sexta-feira, novembro 17, 2006
Assuntos de interesse - Publicações

A necessidade de acautelar as pessoas e os bens de um importante grupo demográfico, assegurando, tanto quanto possível, a estabilidade e a reprodução sociais levou, desde tempos remotos, à criação de instituições específicas para acolher as crianças órfãs. Em Portugal, as instituições para órfãos florescem a partir de Quinhentos, com a criação do colégio de Lisboa, seguido de outras nas principais cidades do reino nos séculos posteriores. As estratégias desenvolvidas em torno dos alunos variaram, ao longo dos tempos, de instituição para instituição. A capacidade de adaptar o projecto educativo às necessidades das comunidades onde se inseriam ditou a sobrevivência de cada um dos colégios, fazendo com que a sua influência se pudesse prolongar num espaço e num tempo substancialmente diferentes.
Data de Publicação: 01-10-2006

A imigração é um dos temas que, espontaneamente, os cidadãos europeus citam como exemplo de questão que deveria ser objecto de uma acção concertada mais aprofundada a nível da União Europeia.
De certo modo, pode dizer-se que a percepção dos fenómenos migratórios, por parte da opinião pública nos países europeus, é muito clara no sentido de compreender que já não se mostram suficientes as soluções puramente nacionais. Como fenómeno global, exige respostas globais. Tanto na vertente da regularização dos fluxos migratórios como no plano da integração dos imigrantes nas sociedades europeias para onde vêm viver e trabalhar e para onde trazem as suas famílias.
Desde há vários anos que a União Europeia, com particular destaque para a acção da Comissão e do Parlamento Europeu, tem vindo a desenvolver políticas de imigração nessas duas vertentes, a das políticas de admissão e as de integração. A adopção de legislação europeia e a definição de regras de cooperação administrativa, entre os Estados membros da União, representam uma experiência única de regulação regional dos fluxos migratórios.
No ano em que as Nações Unidas escolheram a ligação da imigração e do desenvolvimento como tema da recente Assembleia Geral, parece particularmente oportuno fazer o balanço do contributo da União Europeia e perspectivar os desafios e as linhas de evolução futura destas políticas no âmbito europeu.
Num contexto onde as preocupações de segurança têm um impacto directo sobre as próprias políticas de imigração e onde as diferenças culturais estão no centro das atenções de todos os que curam da coesão das nossas sociedades, cabe à União Europeia assumir um protagonismo activo na promoção da cooperação entre os Estados e na mobilização da sociedade civil para as tarefas do diálogo entre culturas e da integração bem sucedida dos imigrantes nos vários países europeus.
Ninguém melhor do que o mais alto responsável por estas políticas no âmbito da Comissão Europeia, o Vice-Presidente Franco Frattini, para suscitar esta reflexão e este debate no âmbito do Fórum Gulbenkian Imigração.
Programa
15:00
Abertura
Emílio Rui Vilar
Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian
António Costa
Ministro de Estado e da Administração Interna
15:20
Políticas da União Europeia de imigração
e integração de imigrantes
Apresentação
António Vitorino
Comissário do Fórum Gulbenkian Imigração
Conferência
Franco Frattini
Vice-Presidente da Comissão Europeia e Comissário com o pelouro da Justiça, Liberdade e Segurança
Debate
16:30
European Programme for Integration and Migration (EPIM)
Apresentação do Projecto
Françoise Pissart
Presidente do Steering Committee do EPIM
Intervalo
17:15
Plataforma sobre Políticas de Integração
e Acolhimento de Imigrantes
Apresentação da Plataforma
Emílio Rui Vilar / Isabel Mota
Cerimónia de Assinatura da Plataforma
e do Acordo de Adesão
18:15
Encerramento
Governo maltrata professores...
Os secretários-gerais das duas centrais sindicais solidarizaram-se hoje com o protesto dos professores junto ao Ministério da Educação (ME), acusando o Governo de maltratar os docentes e comprometer a qualidade do ensino.
Manuel Carvalho da Silva e João Proença, responsáveis máximos da CGTP-IN e UGT, respectivamente, marcaram hoje presença no segundo dia de vigília promovida pelos 14 sindicatos de professores, e que termina sexta-feira, incentivando-os a continuar a luta.
"A vossa luta é extraordinariamente importante. Lutem pelas vossas carreiras, pelas vossas profissões. Os professores não aceitam estas propostas do Governo porque elas são injustas", afirmou Carvalho da Silva, acusando o ME de ter uma "visão economicista neo-liberal" que tem como único objectivo a redução dos gastos no sector.
Para a CGTP, o Executivo socialista "insiste em maltratar os professores", em vez de se concentrar no combate ao insucesso e ao abandono escolar, objectivos que afirma estarem presentes apenas no discurso dos governantes.
Também João Proença, secretário-geral da UGT, foi hoje prestar solidariedade aos docentes, considerando que "esta é uma luta por melhores condições de vida e de trabalho, mas também por uma melhor Educação em Portugal".
"O Governo tem posto em causa a dignidade de todos os professores. Trata-os como se fossem todos abusadores e maus profissionais. Confunde a excepção com a regra", acusou o sindicalista, salientando que "a defesa de uma escola pública de qualidade não pode ser feita sem a mobilização dos docentes".
A revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD) promovida pelo ME foi igualmente alvo de críticas por parte da UGT, que considera que "o Governo encara a negociação como um mero ritual que tem de cumprir, não tendo qualquer espírito de abertura e procura de consensos".
Além dos responsáveis da CGTP e UGT, também os dirigentes do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado, da Frente Comum e da Frente Sindical da Administração Pública (Fesap) se solidarizaram com os professores, marcando presença no segundo dia da vigília, que termina às 12:00 de sexta-feira.
Um plenário de professores e educadores no Alto do Parque Eduardo VII e a realização de um cordão humano junto ao Ministério da Educação concluem mais esta jornada de contestação.
O novo ECD, que a tutela quer aplicar a partir de 01 de Janeiro, já motivou a realização de duas greves e duas manifestações nacionais, a última das quais a 05 de Outubro, Dia Mundial do Professor, que reuniu em Lisboa mais de 20 docentes.
Estatuto da Carreira Docente já provocou duas greves e outras tantas manifestações
Professores continuam luta.
Teresa Sousa 2006-11-16
O Prémio Pitágoras será atribuído em 2007 ao professor com mais originalidade e eficácia.
A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) decidiu premiar as melhores práticas na disciplina. O Prémio Pitágoras é dirigido a professores dos ensinos Básico e Secundário com mais de cinco anos de actividade lectiva.A iniciativa, que conta com o patrocínio do Banco Espírito Santo e o apoio do jornal Público, pretende distinguir as abordagens mais inovadoras na docência da Matemática. O prémio, que tem uma periodicidade anual, será atribuído, pela primeira vez, em Junho de 2007. De acordo com o regulamento, podem concorrer professores do 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário. Mas só serão aceites candidaturas através de nomeação de terceiros. Isto é, os docentes a concurso terão que ser indicados por um conselho executivo, por grupos de professores ou alunos de uma escola.A SPM irá assim distinguir, com um prémio anual no valor de 10 mil euros, um docente que se destaque pela "qualidade excepcional, originalidade e eficácia da sua prática lectiva". As candidaturas terão que ser entregues até ao final do próximo mês de Janei
Adultos sem 12.º ano podem ter equivalência
Marta Rangel 2006-11-16
A partir de Janeiro, os adultos com mais de 18 anos que não concluíram o Ensino Secundário vão poder obter equivalência ao 12.º ano. A medida foi apresentada ontem pelos ministérios da Educação e do Trabalho e da Solidariedade Social.
Para obter um certificado equivalente ao 12.º ano, o interessado terá de se dirigir a um Centro de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências e provar que adquiriu conhecimentos ao longo da vida pessoal e profissional, que nunca foram reconhecidas legalmente.A duração do processo depende das competências que o candidato mostre ter em três áreas-chave: Cidadania e Profissionalidade; Sociedade, Tecnologia e Ciência; Cultura, Língua e Comunicação. De acordo com o Referencial de Competências-Chave para a Educação e Formação de Adultos - Nível Secundário apresentado ontem, em Lisboa, pelo Ministério da Educação e pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, para obter o diploma de equivalência ao 12.º ano são precisos, no mínimo, 44 créditos distribuídos pelas três áreas e relativos a 88 competências. Cada crédito corresponde a cerca de 12 horas de trabalho, dedicadas ao reconhecimento e validação de uma competência em determinado domínio. O candidato pode comprovar as suas capacidades através de actividades como uma exploração autobiográfica, elaboração de materiais, conversa com técnicos e formadores ou assistência a formações. Depois, terá de realizar um portefólio onde constem as experiências que considere relevantes para a certificação das competências.O dossier será, de seguida, analisado pelos técnicos dos centros e, consoante a avaliação, o candidato poderá ter de fazer uma formação complementar de curta duração ou um programa mais longo. O processo termina com a apresentação e discussão do portefólio a um júri que, se aprovar, valida as competências e emite o certificado de equivalência ao Ensino Secundário. Dos 270 centros de reconhecimento que já podiam dar certificados equivalentes ao Ensino Básico, 60 já foram seleccionados para certificar adultos e, a partir de Janeiro, vão passar a designar-se Centros de Novas Oportunidades.Segundo a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, "esta é uma nova oportunidade para os adultos que não tiveram oportunidade de se qualificar no seu tempo e que acumularam experiências e competências e para os adultos mais jovens para quem a escola terá sido uma decepção". De acordo com o Ministro do Trabalho e Solidariedade Social, Vieira da Silva, existem em Portugal 3,5 milhões de trabalhadores activos que têm um nível de escolaridade inferior ao 12.º ano e que destes, 2,6 milhões têm no máximo o 9.º ano. Para além disso, Vieira da Silva acrescentou que cerca de 485 mil jovens entre os 18 e os 24 anos estão a trabalhar sem terem concluído os 12 anos de escolaridade, dos quais 266 mil não chegaram a concluir o 9.º ano."Esta é uma estratégia fundamental para o desenvolvimento e competitividade económica do país. Valoriza-se a experiência tendo em vista a obtenção de qualificação", afirmou o ministro, no dia em que anunciou a criação da Agência Nacional para a Qualificação, responsável por coordenar a rede de Centros Novas Oportunidades.
quarta-feira, novembro 15, 2006
VIGÍLIA DE 48 HORAS CONTÍNUAS
Em frente ao Ministério da Educação
Realiza-se a partir de amanhã, 15 de Novembro, um vigília convocada pela Plataforma Sindical para o ECD. Esta Vigília integra-se no plano de acção aprovado pelas organizações sindicais de professores e educadores no combate contra a proposta do Ministério da Educação para rever o ECD e tem em vista alertar a opinião pública para um conjunto de aspectos que são objecto de desacordo dos professores e educadores.
Simultaneamente decorrem acções no local da vigília durante as 48 horas de permanência em frente ao ME, tais como:
- Espectáculos de solidariedade dos Grupos:
· de Fados, Baladas e Música de Intervenção de Coimbra que irão interpretar obras de Carlos Paredes, José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Luiz Goes, entre outros;
· Tony Fernandes
· Arruada de Bombos da Póvoa do Varzim
- Declarações de Apoio à luta dos Professores e Educadores de: Manuel Carvalho da Silva (Sec. Geral da CGTP-IN); João Proença (Sec. Geral da UGT); Ana Avoila (Coordenadora da Frente Comum); Betencourt Picanço (Presidente do STE); Nobre dos Santos (Coordenador da FESAP)
- Declarações sobre a situação dos professores dos Deputados Ricardo Gonçalves (PS), Emídio Guerreiro (PSD), Luísa Mesquita (PCP); Cecília Honório (BE); Madeira Lopes (Os Verdes)
- Intervenções de Solidariedade de Santana Castilho, Director da revista ‘Pontos nos ii’, e de José Paulo Serralheiro, Director do jornal ‘A Página da Educação’.
- Construção de um muro que simbolizará o autismo, o autoritarismo e a falta de capacidade negocial do ME perante as propostas das organizações sindicais.
A Vigília termina às 15.00 horas de 17 de Novembro (6.ª Feira) e é seguida de um Plenário que se transformará num Cordão Humano que se desloca para o Ministério da Educação.
Os horários de saída dos Transportes para o Plenário e Cordão Humano, na 6.ª feira são os seguintes:
AVEIRO – 9.00 HORAS – Junto às Bombas de Gasolina da BP (Pav. Dos Galitos)
CASTELO BRANCO – 10.00 HORAS - Escola João Roiz
COVILHÃ – 9.00 HORAS - Tribunal
FUNDÃO – 9.30 HORAS – Café Cine
COIMBRA – 10.00 HORAS – Praça da República
GUARDA – 9.30 HORAS – Jardim José de Lemos (frente ao antigo quartel)
LEIRIA – 12.30 HORAS – Junto às Piscinas Municipais
POMBAL – 12.00 HORAS – Rotunda do Bombeiro
ALCOBAÇA – 13.00 HORAS – Nas Bombas da REPSOL, saída da A8 – Valado dos Frades
VISEU – 8.30 HORAS – Frente ao Tribunal – Av. Europa
LAMEGO – 7.30 HORAS – Soldado Desconhecido
PARTICIPA!
É o nosso futuro que está em causa!
Colega, consulta os sites dos Sindicatos. Mantém-te informado!
www.sprc.pt
www.fenprof.pt
Endereços Úteis

Centenário de Agostinho da Silva

Certificação para adultos sem ensino secundário
Os adultos sem ensino secundário e com um mínimo de três anos de experiência profissional vão poder obter, a partir de Janeiro, um certificado das suas competências. Até 2010, o Governo espera que sejam certificadas competências a 650 mil pessoas.
( 11:14 / 15 de Novembro 06 )
A partir de Janeiro, qualquer adulto com o mínimo de três anos de experiência profissional e que não tenha ainda concluído o ensino secundário vai poder obter o 12º ano no centro de certificação de competências. Actualmente, esta medida só é possível para o 9º ano, mas o Governo pretende agora alargar ao ensino secundário. Para obter a certificação do 12º ano de escolaridade, segundo explicou o secretário de Estado da Educação, «os adultos dirigem-se aos centros de novas oportunidades, onde será feito um processo de verificação de reconhecimento e, depois, de validação».Valter Lemos disse ainda esperar que não faltem candidatos, lembrando que, no mercado de trabalho, estão muitos jovens que deixarem o ensino secundário.«Este processo relativamente ao secundário é muito relevante para os cerca de 400 mil jovens trabalhadores que, nos últimos dez anos, passaram pelo ensino secundário e não o completaram», sublinhou. Nos próximos quatro anos, o Governo pretende que 650 mil adultos obtenham o diploma do ensino básico ou secundário. Actualmente, cerca de 3,5 milhões de portugueses tem um nível de escolaridade inferior ao 12º ano.
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No Fórum TSF, Valter Lemos adiantou que, neste momento, «há cerca de dois mil professores, nos Quadros da Zona Pedagógica, sem funções atribuídas, sendo que existem mais pessoas sem funções atribuídas noutras situações», adiantou. | |||||||||||
A substituição de professores que estão doentes ou de licença de maternidade, o recrutamento de formadores para áreas mais técnicas dos cursos profissionais ou artísticos especializados e o desenvolvimento de projectos de enriquecimento curricular e combate ao insucesso escolar são as três situações previstas no documento para a contratação directa por parte das escolas.
Cabe ao conselho pedagógico e ao conselho executivo estabelecer os requisitos, o perfil e as habilitações que os candidatos devem apresentar, critérios que são depois divulgados em anúncios na Internet e nos jornais.
Até agora, os estabelecimentos de ensino não podiam contratar professores directamente, sendo a substituição de docentes feita ao longo do ano através de concursos cíclicos de colocação, realizados a nível nacional, que deixam de existir a partir de Dezembro.
Contratos com duração mínima de 30 dias
Os contratos individuais de trabalho a celebrar ao abrigo deste diploma terão a duração mínima de 30 dias e não poderão ultrapassar o fim do ano lectivo, sendo que os horários a atribuir não podem exceder metade do horário lectivo, excepto no caso do primeiro ciclo.
"Com esta modalidade de contratação, que se enquadra na lógica de generalização do contrato individual de trabalho na Administração Pública, o Ministério da Educação visa uma maior racionalização e eficiência na gestão dos recursos docentes, através de medidas que permitam a progressiva descentralização do processo de recrutamento de professores, reforçando a autonomia das escolas", justifica a tutela.
Sindicatos temem "amiguismo e compadrio"
A argumentação do ministério não convence os sindicatos do sector, que temem que o novo regime aumente a instabilidade profissional e crie situações de favorecimento pessoal, uma vez que o critério para a contratação deixa de ser a lista nacional de graduação.
Para a Federação Nacional dos Professores, a medida abre portas "à discricionariedade, à arbitrariedade, ao amiguismo e ao compadrio, com as escolas a poderem fixar os seus próprios critérios de selecção, que poderão ser muito diferentes de escola para escola".
A substituição do contrato administrativo pelo contrato individual de trabalho torna mais precária a situação dos docentes, acusa a federação, criticando ainda a existência de uma quota anual de contratação, que diz limitar a satisfação das necessidades de recrutamento das escolas.
Também António Tojo, da Federação Nacional do Ensino e Investigação, contestou a proposta do ministério, alegando que o contrato individual aumenta a instabilidade profissional dos docentes. "A selecção destes professores é, contudo, o que mais nos preocupa. Os critérios são muito indefinidos e isso faz com que a lista de graduação profissional seja ultrapassada e com que possam ocorrer situações de favorecimento pessoal", criticou.
O novo regime foi apresentado no início de Julho pela tutela, mas o documento não chegou a ser negociado com as organizações sindicais.
Estatuto da Carreira Docente - Professores em vigília durante dois dias Os professores do Ensino Básico e Secundário iniciam quarta-feira, a partir das 11h00, uma vigília de dois dias junto ao Ministério da Educação, durante a qual são retomadas as negociações do Estatuto da Carreira Docente (ECD) |
«Esta vigília não pretende ser um protesto de massas, mas sim um sinal ao Governo de que os professores não vão abdicar de lutar nem tão pouco desistir», afirmou em declarações à agência de notícias, Lusa, Mário Nogueira, porta-voz da plataforma que reúne 14 sindicatos do sector.
O protesto, que se prolonga até às 12h00 de sexta-feira, deverá contar com a presença permanente de cerca de 50 docentes, que receberão a visita de deputados de todos os partidos políticos, incluindo o PS.
Durante as 49 horas de vigília, os professores vão ainda contar com a presença solidária de personalidades como o presidente da Associação Portuguesa de Escritores, José Manuel Mendes, o ex-reitor da Universidade de Évora José Paulo Serralheiro e o director da revista Pontos nos Is e cronista do jornal Público, Santana Castilho.
Animação cultural e musical por parte de grupos como os Toca a Rufar ou os Bombos da Póvoa do Varzim vai também marcar o protesto frente ao Ministério da Educação (ME), na Avenida 05 de Outubro, em Lisboa.
Além da vigília, as estruturas sindicais vão ainda promover sexta-feira um Plenário Nacional de Professores e Educadores no alto do Parque Eduardo VII, no qual são esperadas cerca de 3 mil pessoas para avaliar o processo de negociação suplementar, que arranca quinta- feira.
Um cordão humano de professores e educadores até ao Ministério, onde será entregue um abaixo-assinado com cerca de 60 mil assinaturas, encerra mais uma jornada de contestação.
A polémica negociação relativa à revisão do ECD, que teve início em Maio, terminou no final de Outubro sem ter sido alcançado qualquer acordo entre a tutela e os sindicatos, num processo em que os professores acusaram o ME de «intransigência e inflexibilidade».
Findo o período regular, as organizações sindicais accionaram a negociação suplementar, que, segundo a legislação, deve ser presidida pela ministra, Maria de Lurdes Rodrigues, podendo prolongar- se por 15 dias.
A divisão da carreira em duas categorias (professor e professor titular) e a introdução de quotas para aceder à segunda e mais elevada são os aspectos mais contestados pelos docentes, assim como a avaliação de desempenho dependente de critérios como os resultados escolares e as taxas de abandono dos alunos.
O novo ECD, que a tutela quer aplicar a partir de 01 de Janeiro, já motivou duas greves nacionais e duas manifestações, a última das quais a 05 de Outubro, Dia Mundial do Professor, que reuniu em Lisboa mais de 20 mil docentes.
Lusa
Mais de dois mil docentes vão ter outras funções

A tutela pediu a três universidades estudos para aplicar um programa de reconversão dos professores que estão nas escolas sem dar aulas. Actualmente, de acordo com o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, “mais de dois mil professores de quadro de zona pedagógica estão com horário zero”, a que se juntam algumas centenas de quadros-escola na mesma situação.
O fecho de escolas, a perda de alunos e turmas ou o encerramento de cursos são algumas das razões para a existência de horários zero. Contas feitas por baixo, se em média cada professor receber 1500 euros, a despesa ultrapassa os três milhões de euros por mês. “Não poupamos nada, porque eles já estão a receber ordenado”, explica Valter Lemos. Estes professores exercem outras funções fora das aulas: apoio aos alunos, apoio à gestão escolar, trabalho na biblioteca ou no centro de recursos, orientação vocacional. E poderão continuar a realizar algumas das funções, mas com formação adequada. “O objectivo é proporcionar formação adicional”, de acordo com as suas capacidades e conhecimentos.
Na mira estão principalmente os professores do 1.º Ciclo, que ficaram sem alunos após o fecho de mais de 1600 escolas em Setembro. “Queremos dar a possibilidade de desempenharem as funções de forma positiva para a escola, tendo em conta a disponibilidade de cada professor”, realça o governante. Esta proposta pretende ser uma alternativa à integração dos docentes na lista de supranumerários. Mas Valter Lemos ainda não consegue especificar o que acontece aos professores com horário zero que não aceitem a reconversão. “Está em estudo, ainda não há normativo”, diz.
No próximo ano, o ME prevê reduzir as despesas com pessoal em 343 milhões de euros: 180 milhões relacionados com a aposentação de professores, 100 milhões com a diminuição dos destacamentos de professores para funções não docentes e com a redução dos encargos dos serviços regionais. O restante é conseguido através do congelamento das progressões automáticas, que vai manter-se, e, com a redução de contratados, menos cinco mil.
DOIS DIAS DE VIGÍLIA JUNTO AO MINISTÉRIO
Os professores do Ensino Básico e Secundário iniciam hoje, a partir das 11h00, uma vigília de dois dias junto ao Ministério da Educação, durante a qual são retomadas as negociações do Estatuto da Carreira Docente (ECD).
“Esta vigília não pretende ser um protesto de massas, mas sim um sinal ao Governo de que os professores não vão abdicar de lutar nem tão pouco desistir”, afirmou Mário Nogueira, porta-voz da plataforma que reúne 14 sindicatos do sector.
O protesto, que se prolonga até às 12h00 de sexta-feira, deverá contar com a presença permanente de cerca de 50 docentes, que receberão a visita de deputados de todos os partidos políticos, incluíndo o PS. Durante as 49 horas de vigília, os professores vão ainda contar com a presença solidária de personalidades.
ADULTOS PODEM RECOMEÇAR O SECUNDÁRIO ONDE PARARAM
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, apresentam hoje, em Lisboa, o guia de referência para a educação e formação de adultos ao nível do Secundário.
O referencial estipula quais as competências a avaliar em cada adulto que interrompeu o Secundário e quer equivalência ao 12.º, através dos 271 Centros de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC). “Se tiver competência suficiente para ter o 12.º ano, recebe o certificado. Caso contrário, pode frequentar um curso de educação e formação de adultos, de acordo com a avaliação realizada”, explica o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos.
Até agora, se um adulto tinha o 11.º e queria concluir o Secundário, tinha de voltar ao 10.º ano – algo que vai deixar de acontecer. Os centros RVCC podem receber mais de 120 mil candidatos por ano. As competências estão divididas em três áreas: cidadania e profissionalidade; sociedade, tecnologia e ciência; cultura, língua e comunicação.



