Os professores e educadores portugueses têm sido alvo, por parte do actual Governo e, em particular, do Ministério da Educação, de um violento ataque a aspectos essenciais da sua profissionalidade, que visa não só aniquilar direitos fundamentais inscritos no seu estatuto de carreira, mas também dinamitar direitos constitucionais consolidados em trinta e dois anos de democracia política. Junta-se a esta ofensiva uma inaceitável campanha política junto da opinião pública, com o intento de denegrir a imagem dos docentes, no seu conjunto, perante a sociedade e, dessa forma, abrir, demagogicamente, o caminho político e legislativo à ofensiva em curso.

As organizações sindicais abaixo-assinadas rejeitam e denunciam a ignomínia pública que o Governo vem lançando sobre o exercício da função docente, pondo em causa um bom exercício da actividade dos Professores e Educadores, a valorização do acto educativo e o bom nome a que aqueles têm direito.

A entrega, no dia 4 de Outubro, por parte do Ministério da Educação, de uma terceira versão de projecto de alteração do Estatuto de Carreira Docente não apresenta qualquer alteração às questões de fundo observadas nas duas versões anteriores da sua proposta e não responde a nenhuma das sete premissas apresentadas, pelas organizações sindicais abaixo-assinadas, no passado dia 28 de Setembro à senhora Ministra da Educação.

Perante o quadro anti-negocial e de grande retrocesso nas relações bilaterais para as questões laborais e educativas entre o Ministério da Educação e as Organizações Sindicais representativas dos professores e educadores portugueses, estas manifestam a sua profunda indignação e veemente protesto público, exigindo do Governo e do Ministério da Educação respeito pelas regras democráticas de diálogo e negociação com as organizações sindicais e respeito pelas normas reconhecidas na respectiva Convenção da OIT que têm sido profundamente desrespeitadas apesar de subscritas pelo Estado Português.

É em defesa de uma profissão digna, capaz de cumprir o papel social que lhe está atribuído, e da exigência de uma negociação efectiva de todas as matérias relacionadas com o Estatuto da Carreira Docente, pelo Ministério da Educação, e opondo-se à tentativa de golpear violentamente o estatuto profissional dos professores e educadores portugueses, que as organizações abaixo-assinadas, convocam uma Greve Nacional de Professores e Educadores, entre as zero horas do dia 17 de Outubro de 2006 e as vinte e quatro horas do dia 18 de Outubro de 2006.

Para os efeitos legais, caso as direcções executivas, usando os seus direitos, adiram à greve agora convocada, ficará responsabilizado pela segurança do edifício e de todas as pessoas que nele estejam o docente do quadro de nomeação definitiva mais antigo na escola, que não esteja em greve.
Lisboa, 5 de Outubro de 2006

As Organizações Subscritoras:

FENPROF – Federação Nacional dos Professores
FNE – Federação Nacional dos Sindicatos da Educação
SPLIU – Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades
SNPL – Sindicato Nacional dos Professores Licenciados
SEPLEU – Sindicato dos Educadores e Professores Licenciados pelas Escolas Superiores de Educação e Universidades
FENEI – Federação Nacional do Ensino e Investigação
ASPL – Associação Sindical de Professores Licenciados
PRÓ-ORDEM – Associação Sindical dos Professores Pró-Ordem
FEPECI – Federação Portuguesa dos Profissionais da Educação, Ensino, Cultura e Investigação
SIPPEB – Sindicato dos Professores do Pré-Escolar e do Ensino Básico
SIPE – Sindicato Independente dos Professores e Educadores
USPROF – União Sindical dos Professores
SINPROFE – Sindicato Nacional dos Professores e Educadores
SNPES – Sindicato Nacional dos Professores do Ensino Secundário

quarta-feira, outubro 11, 2006

Ioga na sala de aula



Marta Rangel 11.10.2006
Para fazer face à insatisfação que se instalou em muitos contextos escolares, surge uma nova proposta pedagógica: o ioga na educação. Em França começou a ser implantada há 33 anos e foi adoptada pelo Ministério da Educação.
A primeira experiência de ioga numa sala de aula aconteceu em França, em 1973. Quatro anos depois, em 1977, realizava-se a primeira demonstração oficial, no Collège Condorcet. Um ano mais tarde, foi fundado o RYE - Recherche Sur le Yoga Dans L'Éducation (Pesquisa sobre o Ioga na Educação).Micheline Flak, francesa, doutorada em Letras pela Universidade de Sorbonne, é o rosto por detrás da ideia. Na época, dava aulas em Paris. Por perto, encontrava-se também Maria Teresa Messeder, portuguesa. Estava a trabalhar na capital francesa, onde também vivia, quando conheceu Micheline Flak.Pouco tempo passou até se render ao ioga. Adquiriu formação e, quinze anos mais tarde, regressou a Portugal, trazendo consigo o RYE. Actualmente, é professora de Educação Visual no ensino especial, mas garante que esteve "sempre ligada à fundação e ao movimento". Apesar de admitir que, em Portugal, o projecto não teve uma implementação tão grande quanto desejaria, dá aulas de ioga e anima acções de sensibilização em várias escolas e junto de professores.Mais do que "uma alternativa de ensino" ou "proposta pedagógica", Maria Teresa Messeder considera que a Pesquisa sobre o Ioga na Educação é "uma resposta e uma necessidade no contexto escolar". Segundo a professora, "há um mal-estar instalado no contexto escolar, derivado do stress". Para ela, há "um zapping na vida que desorienta as pessoas" e que faz com que se esqueçam delas próprias. "As energias estão descontroladas e os professores não conseguem controlar os alunos porque eles próprios estão cansados e descontrolados", acrescenta.No site do RYE ( http://rye.free.fr ), esta situação está bem exemplificada: "Pede-se aos professores para acabarem programas sobrecarregados, mas não se faz absolutamente nada para desenvolver a memória. Costumamos dizer aos alunos 'presta atenção!', mas não os ensinamos a concentrarem-se". Por isso, Maria Teresa Messeder, baseando-se na filosofia do RYE, propõe introduzir técnicas de bem-estar na sala de aula, tanto para alunos como professores, tendo sempre em consideração uma interdependência estreita entre a mente e o corpo. Para poder "ajudar os alunos a ultrapassar o insucesso escolar", é preciso "ter em conta o corpo e não só o intelecto".O próprio nome "ioga" significa "união", totalidade entre o corpo e a mente. As técnicas do RYE sugerem, assim, "uma alternância entre o trabalho mental e exercícios físicos realizados na sala durante as aulas".Algumas técnicas de respiração, características do ioga, "ajudam a desenvolver a memória e a concentração, fazem uma limpeza cerebral, que ajuda a oxigenar o cérebro, e dão auto-confiança". Segundo o RYE, as crianças podem aprender a relaxar, a concentrar-se e a estimular as suas energias quando estão cansadas e a acalmar-se quando estão enervadas. Para Teresa Messeder, a forma como se respira pode estar também na origem do insucesso escolar, tanto da parte de professores, como de alunos: "uma pessoa que não respira bem, não tem autoconfiança", explica. "Mesmo pessoas que fazem muito desporto, nem sempre sabem respirar", acrescenta.Tal como a fundadora, Micheline Flak, Maria Teresa Messeder também considera que é preciso "encontrar formas de estar na vida". Sobretudo no meio escolar, "a maneira de transmitir saberes é tão ou mais importante como aquilo que se transmite".Nos próximos dias 4 e 5 de Novembro, Micheline Flak vai estar em Portugal para orientar uma conferência e um workshop sobre esta temática, no Porto. Se a participação na conferência e a adesão ao workshop continuarem a ter uma boa aceitação, Teresa Messeder pretende fundar o RYE Portugal. Para além da França, o movimento já existe em Itália, na Bélgica, Grécia, Alemanha, Noruega, Uruguai, Chile, Israel e Brasil.Para mais informações sobre a conferência, contactar Teresa Messeder através do e-mail teresa.messeder@gmail.com ou do telefone 22 618 12 27.

Greve - 17 e 18 de Outubro

Um quinto dos docentes portugueses desfilou em Lisboa, em defesa da dignidade profissional
"Categoria há só uma: Professor e mais nenhuma!" e "Pela negociação, contra a imposição" - estas foram duas das palavras de ordem que marcaram o ritmo da Marcha Nacional de educadores e professores realizada na tarde do dia 5 de Outubro, entre o Marquês de Pombal e o Rossio, em Lisboa.Cerca de 30 000 docentes nas ruas da capital - à volta de um quinto do total destes profissionais em serviço no País - responderam, com entusiasmo e determinação, ao apelo das 14 organizações de docentes e deram vida à maior manifestação de educadores e professores até hoje realizada em Portugal, como sublinharam os jornalistas (TV, Rádio e Imprensa) que acompanharam a Marcha.No Dia Mundial do Professor e no feriado evocativo de uma data gloriosa da nossa História, os docentes, em unidade, protestaram contra a tentativa de imposição de um novo Estatuto da Carreira Docente, que retira ou reduz direitos, salários, tempo de serviço, condições de trabalho e de exercício profissional.Como afirmou Paulo Sucena no gigantesco Plenário do Rossio, "ou o senhor secretário de Estado, no dia 12 de Outubro, modifica a sua atitude e admite um verdadeiro e real processo de negociação com as organizações sindicais, ou haverá greve nacional nos próximos dias 17 e 18 de Outubro, cujo pré-aviso será amanhã (6 Out.) entregue".E esse é o sentido da moção "Por um ECD que dignifique a profissão docente e reforce o seu prestígio social" aprovada por unanimidade e aclamação. Além da greve, os milhares de educadores e professores presentes manifestam "a sua disponibilidade para prosseguir a luta, sob a forma que, a cada momento, se mostrar mais adequada, com vista a impedir que o ME imponha autocraticamente o seu ECD".Ao plenário de encerramento da Marcha chegaram dezenas de mensagens de solidariedade enviadas por organizações sindicais nacionais e estrangeiras. Duas vozes solidárias (de Espanha e de Itália) apresentaram as suas saudações na tribuna do Rossio. / JPO

O prazer de ler

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terça-feira, outubro 10, 2006

Pedagogos Portugueses

Adolfo Coelho (Coimbra,15 Janeiro de 1847 - Carcavelos, 8 de Fevereiro de 1919). Teve uma infância repleta de dificuldades. Contava apenas 19 meses quando o seu pai morreu. Frequentou o liceu em Coimbra, tendo-se matriculado com 15 anos em Matemática na Universidade. Insatisfeito com o ambiente que aí encontrou, dois anos depois abandona os estudos universitários. Impôs então a si próprio um programa de estudos centrado em autores alemães, aprendendo para o efeito a língua alemã. Ao longo da sua vida realizou notáveis trabalhos em pedagogia, linguística, etnografia e antropologia. Foi professor no Curso Superior de Letras, onde ensinou Filologia Românica Comparada e Filologia Portuguesa e depois na Faculdade de Letras de Lisboa; Foi director da Escola Primária Superior de Rodrigues Sampaio, criada por sua iniciativa. Exerceu também actividades docentes na Escola Normal Superior de Lisboa. Participou em várias comissões de ensino médio e superior, como vogal ou presidente, tendo nessa qualidade elaborado importantes relatórios. Proferiu nas célebres Conferências do Casino, organizadas por Antero de Quental e Jaime Batalha Reis, a conferência "A Questão do Ensino"(1871). As suas concepções pedagógicas assentavam na convicção que através da educação seria possível regenerar o país. Combateu a submissão do ensino às ideias religiosas. Organizou um importante Museu Pedagógico na Antiga Escola do Magistério Primário de Lisboa. Obras sobre o ensino e pedagogia: A Questão do Ensino, Porto, 1872; A Reforma do Curso Superior de Letras, 1880; O trabalho manual da escola Primária, Lisboa, 1882; Secção de ciências étnicas. Esboço de um Progrma para o estudo antropológico, patológico e democrático do povo português. Lisboa. 1890; Os Elementos tradicionais da educação, Porto, 1883;Para a história da instrução popular, 1895; O ensino histórico, filologico e filosófico em Portugal até 1858, Coimbra, 1900; O Curso Superior de Letras e os Cursos de Habilitação par o Magistério Secundário, Lisboa,1908; de Letras Alexandre Herculano e o Ensino Público,Lisboa, 1910; Cultura e Analfabetismo, 1916. Obras póstumas: Para a História de Instrução Popular , Lisboa,1973, volume de textos organizados por Rogério Fernandes e editados pela FCG; Obras sobre Adolfo Coelho: Rogério Fernandes, As Ideias Pedagógicas de F. Adolfo Coelho, Lisboa, 1973; João da Silva Correia, Adolfo Coelho Pedagogo, artigo (1920); Vitorino Nemésio, Perfil de Adolfo Coelho, artigo,1948; Manuel Viegas Guerreiro, Introdução in, Cultura e Analfabetismo, Lisboa, 1984.

Adolfo Lima ( Lisboa,28 de Maio de 1874-Lisboa,27 de Novembro de 1943). Figura cimeira entre o notável grupo de pedagogos anarquistas portugueses, foi o principal inovador da pedagogia em Portugal no inicio do século XX, realizando experiências marcantes neste domínio, nomeadamente na Escola Oficina nº.1 e na Escola Normal de Benfica. Deixou uma enorme obra pedagógica ainda por estudar. Era oriundo de uma família nobre, mas recusou-se a usar o título de conde. Bacharel formado em direito pela Universidade de Coimbra, concluiu o curso em 1900. Entre 1902 e 1907 exerceu advocacia, mas nesta altura trocou esta actividade pela de professor, ingressando como pedagogo na Escola Oficina nº.1, transformando-a, como outros pedagogos anarquistas, na referência fundamental da escola nova em Portugal. Adolfo Lima fez da docência uma missão, acreditando que a mesma era o principal meio de transformação da sociedade. Foram inúmeras as instituições educativas onde colaborou, sempre com grande empenho e profundo saber. Foi professor livre de sociologia no curso livre de artes de representar na Associação da Classe dos Artistas Dramáticos (1908), nos serviços educativos da "Voz do Operário", na "Sociedade de Estudos Pedagógicos", na "Liga de Acção Educativa", mas também no ensino secundário particular em diversos colégios de Lisboa, no Liceu Pedro Nunes (1911-1923). Foi director interino e professor de metodologia da Escola Normal Primária de Lisboa (pediu a exoneração em 1921).Estes são alguns exemplos de uma actividade ininterrupta a favor da educação, apoiada num labor intelectual ainda por estudar. Após a ditadura implantada em 1926, acabou por ser preso em Outubro de 1927, devido a um processo que é movido contra a União do Professorado Primário, da qual era uma figura de referência. Publicou centenas de artigos em jornais e revista do tempo, apresentou importantes teses em conferências, congressos sobre educação e pedagogia. Foi o director da revista "Educação Social" (1924-1926), o primeiro responsável da secção portuguesa da Liga Internacional Pró-Educação Nova, tarefa que exerceu até à dat da sua prisão em 1927. Dirigiu e iniciou a Enciclopédia Pedagógica Progredir. Defensor da acção educadora do teatro (ver a sua conferência O Teatro na Escola, 1914), escreveu nesse sentido diversas peças de teatro, em especial para os alunos das escolas primárias. Está ainda ligado à iniciativa do "Teatro Livre". Traduziu também diversas peças de importantes autores, como Ibsen, Hauptmann, etc. Foi sócio e membro da Liga Nacional de Instrução, da Sociedade de Estudos Pedagógicos, Universidade Popular, Associação de Classe dos Artistas Dramáticos, correspondente oficial da revista francesa L`Education, de Paris (1921-1927).Adolfo Lima era defensor de uma pedagogia social ou sociológica, onde a educação estava ligada à realidade social. Foi igualmente o principal defensor da escola única, cabendo-lhe aliás a concepção das "escolas primárias superiores" em 1919, criadas por iniciativa de Leonardo Coimbra, de encerradas mais tarde por António Sérgio. Obras sobre o ensino e pedagogia: O Teatro na Escola,1914; Educação e Ensino-educação Integra,1914; O Ensino da "História", 1914; Metodologia, 2 volumes,1921 e 1932; Pedagogia Sociológica, 2 volumes, 1936; Obras sobre Adolfo Lima: António Candeias, António Nóvoa e Manuel Henriques Figueira, Sobre a Educação Nova: Cartas de Adolfo Lima a Álvaro Viana de Lemos (1923-1941), Lisboa, 1995; António Nóvoa, Adolfo Lima (1874-1943), in, Correio Pedagógico, 1988.
Agostinho Veloso Campos (Porto,1870-1944). Obras sobre ensino e pedagogia: Analfabetismo e Educação, 1903; Ensaios sobre Educação, 1911;Casa de Pais, escola de Filhos, 1916; Educação na Família, na Escola e na Vida, 1922.

Alberto Pimentel, Filho ( Lisboa, 21 de Novembro de 1875-?). Depois de ter frequentado a Escola Politécnica de Lisboa, matriculou-se, em 1892, na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, onde se formou em medicina, com as mais latas classificações, assim como um louvor de Sousa Martins pelos seus conhecimentos em Fisiologia. Colaborou em muitos jornais e revistas de Portugal e Brasil, onde teve a seu cargo uma página educativa no Diário de S. Paulo . Em Dezembro de 1923 é nomeado professor efectivo da Escola Normal Primária de Lisboa, regendo a cadeira de Pedagogia Gerla e História da Educação. Obras sobre Educação e Pedagogia: Lições de Pedagogia Geral e da História da Educação; Psicofisiologia; Pedologia, 2 volumes; Súmula Didáctica (I Parte); Breves Indicações acerca dos Testes de Binet e Simon (1932); Instruções sobre Jogos de Leitura (Portaria nº.3891), em colaboração com João da Silva Correia.

Almeida Garrett (1799-1854). Figura impar na literatura portuguesa, destacou-se igualmente na afirmação das ideias liberais em Portugal. A sua principal obra sobre educação, que ititulou justamente "Da Educação" foi escrita no êxilio, mas está incompleta, dado que era sua intenção escrever um verdadeiro "Tratado sobre Educação", onde daria conta de todos os passos do desenvolvimento de uma criança desde o nascimento até uma idade superior aos cem anos! Está dividida em três partes correspondentes à educação física, moral e mental. Apresenta também o Andiometro, uma escola de aquisições e prazeres humanos, inventada por Guilherme Jorres. É nítida a influência de Rousseau .Obras sobre o ensino e pedagogia: Da Educação, Londres, 1829.Obras sobre Almeida Garrett: Fernando Augusto Machado, Almeida Garret e a Introdução do Pensamento Educacional de Rousseau em Portugal, Rio Tinto, 1993.

Alvaro Viana de Lemos ( Lousã,1881-1972). Foi aluno no Colégio dos Jesuítas, em Campolide, e depois no Liceu de Coimbra. O seu percurso formativo é errático, como muita da sua actividade pedagógica. Concluiu o curso de bibliotecário-arquivista, frequentou economia política na Escola Politécnica, tendo-se inscrito também na Escola Colonial. Em 1919 é nomeado professor da Escola Normal de Coimbra( depois na Escola do Magistério Primário desta cidade).Leccionou igualmente na escola Normal de Lisboa, para além de outras instituições. É considerado o mais "internacional" dos pedagogos portugueses, a par de Faria de Vasconcelos, devido sobretudo aos seus contactos internacionais, foi amigo pessoal de A. Ferrière e C. Freinet. Viajou por toda a Europa, frequentou cursos artísticos na Bélgica (1908-9 e 1913), participou em Congressos Internacionais em Bruxelas (1911 e 1924), e na Suiça (1927). Foi o representante português na Internacional dos Trabalhadores de Ensino ( designação proposta no Congresso de Bruxelas de 1924, em alternativa à de Internacional dos Educadores), e na Liga Internacional Pró-Educação Nova. No campo pedagógico é uma referência incontornável no movimento da escola nova em Portugal, sobretudo como organizador da rede de contactos internacionais e publicista. Destacou-se também na divulgação das técnicas do pedagogo Célestin de Freinet. Como aconteceu à maioria dos militantes da educação nova, acabou por ser vitima da repressão do novo regime ditaturial implantado em 1926. Foi preso no verão de 1934. Obras sobre o ensino e pedagogia: A imprensa na escola. Vida nova: processos novos, in, Educação Social, 1926; Uma semana de trabalhos manuais,Coimbra, 1923; A Educação Nova no Congresso de Locarno e na reunião da cidade de Genebra do Centro Internacional de Educação, Lisboa, 1928; O espírito da Educação Nova-Nota breve sobre o moderno movimento renovador da educação, Coimbra, 1929; Trabalho manual escolar, Coimbra, 1929; Obras sobre Álvaro Viana Lemos: António Nova, Alvaro Viena Lemos (1881-1972), in, Correio Pedagógico, 1988; António Nova, Alvaro Viena Lemos: um pedagogo da educação nova, in, Arunce, 1990.

Alves dos Santos ( 1866-1924). Figura controversa, padre apóstata, monárquico convertido ao republicanismo, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É apontado como o principal autor da reforma do ensino primário de 1911. Pioneiro em Portugal da Psicologia Experimental, criou o primeiro laboratório nesta área. Conhecia em profundidade os principais psicólogos europeus do seu tempo, tendo privado com Henri Piéron (colaborador de Binet), cursou no Instituto Jean-Jacques Rosseau, em Genebra, com Edouard Claparède e Paul Godin. As suas ideias pedagógicas assentavam num pressuposto, comum a todo o republicanismo, a educação o principal factor de regeneração do país. Figura controversa, padre apóstata, monárquico convertido ao republicanismo, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É apontado como o principal autor da reforma do ensino primário de 1911. Pioneiro em Portugal da Psicologia Experimental, criou o primeiro laboratório nesta área. Conhecia em profundidade os principais psicólogos europeus do seu tempo, tendo privado com Henri Piéron (colaborador de Binet), cursou no Instituto Jean-Jacques Rosseau, em Genebra, com Edouard Claparède e Paul Godin. As suas ideias pedagógicas assentavam num pressuposto, comum a todo o republicanismo, a educação o principal factor de regeneração do país. Obras sobre o ensino e pedagogia: Estatística Geral da Circunscrição de Coimbra relativa ao ano de 1903-1904(1906); A nossa escola primária (o que tem sido, o que deve ser), (1910); O Ensino primário em Portugal nas suas relações com a história geral da nação (1913); Para a história do ensino público em Portugal( um documento importante), artigo (1916); O "crescimento"da criança portuguesa. Subsídios para a constituição duma pedologia nacional (1917); Educação Nova - As bases. O corpo da criança (1919); Assistência às crianças normais, de ambos os sexos, desde os 7 aos 18 anos, em perigo moral, artigo (1919-1921); Um Plano de Reorganização do Ensino Público- Projecto Lei (1921); Laboratório de Psicologia Experimental, artigo (1922-1925); A Medida em Psicologia, artigo (1922-1925); Psicologia Experimental e Pedagogia ( Trabalhos, observações e experiências realizadas no Laboratório) (1923). Obras sobre Alves dos Santos: Álvaro Garrido, A Utopia pedagógica de Alves dos Santos (lente republicano: 1866-1924), (1998)

António da Costa (1824-1892). Binesto de Marques de Pombal. Fez os seus estudos em Lisboa, no Colégio do Dr. Cicouro, matriculando-se depois na Faculdade de Direito de Coimbra, em 5 de Outubro de 1842. Em 1846 alista-se no Batalhão Académico, regressado à Universidade após a Convenção de Gramido, prossegue os seus estudos concluido o bacharelado em 1848. É nomeado secretário-geral do Distrito de Leiria, em 1851. Publica nesta fase a conhecida obra "Estatísticas do Distrito Administrativo de Leiria" (1851). Em Setembro de 1853 funda o Centro Promotor de Instrução Primária, que tinha por missão criar escolas nocturnas no distrito de Leiria. Funda igualmente o jornal O Leirense (1854). É eleito deputado às Cortes por Leiria (1857-58). Exerce o cargo de Comissário Régio no Teatro Nacional D. Maria II (1860-61). A 26 de maio de 1870, na sequência do golpe millitar vitorioso do seu tio, o marchal Saldanha, integra o novo governo como ministro e secretário de estado dos negócios da marinha e ultramar. Por sua iniciativa é criado o Ministério dos Negócios da Instrução Pública, cuja respectiva pasta é-lhe confiada. Foi por isso o primeiro ministro do primeiro ministério da Instrução Pública de Portugal. Este Mnistério durou apenas dois meses. Defendeu a difusão do ensino, elaborando uma reforma geral da instrução primária. Propôs a descentralização das escolas primárias, a criação de escolas para adultos e bibliotecas populares, e outras medidas que o tornaram numa referência entre os políticos que se ocuparam da educação. Colaborou activamente na Revista de Educação e Ensino, fundada por Manuel António Ferreira Deusdado. Obras sobre o ensino e pedagogia: Necessidade de um Ministério de Educação Pública, Lisboa, 1868; História da Instrução Popular em Portugal desde a fundação da monarquia até aos nossos dias, Lisboa, 1871; Auroras da instrução pela iniciativa particular, Lisboa, 1884.Obras sobre António da Costa: Joaquim Ferreira Gomes, Estudos de História e da Pedagogia, Coimbra, 1984.

António Feliciano de Castilho (Lisboa,28 de Janeiro de 1800 - Lisboa, 18 de Novembro de 1875). Ficou cego quando contava apenas 6 anos, estudou com o seu irmão Augusto Frederico de Castilho, tendo com ele frequentado e formado em Cânones pela Universidade de Coimbra. Desde muito cedo se dedicou à poesia. Em S. Mamede de Castanheira do Vouga, onde se irmão fora nomeado prior, permaneceu oito anos, durante os quais traduz Ovídio e escreve poesia. Mudou-se depois para a Madeira, acompanhado o seu irmão, e onde casou pela segunda vez. Data desta altura os seus Quadros Históricos de Portugal(1834-1841) . Regressa ao continente em 1841, fundando no ano seguinte a Revista Universal Lisbonense que dirige até 1845, lança a celebre colecção literária a "Livraria Clássica Portuguesa" (25 volmes publicados). A partir de 1841 começa a interessar-se pelos problemas da instrução. Cria então um novo método para aprender a ler, que denomina "Método Português". Em 1847 parte para os Açores, onde fica até 1850, realizando com Luís Filipe Leite, uma importante obra no campo da instrução. Funda uma tipografia e o jornal ( Agricultor Micaelense), promovendo uma activa acção de divulgação cultural. Escreve Felicidade pela Agricultura, e Noções Rudimentares para Uso das escolas. Cria ainda nos Açores diversas escolas onde ensaia o Método de Leitura Repentina. Após ter regressado a Lisboa, em 1850, lança-se numa activa campanha para promover o seu método de ensino, envolvendo em inúmeras polémicas, nomeadamente com os professores primários. Em 1853 é nomeado Comissário Geral da Instrução Primária. Em 1855 desloca-se ao Brasil onde procura difundir o seu método. Em 1865 envolve-se na mais conhecida polémica literária, em Portugal, no século XIX, "A Questão Coimbrã", combatendo Antero de Quental e Teófilo de Braga. Obras sobre o ensino e pedagogia: Noções Rudimentares para uso das escolas, Ponta Delgada, 1849; Leitura Repentina, Lisboa, 1850; Tratado de Mnemónica para aprender muito em pouco tempo, Lisboa, 1851;Tosquia de um Camelo, 1853; Ajuste de Contas com os Adversários do Método Português, Coimbra, 1854; Felicidade pela Instrução, Lisboa, 1854; Resposta aos novíssimos Impugnadores do Método Português, Lisboa, artigos publicados no Diário do Governo entre 1856 a 1857; Método Português (4ª. edição da leitura Repentina), Lisboa, 1857.

Bernardino Machado(Rio de Janeiro, 1851-Porto, 1944). Veio para Portugal ainda em Criança. Doutorou-se em matemática pela Universidade de Coimbra, onde foi professor até 1907, quando teve que se demitir por ter participado numa greve académica. Aderiu ao Partido Republicano em 1902, sendo duas vezes presidente da República (1915/1917 e 1925/1926). Obras sobre o ensino e pedagogia: O estudo da Instrução Secundária entre Nós, Coimbra (1882); Necessidade de um Ministério de Instrução Pública, Lisboa, 1886; Instrução Pública, Lisboa, 1890; Introdução à Pedagogia. Congresso Hispânico-português-americano, Lisboa, 1892; A Conservação do Ministério da Instrução Pública: Discurso Parlamentar, Lisboa, 1892; A Crise Política e Financeira e o Ensino, 1893; A Socialização do Ensino, 1897; O Ensino, 1898; A Educação (notas d` um pai), 1899; O Ensino Primário e Secundário, Coimbra, 1899; O Ensino Profissional, Coimbra, 1900; A Universidade e a Nação, 1904; Obras sobre Bernardino Machado: Jaime Cortesão, Elogio Histórico de Bernardino Machado, Rio de Janeiro,1945; Alzira M. Rosa, Bernardino Machado, Protagonista da Mudança,Famalicão, 1990;

Casimiro Freire ( Pedrogão Pequeno, 1843-Lisboa,1918). Oriundo de uma família humilde da Beira Baixa, emigrou muito cedo para Lisboa, onde se tornou um próspero comerciante e industrial. Republicano, foi um devoto à causa da educação. Em 1881, nas páginas do recém criado jornal O Século, denúncia a incúria dos governos monárquicos para combater o analfabetismos no país. Propôs então que fossem enviados aos mais reconditos lugares, missões de professores habilitados no método de João de Deus, e ensinassem o povo a ler e escrever. Em 1882 fundou a Associação de Escolas Móveis pelo Método de João de Deus. Estas escolas funcionaram até 1921, tendo sido frequentadas por perto de 30.000 alunos. Obras de Casimiro Freire: A Instrução do Povo e o Método de João de Deus , 1897. Obras sobre Casimiro Freire: AAVV-Um Apostolo da Instrução Popular, Lisboa, 1923; Salvado Sampaio, "Escolas Móveis, in, Boletim Bibliog. e Inform. do Centro Invest. Pedagógica da Fundação Gulbenkian, 1969.

Delfim Santos (Porto, 6 de Novembro de 1907-25 de Setembro de 1966). Filho único varão de um laborioso ourives, estava em princípio destinado a seguir o ofício paterno. Em 1922 após a morte do pai assume a responsabilidade pelo sustento familiar, ficando à frente da sua oficina. Um ano depois devido, resolve prosseguir os seus estudos. Revelando uma notável inteligência, mas também força de vontade, em 1927 terminava já o curso complementar de ciências, e depois de letras, matriculando de seguida na faculdade de Letras do Porto. em 1931 conclui a licenciatura em ciências históricas e filosóficas pela faculdade de Letras da Universidade do Porto, com as mais elevadas notas. Enquanto frequentava esta licenciatura, inscrevera-se também em cadeiras de Filologia Clássica, e na Faculdade de Ciências, em cadeiras da secção da secção de Ciências Matemáticas. Conclui o estágio e o Exme de Estado para professor liceal (1932-34), resolvendo especializar-se em Filosofia no estrangeiro. Neste sentida, em Viana estuda Filosofia das Ciências, assiste a cursos e conferências de reputados mestres como Piaget, Husserl, Heisenberg, etc. Em Berlim, ouve N. Hartmann. Em Londres e em Cambridge cursa com ilustres professores. Regressou a Portugal em 1937, sendo nesse ano nomeado leitor na Universidade de Berlim, onde permanecerá até 1942, contactando directo, em Friburgo com o pensamento de M. Heidegger. Em 1940 doutora-se na Universidade de Coimbra. Em 1943 passa a integrar o corpo docente da Faculdade de Letras de Lisboa, onde virá a ocupar até á data da sua morte a catedra de Ciências Pedagógicas. Em 1963 passa a dirigir o Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Calouste Gulbenkian. Obras sobre o ensino e pedagogia:
Faria de Vasconcelos ( Castelo Branco,2 de Março de 1880-1939).Filho e neto de magistrados, realizou os seus estudos secundários no Colégio do Norte, dirigido pelos padres do Espírito Santo. Em 1896 ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde obtém o grau de bacharel em 1901. Bo ano lectivo de 1902-1903 matricula-se na Fac. de Ciências Sociais da Universidade Nova de Bruxelas, onde obtém uma "candidature em sciences". Inscreve-se depois no "premier doctoract en sciences sociales", doutorando-se em 1904, com uma tese intitulada "Esquisse d`une théorie de la sensibilité sociale". No ano lectivo de 1912-1913 surge como director da "École Nouvelle", de Bierges-lez -Wavre que fundara, em Outubro de 1912, no Château des Vallées. Nesta escola aplica e desenvolve os princípios da escola nova, como eram defendidos por John Dewey, G. M. Kerchenens-Teiner, E. Claparède, A. Ferrière e outros. Em 1912 torna-se membro da "SociétèBelge de Pedotechnie". Em virtude ter deflagrado a guerra, em Agosto de 1914, abandona a Bélgica e fixa-se em Genebra, onde em 1912, E. Claparède, P. Bovet e A. Ferrière havima craido o "Institut Jean-Jacques Rousseau. Colabora com Claparède no Laboratório de Psicologia Experimental, onde rege um curso de pedagogia. Secretaria o "Bureau International des Écoles Nouvelles", craido por A. Ferrière em 1899.Por indicação deste e de Claparède, respondendo a um pedido do Ministério da Saúde e Beneficiência de Cuba vai para Havana (1915), com o objectivo de aí fundar uma escola nova. Em 1917 deixa Cuba integrado numa missão educativa Belga, trabalhando diversos da América latina, sobretudo na Bolívia. Em 1920 regressa à Portugal participando na Universidade Popular Portuguesa, na fundação da revista "Seara Nova" (1921), e ingressando na Escola Normal Superior da Universidade de Lisboa. Em 1922 passa a reger a cadeira de Psicologia Geral. Em 1925 é nomeado para director do então criado Instituto de Orientação Profissional Maria Luísa Barbosa de Carvalho.Em 1930, com Aurélio da Costa Ferreira, cria o efémero Instituto de Reeducação Mental e Pedagogia. Em 1933 na Livraria Clássica Editora cria a Biblioteca de Cultura Pedagógica, para a qual escreverá 15 volumes. Obras sobre o ensino e pedagogia: O ensino ético-social das multidões, Lisboa, 1902; La psychologie des foules infantiles,Bruxelas, 1903; Une école nouvelle en Belgique, Neuchatel e Paris, 1915; Problemas escolares, Lisboa, 1921 e 1929; Lições de pedalogia e pedagogia experimental, Lisboa, 1923; Didáctica das ciências naturais, Paris-Lisboa, 1923; Lições de Psicologia Geral, Lisboa, 1924; Ensaio sobre a psicologia da intuição, Lisboa, 1922; O Instituto de Orientação Profissional Maria L. B. de Carvalho, Lisboa, 1926;Problemas escolares, Lisboa, 1935, etc.Obras sobre Faria de Vasconcelos: Joaquim Ferreira Gomes, Estudos de História e da Pedagogia, Coimbra, 1984;

Félix Henriques Nogueira ( Dois Portos-Torres Vedras, 1825-Lisboa,1858). Obra sobre o ensino e pedagogia: Estudos para a Reforma em Portugal, 1851. Obras sobre Félix Henriques Nogueira: Luís de Albuquerque, Notas Para a História do Ensino em Portugal, Coimbra, 1960.

Irene Lisboa (Arruada dos Vinhos, 1892-Lisboa,1958).Após ter realizado os seus estudos na escola normal primária de Lisboa, exerce a actividade de professora no ensino primário e no ensino infantil. Ingressa depois no sector de apoio pedagógico da Inspecção do Ensino Primário e Infantil. Especializa-se em educação na Suiça ( Genebra) e na Bélgica (Bruxelas). Devido as suas convicções políticas foi afastada pelo Estado Novo é colocada compulsivamente na secretaria da Junta de Educação Nacional de que fora bolseira, depois forçada a aposentar-se. Apesar de uma extensa obra literária e uma carreira brilhante como professora, são raros os seus trabalhos publicados sobre ensino ou pedagogia. Obras sobre Irene Lisboa: Paula Mourão, Irene Lisboa -Vida e Escrita, Lisboa, 1989; Violante Florêncio, A Literatura para crianças e jovens em Irene Lisboa, Porto, 1995; AA.VV, Colóquio-Letras, nº. 131 , Voltar a Irene Lisboa, Jan/Março 1994; Irene Lisboa-1892-1958, Catálogo da IBNL


João de Deus (S. Bartolomeu de Messines, 8 de Março de 1830- Lisboa, 11 de Janeiro de 1896).Entrou para a Universidade de Coimbra em 1849, onde se formou em Direito (1859); Notável poeta, publicou a sua primeira colectânea de poemas em 1868, "Campo de Flores". Exerceu actividade de jornalista no jornal O Bejense (Beja). Em 1868 foi eleito deputado pelo circulo de Silves, passando a viver em Lisboa onde faleceu. Em 1876 publicou a célebre Cartilha Maternal, que rapidamente se tornou no método de iniciação à leitura preferido pelos professores portugueses. Obras sobre educação e pedagogia: Cartilha Maternal; Apostalado; Deveres dos filhos para com os pais;

João de Deus Ramos ( Lisboa,1878-1953).Com base na experiência das Escolas Móveis criadas por Casimiro Freire, fundou as escolas infantis, designadas por Jardim Escola João de Deus. A primeira abriu em Lisboa junto ao Jradim da Estrela, onde ainda hoje se encontra em pleno funcionamento. Obras sobre educação e pedagogia: A Reforma da Instrução Primária, 1911; A Reforma do Ensino Normal, 1912; O Estado Mestre Escola e a Necessidade das Escolas Primárias Superiores, 1924; A Criança em Portugal antes da Educação Infantil, 1940;
João de Barros Obras de João de Barros: A Escola e O Futuro, Porto, 1908; A Nacionalização do Ensino, Porto, 1911; A Reforma da Instituição Primária ( Com João de Deus Ramos), Porto, 1911; A Educação Moral na Escola Primária, Bases em que deve assentar, in, Terceiro Congresso Pedagógico (1912), Lisboa, 1913; A educação moral na escola primária, Paris-Lisboa, 1914; A república e a escola, Paris-Lisboa, 1914(s/d); educadores republicanos, Paris-Lisboa, 1916; Um grande educador-João de Deus Ramos e a obra dos Jardins-escolares, Lisboa, 1933; etc. Obras sobre «João de Barros: Alberto Filipe Araújo, O "Homem Novo" no discurso pedagógico de João de Barros, Braga, 1997;Rogério Fernandes, João de Barros-Educador Republicano, Lisboa, 1971;
José Augusto Coelho ( Sendim, Tabuaço, 2 de Janeiro de 1850-?). Fez os seus estudos no Seminário de Lamego, onde em 1867 se matriculou no Curso Teológico. Leccionou depois no Colégio do Porto. Em 1875 matriculou-se na Faculdade de Teologia em Coimbra, mas abandonou-a passado três meses. Regressou ao Porto, onde voltou a leccionar, tendo-se dedicado também ao jornalismo. Foi nomeado, em 1892, professor da escola normal masculina do Porto, tendo aqui permanecido até1894. Neste ano é transferido para a Escola Normal de Lisboa, sexo masculino. Em 1903, é nomeado director da escola normal feminina de Lisboa. Nesta altura é ainda nomeado Vogal do Conselho Superior de Instrução Pública, lugar que abandonou em 1910. Possuidor de uma vasta cultura, procurou alicerçar a pedagogia segundo bases científicas, sob influência do positivismo, nomeadamente de Herbert Spencer. Colaborou em muitos jornais e revistas, foi um dos grandes animadores da Academia de Estudos Livres. Obras sobre educação e pedagogia: Princípios de Pedagogia, 4 volumes, Porto, 1892/93; Elementos de Pedagogia; Organização geral do ensino aplicável ao estado actual da nação portuguesa, Porto, 1896; O ensino inicial da leitura, Lisboa, 1898; Elementos de Pedagogia para Uso dos Alunos das Escolas Normais Primárias; Manual Prático de Pedagogia para usos dos professores em geral e em especial dos professores de ensino de ensino médio e primário, Porto, 1901; Noções de pedagogia elementar em harmonia com o programa oficial, Lisboa, 1907 (2ª. edição); A reforma do Ensino Primário, Porto, 1909; Obras sobre José Augusto Coelho: Joaquim Ferreira Gomes, A Educação Infantil em Portugal, Coimbra, 1977.

Luís Filipe Leite (1828-1898). Fez os seus estudos secundários Ponta Delgada, onde conheceu Feliciano de Castilho. Veio para Lisboa em 1845, tendo participado na Revolta da Patuleia. Em 1854 foi nomeado director da Escola Normal Primária de Lisboa (Marvila), onde introduziu importantes reformas. Foi um grande defensor do método de Castilho. Em 1870 participou na comissão criada por D. António Costa para fundar bibliotecas populares.Colaborou activamente em muitos jornais e revistas, como O Panorama, Arquivo Pitoresco, Revista de Instrução Pública para Portugal e Brasil. Obras sobre o ensino e pedagogia: Ramalhetinho da Puerícia. Deveres das Meninas, Lisboa, 1854; Ramalhetinho da Puerícia. Deveres dos Meninos. Noções Preliminares. O Giraldinho, Lisboa, 1854/59; Exercícios de Leitura Manuscrita para usos das escolas pelo método português, Lisboa, 1854; Do ensino nacional em Portugal, Coimbra, 1892 (tese apresentada no Congresso Pedagógico Hispano-Português-Americano, em Madrid, neste ano)..

Manuel Antunes (Sertã, 13 de Março de 1918 -Lisboa, 18 de Janeiro de 1985). A sua vida confunde-se com a sua vocação religiosa, e o espírito de missão como encarava a docência e o labor filosófico. Entrou para a Companhia de Jesus em 1936. Após ter feito os estudos de humanidades ingressou em Filosofia, licenciando-se com uma dissertação que intitulou "Panorama da Filosofia Existêncial de Kierkegard e Heidegger. Licenciou-se depois em Teologia, em Granada. Ensinou língua e literatura grega e latina no Curso Superior de Letras da Companhia de Jesus, durante cerca de oito anos. Em 1957 começa a leccionar na Faculdade de letras de Lisboa, na cadeira de História da Cultura Clássica e História da Civilização Romana. Entre 1974-1978 coordena diversos seminários ( O Pensamento Político de Platão, O Pensamento Político de Aristóteles, Platão e o Platonismo, O Pensamento Filosófico em Portugal no Séc. XX). A partir de 1978 ensina Ontologia na secção de Filosofia desta Faculdade. Espírito aberto, de tendências ecléticas, sabia como ninguém efectuar análises profundíssimas dos conceitos centrais da cultura clássica, mas também realizar sobre os mesmos sínteses magistrais. Ao longo de décadas publicou centenas de artigos em publicações como a revista Brotéria, que dirigiu, a Revista Portuguesa de Filosofia, a Revista da Faculdade de Letras, a Euphrosyne, para além de centenas de entradas na Verbo- Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Obras sobre o ensino e pedagogia: Educação e Sociedade, 1973. Obras sobre Manuel Antunes: Manuel Patrício, Notas sobre o pensamento pedagógico de Manuel Antunes, in. Brotéria, 1985.

Mário de Oliveira. Professor primário, muito activo nas associações de classe e na imprensa pedagógica, em especial na de tendências anarquistas. Destaca-se no final dos anos vinte na defesa da escola única, num artigo com o mesmo nome publicado numa revista de que foi o fundador, Educação. Participou regularmente na revista O Professor Primário e mais tarde n`O Educador. Foi o autor do único livro sobre esta temática. Obras sobre o ensino e pedagogia: A escola única. Uma nova ideia pedagógica-social, Lisboa, 1933.